Governo Alckmin: é preciso mudar para que tudo continue como está

É essencial que a militância, os dirigentes e os parlamentares do PT estejamos atentos para cobrar incisivamente o cumprimento de compromissos de campanha e também daqueles assumidos nestes primeiros meses de governo.

Por Leonardo Fontes e Julian Rodrigues
Terça-feira, 19 de abril de 2011

Geraldo Alckmin acaba de completar os seus 100 primeiros dias como governador de São Paulo, mas já existem motivos de sobra para ficarmos atentos a diversos aspectos desse “novo” governo. Se, por um lado, velhos hábitos foram mantidos, também algumas novidades pairam no ar, principalmente no que se refere às disputas de poder e ao enfraquecimento de algumas velhas “marcas registradas” dos tucanos de São Paulo.

A campanha eleitoral para o governo paulista em 2010, além de pautar alguns pontos importantes para o nosso Estado, como a melhoria da educação, a redução das filas na saúde, a ampliação do transporte público e redução dos níveis de criminalidade, evidenciou alguns costumes largamente cultivados por nossos últimos governantes. O principal deles é a repetição de promessas recicladas e o uso extensivo do marketing político para mostrar São Paulo de uma maneira muito diferente da que vemos e sentimos nas ruas.

Neste sentido, é essencial que a militância, os dirigentes e os parlamentares do PT estejamos atentos para cobrar incisivamente o cumprimento de compromissos de campanha e também daqueles assumidos nestes primeiros meses de governo, além, é claro, de observarmos de perto as sinalizações indicativas dos prováveis rumos que o governador pretende dar para São Paulo nos próximos quatro anos.

De acordo, com o texto final de balanço e perspectiva, aprovado pelo Diretório Estadual, um dos eixos da ação do PT-SP para “desconstruir a hegemonia do PSDB” é “levar o acúmulo construído no Programa de Governo Mercadante para o conjunto do PT, pois “nosso programa nas eleições de 2010 deve ser a base para uma disputa permanente de concepções de políticas públicas, uma referência”.

De forma ainda mais consistente, a mesma resolução aponta para a necessidade de o Partido apostar na “constituição de um “Observatório Alckmin” [que] pode nos ajudar a preparar o programa para 2012, qualificando as críticas ao “modo tucano de governar”, bem como pode se constituir num processo de atualização permanente do nosso programa de governo e de construção do discurso e das bases para o enfrentamento de 2014”.
Para colaborar com esse objetivo, vários de nós que trabalhamos na equipe de elaboração do programa de governo do PT em 2010 – processo coordenado pela companheira Angélica Fernandes – estamos nos propondo a trabalhar de maneira organizada no acompanhamento crítico das políticas do PSDB frente ao governo de São Paulo.

Nosso objetivo é colaborar com o esforço de potencializar a oposição programática aos tucanos. Pretendemos produzir, com periodicidade, análises, cenários, artigos que tratem desse tema. Esse material – mais notícias importantes sobre o governo ficará disponibilizado em um blog (www.pautapoliticasp.org).

Nosso intuito neste primeiro texto será, então, dar um pontapé inicial nesse trabalho ao fazer um breve panorama das promessas e movimentações políticas iniciais do novo governo, com o intuito de apontarmos as áreas e temas que devem ser olhados com mais atenção.

Educação: calcanhar de Aquiles

O debate em torno da educação foi, sem dúvida, o mais marcante durante a última campanha eleitoral e há anos vem se mostrando como o “calcanhar de Aquiles” das administrações tucanas em São Paulo. Para resolver os inúmeros problemas da área, Alckmin se comprometeu durante a eleição a ampliar o diálogo com os professores, oferecendo capacitação continuada e melhora nos níveis salariais. Além disso, ele apostava grande parte de suas fichas – nos programas eleitorais – nas escolas de tempo integral e no programa escola da família, deixados de lado pela gestão Serra. Evitando se comprometer com metas mais concretas, o então candidato Alckmin defendia o aumento do reforço escolar, das aulas de informática, das atividades esportivas e do ensino de segunda língua para alunos das escolas públicas por meio de convênios com escolas particulares de idiomas.

Chegou a impressionar a veemência com que Alckmin defendia o “avanço” da educação em São Paulo e, pior ainda, o sistema de “aprovação automática”, que foi implantado no Estado a partir de uma degeneração da proposta progressista de progressão continuada. As primeiras medidas tomadas pelo governador foram impressionantes: além de trocar o Secretário, uma importante figura no meio tucano, anunciou uma reformulação no sistema de aprovação das escolas estaduais. Com isso, a nova gestão reconheceu problemas que já estavam mais do que evidentes para a população. O novo secretário procurou mostrar-se mais aberto ao diálogo com os professores, tentando superar um histórico problema de falta de abertura dos governos tucanos. Mas há que se ressaltar, também, que chama a atenção a nomeação do ex-prefeito de Taubaté José Bernardo Ortiz, condenado judicialmente por ato de improbidade administrativa, para controlar um orçamento de R$ 2,5 bilhões da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

Mobilidade urbana e colapso

O setor de transportes é outra área a que os tucanos têm feito muita propaganda, mas dedicado pouca prioridade real nos últimos anos. Alckmin evitou, durante a campanha, assumir compromissos claros e concretos nessa área, limitando-se a prometer a conclusão de linhas que já estavam em obras, ou planejadas, e ampliar o fluxo diário de passageiros, dos atuais 5,8 milhões para 10 milhões em quatro anos. Contudo, mesmo essas linhas já correm sério risco de não estarem prontas até 2014. A linha 5 – Lilás está com o processo de licitação parado, após provar-se que o resultado já era conhecido meses antes da abertura das propostas; a Linha 4 – Amarela, além dos acidentes, acumula uma série de atrasos e prorrogações no cronograma de inaugurações e as Linhas 6 – Laranja e 17 – ouro não têm nem previsão para o lançamento dos editais de licitação. Enquanto isso, as falhas técnicas no metrô e na CPTM são cada vez mais frequentes. O metrô está no limite de sua capacidade, com incidentes contínuos e superlotação em horários cada vez mais dilatados.

Além disso, é preciso lembrar outras promessas de Alckmin, aparentemente relegadas a segundo plano neste período inicial de governo, como é o caso do VLT da baixada santista – prometido por Alckmin desde 2001 –, a duplicação da rodovia dos Tamoios e a revisão da política de pedágios.

Ruídos na segurança

Na segurança o quadro não é diferente. Alckmin se comprometeu com o fortalecimento da estrutura disponível para investigação, disse que iria acabar com presos em cadeia (delegacias?), e aumentar o efetivo policial com a contratação de 6000 novos homens. Pouco foi efetivamente feito nesta área para além da transferência do DETRAN para a alçada da Secretaria de Gestão Pública e o aumento do incentivo ao “bico oficial” dos policiais militares, principalmente em parceria com a prefeitura da capital.

O PT e a oposição democrática precisa atentar para as disputas internas na atual Secretaria, que deve ter desdobramentos importantes na definição da política de segurança. O secretário, Antonio Ferreira Pinto, forçou sua permanência ao se colocar publicamente, na mídia, como inimigo dos policiais corruptos, o que desagradou o antigo titular da pasta Saulo de Castro Abreu Filho, designado para ser o homem-forte de Alckmin na área de Transportes e Logística. As primeiras faíscas já surgiram com as denúncias que envolviam a venda de dados estatísticos relativos à segurança pública – que atinge pessoas ligados a Saulo – e o vídeo que mostra o encontro do Secretário com o jornalista autor da denúncia.

A questão urbana

Na área de infraestrutura urbana, principalmente na região metropolitana, a situação é desalentadora. Falemos brevemente da questão das enchentes, que tocou a vida dos paulistas mais diretamente nestes últimos meses. Em 2005, Alckmin chegou a anunciar que não haveria mais enchentes no rio Tietê, o que foi prontamente desmentido pelos três transbordamentos do rio ocorridos só neste ano. A falta de manutenção, em termos de desassoreamento e limpeza dos rios que cortam a capital paulista e a lentidão na execução do plano de macrodrenagem da região metropolitana, juntamente com o descumprimento da meta de construção de piscinões – dos 134 previstos para toda a região metropolitana, apenas 44 saíram do papel -, são os pontos de maior preocupação para a vida da população paulista .

Ainda na área de gestão da região metropolitana, Alckmin criou a Secretaria de Gestão Metropolitana, mas, até agora, não está claro quais serão suas reais atribuições e instrumentos de ação.
Habitação e saneamento são outras áreas fundamentais quando o assunto é a questão urbana. Apesar de defender a gestão tucana a frente da CDHU, Alckmin prometeu criar o “BNDES da Habitação”, um programa que foi pouco explicado, mas que se assemelharia ao “Minha Casa Minha Vida” do governo federal. De qualquer modo, até o momento nada foi realizado a este respeito.

Conturbações no ninho

Finalmente, interessa ao PT acompanhar com atenção as movimentações políticas que Alckmin e os tucanos têm realizado e que apontam para suas intenções quanto às eleições de 2012 e 2014. Ao contrário de seu antecessor, o atual governador parece enxergar em certo fortalecimento de políticas sociais, na abertura de algum grau de diálogo com os setores organizados da sociedade e na aproximação com o governo Dilma uma possibilidade para angariar votos junto a um eleitoral tradicionalmente próximo do PT.

Além disso, Alckmin tem deixado claro sua intenção de aumentar os investimentos nas cidades da região metropolitana de São Paulo, atacando o chamado “cinturão vermelho”. Na capital, como resposta às recentes movimentações de Kassab, Alckmin acaba de emplacar, não sem rusgas fortes com os “kassabistas-serristas”, seu Secretário de Gestão Pública, Julio Semeghini, para a presidência do diretório municipal do PSDB, a fim de ter mais controle sobre o processo de escolha do candidato tucano à prefeitura em 2012.

Imediatamente, 5 dos 13 vereadores da bancada do PSDB paulistano anunciaram sua desfiliação. O quadro é de extremo atrito no campo conservador, sobretudo no ninho tucano, se considerarmos que toda essa movimentação provavelmente tem José Serra como seu mentor.

Alckmin é nacionalmente aliado de Aécio no movimento de afastar Serra do centro da política tucana. Fez sua parte aqui, operando um verdadeiro “limpa” dos quadros serristas do núcleo do governo. Aécio e Alckmin apóiam a recondução de Sergio Guerra à presidência do PSDB, contrariando o desejo de Serra de ocupar esse cargo.

Ao mesmo tempo, a forte movimentação de Kassab criando um novo partido, sem cara definida, que não é, segundo ele, “nem de direita, nem de esquerda, nem de centro”, que flerta com o governo Dilma, desidrata o DEM e tem uma relação ambígua, mas amistosa, com Serra são um fato novo no quadro político paulista e nacional. Não estão perfeitamente nítidos ainda o impacto real e a configuração definitiva dessa nova legenda articulada com Kassab. O PSD terá candidato próprio em São Paulo? Apoiarão um possível candidatura Serra? E afinal, Serra será mesmo candidato a prefeito da capital em 2012?

Encerrando essa primeira aproximação do novo Governo Alckmin, podemos verificar algumas tentativas nítidas de “mostrar serviço” de trazer novidades – sem, contudo, apontar em nada qualitativamente distinto do que foram as administrações tucanas desde 1996. É como se, ao flertar com a “mudança”, Alckmin atualize a velha máxima de Lampedusa, no romance O Leopardo : “é preciso que tudo mude para que as coisas permaneçam iguais”.

Leonardo Fontes, mestrando em ciência política pela USP , militante do PT-SP.

Julian Rodrigues, mestrando em ciências sociais pela PUC-SP, militante do PT-SP

Fonte: http://www.pt-sp.org.br

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Propinoduto liga empresas aos Tucanos em São Paulo e DEM em Brasília.

Testemunha desvenda esquema de propina do Metrô de SP e do DF

Dinheiro de “caixinha” vinha por meio de duas offshores do Uruguai, segundo documentos

Gilberto Nascimento, do R7

ReproduçãoReprodução

Veja imagens ampliadasDocumento mostra acordo entre a Siemens Ltda., com sede em São Paulo, e a Gantown Consulting S/A, com sede no Uruguai

Informações sigilosas de uma importante testemunha vão ajudar a desvendar um esquema internacional de propina que, segundo denúncias, teria sido montado no Brasil pelas multinacionais Alstom e Siemens. 

Uma figura que acompanhou de perto contratos firmados nos últimos anos pelas duas empresas com os governos do PSDB em São Paulo e do DEM no Distrito Federal para a compra de trens e manutenção de metrô passou a fazer novas revelações e a esmiuçar os caminhos do propinoduto europeu em direção ao Brasil.

Supostos “acertos” e negociações atribuídos a representantes das duas companhias estão em um documento elaborado por essa fonte e encaminhado ao Ministério Público de São Paulo.  

Contatada pelo R7, a testemunha – que se identifica apenas como F. e teme ser fotografada por causa de represálias – dá detalhes de como a propina chegava ao Brasil por meio de duas offshores (paraísos fiscais), a  Leraway e a Gantown, sediadas no Uruguai, e de como a Alstom e a Siemens teriam se utilizado da contratação de outras empresas para encaminhar o dinheiro da “caixinha” a políticos, autoridades e diretores de empresas públicas de São Paulo e de Brasília.

F. relata esquemas supostamente arquitetados para a obtenção de contratos da linha 5 do metrô no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo; para a entrega e a manutenção dos trens série 3000 (também conhecidos como trem alemão) para o governo paulista, além da conservação do metrô do Distrito Federal.

O deputado estadual Simão Pedro (PT) encaminhará ao Ministério Público de São Paulo nos próximos dias uma representação pedindo a investigação das denúncias feitas por F.. 

Sob investigação na Europa

A francesa Alstom e a alemã Siemens foram alvos de investigações na Suíça e na Alemanha por causa da acusação de pagamento de suborno a políticos e autoridades da Europa, África, Ásia e América do Sul. Somente a Siemens teria feito pagamentos suspeitos num total de US$ 2 bilhões.

Um tribunal de Munique acusou a empresa alemã de ter pagado propina a autoridades da Nigéria, Líbia e Rússia. O ex-diretor Reinhard Siekaczek acrescentou que o esquema de corrupção atingiria ainda Brasil, Argentina, Camarões, Egito, Grécia, Polônia e Espanha.

Já a propina paga pela Alstom em diversos países – incluindo o Brasil -, pode ter sido superior a US$ 430 milhões, de acordo com os cálculos da Justiça suíça. No Brasil, a empresa foi acusada, por exemplo, de pagar US$ 6,8 milhões em propina para receber um contrato de US$ 45 milhões no metrô de São Paulo. 

A francesa Alstom fabrica turbinas elétricas, trens de alta velocidade e vagões de metrô. Maior empresa de engenharia da Europa, a alemã Siemens faz desde lâmpadas até trens-bala. As duas companhias são concorrentes, mas em determinados momentos na disputa tornavam-se aliadas, conforme a testemunha.

Para trazer o dinheiro ao Brasil

O esquema para mandar dinheiro ao Brasil via offshore, revela F., conta com a participação das empresas Procint e Constech, sediadas na capital paulista e pertencentes aos lobistas Arthur Teixeira e Sergio Teixeira. As offshores Leraway e Gantown seriam sócias da Procint e da Constech. F. mostrou cópias de contratos firmados pela Siemens da Alemanha com as duas offshores. Segundo ele, esses contratos comprovam o envolvimento da empresa alemã no esquema.

As offshores também teriam sido utilizadas, diz a testemunha, em outros contratos com empresas como a MGE Transportes, TTetrans Sistemas Metroferroviários, Bombardier (canadense), Mitsui (japonesa) e CAF (espanhola).  

Há dois anos, parte dos documentos em poder de F. foram enviados para o Ministério Público de São Paulo e para o Ministério Público Federal. Promotores confirmaram a veracidade de informações ali contidas. No entanto, ainda não conseguiram colher o depoimento da testemunha, localizada agora pelo R7

O promotor Valter Santin confirmou que o caso já vem sendo investigado, mas disse que não pode revelar detalhes “por ser sigiloso e envolver conexões internacionais”. 

Documentação

Uma documentação bem mais ampla – só agora exibida ao R7 – foi enviada por F., em 2008, ao escritório de advocacia Nuremberg, Beckstein e Partners,  da Alemanha. Na época, o escritório atuava como uma espécie de ombusdman da Siemens.

– Por que a Siemens não investigou as denúncias encaminhadas e por que a companhia no Brasil foi poupada nas investigações? Não foi por falta de informação, pois a carta mencionada revelava todos os nomes e detalhes e incluía provas dos esquemas de corrupção, avalia F.

Por meio de uma nota, a Siemens diz conduzir seus negócios “dentro dos mais rígidos princípios, legais, éticos e responsáveis” e afirma não ter firmado contrato em parceria ou consórcio “com nenhum concorrente no que tange à manutenção de metrôs”. 

Na mesma linha, a Alstom afirmou em um comunicado que segue “um rígido código de ética, definido e implementado por meio de sérios procedimentos, de maneira a respeitar todas as leis e regulamentações mundialmente”.  A empresa disse que está colaborando com as investigações e “até o momento, as suspeitas de irregularidades em contratos não foram comprovadas e não estão embasadas em provas concretas”.

O Metrô de São Paulo e a CPTM afirmaram, por meio de nota, que desconhecem os fatos mencionados e esclarecem que os seus contratos firmados com qualquer empresa “obedecem à legislação específica que norteia a lisura do processo licitatório, além de serem submetidos ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE)”.

Já o Metrô do DF afirmou, em nota, que desconhece as irregularidades apontadas e que “a licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal”. Veja a íntegra da nota:

“O Metrô-DF desconhece as supostas irregularidades apontadas anonimamente pela reportagem do Portal R7 e, ressalta que:

– O processo de licitação para a manutenção do Metrô-DF (transcorrido em gestão anterior), seguiu a modalidade de licitação de concorrência pública tipo técnica e preço, sendo que no primeiro aspecto as duas empresas finalistas receberam a pontuação máxima;

– No quesito preço, o consórcio Metroman apresentou a melhor proposta (menor preço), vencendo então a licitação;

– A licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal;

– O consórcio Metroman vem atendendo satisfatoriamente todas as demandas de manutenção apresentadas pelo Metrô-DF.

Coordenação de Comunicação do Metrô-DF”

Novos secretários tomam posse em SP com meta de reduzir custos. Cerimônias da Saúde e Gestão Pública aconteceram nesta terça-feira (4/1).

Contratos do governo com empresas serão revistos para diminuir despesas.

Do G1 SP

Secretários do novo governo do estado de São Paulo tomaram posse nesta terça-feira (4) com meta de reduzir custos. O secretário da Saúde, Giovanni Cerri, quer que os planos de saúde paguem a conta dos segurados atendidos na rede pública. A primeira missão do responsável pela pasta de Gestão Pública, Júlio Semeghini, é fazer um pente-fino em contratos de serviços terceirizados do governo anterior.

Como Geraldo Alckmin, Giovanni Cerri é médico. Ele já foi diretor da Faculdade de Medicina da USP e traz experiência também da administração do Instituto do Câncer. Segundo ele, 20% dos pacientes internados lá têm plano de saúde e, mesmo assim, procuram atendimento público.

Para diminuir a despesa do governo, o novo secretário defende que os planos de saúde paguem as despesas dos segurados. “Se nós conseguirmos trazer esses recursos para o estado, isso vai ajudar a financiar a ampliação do sistema público de saúde”, acredita.

No discurso, Cerri disse também que pretende trabalhar junto com a Secretaria da Educação para prevenir gravidez na adolescência e abuso de drogas e álcool entre os jovens. “Acaba se tornando um vício, acaba se tornando fonte de violência doméstica, desagregação familiar”, disse.

No fim da tarde, também foi realizada a transmissão do cargo de secretário de Gestão Pública. Quem assume é o deputado federal Júlio Semeghini. A primeira missão dele é fazer um pente-fino em contratos de serviços terceirizados, como empresas de limpeza, vigilância e de alimentação, por exemplo. Na administração de José Serra, esses contratos representavam mais de R$ 4 bilhões nas despesas do estado.

A meta do novo governo é reduzir em 10% esse valor. “Está sendo feita uma série de análises que permita você ter mais eficiência na administração publica, mas, ao mesmo tempo, permita redução de custo. É difícil, mas todos os secretários têm uma meta para cumprir e a gente vai ajudá-los a fazer isso”, afirmou

E, ainda nesta terça-feira, uma comissão da Casa Civil vai começar a discutir um novo rumo para o Detran, que será retirado da Secretaria de Segurança Pública. A medida pretende liberar mais de mil policiais que prestam serviços ao Detran para fazer somente o trabalho de polícia.

MP-SP: Reservar vagas em hospital público para planos é inconstitucional

Lei estadual não pode restringir o que lei federal não restringe, afirma promotor Arthur Pinto Filho

Agência Brasil

SÃO PAULO – O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) promete protocolar ações civis públicas para impedir a implementação do projeto de lei complementar que prevê que 25% dos leitos de hospitais públicos administrados por organizações sociais de saúde em São Paulo sejam reservados ao atendimento de clientes de planos e convênios particulares.

“Esse projeto é inconstitucional e tem vários vícios em sua origem. O primeiro deles é querer que uma lei estadual restrinja o que uma lei federal não restringe, quando uma lei estadual não pode contrariar uma lei federal, exceto se for para aumentar o benefício da sociedade, o que não é o caso”, afirmou à Agência Brasil o promotor de Justiça da Procuradoria de Direitos Humanos na Área de Saúde Pública, Arthur Pinto Filho.

Para o promotor, o projeto também fere o princípio constitucional de que todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam tratados de forma igualitária. Em 2009, os deputados já haviam aprovado um dispositivo semelhante, que, depois, foi vetado pelo então governador José Serra (PSDB).

“A justificativa de que é necessário aprovar o projeto para criar formas de o governo cobrar as empresas é falso, porque leis já existem. Trata-se, isso sim, de tirar um de cada quatro leitos do SUS e entregá-los aos planos privados. O que já era pouco e ruim vai se tornar dramático e pior”, avaliou Pinto Filho.

De acordo com ele, praticamente todos os órgãos e entidades que atuam no setor são contrários ao projeto, que chegou a ser reprovado inclusive pela entidade que reúne os secretários municipais de Saúde de todo o Estado.

Fonte: estadao.com.br

Alckmin anunciará Edson Giriboni (PV) para Secretaria do Saneamento (via Folha)

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciará nesta terça-feira o deputado estadual Edson Giriboni (PV) para a Secretaria do Saneamento.

O nome de Giriboni foi negociado com a bancada do partido –com nove deputados, a legenda será a terceira maior presença da Assembleia na próxima legislatura, atrás apenas de PT e PSDB.

Após racha interno, a direção estadual do PV abandonou negociações.

Lei também: https://murilopohl.wordpress.com/2010/12/23/pv-sp-recussa-participar-do-secretariado-do-governo-alckmin-psdb/

Alckmin chegou a sinalizar Luiza Eluf, filiada ao PV, para a Secretaria de Justiça. Recuou, contudo, ao saber que a escolha esbarrou com resistência dos próprios verdes. A pasta acabou ficando com Eloisa Arruda.

TURISMO

O governador eleito também poderá indicar o deputado Márcio França (PSB), presidente do PSB de São Paulo, para a Secretaria de Turismo.

Lei também: https://murilopohl.wordpress.com/2010/12/24/tucano-aproveita-insatisfacao-do-psb-com-formacao-de-ministerio-e-convida-marcio-franca-para-turismo-pps-comandara-trabalho/

Segundo o “Painel” da Folha, a indicação afasta do prefeito Gilberto Kassab (DEM) um aliado importante, que o tucano tentava atrair desde o fim da campanha eleitoral.

Com França no governo estadual, o PSB ficará mais distante do prefeito paulistano.

FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO

PV – SP recusa participar do Secretariado do Governo Alckmin – PSDB

Depois de ter recusado as pastas da Assistência Social e Saneamento no governo de Geraldo Alckmin, o PV-SP divulgou uma nota oficial de esclarecimento, trazendo nela as razões que levaram a legenda encerrar os diálogos para que integrasse a equipe do governador eleito.

Leia íntegra da carta:

A Direção Estadual do Partido Verde em São Paulo esclarece à opinião pública paulista as razões que levaram a legenda a encerrar o pro cesso de discussões com o Governo Eleito de Geraldo Alckmin (PSDB) para integrar sua equipe de governança.

1) Após o final das eleições estaduais deste ano o PV foi procurado pelo PSDB para discutir a participação no futuro governo;

2) A Direção Estadual do PV elaborou documento com 43 pontos programáticos como base na plataforma liderada pelo então candidato verde ao Palácio dos Bandeirantes, Fábio Feldmann;

3) Os 43 pontos programáticos foram entregues ao governador eleito, Geraldo Alckmin, em encontro que contou com a presença de todos os deputados estaduais e federais eleitos do PV no Estado de São Paulo, bem como dos nossos ex-candidatos ao Senado e ao governo local, Ricardo Young e Fábio Feldmann, respectivamente, e do Presidente Nacional do partido, José Luiz de Franca Penna;

4) A maioria das 43 propostas visam discutir São Paulo do Futuro, tendo o conceito de Sustentabilidade como eixo do projeto de governança. Dessa forma, a Direção Estadual do PV comunicou ao Governo Eleito que o melhor espaço na administração estadual para colocar em prática essa visão programática seria a gestão da Secretaria do Meio Ambiente;

5) Por 40 dias, a Direção Estadual do PV-SP aguardou manifestação do Governo Eleito. Na última segunda-feira, dia 20 de dezembro, foi informada por meio de representantes de Geraldo Alckmin de que a atuação da Secretaria do Meio Ambiente, a partir de 2011, não comportaria as orientações sugeridas pelo PV no encontro já citado;

6) Posteriormente, em reunião promovida pela Direção Estadual do PV-SP com a bancada eleita pelo partido em São Paulo, deliberou-se, por unanimidade, recusar o convite para participar de um governo que não se comprometeu com os 43 pontos programáticos apresentados. A deliberação contou com o apoio da Direção Nacional do PV;

7) Tal decisão foi levada ao conhecimento do Governo Eleito. Assim, o PV deu por encerrada sua participação no processo de debate sobre integração à futura administração paulista;

A Direção Estadual do Partido Verde reafirma, dessa forma, seu compromisso com a construção de uma nova forma de fazer política, que implica construir alianças em bases programáticas e não pragmáticas, com o objetivo de construir um país socialmente justo e desenvolvido por uma economia pautada pela Sustentabilidade.

São Paulo, 23 de dezembro de 2010

Maurício Brusadin

Presidente Estadual do Partido Verde em São Paulo

Estadão.com.br

Leia também: https://murilopohl.wordpress.com/2010/12/28/alckmin-anunciara-edson-giriboni-pv-para-secretaria-do-saneamento-via-folha/

Em busca da razão científica II. O PT de Jales – SP na contra mão, incompetência?

 

Vamos pensar juntos? (Texto em processo de Construção Coletiva)

Esta reflexão está aberta para correções, observações, críticas e aprimoramentos. Participe usando o instrumento dos comentários disponível no blog

Recomendamos a leitura do texto anterior, disponível AQUI https://murilopohl.wordpress.com/2010/12/10/em-busca-da-razao-cientifica-do-figado-a-cabeca-a-evolucao-do-pt-de-jales-sp/, para facilitar o exercício proposto, de pensarmos juntos.  De qualquer forma, quando finalizamos o texto inicial, dia 10 de dezembro, estávamos diante de conclusões parciais, hipóteses a serem checadas e raciocínio a ser aprofundado. Reproduzo aqui a parte final do texto.

Fazendo o esforço de usar a “massa cinzenta” e não a “bílis” para fazer política e olhando o resumo desta “ópera” somos levados a concluir que: existem três possibilidades. 1) A afirmação é verdadeira. 2) A afirmação é mentirosa. 3) As duas hipóteses anteriores são verdadeiras.

Se é verdadeira a afirmação, então “a companheirada começou a pensar com o fígado em algum momento entre as eleições de 2002 e as eleições de 2006. Como pensar com o fígado é ruim, só pode trazer maus resultados. Os maus resultados apareceram depois de 2002, algo aconteceu entre 2002 e 2006. Algo que continua e fez piorar ainda mais o resultado (para o PT) em 2010.

Se for mentirosa a afirmação, somos obrigados a concluir que a causa dos problemas é outra e que temos a responsabilidade de continuar pensando para descobrirmos a verdade. Decorre também secundariamente a forçosa conclusão de que para buscar compreender a realidade não se deve ouvir quem não diz a verdade.

Se as duas hipóteses anteriores são verdadeiras, então forçoso é concluir que não é com a cabeça que a companheirada tem pensado e que na verdade esta é apenas uma parte da questão. Concluímos, igualmente, também que devemos continuar em busca das verdadeiras respostas e que elas não serão encontradas ouvindo o presidente da Comissão Executiva Municipal ou o “petista da velha guarda que pede anonimato”, pois eles não a dizem.

 

Nesta semana vivemos vários fatos que devem ser considerados em nosso pensar. Selecionamos dois: algumas ponderações de Camaradas nossos quanto ao processo eleitoral de 2006 e o discurso da Vereadora Tatinha PT antes da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Jales. BAIXE AQUI https://murilopohl.wordpress.com/2010/12/14/eleicao-da-mesa-da-camara-municipal-de-jales-episodio-historico-claudir-aranda-pdt-foi-eleito-presidente/. A matéria e o discurso na íntegra.

O processo eleitoral de 2006 aconteceu em um quadro conjuntural dificílimo para o PT em todo o Brasil, especialmente em São Paulo. As forças conservadoras de oposição conseguiram fabricar clima de denuncias éticas contra o PT e governo Lula. Com apoio de meios de comunicação aliados, a tática que buscou jogar o Governo na vala comum da política tradicional imputando acusações de práticas como compra de apoio do Congresso no caso que ficou conhecido como “mensalão do PT”.  Todas as denuncias foram apuradas. Quando foi o caso, encaminhadas ao Judiciário, onde tramitam ainda hoje sem condenação. Mas o clima foi criado e interferiu nas eleições. Estaria aí a causa da queda da votação de nossos Deputados em Jales?

Com o objetivo de jogar luz sobre esta questão buscamos os resultados dos votos nominais de nossos Deputados no mesmo intervalo de tempos do levantamento feito no nosso município, agora em todo o Estado de São Paulo.

Resumo dos Resultados do PT no Estado de São Paulo, nas eleições proporcionais, Estadual e Federal, votos nominais, nos últimos 12 anos (1998 a 2010).

Estado de São Paulo
 ano Dep.Federal Dep. Estadual
1998 2.061.194 1.615.021
2002 4.119.242 3.554.928
2006 2.967.483 2.858.472
2010 3.204.789 3.749.145

Resumo dos Resultados do PT em Jales nas eleições proporcionais, Estadual e Federal, votos nominais, nos últimos 12 anos (1998 a 2010).

Jales

ano Dep. Federal Dep. Estadual
1998 2.466 3.580
2002 5.286 3.582
2006 3.311 1.829
2010 1.770 1.503

 

  

 Fica mais fácil a comparação se utilizamos recursos gráficos e mantemos a mesma escala: vejamos.

 Entre 1998 e 2002

 

Vejamos primeiro o desempenho das candidaturas a Deputado Federal (em azul). No período compreendido entre as eleições de 1998 e 2002 a melhoria do desempenho dos candidatos do PT foi muito semelhante. A legenda se fortalece em Jales tanto quanto no Estado de São Paulo, comparativamente o fortalecimento em Jales é até um pouco maior que no Estado.

Observando o desempenho das candidaturas a Deputado Estadual (em rosa). No período compreendido entre as eleições de 1998 e 2002 o desempenho dos candidatos do PT em Jales foi muito diferente. A legenda se manteve no mesmo patamar em Jales enquanto em todo o Estado de São Paulo acontece forte crescimento. Outro fator que chama a atenção é a diferença, quando comparamos as curvas dos resultados entre Federais e Estaduais, normalmente semelhantes, com variação parecida, no Estado, enquanto isso, em Jales é grande a disparidade.

Nossa interpretação, por ora, está na candidatura lançada pelo PT de Jales em 1998 e não viabilizada em 2002. Com candidatura própria, local, em 1998 o aumento da votação para Deputado Estadual foi maior que para Federal. Uma das causas está no ponto de partida, 1998, a outra causa está em 2002. Sem contar com uma candidatura local a votação se manteve. Não acompanhou onda de crescimento do PT em todo o Estado, que resultaria numa votação em torno de 4500 votos. Talvez seja necessário incluirmos também no comparativo a eleição anterior. Por ora, fiquemos com esta interpretação. Aguardemos as críticas para avaliarmos.

Entre 2002 e 2010.

Como levantado pelos Camaradas, é fato que em 2006 a votação nominal dos candidatos petistas sofreu uma redução em todo o Estado de São Paulo. Já em 2010, aconteceu forte recuperação. Em  Jales não foi assim. Alem de uma queda na votação maior que a estadual em 2006, esta queda se acentuou em 2010 em Jales. Os números falam por si próprios. O resultado do PT de Jales é completamente diferente, diferente para pior, do desempenho do Partido dos Trabalhadores em todo o Estado de São Paulo. A direção política dada ao partido em Jales claramente tem problemas. Isto se o foco for o PT.  O Partido dos Trabalhadores não está bem em Jales e isto não é reflexo do desempenho do Partido como um todo, no Estado. O PT de Jales segue na contra mão da história e isto tem, pelo menos, seis anos.

Eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Jales.

 

Tratamos esta semana, em parte, das movimentações que culminaram no resultado da eleição da Mesa para 2011. Em parte, porque só tratamos dos aspectos que são públicos até agora. Fatos que já foram divulgados por dirigentes partidários, por titulares de mandato em suas falas públicas ou que de alguma forma foram divulgados pela imprensa. São públicos os resultados eleitorais, os outdoors e banners afixados publicamente e os carros adesivados em circulação com campanhas não petistas.

Quero aqui, neste momento, pedir licença, e afirmar que não concordo com a conclusão da Vereadora Tatinha. Não acredito na incompetência como causa da conjuntura que o Partido dos Trabalhadores vive em Jales. Não acredito que o problema seja que  infelizmente a companheirada se esqueceu que política se faz com a cabeça e não com o fígado…”. Acredito muito menos ainda que a causa seja a oposição, a luta interna ou que as causas sejam externas. É pior, muito pior, faz lembrar o Barão de Itararé.

O PT de Jales foi colocado na contra mão e está sendo mantido na contra mão. A questão é política, é de princípios, ela tem começo, meio, fim, e alguns endereços. É disto que precisamos começar a tratar, internamente inclusive, também. Vamos fazer isto?  O PT é o Partido dos Trabalhadores e Partido é dos Trabalhadores. Viva o PT !

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