O caso Banestado, a Petrobras e o feitiço do tempo

A deputada federal Iriny Lopes (PT-ES) mostra que a Operação Lava Jato tem ligação com o Caso Banestado mais do que se possa imaginar. Se no caso Banestado se tivesse ido até as últimas consequências, provavelmente estaríamos hoje em outro patamar
por Iriny Lopes publicado 21/11/2014 13:59, última modificação 21/11/2014 15:08
Jefferson Rudy/Agência Senado
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Sessão parlamentar que investiga denúncias na Petrobras. Nova chance histórica de mudar o país
“Foi o maior roubo de dinheiro público que eu já vi”. A declaração do deputado federal oposicionista Fernando Francischini, do PSDB, não é sobre a Petrobras, ou o que a mídia convencionou chamar de Mensalão, mas sobre o Escândalo do Banestado (Banco do Estado do Paraná). O Banestado, por meio de contas CC5, facilitou a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais, entre 1996 e 2002, na ordem de R$ 150 bilhões. O caso se transformou na CPMI do Banestado, em 2003, da qual fui integrante em meu primeiro mandato.
Foi uma longa investigação que resultou no relatório final com pedidos de indiciamento de 91 pessoas pelo envio irregular de dinheiro a paraísos fiscais, dentre eles o ex-presidente do Banco Central do governo FHC, Gustavo Franco, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, de Ricardo Sérgio de Oliveira, que foi arrecadador de fundos para campanhas de FHC e José Serra, de funcionários do Banestado, doleiros e empresários.
Na época, o presidente da comissão, o então senador tucano Antero Paes de Barros, encerrou os trabalhos da CPMI antes que o relatório fosse apresentado. O motivo principal era poupar seus pares, sobretudo Gustavo Franco e Ricardo Sérgio de Oliveira.
A ação do PSDB para soterrar o relatório tinha como objetivo impedir que a sociedade tomasse conhecimento de um amplo esquema de desvios de recursos públicos, sobretudo vindos das privatizações do período FHC, para contas em paraísos fiscais. A história que não saiu na mídia está contada no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr., lançado em 2011.
O desfecho das investigações levadas adiante pela Polícia Federal e mesmo de parte do Ministério Público Federal morreu na praia. Algumas pessoas, é verdade, foram condenadas, mas só laranjas, gente muito pequena perto do enorme esquema de corrupção.
Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados Iriny.jpg
Iriny Lopes: Dilma enfrenta forças poderosas
O enredo do Banestado parece semelhante ao caso Petrobras, mas tem uma diferença: neste momento há uma determinação da presidenta Dilma em não deixar “pedra sobre pedra” sobre o caso da petrolífera, algo que não aconteceu no governo FHC – o Procurador da República na gestão tucana, Geraldo Brindeiro, mesmo sabendo dos malfeitos desde 1998, só decidiu pela abertura de processo quando estava de saída, no apagar das luzes da gestão tucana e pressionado pela abertura de uma CPMI.
A importância de o governo federal demonstrar empenho para que tudo fique esclarecido é determinante para se erradicar um mecanismo perverso de desvios de dinheiro público, de relações entre a iniciativa privada e o universo político e que determina, inclusive o perfil dos eleitos, principalmente no Congresso Nacional.

A Operação Lava Jato tem ligação com o Caso Banestado mais do que se possa imaginar. Se no caso Banestado se tivesse ido até as últimas consequências, provavelmente estaríamos hoje em outro patamar.

As condenações necessárias a políticos, grandes empresários e doleiros, teria evitado a dilapidação de recursos públicos em todas as instâncias. A impunidade amplia os limites de corruptos e corruptores. Basta lembrar do esquema de licitação fraudulenta dos metrôs e trens de São Paulo, que atravessou mais de uma década de governos do PSDB, e a ausência de investigação e punição para entender do que estamos falando.
Os personagens do enredo da Lava Jato remetem, não por acaso, a muitos do Banestado, inclusive Alberto Youssef, que conseguiu não responder pelos crimes de corrupção ativa e de participação em gestão fraudulenta de instituição financeira (Banestado), por acordo, com MPF de delação premiada, em 2004.
Youssef entregou o que quis e continuou sua vida criminal sem ser incomodado até este ano, quando o juiz federal Sérgio Fernando Moro, responsável pelas prisões da Operação Lava Jato – este também outro personagem coincidente com Banestado, resolveu que o doleiro cumpriria quatro anos e quatro meses de cadeia, por uma sentença transitada em julgado. “Após a quebra do acordo de delação premiada, este Juízo decretou, a pedido do MPF, a prisão preventiva de Alberto Youssef em decisão de 23/05/2014 no processo 2009.7000019131-5 (decisão de 23/05/2014 naqueles autos, cópia no evento 1, auto2)”, diz o despacho de Sergio Moro, datado de 17 de setembro deste ano. (leia mais sobre a sentença) .
Além de Youssef, do juiz Sérgio Moro, as operações de investigação do Banestado e da Lava Jato tem como lugar comum o Paraná. Apesar do Banestado ter sido privatizado, Youssef e outros encontraram caminhos que drenaram recursos públicos para paraísos fiscais a partir de lá.
Se no caso Banestado foram remetidos R$ 150 bilhões de recursos públicos adquiridos nas privatizações da era FHC para contas fantasmas em paraísos fiscais, na Petrobras a estimativa da Polícia Federal até o momento é que tenham sido desviados R$ 10 bilhões.
Importante ressaltar que pouco importa os valores. A verdade é que estamos pagando uma conta do passado, em que parte das instituições fez corpo mole e deixou crimes dessa natureza prescreverem. Essa omissão (deliberada ou não) nos trouxe até aqui. Não por acaso, Alberto Youssef está de novo em cena. Sua punição no caso Banestado foi extinta em 2004 e quando revogada, neste ano, foi apenas para que MPF e Judiciário não passassem recibo de seus erros anteriores. Deram um benefício a alguém que mentiu e continuou sua trajetória criminosa.
Por isso tudo é admirável a disposição da presidenta Dilma, em encarar um esquema que mistura grandes empresários multinacionais, políticos e criminosos de porte. Afinal, que ninguém se iluda: numa dessas pontas tem o narcotráfico, o tráfico internacional de armas e toda ordem de ilícitos que se alimenta e retroalimenta a lavagem de dinheiro.
Dito isso, acho importante destacar o que é fundamental ser feito a partir da Operação Lava Jato:
1- Apoiar todas as ações que visam investigar, julgar e condenar corruptos e corruptores;
2- Constatar que as investigações comprovam que o financiamento empresarial das campanhas eleitorais, supostamente baseado em doações de empresas privadas, na verdade está apoiada, ao menos parcialmente, em desvio de recursos públicos;
3- Que portanto, para além de atos criminosos, estamos diante de um mecanismo sistêmico que corrompe cotidianamente as liberdades democráticas, pois no lugar do voto cidadão o financiamento privado reintroduz de fato o voto censitário;
4- Que este é mais um motivo para apoiarmos a reforma política, especialmente a proibição de todo e qualquer financiamento empresarial;
5- Por fim, conclamar os funcionários das empresas corruptoras a virem a público contar o que sabem, para que se possa colaborar com a Justiça. E vigiar para que as instituições envolvidas não se deixem manipular, no processo de investigação e julgamento, pelos mesmos interesses políticos e empresariais que se faz necessário punir.
Todo o Brasil sabe, afinal, que a corrupção institucionalizada esteve presente na história do Brasil, nos períodos democráticos e especialmente nos períodos ditatoriais. O desafio proposto pela presidenta Dilma, de não deixar “pedra sobre pedra” é imenso e depende das instituições cumprirem o seu dever.
O que Dilma quer, o que eu quero e toda a sociedade brasileira deseja é não ver a repetição dessa história e seus velhos personagens livres para reprisar o mesmo roteiro policial. Concordo com a frase do deputado oposicionista Francischini, que o Banestado foi o maior escândalo de corrupção de que se teve notícia no país. Portanto, tenhamos memória e que ela não seja seletiva e nem refém do feitiço do tempo.

O artigo foi publicado originalmente pela deputada Iriny Lopes em sua página no Facebook

Rússia entra no conflito diplomático entre os Estados Unidos e o Brasil

Se o Brasil quer interrogar Snowden para saber mais sobre a espionagem americana, a Rússia pode facilitar o encontro.

Dilma exigiu saber todos os pormenores da espionagem americana Henry Romero/Reuters

O embaixador da Rússia em Brasília, Serguei Okopov, disse que o seu país pode mediar um encontro do ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, em inglês) Edward Snowden com deputados brasileiros que queiram investigar as ações de espionagem americana no Brasil.

Okopov garantiu à comissão do Congresso, com a qual se reuniu na terça-feira, que consultará as autoridades de seu país sobre a possibilidade de os deputados interrogarem Snowden, que está asilado na Rússia. Snowden começou a divulgar um conjunto de documentos que denuncia os métodos de espionagem da NSA e revela os países e pessoas alvo dessa espionagem. A empresa Petrobras e Dilma Rousseff foram espiadas e a Presidente do Brasil cancelou a visita oficial aos EUA, marcada para 23 de Outubro.

A Câmara dos Deputados brasileira aprovou na semana passada a viagem a Moscou de uma comissão integrada por, pelo menos, seis parlamentares com a missão de falarem com Snowden sobre as atividades de espionagem ao Brasil.

Qualquer reunião está condicionada à aprovação do governo da Rússia e do próprio Snowden, e o encontro não pode violar as normas que garantem o asilo do americano em Moscou, explicou o deputado federal Ivan Valente em declarações a jornalistas e citado pela agência Efe.

De acordo com Valente, Okopov disse que uma resposta das autoridades de Moscou deve demorar, pelo menos, uma semana. O diplomata russo, segundo a versão do deputado brasileiro, considera que Snowden estaria interessado em colaborar com o Brasil porque “quanto mais o mundo souber, mais seguro se sentirá”.

As denúncias de Snowden são apoiadas em documentos entregues por este ao americano Glenn Greenwald, que vive no Rio de Janeiro e é colaborador do jornal britânico The Guardian.

Na segunda-feira, Barack Obama telefonou a Dilma, mas fontes da presidência disseram que a Presidente considerou as explicações, que duraram 20 minutos, insuficientes. Em causa está um contrato que Dilma ia assinar, no valor de quatro mil milhões de dólares (o Brasil iria comprar aviões militares aos EUA), e acordos de cooperação na área do biodiesel.

O porta-voz da Casa Branca disse que a visita de Dilma foi adiada para data a anunciar. Jay Carney explicou que Obama concordou com o adiamento e com o motivo de Dilma. Mas, disse Carney, a investigação que Obama prometeu a Dilma sobre a espionagem ao Brasil vai demorar tempo. “Como o Presidente disse anteriormente, ele ordenou um relatório, mas o documento só estará pronto dentro de meses.”

As relações diplomáticas e comerciais entre os EUA e o Brasil melhoraram desde a posse de Dilma, em 2011. Mas a revelação da espionagem da NSA, que interceptou e-mails, chamadas telefônicas de Dilma e dos seus colaboradores durante a campanha eleitoral, e espiou também empresas onde o governo americano tem interesses (a petrolífera Petrobras é uma delas), inquinou as relações e fez reemergir a crítica de que os EUA pretendem encontrar uma forma de explorar a seu favor a riqueza mineral brasileira.

A Reuters avança que Dilma Rousseff irá referir-se às práticas de espionagem americana no discurso que fará na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, na próxima semana.

Publicado originalmente em Mundo P

PSDB, petróleo e interesse nacional:um antagonismo inconciliável

Saul Leblon – Carta Capital

No seminário dos dez anos de governo do PT, realizado nesta 3ª feira, em Porto Alegre, o ex-presidente Lula fez uma ponderação interessante:

‘Quando você ficar em dúvida, feche os olhos, imagine o que seria o Brasil de hoje sem os dez anos de governo do PT’.

Um bom começo é dar de barato que José Serra venceu as eleições em 2002 e seria reeleito em 2006, fazendo o sucessor em 2010.

Nesse Brasil imaginário, caso a Petrobras ainda resistisse, reservas imensas de petróleo seriam descobertas em 2009.

A seis mil metros abaixo da superfície do oceano, o Brasil seria premiado com uma poupança equivalente a 50 bilhões de barris. As maiores descobertas de petróleo do século 21.

O que Serra faria com elas não é preciso imaginar.

Basta reler despachos de dezembro de 2009, da embaixada norte-americana no Brasil, revelados pelo WikiLeaks.

Matéria da ‘Folha de S.Paulo’, de 13/12/2010 transcreveu o teor desses documentos.

Neles, o tucano explicita as consequências para o Brasil, caso as urnas de 2010 transformassem em realidade o país imaginário proposto por Lula.

Trechos da matéria da Folha intitulada ‘Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal’:

“Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse. Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo (realizada por Lula).

As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.

“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.

O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: “Vocês vão e voltam”.

A mudança no marco regulatório do pré-sal, que Serra prometia reverter, restituiu à Petrobras o controle integral de todo o processo de extração, refino e comercialização, esfarelado em 1997, quando o PSDB rompeu o monopólio.

Desde então, a exploração passaria a ser regida pelo modelo de concessão em que a empresa vencedora dos campos licitados se torna a proprietária soberana de todo o óleo.

Em síntese, o Estado deixa de exercer qualquer controle sobre o processo.

No modelo de partilha do pré-sal, que teve oposição virulenta do conservadorismo, a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios que exercerem a exploração.

O óleo extraído será dividido com o país. A presença direta da Petrobrás impedirá manipulações.

Mais importante que tudo: a estatal definirá o ritmo da extração, de modo a viabilizar a pedra basilar do novo marco regulatório.

A regra de ouro consiste em tornar o pré-sal uma alavanca industrializante, capaz de deflagrar um salto de inovação no parque fabril brasileiro.

Cerca de 60% a 70% dos bens e equipamentos requeridos em todo o ciclo de exploração terão que ser adquiridos de fabricante local.

O fracasso desse modelo conta com uma poderosa torcida incrustrada em diferentes setores da economia, da política e da mídia. Local e internacional.

O Brasil que Lula convida a especular felizmente não aconteceu. Mas seus atores potenciais não desistiram de protagonizá-lo.

Um fiasco da Petrobrás no pré-sal é tido por eles como o atalho capaz de materializar a relação de forças que as urnas descartaram em 2002, 2006 e 2010.

Na 5ª feira da semana passada, o arguto José Serra reafirmou essa esperança em um artigo no Estadão em que reitera a incompatibilidade histórica do PSDB com o petróleo brasileiro. Trata-se de uma espécie de atualização histórica do antagonismo entre a UDN e o desenvolvimentismo.

O texto sugere o nome de Lula ao Guinness World Records.

Motivo: o ex-presidente teria empurrado a Petrobrás a uma situação de pré-insolvência, entre outras razões, por ter modificado a regulação herdada do PSDB, no caso das reservas do pré-sal.

Trechos do artigo de Serra, publicado na edição de 09/05/2012 do jornal:

“Em palestra recente afirmei que o ex-presidente Lula mereceria pelo menos três verbetes no Guinness World Records. O primeiro por ter levado à pré-insolvência a Petrobras, apesar de ser monopolista, a demanda por seus produtos ser inelástica, os preços internacionais, altos e as reservas conhecidas, elevadas. Fez a proeza de levar a maior empresa do País à pior situação desde que foi criada, há 60 anos. Promoveu o congelamento de seus preços em reais, instaurou uma administração de baixa qualidade e conduziu a privatização da estatal em benefício de partidos e sindicatos, com o PT no centro. Esse condomínio realizou investimentos mal feitos e/ou estranhos, sempre a preços inflados; queimou o patrimônio da Petrobras na Bolívia; promoveu previsões irrealistas sobre o horizonte produtivo do pré-sal e fulminou, para essa área, o modelo de concessão, trocando-o pelo de partilha, que exige da empresa ampliação de capacidade financeira, administrativa e gerencial impossível de se materializar”.

O tucano causou frisson na rede conservadora, recebendo rasgados elogios daqueles que o consideram dotado de um tirocínio econômico privilegiado.

Três dias depois de sepultada no mausoléu dos grandes fracassos nacionais, a Petrobrás ressuscitou no noticiário.

O mármore da lápide onde o coveiro tucano gravou seu artigo do Estadão dissolveu-se, então, sob o peso de US$ 11 bilhões de dólares.

A montanha de dinheiro foi captada no mercado internacional com a venda de seis tranches diferentes de títulos da Petrobrás, com vencimentos variáveis que se estendem até 2043.

A demanda dos investidores internacionais teria alcançado US$ 40 bilhões, excesso que a estatal declinou.

Os maiores bancos e fundos internacionais negligenciaram a perspicaz avaliação do PSDB e de seu eterno presidenciável sobre a higidez presente e futura da Petrobras, do Brasil e do modelo de extração do pré-sal, que lastreia papeis com horizonte de vencimento de até 30 anos.

Não só. Nesta 3ª feira, infelizmente pelo modelo de concessão ainda vigente em áreas externas ao pré-sal, dezenas de empresas se apresentaram para arrematar campos leiloados pela Petrobras em diferentes regiões brasileiras.

O investimento previsto é de R$ 7 bilhões.

O que evidencia esse exercício frugal de rememoração, inspirado no convite de Lula, é a frivolidade quase caricatural com que o PSDB e seus ventríloquos torturam as palavras ‘desastre’, ‘fracasso’ e ‘crise’, de modo a vesti-las no país e num governo, cujos flancos existem.

Mas, por certo, não serão aqueles diagnosticados por Serra; e tampouco passíveis de superação com a receita conhecida dos herdeiros do udenismo.

Para entender o jogo da Economia

A divulgação do “pibinho” produziu curtos circuitos variados nos analistas. E abre uma bela discussão sobre o futuro da economia.

Não se tenha dúvida: 2013 será um ano decisivo para o país. Eu disse para o país, não especialmente para o governo Dilma ou para as eleições de 2014.

Mudanças de paradigma são tão complexas e envolvem tantos riscos políticos que só ocorrem em ambientes de crise profunda ou em regimes autoritários. Tenta-se, agora, a primeira mudança de paradigma em regime democrático e sem a crise como fator de reforço.

E não é pouca coisa. Trata-se da mudança mais relevante da economia brasileira desde o desmonte do modelo militar pelo governo Fernando Collor – que acabou devorado pela pressa em conduzir as ações, descuidando-se da estratégia política.

Depois dele, entraram FHC – que se limitou a manter as bases do que Collor desenhou – e Lula, que manteve o establishment econômico, enquanto as políticas sociais prosperavam. A crise de 2008 ajudou no golpe final no modelo anterior.

Agora, tem-se o espaço para o salto. Aposta-se na criação de uma economia industrial, capaz de dar sustentabilidade ao crescimento da economia e à melhoria da qualidade do emprego. Bem sucedida a aposta, se completará o salto do desenvolvimento. Fracassando, acabará o sonho de um país desenvolvido, justo e moderno. Não se será mais do que um mero exportador de commodities.

O novo paradigma

As políticas sociais de Lula permitiram a construção da primeira perna de um novo modelo econômico: um mercado interno robusto. Foi um feito político extraordinário, dos mais relevantes da história do país, em que conseguiu trocar a câmara furada sem tirar o pneu.

Mas o receio de enfrentar as turbulências políticas praticamente paralisou a política econômica. A dobradinha Palocci-Henrique Meirelles foi mais nociva ainda do que Malan-Armínio Fraga, do segundo governo FHC.

A herança de 14 anos de financismo desregrado custou caro ao país. A inação com juros e câmbio, somada ao advento da economia chinesa, devastou o parque industrial brasileiro, atrasou por décadas o seu desenvolvimento e provocou a perda de espaço no comércio internacional.

Agora, tenta-se levantar a segunda perna do modelo, capaz de dar sustentabilidade ao crescimento com distribuição de renda: o estímulo à oferta interna de produtos e bens, através da reconstrução do parque industrial.

Toda a discussão atual (dentre os economistas de primeira linha) se baseia em dois pressupostos:

  1. A política econômica está TODA centrada no estímulo à oferta.

  2. A questão em jogo é forma como essas políticas estão sendo implementadas.  Os críticos julgam que de forma atabalhoada, podendo levar a desequilíbrios mais à frente. Sobre isso discutiremos mais adiante.

A lógica das mudanças

Fase 1 – desestimular os ganhos fáceis.

Ao longo dos últimos dois séculos, o Tesouro nacional foi o grande alimentador dos ganhos financeiros fáceis, da política conduzida pelo Banco Central. Na ponta do endividamento, oferecendo taxas muito acima das internacionais. Na ponta do câmbio, permitindo de tempos em tempos grandes jogadas com a moeda e com as dívidas expressas em moedas estrangeiras. Agora tem-se a Selic caindo substancialmente e o câmbio livre da flutuação suja, de sempre se apreciar. Pela primeira vez a economia conseguirá trabalhar com taxas de juros civilizadas.

Fase 2 – tornar mais atraentes os investimentos na economia real.

Nesse quesito entram as medidas de capitalização do BNDES, o aumento da oferta de crédito, de ampliação dos prazos, a desoneração da folha de salários de muitos setores, a manutenção de isenção fiscal, a criação de novos instrumentos financeiros etc.

Fase 3 – trocar a rentabilidade excessiva pelos ganhos de escala.

Está-se atuando sobre a margem de lucros dos setores horizontais, aqueles que impactam o custo Brasil como um todo. Entram aí os spreads bancários e as concessões públicas.

No caso dos serviços públicos, ampliou-se de forma inédita as possibilidades de participação do capital privado, melhoraram diversos fatores que influíam no custo final (custo de financiamento, tributação, incertezas contratuais etc.). Ao mesmo tempo, reduziram-se suas margens. Quem quiser ganhar, será na escala, na ampliação da oferta.

No caso dos bancos, tomaram-se medidas de estímulo ao crédito. Na outra ponta, os bancos públicos puxaram um movimento inédito de redução dos spreads.

Gradativamente, a Tesouraria vai sendo trocada pelos ganhos operacionais.

Em 2012 foram tomadas as seguintes medidas de estímulo à oferta e de desestímulo ao rentismo:

Medida

Grupo 1

Grupo 2

Grupo 3

Desestímulo às operações especulativas

Melhoria do ambiente econômico

Troca de margem por escala

Juros: redução expressiva da taxa Selic.

X

X

X

Dívida pública: redução como proporção do PIB liberando recursos para outras aplicações

X

X

X

Câmbio: melhoria da paridade dólar-real e fim da flutuação suja para baixo, reduzindo espaço de arbitragens.

X

X

Investimento: aumento dos repasses para o BNDES, ampliação dos prazos, novos instrumentos de investimento.

X

Crédito: flexibilização do compulsório e redução do spread bancário, graças ao efeito-indução dos bancos públicos.

X

X

Estímulos fiscais: desoneração da folha em vários setores, isenção do IPI para vários produtos, reforma do ICMS interestadual.

X

Ampliação das concessões e redução da margem de lucro.

X

X

Investimentos públicos: menos superávit primário e investimentos do PAC imunes a contingenciamentos.

X

X

Ampliação da defesa comercial

X

O efeito-defasagem

À política econômica cabe pensar o todo, definir o novo papel dos agentes econômicos e sociais. Para tanto, utiliza-se todo um aparato de medidas fiscais, monetárias, leis, concessões e outras formas de indução.

Nesses movimentos, mexem-se com práticas consagradas, com interesses consolidados. Todos acabam saindo da zona do conforto. E à atoarda dos incomodados o governo precisa responder com um discurso lógico, que permita unificar as ações tanto do setor público quanto do privado, e reforçar a aposta no futuro.

Quando se tem uma mídia descolada do processo, a dificuldade é maior ainda.

Potencializam-se as reclamações, escondem-se os avanços e, principalmente, não se divulga a lógica do processo e as explicações para os problemas da passagem. Ao público midiático chega apenas a confusão inerente às mudanças, não a construção gradativa do novo modelo. O ar condicionado do Galeão acaba tendo mais repercussão do que a tarefa de entender e difundir modelos complexos. As perdas dos geradores de energia ganham mais espaço do que os benefícios que a redução da conta de luz trará para toda a economia.

Sem fórmulas prontas

Uma das maiores falácias dos cabeças de planilha é pretender que todos os fatores estejam organizados, para então deflagrar a mudança. Essa organização prévia só existe na planilha de um cabeça de planilha.

Primeiro, tem-se que produzir o choque e mudar a natureza do corpo econômico.

Nesse choque, os problemas vão sendo trabalhados à medida em que vão surgindo.

Não tem como organizar antecipadamente nada.

Muda-se o paradigma, há uma alteração de rota brusca que vai mexer com todos os fundamentos da economia. Empresas terão que modificar totalmente seus planos de negócio. Terão que calcular as taxas de retorno dos novos investimentos, mudar a cabeça dos funcionários para as novas práticas. Aí esbarrarão em problemas de infraestrutura que estão sendo enfrentados concomitantemente. Terão que sair do curto prazo e pensar o longo. Significa abrir mão de décadas de análise financeira fácil, previsível e sem grandes ousadias.

Depois que as novas ideias ganham a direção, tem-se uma segunda etapa, que é mudar radicalmente a cabeça do corpo de funcionários, os sistemas de remuneração, o discurso de venda dos produtos etc.

Em um primeiro momento, há o impasse. Onde colocar os investimentos para preservar os ganhos de tesouraria? O mercado internacional oferece poucas oportunidades, os juros internacionais estão em quase zero, os mercados especulativos oferecem inúmeros riscos. Mais cedo ou mais tarde, essa dinheirama terá que desabar na economia real.

Ao mesmo tempo, a retomada do crescimento gera problemas que estavam ocultos na época da estagnação. E todos terão que ser acertados em pleno vôo, lei de licitações, leis ambientais, dificuldade em montar projetos, modernização do aparato fiscalizatório etc.

O desafio será administrar a passagem.

Embora tenha-se uma mídia totalmente alienada do processo, montaram-se modelos eficientes de interlocução com a economia real. Presidente e Ministros trabalham os grandes grupos; há um enorme conjunto de câmaras setoriais, em torno do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) trabalhando as expectativas e identificando os problemas das médias empresas.

Os desafios de 2013

Quem quiser mudar paradigma de política econômica, precisa ousar, porque tira empresas vencedoras da zona de conforto, tira o mercado da zona de conforto e, principalmente, tira o governo da zona de conforto.

É aposta de alto risco e há varias frentes de batalha que terão que ser administradas simultaneamente, muitas delas envolvendo objetivos conflitantes.

Por exemplo, o câmbio precisa ser competitivo, para ajudar na recuperação do tecido industrial.  A Petrobrás precisa de margem, para garantir os investimentos do pré-sal.

Por outro lado, o controle da inflação cria limites ao uso do câmbio e aos reajustes de combustíveis.

As grandes obras de infraestrutura empregam mão de obra intensiva. Mas a formação de quadros, pelo sistema educacional, leva tempo. Criam-se gargalos. E assim por diante.

O desafio é conseguir administrar todas as frentes, sem perder o controle da situação, sem abrir mão dos fundamentos da economia

Produção de petróleo: respostas à Veja (via PETROBRAS Fatos e Dados)

Leia a reportagem “O enrosco do subsídio” (Parte 1, Parte 2 e Parte 3), publicada nesta sexta-feira (02/11) pela revista Veja. Confira, abaixo, as respostas encaminhadas pela Petrobras ao veículo.

Pergunta: A perda da autossuficiência estava prevista pela empresa? Qual o plano para retomá-la?

Resposta: De acordo com os dados internos e as projeções do Plano de Negócios e Gestão 2012-2016 da Companhia, a autossuficiência em petróleo, definida pelo saldo líquido volumétrico positivo das exportações, menos importações, será mantida, mesmo nos anos de 2012 e 2013, quando teremos produção estável em relação a 2011 e consumo crescente de derivados. Desconhecemos a memória de cálculo que sustente os números apresentados pelo gráfico e tabela encaminhados pela Revista Veja.

Pergunta: Ao longo dos últimos anos, a Petrobras aboliu indicadores específicos de desempenho, como as metas de produção por plataformas e bônus específicos por função gerencial (a remuneração variável passou a ser a mesma para todas as funções.) É possível saber o quanto a falta desses indicadores influenciou a queda de eficiência na operação? A retomada dessas métricas indica que elas podem ajudar a retomar a produtividade?

Resposta: A Petrobras nunca deixou de trabalhar com metas e indicadores. Com o Plano de Negócios e Gestão 2012/2016, essa questão foi reforçada: as metas corporativas do plano de negócios serão desdobradas até o nível de cada empregado. Quanto à meta de produção de óleo, especificamente, é composta pela soma das metas de produção de óleo de cada unidade de produção. Ou seja: cada gerente de plataforma de campo marítimo ou de operação de um campo terrestre conhece claramente qual a sua meta específica de produção e trabalha para atingi-la ao longo do ano. Não atribuímos, portanto, à falta de indicadores a queda de eficiência na operação de algumas plataformas.

Pergunta: Quais as principais medidas para recuperar a eficiência das plataformas da Bacia de Campos?

Resposta: Um programa especial foi elaborado de forma a estruturar ações especificas para cada sistema de produção da Unidade de Operações da Bacia de Campos (UO-BC), com o objetivo de restaurar e consolidar o retorno aos níveis históricos de eficiência operacional da citada unidade. Esse programa é o PROEF – Programa de Aumento da Eficiência Operacional da Bacia de Campos – UO-BC.

Essa unidade de operações, complexa estrutura de produção de petróleo marítima, já considerada madura, com plataformas e sistemas submarinos em operação há 20, e até 30 anos, que atua em larga escala e em lâminas d´água rasas e profundas. Há, ali, um desafio intrínseco na manutenção de elevados índices de eficiência operacional e, consequentemente, da produção de petróleo e gás, nesse cenário.

Inspeções recentes em todo esse complexo marítimo constataram a necessidade de alocar ainda mais recursos para a recuperação da operação de poços, sistemas submarinos e plataformas. Essas ações terão como resultado um retorno da eficiência operacional da UO-BC a patamares que a tornarão perfeitamente alinhada às demais unidades de operações, que oscilam em torno de 90%. Com esse programa, espera-se um potencial de recuperação entre 150 mil e 200 mil barris de óleo por dia (bopd) nos próximos cinco anos, com significativo impacto econômico positivo. Desde abril até agosto de 2012, foram despendidos US$ 398 milhões com o PROEF e o Valor Presente Líquido (VPL) estimado para essas operações é de US$ 357 milhões. O mesmo programa começa a ser implantado agora na Unidade de Operações Rio (UO-Rio), que abriga os sistemas de produção mais recentes da Bacia de Campos.

Pergunta: As paradas obrigatórias de manutenção demoraram mais tempo do que o esperado. Que tipo de problema fez com que essa manutenção levasse mais tempo? Foi preciso adotar algum procedimento específico desta vez?

Resposta: Há uma iniciativa específica no Programa de Aumento da Eficiência Operacional da Bacia de Campos (PROEF), que trata dos problemas enfrentados com as paradas programadas de plataformas. As paradas para manutenção em unidades de produção offshore estão sujeitas a diversas restrições. Como exemplo, podemos citar a plataforma P-52. Durante a parada para manutenção dessa unidade de produção, enfrentamos ventos acima de 30 Knots, que impediram, por vários dias, o trabalho dos escaladores na torre do flare (equipamento destinado a queimar o gás descartado de um poço em produção). Além disso, há problemas que só podem ser detectados quando o equipamento está sob intervenção, como no caso de trincas na base do queimador do flare, uma área com temperatura de quase 1.000oC, que exigiu uma mobilização excepcional.

Pergunta: As equipes de manutenção que trabalham na Bacia de Campos estão há quanto tempo trabalhando lá? Qual o turn over na manutenção da Bacia de Campos?

Resposta: As equipes de manutenção vêm sendo renovadas, com a admissão de novos empregados, que também têm contribuído para a tripulação das muitas plataformas que entraram em operação ao longo dos últimos anos. Ao mesmo tempo, a Companhia conta com empregados que têm até 35 anos de experiência e são responsáveis pela manutenção das plataformas. Cerca de 50% dos empregados da Petrobras têm até 10 anos de empresa. Os mecanismos de retenção de talentos da Companhia têm contribuído para que a empresa tenha uma baixíssima perda nas suas equipes na Bacia de Campos, que está, hoje, em torno de apenas 1% . Além das equipes próprias de manutenção, a Petrobras conta com serviços especializados nessa área, contratados regularmente junto ao mercado.

Petrobras anuncia descoberta de nova reserva de petróleo pesado no Espírito Santo

 

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A Petrobras anunciou ontem (11) a descoberta de uma nova reserva de petróleo pesado (15º API, medida de densidade do petróleo) na camada pós-sal da Bacia do Espírito Santo.

A descoberta ocorreu durante a perfuração de um poço na área conhecida como Grana Padano, localizada a 58 quilômetros da cidade de Vitória e a 64 quilômetros do Campo de Golfinho, a uma profundidade de 1.208 metros.

A Petrobras é a operadora do consórcio que explora a área, com 40% de participação. As empresas parceiras são a IBV Brasil (30%) e a Anadarko (30%). A estatal não divulgou, no entanto, a estimativa do tamanho da reserva.

Edição: Talita Cavalcante

Nova presidenta da Petrobrás nasceu em uma favela, catou latinha e papel para custear os estudos

(Carta Maior; 3ª feira; 24/01/ 2012)

A nova presidenta da Petrobrás, Maria da Graça Foster, nasceu numa favela. Sua infância foi vivida no Morro do Adeus, no Rio de Janeiro, que hoje integra o Complexo do Alemão.

Até os 12 anos, ela catou papel e lata na rua para custear os estudos, como narrou recentemente em entrevista ao jornal Valor. Há mais de três década na Petrobrás Graça sucederá a José Sérgio Gabrielli, que dirigiu a estatal no ciclo  mais importante desde sua criação, nos anos 50.

A mulher que assume esse patrimônio histórico sabe onde o Brasil grita e precisa ser ouvido. O Brasil pobre hoje grita em ‘Pinheirinho’, por exemplo, a ocupação de quase seis mil pessoas, violentamente despejada neste domingo em São José dos Campos (SP). No momento em que a truculência do dinheiro e o menosprezo conservador pelos excluídos produz uma tríplice aliança entre o poder judicial paulista, o governo do Estado e a administração tucana de São José dos Campos, é valioso saber que dentro do governo existem olhos e ouvidos que sabem onde o Brasil grita. Reverter o arrasa-terra em ‘Pinheirinho’ seria a melhor  forma de o governo Dilma transformar a nomeação de Graça Foster mais do que numa boa notícia: um símbolo de seu mandato, em defesa das meninas pobres que ainda catam papel e lata nas ruas do país.

(Carta Maior; 3ª feira; 24/01/ 2012)

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Saiba quem é Maria das Graças Foster, que deve comandar a Petrobras

Diretora de Gás e Energia da estatal, que é durona e bastante próxima da presidenta Dilma, será indicada para substituir Gabrielli

Olívia Alonso e Sabrina Lorenzi, iG São Paulo

Cotada para a presidência da Petrobras, no lugar de José Sérgio Gabrielli, Maria das Graças Foster, diretora de Gás e Energia da empresa, viu seu nome sob os holofotes da mídia no final de 2010, quando começou a ser cotada a um cargo de relevância no Planalto para o início do governo de Dilma Rousseff.

Na ocasião, empresários acreditavam que ela estaria no time da presidenta brasileira e apontavam semelhanças entre as duas. São duronas e sérias, diziam. Mas, ao mesmo tempo, também era considerada provável sucessora de Gabrielli no comando da Petrobras.

Mas 2011 começou e a executiva seguiu como diretora de Energia e Gás da estatal. Agora, aos 58 anos, Graça – como é conhecida – é apontada como nova presidenta da Petrobras, cargo que deve assumir a partir de 9 de fevereiro, quando acontece a reunião do Conselho de Administração da empresa.

Veja também: Graças Foster é indicada para presidir Petrobras
Saiba mais: No fim de semana, TV anunciou saída de Gabrielli

Foto: Agência Petrobras de Notícias

Maria das Graças Foster deve assumir a Petrobras em fevereiro

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Petrobras informa que o presidente do conselho, o ministro Guido Mantega, já manifestou que vai encaminhar como proposta para a reunião a indicação de Graça para presidir a companhia. “Uma vez o assunto em questão seja aprovado pelo Conselho, a Companhia dará ampla divulgação do fato,” diz a nota.

Graça deve assumir a Petrobras logo em seguida, em um momento em que a produção de petróleo da companhia está abaixo das metas e, de acordo com especialistas, só terá aumento significativo em 2013.

Botafoguense, carioca de coração e mineira de nascença, Graça é formada em Engenharia Química e tem dois filhos e uma neta. Opiniões se dividem sobre o perfil da engenheira candidata a comandar a empresa que possui um dos maiores plano de investimentos do mundo.

Alguns colegas apreciam a determinação de Graça. A executiva persegue metas e visita pessoalmente os projetos que dirige. Segundo uma fonte do setor petroquímico, Graça sempre deixou a marca de uma pessoa positiva e engajada por onde passou.

Outros destacam o jeito duro com que trata os funcionários. “Ela é igualzinha à Dilma. São duas capatazes. Alguns chamam o estilo de competência, pode até ser. São mulheres executoras, sem dúvida. Mas falta-lhes visão, projetos”, avalia um interlocutor que trabalhou com ambas.

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Petrobras aumenta em 2,7% reservas provadas em 2011

Graça teria conhecido Dilma há 11 anos, em uma visita ao Rio Grande do Sul, para tratar sobre o gasbol. Dilma era secretária de Energia do Estado. Filiada ao PT, a afinidade com Dilma vai além do perfil parecido, do temperamento forte. “Elas pensam com a mesma cabeça”, opina uma outra fonte que conhece as duas.

Uma característica de Graça, herança de sua trajetória profissional, é sua habilidade em lidar tanto com o Estado como com o setor produtivo, diz um executivo que a conhece há muitos anos. “Por ter trabalhado no Ministério e em empresas da Petrobras, ela tem uma visão interessante dos dois dos lados. Sabe conversar com a esfera política.”

De janeiro de 2003 a setembro de 2005, Graça foi secretaria de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis, cargo que ocupou a convite de Dilma, que era ministra de Minas e Energia. Fontes que acompanharam sua trajetória na época contam que as duas se aproximaram durante este período, juntas em Brasília.

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Petrobras baixa preço do gás para estimular consumo

De volta ao Rio em 2005, cidade onde vive com a família, Graça presidiu a Petroquisa – braço da Petrobras para o segmento de petroquímica – e, em seguida, a BR Distribuidora. Passou antes pela Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia – Brasil (TBG), após anos de carreira na Petrobras, onde ingressou em 1978 como estagiária, quando ainda estudava engenharia Química pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Depois de formada, fez mestrado em Engenharia Química, pós-graduação em Engenharia Nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e MBA em Economia pela Fundação Getúlio Vargas.

Atualmente, além de diretora de Gás e Energia da Petrobras, ela é presidente da Gaspetro (Petrobras Gás) e dos conselhos de administração da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia – Brasil e da Transportadora Associada de Gás. Também é membro dos conselhos de administração da Transpetro, da Petrobras Biocombustível, da Braskem e do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP).

Foto: Petrobras/Divulgação Ampliar

Gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (Gastal) atravessa a Mata Atlântica

Em defesa do mercado interno de gás natural

Graça assumiu o posto na Petrobras em setembro de 2007, tendo pela frente o desafio de acalmar os ânimos entre a estatal a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Faltava gás natural para atender a todos os segmentos do País e as térmicas não recebiam o insumo contratado para gerar eletricidade.

Atendendo a uma exigência da reguladora, as térmicas passaram a ter mais prioridade na entrega do combustível sob o comando de Graça. Enquanto isso, a estatal colocava em prática um plano para aumentar a oferta de gás, batizado de Plangás. Por causa das enormes descobertas de petróleo (com gás natural associado) e dos investimentos pesados da Petrobras em gasodutos, a produção foi aumentando.

Em 2011, o Brasil produziu 68 milhões de metros cúbicos por dia, sendo pouco mais de 56 milhões metros cúbicos ao dia produzidos pela Petrobras (volume 6,2% superior ao de 2010).

No ano passado, em entrevista exclusiva ao iG, Graça falou sobre seus projetos na diretoria de Gás e Energia da empresa e defendeu o estímulo ao mercado interno de gás natural, em detrimento do fortalecimento das exportações do insumo.

“Se a gente vier a atuar como exportador será como um exportador oportunista no mercado spot e a gente precisa ter desenvolvimento interno no mercado interno mais forte, mais vigoroso, para que a gente possa absorver o máximo de gás no Brasil e compensar as volatilidades do mercado. Mas eventualmente é possível que a gente exporte”, afirmou.

Leia mais: Com mais gás, Petrobras avança no setor elétrico

TRT-RN: Petrobras condenada por contratar cooperativa de trabalho

A juíza da 7ª Vara do Trabalho de Natal, Joseane Dantas julgou procedente, em parte, Ação Civil Pública do Ministério Público do Trabalho contra a Cooperativa dos Trabalhadores Metalúrgicos do Estado do Rio de Janeiro (Cootramerj) e a Petrobras.

Ela determinou a imediata rescisão do contrato de prestação de serviços firmado entre a cooperativa e a Petrobras e proibiu a estatal de contratar cooperativas para intermediação de mão de obra para serviços de limpeza, conservação e manutenção predial.

A juíza reconheceu que a Cootramerj teria associado “às pressas” ex-empregados da prestadora de serviços que perdera o contrato com a Petrobras, “para conferir àqueles trabalhadores falsamente a aparência de cooperados e sonegar direitos trabalhistas”.

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Energia eólica mais barata do mundo é aqui no Brasil!!! Maior usina de etanol do mundo é da Petrobras!!! Que também vai duplicar produção de petróleo em cinco anos!!! É o domingão da Míriam Leitão!!!

Direto ao que interessa!

As empresas do povo

Petrobras

– Jornal O Estado de S. Paulo, terça-feira, dia 16/08/2011:

Lucro da Petrobrás cresce 37% no semestre

Resultado foi de R$ 21,928 bilhões, ante R$ 16,021 bilhões do 1º semestre de 2010

A Petrobrás anunciou ontem ter obtido no segundo trimestre deste ano um lucro de R$ 10,942 bilhões. O valor representa 31,9% de crescimento em relação ao mesmo trimestre de 2010, quando o lucro líquido foi de R$ 8,295 bilhões.

No acumulado do primeiro semestre, o lucro, anunciado como recorde pela companhia, atingiu R$ 21,928 bilhões, o que significa 37% mais na comparação com o mesmo período de 2010 (R$ 16,021 bilhões).

Comentário do Pentelhão: O Pentelhão sabe que é foda pro seu discurso neoliberal esse negócio de as empresas estatais baterem recorde atrás de recorde em seus balanços anuais, semestrais, trimestrais, etc. Mas, fazer o quê, querida?

– Jornal do Commercio – RJ, quinta-feira, dia 18/08/2011:

Gabrielli prevê o dobro da produção até 2015

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, destacou ontem em audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados que a capacidade de produção de petróleo da companhia no Brasil dobrará até 2015. De acordo com o Plano de Investimentos, de US$ 224,7 bilhões, para o período de 2011 a 2015, será acrescida capacidade de 2,3 milhões de barris por dia. A produção atual é de 2,1 milhões de barris por dia. “Vamos crescer em cinco anos toda a capacidade que a companhia teve nos últimos 50 anos”.

Comentário do Pentelhão: Já foi sacanagem com a Míriam Leitão a Petrobras ter sido a única grande companhia petrolífera do mundo a dobrar sua produção entre 2000 e 2010, mas Gabrielli garantir que a empresa dobrará novamente sua produção, desta vez em apenas cinco anos, é uma clara provocação com nossa patronesse do Partido da Imprensa Urubu. Vamos ver o que acontece. O Pentelhão acredita que a Petrobras cumprirá sua promessa!!! E você, Míriam???

– Jornal O Estado de S. Paulo, quinta-feira, dia 18/08/2011:

Petrobrás e São Martinho terão a maior usina de etanol do mundo

A Nova Fronteira, joint venture entre o Grupo São Martinho e a Petrobrás Biocombustível, vai investir R$ 520,7 milhões para transformar a Usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis, Goiás, na maior produtora de etanol de cana-de-açúcar no mundo. O anúncio foi feito pelos presidentes da São Martinho, Fábio Venturelli, e da Petrobrás Biocombustível, Miguel Rossetto.

Segundo Venturelli, a expansão permitirá que a capacidade instalada de moagem de cana-de-açúcar saia dos atuais 3 milhões de toneladas para 8 milhões de toneladas em três anos, até a safra 2014/15. “A cana será toda revertida para a produção de 700 milhões de litros de etanol e 600 mil megawatt/hora de energia elétrica excedente”, disse o executivo

Comentário do Pentelhão: Míriam Leitão, como neoliberal radical, é claro, faz careta para os investimentos da Petrobras na produção do etanol. Para ela, a responsabilidade deveria ser apenas dos usineiros. O problema, querida, é que os usineiros já deixaram a população na mão duas vezes. Portanto, sai da frente, porque a Petrobras vai produzir muito etanol!!! E sem o perigo de mudar para o açucar quando o preço deste produto disparar no mercado internacional!!!

BNDES

– Coluna Direto da Fonte, Sonia Racy, Jornal O Estado de S. Paulo, sexta-feira, dia 19/08/2011:

Cash – O BNDES depositou, anteontem, a primeira parcela do maior patrocínio cultural do história do banco – R$ 32 milhões.

Comentário do Pentelhão: Sem comentários!!!

– Coluna Negócios & Cia, Flávia Oliveira, Jornal O Globo, terça-feira, dia 16/08/2011:

Empréstimos do BNDES crescem na base

Banco liberou quase R$ 1 bi para micro e pequenas empresas do Rio até junho

Comentário do Pentelhão: Olha a Flávia de Oliveira pentelhando de novo você, Míriam Leitão!!! O PIG, você incluída, querendo vender para a população a imagem de que nosso invejado, por boa parte do mundo, banco de fomento só ajuda as grandes corporações e essa menina insistindo em trazer números desmentindo essa lorota!!! Sem briga, querida!

Economia

– Jornal O Estado de S. Paulo, terça-feira, dia 16/08/2011:

Crise não afeta vendas para os Dias dos Pais

Movimento do comércio foi entre 5,6% e 8,8% melhor do que na mesma data do ano passado

Comentário do Pentelhão: Gostou da marolinha, querida??? Ou você preferia uma tsunami???

Investimentos

– Jornal O Estado de S. Paulo, sexta-feira, dia 19/08/2011:

Bunge vai investir US$ 2,5 bi em expansão de usinas

A gigante do agronegócio Bunge anunciou ontem um plano de investimentos de US$ 2,5 bilhões, até 2016, para elevar em mais de 50% a capacidade de processamento de cana de suas oito usinas de açúcar e álcool no País. Com isso, a capacidade de processamento passará de 21,5 milhões para 30 milhões de toneladas por ano.

Comentário do Pentelhão: Viu, querida! Não é só a Petrobras que está chegando junto!!! Parece que ainda não vai ser desta vez que os urubus que torcem contra o programa do etanol brasileiro vão se dar bem!!!

– Jornal O Dia, quarta-feira, dia 17/08/2011:

Pré-sal vai criar 2 milhões de empregos

 A exploração do pré-sal vai estimular o crescimento de diferentes setores da indústria e gerar mais de 2 milhões de empregos até 2020. A estimativa está em estudo apresentado ontem, em São Paulo, pelo diretor-geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Eloi Fernández e Fernández. Segundo ele, a cadeia do petróleo e gás vai concentrar a maior parte dos investimentos no País até 2014.

Comentário do Pentelhão: Oh gente ufanista!!! E esse jornal O Dia, que não participou aqui no Rio de Janeiro do esforço do PIG para tentar eleger Serra, adora este tipo de notícia!!! O Pentelhão também. E você, Míriam, gosta???

– Jornal O Estado de S. Paulo, segunda-feira, dia 15/08/2011:

Na Siemens, o Brasil deixou a China para trás

Nos próximos cinco anos, gigante alemã vai dobrar investimentos entre as grandes nações emergentes

… Em 2006, a venda da operação mundial de telefonia da Siemens resultou na desativação de uma unidade local de produção de celulares, em Manaus. Nos anos seguintes, porém, o investimento no Brasil acelerou: de 2006 a 2011, a empresa contratou 4 mil funcionários no País e o número de fábricas subiu de 5 para 13. A décima quarta unidade – uma linha de montagem de aparelhos de diagnóstico por imagem – será inaugurada no próximo ano, em Joinville (SC).

Comentário do Pentelhão: Oh desindustrialização mais esquisita essa do Brasil em que cada vez mais fábricas são construídas por aqui!!!

Energia/Meio ambiente

– Jornal Folha de S. Paulo, sexta-feira, dia 19/08/2011:

Energia eólica já é mais barata do que a térmica a gás no Brasil

Foram contratados quase 2.000 MW por menos de R$ 100 por MW; preços surpreendem

Governo diz que os dois leilões desta semana revelam novo paradigma para as energias renováveis

O custo da energia eólica no Brasil, uma das principais fontes renováveis do mundo, já é menor do que o da energia elétrica obtida em termelétricas a gás natural. O governo classificou essa situação como o novo paradigma do setor elétrico brasileiro. Em alguns casos, a energia eólica também tem custo inferior ao das usinas movidas a biomassa de cana. Esse foi o principal resultado dos dois leilões realizados pelo governo entre quarta e ontem, em São Paulo.

Comentário do Pentelhão:  A energia eólica era a preferida da Míriam Leitão. Depois, contudo, que os investimentos neste tipo de energia explodiram no país e com o preço mais baixo do mundo, parece que ela perdeu o interesse no assunto. A culpa pode ter sido desse tipo de leilão implantado pelo Governo dos Trabalhadores onde vence quem oferece o menor preço para o consumidor. Talvez o mundo queira conhecê-lo melhor.

Governo/política

– Coluna Mercado Aberto, Maria Cristina Frias, Jornal Folha de S. Paulo, terça-feira, dia 16/08/2011:

Crédito no campo – Os recursos direcionados ao crédito rural devem alcançar R$ 107,6 bilhões em junho de 2012, fim do prazo de financiamento da safra 2011/12, com alta de 15% sobre junho deste ano, segundo projeção da RC Consultores.

Comentário do Pentelhão:  Tá bom pra você, Míriam, ou quer mais???

Jornal O Estado S. Paulo, quarta-feira, dia 17/08/2011:

Dilma cria quatro novas universidades federais

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a criação de quatro novas universidades federais – a do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a do Sul da Bahia (Ufesba), a do Oeste da Bahia (Ufoba) e a da Região do Cariri (UFRC), no Ceará. Ao todo, as instituições contarão com 17 câmpus, sendo 12 novos. O governo prevê que elas iniciem suas atividades até 2014 e deve investir R$ 604 milhões nas instalações.

Comentário do Pentelhão:  Essa mania do Governo Federal de ficar construindo escolas técnicas e universidades e de insistir em colocar os filhos dos trabalhadores lá já está indo longe demais, não é não, querida??? Lamentamos por você, mas o caminho é este e não tem volta!

Domingo que vem tem mais!

Abraços, Passarinho Pentelhão.

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O petróleo já foi nosso?

Escrito por Wladmir Coelho

Sábado, 30 de Julho de 2011

A importância do petróleo para o desenvolvimento econômico nacional é reconhecida desde o início do século XX, através de campanhas de estatização da exploração e comercialização deste importante mineral promovidas por setores nacionalistas.

No Brasil destacaram-se nesta linha de pensamento Pandiá Calógeras, Arthur Bernardes, Simões Lopes, pioneiros, ainda nos anos de 1920, na autoria de leis que possibilitavam a implementação de uma política econômica do petróleo voltada para a auto-suficiência.

Naturalmente, o poder econômico exercido através dos oligopólios internacionais tratou de impedir a implementação dos objetivos nacionalistas, mergulhando o Brasil na dependência da importação de derivados do petróleo, incluindo a gasolina. Este fato contribuiu para a crise de abastecimento durante a II Guerra Mundial, ficando o gigante da América do Sul praticamente sem gasolina, tendo em vista a destinação desta através dos oligopólios, em obediência às políticas de segurança energética de seus países sedes, para as frentes de combate.

Este fato, a crise de abastecimento, contribuiu para o renascimento ou fortalecimento de uma campanha visando a criação de uma empresa nacional que seria responsável por garantir a auto-suficiência brasileira em petróleo.

 

Nacionalismo e Petrobrás

As dificuldades para a concretização de tal empresa foram muitas. Internamente, disputavam duas correntes, ambas denominando-se nacionalistas. Havia aqueles seguidores do General Juarez Távora, totalmente contrários à criação de uma empresa estatal para exploração do petróleo, alegando a incapacidade técnica nacional como fator de risco, inclusive para a segurança continental. Segundo o argumento do General Távora, a exploração petrolífera no Brasil deveria realizar-se a partir das empresas estrangeiras, garantindo deste modo o abastecimento das tropas dos Estados Unidos em virtude de iminente invasão do continente por tropas da União Soviética.

O General Távora chegou a propor a entrega da exploração petrolífera brasileira ao modelo de leilão das áreas produtivas, através de blocos, fato concretizado posteriormente durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. A ideologia, conforme percebemos, moveu os interesses destes dois políticos de épocas distintas.

Em oposição ao modelo de Segurança Continental, encontraremos os defensores da criação de uma empresa brasileira de controle estatal para a exploração do petróleo e garantia da auto-suficiência. A campanha “O Petróleo é Nosso!” assumiu este princípio e através da mobilização popular denunciou os problemas decorrentes da prática imperialista que conservava a tradição colonial e preparou o Brasil para utilizar os recursos energéticos em beneficio do desenvolvimento nacional.

Contra os líderes da campanha do “O Petróleo é Nosso” voltaram-se aqueles beneficiados pelos oligopólios. A grande imprensa ignorava a campanha e quando tratava do tema era para acusar os defensores da criação de uma empresa petrolífera nacional de subversivos, inimigos da pátria e por aí vai…

Sobrevivendo aos ataques, o advogado e professor Washington Albino, ocupando em 1953 o cargo de diretor do departamento de assuntos econômicos da Associação Comercial de Minas Gerais, apresenta uma proposta que aprofundava o controle do Estado na elaboração da política econômica do petróleo, através de um documento intitulado “Tese Mineira do Petróleo”.

O professor Washington Albino defendia, ao contrário da proposta enviada pelo presidente Getúlio Vargas, a nacionalização total de todo o processo de exploração petrolífera, incluindo a distribuição, e passava para o empresariado (neste caso com o apoio do presidente da Associação Comercial de Minas Gerais, Renato Falci), a responsabilidade de financiar parte da implantação da empresa estatal, através da instituição de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE).

O professor Washington Albino, falecido no dia 17 de junho de 2011, confessou-me certa vez: “A ‘Tese Mineira do Petróleo’ foi algo fantástico que somente avançou em razão do caráter patriótico de seus defensores”. Observe: existiram no Brasil empresários preocupados com o desenvolvimento nacional e contrários à política imperialista.

 

A volta ao passado

No mês seguinte à morte do professor Washington Albino, observou-se na imprensa brasileira uma determinada euforia quanto ao aparecimento de empresas brasileiras de exploração petrolífera, agora denominadas “independentes”. Este termo, independente, refere-se ao afastamento destas da Petrobrás, transformada em monstro desde a implementação das políticas coloniais – ou neoliberais – do governo Fernando Henrique Cardoso e mantidas ainda hoje.

Sabemos muito bem que a maior parte dessas independentes vive das benesses estatais e cumpre com perfeição a política de exportação de petróleo e manutenção da prática colonial por meio da associação com os grupos de sempre.

Recentemente, duas empresas independentes, a Barra Energia e Queiroz Galvão, compraram da Shell a participação de 20% em um bloco de exploração petrolífera na Bacia de Santos. O governo nacionalista do Brasil saudou o fato como ampliação da presença nacional no pré-sal, tratando a sua “inimiga”, a grande imprensa, de noticiar o fato como fator de credibilidade e sustentabilidade da política econômica brasileira.

Poucos, todavia, prestaram atenção aos detalhes. Vejamos: A Barra Energia, desde 2010, encontra-se associada ao First Reserve Corporation. Esta corporação de investimentos é presidida por Willian E. Maculay, membro atuante no conselho das 50 maiores empresas petrolíferas do mundo. O vice presidente, John A. Hill, foi diretor adjunto da US Energy Information Administration, órgão responsável por informar o presidente dos Estados Unidos a respeito das reservas de petróleo.

Outro investidor da independente e brasileira Barra Energia, a River Stone, é presidida por Pierre F. Lapeyre Jr. Este empresário e banqueiro foi diretor do Goldman Sachs, o mesmo banco que vai intermediar o empréstimo para o pré-sal acertado durante a última inspeção do presidente Obama no Brasil. A River Stone atua através de uma joint venture com o grupo Carlyle.

O grupo Carlyle, controlado entre outros por figuras como Geoge Bush pai e John Major, atua no ramo dos armamentos e energia. No Brasil controla a CVC turismo e segundo entrevista de seu diretor, Fernando Borges, à revista Isto é Dinheiro em 12 de outubro de 2010, “a exploração de petróleo (no Brasil) não é nosso foco, mas as indústrias relacionadas a ela sim”. Neste ponto, observamos como se efetiva o conteúdo soberano na exploração do pré-sal previsto na legislação nacionalista para sua exploração.

Somemos aos fatos apresentados o controle de 5% da Queiroz Galvão pelo Capital Group International. Trata-se o referido grupo de uma empresa de gestão de fundos internacionais com participação e interesses em diferentes empresas, incluindo do setor energético. Naturalmente, seus gestores levam em consideração os interesses gerais dos oligopólios, aos quais associam-se no momento de aprovação ou rejeição das políticas econômicas das empresas nas quais controlam ou participam do Conselho Gestor.

Neste momento pergunto: a legislação brasileira para o petróleo – existem duas, ambas de fundamentação neoliberal – não estaria necessitando de uma revisão? Afinal, a lei 2004 de 1953 cumpriu os seus objetivos de garantir a auto-suficiência e por isso foi superada? Neste último caso a resposta é não.

Ao retirar da Petrobrás a condição de pilar para o desenvolvimento nacional, os governos FHC, Lula e Dilma Rousseff abriram espaço para a perpetuação do modelo imperialista. O Brasil está, neste momento, sem uma política de segurança energética. Isso é muito grave.

Wladmir Coelho é mestre em Direito, historiador e membro do Conselho Curador da Fundação Brasileira de Direito Econômico.

Web-Site: http://politicaeconomicadopetroleo.blogspot.com/

 

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Noroeste Paulista: Petrobras compra a Gas Brasiliano Distribuidora

A Petrobras Gás S.A. (Gaspetro) concluiu, na última sexta-feira (29/07), a aquisição da concessionária de distribuição de gás natural da região noroeste do Estado de São Paulo, Gas Brasiliano Distribuidora (GBD), até então controlada pela italiana ENI International B.V.

O valor da operação atingiu US$ 271 milhões após os ajustes referentes à variação do capital de giro, conforme previsto no contrato de compra e venda de ações assinado pela Gaspetro e pela ENI. Esse valor ainda estará sujeito a um ajuste referente ao capital de giro existente na data 31/07/2011.

A GBD possui a exclusividade no serviço de distribuição de gás natural na região noroeste do Estado de São Paulo, em uma área que cobre 375 municípios e atende à demanda industrial, comercial, residencial e veicular dessa região. Em 2010, a rede de distribuição da companhia alcançou 755 km e o volume de vendas foi aproximadamente de 650 mil m³/dia.

Os investimentos previstos no plano de negócios da GBD, e aprovados pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP) na última revisão tarifária da companhia, deverão atingir pelo menos R$ 106,2 milhões no quinquênio 2010-2014. Este investimento visa à expansão da malha de distribuição e ampliação do mercado para 1,2 milhão de m³/dia até 2014. O contrato de concessão da GBD teve início em dezembro de 1999 com duração de 30 anos, podendo ser estendido por mais 20 anos.

Para a Petrobras, esta aquisição irá posicionar a empresa na atividade de distribuição no maior mercado brasileiro, próximo à entrada do gás fornecido pela Bolívia, transportado pelo GASBOL, e às reservas de gás da região Sudeste, inclusive do pré-sal.

Conforme divulgado ao mercado em comunicado no dia 27 de maio de 2010, a Petrobras, através de sua subsidiária Petrobras Gás S.A., assinou com a ENI International B.V., contrato de aquisição da totalidade das ações da GBD. A conclusão da transação estava condicionada à aprovação dos órgãos reguladores relevantes no Brasil.

Com o consentimento da ARSESP, em 19 de abril de 2011, e a assinatura do termo aditivo ao contrato de concessão da GBD, em 18 de julho de 2011, todas as condições precedentes foram satisfeitas e o fechamento da operação, conforme previsto no contrato, foi realizado nesta data. A operação já havia recebido a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em 15 de dezembro de 2010.

Publicado originalmente em Petrobras – Fatos e Dados

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Nova descoberta no pré-sal da Bacia de Campos

Enviado por luisnassif

Da Petrobras

O consórcio Petrobras, Repsol Sinopec e Statoil anunciam a descoberta de dois níveis de petróleo de boa qualidade no poço exploratório 1-REPF-11A-RJS, informalmente conhecido como Gávea. Esta descoberta é a principal realizada no pré-sal da Bacia de Campos.

O poço, localizado a 190 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, foi perfurado pelo navio sonda de última geração Stena Drillmax I, em águas de 2.708 metros e atingiu a profundidade final de 6.851 metros. O consórcio está analisando os resultados obtidos no poço, antes de continuar o processo de exploração e a avaliação da área.

A Repsol Sinopec é a operadora do consórcio, com 35% de participação, tendo como parceiras a Statoil, com 35% e a Petrobras, com 30%.

A Companhia e suas parceiras informaram às autoridades brasileiras a existência de indícios de hidrocarbonetos no poço exploratório Gávea em março de 2011, para o primeiro nível, e em abril do mesmo ano, para o segundo nível.

A Repsol Sinopec é a companhia estrangeira líder em direitos de exploração nas Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, participando em 16 blocos, dos quais é operadora em seis.

Os inimigos da Petrobras são os inimigos do Brasil

“Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma.”


Getúlio Vargas, na Carta-Testamento, 24 de agosto de 1954

Escrevi o post sobre o resultado recorde da Petrobras antes de ler os jornais de hoje. E fiquei impressionado com a quantidade de ódio e de despeito que a elite brasileira destila, através de sua mídia, contra a maior e mais importante empresa brasileira. No momento em que ela atinge os maiores lucros da história, em que acumula sucesso após sucesso e, até, mostra na prática sua utilidade para a regulação da cadeia – privada – da comercialização de combustíveis (a ANP e nada, nesta crise, foram o mesmo), só o que se vê é manipulação e inveja por parte dos jornais.

Vou colecionar alguns títulos de matérias publicadas hoje no Estadão:Investimentos da Petrobrás caem 11% no 1º tri e somam R$ 15,87 bi; Custo de extração sobe 10,6%, para US$ 11,38 por barril; Balança comercial da Petrobrás sai do positivo para o negativo no 1º tri; Petrobrás adia anúncio do plano de investimentos .

O Globo segue a mesma linha, com menos vigor e a Folha só range os dentes. Prefere aunciar novo caos no abastecimento de etanol para dezembro .

Não é de hoje, como mostra a citação de Vargas, que a Petrobras é o alvo  político das forças que só entendem o Brasil como colônia. Não perdoam o fato de que Fernando Henrique  não tenha conseguido abrir mais completamente o setor de petróleo para as multinacionais. Não porque não o quisesse, é claro, mas porque a surda resistência da consciência brasileira e a própria força econômica e capacidade técnica da empresa – que enfrentou nos leilões, como pôde, a entrada das multis – impediu que ela tivesse o destino da Vale, que sangrou na terra as riquezas do país sob os aplausos de mídia colonialista.

Eles são e serão assim, atacando cada vez com mais vigor – e servindo-se de qualquer expediente para isso – o grande patrimônio nacional que ela, e as jazidas de petróleo contidas em  nosso solo e nosso  mar , representa.

Não será possível repelir estes ataques se não houver vigor. A empresa e o governo devem sair de uma postura tímida e mostrar como e porque nossa política para o petróleo é vital para nosso sonho – e direito – à soberania nacional.

Porque agora, como há 60 anos com Vargas, os inimigos da Petrobras são os inimigos de um Brasil independente, rico, autônomo.

A própria Presidente Dilma, logo, terá de ser a líder deste enfrentamento, como foi indispensável que Lula, antes, tomasse a frente do movimento de afirmação da Petrobras.

Publicado originalmente no: Tijolaço – O blog do Brizola Neto

Lucro líquido recorde de R$ 10 bilhões 985 milhões no 1º trimestre de 2011

A Petrobras divulgou, nesta sexta-feira (13/05), os resultados financeiros consolidados do primeiro trimestre de 2011, segundo os padrões internacionais de contabilidade (IFRS).

No primeiro trimestre do ano, o lucro líquido foi de R$ 10,99 bilhões (R$ 0,84 por ação) 42% superior ao lucro do primeiro trimestre de 2010, que foi de R$ 7,73 bilhões. O lucro bruto alcançou R$ 20,20 bilhões no primeiro trimestre do ano, 5% superior ao mesmo período de 2010 (R$ 19,31 bilhões).

O aumento do lucro foi resultado do aumento de 7% no volume de vendas no país, destacando-se o aumento das vendas de gasolina (+7%), óleo diesel (+9%), gás natural (+13%) e QAV (+18%) no comparativo 1T11/1T10. Além disso, a elevação de 3% da produção total de óleo e gás no mesmo período e, pelo lado não operacional, o elevado resultado financeiro (variação positiva de R$ 2.723 milhões) também contribuíram para o resultado.

No resultado segmentado, o aumento do preço do petróleo e do volume de produção no ano influenciaram o resultado do segmento de Exploração e Produção (E&P). Porém, o segmento Abastecimento apresentou queda no resultado em função da elevação do preço do petróleo.

(1) Inclui transações inter-segmentos que são eliminadas para cálculo do lucro da Companhia

(2) Não considera Segmento Corporativo

Os investimentos no primeiro trimestre de 2011 totalizaram R$ 15.871 milhões e foram direcionados, prioritariamente, para a ampliação da capacidade de produção de petróleo e gás natural, para o desenvolvimento da produção na área do pré-sal (R$ 7.196 milhões) e melhoria, expansão, conversão do parque de refino e petroquímica (R$ 5.845 milhões).

O nível de alavancagem da companhia manteve-se em patamares confortáveis (17%), abaixo do limite estabelecido pela própria Petrobras, que é de 35%.

Confira a Nota à Imprensa referente ao resultado do período.

Para saber mais acesse o site de Relacionamento com Investidores.

Nas fórmula da USP, etanol deveria estar a R$ 1,71. Agora, a Petrobras intervirá, Que dirá o “mercado”? (via blogdobrizolaneto)

Como é que os nossos “libertistas de mercado” vão reagir à notícia que o Governo vai fazer a Petrobras, através da BR Distribuidora, forçar o mercado de etanol a voltar para patamares de preço razoáveis? Será que vão ter a coragem, diante das classes médias – agora “turbinadas” pela imensa ascenção social do segundo governo Lula – de ir para a tevê e os jornais dizerem que estamos quebrando os do altar do capitalismo ao usar o Estado e suas empresas para intervir no mercado e…baixar preço?

Ora, a liberdade de mercado é um valor que está longe de ser absoluto, e faz muito tempo. A fixação de limites para isso  tem mais de um século, e nasceu com a primeira lei antitruste dos  EUA, o Sherman Act, que veio justamente para proteger o mercado contra o poder de uma petroleira, a Standart Oil.

O que está acontecendo é absolutamente natural e intríseco à lógica pura de mercado. A demanda por combustível é não é elástica ao ponto de fazer com que, com o alto preço, as pessoas deixem de comprar ou adiem a compra, forçando a baixa. Pode cair, sim, mas os tanques de estocagem estão vazios, pelo início de safra e, como admitem os próprios analistas desse mercado, como admitiu ontem, no Valor Econômico, a pesquisadora do Cepea-USP, Mirian Bacchi, que montora estes preços: “diversos grupos estão acelerando a moagem, especialmente aqueles que precisam de caixa depois da entressafra. Algumas unidades precisam de dinheiro para pagar tributos e salários” .

Mas como é que isso pode garantir preço em baixa num setor com crescente concentração empresarial, inclusive estrangeira, como é  o da cana-de-açúcar. É evidente que os grandes complexos produtores jogam com o trinômio preço – capacidade de estocar –  fluxo de caixa. Idem, idem as grandes distribuidoras o fazem, porque são poucas e dominam o setor. E os postos, claro, depois de experimentarem ganhos maiores por litro vendido, por conta de aplicarem um percentual sobre os preços, resistem em estreitar estas margens. Em vários deles, ela chegou a 30%, quando, no ano passado, pouco passava de 10-12%.

A mesma pesquisadora do Cepea, Mirian Bacchi, publicou em 2006, no site da Unica – União dos Produtores de Cana de Açúcar de São Paulo – um cálculo do preço de comercialização, quando o preço era, na usina, de R$ 0,70 o litro.

Dizia ela:

“Suponha que o preço sem impostos do álcool na usina seja de R$ 0,70/l e que a margem total absoluta seja de R$ 0,50/l – valores reais médios aproximados dos últimos cinco anos para o Estado de São Paulo. Nesse caso, o preço cheio no varejo seria de R$ 1,20/l. Suponha que da margem absoluta total, R$ 0,28/l corresponda ao componente fixo e R$ 0,22/l ao componente variável.  Nesse caso, a seguinte igualdade seria verdadeira:

1,20 = 0,70 + 0,28 + 0,22

Portanto, o preço de comercialização seria de R$ 1,20 o litro de etanol hidratado.

Façamos agora a conta dos preços, de acordo com a fórmula da Dra. Mirian, para o preço de R$ 1,02 (arredondei para cima o R$ 1,0175 de ontem)  fechado ontem para o litro de etanol hidratado, segundo o próprio Cepea-USP no poderosíssimo entreposto de Paulínia, em São Paulo.

Corrigindo o custo fixo pelo IGP-M de janeiro de 2006 para março de 2011, aqueles R$ 0,28  passam a R$ 0,39. Os custos variáveis – impostos – não tiveram suas alíquotas mudadas e, portanto, variam na mesma proporção do produto: de R$ 0,70 para R$ 1,02 são 30% de variação. Passariam, portanto, a R$ 0,30.

Logo, a soma seria:

1,02 + 0,39 +0,30 = 1, 71

Se o distinto amigo ou amiga achar um posto de combustível vendendo etanol a este preço, abasteça e fuja rápido, porque vai ser formar um tumulto assim que a notícia se espalhar e todos os automóveis da cidade correrem para ele.

Mas não se preocupe, isso não vai acontecer.Não porque não haja, dentro da própria lógica do mercado livre, um dono de posto capaz de colocar este preço, com uns dois centavos a mais, e lucrar muito vendendo centenas de milhares de litros. Mas porque as cadeias de produção e suprimento são oligopolizadas e visam, como é natural para elas, lucros máximos. E forma, no rastro disso, uma esteira de pequenas espertezas.

Mas não é isso o que é bom para o país, nem para a sociedade. Nem bom, nem justo.

E o Estado é o único poder que se pode contrapor a isso. Seus instrumentos podem ser punitivos – e aí você se sujeita a entrar numa cadeia de autoridade-abuso-corrupção -favoritismo ou, pior, inação, como estamos vendo acontecer na ANP – ou usa a intervenção via empresas estatais.

E o nome do Estado nos combustíveis é um só, o que faz a direita tremer: Petrobras

É o que vamos ver acontecer  agora.

Petrobras cobra da Venezuela dinheiro prometido para refinaria

A Petrobras encaminhou carta de alerta à Petróleos de Venezuela (PDVSA), na qual informa que se, nos próximos três meses, a estatal não liberar a verba prometida para a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, ela não será mais sócia do empreendimento.

“A PDVSA tem até agosto para assumir a dívida contraída no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ou seja, 40% dos 10 bilhões de reais e fazer os aportes necessários. É preciso ter aporte de recursos dos sócios a partir de agosto”, advertiu o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

A associação da Petrobras com a PDVSA na obra, que já está 35% concluída, teve início no Governo Itamar Franco. A princípio, a Petrobras seria sócia majoritária (60%), a PDVSA ficaria com 35% e a empresa privada brasileira Renor com 5%. Em 2008, o governo brasileiro acordou com o venezuelano que o petróleo a ser refinado seria fornecido em partes iguais pelos dois países.

O termo assinado em 2008 prevê ainda que a Petrobras receberá direitos de exploração de petróleo na principal região petrolífera da Venezuela: a Faixa do Orinoco. No entanto, desde novembro de 2010, a Petrobras espera do governo venezuelano o dinheiro prometido para a refinaria, que será a primeira a ser construída com tecnologia totalmente nacional.

A estatal brasileira considera que Abreu e Lima será a refinaria brasileira mais moderna, capaz de processar 100% de petróleo pesado com o mínimo de impacto ambiental e produzir combustíveis com teor de enxofre menor do que o exigido pelos padrões internacionais mais rígidos.

Fonte: Brasília Confidencial

Preço da gasolina, mitos e verdades: gasolina nas refinarias Petrobras custa R$ 1,05 desde 2009

É esse o preço do litro da gasolina, sem adição de etanol, vendida pela Petrobras desde 2009. Em 9 de junho daquele ano, houve redução de 4,5%. Desde então, não ocorreu mais nenhuma alteração no preço da gasolina vendida às distribuidoras na porta das refinarias.

Esse valor de R$ 1,05 remunera a Companhia em seus custos de produção, refino e logística. Sobre este preço a empresa recolhe impostos e nele também está incluída sua margem de lucro.

Preço da gasolina: mitos e verdades.

01) Por que a Petrobras Distribuidora não se pronuncia sobre alterações de preços dos combustíveis nos postos?

Porque os preços são livres nas bombas. As distribuidoras de combustível são legalmente impedidas de exercer qualquer influência sobre eles.

Há uma lei federal que impede as distribuidoras de operarem postos. Estes são, em regra, administrados por terceiros, pessoas jurídicas distintas e autônomas.

O mercado da gasolina no Brasil hoje é regulamentado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pela Lei Federal 9.478/97 (Lei do Petróleo). Esta lei flexibilizou o monopólio do setor de petróleo e gás natural, até então exercido pela Petrobras (da qual a Petrobras Distribuidora é subsidiária), tornando aberto o mercado de combustíveis no País. Dessa forma, desde janeiro de 2002 as importações de combustíveis foram liberadas e o preço passou a ser definido pelo próprio mercado.

O preço final ao consumidor varia em função de múltiplos fatores como: carga tributária (municipal, estadual, federal), concorrência com outros postos na mesma região e a estrutura de custos de cada posto (encargos trabalhistas, frete, volume movimentado, margem de lucro etc.).

É possível pesquisar sobre o assunto no site da Petrobras ( Composição de Preços) e no da ANP ( dúvidas sobre preço).

02) É verdade que a gasolina é mais cara aqui do que no resto do mundo, apesar de o Brasil ser autossuficiente em petróleo?

No gráfico a seguir é possível comparar os preços da gasolina praticados no Brasil com os preços médios em diversos países.

a) a parcela de baixo do gráfico representa o preço da refinaria sem impostos;

b) a parcela do topo representa as margens de comercialização, que oscilam em função do mercado local de venda dos combustíveis;

c) e a parcela em azul mais claro representa a carga tributária que é a maior responsável pela diferença dos preços entre os países.

Observa-se, também, que os valores cobrados no Brasil encontram-se alinhados com os preços de outros países que possuem mercados de derivados abertos e competitivos.

Preços Internacionais de Gasolina – média 2010

Obs: O teor de álcool anidro na Gasolina C se manteve em 25% ao longo do ano, exceto no período de fevereiro a março, quando o percentual foi reduzido para 20%. Confira também o gráfico referente ao mês de janeiro de 2011.

Elaboração: Petrobras com dados do Banco Central, ANP, USP/Cepea, ENAP(Empresa Nacional Del Petróleo – Chile), ANCAP (Admisnistración Nacional de Combustibles, Alcohol y Portland – Uruguai) e PFC Energy.

Margens de Distribuição e Revenda obtidas por diferença. Câmbio considerado = 1,7602 (média da PTAX diária em 2010).

Constata-se, desta forma, que a Petrobras, a Petrobras Distribuidora e as demais distribuidoras não possuem ingerência total na cadeia de formação de preço do produto comercializado ao consumidor. Todos os demais agentes envolvidos podem contribuir na sua variação (para maior ou para menor).

Postos de serviço e distribuidoras podem praticar margens variáveis conforme seus planos comerciais, visto que os preços não são tabelados nem estão sob controle governamental.

03) Toda vez que o preço do álcool sobe, também aumenta o da gasolina?

As usinas de cana-de-açúcar produzem dois tipos de álcool: o anidro, que é adicionado pelas distribuidoras à gasolina; e o hidratado, que passou a ser chamado de etanol.

Assim, o período de entressafra da cana-de-açúcar pode provocar alta tanto no preço final da gasolina – em virtude da escassez do álcool anidro, misturado à gasolina, hoje na proporção de 25% – quanto no preço final do etanol. Mas não é uma regra, já que vários fatores interferem no preço final do combustível.  Confira no  site da Petrobras.

04) A Petrobras é a única fornecedora de gasolina no Brasil?

Ao abastecer seu veículo no posto revendedor, o consumidor adquire a gasolina “C”, uma mistura de gasolina “A” com álcool anidro. Nesta época do ano, a chamada entressafra da cana-de-açúcar, o preço do álcool sobe, impactando o preço da gasolina.

A gasolina “A” pode ser produzida nas refinarias da Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A.), por outros refinadores do País, por formuladores, pelas centrais petroquímicas ou, ainda, importada por empresas autorizadas pela ANP.

As principais distribuidoras, como a Petrobras Distribuidora e outras (consulte o  Sindicom), compram a gasolina “A” da Petrobras, a maior produtora do Brasil.

Em bases e terminais, essas distribuidoras fazem a adição do álcool anidro, adquirido junto às usinas produtoras (consulte http://www.unica.com.br), gerando a gasolina “C”.

A proporção de álcool anidro nessa mistura (25%) é determinada pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA), vide Resoluções da ANP.

Assim, por meio de milhares de postos revendedores presentes no Brasil, as distribuidoras comercializam a gasolina “C” para todos os consumidores.

Leia também a nota de esclarecimento divulgada pela Gerência de Imprensa da Petrobras

Petrobras realiza primeira exportação de petróleo do pré-sal


A Petrobras concluiu, junto à estatal chilena Empresa Nacional de Petróleo (ENAP), as negociações para a venda da primeira carga de petróleo produzida no pré-sal destinada à exportação.

Foi vendido um milhão de barris de petróleo extraídos do campo de Lula, com embarque previsto para meados de maio de 2011 e que serão entregues em Quintero e San Vicente, no Chile

Petrobrás volta a ter 100% da Refap. Vitória do povo e demonstração de firmeza de Lula

by arturcut

Reproduzimos mensagem enviada pelo companheiro Radiovaldo Costa Santos, da direção do Sindicato do Ramo Químico e Petroleiro da Bahia, sobre a operação de compra de 30% do capital social da Refap pela Petrobrás.

Hoje, aqui no Rio de Janeiro, na sede da empresa, no Edise, a direção da Petrobras anunciou a aquisição de 30% do capital social da Refinaria Alberto Pasqualine (REFAP) pelo valor de US$ 850 milhões.

Uma herança maldita da época do governo FHC, quando em 2001, a refinaria foi transformada em subsidiaria e 30% do seu capital foi vendido para a petroleira espanhola Repsol YPF. A FUP e seus sindicatos filiados, na época se manifestaram contra essa medida e denunciamos, como uma tentativa de privatização da refinaria e o conseqüente enfraquecimento da Petrobras. A partir daí, sempre lutamos pela volta da Refap para total controle da Petrobrás.

A Refap, localizada na cidade de Canoas no Rio Grande do Sul, atualmente é a quinta maior em capacidade de refino instalada no Brasil e passou recentemente um processo de ampliação e modernização.

Uma importante notícia para a categoria petroleira e para todo o País nestes últimos dias de governo Lula, mostrando o compromisso do nosso presidente pelo fortalecimento da Petrobrás enquanto empresa pública, nesta e em tantas outras ações ao longo destes 8 anos de mandato.

Não seria nenhum exagero afirmar que desde Getulio Vargas, responsável pela criação da Petrobras, nenhum outro presidente na historia do Brasil defendeu os interesses e fortaleceu tanto a empresa como o presidente Lula.

Para 2011 a luta deve continuar agora pelo fim dos leiloes da ANP a manutenção dos investimentos nos campos terrestres entre outras ações de interesse nacional.

Um abraço e parabéns a todos aqueles que lutaram por mais esse importante momento. Favor repassar para os demais.

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