O (des) governador fluminense faz provocação ao PT exonerando 2 petistas para votarem o Projeto de Lei de privatização da saúde

Reunião da Executiva estadual PT do Rio de Janeiro, hoje dia 29 de agosto, debate as exonerações dos secretários Carlos Minc e Rodrigo Neves, atualmente no governo Cabral, para que reassumam seus mandatos e voltem à Assembléia Legislativa do Rio, para votação de interesse do governo na questão das OSs que vão privatizar a saúde no estado do RJ.
A Executiva vai discutir  as posições do governador Cabral e da bancada PT.
O Diretório Estadual em reunião de 20 de agosto votou, por solicitação do Setorial de Saúde PT RJ, a rejeição ao projeto das OSs do governo.
O projeto recebeu esta semana 308 emendas. Servidores e bombeiros, contra o projeto, prometem ocupar a Assembleia Legislativa no dia 30/8. Abaixo link sobre as exonerações: http://www.correioprogressista.com.br/cache/38774

Para onde vão as multidões?

DEBATE ABERTO – Carta Maior

Protestos no Oriente Médio, na Europa e no Chile têm como motivação principal a disputa por quem paga a conta da crise mundial. Mas as generalizações param por aí. Há especificidades importantes em cada país. Acima de tudo é preciso atentar para o sentido das manifestações

Gilberto Maringoni

O ano de 2011 pode ficar marcado como aquele em que as multidões voltaram às ruas de forma vigorosa em diversas partes do mundo. O ano começou com o levante na Tunísia, que derrubou o presidente Ben Ali, passou pelas maciças concentrações na praça Tahrir, que culminaram com a queda de Hosni Mubarak e espalharam-se pela Argélia, Iêmen, Bahrein, Kwait e alcançaram Israel. A Líbia não entra na conta, pois o aspecto dominante na queda de Kadafi não foram inquietações internas, mas a invasão da OTAN. Milhões também se mobilizaram na Grécia, Espanha, Islândia, Portugal e Inglaterra. No Chile, após mais de dois meses de enormes protestos, os trabalhadores se uniram aos estudantes e deflagraram uma inédita greve geral, com a participação de diversas categorias profissionais.

Desde 1968 o mundo não assistia uma onda de levantes e marchas populares de tamanha envergadura. Ao mesmo tempo, apesar da proximidade no tempo, é difícil falar em “onda global” de protestos. Avaliar que imensos contingentes decidiram “votar com os pés”, numa expressão de Lênin, em protesto contra a “globalização neoliberal” é uma generalização de pouca valia. Em última instância tudo pode ser debitado no grande cesto da crise internacional, da pauperização acelerada da população e da submissão dos governos ao chamado “mercado”.

No entanto, mais do que nunca, olhar para os detalhes é fundamental. Até porque os países atingidos são muito distintos entre si.

Periferia e centro
As reações populares atingiram a periferia e o centro do sistema. Há diferenças mesmo entre os países do Oriente Médio. O Egito (84 milhões de habitantes, PIB de US$ 579 bilhões, PIB per capita de US$ 7,2 mil e 101º. no IDH-ONU) e a Tunísia (10,5 milhões de habitantes, PIB de US$ 53,2 bilhões, PIB per capita de US$ 5 mil e 81º.no IDH-ONU) são países pobres, com alta concentração de renda e socialmente instáveis. A Espanha (47 milhões de habitantes, PIB de US$ 1,48 trilhões, PIB per capita US$ 32 mil, 20º. no IDH ONU) e a Inglaterra (51 milhões de habitantes, PIB de US$ 2,27 trilhões, PIB per capita US$ 39,5 mil e 28º no IDH ONU) representam o chamado “mundo rico”. Israel (7,5 milhões de habitantes, PIB US$ 210 bilhões, PIB per capita de US$ 28 mil e 15º no IDH ONU) e Grécia (12 milhões de habitantes, PIB de US$ 310 bilhões, PIB per capita de US$ 27 mil e 22º no IDH ONU) apresentam formalmente indicadores próximos aos da Europa Ocidental. Todos os dados têm por fonte o FMI (http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2011/01/weodata/download.aspx) e a ONU (http://hdr.undp.org/en/media/HDR_2010_PT_Tables_reprint.pdf).

Na Tunísia e no Egito, o empobrecimento das maiorias, com altíssimas taxas de desemprego, foi rapidamente associado às antigas ditaduras locais. Na Grécia, o alvo visível foi o Parlamento. Na Espanha, aconteceu o fenômeno mais preocupante: após gigantescas manifestações que se arrastaram por várias semanas nas grandes cidades, a direita venceu as eleições municipais de 22 de maio. O Partido Popular obteve 37,58% dos votos contra 27,81% dos votos do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de José Luiz Zapatero. 33,7% dos eleitores não foram votar, o que equivale a cerca de 11 milhões de pessoas. Madri, entre outras, agora está nas mãos de conservadores que não escondem suas simpatias pela ditadura franquista (1938-75). Vários ativistas fizeram campanha pelo direito de não votar, como forma de protesto.

No caso inglês, os protestos aconteceram em regiões pobres da capital e de grandes cidades, com forte concentração de imigrantes. Ali o quadro se configura como uma grande catarse social diante de uma situação de precarização prolongada.

Forças organizadas
Nas ditaduras do Oriente Médio, os longos anos de repressão impediram o surgimento de forças populares organizadas de grande envergadura.

Expressão disso é que a formidável ebulição da praça Tahrir não apresentava lideranças claras. Um dos que buscou, sem sucesso, ficar a cavaleiro da situação foi o diplomata Mohamed El Baradei, de regresso ao país depois de três décadas no exterior. Como o Facebook foi um dos meios de comunicação dos rebeldes, chamaram até o representante local da rede social para falar à multidão. Entre outras organizações, a Irmandade Muçulmana foi acusada de estar por trás de tudo. Nenhum dos três atores parecia representar uma síntese orgânica da rebelião. Mesmo assim, multidões voltaram à praça nas últimas semanas.

O caso egípcio e o espanhol foram saudados por alguns como exemplo de mobilização horizontal, sem burocracias partidárias ou sindicais a tirar proveito da situação. O que parece ser uma vantagem tem se afigurado como problema. O viés contra a política institucional, no caso espanhol é claro. O desgaste dos partidos políticos – imersos em financiamentos milionários de campanha que atrelam governos cada vez mais a interesses privados – afasta o debate de alternativas reais às disputas sociais.

Socialismo conservador
O que seria um hipotético partido de esquerda, o PSOE, aplica desde os anos 1980 as medidas ultraliberais na Espanha com maior afinco que a direita tradicional. Daí o desalento e o afastamento da juventude em relação à política institucional. Várias das demandas clamam por uma democracia direta, acima de partidos e organizações tradicionais. Nunca parece ter sido tão grande a distância entre as ruas e o poder político, formalmente democrático.

Apesar do viés preocupante, não há dúvidas que as mobilizações têm representado enorme alento em um continente tomado por governos de direita e socialmente regressivos.

Uma lógica política institucionalizada só é mudada em casos extremos de rupturas por forças que se sobreponham ao status quo. Apesar da palavra “revolução” ter sido usada à exaustão para classificar os eventos árabes e europeus, não parece haver nada lá que se aproxime de algo dessa magnitude.

Diferencial chileno
O caso chileno parece ter certa distinção em relação aos anteriores. Isso se dá não apenas pela impressionante envergadura das atividades, mas por seu grau de organização. Não se trata mais de jornadas estudantis, mas de uma onda de protestos que passou a envolver a maioria dos trabalhadores urbanos, com forte apoio da opinião pública. A expressão disso foi a greve geral de 24 e 25 de agosto.

Na cabeça das agitações estão a Federação de Estudantes do Chile (Fech) e entidades do funcionalismo público (dirigidas majoritariamente pelo Partido Comunista) e a Central Unitária dos Trabalhadores (hegemonizada pelo Partido Socialista). Vale notar que a CUT sofreu, nos últimos anos, um processo de divisões e defecções por conta de seu apoio aos governos da Concertação (aliança PS-Democracia Cristã), que dirigiu o país entre 1990 e 2010 e deixou intocadas as estruturas econômicas da ditadura pinochetista (1973-89). A adesão da Central às manifestações, demandando mudanças na legislação trabalhista da ditadura, é também uma forma de superar seus desgastes.

O que era inicialmente um protesto contra altas taxas das universidades, todas particulares, se transformou em demanda contra a privatização dos serviços públicos e contra a crescente desigualdade social. Com 17 milhões de habitantes, PIB de US$ 162 bilhões, PIB per capita de US$ 9,5 mil e 44º lugar no IDH da ONU, o Chile é um dos que apresenta menor investimento público em saúde (2,2%) na América do Sul. O desemprego atingiu o pico de 9,7% em 2009.

Nada indica que o Chile fará uma revolução a partir das manifestações. A marca distintiva é que elas parecem concentrar suas energias nas organizações existentes e consegue potencializar a força dos protestos.

Limites do espontaneísmo
É sempre bom lembrar a história brasileira dos anos 1980-90 para ver as possibilidades da organização política e social e os limites das manifestações espontâneas e com demandas vagas, saudadas por alguns como “democráticas” e “não burocráticas”.

O Brasil dos anos 1980 assistiu às maiores mobilizações de massa de sua história. O movimento estudantil, as greves operárias e as Diretas Já geraram saldos organizativos que se materializaram na construção de partidos de esquerda – PT incluído – entidades democráticas – UNE, CUT, MST entre outras – e mudanças sensíveis expressas na Constituição de 1988. Não se discute aqui o transformismo conservador vivido por parcela desses organismos nos anos recentes. Havia demandas claras por democracia e conquista de direitos sociais, em boa medida vitoriosas.

No início da década seguinte, multidões voltaram às ruas. Dessa vez, o alvo eram os desmandos do governo Collor. A voz das ruas falou mais alto e o presidente teve de renunciar em 2 de outubro de 1992. No dia seguinte, houve eleições municipais em todo o país. Em São Paulo, a população deu vitória ao candidato da direita, Paulo Maluf, que enfrentava Eduardo Suplicy, do PT, agremiação que estivera à frente dos protestos. Guardadas as proporções, Collor e Maluf eram expressões do mesmo projeto político.

Os resultados eleitorais ainda suscitam polêmicas. Mas no centro estava o fato de a campanha contra Collor foi realizada com base num moralismo anticorrupção que, embora indignasse a população, não deixou saldos políticos. Sobre o projeto ultraliberal do governo, quase nada foi dito.

No Oriente Médio governos foram derrubados e na Europa os indignados podem voltar a marchar. Tomara que a disputa entre no decisivo terreno da política.

Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

Ficha Limpa corre risco de não valer em 2012

A Lei da Ficha Limpa corre o risco de não valer na eleição municipal de 2012 nem nas que vierem depois.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão pessimistas e preveem que a Corte poderá declarar a regra inconstitucional ao julgar três ações que tramitam há meses no tribunal e que tratam da lei que nasceu de uma iniciativa popular a favor da moralização dos costumes políticos no País.

Em março, o STF decidiu por 6 votos a 5 que a norma não teria validade para a eleição de 2010 porque foi aprovada com menos de um ano de antecedência ao processo eleitoral. Há uma regra na Constituição Federal segundo a qual modificações desse tipo têm de ser feitas pelo menos um ano antes. Na ocasião, os ministros somente analisaram esse aspecto temporal da lei.

Nos futuros julgamentos, eles deverão debater se a regra está ou não de acordo com a Constituição Federal ao, por exemplo, estabelecer uma punição (inelegibilidade do político) antes de uma condenação definitiva da Justiça. Os contrários a esse tipo de punição afirmam que ela desrespeita o princípio constitucional da presunção da inocência, ou seja, que ninguém será considerado culpado até uma decisão judicial definitiva e sem chances de recursos.

O entendimento do Supremo será fixado durante o julgamento conjunto de três processos: duas ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) e uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI). A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional e o PPS pedem que o tribunal chancele a constitucionalidade da lei. Já a Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL) quer que a Corte declare inconstitucional um dispositivo da norma segundo o qual são inelegíveis as pessoas excluídas do exercício de profissão em razão de infração ético-profissional.

Vicentinho ganha direito de resposta na revista Veja

Vicentinho_plenario_BrizzaCO deputado Vicentinho (PT-SP) encaminha nesta segunda-feira (29), resposta à matéria intitulada “Terror e Poder”, publicada no dia 11 de abril, no site da revista Veja. A matéria liga sua imagem a organizações terroristas e foi motivo de ação judicial movida e ganha pelo deputado.

A decisão da Justiça contra a revista foi proferida pelo juiz de direito Enilton Alves Fernandes, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), no dia 22 último. “A Procuradoria da Câmara dos Deputados entrou com duas ações na justiça: direito de resposta e indenização por danos morais. A decisão da justiça não é uma vitória minha, mas do PT que foi atingido na reportagem da revista”, afirmou o deputado.

Segundo decisão do juiz, a resposta deve ser publicada na edição da Revista Veja “imediatamente à intimação da ré, com o igual destaque concedido àquela matéria, na mesma seção, com fonte idêntica, devendo o requerente limitar-se a fazer afirmações objetivas, vedando-se a emissão de opiniões depreciativas ou acusações ao requerido”.
Para o caso de descumprimento da obrigação, foi fixada pena de multa diária de R$ 2 mil.

Ivana Figueiredo (via @PTnaCamara)

Boaventura: Carta às esquerdas; como lutar contra a barbárie que se aproxima

Por Boaventura de Sousa Santos, na Anncol (via@pauloteixeira13)

Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação mas é uma fonte importante.

Os diferentes entendimentos deste ideal levaram a diferentes clivagens. As principais resultaram de respostas opostas às seguintes perguntas. Poderá o capitalismo ser reformado de modo a melhorar a sorte dos dominados, ou tal só é possível para além do capitalismo? A luta social deve ser conduzida por uma classe (a classe operária) ou por diferentes classes ou grupos sociais? Deve ser conduzida dentro das instituições democráticas ou fora delas? O Estado é, ele próprio, uma relação de dominação, ou pode ser mobilizado para combater as relações de dominação?

As respostas opostas as estas perguntas estiveram na origem de violentas clivagens. Em nome da esquerda cometeram-se atrocidades contra a esquerda; mas, no seu conjunto, as esquerdas dominaram o século XX (apesar do nazismo, do fascismo e do colonialismo) e o mundo tornou-se mais livre e mais igual graças a elas. Este curto século de todas as esquerdas terminou com a queda do Muro de Berlim. Os últimos trinta anos foram, por um lado, uma gestão de ruínas e de inércias e, por outro, a emergência de novas lutas contra a dominação, com outros atores e linguagens que as esquerdas não puderam entender.

Entretanto, livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação das seguintes ideias.

Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo.

Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, ele a reduz à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas.

Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas).

Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente.

Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual há que lutar; o crescimento económico não é infinito.

Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns da humanidade (como a água e o ar).

Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos que sobressai em todos os inquéritos; este é um patrimônio das esquerdas que estas têm vindo a dilapidar.

Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer, do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas.

Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.

Com estas ideias, vão continuar a ser várias as esquerdas, mas já não é provável que se matem umas às outras e é possível que se unam para travar a barbárie que se aproxima.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Publicação IPEA: Crise Financeira Global

Por Luciana Acioly e Rodrigo Pimentel Ferreira Leão*

Em 15 de setembro de 2008, a falência do banco de investimentos Lehman Brothers marcou o auge de um dos eventos mais críticos da economia internacional nas ultimas décadas: a crise financeira de 2007−2009. Apos a quebra deste banco, a crise financeira, que inicialmente havia se manifestado em alguns países, transformava-se num fenômeno global e sistêmico. Desse momento em diante, a economia de todos os países foi afetada de alguma forma pelos efeitos da crise,seja pela restrição de crédito, seja pela contração do comercio internacional etc.

Apesar disso, o ritmo e a intensidade com que cada país foi atingido variou ignificativamente, respondendo as características de suas economias e ao modo como elas estavam articuladas a economia internacional. No caso dos países em desenvolvimento, a despeito dessas diferenças, de modo geral, o processo de saída e de recuperação da crise foi relativamente uniforme, uma vez que, em 2010, boa parte dessas economias já apresentava taxas de crescimento positivas, bem como recuperação do emprego. Isso se explicou pelo fato de essas nações terem empregado, ao longo da crise, um conjunto amplo de políticas macroeconômicas fortemente expansionistas. Particularmente sobre o caso brasileiro, observou-se maior capacidade do governo de realizar políticas anticíclicas, por meio de políticas sociais como valorização do salário mínimo e a expansão do credito, que possibilitou ao país retomar, já em 2010, o acelerado crescimento da economia.

Partindo desse cenário, este livro busca enfrentar algumas das questões que se colocaram para os países em desenvolvimento nesse período de crise, em especial para o Brasil. Entre os temas tratados, pode-se destacar: as tensões que envolvem a articulação dos países em desenvolvimento no sistema monetário internacional; a reação dos mercados financeiros desses países ao cenário de instabilidade e de incerteza provocado pela crise; os canais de transmissão da crise para esses países, em particular para o Brasil; e os efeitos para comercio exterior brasileiro.

Este conjunto de reflexões tem por objetivo aprofundar a discussão sobre a estrutura do sistema monetário internacional − dirigido essencialmente pela economia norte-americana −, bem como sobre a integração relativamente subordinada dos países em desenvolvimento. No caso do Brasil, procura-se também analisar os impactos para a economia, assim como o comportamento dos agentes e do mercado financeiro durante a crise.

O primeiro capitulo do livro, escrito por Marcos Antonio Macedo Cintra e Daniela Magalhães Prates, analisa a participação dos países emergentes na crise financeira de 2008. Para atender a este objetivo, os autores apontam que tais países estão inseridos num sistema financeiro global extremamente desregulado e que possui uma dinâmica instável. Alem disso, eles estão inseridos num sistema monetário hierarquizado e assimétrico, cuja liderança e dos países centrais, em especial dos Estados Unidos, detentor da moeda-chave, o dólar. Isso, somado ao fato de os emergentes serem detentores de moedas inconversíveis, faz com que eles se mantenham numa posição subordinada dentro do sistema monetário internacional. Nesse cenário, nenhum dos países emergentes ficou incólume aos efeitos da crise, ainda que sua intensidade se distinguisse em função do grau de abertura e das políticas macroeconômicas por eles implementadas.

O segundo capitulo, de autoria de Keiti da Rocha Gomes, tem como meta discutir o comportamento do sistema financeiro brasileiro, a partir de uma analise minskyana, durante a evolução do quadro de deterioração no mercado norte americano que culminou com crise financeira deflagrada em setembro de 2008.

Procura-se mostrar como o mercado financeiro no Brasil também apresentou um movimento endógeno de deslocamento de uma situação de relativa tranquilidade – substancialmente apoiada em expectativas otimistas − a uma situação de potencial fragilidade − marcada por exposições financeiras muito alavancadas −, seguida pela disseminação do pessimismo e por incertezas no sentido keynesiano.

Adicionalmente, sao apresentados os resultados de um estudo econométrico que tenta demonstrar de forma quantitativa as implicações de elementos subjetivos – como incerteza, pessimismo e otimismo – no comportamento do ambiente financeiro do Brasil.

O terceiro capitulo, de Emilio Chernavsky, oferece uma discussão sobre os canais mais frequentemente citados por meio dos quais os efeitos da crise econômica internacional se transmitiriam a economia brasileira. Ainda que estes canais, como a restrição do credito e as perdas financeiras das empresas, tenham sido importantes para se compreender a reversão do ciclo de expansão da economia brasileira, eles sao insuficientes para explicar a velocidade e a intensidade com que se deu a deterioração das expectativas sobre a atividade econômica no pais. Em face dessa insuficiência, de resto inerente ao processo de formação das expectativas numa economia capitalista, argumenta-se que os agentes, especialmente em situações onde predomina um grau elevado de incerteza, formam suas expectativas essencialmente por meio da adesão a uma convenção, apoiada ou não em sólidos fundamentos econômicos, comportamento que lhes permite diminuir a incerteza em suas interações. Mostra-se, então, que as circunstancias particulares sob as quais emergiu a convenção especifica, que sustenta a formação das expectativas negativas durante as primeiras etapas da crise no Brasil, sao fortemente marcadas pela profusão de sentimentos pessimistas resultantes das pesadas perdas financeiras incorridas por um numero significativo de atores, assim como da incerteza generalizada quanto ao futuro da economia mundial.

O ultimo capitulo, escrito por Marta Castilho, analisa as mudanças do comercio exterior brasileiro no período da crise, em especial das exportações.

Embora as importações também tenham apresentado transformações importantes ao longo da crise, os impactos dela sobre as exportações foram mais intensos e duradouros. Nesse sentido, busca-se articular as mudanças dos fluxos comerciais brasileiros as mutações observadas no comercio internacional. Partindo desta analise, observa-se que, em 2009, as alterações na pauta de exportações, em termos de dispersão geográfica e intensidade tecnológica, ocorreram em dois sentidos:

1) ha um deslocamento das exportações para mercados em desenvolvimento, notadamente a Ásia; e

2) os produtos não industriais ganham forca como principais produtos exportados pelo Brasil.

Em suma, os textos buscam contribuir com a reflexão de um tema que ainda gera muito mais discussões do que consensos. Longe de pretender esgotá-lo, o livro se propõe a analisar algumas das questões mais importantes que envolveram a crise, principalmente no caso brasileiro, e que ajudam a pensar a configuração da economia capitalista internacional e nacional nos próximos anos.

*Luciana Acioly é Coordenadora de Estudos das Relações Econômicas Internacionais da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Cerid/Dinte) do Ipea

*Rodrigo Pimentel Ferreira Leão é Pesquisador do Programa de Pesquisa para o Desenvolvimento Nacional (PNPD) na Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte) do Ipea

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  Livro IPEA – Crise Financeira (2,3 MiB, 3 hits)

A Polícia Federal já está no caso da Veja/Hotel Naoum

por  Conceição Lemes

O principal cenário da “denúncia” da Veja desse final desse final de semana é o Hotel Naoum, em Brasília. Nele, segundo a revista, José Dirceu tem um “gabinete” instalado, onde “o ex-ministro recebe autoridades da República para, entre outras atividades, conspirar contra o governo Dilma.”

A matéria traz uma sequência de dez fotos tiradas do andar em que fica o apartamento de José Dirceu. Numa delas, aparece o próprio. Nas demais, ministros, deputados, senadores que lá estiveram. Por isso, entrevistei há pouco Rogério Tonatto, gerente geral do hotel.

Viomundo — No seu ramo de negócio, privacidade é vital. A do Naoum, porém, foi quebrada com a reportagem da Veja. O senhor não teme que, por isso, clientes deixem de se hospedar no seu hotel?

Rogério Tonatto — Eu não acredito, não, porque todo mundo conhece a nossa respeitabilidade. O hotel tem 22 anos, é considerado o melhor da cidade. É o hotel que mais recebeu comitivas oficiais em todo o país, da Princesa Diana a  Fidel Castro.  São mais de 150 comitivas oficiais.

O que foi feito aqui é uma coisa criminosa, que a gente repudia. Nós estamos realmente chocados, pois temos uma história muito forte com a cidade.  Não vamos deixar que episódio isolado como esse abale o nome do hotel.

Viomundo – Acha mesmo que não vai ter repercussão na sua clientela? As fotos exibidas na Veja demonstram que a privacidade do seu cliente está em risco.

Rogério Tonatto – A privacidade de clientes está sob risco em qualquer lugar do mundo.  O que fizeram no hotel é um crime. Aliás, muitos clientes têm-nos ligado para prestar solidariedade, dizendo que o hotel não merece isso.

Viomundo – O senhor sabe como foram feitas as imagens?

Rogério Tonatto — A gente não sabe ainda com certeza, pois a questão está sob investigação.  A nossa suspeita é de que essa câmera foi plantada. Achamos que não saíram do circuito interno  do hotel.

Viomundo — Não saíram mesmo do circuito interno?

Rogério Tonatto — Nós estamos investigando.  Mas tudo indica que não. Até porque a maioria dos nossos funcionários tem muito tempo de casa, são pessoas comprometidas  com o hotel. Eu sinceramente não acredito que possa ter saído de forma inconseqüente do hotel. Nisso, a gente está bem tranqüilo.

Já falamos com todos os funcionários, a começar pelo pessoal de segurança. Está todo mundo muito chateado, muito perplexo.  São pessoas que têm um carinho muito grande pelo empreendimento. Você não tem noção do que a gente realmente está passando…

Viomundo – É possível dizer com 100% de certeza que as fotos não foram tiradas do seu sistema de segurança?

Rogério Tonatto – Neste instante, não tenho condições de precisar 100%.  A principal hipótese é a de que uma câmera tenha sido plantada no hotel.  A gente trabalha mais com essa hipótese.

Viomundo – A sua equipe tem condições de avaliar se as imagens saíram ou não do circuito interno, não tem?

Rogério Tonatto – Tem, sim, e já detectaram algumas diferenças em relação às fotos publicadas. Por exemplo, são horas diferenciadas em relação às presenças das pessoas citadas.  Mas isso a Polícia Civil de Brasília e a Polícia Federal estão apurando. Agora, é precipitado eu falar mais coisas. Não quero atrapalhar a investigação. O que eu posso dizer é que vamos apurar todo esse delito até o final.

Viomundo — Tem ideia de quem teria filmado o andar do apartamento do ex-ministro José Dirceu?

Rogério Tonatto — Não temos a menor ideia.  Sabemos que um repórter esteve lá, que tentou invadir um dos apartamentos. Prontamente nosso staff não deixou. É um staff bem preparado, conseguiu detectar a tentativa de invasão. Demos queixa na polícia. Enfim, tomamos todas as medidas que medidas que tem de ser adotadas nessas circunstâncias.

Esse é um caso que tem de ser apurado pela polícia especializada, porque a gente não compartilha com esse tipo de conduta, independentemente de quem seja o cliente.

Viomundo – O senhor disse que a Polícia Federal está apurando o caso…

Rogério Tonatto —  A Polícia Federal foi acionada, está tomando providências, já está  no caso, assim como a Polícia Civil. Elas já estão no encalço de quem cometeu esse crime. Nós estamos trabalhando em todas as frentes para que ele  seja solucionado o mais rapidamente possível.

Viomundo — Que medidas o hotel vai tomar em relação à Veja?

Rogério Tonatto – Amanhã às 9 horas da manhã já temos uma reunião agendada com os nossos advogados. Neste momento, não tenho condições de dizer se a gente a vai processar a Veja.  Não sou competente na área, preciso de orientação jurídica sobre as medidas a serem tomadas.

Viomundo – Quem vai pagar os prejuízos do hotel, já que a imagem dele foi  manchada?

Rogério Tonatto — Nós estamos realmente indignados e preocupados com tudo isso. Mas uma coisa garanto: alguém vai pagar. Não sei lhe precisar quem neste momento, mas alguém vai pagar.  Vamos tomar todas as medidas para que esse episódio não fique impune. Nós estamos muito seguros da nossa importância. E o hotel não merece um espetáculo criminoso como este.

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Otan, Líbia e a esperteza dos tolos – por Mauro Santana (via @BlogdoMiro)

Por Mauro Santayana, em seu blog:

O dia 11 de novembro de 1630 foi decisivo para a história da França e da Europa. Nesse dia, em Versailles, um jovem rei, Luís 13, rompeu com a mãe, a Rainha Maria de Médicis, e entregou todo o poder político da França a seu ministro, o Cardeal de Richelieu. Richelieu amanhecera deposto pela Rainha, mas um de seus conselheiros o convenceu a ir até o monarca, e expor-lhe suas razões. Foi uma conversa sem testemunhas. O fato é que Luis 13 teve a atitude que correspondia ao filho de Henrique IV: “entre minha mãe e o Estado, fico com o Estado”.

Ao tomar conhecimento da reviravolta, quando os inimigos do Cardeal festejavam sua derrota, o poeta Guillaume Bautru, futuro Conde de Serrant – um dos fundadores da Academia Francesa, libertino, sedutor, e homem de frases curtas e fortes – resumiu os fatos, ao ridicularizar os açodados: “c’est la journée des dupes”. Em nossa boa língua pátria, “o dia dos tolos”. Ao mesmo tempo em que se vingava da princesa italiana, que o humilhara, Richelieu iniciava uma fase de grandeza da monarquia de seu país que só se encerraria 162 anos depois, com a decapitação de Luís 16.

A história é cheia de jornadas semelhantes. Os planos, por mais bem elaborados sejam, nunca se cumprem exatamente e, na maioria das vezes, se frustram, diante dos caprichosos deuses do inesperado. O caso da Líbia, se o examinarmos com cuidado, está prometendo ser uma operação “des dupes”. Não vai, nesta análise, qualquer juízo moral sobre Khadafi. É certo que se trata de um megalômano, que, tendo chegado ao poder aos 27 anos, provavelmente não estivesse preparado para administrar o êxito que coroou a sua participação na revolta contra outro déspota, o rei Idris. Mas Khadafi não teria sido quem foi, durante 42 anos, se a Europa e os Estados Unidos não tivessem tido atitude sinuosa e incoerente para com o seu regime. Reagan chegou a determinar o ataque aéreo a Trípoli e Bengazi, em 1986, quando uma residência de Khadafi foi atingida e uma sua filha adotiva morreu. Esses ataques, longe de enfraquecer o governante, fortaleceram-no, e desestimularam os poucos inimigos tribais internos.

Os interesses econômicos da Europa, que fazia bons negócios com o dirigente do velho espaço dos beduínos, berberes e tuaregues, ditaram as oscilações da diplomacia diante de Trípoli. A bolsa, sempre pejada e generosa, de Khadafi, favorecia seus entendimentos e os de seus filhos com altos funcionários das chancelarias européias e financiavam festas suntuosas a que eram convidadas as grandes celebridades do show business e dos círculos ociosos da grã-finagem internacional. Enfim, Khadafi fazia o que quase todos fazem. Não é por acaso que Berlusconi sempre o teve como um de seus mais devotados amigos, até que, coerente com seu caráter, somou-se à cruzada contra Trípoli.

Khadafi, por mais insano tenha sido – e todos podiam identificar os sinais de sua mente vacilante – fez um governo de bem-estar social, como nenhum outro da região. Contando com os recursos do petróleo, criou sistema de assistência à saúde que, mesmo restrito aos centros urbanos, tem sido exemplar. Reduziu drasticamente os níveis de mortalidade infantil, possibilitou o tratamento gratuito de toda a população, universalizou a educação, estimulou a agricultura nas raras terras cultiváveis, e fixou salários dignos para os trabalhadores. É certo que se enriqueceu e enriqueceu seus familiares e favoritos, mas os líbios não tinham por que queixar-se de sua política social. Em contrapartida, não admitia qualquer tipo de oposição.

Monsieur Sarkozy, que anda fazendo apostas perigosas com a posteridade, e Cameron, da Grã Bretanha, foram os grandes animadores da intervenção maciça da Otan contra a Líbia. A ocasião era propícia. A Europa se encontra combalida com a crise econômica e o avanço da corrupção está erodindo a coesão de seus povos. O tema é de particular intimidade da França, detentora, na História, dos mais espetaculares escândalos, entre eles o da frustrada construção do Canal do Panamá por uma companhia francesa: a empresa obtivera, mediante propinas a muitos parlamentares, a concessão de uma loteria especial para o financiamento da obra, recolhera investimentos pesados dos homens de negócios europeus e dos poupadores modestos, e quebrou espetacularmente poucos meses depois. Durante muito tempo, “panamá” passou a ser sinônimo, em todas as línguas, de negócios escusos e da corrupção política. Talvez com a única exceção dos tempos de De Gaulle, nunca houve governo na França imune a denúncias de sujeiras semelhantes. A corrupção foi uma das causas da Revolução Francesa.

Quase todos estão saudando a vitória contra Khadafi, mas isso não significa que tenham conquistado a Líbia. São grupos internos de interesses diferentes que se uniram, para livrar-se de um inimigo comum, com o apoio das potências estrangeiras, que bombardearam sistematicamente a população civil – o que, convenhamos, é terrorismo puro. Mas, sempre que as armas se calam, novo e mais complicado conflito se inicia. Quem assumirá o poder? Irão as tribos do deserto, que se relacionam entre elas mediante complexa malha de fidelidade, fundada no parentesco e nas alianças bélicas seculares, unir-se sob um protetorado estrangeiro? É duvidoso.

Há uma questão de fundo, que Sarkozy e Cameron, em seu açodamento, desprezaram. Londres e Paris, pressurosos em aproveitar os episódios dos países árabes, a fim de reocuparem seu domínio colonial, tomando o lugar da Itália na influência sobre a Líbia, esqueceram-se de Israel. Mubarak, do Egito, o principal aliado de Tel-Aviv, e fiel vassalo de Washington, perdeu o poder e corre o risco de perder também a cabeça. Israel tomou a iniciativa de provocar as novas autoridades do Egito ao cometer o ataque fronteiriço, que causou a morte de oficiais daquele país, na pressão para que se feche novamente a passagem aos palestinos. Nada indica que os governos que eventualmente sucedam aos déspotas destituídos no Egito e na Tunísia, e os que possam vir a ser derrubados nas vizinhanças, sejam mais condescendentes com Israel. Até mesmo a Síria é uma incógnita, no caso em que Assad perca o mando. A Itália, acossada pela crise econômica e pela desmoralização de Berlusconi, em lugar da neutralidade, somou-se, na undécima hora, aos agressores.

Os fundamentalistas islâmicos se somam aos que saúdam os movimentos de rebeldia nos países árabes. Por que? A Palestina, por intermédio do Hamas, aplaude o fim de Khadafi. Terá suas razões para isso. E a rede Al Jazeera já está emitindo de Trípoli. Como se queixou Khadafi, a Al-Qaeda não o apoiava.

Enfim, para lembrar o burlador Conde de Serrant, é bem provável que este ano de 2011 fique na história, para o Ocidente, e outros, como o ano dos tolos.

Postado por Miro

Noroeste Paulista – Votuporanga. DE VOLTA AO PASSADO

          Os língua-preta que disseram que os coqueiros estéreis da Rua Amazonas de nada servem estavam completamente enganados. Bem como aqueles que disseram que a revitalização da Rua Amazonas diminuiu o espaço de estacionamento… Só se for dos carros, pois pra carrinho de tração animal, o projeto está sob medida, cabe certinho um carrinho no vão dos coqueiros. Até parece coisa premeditada… Se bobear, algum poeta faz música – Quem sabe entre um coqueiro e outro a gente se afinize e comece a encostar…

          Não sou engenheiro, muito menos arquiteto, mas o espaço me parece perfeitamente hábil para uma manobra perfeita. Se fosse exigência do patrão não teria saído assim tão perfeito. O melhor de tudo é que, uma caminhonete precisa fazer manobra pra dobrar as esquinas e estacionar nas vagas reduzidas e disputadas, mas os carrinhos de tração animal, não. Dá pra se estacionar numa única manobra, logicamente dependendo da perícia daquele que está mandando os beijos!!!

          Outra curiosidade que notei, foi a de que os projetistas esqueceram de construir os bebedouros (vascas, como se dizia antigamente) para os animais, mas com jeitinho acho que dá até para adaptar àquelas lixeiras em vascas. Aí tudo ficará perfeito, exatamente como no início. A diferença é que no início era só fincar uma lasca de aroeira ou angico (madeiras abundantes da época) no chão e já estava pronto o mastro para a amarração do cabresto. Talvez os mastros de hoje tenham ficado um pouquinho mais caros, mas ficaram muito mais elegantes, temos que admitir. Teve gente dizendo até que seguiu conceitos paisagísticos parecidos com os de um vilarejo da França?!?!?!

          Sei lá, nunca fui à França, mas fico feliz que nesta inocente imagem aí, alguém tenha encontrado alguma utilidade para aqueles coqueiros, pois até agora eu já tinha arrebentado os meus dois neurônios e não havia vislumbrado sequer uma.

          Resta-nos somente uma pergunta – Será que pagou Zona Azul???

          Outra coisa… Agora eu vi que quem tem amigos influentes e importantes, tem tudo. Deve ter amigo na PM ou não secretaria de trânsito. Só pode… A gente se descuida um minutinho e a multa chega primeiro que a gente em casa, mas o amigo aí deve ter costas quentes. Ôh se deve…

          Preciso fazer um comentário sórdido. Em outros tempos e no meu pedaço, uma éguinha roliça e calçada dessas não durava uma hora aí parada sem “companhia”… Só pra que vocês tenham uma vaga idéia de como a minha área era perigosa, aqui tinha um cabôco que era conhecido pelo singelo apelido de João da égua e ele nem era carroceiro!!!

Recebido por email de: Roberto Martins roberto_lamparina@hotmail.com

Oxímoro

Oxímoro é o enunciado contraditório à primeira vista, ou seja, faz-se a conjunção de duas proposições das quais uma é a negação ou implica na negação da outra.

O que diferencia o oxímoro da contradição propriamente dita é a intencionalidade do oxímoro, a proximidade dos termos contraditórios, a visibilidade flagrante e a admissibilidade de uma decifração.

Na contradição propriamente dita há o lapso ou a intenção de escamoteamento, no oxímoro a idéia é deixá-lo bem visível, obrigando quem quer assimilá-lo a refletir sobre o porquê de sua presença.

O oxímoro é uma contradição em leitura imediata. É lançado para que se decifre e decifrá-lo envolve dissolver a contradição. Para dissipar a contradição, o receptor é levado a fazer suposições como:”A natureza do referente tratado no oxímoro é diferente daquela que se supõe em leitura imediata. Em Claro Enigma, de Drummond, é plausível supor que aquilo que se julga um enigma na verdade não é ou que o próprio conceito de enigma é um embuste.

  • O que se diz verdadeiro sob um aspecto, um ponto de vista, não o é sob outro. Quando se diz: ‘tudo certo como dois e dois são cinco’ é aceitável supor que sob certo prisma as coisas estão certas porque parecem certas, porque se finge que estão certas, mas sob outra visão tudo está errado.

  • Deve-se tomar o enunciado em duas acepções: uma afirmativa, outra negativa.

  • Evidenciar a contraditoriedade. Quando se diz: ‘reparar o irreparável ultraje’, destaca-se a impossibilidade do ultraje ser reparado.

Ao se dizer ‘conseguiu o impossível’, evidencia-se que aquilo que se julgava impossível apenas parecia impossível.

O oxímoro é um recurso de semântica aberta. Quem o utiliza abre possibilidades de decifração. Cabe a quem o assimila fechar as lacunas.

Publicado originalmente em: Elementos de Retórica

Nobre Alcaide liminarmente em exercício em Jales terceiriza 10% do orçamento para uma só entidade.

Considerando que um dos eixos constitutivos do PT – Partido dos Trabalhadores é a defesa do fortalecimento do papel do Estado na Sociedade.  Nossos eleitores, simpatizantes, militantes, quadros políticos, dirigentes e representantes lutam contra as privatizações e terceirizações que decorrem da visão política neoliberal.

A erradicação da miséria, a diminuição das desigualdades sociais são marcas dos governos petistas, bem como a participação popular e a transparência na gestão da coisa pública. Estratégias de enfrentamento como o CREAS, PAIF, Sentinela, devem ser terceirizadas ?

Saude é Direito de Todos, Dever do Estado. O Partido dos Trabalhadores combate as privatizações do SUS, a terceirizações da saúde. A entrega as OS’s e OSCIP’s de Hospitais, e outros equipamentos como os AME’s merecem nosso combate permanente.  Quais ações do SUS são as principais no nível de Governo Muicipal ? ESF, NASF, CEO, Controle de Vetores… o que significam em termos relativos, percentuais, para o SUS Municipal ? O quadro abaixo representa o saldo de seis anos de um Governo Petista ? Não parece justamento o oposto ?

Lembrando que a antítese das gestões petistas é hoje representada pelas propostas defendidas principalmente pelo DEM e pelo PSDB, que defendem as privatizações, terceirizações, a redução do papel do Estado na sociedade, ficam pergunas no ar.

Lendo a notícia publicada no blog do cardosinho fico pensando…10% do orçamento público terceirizado? Lembro que não. Temos várias outras terceirizações. A merenda escolar, a limpeza pública, a feira agrícola… quanto do orçamento municipal… quanto das ações de Governo estará privatizado em Jales ?

Não somos donos da verdade. Quem decide qual política o governos deve implementar é o eleitor. No caso brasileiro, Lula e Dilma, deram e dão a receita públicamente. A receita que usaram para salvar o Brasil da situação de submissão ao FMI, de enfrentamento à crise econômica internacional, de combate à fome e à miséria, de construção de um país forte e de combate à corrupção. Qual a receita?  O fortalecimento do Estado e de sua capacidade de intervençao na economia é um dos ingredientes principais da receita.

Tenho a impressão de que talvez seja verdade que em Jales tem gente fazendo o jogo dos tucanos… a pergunta que não cala é…quem?

Veja a noticia publicada.

Publicado originalmente no blog do

MAIS R$ 488 MIL PARA ADERJ

Os oito Termos de Parceria que a Associação dos Deficientes Físicos da Região de Jales, ADERJ, mantém com a Prefeitura de Jales tiveram seus valores aditados, neste mês. Somados, os aditamentos vão custar R$ 488.422,00 aos cofres do município. Com esse acréscimo, o valor total dos oito Termos de Parceria salta para R$ 7,1 milhões, ou seja, cerca de 10% do orçamento anual da Prefeitura.

O mote para o aumento, segundo explicações, foi um acordo coletivo de trabalho protocolado junto ao Ministério do Trabalho. A ADERJ, sabe-se, começou a prestar serviços à Prefeitura de Jales em março de 2005, logo no início, portanto, do governo Parini. Ao longo dos anos, transformou-se, praticamente, num apêndice da administração. Abaixo, os Termos de Parceria e seus respectivos valores, atualizados:

– Programa Saúde da Família (PSF)  – R$ 5.264.340;

– Programa de Atenção Integral à Família (PAIF) – R$ 250.964;

– Programa Projovem Adolescente – R$ 52.734;

– Núcleo de Apoio à Família (NASF) – R$ 380.093;

– Programas Creas e Sentinela  –  R$ 139.192;

– Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) – R$ 501.641;

– Programa Controle de Vetores (Dengue) – R$ 526.351; e

– Plano de Ações e Metas (PAM/AIDS) – R$ 37.351.

Ponte luta e busca o empate por 3 a 3 na primeira partida em Araraquara

Com gols de Lúcio Flávio, Renato Cajá e Guilherme, Macaca termina primeiro turno na vice liderança da Série B

Na tarde desse sábado (27) a Ponte Preta fez sua estreia jogando na Arena Fonte Luminosa em Araraquara e buscou um empate contra o Náutico pelo placar de 3 a 3. Os gols da Ponte foram feitos por Lúcio Flávio, Renato Cajá e Guilherme; Elicarlos, Rogério e Eduardo Ramos marcaram para os pernambucanos. Com o resultado, a Macaca fechou o primeiro turno do campeonato na 2º posição, com 35 pontos.

O próximo compromisso da equipe alvinegra será na terça-feira (30), às 20h30, contra o ASA no estádio Coaracy Fonseca, em Arapiraca-AL. A partida será válida pela 20° rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, a primeiro do returno da competição. Os alagoanos ocupam a 10º colocação, com 27 pontos.

O Jogo

Jogando com o uniforme preto e diante de mais de 2 300 torcedores que foram até Araraquara, a Ponte Preta começou o jogo atacando e conseguiu uma falta e dois escanteios com menos de 2 minutos de jogo. O Náutico foi ataque aos 8 minutos com um chute de Kieza que passou longe do gol de Júlio César. Aos 17, Renato Cajá carregou a bola pela esquerda, o meia olhou para a área e cruzou com perfeição, na cabeça de Lúcio Flávio, o atacante cabeceou e colocou a bola dentro do gol para abrir o placar para a Macaca. 1 a 0 para a Ponte, o primeiro gol de Lúcio Flávio com a camisa alvinegra.

Aos 19 minutos Guilherme chegou à linha de fundo com velocidade e fez o cruzamento baixo, buscando Lúcio Flávio, mas o goleiro Gideão saiu bem para fazer a defesa. Aos 23, o árbitro Leandro Vuaden concedeu uma parada técnica na partida para os jogadores se hidratarem, em razão do forte calor que fazia em Araraquara. Aos 29 minutos Renatinho recebeu na intermediária, fez a finta na marcação e arriscou o chute que saiu por cima do gol. Um minuto depois Elicarlos recebeu na intermediária, limpou o lance e chutou muito forte para empatar o jogo. 1 a 1 no placar.

Aos 35, Derley recebeu a bola no meio da área e chutou para a boa defesa de Júlio César, mas a arbitragem já paralisava o lance marcando impedimento do meio campo pernambucano. Dois minutos depois, Eduardo Ramos arriscou de fora da área e mandou a bola à direita do gol da Ponte. Aos 40 minutos foi a vez de Mancuso arriscar de fora da área e mandar a bola pela linha de fundo. Dois minutos depois o Náutico chegou em contra ataque rápido pela direita com Kieza, o atacante entrou na área e rolou para Eduardo Ramos, o meia recebeu e tocou de lado para Rogério bater para o fundo do gol. 2 a 1 para os pernambucanos.

Aos 43 minutos Renatinho fez a jogada no meio de três marcadores e tocou para Ricardo Jesus, mas o artilheiro da Ponte chutou por cima do gol. Sem tempo para mais lances de perigo, o primeiro tempo foi encerrado após 3 minutos de acréscimos.

Na volta do intervalo foi a Ponte que chegou ao ataque primeiro. Aos 2 minutos Ricardo Jesus recebeu na entrada da área, girou o corpo e fez o chute, mas Gideão estava bem colocado para defender. O Náutico chegou pela primeira vez aos 4, Eduardo Ramos tocou para Derley vir de trás e chutar para fora do gol. Aos 8 minutos Uendel fez o cruzamento da esquerda, a zaga afastou e, no rebote, Mancuso bateu de primeira por cima do gol.

Aos 14 minutos o técnico Gilson Kleina promoveu duas alterações na equipe pontepretana. Saíram Xaves e Lúcio Flávio para a entrada de Josimar e Tiago Luis. Aos 17, Josimar arriscou o chute da intermediária, mas mandou a bola à direita de Gideão. Um minuto depois Rogério fez jogada pela esquerda e tocou para Eduardo Ramos na entrada da área, o meia dominou e bateu com qualidade para vencer o goleiro da Ponte. 3 a 1 para o Náutico.

Aos 23 minutos a Ponte mudou pela última vez na partida. Gérson entrou no lugar de Renatinho. Aos 26, Gérson recebeu um lançamento pela direita, entrou na área e cruzou para Renato Cajá empurrar para o fundo do gol. 3 a 2 para o Náutico, o primeiro gol de Renato Cajá na volta dele à Ponte Preta.

Aos 28 minutos Gérson arriscou de fora da área e mandou a bola pela linha de fundo. Um minuto depois, Tiago Luis chutou da entrada da área e acertou a rede pelo lado de fora. Aos 33, Tiago Luis cobrou escanteio pela esquerda, Guilherme subiu mais alto do que a zaga e desviou de cabeça para empatar o jogo. 3 a 3 em Araraquara, o terceiro do lateral da Macaca no campeonato.

Aos 40 minutos Uendel mandou uma bomba da intermediária e Gideão fez uma bela defesa. Dois minutos depois Guilherme recebeu o cruzamento, matou no peito e cruzou rasteiro, Ricardo Jesus chegou, mas não alcançou a bola por pouco. Aos 44, Renato Cajá bateu escanteio da esquerda, Josimar desviou de cabeça, mas mandou a bola pela linha de fundo. Sem mais lances de perigo, o jogo foi encerrado com o placar de 3 a 3.

Ficha Técnica:
Ponte Preta: Júlio César; Guilherme, Leandro Silva, Ferron e Uendel; Xaves (Josimar), Mancuso, Renato Cajá e Renatinho (Gérson); Lúcio Flávio (Tiago Luis) e Ricardo Jesus. Técnico: Gilson Kleina.
Náutico: Gideão; Peter, Marlon, Ronaldo Alves e Jeff Silva; Everton, Elicarlos, Derley e Eduardo Ramos (Auremir); Kieza (Elton) e Rogério (Philip). Técnico: Waldemar Lemos / Levi Gomes
Data: 27/08/2011, sábado – 16h20.
Local: Arena Fonte Luminosa, em Araraquara–SP
Árbitro: Leandro Pedro Vuaden.
Assistentes: Márcia B. Lopes Caetano e Nedine Schran Câmara Bastos.
Cartões Amarelos: Renato Cajá (Ponte Preta); Derley (Náutico).
Gols: Lúcio Flávio, Renato Cajá e Guilherme (Ponte Preta); Elicarlos, Rogério e Eduardo Ramos (Náutico).

 Classificação Final 1º Turno Brasileirão Série B

P J V E D GP GC SG
Portuguesa 38 19 11 5 3 41 19 22
Ponte Preta 35 19 10 5 4 35 22 13
Náutico 34 19 9 7 3 24 18 6
Americana 30 19 9 3 7 24 26 -2
Sport Recife 29 19 8 5 6 28 23 5
Goiás 28 19 9 1 9 30 30 0
Paraná 28 19 8 4 7 25 22 3
Criciúma 28 19 7 7 5 16 17 -1
Vitória-BA 27 19 8 3 8 25 24 1
10° ASA-AL 27 19 8 3 8 25 30 -5
11° Boa-MG 26 19 7 5 7 19 17 2
12° Grêmio-SP 26 19 7 5 7 22 22 0
13° Icasa 25 19 6 7 6 29 28 1
14° ABC-RN 25 19 5 10 4 27 24 3
15° Bragantino 24 19 7 3 9 29 33 -4
16° Vila Nova-GO 23 19 6 5 8 17 18 -1
17° São Caetano 21 19 4 9 6 25 29 -4
18° Guarani 20 19 5 5 9 23 26 -3
19° Salgueiro-PE 16 19 4 4 11 20 33 -13
20° Duque de Caxias 9 19 1 6 12 16 39 -23

PT busca acordos para governar Campinas

Partido mobiliza dirigentes para que procurem base e oposição, para constuir sustentação ao Prefeito Demétrio Vilarga e PT afirma candidatura própria para 2012.

Depois de conseguir na Justiça a liminar que impede o afastamento do novo prefeito de Campinas, Demétrio Vilarga, o PT busca articular acordos para dar  sustentação à administração municipal. Dirgentes estaduais do partido e líderes petistas da cidade procuram membros da base e da oposição para construir a governabilidade.


Demétrio Vilarga impediu a tentativa de derruba-lo por meio de liminar Jusdicial.

O discurso que alimenta as negociações passa pelos repasses de recursos federais, de acordo com petistas na cidade. Eles avaliam que, se o novo prefeito conseguir assegurar o fluxo de verbas em projetos que estão em andamento, teria alguma chance de ganhar o apoio de parte dos vereadores que mesmo pertencendo a partidos que integram a aliança que elegeu o prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), votaram para o seu impeachment.

A crise que atinge a administração municipal de Campinas teve início em maio deste ano, quando uma operação liderada pelo Ministério Público estadual desmantelou um suposto esquema de fraudes em licitações na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa). Entre os vários presos na operação estavam a mulher de Doutor Hélio, Rosely Nassim, apontada como suposta mentora do esquema, além do então vice-prefeito, Demétrio Vilarga. O petista estava em viagem ao exterior e só foi detido quando retornou ao Brasil. Prestou depoimentos e foi liberado em seguida.

O desenrolar da crise resultou na cassação de Dr. Hélio, no último dia 20, após 44 horas de deliberação na Câmara Municipal. Vilarga assumiu o cargo, mas teve seu afastamento aprovado pelos vereadores em seguida. Sua permanência no cargo se apoia em uma liminar. No fim da última semana, Dr. Hélio tentou reaver o mandato, pedindo na Justiça a anulação da sessão e do decreto que determinaram sua cassação. O pedido foi negado.

Foto: AE

Edinho Silva trabalha para ‘pacificar’ a situação na cidade.

O clima é de pouco otimismo em relação à capacidade de Vilarga de segurar o posto, já que as conversas ocorrem em meio a uma guerra judicial para definir o controle da cidade.

Ainda assim, o comando estadual do PT entrou em campo no trabalho de convencimento. O presidente do partido em São Paulo, Edinho Silva, tem participado de encontros com o representantes das principais bancadas na Câmara Municipal. A ordem é conversar com todas as legendas, sem exceção.

“Estamos fazendo um esforço para pacificar a situação, pois estamos falando de uma cidade estratégica, que pode continuar se beneficiando de um momento positivo, favorável ao desenvolvimento e ao crescimento”, diz Edinho Silva.

O líder do partido na Câmara Municipal, Angelo Barreto, diz que as negociações têm avançado, apesar da pressão trazida pela aproximação das eleições municipais. Segundo ele, o PT deve lançar candidato próprio na cidade. “É muito difícil neste momento qualquer discussão que não passe pela candidatura própria”, afirma o vereador.

Forças da esquerda do PT discutem aliança interna às vésperas do congresso do partido

A próxima semana pode reservar surpresas para o PT e seus militantes. Além do congresso que reformará o estatuto do partido, foi convocado um seminário com a pretensão de unificar os grupos minoritários mais à esquerda em mais uma tendência interna ou campo político – no jargão petista, uma espécie de frente ou coalizão.

A proposta surgiu depois da cisão da Articulação de Esquerda (AE), com a saída de mais da metade da militância da tendência. A convocação para o seminário “Inaugurar um novo período no PT”, partiu dos dissidentes, e começou a receber sinalizações de apoio tão logo o racha foi divulgado. Nomes de peso, como Emir Sader, o líder da bancada, Paulo Teixeira, Jilmar Tato, deputado federal com grande influência no diretório municipal de São Paulo, o vice-governador e secretário da Cultura do Ceará, Francisco Pinheiro, e o ex-ministro Nilmário Miranda, hoje presidente da Fundação Perseu Abramo, confirmaram presença. Mas a programação lista um bom número de deputados federais e estaduais e atuais ministros, além de lideranças de movimentos sociais sem filiação partidária.

Segundo os organizadores do evento, a participação das “celebridades” nos debates não significa adesão à proposta em gestação de organizar uma nova força declaradamente socialista. Mas a programação divulgada ontem mostra que o movimento dos dissidentes da AE teve eco no partido em todas as regiões. A repercussão nas hostes petistas sinaliza a possibilidade de aglutinação de agrupamentos antes isolados em suas convicções, com reflexos de curto prazo na partição dos cargos da burocracia partidária e até na ocupação de espaços dentro do governo. Um desses grupos, a Tendência Marxista (TM), do vice cearense, Francisco Pinheiro, por exemplo, iniciou uma “paquera” com os dissidentes da antiga AE. Se acertarem os ponteiros com a TM os dissidentes já ficam maiores que eram quando integravam sua antiga tendência.

O ex-ministro José Fritsch, presidente do PT catarinense, aposta no discurso mais ideológico e no estreitamento das relações com os movimentos sociais como fermento para fazer crescer o bolo dos socialistas. “Queremos construir uma aliança interna sólida com os companheiros e companheiras que têm mais convergências do que divergências para disputar os rumos do PT e do governo Dilma”, explica Fritsch. Para ele a presença de lideranças de movimentos sociais não necessariamente filiadas ao PT, como João Pedro Stedile (MST), Tânia Slong e Rosângela Piovisani (Movimento de Mulheres), retrata bem o sentimento dos que desejam “inaugurar um novo período”.

Já o deputado federal baiano Valmir Assunção, liderança revelada nas fileiras do MST, a nova organização, seja na forma de tendência, seja na forma de campo – um conceito petista que pode reunir tendências sem que haja fusão – traz a novidade de congregar os mais diversos segmentos sociais. “Estamos convidando as mulheres, os sem terra, os sem teto, negros e indígenas, o movimento LGBT e todos os segmentos discriminados e que carregam o peso de atuar o preconceito e a criminalização”, explica o deputado.

O seminário dos socialistas do PT antecederá o congresso estatutário que vai deliberar sobre propostas polêmicas, como regras mais restritivas para a realização de prévias para escolha de candidatos a cargos majoritários. Será uma primeira oportunidade de avaliar o nível de coesão entre grupos mais ideologizados e menos pragmáticos que a frente hegemônica surgida após a crise de 2005 para restabelecer o controle do partido, unindo o antigo campo majoritário de Lula a outros agrupamentos que tradicionalmente faziam a disputa interna com os lulistas. Se o novo bloco se afinar, terá musculatura suficiente para ser o fiel da balança em decisões cruciais do congresso e da definição das estratégias eleitorais para 2012 e 2014.

Seminário Inaugurar um Novo Período no PT

1 e 2 de setembro (abertura às 9:30 h do dia 1 e encerramento às 12:30 do dia 2)
STIU (Sindicato dos Urbanitários) – SCS, quadra 6, lote 110, Ed. Arnaldo Vilares, 7º. Andar

http://inaugurarpt.wordpress.com

Programação (clique para ampliar):

Agenda do PT – SP

 27.08 | Estado de São Paulo

Dia D Mobilização do PT-SP
A direção do partido irá às 20 macrorregiões do estado para estimular os diretórios a fazer definições de candidaturas e estratégias eleitorais. O objetivo é mostrar que o PT sai na frente para as eleições de 2012. O dia 27 de agosto será a primeira atividade de mobilização.

 27.08 | São Paulo

Plenária Ampliada de Mulheres
A Secretaria Estadual de Mulheres do PT-SP realiza, no próximo dia 27 de agosto, uma Plenária Ampliada. A pauta inclui debate sobre a comissão de organização do Encontro Estadual de Mulheres, que será composta por integrantes do coletivo estadual.

Data: 27 de agosto

Local: Diretório Estadual do PT (Rua Abolição, 297, Bela Vista)

Clique aqui para mais informações.

 28.08 | São Paulo

Encontro para a fundação do Setorial Jurídico do PT-SP
28 de agosto, 10h
Local: Sindicato dos Engenheiros, que fica na Rua Genebra, 25 – República – SP
Pauta: Eleição da coordenação do setorial e elaboração dos temas de atuação.

Clique aqui para mais informações.

 28.08 | Jundiaí – São Paulo

Macro Mantiqueira: encontro de delegados irá eleger coordenação
A nova Macro Mantiqueira, aprovada durante o Encontro das Macros, realiza o Encontro de Delegados no próximo domingo (28), com o objetivo de debater conjuntura, tática eleitoral e eleger a coordenação. Estão aptos a participar e votar os 150 delegados e delegadas que foram indicados no PED 2009.

SERVIÇO 

Quando: 28 de agosto

Horário: 8h30 às 14 horas

Onde: Chácara dos Sonhos, Rua Simplício Moura Filho, 500, Bairro Medeiros – Jundiaí/SP.

Telefone da Chácara: (11) 4525-0100

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 29.08 | São Paulo

Lançamento público do Comitê pelo Estado da Palestina Já!
A Secretaria de Relações Internacionais do PT convoca dirigentes e militantes para o lançamento público do Comitê pelo Estado da Palestina Já, que ocorrerá na próxima segunda-feira (29), em São Paulo.

Na segunda-feira (22) foi realizada a 9a. reunião do comitê organizador da campanha, do qual o PT faz parte, na sede Nacional do partido, em São Paulo.

Data: 29 de agosto
Horário: 17h
Local: Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Rua Genebra, 25 – Centro – próximo ao metrô Anhangabaú)

 30.08 | São Paulo

Audiência: propostas e soluções para a falta de bombeiros em 503 municípios do Estado
data – 30 de agosto
horário – 9 horas
local – Auditório Franco Montoro – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

*iniciativa do mandato do deputado Donisete Braga

 30.08 | São Paulo

Audiência pública debate falta de bombeiros em São Paulo
Atividade do mandaro dos deputados Donisete Braga, José Cândido e Ana Perugini vai debater propostas e soluções para a falta de bombeiros em 503 cidades paulistas. Foram convidados a secretaria de Segurança Pública do Estado, representantes do Projeto Brasil sem Chamas, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de SP, Associação Estadual dos Bombeiros Municipais de SP, Conselho Federativo de Bombeiros Civis e o deputado Vicentinho, que defende projeto sobre o tema na Câmara Federal.
Data: 30/agosto/2011

Horário: das 9h às 12h

Local: Plenário Franco Montoro da Assembleia Legislativa

 30.08 | São Paulo

1º Debate Caros Amigos sobre a esquerda no Brasil
O evento organizado pela Editora Caros Amigos já tem confirmadas presenças como a do dirigente nacional do MST, Gilmar Mauro; do jornalista e professor José Arbex; da socióloga Victória Benevides; do jornalista, cientista político e presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda, entre outros. As vagas são limitadas. Inscrições por meio do e-mail cicafigueira@carosamigos.com.br

Quando: 30/08/2011

Horário: 20 horas

Onde: Teatro Tuca Arena, que fica na Rua Bartira, 1024, em São Paulo.

 01.09 a 27.09 | Estado de São Paulo

Audiências Públicas para debater Orçamento 2012 – Setembro
1, 18h, Barretos, na Câmara Municipal
2, 18h, São José do Rio Preto, na Câmara Municipal
5, 18h, São Carlos, na Câmara Municipal
9, 18h, Sorocaba, na Câmara Municipal
12, 10h, Taubaté, na Câmara Municipal
15, 10h, Campinas, na Câmara Municipal
16, 10h, Araçatuba, na Câmara Municipal
16, 18h, Bauru, na Câmara Municipal
19, 10h, Santos, na Câmara Municipal
22, 18h, Santo André, Consórcio do ABC
26, 18h, Osasco, na Câmara Municipal
27, 14h30, São Paulo, Assembleia Legislativa

 02.09 a 04.09 | Brasília

Etapa Extraordinária do IV Congresso Nacional do PT
A Etapa Extraordinária do IV Congresso Nacional do PT ocorrerá nos dias 2, 3 e 4 de setembro, no Centro de Eventos Brasil 21, em Brasília. Delegados e delegadas irão discutir e aprovar as alterações no Estatuto do PT, que atualmente estão sendo debatidas pelo conjunto do Partido. Além disso, o IV Congresso do PT vai aprovar resoluções sobre Conjuntura e Eleições 2012.

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 06.09 a 10.09 | Mauá – São Paulo

III Semana Josué de Castro
A Secretaria de Segurança Alimentar de Mauá-SP promove de 6 a 10 de Setembro a III Semana Josué de Castro.

A abertura contará com a apresentação de uma esquete teatral e, em seguida uma palestra com Dom Mauro Morelli com o tema: “Josué de Castro o profeta da Segurança Alimentar e Nutricional”. Confira detalhes na programação em anexo. Participe!

Quando: 06 de setembro de 2011

Horário: a partir das 18:30h

Onde: Teatro do SESI, á Avenida Castelo Branco, 237 – Jd. Zaíra Mauá-SP

Encontro de Fundação do Setorial Jurídico do PT – SP

 

No próximo domingo (28/8), acontece em São Paulo o encontro que oficializará a fundação do Setorial Jurídico do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores
Neste encontro, que ocorre no Sindicato dos Engenheiros a partir das 10h, também serão eleitos os coordenadores do novo Setorial.

 

Secretaria de Movimentos Populares e Políticas Setoriais PT/SP

Wellington Diniz Monteiro- Secretário

A Internet é de todos. Venha discutir o futuro da rede.

PT realiza 4º Congresso; petistas destacam a importância do evento

zaratini - guimaraes - marcio macedo_D1Os debutados petistas Carlos Zarattini (SP), José Guimarães (CE) e Márcio Macedo (SE) destacaram na Câmara a importância do 4º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, que será realizado em Brasília na próxima semana, de 2 a 4 de setembro . O evento vai debater e deliberar sobre reforma estatutária, conjuntura e eleições 2012. Na opinião dos parlamentares, esse será um momento de reflexão e definição dos caminhos que o partido deve seguir nos próximos anos.

Para o deputado Carlos Zarattini, em 2012, o partido viverá um momento de reformulação importante para a construção partidária. “Estamos vivendo um momento de reflexão e deliberação, portanto, é valido fazer uma rediscussão sobre nossas normas de funcionamento e, a partir daí, avançar ainda mais na construção de um partido de massa, um partido preparado para continuar governando o Brasil e fazendo as mudanças que tanto lutamos e queremos ver concretizadas”, disse Zarattini.

Um dos temas colocados para deliberação dos cerca de 1.300 delegados que vão estar presente no evento, diz respeito à prévia partidária. De acordo com Zarattini esse debate não vai influenciar no processo de escolha das candidaturas do partido em 2012. “Temos um debate sobre o sistema de prévia que precisa ser aprofundado. Muitos acham que as prévias podem ser eliminadas ou dificultadas. Prévia é um bom instrumento para o PT manter a sua democracia interna”, defende o petista.

Já para Guimarães, o debate que vai ser estabelecido no 4º Congresso é importante para a preparação do partido na disputa eleitoral do próximo ano e, segundo ele, é a ocasião para ressaltar a experiência positiva do governo do ex-presidente Lula. “É um Congresso que se reveste de uma importância vital para nossa estratégia política e eleitoral, tendo em vista a nossa vitoria política em 2012. Além disso, é um momento para o conjunto do partido reafirmar o legado que Lula deixou ao país, ao mesmo tempo, reafirmar também o momento importante do governo Dilma Rousseff”, ressaltou o deputado.

O deputado Márcio Macedo compartilha da mesma opinião. Macedo espera que os delegados façam um balanço da história do partido e reafirmem o papel importante que o PT teve na recuperação e construção do país. “Durante 31 anos o PT mostrou que sabe fazer política com coerência e responsabilidade. Não se pode discutir conjuntara sem discutir os oito anos do governo Lula que contribuíram para transformar o país. Estamos vivendo um momento de preparação do partido para os desafios futuros. O PT precisa sair desse Congresso reafirmando que é um partido de massa e que formula políticas para o Brasil”.
A abertura do 4º Congresso acontece no dia 2, às 18 h, no Centro de Eventos Brasil 21.
Benildes Rodrigues

Publicado originalmente no sitio da Liderança do PT

Justiça derruba golpe: Demétrio – PT volta à Prefeitura de Campinas – SP

Mesmo sem provas da ligação de Demétrio às denúncias de desvio de verba em contratos da Sanasa, os vereadores aprovaram uma Comissão Processante e o afastamento do prefeito por 90 dias, apenas 36h depois de assumir o comando da prefeitura. Defesa consegue liminar e Demétrio retorna ao cargo


O prefeito Demétrio Vilagra (PT) conseguiu na Justiça anular a decisão da Câmara de afastá-lo do cargo. O advogado de Demétrio, Hélio Silveira, impetrou ação com mandado de segurança para impedir o afastamento e instalação da Comissão Processante contra o petista. A posse de Pedro Serafim (PDT), presidente da Câmara Municipal, que havia assumido na manhã de hoje (25) como prefeito provisório por 90 dias, será cancelada.

Silveira pediu a anulação da decisão tomada pelos vereadores na noite da última quarta-feira (24). Segundo ele, nenhuma lei prevê o afastamento de um prefeito somente com base em uma acusação e sem direito à defesa antes de tomar alguma atitude. “Demétrio não teve chance de defesa e os requerimentos da Câmara são ilegais”, defende.

Golpe Político

Três dias após a cassação do ex-prefeito Helio de Oliveira Santos (PDT), no último sábado (20), o vice Demétrio Vilagra tomou posse como chefe do Executivo.
Mesmo sem provas da ligação de Demétrio às denúncias de desvio de verba em contratos da Sociedade Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa), os vereadores aprovaram uma Comissão Processante e o afastamento do então prefeito por 90 dias, apenas 36h depois de assumir o comando da prefeitura.

Segundo o presidente do PT em Campinas, Ari Fernandes, Demétrio foi empossado às 10 horas e às 11h15 o vereador peessedebista Valdir Terrazan procotolou o pedido de Comissão Processante, que afastaria o petista durante os 90 dias – período no qual a investigação estiver em andamento. “Ontem mesmo entrou na pauta e já foi votado”, complementou Fernandes.

Em meio a acusações não-comprovadas e uma busca exaustiva de execração pública sem provas materiais, Vilagra segue confiante na comprovação de sua inocência ante à Justiça. Como presidente da Ceasa, cargo do qual se afastou assim que começaram as investigações envolvendo seu nome, Demétrio não tinha contato com a empresa cujos contratos são alvos de apuração.

Entenda o caso:

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga as denúncias há um ano. São 11 prefeituras e três governos estaduais: São Paulo, Minas e Tocantins. Em Campinas, as denúncias são sobre o possível envolvimento de empresários e dirigentes públicos em contratos da Sanasa. Em São Paulo, a empresa investigada é a Sabesp.

Segundo relatório do MP, há fraudes em licitações que seriam comandadas pela primeira-dama de Campinas, Rosely Nassim Jorge Santos, esposa do Dr. Hélio. Segundo o relatório, em conversa telefônica, o empresário Gregório Cerveira, da Hydrax, e o ex-presidente da Sanasa, Luiz Augusto Castrillon de Aquino, confirmaram o esquema.

Aquino fez acordo de delação premiada e pessoas mencionadas por ele – a exceção da primeira-dama, que tinha um habeas-corpus preventivo – foram presas e depois soltas por habeas-corpus ou revogação de prisão.

Em 20 de maio, quando foram expedidos 20 mandados de prisão, incluindo o nome de Demétrio, o então vice-prefeito estava na Espanha, em férias com a família, viagem comprada há meses. Mesmo com o comunicado oficial de suas férias – documentadas pela Ceasa e divulgadas amplamente na semana anterior em jornais da cidade e região – a Justiça de Campinas decretou a prisão preventiva de Demétrio a pedido do MP e o considerou foragido. Apesar de não ter nenhum contato com a Sanasa, o vice-prefeito teve seu nome envolvido porque um dos empresários ouvidos pelo MP disse que teria dado R$ 20 mil para que o petista pagasse despesas eleitorais, além de “duas garrafas de vinho”.

Demétrio nega ter recebido dinheiro do empresário. “Tudo o que recebi para campanha foi declarado e tenho evolução patrimonial condizente com meus rendimentos. Não há nenhuma prova ou evidência contra mim, apenas suspeitos citando meu nome com interesses próprios”, contesta.

Sobre as férias, o petista conta que foi a primeira vez que saiu do País e que havia comprado a viagem há meses. “Todos sabiam. Mesmo assim, fui considerado foragido. Apesar de eu ter avisado via Twitter que estava voltando e confirmado isso por meu advogado – e de fato voltei na data anunciada -, cartazes com fotos minhas foram colados nos aeroportos. Foi muito constrangimento. Já nesse início não tive direito de defesa”, explica.

No dia do mandado de prisão contra Demétrio, a Polícia encontrou em sua casa R$ 60 mil e a mídia levantou suspeitas. “Deixo dinheiro em casa desde que fui tesoureiro do sindicato, na ditadura militar. Fui perseguido, preso e tive minha conta bancária bloqueada. Passei a deixar sempre uma quantia de dinheiro em casa para urgências. Tenho receitas para isso”, justifica.

A diferença entre Demétrio e os outros acusados é que seu nome não foi citado durante as investigações, que acontecem há quase um ano, e ele não havia sido convocado nenhuma vez para depor. Também não havia – nem há – nenhum documento ou prova que envolva o nome do petista. “Foi um susto. Fiz de tudo para antecipar minha volta ao Brasil. E, assim que cheguei me apresentei à Justiça”, conta Demétrio, que também se desligou da presidência da Ceasa antes de chegar ao País.

Preso no mesmo dia em que retornou de viagem, prestou depoimento e teve a prisão revogada. Também entregou voluntariamente sua declaração de bens assim que retornou à Campinas. “Não tinha nem tenho nada a temer. Meu nome foi envolvido por pessoas suspeitas que têm interesses próprios. Não existe nada contra mim”, diz.

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