Tracking do Planalto explica sua indiferença a ataques da mídia

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Posted by eduguim

O bombardeio midiático de saturação contra o governo Dilma começou neste ano. Nos seus dois primeiros anos, a presidente desfrutou de coexistência pacífica com a mídia, cujos ataques se limitaram ao PT e ao ex-presidente Lula. Agora, aqueles ataques deram lugar ao que este Blog previu, ao longo de 2011 e 2012, que ocorreria.

Era previsível que o ataque a Dilma seria deixado para mais perto de sua sucessão (2014) e que, primeiro, haveria que desmoralizar o responsável pela eleição dela e o partido de ambos.

Nos últimos dias, este Blog vem criticando duramente o que qualificou como mutismo da presidente e do PT diante dos ataques da oposição e da mídia, nos quais o discurso antigoverno se tornou tão uníssono que chega a impressionar, dando a impressão de que o pré-candidato tucano Aécio Neves vem escrevendo os textos dos três grandes jornais e da principal revista semanal de oposição

Tanto faz ler a Folha de São Paulo, o Globo, o Estado de São Paulo ou a revista Veja. Os três – entre outros – divulgam editoriais, artigos, colunas, reportagens e até cartas de leitores idênticos exprimindo meras opiniões contra o governo e de vitimização da oposição.

E como tanto faz ler sobre política em um dos três grandes jornais ou na revista semanal e congêneres, tome-se como exemplo editorial da Folha deste sábado, o qual deixa a impressão de ter sido escrito com base em pronunciamento recente do senador tucano por Minas Gerais, Aécio Neves, em que acusou a presidente da República de ser a responsável por informação errada dada pela Caixa Econômica Federal sobre a liberação antecipada de pagamentos do Bolsa Família e pelos boatos que causaram pânico entre os beneficiários do programa.

Primeiro, assista ao pronunciamento de Aécio e, em seguida, leia o editorial da Folha. Ambos dizem exatamente a mesma coisa e, assim, deixam ver, a quem estiver disposto a enxergar os fatos, a aliança explícita, ainda que não assumida, entre meios de comunicação e partidos que visa derrotar o grupo político encastelado no poder há uma década.

Entrevista coletiva de Aécio Neves

Editorial da Folha

FOLHA DE SÃO PAULO

1º de junho de 2013

Boatos e fatos

Caixa Econômica cria tumulto com o Bolsa Família; governo implica oposição e depois admite erro, mas não considera que deva satisfação

O Palácio do Planalto anunciou que não será demitido o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, cuja atuação foi muito criticada, ao longo da semana, após as confusões em torno do cronograma de pagamentos do Bolsa Família. Diversa em situações anteriores, desta vez a presidente Dilma Rousseff manteve o auxiliar.

Rumores variados –não só sobre o descabido fim do benefício, mas também, contraditoriamente, sobre a concessão de um bônus extraordinário de Dia das Mães– provocaram filas e tumultos em agências da Caixa nos mais diversos pontos do país.

Terminais eletrônicos foram depredados, a polícia foi chamada a intervir em alguns municípios, aglomerações se verificaram. O súbito surto de insegurança quanto ao benefício, que se alastrou nos dias 18 e 19 de maio, ficou inexplicado, mas autoridades federais sugeriram que uma ação coordenada propagara o boato.

Na semana seguinte, os repórteres Aguirre Talento e Daniel Carvalho, desta Folha, provaram que houve antecipação do pagamento para uma beneficiária em 17 de maio. A própria Caixa, portanto, um dia antes do início do tumulto, alterara sem aviso prévio todo o calendário de depósitos — fato esse que provavelmente deu origem à confusão.

Fosse apenas um caso de desordem administrativa, já não seria pouco. Houve mais, porém. No auge dos desencontros, a Caixa anunciou oficialmente que a liberação de todos os benefícios ao mesmo tempo ocorrera por força dos tumultos. Ocultou, assim, sua própria decisão prévia de antecipar os pagamentos.

Mais ainda, e com leviandade, membros do governo passaram a apontar interesses oposicionistas na origem dos rumores. Tudo teria nascido da vontade de prejudicar o governo federal. “Gente do mal”, disse o ex-presidente Lula. Coisa de alguém “criminoso” e “desumano”, qualificou a presidente Dilma.

Ainda que caiba investigar como a falsa notícia se espalhou, não é exagero dizer que, em meio ao descontrole, interveio um conhecido componente do maniqueísmo petista: o governo é incapaz de errar, por ser intrinsecamente do bem.

Os boatos, que teriam sido evitados se a Caixa fosse mais transparente e organizada, partiram dos inimigos do povo. Os governistas mais ferrenhos já voltavam, contra a oposição, sua sede de justiça.

Descobre-se então que a balbúrdia nascera da própria administração federal –mas a matriz de todos os rumores vinha escondendo o fato, na expectativa mesquinha de tirar vantagem política do tumulto que deslanchou.

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Evidentemente que nem a oposição nem o jornal aliado tocam nos vários pontos que põem em xeque essa argumentação, como, por exemplo, o boato ter ficado restrito a Estados do Norte e do Nordeste e à Baixada Fluminense – em um país que tem o dobro dos Estados atingidos – ou como a velocidade espantosa com que a farsa se espalhou – em poucas horas.

Todavia, não se trata, aqui, de questionar a versão tucano-midiática, mas a sintonia escancarada entre oposição e meios de comunicação, que, desde 2003, vem ocorrendo em absolutamente todos os embates entre PT e PSDB, DEM e PPS.

As críticas ao governo Dilma e ao PT que têm sido feitas neste espaço são por se manterem praticamente indiferentes a essas distorções dos fatos que o vídeo de Aécio e o texto da Folha acima reproduzidos encerram. Contudo, contato com fonte do Planalto revelou o ponto de vista da presidente da República e até a origem desse ponto de vista.

Sobre as acusações de alheamento ao processo de difamação do governo, a fonte garante que este vem fazendo medições diárias dos efeitos do bombardeio midiático através de um método de sondagem da opinião pública conhecido como “tracking”, tudo sob o comando do marqueteiro João Santana.

Nesse aspecto, sobre a cobrança deste Blog no sentido de que a presidente da República fosse à televisão, em rede nacional, a fim de fornecer ao público a versão correta dos fatos, o Planalto, por conta da sondagem que faz da opinião pública, teria dados que comprovam que a farsa “não colou” e que as falas não-oficiais da presidente, de Lula e do presidente do PT teriam bastado.

Segundo aquela fonte, não está sendo feito hoje pela mídia nada que já não tenha sido feito antes e que, como se sabe, não funcionou. O Planalto consideraria, pois, que “Em time que está ganhando não se mexe” e que futuras pesquisas que serão difundidas publicamente revelarão que o bombardeio em curso terá sido “inútil”.

A ver.

Criador da web elogia Brasil por projeto que vai regular a internet

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DO RIO

“O Brasil está liderando o mundo com seu Marco Civil da Internet, então para mim é uma honra estar aqui neste momento histórico, apoiando quem está fazendo isso.”

Foi assim que o inglês Tim Berners-Lee, 57, o criador da World Wide Web, manifestou seu apoio ao projeto de lei brasileiro que pretende ser a “Constituição da internet”.

O projeto prevê a neutralidade da rede (pacotes de serviço iguais a todos os clientes e mesma velocidade de acesso a todos os sites), a privacidade a seus usuários e a liberdade de expressão on-line.

Apu Gomes – 20.jan.2009/Folhapress

Tim Berners-Lee na abertura do Campus Party 2009

Tim Berners-Lee na abertura do Campus Party 2009

Berners-Lee falou com a mídia brasileira na conferência internacional WWW 2013, um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, promovido pela primeira vez no Brasil, no Rio, nesta semana.

“Muitos países estão fazendo esforços em prol da neutralidade da rede, mas o Brasil lidera com o Marco Civil, porque ele olha a questão pelo ângulo correto, que é o dos direitos civis”, disse o físico britânico, que deu entrevista ao lado do deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), relator do projeto de lei.

A proposta foi colocada em consulta pública e recebeu mais de 2.300 colaborações. Agora, aguarda votação no Congresso Nacional.

“Acreditamos que o Marco Civil pode ser uma referência não só em termos de legislação de internet, mas de processo legislativo com participação popular”, disse Molon. “Hoje em dia, a internet precisa de uma lei para garantir que ela possa continuar sendo o que foi até aqui: aberta, democrática, descentralizada, livre de barreiras e propensa à inovação”, afirmou.

O Marco Civil tem o apoio do governo e de diversos setores empresariais, mas enfrenta resistência das empresas de telecomunicação.

As teles se opõem à neutralidade da rede, que impede a cobrança de tarifa diferenciada dependendo do pacote oferecido ou da velocidade de transmissão de dados -o que pode facilitar o acesso a determinados sites.

“O projeto está pronto para ser votado, mas encontra resistência dos setores que não se sentem contemplados. Ou se decide a favor do internauta, de sua privacidade e da neutralidade da rede ou a favor dos que fornecem as conexões”, disse o deputado.

O criador da WWW instou a imprensa a participar da campanha a favor do Marco Civil. “O mundo depende da independência do jornalismo assim como da internet. É preciso explicar às pessoas por que isso é importante e pressionar o Congresso a votar, agindo na direção certa”, disse Berners-Lee.

Ele elogiou o Comitê Gestor da Internet brasileiro, criado pelo governo para coordenar as iniciativas de serviços de internet no país: “É um grupo independente, que recebe ‘input’ de diversas áreas, do governo, dos empresários e dos usuários”.

Uma defesa para Dilma

Uma das tarefas domésticas que mais gostava na infância era ir ao supermercado. Não tanto para comprar doces e chocolates, já que minha mãe foi por muito tempo rígida com açúcar e gordura dentro de casa. O mais divertido era sair correndo na frente do funcionário que remarcava preços com sua “arma”. Lembro que eu e meu irmão entrávamos nos corredores e ao avistarmos o inimigo, corríamos para pegar as compras. Voltávamos para o carrinho sempre com a sensação de dever cumprido e pronto para a próxima missão.

Sei, no entanto, que esta é a única parte cômica da tragédia dos anos 1980. Quem viveu sabe que processos hiperinflacionários são destruidores de lares. Sem exagero. A inflação corrói a renda, principalmente dos mais pobres e daqueles que tem salários pré-estabelecidos. A remarcação diária de preços acaba com o poder de compra do assalariado, que força seu empregador a corrigir seu salário e que por consequência pressiona novamente a inflação.

Por isso, combater processos inflacionários é um dado da realidade, ainda mais se há uma opção por privilegiar as classes mais baixas. Em qualquer política econômica séria esta é uma premissa fundamental, que deve ser sempre respeitada.

A questão, como quase tudo nessa vida, é como.

Quando a presidenta afirmou que o método de combate à inflação baseado em altíssimas taxas de juros estava superado, ela falou a verdade. Sua fala posterior, dizendo que combater a inflação é um valor em si, também. Ok. Ela desdisse para acalmar os ânimos do “mercado”, é fato. Mas não mentiu.

O que ela não disse – ou não deixaram que dissesse – é que o problema sobre o combate à inflação é de método. Investidores, especuladores, operadores e donos do mercado financeiro vociferaram à afirmação dizendo ser pá de cal no controle sério da inflação. O chororô faz parecer que logo mais vamos voltar aos velhos tempos, quando os itens mais básicos da alimentação chegavam a ter seus preços reajustados mais de uma vez por dia.

Quase que como uma entidade espiritual, “o mercado” mandou mais um recado ao governo. Mostrando sua insatisfação com o que chama de excesso de intromissão do Estado em assuntos que não são de sua competência, só faltou demandar por sacrifícios para saciar suas vontades.

Na verdade, o conjunto de entidades financeiras que compõe o que os jornais chamam de “mercado” quer sim sacrifícios para aplacar sua fome. Só não tem coragem de dizer por que depois da era Fernando Henrique – o que saiu pela porta dos fundos – falar em altas taxas de juros se tornou algo digno de censura moral. Mas sempre que podem se valem da “desculpa” da inflação para saciar sua fome.

O que o mercado quer mesmo é um aumento das taxas de juros. O pretexto é o combate à inflação para proteger o salário dos mais pobres. A verdade é que sem taxas de juros estratosféricas, o lucro fácil dos bancos e especuladores cai. Sinceramente, não acho que muitos banqueiros estão realmente preocupados com o salário do trabalhador. Por outro lado, desconfio que com uma taxa SELIC mais alta, fica fácil ganhar mais trabalhando menos. Aliás, foi só o governo começar a fazer cortes significativos na taxa básica que todos os bancos registraram enormes prejuízos. O Santander amargou queda de seu valor de mercado em nível mundial.

Quando disse que o combate à inflação é um problema de método me referia a isso: todo o projeto de combate à hiperinflação defendido pelo mercado pode ser resumido a deixar nossa taxa básica de juros tão alta, mas tão alta, que paralisa a economia real (a indústria, setor agrícola etc) e tem como consequência a diminuição da inflação.

Em 1999 nossa taxa SELIC chegou a 45% ao ano. Na prática isso significa dizer ninguém mais emprestava dinheiro para investir na indústria. Primeiro porque com uma rentabilidade dessas era só comprar títulos públicos, sentar e esperar. Não há margem de lucro em outros setores da economia que possam competir com isso. Ou seja, pra que diabos eu investiria em uma empresa se poderia colocar minha grana na ciranda financeira e ganhar sem trabalho algum?

Mas isso não é tudo. A taxa SELIC é o piso do que o mercado paga ao contrair empréstimos. Ou seja, todos os empréstimos privados são calculados a partir deste valor. Assim, se você for doido de abrir uma fábrica, vai ter que dar um jeito de pagar seus empréstimos (de capital de giro, por exemplo) com no mínimo 45% de juros ao ano.

Essa política econômica controla a inflação simplesmente porque acaba com a economia real. Sem empréstimos, fica-se sem dinheiro para girar a economia. Com a fonte seca, ninguém consome. Essa é a primeira parte da história. A segunda é que sem consumo, temos crise. Com a crise, desemprego. Com o desemprego, mais crise.

Desse jeito galera, até eu acabo com a inflação. Basta fazer todo mundo parar de consumir que está tudo resolvido. A outra parte da história, que eles não contam, é que não tem inflação, mas não tem emprego, renda etc.

O erro de Dilma foi não ter entrado neste mérito. É óbvio que temos que controlar a inflação. É óbvio que o maior prejudicado é o assalariado. Mais óbvio do que isso é que a inflação tem que ser controlada com a economia crescendo. E é aí que na prática a teoria é outra. O governo, apesar de suas inúmeras limitações, vem fazendo algum esforço para a economia andar. Não concordo com várias ações, mas este não é o ponto. É fato que Dilma tem colocado peso político para fazer a indústria brasileira voltar a crescer.

O que não dá pra deixar é o país voltar à Idade Média das finanças, quando o mercado e seus cardeais ditavam todas as regras da economia, sempre em benefício próprio. De fato, o governo tem que pensar em formas de conciliar o desenvolvimento econômico com o controle da inflação. Só não podemos voltar àquela velha catequese que diz que o melhor jeito de crescer é não crescendo. De uma vez por todas precisamos nos livrar da ideia de matar o boi para acabar com o carrapato.

Os 10 anos que mudaram o Brasil.

 

De 2003 para cá, esquerda brasileira viveu período intenso, com conquistas sociais, divergências e nova posição do Brasil no mundo

 

09/01/2013

 

Renato Godoy de Toledo

Redação do Brasil de Fato

 

Dilma e Lula: concessões ao fisiologismo em nome da governabilidade

Foto: Valter Campanato/ABr

Em janeiro de 2003, a esquerda brasileira viu a posse da principal liderança do maior partido construído pelas forças progressistas do país. Essa posse se deu em meio à expectativa de mudanças profundas e de descrença por setores mais à esquerda, críticos das alianças que Luiz Inácio Lula da Silva realizou para chegar ao Palácio do Planalto.

Hoje, 10 anos depois da posse, com uma reeleição e a eleição de sua sucessora, o PT consolidou-se como o maior partido do país, ainda que seja menor do que a figura carismática de seu maior líder.

Em meio a concessões aos partidos tradicionais, em nome da chamada governabilidade, e com uma clara melhora de vida da população mais pobre – com índices de pobreza e miséria sendo reduzidos drasticamente, muito em função de programas sociais –, bem ou mal, a esquerda brasileira viveu os 10 anos mais intensos de sua história.

Uma parte minoritária, hoje representada pelo Psol, rompeu com o governo e o PT após acontecimentos polêmicos como a reforma da Previdência, em 2003, e o chamado escândalo do mensalão, que atingiu figuras históricas do PT. Grande parcela dos partidos fisiológicos aderiu ao governo encabeçado por forças progressistas e, até então, antagônicas. O PFL mudou de nome para Democratas, afim de apagar seu passado pró-ditadura e seu empenho em impor o liberalismo – doutrina político-econômica que perdeu espaço na América Latina e é contestada mundialmente após o estopim da crise global. O PSDB firmou-se como partido da classe média, mas, diante da grande popularidade dos governos Lula e Dilma, tem dificuldades para criticar as políticas sociais, como o Bolsa Família, e educacionais, como o ProUni. Após três derrotas consecutivas, a direita partidária brasileira perdeu força eleitoral e as disputas tendem a crescer dentro do governismo.

O Brasil de Fato ouviu dirigentes da esquerda brasileira de diferentes matizes para avaliar politicamente os 10 anos do governo encabeçado pelo PT e apontar onde essa gestão se situa dentro do espectro político.

Espectro

Para Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do PT e do Foro de São Paulo, por se tratar de um governo de composição, as gestões Lula e Dilma não podem ser consideradas como exclusivamente de esquerda. “Os governos Lula e Dilma são governos de centro-esquerda. Do ponto de vista social, são governos de aliança com setores do empresariado. Do ponto de vista político, são governos de aliança com partidos de centro e, inclusive, de direita, como o PP. Do ponto de visto programático, são governos que buscam superar o neoliberalismo, não são governos que buscam fazer reformas estruturais de tipo democrático popular”, afirma.

Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, partido que compõe o governo desde 2003, aponta as dificuldades de uma aliança com partidos fisiológicos e estabelece uma diferença entre ganhar uma eleição e chegar ao poder. “O primeiro destaque [desses 10 anos], primeiro e essencial, é sua opção preferencial pelos pobres que se completa na defesa da soberania nacional, através do fortalecimento de nossa economia, de um lado, e, de outro, através de uma política externa independente. Certamente todos gostaríamos de que mais tivesse sido feito, e cada um de nós tem um reparo e uma sugestão. Mas a política não é movida apenas pela vontade, regida que é pela realidade objetiva. Penso que fizemos o possível em face da correlação de forças. Ganhamos, apenas, as eleições”, aponta Amaral, que foi ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula entre 2003 e 2004.

Ivan Valente, deputado federal e presidente nacional do Psol, ressalta a continuidade conservadora do governo na política econômica, ainda que aponte diferenças importantes em relação às gestões anteriores do PSDB. “A política seguida tem a hegemonia do capital financeiro, com cerca de 47% da arrecadação direcionada ao pagamento de juros e amortizações da divida. Isso inviabiliza propostas estruturantes no campo social. O governo assumiu a lógica privatizante do patrimônio público. Começou com os leilões do petróleo, alguns bancos estaduais, e agora com a privatização dos portos e aeroportos. Ao mesmo tempo, o governo tentou fazer algum diálogo com setores excluídos, com políticas compensatórias, mas que ainda não são estruturantes para os direitos dos trabalhadores”, avalia.

O presidente do Psol também aponta para algumas mudanças na política internacional, mas ainda as considera insuficientes. “Poderíamos ter uma política mais agressiva, como alguns países latino-americanos têm. Mas, de qualquer forma, ao combater a formação da Alca, foi uma postura de afirmação nacional. A entrada da Venezuela no Mercosul também é um fator positivo, mas a democracia brasileira ainda está engatinhando, pois quando chega na hora de votar uma limitação dos monopólios dos meios de comunicação, como na Argentina, o governo é frágil e não faz enfrentamentos”, analisa.

Inflexões

Ao longo dos 10 anos, analistas apontam algumas nuances na forma de conduzir política e economicamente o país. O marco comumente tido como mais importante nesse período foi o ano de 2005, quando estourou a crise do mensalão. Os principais quadros políticos do PT que cercavam Lula envolveram-se em denúncias e deixaram o governo, concentrando as decisões estratégicas cada vez mais nas mãos do ex-presidente.

“Vejo duas inflexões essenciais no governo Lula. A primeira, em 2005, quando, ameaçado e abandonado por muitas correntes políticas, opta pelo contato direto com as massas e as reconquista. Outro momento é seu segundo governo delineado pelas circunstâncias das eleições em segundo turno. Os fatos levaram o governo mais à esquerda. O governo, sem dela se afastar, começava a desconfiar que a ‘conciliação de classes’ era (como é) uma balela”, salienta Roberto Amaral.

Para Valter Pomar, houve um ataque do conservadorismo em 2005 e o governo respondeu trocando o seu comando. “Em 2005, a burguesia exagerou no ataque e provocou um contra-ataque das bases populares do PT e do governo. No meio deste contra-ataque, caiu a cúpula do primeiro governo Lula, abrindo espaço para uma outra orientação, personificada em Mantega e Dilma. Esta outra orientação significou uma inflexão desenvolvimentista, que se traduziu na linha adotada no segundo turno de 2006 e no PAC”, diz.

Novo coordenador da Cads, Julian Rodrigues adianta o que deve ser feito em 2013 em SP

Julian assume a Cads em 2013

JULIAN

A partir do dia 1 de janeiro de 2013, a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo (Cads) terá um novo titular. Com a posse do petista Fernando Haddad como prefeito, entra para coordenar as atividades da Cads o militante Julian Rodrigues, 39 anos, figura conhecida da militância nacional e um dos principais nomes de articulação da causa LGBT dentro do PT.

Em entrevista exclusiva ao Mixbrasil, Julian se diz tranquilo com o novo desafio, mas consciente de que terá muito trabalho pela frente. Ele destaca que serão duas as prioridades de sua gestão para o começo de 2013, inseridas no chamado Plano de 100 Dias exigido por Haddad a todas às pastas municipais.

“Teremos duas prioridades: primeiro elaborar uma campanha municipal contra a homofobia, principalmente por conta desses ataques mais recentes na cidade. O tamanho da campanha ainda vai depender do orçamento que vamos ter, mas pretendemos fazer um ato de lançamento com a presença de ministros e o prefeito aproveitando o aniversário da cidade (25 de janeiro).”

A campanha pretende ser abrangente e deve contar com cartazes, folders, camisetas e presença nas redes sociais e boates alertando para a importância de denunciar ataques homofóbicos. “E se tiver dinheiro vamos para a televisão e o rádio também”, adianta Julian, que participou ativamente da campanha de Haddad ajudando a elaborar o Plano de Governo do petista – que inclui ações para a diversidade sexual em todas as regiões paulistanas.

A segunda prioridade, segundo o novo coordenador, é garantir até o mês de maio de 2013 todo o apoio à Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que todos os anos recebe da Cads ajuda em forma de infraestrutura para sua realização. “Vamos ver se é possível aumentar esse apoio”, garante Julian, afastando para longe os boatos de que a manifestação não contaria mais com apoio da administração municipal.

Nova casa

Com a extinção da Secretaria de Participação e Parceria, a Cads passa a partir do próximo ano a ser lotada na nova Secretaria de Direitos Humanos e Participação, onde o novo coordenador pretende realizar um trabalho no sentido de aumentar a estrutura da Coordenadoria e fazer melhorias como aumento no salário dos servidores e maior número de pessoas trabalhando no órgão.

Julian diz que “tudo vai se nortear pelo Programa de Governo que fizemos na campanha”, incluindo-se aí a chamada Cads Móvel, uma ideia que pretende levar os serviços da Coordenadoria à periferia paulistana e a outros bairros que muitas vezes nem sabem que a Cads existe. “O objetivo é facilitar o acesso da população aos serviços.”

O novo coordenador destaca ainda que dentre as metas para o próximo mandato estão as parcerias entre a Cads e universidades como a Unicamp e a USP, além de um diálogo aberto com todas as entidades da sociedade civil organizada na cidade – a quem ele promete receber pessoalmente, uma a uma, para conversar.

Sem ataques

De partidos políticos diferentes a partir de 2013, Prefeitura e Governo de São Paulo não devem brigar no campo da causa LGBT, pelo menos é o que promete Rodrigues. Segundo ele, diferenças partidárias serão colocadas de lado no próximo ano e o foco será uma parceria produtiva para garantia da cidadania LGBT.

Ele conta ao Mix que ainda vai conversar com a titular da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, Heloísa Gama Alves, “para ver o que a gente pode fazer juntos. Onde pudermos somar esforços nós iremos. A eleição já passou”.

Julian Rodrigues tem 39 anos e é formado em Letras, especialista em Economia do Trabalho e mestrando em Ciências Sociais na PUC de São Paulo.

PELA PRIMEIRA VEZ, LULA ADMITE SER CANDIDATO

Ricardo Stuckert:

 

Sem mencionar denúncias de Marcos Valério sobre seu envolvimento no mensalão, ex-presidente disse em Paris que espera contar com o voto daqueles que um dia tiveram medo dele, mas que nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo; a interlocutores, Lula tem dito que ‘não vai permitir que o STF escreva o último capítulo de sua biografia’

13 DE DEZEMBRO DE 2012 ÀS 06:39

247 – Em Paris, ex-presidente Lula admitiu, pela primeira vez, ser candidato à Presidência da República. “Espero que, se um dia eu voltar a ser candidato, eu tenha o voto deles que não tive nas outras eleições. Todos tinham medo de mim. Aqui tem empresários que certamente não votaram em mim por medo. Hoje, olho com orgulho, porque eles nunca ganharam tanto dinheiro, cresceram tanto e geraram tantos empregos como no meu governo”, disse o ex-presidente durante palestra no fórum que eu instituto co-organizou, nesta quarta-feira. Declaração foi feita um dia após vir à tona depoimento em que o empresário Marcos Valério o acusa de envolvimento direto no mensalão.

Sem mencionar as denúncias feitas pelo empresário, Lula também fez uma crítica à imprensa nesta quarta-feira. “Quando político é denunciado, a cara dele sai noite e dia nos jornais. Vocês já viram banqueiro nos jornais? São eles que pagam as publicidades da mídia”, disse o ex-presidente.

A interlocutores, ex-presidente tem dito a seguinte frase: “não vou permitir que o STF escreva o último capítulo da minha biografia”.

Leia reportagem do Instituto Lula sobre a palestra:

Instituto Lula – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (12) em Paris que a crise internacional abre uma oportunidade para que os governantes assumam responsabilidades e tomem decisões que há tempos deveriam ser tomadas. “Essa crise está nos chamando para as grandes decisões políticas que desaprendemos a tomar depois de um longo tempo de bem-estar social”, disse Lula. O ex-presidente destacou que a nova geografia política do mundo deve ser respeitada e refletida nos organismos multinacionais e questionou até mesmo a aceitação do dólar como moeda padrão internacional. “É preciso dar mais representatividade e democratizar mais a ONU para que possamos efetivamente nos valer dela”. O ex-presidente Lula e o ex-primeiro ministro francês Lionel Jospin fizeram as falas de encerramento do “Fórum pelo progresso social. O crescimento como saída para a crise”, organizado pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean-Jaurès, em Paris.

Em um discurso de improviso e bem-humorado, Lula levantou risos da plateia em vários momentos e foi aplaudido dez vezes durante sua fala, de cerca de uma hora e vinte minutos. Lula lembrou que no Brasil durante muito tempo foi aceita a ideia de que era preciso primeiro deixar o bolo crescer para depois dividi-lo. “Só que, no meu país, o bolo cresceu várias vezes, algumas pessoas comeram, e outras continaram com fome. Nós provamos que dividir o bolo era fazê-lo crescer. Era preciso distribuir para crescer”. O ex-presidente se disse orgulhoso por ver que seu governo conseguiu provar que era possível aumentar salários e recuperar a renda sem aumentar a inflação. “Não quero dar palpite para a França ou para a Europa, quero mostrar o que fiz no Brasil”.

O discurso do ex-presidente vai ao encontro dos debates abertos pelo presidente francês François Hollande e pela presidenta Dilma Rousseff e que envolveram intelectuais e políticos de diversos países. Durante as mesas de debate, o tema da necessidade de uma nova governança internacional, que dê espaço para os países em desenvolvimento e para mais atores internacionais foi uma constante, assim como a chamada para a defesa do emprego e o estímulo ao crescimento como medidas de superação da crise internacional.

Lula lembrou, por exemplo, que saiu muito otimista da reunião do G20 em Londres, em 2010. “Foi a melhor reunião que o G20 já tinha feito”. Lula leu várias das decisões daquele encontro, que definiam exatamente a necessidade de preservação do emprego e do crescimento como armas de combate e crise e ainda previam a necessidade de regulamentação do sistema financeiro e de reestruturação dos organismos decisórios internacionais. “O problema do G20 não é falta de decisão. Mas, quando os presidentes voltaram a seus países, nada foi feito”, lamentou, lembrando que as eleições nacionais e locais acabaram engessando muitos governantes. “A única coisa que não está globalizada é a política que continua subordinada às decisões eleitorais de cada país”, completou.

Ao final de sua fala, Lula voltou a dizer que esta não é uma crise causada pelos trabalhadores e que é injusto que eles paguem, com desemprego e recessão, por ela. E elogiou Dilma e Hollande porque, no lugar de escolher um encontro entre presidentes, aceitaram ampliar o debate, nesta conferência organizada pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean-Jaurès. “Vamos ouvir todo mundo, não tem problema que tenha gente mais radical, menos radical. Sabe por quê? Porque essa crise não é minha nem sua, é da responsabilidade de gente que a gente nem conhece”, lembrando que nunca viu cara de banqueiro no jornal “porque são eles [os banqueiros] que pagam as propagandas que saem lá”.

“Questão de Policarpo não está resolvida”

: CPMI destinada a investigar práticas criminosas do Carlinhos Cachoeira, e agentes<br /><br />
públicos e privados, desvendadas pelas operações

Em entrevista ao Blog da Cidadania, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPI do Cachoeira, afirma que o nome do jornalista de Veja foi tirado apenas para facilitar a aceitação do relatório, mas que ainda pode haver providências posteriores, após a votação do texto; já o do procurador, Roberto Gurgel, havia indecisão dentro do PT

 

 

Blog da Cidadania – O vice-presidente da CPI do Cachoeira, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), concedeu nesta quinta-feira 29 entrevista ao Blog sobre o relatório final da investigação. Segundo Teixeira, ao menos a questão do jornalista Policarpo Jr., da revista Veja, “não está resolvida”. Ele fala, ainda, sobre a posição do partido em relação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e explica as razões para o recuo do relator. Leia, abaixo, a entrevista.

Blog da Cidadania – Deputado Paulo Teixeira, sobre a posição do relator da CPI, deputado Odair Cunha, de retroceder no indiciamento do procurador-geral da República e do jornalista da Veja Policarpo Jr., o que o senhor diz sobre isso? É uma posição do PT? Dizem que o PT ficou com medo da mídia, outros dizem que foi o Palácio do Planalto que pediu… Qual é a posição que levou a esse acontecimento?

Paulo Teixeira – Do relatório do deputado Odair Cunha constavam pedido de investigação do procurador-geral, tendo em vista que não há explicação sobre os procedimentos que ele adotou – ou a falta de procedimentos adotados –, e pedido de indiciamento do jornalista Policarpo Jr. Mas poucos partidos homologavam o relatório nesses termos. Havia uma ampla maioria contrária ao relatório.

Nessa ampla maioria há vários interesses. Tem o interesse que não quer o indiciamento do Marconi Perillo, tem o interesse daqueles que defendem o dono da Delta, o Fernando Cavendish, e tem o interesse dos que não querem que esteja no relatório qualquer menção ao procurador e qualquer menção ao Policarpo. Com isso, o relator entendeu que, para pelo menos ele ler o relatório a fim de construir maioria, devesse retirar o jornalista Policarpo.

Havia, entre nós, um consenso de que devesse retirar ao menos o procurador-geral, pois o objetivo principal da CPI, o foco da investigação, era o governador de Goiás e o seu aparente envolvimento com o esquema de Cachoeira.

Blog da Cidadania – Entre nós, quem, deputado?

Paulo Teixeira – No PT, o nosso consenso era de que ele devesse retirar o procurador-geral. Mas a bancada do PT quis dar ao relator Odair Cunha condições de ele tocar o relatório de tal sorte que ele pudesse, ao menos, lê-lo para votação. Então ele achou por bem retirar o jornalista Policarpo Jr.

Blog da Cidadania – Mas deputado, o PT entende que não há uma certa gravidade no fato de o procurador-geral da República ter engavetado a Operação Vegas? Ele sabia do Demóstenes Torres, sabia de tudo aquilo… O PT não entende que a conduta dele foi estranha?

Paulo Teixeira – Nós consideramos que a postura do procurador-geral foi uma postura estranha, tanto que a proposição inicial do relatório foi de um pedido de investigação. O problema, como eu te disse, ali, foi que se criou uma frente de diversos interesses que impedia sequer a leitura do relatório. Aí, o PT decidiu que, mesmo pedindo a investigação no relatório inicial, nós tiraríamos esse pedido de investigação com o objetivo de facilitar sua aprovação.

Blog da Cidadania – O PT, por si, pediria os indiciamentos do Policarpo e do Roberto Gurgel?

Paulo Teixeira – O PT proporia o indiciamento do jornalista Policarpo Jr. e isso fez parte do relatório de Odair Cunha. Mas havia debates internos, no PT, sobre o procurador-geral, sobre essa questão do indiciamento ou não, se deveria ser tocada adiante. Mas, em relação ao jornalista Policarpo, o PT é unânime. Em relação à retirada de seu nome, isso foi uma circunstância que se criou para o relator e ele percebeu que, sem isso, o relatório não seria sequer lido.

Blog da Cidadania – Agora, deputado, não seria o caso, ao menos, de a Polícia Federal abrir uma investigação sobre o Policarpo?

Paulo Teixeira – Olha, na verdade, essa questão não termina com o relatório. Qualquer deputado pode pedir, ao final, que questões que não entraram no relatório possam ser investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público…

Blog da Cidadania – Qualquer deputado da CPI?

Paulo Teixeira – Da CPI… Essa questão do Policarpo, na minha opinião, não está resolvida.

Blog da Cidadania – Não está resolvida… O senhor acha que pode ter algum desdobramento. E quanto ao procurador, alguma possibilidade de investigação?

Paulo Teixeira – Então… Todas as questões postas vão ficar ou dentro do relatório ou para posteriores procedimentos e providências. Isso eu não vou te adiantar. Em relação ao procurador, não saberia dizer.

Blog da Cidadania – Deputado, uma última pergunta: cogita-se que tenha havido uma interferência do Palácio do Planalto nessa decisão. O senhor confirma ou nega esse fato?

Paulo Teixeira – Não, não creio que tenha havido interferência do Planalto.

Foco na austeridade é suicídio europeu, diz Felipe González

Por Assis Moreira | De MadriValor Econômico – 28/11/2012

Felipe González não esconde a inquietação com o aprofundamento da crise na Europa. Chefe do governo espanhol em quatro mandatos consecutivos (1982 a 1996), ele compara o persistente enfoque na austeridade e o equívoco de diagnóstico da crise na zona do euro a um “”suicídio voluntário””, aquele em que o suicida está plenamente consciente do que faz. Utiliza a Espanha como exemplo do que fracassou no modelo europeu. Critica seu próprio campo, a social-democracia, por estar perdendo uma grande oportunidade ao só ter propostas defensivas na crise. Reconhece a perda de influencia europeia em paralelo à ascensão de economias emergentes. Ao seu ver, nos próximos 25 anos os europeus vão se concentrar em pagar dívidas, e os emergentes a comprar o que quiserem.

González teve papel dominante na política da Espanha democrática e na sua integração à Europa comunitária. Foi protagonista, com o francês François Mitterrand e o alemão Helmut Kohl, do Tratado de Maastricht, em que se acertou a criação da moeda única europeia, o euro, e se mudou tratados fundamentais da União Europeia, que deram mais impulso político ao bloco. Em recente relatório do grupo formado pela UE conhecido como Comitê de Sábios, que ele presidiu, González propôs medidas radicais para uma refundação da Europa. Ele recebeu o Valor em seu apartamento, em Madri. Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Valor: A Europa continua inoperante frente à crise. Como sair dessa situação?

Felipe González: Há duas falhas. Primeiro, a falha de estratégia frente à explosão do sistema financeiro internacional e sua consequência na Europa. Segundo, uma falha estrutural, do modelo de união monetária sem união econômica, fiscal e bancária. A Europa é fortemente influenciada pela Alemanha, o único país com equilíbrios macroeconômicos favoráveis e o único exportador de capital que resta no mundo ocidental, incluindo aí os Estados Unidos.

A Europa foca a luta contra a crise cometendo um gravíssimo erro que vem do pensamento equivocado de que a crise era, primeiro, americana, conjuntural, e seria superada rapidamente. O enfoque considera que a crise da dívida é uma crise de solvência, em lugar de crise de liquidez, de corte brutal de crédito. Isso está provocando uma dinâmica de insolvência de um ou outro país. Enfrenta-se o problema sob a base da austeridade em duas dimensões: cortar o gasto público para reduzir o déficit e a dívida, e aumentar as receitas pressionando os impostos, cortando crédito para a economia privada. Renuncia-se a qualquer impulso neokeynesiano para alimentar a demanda. É verdade que há países sem margem para fazer esse impulso, mas a Alemanha tem, o Banco Europeu de Investimentos (BEI) tem. O único instrumento que resta, e foi o que fizeram os EUA, é a política monetária. A Europa faz uma política monetária fundamentalmente pró-cíclica, não pela taxa de juro, que é reduzida, e sim pelo controle da liquidez. Como se produziu choque assimétrico [entre países da zona do euro] ao implodir o sistema financeiro, a situação de países que passaram de contas públicas sadias e contas privadas muito endividadas para contas públicas que galopam no déficit e da dívida é uma situação recessiva permanente. Não só não há política de gastos, como tampouco há política monetária que permita ao menos ao aparato produtivo manter a liquidez e que sua atividade não caia.

Valor: E isso aprofunda a crise…

González: Exato. Estamos num circulo vicioso recessivo acompanhado por políticas monetárias restritivas e proibição absoluta de políticas de gastos. Os EUA fazem o contrário. A única maneira de ter política de gasto é dispor de linhas de crédito para projetos de infra-estrutura etc. Agora a Comissão Europeia discute o orçamento europeu plurianual 2014/2020, que significa 1% do PIB europeu, e tem tudo para alimentar o ciclo restritivo. Não há nenhuma indicação anticíclica, nem para o drama do desemprego que vivem países como a Espanha. Confundem uma crise de dívida, que existe, com uma crise de solvência, que não existe, porque com US$ 35 mil per capita a solvência para recuperar a capacidade de pagamento não pode ou não deve ser questionada. Com renda per capita de US$ 10 mil, haveria algum problema, mas com US$ 35 mil, o que é isso? É um suicídio voluntário.

Valor: Mas parte dos males europeus não vem de longe?

González: Esse é o ponto dois. Eu fui um dos que assinaram o tratado de união econômica e monetária. Nunca concebemos uma união monetária sem união econômica. Em 1998, decidiu-se colocar em marcha a mudança das moedas para chegar à moeda única, em três anos de adaptação. Mas se decidiu então fazer união monetária sem união econômica e fiscal, e com um banco europeu que não é banco de último recurso, cujo único objetivo é controlar a inflação. Mas o BCE [Banco Central Europeu] também tem como objetivo a defesa da estabilidade do euro. No entanto, o euro de Berlim não é o euro de Alicante e já nem falo do euro de Atenas. É a mesma moeda, mas não significa o mesmo em todo lugar, porque não há uma política econômico-fiscal de convergência. Os choques assimétricos [entre países] estão destroçando a possibilidade de avançar na estabilidade do euro, inclusive questionando a moeda única, porque o modelo não é coerente. A Europa reage fazendo pouco e tarde.

Valor: E mais caro.

González: Exato. A Grécia talvez pudesse ter custado € 30 bilhões em março de 2010, agora com € 200 bilhões não resolve o seu problema. A Europa comete um erro ao lidar com a crise, em relação aos EUA, que a enfrentam de outra maneira. A Europa tem um problema estrutural que precisa resolver. Para isso tem que haver vontade política de união, mas o que vemos é crescente egoísmo nacional.

“Os social democratas estão perdendo uma grande oportunidade, em parte porque suas propostas são defensivas.”

Valor: Nesse contexto, todas as opções estão abertas para o euro?

González: Tenho sido um responsável político com consciência histórica. Não creio que o euro vai desaparecer. A catástrofe seria geral. Mas, se em dois anos desapareceu o império soviético e a Europa fez duas guerras mundiais no Século XX, tampouco posso excluir que o euro desapareça. Os instintos suicidas da política são coisa muito séria e se repetem historicamente. Se alguém é capaz de raciocinar o custo do não euro, primeiro para o país mais potente economicamente da Europa, que é a Alemanha, a resposta seria clara de que o euro deveria se manter e deveríamos corrigir os defeitos estruturais. Mas quem disse que a política tem a ver com racionalidade e com pragmatismo? Quantas vezes não vimos uma catástrofe por falha da compreensão da realidade…

Valor: Como a Espanha afundou tanto?

González: O caso da Espanha ilustra as falhas do modelo [europeu], porque cumprindo a condição necessária do pacto de estabilidade não se cumpria a condição suficiente da convergência das políticas econômica e fiscal. Ao mesmo tempo que tinha contas públicas fantásticas, a Espanha tinha déficit comercial de 10% da balança comercial e equivalente na balança de pagamentos. O país dependia para seu crescimento da poupança externa, que era dirigida ao consumo interno não produtivo. Isso era insustentável e nos fazia perder competitividade. Mas os bancos alemães e franceses viam uma oportunidade extraordinária de negócios. Todo mundo estava feliz com crescimento de quase 4% e sensação enorme de riqueza, embora isso fosse virtual e as dívidas que se acumulavam fossem bem reais, como estamos vendo agora. Os nórdicos fizeram reformas, os alemães frearam o crescimento dos salários e do consumo, ganharam competitividade e não perderam emprego na crise. Precisávamos de um BC que dissesse que deveríamos pagar juros mais altos para frear aquela loucura. Mas não havia política monetária para aquela divergência das políticas econômicas da zona do euro. E agora não há política monetária para as divergências de que estamos padecendo, porque se passa exatamente o mesmo, ao revés. A Alemanha paga taxa de juro negativo para se financiar, enquanto a Espanha, com inflação controlada e economia parada, está pagando 6%, o que é insustentável.

Valor: Até quando a Europa pode suportar essa situação?

González: A Europa tem três caminhos. O pior, que é retroceder, voltar às moedas nacionais. Aí ficamos como o Reino Unido, o que facilita o financiamento da dívida com taxa de juro negativo, mas os problemas estruturais não se resolvem. Esse retrocesso arrastaria o mercado interno sem fronteiras. Não se pode ter um espaço interno compartilhado de 17 ou 27 países sem fronteira, com livre circulação de capital, mercadorias, fazendo implodir a moeda única e causando desvalorizações. Quanto a Grécia teria de desvalorizar? Uns 80%. A Espanha, uns 30 a 40%. No momento em que se produzem desvalorizações inevitavelmente competitivas, deve-se impor barreiras internas. Na Europa, o retrocesso não é que cada um recupera a sua moeda, e sim que todo o espaço europeu comum ficará sem sinergia e potencialidades. As transações dentro da união são 70% das relações comerciais de cada país.

“[Na Europa] confundem uma crise de dívida, que existe, com uma crise de solvência, que não existe.”

Valor: E esse cenário o sr. exclui?

González: Sim. O caminho numero dois é aceitar que o modelo é incoerente e, preservando os avanços da construção europeia, aceitar dar um passo a mais para a federalização das políticas econômica, fiscal e bancária. A cúpula de chefes de Estado e de governo de junho deste ano tomou decisões na direção necessária, mas nenhuma delas não foi implementada e estão cada vez mais atrasadas. A mais fácil de todas seria a união bancária. Mas vai-se aplicá-la em janeiro de 2013? Não. Não vai acontecer nada pelo menos até que passe a eleição na Alemanha. E como há eleição em todos os países, sempre há isso. A terceira opção é arrastar-se pela lama e ficar uma década na crise.

Valor: Sobre a Espanha, o sr. parece especialmente enfadado em relação ao governo Rajoy, não?

González: O governo [de Mariano Rajoy] completa um ano fazendo o contrário do que tinha dito que faria. Quer nos fazer crer que ele foi obrigado a fazer isso. Não posso aceitá-lo, porque me parece fundamentalismo. Diz que é a única coisa que pode fazer…

Valor: Rajoy diz que não há varinha mágica.

González: Sei que não há varinha mágica. O que não aceito é que só haja uma política. Não é verdade. O governo [de José Luis Rodríguez] Zapatero, de meu partido, cometeu erros. E alguns foram sérios, como não prever os problemas estruturais da economia espanhola, que vinham do governo anterior, e não corrigi-los, e nem avaliar a crise na dimensão que tinha. O governo atual diz que não sabia a crise que enfrentava. É grave se não sabia mesmo ou se não diz a verdade. O certo é que, um ano após a saída do governo socialista, os indicadores estão piores. O problema não é em quanto cortam os gastos sociais, mas em quanto estão dispostos a romper o modelo. É a mudança do modelo que me preocupa.

Valor: Só na Espanha ou Portugal o modelo social se rompe?

González: A Europa chegou a uma conclusão equivocada, embora haja países que têm êxito, como os nórdicos, que aumentaram a competitividade e melhoraram, não pioraram, a coesão social. Melhorar não quer dizer aumentar gastos, e sim aumentar a responsabilidade dos cidadãos frente a essa política de coesão social. É o que se chama de eliminar abusos. Mas a ideologia dominante na Europa, entre aspas, é que se queremos recuperar a competitividade deve-se desmontar o modelo de bem-estar social. É o contrário das aspirações do Brasil e da China. Há um paradoxo para um social-democrata. A Europa do pós-guerra se identifica com um modelo de políticas keynesianas, com crescimento, pleno emprego, vantagens e construção das bases de bem-estar, como educação, aposentadoria, saúde. A partir dos anos 80, começa a crescer algo que não havia aflorado, porque ninguém tinha contestado o modelo, com [Margaret] Thatcher e [Ronald] Reagan adotando política alternativa neoliberal, de oferta, flexibilidade sem limite etc. E isso por dois fatores: a liquidação da política de blocos e o impacto da revolução tecnológica.

O mundo muda muito rapidamente. O modelo de globalização tem tendência inexorável de criar mais desigualdade na redistribuição da renda, compatível com menos pobreza, mas a distância da renda entre os que menos têm e os que mais têm é maior. O modelo neoliberal faz com que pessoas como [Bill] Clinton acreditem que a desigualdade criada pelo modelo da globalização pode ser compensada não por políticas sociais diretas, mas por crédito abundante, para que a gente tenha a sensação da riqueza. Essa filosofia da desregulação no funcionamento da mão invisível do mercado, onde se aplicou ao máximo o funcionamento do sistema financeiro global, foi criando uma imensa bolha financeira, supostamente autorregulada, que arrebentou entre 2007 e 2008. Isso poderia significar o fim da hegemonia neoconservadora na economia mundial, por seu próprio fracasso. Haveria, ao menos teoricamente, oportunidade para os que defendem políticas mais próximas da social-democracia. Mas não é assim.

Valor: Ou seja, a social-democracia fracassa na crise?.

González: Sim. A social-democracia está perdendo uma grande oportunidade, em parte porque suas propostas são defensivas. [François] Hollande ganhou [na França] porque disse que não estava disposto a desmontar o Estado de bem-estar. Mas não oferece um modelo produtivo competitivo, sustentável, para manter a coesão social. E as pessoas estão fartas [de promessas] que depois não podem se sustentar porque a economia não é competitiva. A resposta da social-democracia não é a resposta para a mudança que se produziu na economia mundial. A esperança de resposta ofensiva é a de Dilma [Rousseff], [Luiz Inácio] Lula [da Silva], dos países emergentes, com políticas econômicas que garantem geração de emprego e lutam contra a marginalização social, mas com manejo da política macroeconômica que não tem cor política, que é pragmático. Mas, atenção, que não caiam na tentação das utopias regressivas.

Valor: Aqui em Madri, Dilma Rousseff insistiu que todo governo tem de ser pragmático.

González: Na America Latina dos anos 80 e no sul da Europa, [observei que] um socialista pragmático era considerado um insulto, e no norte anglo-saxão era um elogio. Qual tem sido o grande problema da esquerda mais latina, à qual pertencemos? É que a esquerda tem um grande prazer histórico em inventar o futuro para que a direita governe o presente. Eu tomei a decisão de inventar o futuro governando o presente, e isso obriga a ser pragmático.

Valor: O que a social-democracia deveria propor?

González: Há alguns pecados mortais históricos que devem deixar de sê-los. A única maneira de ter crescente produtividade por hora de trabalho é ligar a retribuição em parte à produtividade. Se os social-democratas dizem com clareza que, para recuperarmos posição razoável na economia global, não temos espaço para competir com salários baratos e temos que competir com excelência, inovação e produtividade, temos que ligar a retribuição a isso. É a única alternativa de esquerda que vejo. A economia tem que agregar valor, crescer, gerar excedente para tirar a gente da pobreza.

Valor: Até que ponto a geopolítica continuará mudando?

González: O êxito do mundo ocidental desenvolvido foi pôr em marcha uma revolução tecnológica, sobretudo da informação. Discuti isso com [Mikhail ] Gorbatchov e isso foi em parte o que acelerou a destruição do império soviético. Tinha um complexo industrial-militar, chegou antes à Lua, mas, por ordem da gerontocracia, menosprezou a tecnologia da informação que começou a ser desenvolvida no Cern, na Suíça, e em laboratórios americanos. Isso marca a diferença que se vai produzir no mundo. A tecnologia da informação que se cria por meio da rede é horizontal e se universaliza, não é a propriedade exclusiva dos que tinham a manufatura e impunham o preço da manufatura e das matérias-primas e que exasperavam os países em desenvolvimento.

O curioso é que o mundo ocidental desenvolvido gera uma revolução tecnológica que muda a relação de poder e de força no mundo do ponto de vista econômico e político. Isso é irreversível. As matérias-primas vão depender muito menos da produção na Europa e nos EUA. O que se passa com a Europa? A população envelhece, não fazemos as reformas estruturais, a participação no PIB mundial é cada vez menor. O processo de perda de relevância é enorme. Quando digo isso, colegas europeus se irritam. Mas, se não reagimos a essa nova realidade, estamos mortos. Há uma transferência brutal de poder econômico. Nos últimos 25 anos, o mundo desenvolvido aumentou a dívida publica e privada que vai ter de pagar nos próximos 25 anos. E os países emergentes, em seu novo papel, vão poder comprar o que quiserem nos próximos 25 anos. O que vamos ter de vender para pagar…

Valor: É uma virada irreversível?

González: Sim. E há gravíssimos problemas de como reordenar essa nova ordem internacional. As variáveis estratégicas que vamos enfrentar no futuro são três: como repartir a energia, que será um bem relativamente escasso e muito disputado pelos que têm de crescer. Segundo, a revolução tecnológica para diversificar de verdade as economias que estão vivendo felizes pelo crescimento do preço das matérias-primas. E, terceiro, o agroalimentar, pela mesma razão. A China, com suas terras cultiváveis disponíveis na máxima pressão produtiva, alimentaria 40% de sua população. Quer dizer que 60% têm ser trazidos de fora. Dessas três variáveis depende o desenvolvimento, o equilíbrio da nova ordem internacional, incluindo as tensões e os conflitos.

Valor: Quando o Brasil será uma potência relevante?

González: O Brasil já é. Tem um aparato produtivo diversificado e, se apostar no capital humano de verdade, dentro de 20 anos será uma potência indiscutível. É relevante fora não só pela sua dimensão, como também pelo êxito interno. Não há política exterior quando há fracasso interno. A relevância da Espanha como interlocutor da America latina não é a mesma de 15 anos atrás. Se o Brasil retrocede, sua relevância retrocede. O Brasil tem um bônus demográfico enorme. Como incorporar capital humano e novas tecnologias é o que decidirá o futuro do Brasil, do México.

Paulo Teixeira: Eleição de Haddad é resposta a quem tentou criminalizar o PT

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A votação alcançada por Fernando Haddad em São Paulo foi uma resposta “contundente” aos que tentaram aproveitar o ambiente de eleições municipais para “criminalizar o PT”. A avaliação é do deputado Paulo Teixeira (PT-SP). “É uma vitória do ex-presidente Lula, da presidenta Dilma Rousseff e dos partidos aliados que compõem a base do governo federal”, definiu Teixeira.

Ele considerou que a exploração eleitoral do julgamento do chamado “mensalão” pelos principais meios de comunicação não surtiu o impacto desejado pelas “forças conservadoras”, mas admite: “Se não houvesse essa exploração, essa coincidência oportunista de calendários contaminando ambas as agendas, o partido poderia ter alcançado resultados ainda mais expressivos”.

Na visão do parlamentar, as eleições municipais contribuíram para que novas lideranças políticas despontassem no cenário nacional. “O próprio PT foi um dos protagonistas desse cenário de renovação, ao liderar um projeto aprovado nacionalmente e que, inclusive, ganha mais força para disputar o governo estadual em 2014”, acredita.

Com informações da Rede Brasil Atual

Luta do MST trouxe avanços para o campo

Entrevista veiculada no Jornal do Dia, de 19 e 20 de agosto, pág 6

 

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, João Daniel (PT) é o primeiro membro do MST a ter assento na Assembleia Legislativa de Sergipe. Como deputado, tem defendido ações voltadas para o campo, como projeto de convivência do sertanejo com o semi-árido, aproveitamento de recursos hídricos e difusão de técnicas para preservação da caatinga.

Em entrevista ao JORNAL DO DIA, ela fala dos avanços do governo de Marcelo Déda (PT), como a aquisição de áreas e criação de novos assentamentos. Também fala de política. Ressalta que o governo do PT implementa políticas em todas as regiões do Estado, sem discriminação, com mudanças significativas e melhorias das condições de vida da população. “Só não vê quem não conhece a realidade anterior a esse governo”, diz.

Com relação ao rompimento do governador Marcelo Deda com o grupo político liderado pelos irmãos Amorim, Daniel observa que todos já tinham percebido a distância entre os dois agrupamentos, desde que foi posta em campo a candidatura de Eduardo Amorim ao governo do Estado em 2014. “Era questão de tempo, e de quem tomaria a iniciativa, que acabou sendo tomada pelo PSC na eleição da Assembleia.”

Leia a íntegra da entrevista:

 

Jornal do Dia – O MST está avançando em Sergipe?

João Daniel – Podemos afirmar que a luta e a organização dos trabalhadores rurais sem terra trouxeram significativos avanços para Sergipe. São cerca de 450 áreas, com mais de 10 mil famílias assentadas. O MST criou a possibilidade de que essas famílias passem a ser sujeito da sua própria história; transformou áreas em que nada produziam em áreas de moradia para essas famílias, com a construção de comunidades que ajudam não só no desenvolvimento local, mas do Estado. O MST não se organiza apenas para garantir a parte produtiva, mas luta para assegurar o acesso de todas as famílias à educação, cultural, saúde, lazer. Esta semana, inclusive, recebemos os dois primeiros advogados formados no curso de Direito para áreas de Reforma Agrário, em Goiás, sem falar nos diversos pedagogos, agrônomos, médicos, historiados, técnico em agroindústria e pecuária, cursos resultantes da luta do MST.

Nos assentamentos é possível encontrar tudo que você procurar. Há gado de corte, pecuária leiteira, pequenos  animais, como ovinos e caprinos, aves e culturas anuais, que por sinal vêm dando grandes  resultadas, especialmente o milho, além de hortaliças, verduras, mandioca, macaxeira,  batatas e fruticultura.  Temos, ainda, pequenas indústrias de beneficiamento de frutas nativas, a exemplo da mangaba e do umbu, e mel. A maioria dessa produção sem utilização de agrotóxico, seguindo  a linha nacional do MST de defender projetos agroecológicos, inclusive, com a criação de  bancos de sementes de variedades. Os assentamentos de reforma agrária são referencia de produção. Importante ressaltar, que não é apenas na quantidade da produção, mas também na qualidade e na diversidade. A pequena agricultura e as áreas de reforma agrária são a que produzem os  alimentos para a mesa dos brasileiros. E o que é melhor, sem envenenar a terra e os  alimentos.

 

JD – A Reforma Agrária está consolidada no Brasil?  

Daniel – A questão da Reforma Agrária no Brasil, bem como a pequena agricultura, sempre foi tratada como política compensatória. A partir do governo Lula tem melhorado, e muito, a visão e as condições para assentamentos. No caso de Sergipe, até o início do governo Marcelo Déda a Reforma Agrária era tratada como um problema do Governo Federal e dos movimentos sociais. Já o Governo Marcelo Déda teve várias iniciativas para o campo, como a aquisição de áreas e criação de novos assentamentos, infraestrtura. Sergipe, por exemplo, foi o primeiro a ter um convênio entre Estado e União para desapropriação e aquisição de áreas, no qual 1.200 famílias foram beneficiadas – o convênio inclusive deve ter continuidade.  Isso foi exemplo para outros estados. Agora, temos muito ainda para avançar. Grande parte da miséria está no campo, e conseqüência da história da concentração da terra, do crédito e das agroindústrias nas mãos das grandes empresas. Portanto, é preciso uma política de inclusão permanente da população rural firmemente apoiado pelo Estado, um programa de Reforma Agrária, de acesso ao crédito, de assistência técnica pública universal para todos os trabalhadores do campo, sem interrupção, de garantia de crédito de investimento e custeio para todas as áreas, incluindo a agroindústria. Envolve também outras questões que são fundamentais, como um amplo programa de alfabetização e educação, cultura, saúde, ou seja, garantir que as políticas públicas cheguem a todos.

 

JD- Ainda existem áreas críticas em nível de Reforma Agrária em Sergipe?  

Daniel – Lamentavelmente, temos geração que ainda nasceu nos acampamentos, que, por problema legais e judiciais, ainda não foram concretizados os assentamentos. A Tingui, por exemplo, em Riachuelo, com 15 anos de acampamento. Agora temos um caso em Pacatuba, a fazenda Talho, que após imissão de posse pela Justiça Federal, ela própria deu reintegração e suspendeu a imissão. Não é rara a “sensibilidade” da Justiça para os fazendeiros.

 

JD – Os agricultores estão reclamando dos prejuízos provocados pela seca. Não há solução para esse antigo problema?

Daniel – Primeiro devemos lembrar que essa é uma das piores nos últimos 40 anos, e que era de conhecimento de pesquisadores e dos governos. As percas são incalculáveis, e ainda estamos longe do fim da estiagem. Inclusive, propus, juntamente com os movimentos sociais e os territórios do Alto Sertão e Sertão Ocidental, a isenção para a região de todos os impostos durante o período de estiagem; a venda pelo Governo Federal de milho e soja para manutenção da pecuária; a garantia de término do projeto Jacaré-Curituba, a construção de médias e grandes barragens.  No entanto, a grande solução para a região sem-árida é implementar políticas permanentes de médio e longo prazo a partir da convivência com o semi-árido, aproveitar as riquezas hídricas e oferecer técnicas alternativa de enriquecimento do bioma caatinga.

 

JD- Que avaliação o senhor faz do Governo Déda?

Daniel – Tivemos avanços. É um governo que tem implementado políticas em todas as regiões do Estado, sem discriminação, com mudanças significativas e melhorias das condições de vida da população. Só não vê quem não conhece a realidade anterior a esse governo. No entanto, ainda temos muito a realizar em diversas áreas. Exemplo: um grande programa de habitação popular; projetos sociais que estão pendentes por burocracia, conquistados através dos Territórios da Cidadania; implementação das políticas territoriais, com participação popular, e de políticas para a juventude.

 

JD – O senhor aprovou o rompimento do governo com o grupo Amorim?

Daniel – Todos que acompanham a política, e que ouvem rádio, lêem jornal e assistem televisão, já tinham percebido que havia sido declarado pelos líderes do PSC um novo projeto do grupo para 2014, e não aquele liderado pelo governo Marcelo Déda e pelo PT. Estavam num grande campanha de desgaste e enfraquecimento do Governo Marcelo Déda.  Era questão de tempo, e de quem tomaria a iniciativa, que acabou sendo tomada pelo PSC na eleição da Assembleia.

 

 

JD – O senhor acha que o rompimento não cria dificuldades em obter maioria na Assembleia?  

Daniel – Depende da pauta que será votada, mas acredito que o governo não terá dificuldades em fazer a maioria.

 

JD – O senhor acredita na candidatura Valadares Filho em Aracaju?

Daniel – Tivemos a oportunidade de participar da grande caminhada ocorrida em Aracaju, sexta-feira. Acredito que foi o grande ato da campanha. Pude perceber nas ruas a recepção da população à candidatura encabeçada pelo PSB/PT. Tenho certeza que as pessoas só votarão num antigo projeto senão conhecerem o novo. A sociedade caminha para frente, quer mais conquistas, quer mais participação popular. João Alves é o contrário de tudo isso. João Alves representa o que há de mais atrasado para Sergipe.

 

JD – No sertão o PT perdeu a hegemonia?

Ao contrário. O PT está muito fortalecido em toda a região e participa ativamente da vida política em todos os municípios, seja apoiando aliados ou encabeçando a chapa, como nos importantes municípios Nossa Senhora da Glória e Poço Redondo.

 

JD – O que fez até agora e o que pretende fazer o deputado estadual João Daniel na  Assembleia Legislativa?
Daniel – Destaco dois projetos, um já aprovado e sancionado, que beneficia a  sociedade sergipana ao criar a política de incentivo à agroecologia, tanto na produção,  comercialização e no consumo, e outro que está tramitando agora, que visa garantir uma  política estadual de assistência técnica para que todos os agricultores do Estado de  Sergipe possam ter uma assistência técnica, ambiental e social de qualidade. É importante  destacar que esses projetos são construídos coletivamente, aliás, como tudo que é  realizado em nosso mandato há debatido e discutido com todos os setores que nos apóiam e  querem construir uma sociedade justa e fraterna.

 


Brasil com Chávez

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Notícias da Fundação Perseu Abramo

Notícias da Fundação Perseu Abramo
Boletim informativo quinzenal – nº 191 – de 16.08.2012 a 31.08.2012

Teoria e Debate
Na edição de agosto, artigos e análises sobre a situação brasileira e internacional
Leia este mês:Nota de Conjuntura VI, por Grupo de Conjuntura da Fundação Perseu Abramo
Ensino superior: avanços, impasses e riscos, por Sidney Jard da Silva e Giorgio Romano Schutte
Autonomia do Estado e revolução democrática, por Marcus Ianoni
Perspectivas da agenda para o segundo semestre, por Antônio Augusto de Queiroz
Apesar da crise…, por Jorge Mattoso
Opções da reindustrialização brasileira, por Wladimir Pomar
História bancária em movimento, Fernando Nogueira da Costa
Um ano de governo Humala no Peru, por Kjeld Jakobsen


Lançamento 1
Reconquistar a Cidade, livro de Marcio Pochmann, será lançado em Campinas
Capa_Livro_Reconquistar_a_CidadeO livro “Reconquistar a Cidade: o conhecimento como estratégia das mudanças”, de Marcio Pochmann, será lançado no dia 29/08 em Campinas.Editado pela EFPA, o livro reúne informações e análises que reafirmam o potencial inovador do conjunto de saberes e talentos que Campinas abriga e aponta os desafios para que a cidade retome sua vocação vanguardista.

O lançamento será na Livraria Cultura, no Shopping Center Iguatemi às 19h, com sessão de autógrafos e bate papo com  Pochmann. O livro está disponível na loja virtual.


Lançamento 2
Lançamentos da EFPA no Simpósio Internacional Esquerda na América Latina
A EFPA promoverá lançamento de dois livros durante o Simpósio Internacional Esquerda na América Latina, que acontece na USP: a reedição ampliada de “Marxismo na América Latina – Uma antologia de 1909 aos dias atuais”, de Michael Lowy (com a presença do autor) e “As esquerdas latino-americanas: Em tempo de criar”, de Nils Castro. Os lançamentos estão previstos para o dia 12/09 às 19h30, no prédio de História e Geografia da FFLCH.


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Seminário “Crise do capitalismo e o desenvolvimento do Brasil” ganha publicação
Capa_Revista_Seminario_Crise_do_CapitalismoO seminário “A crise do capitalismo e o desenvolvimento do Brasil” ganhou publicação impressa. A revista registra os debates do encontro que teve a participação de economistas, dirigentes partidários e parlamentares. O evento foi realizado pelas Fundações Perseu Abramo (PT), Maurício Grabois (PCdoB), João Mangabeira (PSB) e Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (PDT).A publicação traz as participações de Maria da Conceição Tavares, Marcio Pochmann, Carlos Lessa, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Theotônio dos Santos, Arno Augustin, Ricardo Bielschowsky, Ricardo Carneiro, Tânia Bacelar, Wilson Cano e Nelson Barbosa, e pode ser baixada em formato PDF.


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Noroeste Paulista – Votuporanga. ENTREVISTA COM O CANDIDATO DR. PIRANI DO PT…

ENTREVISTA COM O CANDIDATO DOUTOR PIRANI DO PT…

Blog do Lamparina: pergunta feita pelo leitor Antonio Duarte (via e-mail).

 

Gostaria de começar essa entrevista com um tema bastante delicado para o seu partido, o PT, e conseqüentemente perguntar até onde isso afetaria, indiretamente, sua jornada eleitoral.

 

1-     Como o Senhor vê toda essa execração da mídia sobre o que se propagou publicamente como sendo o escândalo do mensalão, e como isso reflete aqui na imagem do partido e dos aspirantes aos cargos em disputa?

 

Candidato Dr. Pirani:

 

Primeiramente, não vejo este assunto como delicado para o PT, vejo isso com a mais absoluta tranqüilidade, já que é um avanço no sentido de solidificarmos a nossa jovem democracia. Que bom seria se esta acusação não fosse a primeira a ser julgada pela nossa mais alta corte. Veja bem, tivemos também num passado recente acusações de corrupção, e vejamos alguns casos: No governo do Fernando Henrique foi gravado ele dizendo que podia usar seu nome em uma licitação; No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, foi aprovada uma emenda constitucional que permitiu a reeleição para os cargos executivos em todos os níveis, tendo sido possível que FHC tenha se tornado o primeiro presidente brasileiro a ser reeleito posteriormente. Gravações colocaram sob forte suspeita a emenda que permitiu a reeleição do FHC. Dois deputados do PFL admitiram terem embolsado dinheiro junto a Sérgio Motta (Ministro das comunicações) para votar a favor da emenda. Os deputados acusados, após serem investigados pela Comissão de Constituição e Justiça, se viram obrigados a renunciar para evitar a cassação de seus mandatos. Em maio de 1997 grampos telefônicos publicados pela Folha de São Paulo revelaram conversas entre o então deputado Ronivon Santiago e outra voz identificada no jornal como Senhor X. Nas conversas, Ronivon Santiago afirma que ele e mais quatro deputados receberam 200 mil reais para votar a favor da reeleição, pagos pelo então governador do Acre. O episódio foi investigado na época pela Comissão de Constituição e Justiça – numa investigação rápida que durou poucas horas. Em ambas as circunstâncias, não se conseguiu comprovar a efetiva compra de votos diretamente por FHC. Após a investigação da CCJ os deputados Ronivon Santiago e João Maia renunciaram aos seus mandatos, para evitar a cassação. Agora, veja bem, foi capitada uma voz identificada com Senhor X, pois bem, existem meios para identificar a voz, mas nada fizeram. Ainda temos o suposto mensalão dos tucanos de Minas Gerais para a campanha de reeleição do Azeredo, e tantos outros casos escandalosos que repousam debaixo da nossa história recente de corrupção na política brasileira, sem que haja nenhum interesse da mídia para esclarecê-los. Portanto, não estou preocupado com o julgamento do mensalão do PT, estou sim satisfeito porque o PT não jogou para debaixo do tapete estas denúncias que devem ser esclarecidas, como já disse o LULA, “doa a quem doer”.

 

Sobre os efeitos deste julgamento, creio piamente que a população Votuporanguense vai saber avaliar os fatos e concluir que o PT é a grande bandeira democrática do Brasil. A oposição pode dizer o que quiser a respeito do mensalão, mas só não se pode renegar fatos, tais como: no governo do PT 30 milhões de pessoas foram trazidas das classes D e E para as classes B e C. Basta isso para consagrar o PT como o partido que governou o Brasil priorizando o social. Foi, portanto, a primeira vez que começaram a ser reduzidas as desigualdades sociais, que a Constituição desde 1988 já determinava. Ainda, distribuiu de maneira democrática os recursos federais, possibilitando assim que Votuporanga, mesmo sendo governada pelo PSDB (oposição ao Governo Federal), recebesse algo em torno de 70% dos recursos que tocaram as obras de Votuporanga nos últimos anos. Então, o julgamento do mensalão fica sem efeito até mesmo diante da exuberante canalização das verbas públicas para a nossa cidade.

 

Blog do Lamparina: pergunta feita pelo leitor Carlos José Rodrigues (via comentários no Blog).

 

2-    O atual prefeito e candidato à reeleição Nasser Marão Filho polemizou em uma sabatina na imprensa local sobre a criação da Atividade Delegada, que permitirá ao corpo policial militar ser contratado pela prefeitura para prestar serviço na segurança, patrulhamento das vias públicas e do patrimônio público, quando os integrantes estiverem fora da escala de trabalho do patrão estadual. A população se manifesta pelos dois lados. Uns dizem que é falta de coerência, pois essas vagas poderiam estar criando novos postos de trabalho e ocupando trabalhadores que estão à espera desses postos. Outros dizem que seria providencial, pois os policiais militares já têm o preparo para esta ação e não necessitariam de preparação alguma. É um assunto polêmico com várias nuances e efeitos. Qual é sua posição a respeito?

 

Candidato Dr. Pirani:

 

Importante esclarecer que a segurança pública é da competência do Governo do Estado. Desta forma, sou absolutamente contrário à criação desta Atividade Delegada, que em outras palavras, joga ao município a responsabilidade da segurança pública, ou seja, vai municipalizar a segurança pública e oficializar o chamado “bico” que hoje é quase uma obrigação para aqueles policiais que não conseguem dar às suas famílias uma vida digna em função dos baixos salários que recebem, obrigando-os a trabalharem como segurança e outros, no justo e sagrado momento de descanso, quando poderiam estar junto de suas famílias.

 

Ainda, qual seria a forma de participação dos PMs neste projeto. Seria compulsória ou facultativa? Porquanto, é inaceitável que seja compulsória, ou seja, obrigando a participação dos policiais. De outra banda, e se for facultativa? Como vamos garantir à sociedade que haverá adesão suficiente para este projeto ser posto em prática?

 

Importante destacar que o problema da segurança em nosso município é o mesmo problema da segurança em todo o Estado de São Paulo, governado pelo PSDB há mais de vinte anos, desgoverno este que está sucateando a segurança pública ao ponto de o Ministério Público Federal, pedir o afastamento do comandante da PM.

 

Repito, a política implantada pelo PSDB no Estado de São Paulo está sucateando a segurança pública, porque, não obstante ser um dos estados mais rico da federação, o Estado de São Paulo paga um dos piores salários do Brasil aos policiais, delegados, investigadores, etc., pior, não realiza concursos suficientes para preencher sequer as vagas dos que aposentam. Agora, para “tampar o sol com a peneira”, estão fechando os DPs e os unificando para aglutinar o que ainda resta da nossa polícia. Nos últimos dez anos aposentaram pelo menos cinco delegados em nossa cidade, todavia, não foi preenchida nenhuma vaga, isso sem contar os investigadores que estão realizando serviços burocráticos por falta de serventuários. O resultado disso tudo é que o Estado de São Paulo teve 675 roubos por dia no 1º semestre deste ano, além dos homicídios, o número de roubos também subiu no primeiro semestre no Estado de São Paulo. De janeiro a junho, foram 122.811 casos, 6% a mais do que no mesmo período do ano passado. Apenas para ilustrar, um levantamento do MPE mostrou que, de cada 100 crimes cometidos na Comarca de São Carlos, 88 não são esclarecidos. A promotoria afirma que uma das razões é a falta de policiais civis na cidade.

 

Nosso Projeto para Votuporanga é a criação da Guarda Municipal (Polícia Comunitária), primeiro porque tem caráter preventivo e não repressivo, depois, vai somar e não dividir com a responsabilidade do Estado, ainda, entendemos que a partir do município, nós podemos desenvolver um conceito de segurança pública diferente daquele que hoje temos, que é o conceito a partir de polícia e não de políticas sociais, que é como deve começar a segurança pública.

 

Blog do Lamparina:  signatário do Blog, Roberto Martins

 

3-    A saúde pública passa por problemas complexos de gestão, com repasses insuficientes para a cobertura dos procedimentos por parte do SUS. Aqui em nossa cidade viveu-se uma situação de euforia com a propagada eficiência na gestão da Santa Casa, mas agora os gestores nos apresentaram uma conta deficitária astronômica de mais de 25 milhões, e o delírio acabou. Sabendo-se que a administração municipal é dependente do bom atendimento de saúde pública da Santa Casa para a manutenção das políticas públicas municipais de saúde; qual será sua atuação para coordenar esta situação deficitária na Santa Casa e não permitir que esta crise administrativa na entidade prejudique o atendimento de saúde pública no nosso município?

 

Candidato Dr. Pirani:

 

Quero dizer que hoje a Santa Casa de Votuporanga precisa ser diagnosticada com urgência, pra não dizer da necessidade de uma auditoria, primeiro porque, há quatro anos sua gestão era propalada como sendo exemplar; passados estes quatro anos, recentemente, a população Votuporanguense ficou estarrecida com a notícia veiculada na imprensa local dando conta da existência de uma dívida de R$ 4 milhões, que em menos de um mês saltou para R$ 25 milhões. Portanto, o caso exige seriedade porque estamos falando de saúde e de dinheiro público.

 

Imperioso destacar que a Lei Federal nº. 8080 de 19 de setembro de 1990, dispõe sobre a Responsabilidade pela Gestão do SUS (Sistema Único de Saúde), atribuindo aos Governos Municipais e do Distrito Federal, a responsabilidade de gerenciar e executar os serviços públicos de saúde; ainda, diz que é obrigação do GOVERNO FEDERAL prestar cooperação técnica e financeira aos estados, municípios e Distrito Federal, mas, garante ao Governo Federal a prerrogativa de AUDITAR, acompanhar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde, sempre, respeitando as competências estaduais e municipais. Portanto, em tese, para esclarecer a real situação da nossa querida Santa Casa, é necessária uma intervenção federal.

 

Tenho por mim que o maior problema da administração pública seja a má gestão do dinheiro público. É preciso observar que a gestão de recursos públicos está se tornando uma atividade cada vez mais complexa, a um, em função do grande nível de corrupção que reina em nosso país, ainda, a dois, a exigir pessoal especializado para cumprir esta que é atividade-meio, e não fim. E a tendência natural é que cada poder, órgão ou entidade que preste serviço público seja composto por servidores voltados a sua atividade-fim, para cumprir a função que deles se espera. Assim é que em hospitais públicos espera-se encontrarem médicos; em escolas públicas, professores; na segurança pública, policiais; no Judiciário, juízes; e em todos eles, além destes, os demais profissionais preparados para cumprirem a finalidade para a qual os órgãos foram criados. Caso contrário, teremos uma lastimável perda de dinheiro que decorre pura e simplesmente de um fator: má administração. É hora de aprimorar a qualidade do gasto público em todos os seus aspectos, é hora de se concentrar na despesa e não somente na receita, fazendo mais com menos.

 

Por fim, a saúde é um direito constitucional do brasileiro. O SUS foi criado em 1998, e qualquer gestor público tem que fazer o Sistema Único de Saúde funcionar, porque através do SUS é que aquela população carente, que não tem condições de pagar convênio médico, vai conseguir atendimento. Saúde é o segundo bem nosso. O primeiro é a vida. Para nós fazermos com que o SUS funcione, precisamos implantar uma forma de atendimento exclusivo através do cartão SUS, para isso temos que fazer a informatização total da saúde em Votuporanga, visando utilização plena do CARTÃO SUS e o PRONTUÁRIO ELETRÔNICO, possibilitando assim atendimento eficaz, com diminuição do tempo de espera para ser atendido (filas), transparência e mais financiamento para a saúde. Assim sendo, vamos continuar buscando todos aos serviços de saúde prestados pelo Governo Federal, garantindo então pleno atendimento na Santa Casa; construir novas UBS (Unidades Básicas de Saúde); Garantir o pleno funcionamento da UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) e do SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) e etc.

 

Blog do Lamparina: pergunta feita pelo leitor Manuel Henrique de Souza (via comentários no Blog).

 

4-    O serviço municipal de saúde teve muitos investimentos na sua estrutura física nos últimos anos, com construções, reformas e adequações de prédios. Mas, a população reclama e muito da falta de humanização no atendimento do sistema, com médicos e funcionários despreparados para atendimento ao público, colocando em risco a própria integridade física desses profissionais. O que o Senhor fará para solucionar esta questão?

 

Candidato Dr. Pirani:

 

Entendo que discorri parte deste tema no item anterior. Todavia, quero complementar dizendo que foram tantos os prédios construídos ao redor da nossa querida Santa Casa que hoje temos dificuldades para identificar “quem é quem”. Outrossim, não acredito que os médicos e demais funcionários da saúde sejam culpados pelos reclamos da população sobre o mal atendimento. Estou certo que esta responsabilidade deve ser atribuída à má gestão da Santa Casa, até mesmo porque, os funcionários reclamam dos baixos salários, excesso de horas trabalhadas e, pior, falta de humanização e transparência na relação com a direção, ou seja, a gestão da Santa Casa trata os funcionários como empregados, não como colaboradores que é um conceito moderno na relação de trabalho entre empregado e empregador, assertiva esta estampada hoje nos jornais locais dando conta da resignação vivida pelo Diretor Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Votuporanga, Doutor Marco Aurélio Nascimbeni.

 

Em nossa gestão faremos a humanização total dos serviços de saúde de forma com que o índice de satisfação medido, seja progressivo sempre.

 

Blog do Lamparina: pergunta feita pelo leitor José Antonio Bispo dos Passos (via comentários no Blog).

 

5-    As últimas administrações municipais não se empenharam na construção de moradias populares, o que contribuiu muito para o aumento do déficit habitacional na cidade. A atual administração agilizou um pouco essa deficiência e construiu 664 unidades até agora, podendo esse número ser aumentado até o final do mandato em andamento. Mas, é muito pouco e não chega a amenizar 10% do déficit verificado pelo levantamento da própria atual administração. Sabemos que o salário do trabalhador aqui na nossa cidade é muito abaixo da média regional e que disponibilizar moradias para essa população de baixa-renda sair do aluguel é uma forma de bem investir dinheiro público e injetar dinheiro na economia local, pois o dinheiro do aluguel fica com o trabalhador e aumenta seu poder de consumo. O que o Senhor fará para resolver ou reduzir a níveis aceitáveis esse déficit habitacional?

 

Candidato Dr. Pirani:

 

Quero dizer que o cidadão tem direito à moradia, ainda, através do último sorteio realizado em Votuporanga para sortear casas, podemos fazer uma estimativa que o déficit de moradia em nossa cidade é de aproximadamente 7.000 residências, desta forma, vamos amenizar este sofrimento investindo em um Plano Municipal de Habitação; vamos urbanizar bairros e favelas; vamos Intensificar a regularização fundiária de favelas e loteamentos públicos; vamos otimizar a ampliação do Programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal, com incremento da construção de moradias para famílias com renda de até três salários mínimos. Nossa meta é construir durante os quatro anos de governo ao menos 3.000 moradias para a população com esta faixa de renda.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

 

Agradeço ao Blog do Lamparina pela iniciativa de oferecer oportunidade  democrática de sabatinar  todos os candidatos majoritários nestas eleições de Votuporanga, e dizer que estarei sempre a disposição de qualquer meio de comunicação  interessado em contribuir com o debate democrático que envolverá as propostas colocadas para o eleitor. Penso que este Blog está exercendo um papel fundamental que é levar aos cidadãos informações para que ele, no dia 07 de outubro, possa escolher em quem votar de maneira consciente e convicto de estar votando no melhor caminho para Votuporanga. Este é o papel precípuo da imprensa, ou seja, informar a população. Aproveito o ensejo para desejar boa sorte ao candidato Junior Marão e estendo o mesmo à candidata Eva Maria.

 

Quero dizer ainda que o maior problema da política brasileira hoje é a má gestão dos recursos públicos. Raramente se tem notícia de que uma grande empresa privada abriu falência por má gestão. No entanto, quanto à gestão pública, a falência ou deficiência é uma regra. Somos diariamente informados pela imprensa sobre dívidas daqui e dali, os atuais gestores vão para a imprensa informar o rombo da saúde; dizer que a criminalidade aumentou etc. Tudo isso creditado na famigerada conta da ausência de recursos. Isso não é verdade.

 

No mês de julho a Folha de São Paulo veiculou uma matéria informando que o governo brasileiro tinha R$ 59 bilhões pra gastar e não tinha onde gastar. Ou seja, falta projeto, falta gestão. Um governo sério não pode liberar verba a “torto e à direita”. Se não tem boa gestão, não tem projeto e não tem verba. Se não tem verba, o cidadão passa por necessidade na saúde, moradia, educação, segurança e etc., portanto, nós precisamos é de bons gestores no Brasil.

 

Em Votuporanga, o PT tem razões de sobra para pleitear a administração do município, até mesmo porque durante dois mandatos do governo Lula e agora no governo Dilma, nós estamos participando dos projetos da administração de maneira coadjuvante. Votuporanga nunca recebeu tanto recurso do governo federal como neste período. Isso com uma contribuição fantástica do PT local. Se nós tivemos capacidade para, de maneira coadjuvante, ajudar Votuporanga a crescer; tenho certeza que, como ator principal, nós vamos realizar projetos ainda melhores. Administraremos Votuporanga para que ela tenha um crescimento sustentável, nossa administração vai ser de forma participativa e transparente, com a população participando da elaboração dos nossos projetos. Hoje, lamentavelmente, ela só é chamada para tomar conhecimento dos rombos.

 

VISITEM O BLOG DO LAMPARINA NO: http://robertolamparina.zip.net

Marco Aurélio Garcia: “Decisão do ingresso da Venezuela no Mercosul foi por 3×0”

Em entrevista à Carta Maior (www.cartamaior.com.br), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, analisa o momento de tensão política vivido na América do Sul após a destituição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai, passando ainda pelas eleições no México e pela saída de Samuel Pinheiro Guimarães do cargo de alto representante do Mercosul.

O ministro defendeu a importância da cláusula democrática em uma região que já foi tão massacrada por ditaduras, traçou paralelos entre a queda de Lugo e a derrubada de Manoel Zelaya da presidência de Honduras e apontou os esforços de isolamento das forças anti-democráticas no continente.

Garcia ainda rechaçou as críticas pela incorporação da Venezuela ao Mercosul e rebateu as declarações do chanceler uruguaio sobre uma suposta pressão brasileira. “É um processo de luta interna, mas que estão querendo que o Brasil pague essa conta”.

Qual o significado geopolítico da destituição do Fernando Lugo?

Antes de um significado geopolítico tem um significado democrático. O processo que foi utilizado para destituí-lo está eivado de irregularidades do ponto de vista de normas civilizadas de direito. Ele teve menos de um dia para se defender. As acusações são absurdas e carecem de provas. Então, há uma grave infração daquilo que se pode chamar de estado democrático de direito. Não adianta dizer que a Constituição permite. O Código Penal diz que se você está acusado de matar uma pessoa, de roubar, etc, você pode ser processado, mas tem um ritual processual, ritual que não é para postergar o exercício da Justiça, mas para garantir que o exercício da Justiça será feito.

Na medida em que os países se associaram no Mercosul, isso passou a ser um problema do Mercosul. Quando nós criamos a chamada cláusula democrática, primeiro no Protocolo de Ushuaia I, que foi o que nós evocamos no caso, e depois o de Ushuaia II, que nós só não evocamos porque não está referendado nos Congressos, o que nós queríamos criar era um conjunto de salvaguardas que permitisse que o nosso funcionamento democrático dentro do Mercosul. O Mercosul não é só uma associação econômica, comercial, é também política. Porque nós e os outros países nos demos isso? Porque queríamos que a nossas atividades econômicas, comerciais, culturais, etc, estivessem cercada de determinados princípios políticos. Isso é particularmente importante numa região que sofreu ditaduras, prolongadas ditaduras, o Paraguai a mais de todas. Ditaduras não só prolongadas, como cruéis.

Há pessoas que dizem: “ah, vocês estão se imiscuindo na vida do Paraguai”. Não, o Paraguai é que se imiscuiu na vida do Mercosul, o Paraguai é que contrariou normas que ele mesmo tinha aceito. Por isso que eu digo, antes de ser uma questão geopolítica, é uma questão essencialmente democrática.

E do ponto de vista geopolítico?

Nós rompemos com o critério passado de ter alguns países da região dentro do nosso, entre aspas, campo. Quando, por exemplo, Itaipu foi construída para suprir um problema energético do Brasil, também era uma jogada geopolítica dos militares brasileiros, aceita pelos militares paraguaios, que era uma espécie de política de contenção com a Argentina. Com o advento da democracia e com a evolução dos quatro países esses velhos esquemas geopolíticos desapareceram. Nós, ao invés de termos uma política de contenção, ou uma política de submissão do Paraguai, de associação hierárquica, queremos ter uma política de associação solidária.

O destino da região não pode ser assumido por um país, ele tem que ser compartilhado por todos os países da região, por isso o princípio de cada país um voto, por isso os países tem capacidade de veto, por isso as decisões tem que ser consensuais, etc. O problema é que o Paraguai se retirou desse consenso. Não adianta só eles acharem que fizeram tudo numa boa, a questão é que os outros três não acham isso.

O senhor vê paralelo entre o que aconteceu com o Manuel Zelaya em Honduras e agora com o Lugo no Paraguai?

Tem paralelo. Os dois presidentes estavam indo para o fim do mandato. Para que retirá-los? Para que, uma vez que não havia argumentos consistentes? A retirada do Zelaya foi mais violenta, ele foi retirado de pijama, posto num avião e enviado para a Costa Rica.

No Paraguai a decisão foi tomada pelo Congresso, em Honduras pela Corte Suprema com o emprego direto das Forças Armadas. Se o Lugo tivesse dito que não aceitava a decisão, talvez eles procurassem utilizar as Forças Armadas, mas de qualquer maneira tem uma atipicidade em relação aos processos de destituição presidenciais anteriores.

O senhor vê uma contra-ofensiva de direita para recuperar o território perdido no continente nos últimos anos?

Eu diria que há um deslocamento da direita no território, mas das forças anti-democráticas de uma maneira geral. Nós conseguimos constituir a Unasul, para citar um exemplo. No Mercosul os governos tinham afinidade política maior, ainda que nós tenhamos convivido, no governo Lula, com governos que não podiam ser caracterizados de esquerda, vamos citar o caso do Batlle no Uruguai e do Nicanor no Paraguai. O convívio era muito bom e conseguimos avançar porque nós nunca ficamos cobrando certidão de ideologia de ninguém. Esse mesmo critério foi levado para a Unasul. É claro que há a existência de governos progressistas, ainda que muito diferentes entre si, mas nós conseguimos estabelecer níveis de apoio, inclusive com governos que poderiam ser caracterizados como de direita e centro-direita, Colômbia no período do Uribe. Conseguimos que a Colômbia estivesse na Unasul e inclusive compartilhasse uma coisa importante naquele momento que foi o acordo com o Conselho de Defesa Sulamericana. Por quê? Porque os países avaliaram que a integração era uma coisa importante e que as cláusulas democráticas, que valem tanto para a Unasul como a para o Mercosul, ainda que com formulação distintas, seriam respeitadas.

Quero chamar a atenção para o fato de que a exclusão do Paraguai não se deu somente pelo Mercosul, se deu por unanimidade pela Unasul e aí tem governos que não podem ser caracterizados como governos muito afins do ponto de vista político-ideológico. Então, esses são os problemas que estão sobre a mesa hoje.

Há no horizonte alguma possibilidade de novas sanções a serem tomadas com o Paraguai?

Acho que essas sanções são suficientes. Nós fizemos uma clara opção para não impor sanções de natureza econômica porque elas penalizam basicamente as populações. Os governantes sempre encontram um jeito de resolver os seus problemas. E esses governos são transitórios. O governo atual no Paraguai vai durar mais um ano e um mês, em abril do ano que vem o Paraguai terá a oportunidade de refazer o sistema político. Nós não queremos dizer quem é que tem que ser presidente do Paraguai, nem que força tem que ser hegemônica. Nós temos que ver simplesmente se o processo vai ser equilibrado, democrático. Nós já convivemos com governos do Paraguai que não tinham uma proximidade tão grande conosco.

A possibilidade da volta de Lugo ao poder está descartada?

O Lugo é uma referência na política paraguaia, agora isso é problema dos paraguaios, eles é que vão ter que definir.

A entrada da Venezuela foi criticada, com base inclusive na posição do chanceler uruguaio, sobre uma suposta pressão do Brasil para essa entrada. De outro lado, acusaram o Brasil de criticar um autoritarismo no Paraguai enquanto admite um regime “autoritário” no Mercosul. Como o governo recebe essas críticas?

Em primeiro lugar é bom ter claro que o ingresso da Venezuela no Mercosul foi aprovado pelo Congresso brasileiro, pelo argentino e pelo uruguaio. Acho que o uruguaio foi o primeiro a aprovar, pelo menos primeiro que o Brasil foi. Portanto, não me venham dizer hoje que é indesejável a presença deles. Uma pessoa pode achar, um partido pode achar, tudo bem, agora, os canais que decidem isso nos três países aprovaram.

Segundo, o Paraguai está suspenso das esferas políticas do Mercosul, portanto ele não é mais voto. Antes éramos quatro votos, agora somos três e os três se puseram de acordo em torno disso. Quarto, acho insultante em relação ao presidente Mujica dizer que ele foi na conversa da presidenta do Brasil ou da Argentina. O presidente Mujica é um homem de extraordinária sensibilidade e experiência política, viveu as circunstâncias mais difíceis, tem um currículo impecável, então, acreditar que ele seria leniente no que diz respeito a uma decisão de natureza tão importante quanto essa é insultuoso a ele. Eu tive oportunidade de conversar com ele e o encontrei muito tranqüilo. E ele disse “essa decisão nós tomamos, eu assumo plenamente a responsabilidade disso”.

Então, nos surpreendeu muito a posição adotada pelo chanceler Almagro, que estava lá e poderia ter sido enfático nisso, ou então se dissociar. O dia que eu quiser me dissociar de uma política da presidenta Dilma, eu pego o chapéu e digo “olha, não estou de acordo, vou embora”. Agora o que nós estamos assistindo é um processo de luta interna, mas que estão querendo que o Brasil pague essa conta, vamos ter claro isso.

A presidenta Dilma antes de ir para reunião disse que tinha duas preocupações: em primeiro que a operação fosse juridicamente adequada, por isso levou o advogado geral da União para ir lá e atestar. Pareceres da Advocacia Geral da União são vinculantes. O segundo comentário que ela fez foi o seguinte: no entanto, mesmo sendo juridicamente correto, se houver qualquer objeção política seja da Argentina ou do Uruguai, nós estamos fora, essa é uma decisão que tem que ser tomada de 3 a 0, não por 2 a 1. E foi tomada por 3 a 0.

Sobre o México, como o governo tem visto o questionamento quanto ao resultado eleitoral?

Nós não temos instrumentos mais aprofundados. Trabalhamos com as informações que vem da embaixada brasileira, que nos informa que o processo foi, a grosso modo, correto, que houve uma diferença relativamente importante de votos, 38% a 31%, e que, portanto, o presidente eleito é o Piñera Nieto. Nós não temos condições de avaliar no momento atual as denúncias que o Andrés Manuel López Obrador fez, até porque nós não conhecemos o teor dessas denúncias. Não é uma questão de estar de acordo. Eu posso não estar de acordo com muitas coisas, mas não necessariamente eu tenho razão. Evidentemente nós vamos ficar atentos, mas no momento atual se nos aparece uma situação na qual o eleito é o Piñera Nieto, assim, a presidenta telefonou para ele para cumprimentá-lo. Caberá agora ao Luís Manoel fundamentar as suas denúncias. Não é como na eleição anterior, há seis anos, quando ele perdeu por 0,7%, agora foi por 7.

Mas a nossa preocupação é que a mudança que está ocorrendo no México possa trazê-lo de novo para a América Latina. O México em outras épocas teve um papel muito importante, foi durante muito tempo o único país da América Latina que mantinha relações com Cuba. Foi um país importante no processo de pacificação e democratização da América Central, no caso da Nicarágua, El Salvador e Guatemala, três países onde nós tivemos movimentos revolucionários muito grandes, importantes, massivos, que aspiravam ao socialismo, mas não chegaram lá, mas chegaram na democracia.

É interessante observar isso: a democracia foi conquistada nesses países pelas armas, depois teve um acordo, etc, e o México sempre teve um papel muito importante. Nós gostaríamos que o México pudesse ter esse papel… Há alguns analistas que estão dizendo “ah como o México se encolheu o Brasil ocupou o espaço dele”. Isso é bobagem, o Brasil não ocupou espaço nenhum, porque há um espaço é ilimitado que esses dois ou outros países podem perfeitamente ocupar. Seria muito bom, inclusive, que a gente pudesse ocupar junto com o México, e que o México pudesse desempenhar naquela região um papel que ele já desempenhou.

E eu sei porque em muitas reuniões, como as do Foro de São Paulo e outras instâncias internacionais, nós assistimos concretamente manifestações quase de gratidão da parte até de setores revolucionários em relação ao México, ao que ele foi no passado. Por outro lado, ele está com graves problemas internos e nós temos a expectativa e a esperança que esses problemas possam ser resolvidos pelo próximo governo. Um país que perde 50 mil pessoas por obra do crime organizado é um país que está sofrendo muito. E é uma grande economia, um grande espaço territorial, uma grande população e sobretudo uma grande política, um país com uma tradição política que nós no Brasil não temos. Um país inclusive que foi refundado no começo do século XX por um movimento revolucionário de grande importância. As pessoas ficam muitas vezes pensando na revolução soviética, na revolução chinesa e as vezes esquecem que houve uma grande revolução no México.

O senhor pode comentar sobre a saída de Samuel Pinheiro Guimarães do cargo de alto representante do Mercosul?

Não é uma saída, que eu saiba, que expresse divergências políticas, por não estar de acordo com a política do Mercosul, com a política externa brasileira, muito pelo contrário.

Mas ele reclamou falta de apoio.

Ele reclamou, mas não acredito que tenha sido falta de apoio político, mas falta de apoio institucional. Eu não sei se essas demandas de apoio institucional chegaram aos ouvidos de todos os presidentes de forma adequada. O Samuel é uma pessoa de grande valor, de grande qualidade, de grande tradição, nós todos lamentamos a saída dele. Eu pessoalmente lamento muito. Agora não posso esconder que acho que ele escolheu um momento inadequado. Momento em que o Mercosul está vivendo uma grande tensão. Acho que esses não são momentos para você sair, a menos que tivesse uma posição contrária às orientações que o Mercosul tomou, o que não é o caso, eu sei que ele deve estar absolutamente de acordo com as posições que o Mercosul tomou. Acho que simplesmente ele não se sentiu beneficiado de tudo aquilo que ele acreditava que fosse necessário.

Não foi por falta de apoio brasileiro?

Não e menos ainda por discordância política, muito pelo contrário, nós tínhamos uma afinidade enorme. Talvez não tenha havido o melhor diálogo entre o embaixador Samuel e o Ministério das Relações Exteriores, com a presidência. Mas, essa saída abrupta em meio a essa crise não me dá nem elementos para avaliar concretamente se essa foi uma solução inevitável.

(Vinicius Mansur, site Carta Maior)

Excelente entrevista de Luiza Erundina em que questiona apoio de Maluf e slogan do PT

FÁBIO ZAMBELI
DO PAINEL

Recém-indicada candidata a vice de Fernando Haddad (PT) à prefeitura paulistana, Luiza Erundina, 77, questiona o papel do provável aliado e adversário histórico Paulo Maluf (PP) na campanha e diz considerar o slogan petista, que valoriza o “novo”, preconceituoso contra os idosos.

Em entrevista exclusiva à Folha, concedida na noite de sexta-feira (15), minutos após ter seu nome formalizado pelo PSB, a ex-prefeita cobra que seu partido deixe as administrações de Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin.

Fabio Braga/Folhapress
Fernando Haddad e Luiza Erundina em evento em que PSB anunciou apoio ao petista
Fernando Haddad e Luiza Erundina em evento em que PSB anunciou apoio ao petista

Leia abaixo os principais trechos:

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Folha – Em abril, a senhora se mostrava incomodada com a possibilidade de ser vice. O que mudou?

Primeiro, foi uma decisão partidária. Nenhum dos projetos políticos dos quais participei foi resultado de vontade pessoal. Foi o partido que construiu esta possibilidade e me consultou, me deixando à vontade. Eu entendi que era mais uma missão que me cabia. A direção nacional está muito envolvida. Isso me deu coragem, pois, se ganharmos, vou ter que deixar minha função parlamentar.

Qual foi o momento em que foi tomada a decisão? Qual era a dúvida?

Basicamente o mandato. É um mandato que se ocupa de questões estratégicas para o país, como a questão da democratização das comunicações, a construção de um novo marco regulatório.

A senhora tratou da regulação da mídia no discurso de hoje [sexta-feira]. É um tema a ser discutido na campanha?

Não, foi só para justificar a minha ausência dessa tarefa. Porque estou absolutamente certa de que vamos ganhar a eleição.

Que marca da sua gestão trará para a campanha de Fernando Haddad?

Já marquei um encontro com um grupo grande de pessoas que está um pouco afastada da atividade política desde o meu mandato. É um coletivo que vai definir a agenda, como participaremos. Isso vai dar o tom. Vai ser uma campanha criativa, nada burocrática, com alegria, tirando aquela caretice das campanhas tradicionais.

A senhora impôs alguma condição para aceitar?

A condição que eu fiz foi que houvesse consenso entre PT e PSB. Não quis entrar em divisão. Não estava disputando a condição de candidata a vice. Decidi isso porque nunca me omiti na minha vida política. Por mais difícil que fosse a tarefa, não me omiti. Imagina se eu ficasse fora do processo? Estou percebendo que as minhas bases estão vibrando, estão aprovando.

Em nenhum momento a senhora negociou sua participação no eventual governo?

Certamente não serei mera figurante. Nem na campanha e nem no governo. Não que eu pleiteie esta ou aquela pasta. Vamos gerenciar a cidade juntos, dividindo tarefas e mobilizando a sociedade. Acho que vou ser uma ponte entre o governo e os segmentos mais excluídos do foco do poder em São Paulo.

Sua participação é uma forma de resgatar seu legado, já que sua gestão na prefeitura terminou com baixa aprovação?

São tempos distintos. Eu não acho que saímos do governo com rejeição. Claro que rejeição sempre tem, sobretudo com os compromissos que assumimos. Devo ter contrariado interesses de segmentos que sempre foram beneficiados no governo. Sofri boicote, ameaças. O que me salvou foi o apoio popular. Tive problemas na Câmara porque tinha minoria. Para ter maioria, teria que fazer concessões éticas e morais. E isso eu não faço. Hoje, depois de 23 anos, nosso governo é mais reconhecido do que foi na época. Muitas políticas que adotamos naquele tempo estão consolidadas em outras administrações, de vários partidos.

A senhora diz que não fez concessões para ter maioria. E agora entra numa campanha que faz concessões para ter aliados e tempo de TV, atraindo personagens como Paulo Maluf, seu adversário histórico…

Esse é um problema de governos de coalizão. Eu tenho outra concepção de governo. Por mais que tenhamos dificuldades, se isso significar alguma restrição ao seus compromissos, eu acho que tem um preço que não vale a pena pagar por ele.

Mas qual é o limite?

Não tem esse limite. Do ponto de vista ético é absoluto esse limite. É uma questão difícil de ser administrada. Tem relação a tempo de TV e rádio, recursos, meios. Nós sobrevivemos numa cultura política bastante conservadora e permissiva do ponto de vista ético e moral e a nossa sobrevivência não é uma coisa fácil. Não é fácil ser fiel a isso.

A senhora se sentiria confortável participando de eventos ao lado de Paulo Maluf?

Eu não acredito que Paulo Maluf participará de eventos públicos junto comigo e junto com Haddad. Isso é contraproducente do ponto de vista eleitoral. Eu evitaria essa situação porque cria um certo mal-estar na relação com aquelas pessoas que tem mais ligação com o povo, que sabem quem é Maluf, que sabem quem é a direita nessa cidade, que ainda continua no poder reproduzindo os privilégios. Eu vejo assim. Isso tem uma questão de correlação de forças. Deve ser uma decisão de colegiado.

Vai participar deste colegiado?

Eu pretendo.

Se consultada, opinaria contra a participação dele?

Com certeza.

Em 2004, a senhora não quis apoiar Marta no segundo turno porque dizia que o debate eleitoral foi pobre, muito centrado no candidato do “bem” contra a candidata da “coragem”. Agora se desenha uma campanha cujos slogans transmitem um embate entre o “novo” e o “velho”. Não é uma discussão que a desagrada?

Estes valores não são pedagógicos numa campanha. Você termina negando uma realidade que é própria dessa sociedade. É uma sociedade em que a terceira idade cresce e exige uma nova postura e uma nova forma de ver o problema geracional. Não dá para se imaginar que a São Paulo de hoje é igual à de 30 anos atrás. Temos que estar antenados com o que a sociedade diz.

A senhora acha que esse slogan do “novo” é preconceituoso?

Sim, pode reforçar isso. É ruim porque pode reforçar preconceitos. Em partidos como os nossos temos que lutar para conquistar poder, mas temos que ter ação pedagógica. Para que a gente avance na perspectiva de um novo modelo de governo e de sociedade. É uma perspectiva de fazer um governo para o povo.

Espera uma campanha agressiva?

Erundina – Nesta fase já houve manifestações indelicadas, no mínimo. Falaram que eu ia terminar minha carreira política com essa tarefa, por exemplo…

A senhora está segura de que não é um papel menor ser candidata a vice para quem já foi prefeita?

Claro que não. Modéstia à parte, eu tenho o que contribuir. A cidade precisa da minha contribuição. E São Paulo não é uma cidade, é um país. O que acontece aqui determina, em grande medida, o que acontece no país. E nossa tarefa não é só administrar, o que nos diferencia é o respeito ao povo. E nos submetermos ao controle, à fiscalização e à avaliação popular. Eu mudei muito com aquela experiência dura, mas muito enriquecedora de administrar a cidade.

Aliados relataram desalento seu com a política recentemente. Pensou em encerrar a carreira depois de cumprir este mandato?

Há 13 anos estou na Câmara lutando pela reforma política. O quadro partidário brasileiro é um condicionante ao avanço da cultura política. Muitos partidos não vão além de siglas. Não têm critério para se aliar, para conviver, para participar de determinados processos. O sistema político concorre para isso. O quadro partidário está exaurido em propostas. Temos um esgotamento. Isso gera distorções e compromete a democracia representativa.

Ainda na seara partidária, as chagas com o PT foram curadas?

Não acho que ficaram chagas. Fui fundadora do PT e aprendi muito lá. O partido não havia acumulado até aquele momento em que saí uma situação de governo efetiva. No momento em que aceitei o convite de Itamar Franco para assumir uma pasta em seu governo… Se eu não fosse, iria me culpar por não ter contribuído institucionalmente naquele momento instável. Lamentavelmente nem todos discutiram o mérito. A política é a disputar de poder. E nisso as idiossincrasias, as diferenças se apresentam com muita força. Naquele momento me custou muito. Foi a ruptura com o partido que ajudei a fundar, minha primeira filiação partidária. Ter tido aquele julgamento do meu partido pelo fato de não ter seguido a orientação nacional foi duro.

Durante a campanha terá início o julgamento do mensalão. Sua figura é associada à rigidez ética, de valores. Há desconforto em estar numa campanha do partido que terá vários personagens importantes sob questionamento nacional?

Eu confio na Justiça. Quem deve tem que pagar, seja quem for, seja de que partido for. A justiça tem que se cumprir, pois é assim que se constrói maturidade política. Espero que a justiça se aplique adequadamente, sem nenhuma influência que seja o estrito cumprimento da lei, com base nas provas concretas. Tem que pagar se dever. Senão, tem que ser absolvida. A demora é um incômodo para quem está sob suspeita. Espero que no processo eleitoral isso não seja pretexto para se interferir na decisão do Supremo.

A senhora acredita na absolvição do ministro José Dirceu?

Erundina – Eu não tenho elementos e informações sobre isso. Por falta de tempo mesmo. Eu sei da minha responsabilidade na opinião pública e acredito que se fará justiça. Hoje temos mecanismos que nos dão segurança sobre o julgamento, que será aberto. Há condição de acompanhar o desempenho de juízes até da Suprema Corte inclusive pela internet. Confio na decisão.

O presidente Lula teve algum papel no convencimento para que a senhora aceitasse ser candidata?

Teve, sim. Eu recebi sinalizações de pessoas próximas dele de que era o desejo dele.

Mas não teve contato direto? Pretende procurá-lo?

Sou muito amiga do Lula, tenho um carinho e uma identidade até de origem com ele. Era sindicalista também e estivemos juntos em todas aquelas greves da década de 80. Temos cumplicidade política e um afeto grande um pelo outro.

A senhora conhece Fernando Haddad bem? Conhece há muito tempo?

Não. Ele esteve no governo, se não me engano da Marta. Mas não convivi muito naquela época. Acompanhei mais de perto no ministério. Acho que é um moço idealista, que tem potencial grande. Ao passar pelo crivo das urnas, terá melhores condições políticas para administrar.

Como deputada, como avalia a gestão dele à frente do Ministério da Educação?

Foi positiva, as dificuldades com o Enem, que ganharam repercussão, foram mais administrativas. Não podemos julgar apenas pelo aspecto administrativo. Temos que julgar pelo aspecto político também. Eu mesmo governei com esse lado predominantemente político. As decisões de governo são, em boa parte das vezes, políticas.

Como crítica do atual modelo de administração municipal, acredita que o PSB deve deixar o governo de Gilberto Kassab?

O partido tem que discutir mais estas questões. Nós não nos reunimos, não debatemos. O partido precisa melhorar. Quero contribuir para que as decisões sejam colegiadas, em que a maioria tome decisões. A dificuldade que o PSB enfrenta nestas questões é que ele tem pouca democracia interna.

Pessoalmente, recomendaria que o partido entregasse seus cargos na prefeitura?

Não só no município, mas também no governo do Estado. Por questão de coerência. O dirigente até tem suas razões, mas o que me ressinto é de que as decisões não foram partidárias, de maioria.

A senhora acredita ter algum papel no engajamento da senadora Marta na campanha?

Vou querer saber pessoalmente os motivos da sua resistência. Temos relação de confiança, respeito e carinho. Na última vez que ela disputou a eleição para prefeita houve cogitação de que eu pudesse ser vice dela. Tem uma relação pessoal boa com ela. Acho que vou convencê-la do quanto ela tem interesse por São Paulo. E mostrar a ele que o projeto partidário tem que ter o apoio de suas lideranças

Seu ingresso preenche a lacuna que ela tem deixado na campanha de Haddad?

Nada disso. Eu sou eu, Marta é Marta. Eu sou o povo, minha origem é nordestina, família pobre, de camponeses. Vim pra São Paulo como migrante para sobreviver. Sofri preconceito por ser nordestina. Não sou de família tradicional, nem de sobrenome, nem de participação política.

Como pretende participar das atividades eleitorais, já que está na Câmara?

Vou para as ruas, certamente. Vou a Brasília quando tiver trabalho e votação. Minha agenda vai ficar livre para a campanha sextas, sábados, domingos e segundas. Vou me organizar para isso. Vamos ter um representante na equipe de coordenação.

Teme-se que sua presença nas visitas, sobretudo à periferia, ofusque o candidato, menos conhecido do eleitor…

As pessoas confiam em mim. Sabem que eu não escolheria ninguém que não vá governar com o povo. Eles me conhecem e confiam nas minhas decisões políticas. Vou estar junto do Haddad e convencê-los de que é o melhor candidato. O entusiasmo das pessoas é impressionante. Não imaginava isso. Tenho apelo popular muito forte, a política é meu sangue, minha energia, é aquilo que respiro. É mais do que qualquer outra coisa, que a profissão, a família, qualquer coisa. Essa paixão pela política temos que trazer de novo às sociedade. Tem uma mesmice, uma repetição de práticas na política. O afastamento das pessoas da política é grave. Muitas vezes me insurgi com certas coisas que ferem a dimensão maior da política.

Quem é o inimigo (do País)? Quem é você (Gilmar Mendes)?

Por Iriny Lopes

Uma “excelente” relação, uma relação “familiar”. E, de repente, uma rede de intrigas. A mudança ocorre numa breve passagem do tempo e, mais especificamente, na mudança nas esferas de poder, entre o ministro Gilmar Mendes, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, e o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Por mais curta que seja a distância entre o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, a Praça dos Três Poderes marca bem o quadrado de cada um, a diferença (mais do que arquitetônica) de papéis e a clara necessidade de independência entre vizinhos, sob o lindo céu do Planalto Central. Hoje, bem longe dali, Lula é acusado pelo homem que se dizia tão íntimo, como família, de tentar interferir nas decisões do STF em relação ao julgamento do mensalão, tendo em vista as eleições municipais de outubro.

Diante das reações à tamanha denúncia, em que aparece como um ser, no mínimo, suspeito, Gilmar Mendes, diz estar lidando com bandidos e profere uma série de outros adjetivos que não caberiam na boca de um ex-presidente do respeitado Supremo e ainda o colocam num filme de gangster – diga-se de passagem, de segunda classe -, em que só importa atirar.

Afinal, quem é o franco-atirador da vez e por que Lula é o alvo? Quem é o homem que tentar arranhar a imagem do presidente da República que justamente honrou a independência dos poderes, em oito anos de mandato, que fez do Brasil um País mais decente e respeitado internacionalmente, que combateu as injustiças sociais e, por isso mesmo, mereceu o título de mais querido da nossa história?

Quem é quem? O ministro Gilmar Mendes se notabilizou por defender o indefensável, de lançar mão, quando integrante do Poder Executivo (de Collor a FHC) de “invenções jurídicas”, como bem ressaltou o jurista Dalmo de Abreu Dallari, para fazer valer interesses estranhos ao fim público.

Dallari lembra que ele e Nelson Jobim, quando ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, “na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas, alegando inconstitucionalidade, duas vezes negadas pelo STF, inventaram uma tese jurídica que serviu de base para um decreto do presidente FH revogando o decreto em que se baseavam as demarcações”.

Não foi com espírito público também que Gilmar Mendes e o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), criado por ele em 1998, uma escola privada que oferece cursos de graduação e pós-graduação em Brasília, faturou cerca de R$ 1,65 milhão em convênios com a União até 2008.

Reportagem da Revista “Carta Capital” à época revelou que dos dez colegas de Mendes no STF seis eram professores do instituto, além de outras figuras importantes nos poderes Executivo e Judiciário. E os maiores clientes do IDP do ex-presidente do STF eram a União, o próprio Supremo e o Congresso Nacional. Mendes chegou a confirmar que era sócio do IDP e não via nisso qualquer impedimento. Legal, né?

Verdade seja dita para honrar o nome Lula, o nome STF, o trabalho de homens e instituições públicas. Lembrar a trajetória de Gilmar Mendes ajuda a entender, sim, porque é tão inverossímil a suposta conversa do ex- presidente do Supremo com o ex-presidente da República, divulgada pela sempre “Veja”, no sentido de adiar o julgamento do mensalão para depois das eleições municipais.

Mendes foi advogado-geral da União no Governo Fernando Henrique Cardoso e indicado por ele como ministro do STF em 20 de junho de 2002. E, nessa função, assumiu posições bem curiosas, como libertar duas vezes seguidas (em 9 e 11 de julho de 2008) o banqueiro Daniel Dantas (indiciado em meu relatório na CPI dos Grampos, em maio de 2009). E houve reação: 42 procuradores da República divulgaram, na data da primeira liberação, uma Carta Aberta à sociedade brasileira, lamentando a decisão do então presidente do STF. Mais: 134 juízes federais da Terceira Região (São Paulo e MS) divulgaram carta de apoio ao juiz federal da 6ª Vara, Fausto Martim de Sanctis, responsável por expedir o pedido de prisão de Dantas, em um manifesto público no qual demonstraram sua indignação com a atitude de Mendes.

O manifesto ganhou centenas de adesões de juízes federais em menos de uma semana. A Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF) divulgou uma nota à imprensa criticando a decisão do presidente do STF, alegando que estava em desacordo com a jurisprudência dominante.

Não bastasse esse grande escândalo, Gilmar Mendes bateu boca, em dois momentos, com o também ministro do Supremo Joaquim Barbosa.

O caso mais polêmico ocorreu no dia 22 de abril de 2009, quando Barbosa pediu uma reflexão sobre um caso que estava sendo julgado. Mendes, então, disse que a sessão estava encerrada e sugeriu que Barbosa não tinha condições de dar lição de moral a ele ou a outrem. Por sua vez, Joaquim Barbosa acusou o presidente da Corte de estar “destruindo a credibilidade da Justiça brasileira” e o desafiou a sair à rua.

O fato acabou gerando o movimento “Saia às Ruas”, chamado pela Internet, que resultou numa grande manifestação, na Praça dos Três Poderes. Cinco mil velas foram espalhadas no local, onde os manifestantes, milhares, gritavam “fora Gilmar Mendes”. O então presidente do Supremo teve que ouvir, de dentro do STF, uma vaia gigantesca.

Quem é esse homem que sempre vislumbra holofotes? Mendes se notabilizou e foi muito criticado por dar declarações contra os movimentos sociais e fazer clara oposição ao Governo Lula.

O xis da questão: por que Lula, um líder nascido nas ruas, que, como presidente da República nunca recorreu a nenhum tipo de expediente para pressionar outros poderes, o faria neste momento e justo com este interlocutor, aliado às elites nacionais?

Por que, justo no momento em que a CPI do Cachoeira trabalha atrás da verdade nos bastidores sujos do poder? Que armação é essa e a quem interessa?

Para o jornalista e blogueiro Luis Nassif, para se expor dessa maneira, Gilmar Mendes tem “culpa no cartório”. E lembra que o magistrado participou de duas “armações” com a Revista “Veja”: o caso do grampo sem áudio e o falso grampo no Supremo.

Ou seja, já foi pego na mentira antes. Quando sustentou o grampeamento de conversas telefônicas com o senador Demóstenes Torres, seu grande amigo. Para a Polícia Federal, após a realização de perícias, não houve interceptações e gravações. Na época, ele saiu atirando pela mídia e disse que chamaria o então presidente Lula às falas.

Por suspeitar da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Gilmar Mendes exigiu a saída imediata do seu diretor-geral, delegado Paulo Lacerda, e ele saiu.

A história, afinal, não mente. Desde a sua indicação por FHC para ministro do STF no último ano de seu mandato, Gilmar Mendes já não era bem visto nem bem-vindo. “Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional (…). O nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta Corte do País”, escreveu o professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Dalmo de Abreu Dallari, em artigo publicado na Folha de S.Paulo.

Mendes tentou processar criminalmente o jurista Dallari pelo artigo, mas a Justiça recusou a instauração da ação penal que o recém-empossado ministro do STF pretendia mover. Dizia a sentença: “A crítica, como expressão de opinião, é a servidão que há de suportar (…) quem se encontrar catalogado no rol das figuras importantes”.

No rol das pessoas importantes, quem é quem? Há os que dedicam anos de suas vidas ao trabalho pela justiça social e há os que usam o manto da justiça em nome de interesses escusos. Uma coisa é ver, outra é enxergar! E o Brasil enxerga a verdade nos olhos de quem já escreveu seu nome na história do País, de verdade.

Iriny Lopes é deputada federal pelo PT-ES

Elói Pietá: Gilmar Mendes, um político de oposição no STF

por Elói Pietáno blog do Marcelo Souza

A polêmica suscitada pelo ministro do Supremo, Gilmar Mendes, a respeito de recente encontro seu com o ex-presidente Lula, merece algumas considerações sobre os juízes e a política.

Os juízes têm muito poder, assim como os governantes e os parlamentares. E têm ideologia. Às vezes são mais elitistas, às vezes mais igualitários. Nos processos e nas sentenças eles expressam mais a técnica jurídica ou mais as suas convicções. Sempre haverá a presença dos dois.

Como tantos fatos demonstram, Gilmar Mendes é um magistrado tecnicamente preparado, mas profundamente político. Escolhido no governo do PSDB, seu lado sempre demonstrou ser de oposição ideológica ao PT.

Entre as muitas relações políticas que cultivou na oposição, uma agora lhe é incômoda: Demóstenes Torres. Compartilhavam eventos familiares. Viajavam juntos no exterior.  Juntos protagonizaram o anúncio de um suposto grampo telefônico, nunca comprovado, que levou à demissão de um por eles indesejado diretor da ABIN. Juntos tiveram na revista Veja seu prioritário canal de expressão midiática. Juntos se enganaram quanto aos amigos: Demóstenes diz que achava Cachoeira não mais agir na ilegalidade; Gilmar diz que achava Demóstenes uma pessoa diferente da que agora foi revelada.

Na versão da polêmica atual a respeito de seu diálogo com Lula, são dois contra um. O ex-presidente e o ex-ministro do Supremo, Nelson Jobim, negam a afirmação de Gilmar Mendes de que Lula sugeriu adiar pra depois das eleições o julgamento do chamado mensalão.

E, se Lula realmente quisesse dizer isso, qual o problema? Gilmar em nada dependeu ou depende de Lula. É ministro vitalício. Tem posições fortes. Lula, como principal liderança do PT, teria todo direito de dizer ao ministro que fazer este julgamento antes das eleições é usar o processo como arma eleitoral.

Expor um ponto de vista jamais tira a liberdade do julgador. É do cotidiano no Judiciário. É da natureza de qualquer instituição de poder receber pressões sociais nesta ou naquela direção. Vide a intensa pressão para o STF fazer este julgamento antes das eleições. A oposição nacional, em todos os seus matizes partidários e midiáticos, quer o julgamento agora. Para influenciar a seu favor o resultado eleitoral. Ao PT, obviamente, interessa o julgamento após outubro.

O problema então estaria em supostas insinuações de Lula de que o ministro poderia ser alvo na CPI de Cachoeira. Fato mais uma vez negado. Dois contra um.

O ministro Mendes, conforme ele mesmo diz, relatou de imediato suas impressões da conversa a Agripino Maia, presidente do DEM. Evidencia-se que buscou guarida e conselhos no jogo político, que ele também joga. Tanto que foi compartilhá-la com um dos principais líderes da oposição, e não com seus colegas do Supremo. Quando resolveu, calculadamente, jogá-la a público, um mês depois, pelo canal oposicionista daVeja, certamente buscou tirar algum proveito político contra o PT ou para blindar preventivamente a si mesmo.

O ministro Gilmar Mendes afirmou que as pressões do PT para adiar o julgamento do mensalão seguem uma lógica burra, irresponsável, imbecil. Ao reverso dá para entender que, para ele, as pressões da oposição, em que milita, seguiriam uma lógica inteligente, responsável, esperta.

Na política, Gilmar Mendes tem lado. No Supremo, se inspira neste lado.

Elói Pietá é secretário geral nacional do PT

Gilmar Mendes: foi por medo de avião…

É caso de impeachment no STF?

Rocambole: o ministro parece enrolado

por Rodrigo Vianna

Suarento e gaguejante, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes apareceu na tela da Globo na noite de segunda-feira. Confirmou o encontro com Lula e reafirmou que “houve a conversa sobre o Mensalão”.

Ok. Mas em que termos? E o que isso teria a ver com a CPMI do Cachoeira/Veja? Gilmar respondeu no melhor estilo rocambole, o estilo de quem está todo enrolado:“Depreendi dessa conversa que ele [Lula] estava inferindo que eu tinha algo a dever nessa conversa da CPMI”.

“Depreendi”, “inferindo”. Hum…

De forma rocambolesca, Gilmar  Mendes piscou. Pouco antes, Lula publicara nota em que manifesta “indignação” com o teor da reportagem…

PSDB/DEM/PPS e a velha mídia, numa estranha parceria com o PSOL, tentam transformar o encontro Lula/Mendes em notícia, para impedir que venham à tona fatos gravíssimos já de conhecimento de alguns integrantes da CPI Cachoeira/Veja.

Qualquer ser pensante pode concluir por conta própria: se Gilmar sentiu-se “chantageado” ou “pressionado” por um ex-presidente, por que levou um mês (a reunião entre ele e Lula teria ocorrido em 26 de abril) para revelar esse fato ao Brasil? E por que o fez pela “Veja”, em vez de informar seus pares no STF, como seria sua obrigação? 

A explicação pode estar aquinos grampos que o tuiteiro Stanley Burburinho fez circular pela rede. Nesses grampos, depreende-se que um tal “Gilmar” (e o próprio agente da PF conclui que o citado parece ser ”Gilmar Mendes”) teria viajado num jatinho emprestado pelo bicheiro Cachoeira. Na companhia (ou compania?) de Demóstenes, o mosqueteiro da ética.

Parafraseando outro ministro do STF, Celso de Melo: “se” a viagem de Gilmar Mendes no jatinho do bicheiro se confirmar, estaríamos diante de um caso que não teria outra consequência possível, se não a renúncia ou o impeachment. Repito: “se” a viagem se confirmar. É preciso apurar. Os indícios são gravíssimos.

A entrevista para “Veja”, seguida do suarento balbuciar no JN da Globo, parece indicar desespero. Uma espécie de defesa antecipada. Fontes na CPI informam que haveria mais material comprometedor contra certo ministro do STF, nas escutas a envolver Cachoeira.

A entrevista à “Veja”, portanto, teria como explicação aquela velha canção: “foi por medo de avião… que eu peguei pela primeira vez na sua mão”.

Mais que um aperto de mãos, Gilmar Mendes e Veja podem ter dado um abraço de afogados. A Cachoeira é funda e não se sabe quem conseguirá nadar até a margem…

 

Leia outros textos de Plenos Poderes

Paulo Teixeira desmente Globo: “Delegado não absolveu Veja”

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Na edição desta sexta-feira (11/05) do jornal carioca O Globo, mais especificamente na coluna do jornalista Ilimar Franco, figura a seguinte informação:

Pela segunda-vez na semana, um dos veículos que assumiram a defesa in limine de Veja sobre sua relação suspeita com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira tenta “matar” o assunto com declarações atribuídas aos delegados que participaram das Operações da Policia Federal Vegas e Monte Carlo.

Na terça-feira (09/05), foi o jornal Folha de São Paulo que usou depoimento de um delegado a fim de encerrar a suspeição sobre a revista. Segundo o jornal, em matéria intitulada “Relação da mídia com Cachoeira é alvo de perguntas, “No depoimento do delegado Raul Souza à CPMI do Cachoeira, o depoente, questionado se havia “matérias encomendadas” por Cachoeira na revista Veja, disse que (…) elas denotam apenas relação entre repórter e fonte”.

Diante disso, o Blog da Cidadania procurou o membro titular da CPMI do Cachoeira deputado Paulo Teixeira. A breve entrevista que o deputado pelo PT de São Paulo concedeu a esta página explica melhor mais essa estratégia desonesta de Folha de São Paulo e de O Globo para confundir o público.

Confira, abaixo, a entrevista:

Blog da Cidadania – Deputado Paulo Teixeira, os jornais Folha de São Paulo e O Globo vêm publicando notas afirmando que os dois delegados da Polícia Federal que já foram ouvidos pela CPMI que o senhor integra teriam absolvido o jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja, das suspeitas de que um e outra podem ter servido à quadrilha de Carlinhos Cachoeira. O senhor confirma essa “absolvição”?

Paulo Teixeira – Não confirmo. Primeiro, porque nenhum dos dois delegados tinha por função analisar esse assunto. Eles cuidavam de descobrir a origem do dinheiro da quadrilha que financiava suas relações com políticos e empresas. Em segundo lugar, o delegado citado pela Folha atuou na operação Vegas, em 2009, e o delegado citado por O Globo até respondeu que as gravações não mostraram que Policarpo “praticou ou participou de crime”, mas, em seguida, retificou essa informação afirmando que não tinha como afirmar isso justamente porque seu foco na investigação foi outro. O jornalista Ilimar Franco não cita a segunda afirmação, só cita a primeira.

Blog da Cidadania – Pelo que se entende, deputado, se esses delegados não podem responder a essa questão sobre a culpabilidade ou não de Policarpo e Veja, quem pode responder? Existe algum depoente que pode esclarecer essa questão?

Paulo Teixeira – Quem poderá dar essa resposta será a CPI, investigando e esmiuçando não apenas depoimentos, mas as gravações. Só para que se tenha uma idéia do volume que há  de material a examinar e da falta de elementos dos delegados citados para responderem à pergunta sobre a culpabilidade de Veja, o delegado Matheus Mella Rodrigues, citado em O Globo, relatou que teve acesso a “apenas” 40 conversas entre Policarpo e a quadrilha, sendo que há mais de 200.

Blog da Cidadania – O senhor pode dizer se ao menos Policarpo será convocado pela CPMI para se explicar?

Paulo Teixeira – Ele será convocado, sim.

O governo mineiro informou que a prima de Carlinhos Cachoeira foi nomeada para um cargo DAD 4, com salário de R$ 2.310

 

Aécio confirma nomeação de prima de Cachoeira em Minas

 

 

Eduardo Kattah – 24/04/2012 – 07:58

 

AGÊNCIA SENADO

24_Aecio Neves_AGENCIA SENADO

Senador mineiro afirmou que desconhecia o parentesco da nomeada

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), por meio de sua assessoria, confirmou que indicou Mônica Beatriz Silva Vieira, prima de Carlinhos Cachoeira, para um cargo no governo de Minas atendendo a um pedido do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), então líder do DEM no Senado e “sobre o qual, à época, não recaía qualquer tipo de questionamento”.

 

A denúncia partiu de escutas telefônicas da Polícia Federal que monitorou Carlos Augusto de Almeida Ramos, o “Carlinhos Cachoeira”, a prima dele e Demóstenes Torres na Operação Monte Carlo. Do pedido de Cachoeira a Demóstenes até a nomeação de Mônica bastaram apenas 12 dias e 7 telefonemas. Ela assumiu em 25 de maio de 2011 o cargo de diretora regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba. São citados nos grampos o deputado federal Marcos Montes (PSD), ex-prefeito de Uberaba, e Danilo de Castro, articulador político de Aécio em seu Estado e secretário de Governo da gestão Antonio Anastasia (PSDB), governador de Minas.

Aécio afirmou que “desconhecia o parentesco e a origem do pedido”. Segundo sua assessoria, a solicitação foi encaminhada para avaliação da Secretaria de Governo de Minas Gerais, a quem cabia a análise.
O governo mineiro informou que a prima de Carlinhos Cachoeira foi nomeada para um cargo DAD 4, com salário de R$ 2.310. Em um diálogo interceptado pela PF em 26 de maio do ano passado – um dia após a publicação da nomeação no Diário Oficial do Estado – Cachoeira pergunta a Mônica se “o salário lá é bom”. Ela diz não saber. “Eu tentei pesquisar, mas não sai. Esses cargos comissionados não sai o salário.” Cachoeira responde: “Aqui (em Goiás) no mínimo um cargo desses aí é uns 10 mil reais.” A prima conta que trabalhava na diretoria de qualificação profissional da Prefeitura de Uberaba. “Até briguei, falei ‘se for menos eu tô perdida.’”
Ao jornal O Estado de S. Paulo, Mônica alegou que foi indicada para o cargo por sua “competência”. “Pode ter certeza disso. Eu sou funcionária de carreira há 25 anos, coordenei vários órgãos e o meu convite veio por competência”, disse a diretora. Para o governo mineiro, o currículo da servidora preenchia a qualificação para o cargo e ela possui experiência profissional como coordenadora dos programas federais.
O secretário Danilo de Castro disse que a nomeação de Mônica foi em “comum acordo” com o deputado federal Marcos Montes (PSD-MG, ex-DEM). “Agora, pedido eu não lembro de quem. Todas as nomeações do interior partem daqui, da Secretaria de Governo. Esses cargos regionais têm indicações políticas. ” Montes foi procurado na segunda-feira (23) no seu escritório em Uberaba, mas não respondeu às ligações. O advogado de Demóstenes, Antônio Carlos de Almeida Castro, também não respondeu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Nomes de integrantes da CPI do  serão lidos nesta terça
A partir das 19h30 desta terça-feira (24) serão conhecidos todos os integrantes da CPI do Caso Cachoeira. A composição do colegiado será oficializada com a leitura dos nomes dos indicados pelos blocos partidários da Câmara e do Senado em sessão do Congresso que será presidida pela deputada Rose de Freitas (PMDB-ES).
A CPI será integrada por 32 titulares – 16 deputados e 16 senadores – e seus respectivos suplentes. À composição prevista no requerimento de criação da comissão (15 deputados e 15 senadores e seus respectivos suplentes) foram acrescidas, com base no Regimento do Congresso, duas vagas para as bancadas minoritárias (uma para o Senado e outra para a Câmara) que não alcançaram número suficiente para participarem pelo cálculo da proporcionalidade.
Com a oficialização dos componentes, a CPI estará pronta para funcionar. Na primeira reunião, será eleito o presidente e designado o relator do colegiado. A partir da instalação, a CPI terá prazo de 180 dias para concluir as investigações.
A presidência, conforme já havia sido anunciado, ficará a cargo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que aceitou o convite feito pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). A relatoria ficará com um deputado do PT, ainda a ser escolhido pela legenda.
Assinaturas
O requerimento para criação da CPI foi assinado por 72 senadores e 396 deputados. O colegiado terá como objetivo investigar as práticas criminosas desvendadas pelas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, com o envolvimento do empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e agentes públicos e privados.
* Com Agência Senado

 

 

 

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PT: Comissões Provisórias devem realizar PED Extraordinário até 15 de abril

As comissões municipais precisam se transformar em diretórios para poder disputar eleições municipais.

 

A Comissão Executiva Nacional do PT determinou a data de 15 de abril deste ano como prazo final de realização do PED Extraordinário, o PEDEX.

Até esta data todas as comissões provisórias em todo o País deverão realizar eleições para criar os diretórios municipais, sob a pena de não poder participar da disputa eleitoral de 2012, conforme decisão do IV Congresso Nacional do PT.

Em entrevista à TVPT, o secretário nacional de Organização, Paulo Frateschi, dá mais detalhes sobre a realização do PED Extraordinário, inclusive descreve os casos especiais que possam vir a ocorrer nesse processo.

Confira abaixo a entrevista.

(Jamila Gontijo – Portal do PT)

 

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