PSD, de Kassab, indica apoio a Haddad dois dias após eleição

Quando fundou o PSD, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, disse que o partido não seria “nem de direita, nem de esquerda, nem de centro.” Nesta terça-feira 30, o partido fez jus à ideia do seu criador. Sua bancada de sete vereadores, que apoiou José Serra (PSDB) nas eleições, deixou claro o apoio ao prefeito eleito da cidade, Fernando Haddad (PT). Os vereadores fizeram isso ao anunciar a manutenção da parceria com o PSB, que apoiou a candidatura de Haddad e apoiará o petista como prefeito.

Pouco importa se até hoje os vereadores apoiem a administração de Kassab, que também fez campanha por Serra. A partir de janeiro, dizem, irão trabalhar para o petista. O apoio do PSD garante a Haddad a maioria da Câmara Municipal, necessária para eleger o presidente da Casa e aprovar de projetos prometidos, como a criação do bilhete único mensal e o fim da taxa de inspeção veicular.

Durante o processo eleitoral, Kassab não apenas apoiou o tucano José Serra como indicou o seu vice, Alexandre Schneider. Nesta terça, após encontrar o novo prefeito da cidade, o atual prefeito disse que “São Paulo com certeza estará em ótimas mãos”. Ele disse, porém, que não sabia qual seria a postura dos vereadores do seu partido.

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Kassab decidiu apoiar o PSDB nas eleições depois que Serra, seu padrinho político, anunciou a candidatura. Antes disso, Kassab vinha sendo cortejado pelo PT. Sua administração foi alvo de duras críticas dos petistas durante toda a campanha eleitoral. Entre as críticas, Haddad chegou a dizer que faltava “comando e transparência” na administração e que Serra escondia Kassab devido à sua baixa popularidade.

Abaixo, a íntegra da nota distribuída pela bancada do PSD na Câmara:

Os vereadores do bloco parlamentar PSB-PSD na Câmara Municipal de São Paulo decidiram, nesta data, manter sua atuação conjunta no Parlamento da cidade, através da qual têm procurado melhor defender os interesses da população de São Paulo. Nesse sentido, esperam contribuir para que a nova administração possa dar continuidade à busca de soluções para os complexos problemas de nossa metrópole.

Dilma pretende enxugar Base Aliada e exigir mais fidelidade

 

A presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estão determinados a fazer um expurgo nos partidos da Base Aliada, para que ela se torne “mais administrável e fiel”.

A expressão é do ex-presidente que transferiu para Gilberto Carvalho (hoje o homem forte do governo) parte do “assessoramento que dava à presidenta. Além disso, em função de sua doença, ele não poderá mais fazer o “meio de campo”, aquelas longas conversas com políticos de todos os partidos, coisa que ele fazia com prazer e que para Dilma é um grande sacrifício.

Independente dessas circunstâncias, eles concluíram que a Base Governista é ampla demais e está fora de controle. A “folgada maioria” do Governo no Congresso é ilusão que se esvai nas votações mais importantes.

Entretanto, o “enxugamento” só ocorrerá depois de Junho, quando já estiverem definidas as candidaturas e respectivos apoios dos candidatos às prefeituras das principais capitais, sobretudo São Paulo, tratada obsessivamente como altamente estratégica. Até lá, os ministérios continuam sendo moeda de troca para a composição de alianças.

A idéia é criar um “núcleo governista” mais coeso e compacto reunindo PT, PMDB, PSB, o PSD do Kassab e o PCdoB que já não é considerado um partido nanico e tende a crescer. Entra na lista, também, o PRB do bispo Macedo, que tem poucos parlamentares, mas tem a TV Record e uma razoável capacidade de apascentar a ouriçada bancada evangélica.

Todas essas siglas seriam contempladas com fatias maiores dos ministérios e estatais. Fatias estas subtraídas aos partidos mais problemáticos: PDT, PR, PP e PTB.

As conspirações e as intrigas, bem como as discrepâncias ideologias não seriam totalmente eliminadas, é claro. Mas, pelo menos se colocaria um pouco de ordem na casa e, na soma total, a diminuiçãode candeiras da Base Governista seria pequena, até porque os partidos excluídos também tem suas divisões internas.

De qualquer modo, não faz sentido dividir o Poder com um partido como o PP, por exemplo, que abriga um Jair Bolsonaro, oposicionista permanente e feroz ao Governo. O mesmo vale para o PTB de Roberto Jefferson (um serrista convicto) e para o PR de Antony Garotinho que recentemente estimulou a greve das PMs.

E, da mesma forma, o PDT do Paulinho da Força. Este sempre que pode cria embaraços para o Planalto e acaba de fazer acordo com o esquema tucano justamente em torno das eleições em São Paulo.

No caso específico do PDT, note-se que o partido já estava desgastado e praticamente ficou acéfalo com a desmoralização de seu presidente, o incrível Carlos Lupi. Parece, no entanto, que a presidenta Dilma está empenha em dar atenção pessoal a alguns líderes pedetistas que tem peso político ou aos quais ela estima.

E o caso, por exemplo, do ex-governador gaucho Alceu Colares ou dos deputados fluminenses Miro Teixeira e Brizola Neto.

Seja como for, a presidenta está resignada a conversar mais com os parlamentares aliados. No caso do PMDB e no âmbito do Senado, houve ali uma fragmentação de lideranças. No tempo do presidente Lula, bastava conversa com o Sarney (AP) e o Renan Calheiros (AL) que as coisas ficavam sob controle. Agora será preciso ampliar o leque de interlocutores.

Quanto à Câmara, aconselhada pelo vice Michel Temer, Dilma parece propensa a receber periodicamente um grupo de deputados de um mesmo partido. A ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, ficaria encarregada de organizar, digamos quinzenalmente, pequenas caravanas de deputados.

Lula e Marta: o vento que venta aqui é o mesmo que venta lá

Por Renato Rovai

A ex-prefeita Marta Suplicy registrou hoje que o partido errou ao dialogar com Kassab. Se fosse mais aguda deveria afirmar que Lula errou. Foi ele quem iniciou essa conversa. Mas como Lula é hoje um quase santo no PT (muito em decorrência dos seus méritos) quem crítica a tentativa de aliança com o PSD evita citar o nome dele. Fala em erro do partido.

Foi Lula quem iniciou as conversas e foi ele quem estimulou alguns de seus principais aliados internos a manter o diálogo aberto com o alcaide da capital do estado. Mesmo contra a posição da maioria dos dirigentes partidários tanto em nível municipal, quanto nacional.

Outro fato é que Fernando Haddad em nenhum momento deu declarações muito confortáveis sobre a coligação. Como diria a presidenta Dilma, em todos os momentos que foi confrontado com a possibilidade da aliança em entrevistas, tergiversou. Pessoas próximas a ele garantem que, no íntimo, Haddad torcia para que Kassab tomasse outro rumo. Garantem há algum tempo. Não apenas agora.

Outro fato concreto é que Kassab foi à festa de 32 anos do PT e tomou uma vaia homérica, histórica. E de lideranças partidárias, como registrei aqui. Mesmo com a vaia no ouvido, o ex-prefeito não passou recibo. E continuou dizendo que apoiaria Haddad.

Ou seja, Kassab achava Haddad o melhor candidato. Só ponderava que se Serra saísse não teria como não apoiá-lo. Por compromissos anteriores.

Sendo assim, que moral Serra terá para dizer que saiu candidato pelo risco que a vitória de Haddad significava para São Paulo? Se significava um grande risco porque Kassab queria tanto apoiá-lo?

Os que ficam perguntando como o PT vai explicar o “namorico” com Kassab, poderiam também se perguntar como Serra vai explicar que um de seus principais aliados tenha corrido por dois meses atrás do candidato do PT como a grande solução para São Paulo.

O vento que venta aqui é o mesmo que venta lá. É mais fácil pra Haddad mandar Serra perguntar pra Kassab por que ele queria tanto apoiá-lo. Do que Serra tentar perguntar por que o PT discutiu aliança com o prefeito que não é de centro, de direita e nem de esquerda.

Renato Rovai é editor da Revista Fórum

PT define tática na maioria das grandes cidades e deve crescer em todo país

Rui Falcão lidera a reunião da Comissão Eleitoral. (Foto Mário Agra – PT)

A avaliação é da Comissão Eleitoral do Partido, que já conta com definição tática em 78 grandes cidades.

Com a tática eleitoral definida em dois terços das maiores cidades do país (capitais e municípios com mais de 150 mil eleitores), o PT está bem posicionado para crescer em números de governos locais em todos os Estados, segundo avaliou a Comissão de Acompanhamento Eleitoral do partido, ocorrida nesta segunda-feira (27) na sede do Diretório Nacional em São Paulo.

“A avaliação é bastante positiva”, resumiu o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, durante coletiva de imprensa. Mas o partido, de acordo com Rui, não irá estabelecer metas percentuais de crescimento.

O quadro atual, a nove meses das eleições, mostra que, das 118 cidades nessa condição, o PT já definiu sua tática em 78 (ou 66%): terá candidato próprio em 68 e apoiará nomes da base aliada do governo Dilma nas outras 10. Nos demais municípios, as conversas continuam, já que o prazo final para definição de alianças é junho.

Segundo Rui, entre as pendências, a Comissão está dando atenção especial a três capitais: Belo Horizonte, Fortaleza e Recife.

Em BH, o PT ainda não decidiu se apoiará a reeleição de Márcio Lacerda (PSB) ou lançará candidato próprio; na capital cearense, o PT tem cinco pré-candidatos a prefeito e ainda não definiu se fará a escolha por prévias ou encontro; e, no Recife, a direção nacional se reunirá com o prefeito João da Costa, entre final e março e começo de abril, para avaliar se o quadro é favorável ou não à sua candidatura à reeleição.
São Paulo

Na coletiva de imprensa, os jornalistas priorizaram a disputa paulistana em suas perguntas, devido à decisão do tucano José Serra, candidato derrotado à presidência da República em 2010, de disputar as prévias em seu partido.

“Serra não foi assunto da reunião. Discutimos muito mais outros Estados. Em São Paulo, a campanha está sendo muito bem conduzida pelo Diretório Municipal”, afirmou Rui.

Ele avaliou, porém, que a entrada do ex-governador em cena não muda as estratégias e o cronograma da pré-campanha de Fernando Haddad.

“Não foi nenhuma surpresa. Para nós, parecia claro que ele seria candidato. O PT continua fazendo o que já vinha fazendo. Começamos a construir nosso programa de governo, com agenda nos bairros, e continuamos dialogando com partidos da base para eventuais alianças”, explicou.

Na opinião de Rui, partidos como PSB e PR devem estar juntos com o PT já no primeiro turno. E PCdoB e PMDB, que hoje tem candidaturas próprias, poderão somar num eventual segundo turno.

“Com o nome que escolheu (Haddad), com a força do PT, com a aprovação do governo Dilma e com o prestígio do presidente Lula, nossa possibilidade de atrair aliados é muito grande, bem como de vencer as eleições em SP”, disse.

Segundo o presidente do PT, Haddad vai apresentar à população de São Paulo um programa de mudanças. Ele citou como problemas a serem enfrentados a questão da mobilidade urbana, a falta de vagas em creches, as carências no setor de saúde e a política higienista da atual administração.

Ele rebateu a tese, levantada por alguns jornalistas, de que a proposta se dê por conta do apoio declarado do prefeito Gilberto Kassab (PSD) à possível candidatura José Serra.

“Em nenhum momento o Haddad deixou de dizer que quer um programa de mudanças para a cidade. E a crítica à administração Kassab sempre foi feita pela nossa bancada de vereadores, em defesa dos interesses da cidade”.

Ele lembrou que entre o PT e Kassab nunca houve conversas formais a propósito de uma possível aliança em São Paulo.

“O PSD dialoga conosco em várias cidades de vários Estados, mas aqui (em SP), isso nunca ocorreu”.
(João Paulo Soares – assessoria PT-SP)

O preço de Kassab

Autor(es): Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico – 17/02/2012

São Paulo elegeu sete prefeitos desde a redemocratização. Destes, quatro conquistaram o posto com alianças encabeçadas pela direita (Jânio, Maluf, Pitta e Kassab), dois o fizeram pela esquerda (Erundina e Marta) e apenas um pelo centro (Serra).

Preferências mudam, mas o eleitorado de São Paulo tem se mostrado razoavelmente estável ao longo das últimas duas décadas. Essa estabilidade se reproduz geográfica e socialmente com considerável coerência.

A direita, quando capaz de montar alianças capazes de abocanhar um naco das áreas e dos eleitores de centro e esquerda, tem sido a força eleitoral mais competitiva da maior cidade do país.

Some-se à força da história eleitoral a taxa de sucesso de prefeitos que buscam fazer seus sucessores. Em São Paulo, desde 88, apenas dois o fizeram – Maluf e Serra -, elegendo sucessores oriundos da direita partidária, Pitta e Kassab.

Foge, portanto, do campo da elocubração ou torcida a constatação da força eleitoral do prefeito Gilberto Kassab. Ainda que a fotografia do momento revele uma administração mal avaliada, o histórico do comportamento eleitoral paulistano, somado à boa saúde financeira do município neste último ano de mandato, dá ao prefeito capital suficiente para lhe assegurar a condição de pivô de sua sucessão.

Ao criar o PSD Kassab montou a estratégia com a qual pretende ampliar a abrangência desse capital político da esfera municipal para a nacional. Aliando-se a um partido com nítidas ambições de chegar ao Palácio do Planalto, o PSB, Kassab deixou claro que entrou no jogo para ir além do espaço de fiel da balança entre petistas e tucanos hoje ocupado pelo PMDB.

Foi em busca desse capital ampliado que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a minuta de aproximação entre o PT e Kassab, que culminou com a ida do prefeito ao palanque do aniversário petista.

Valeu-se dos mapas eleitorais das duas vitórias petistas na cidade. Luiza Erundina foi beneficiária de um voto útil de última hora numa campanha em que o esvaziamento do centro resultou na sua polarização com os malufistas. Tivesse havido segundo turno, o centro e a direita somados teriam votos de sobra para derrotar Erundina.

Doze anos depois, Mario Covas mostrou como a força de alguns personagens pode mudar cartas marcadas. Governador do Estado quando seu candidato a prefeito da capital, Geraldo Alckmin, perdeu a vaga no segundo turno de 2000 para Paulo Maluf por oito mil votos, Covas subiu no palanque petista arrastando o centro para eleger Marta Suplicy.

O mapa daquela votação mostrou que Marta ganhara na cidade inteira, à exceção das seções eleitorais com maior perfil de renda, lideradas pelo candidato do PSDB.

Enquanto Maluf foi forte, os tucanos não encontraram seu lugar na cidade. Foi preciso uma hecatombe das proporções da administração Celso Pitta para desgastar o capital político do malufismo e dar lugar, em 2004, à primeira vitória do PSDB no seu berço político com a eleição de José Serra.

A sobrevivência do malufismo na capital explica em grande parte por que o PSDB, governando o Estado de São Paulo desde 1994, só ganharia a eleição paulistana dez anos depois.

No Estado o PSDB ocupou os espaços do PMDB de Orestes Quércia, cuja força eleitoral declinou enquanto a do malufismo ascendia. Quando Paulo Maluf elegeu-se prefeito da capital (1992), Luiz Antônio Fleury Filho já se preparava para encerrar em desgraça a derradeira gestão pemedebista no Estado.

A ascensão de Serra à prefeitura em 2004 e a eleição de Kassab quatro anos depois se dariam com a herança de zonas eleitorais do centro expandido de tradição malufista e marcadamente antipetista. As franjas da cidade continuariam com o PT mas, na sua derradeira tentativa de voltar, Marta mostrou não ser capaz de ultrapassá-las.

Nem o perfil classe média de Dilma foi capaz de romper a muralha erguida em São Paulo contra o PT. Nas cinco eleições presidenciais – e outras cinco estaduais – que disputou o partido, só venceu uma única vez na capital paulista, quando Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Serra em 2002, numa contenda marcada pelo desemprego crescente do final do governo Fernando Henrique Cardoso.

As dificuldades eleitorais petistas no mais importante centro urbano do país desmontam uma tese em voga nas esquerdas durante muito tempo, de que os eleitores inclinam-se por candidatos conservadores por falta de esclarecimento.

O microcomerciante de Santana, tradicional reduto malufista da zona norte da cidade, apesar de ter prosperado nos governos Lula/Dilma, só enxerga taxas municipais quando pensa que o PT voltaria à prefeitura. Foi a perspectiva de conquistar esse eleitor que fundamentou os argumentos pró-aliança com o PSD.

Kassab já estava precificado no PT quando a candidatura Serra tomou forma. Os petistas avaliam que Kassab lhes ajudaria a vencer em São Paulo e minar as chances de o PSD vir a se aliar aos tucanos em 2014. Os tucanos também estão chegando à conclusão não podem prescindir dele na disputa paulistana, além de temerem o isolamento a que podem vir a ser submetidos pela aliança PT-PSD.

Petistas, pelo poder de contemplar o PSD neacionalmente, parecem ter mais poder de barganha, mas pesa a favor do PSDB maior afinidade das bases eleitorais de ambos os partidos. O que está em jogo é mais do que um ministério ali ou uma candidatura acolá. É a máquina de fazer política em que se transformou o PSD. Com o aumento da procura, o preço do prefeito subiu. E o pregão mal começou.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

Serra e Kassab estão fazendo o PT de bobo?

Se, e quando, for confirmada a candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo, o PT deveria promover um encontro para pedir desculpas à senadora Marta Suplicy. Nos últimos quatro meses, ela foi a principal liderança petista a não se deixar levar pelas partículas de candidatos e alianças que permaneceram em suspensão no horizonte político da cidade. Enquanto o partido mergulhava na nuvem de poluição causada pela inversão térmica eleitoral, Marta registrava sua discordância e sinalizava o risco. Primeiro, pediu para evitar uma escolha antecipada do candidato do PT, mas foi atropelada. Depois, alertou para o feitiço da aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab — e só não foi totalmente ignorada porque parte da militância petista ainda cobra um mínimo de coerência política.

Kassab na festa do PT: aliança em potencial ou jogo de dissimulação?

Marta terminou sendo posta à margem porque o PT precisava se renovar, enquanto ela nunca escondeu o desejo de tentar o cargo pela quarta oportunidade. Mas, por isso mesmo, o partido deveria tê-la ouvido: após passar quatro anos na prefeitura e perder duas eleições, uma para Serra e outra para Kassab, era Marta quem, no PT, mais tinha condições de interpretá-los. Teria sido, no mínimo, por respeito a uma tradicional regra da política: ninguém conhece melhor você do que o seu inimigo.

Quando perdeu a convenção do PSDB para Aécio Neves, em maio do ano passado, Serra sabia que seu projeto presidencial só seria retomado em duas hipóteses. Na primeira, ele atuaria de coadjuvante, capaz de ser promovido a protagonista por falta de nomes. Assim, a candidatura de 2014 teria de lhe cair no colo, com Aécio voltando para Minas Gerais e Geraldo Alckmin tentando a reeleição paulista. Para que pudesse ter um mínimo de autonomia sobre seu destino, no entanto, a Serra só restava uma candidatura a prefeito de São Paulo (leia, na coluna Análise de 28 de maio do ano passado, os motivos para isso).

Durante nove meses, portanto, Serra pareceu estar morto. No lugar de se apresentar como viúva, Kassab criou o PSD e vestiu-o de noiva, tentando ser vice-governador na eventual reeleição de Geraldo Alckmin ou ocupando, com seus parlamentares, ministérios no governo Dilma Rousseff. No projeto ideal de Serra, sua candidatura a prefeito permaneceria congelada, para despertar apenas no final do semestre – por questões legais, ele é o único nome forte capaz de ser oficializado no último minuto da convenção partidária. Mas a proximidade das prévias internas do PSDB para a escolha do candidato a prefeito, marcada para depois do carnaval, tirou-o da hibernação. Marta Suplicy teria direito igual, mas seu partido já saiu às ruas com a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad.

Em outubro, quando a eleição chegar ao final, a história de Serra e Kassab será reescrita com base no resultado e o que até hoje era apresentado como desejo sincero provavelmente será interpretado como um jogo de dissimulação. Houve um momento em que Serra gostaria de não correr o risco da disputa em São Paulo e de ter se mantido à tona como presidente do PSDB. E Kassab preferia uma aproximação com o poder federal do PT.

Ao submergir, Serra recuperou a liderança política. E teria também reduzido a taxa de rejeição porque deixou todos brigando contra todos enquanto assistia tudo à distância. Isso é importante porque, desde a adoção do segundo turno, a maioria em São Paulo é formada em torno do nome do adversário de quem o eleitor não quer eleger – e não em torno do nome favorito. Essa decisão racional, baseada na rejeição a um candidato ou partido, e não na paixão pelo outro, garantiu os mandatos de Pitta, Marta, Serra e Kassab.

O atual prefeito agora dificilmente mudará de destino porque as resistências de Dilma Rousseff e de Geraldo Alckmin em aceitar suas condições para um acordo acabaram por criar um processo simbiótico com Serra. O fracasso de ambos desenhou o caminho que se trilha neste momento na capital paulista. Para que o PSD permaneça como um projeto viável de poder, Kassab depende de Serra na prefeitura. Afinal, se partidos com mais de 20 anos de história, como o PSDB, desidratam por estar na oposição, a sobrevivência de uma legenda recém-criada não acontecerá sem uma máquina com o peso da de São Paulo.

Para Serra, a confirmação da aliança com Kassab e um eventual retorno à prefeitura oferecem o que seu partido lhe recusou no encontro de maio do ano passado – estrutura para retomar o projeto presidencial. E, além de tudo, também serve de bóia partidária caso os tucanos o abandonem no meio da última chance que lhe resta de fazer a travessia para o Planalto.

Foi essa dependência mútua entre Serra e Kassab que Marta Suplicy vislumbrou como um jogo que acabaria por engabelar, além do PT, o governador Alckmin e os quatro pré-candidatos do PSDB. No caso do PT, o pedido de desculpas a Marta se fará necessário não apenas porque o partido precisa de sua experiência na campanha de Haddad, mas sobretudo como autocrítica. Afinal, não foi a nuvem de candidatos e alianças que turvou a visão das lideranças petistas, mas a mistura de poluentes eleitorais ainda mais básicos: arrogância, ambição, precipitação e desejo de vingança.

Kassab é apresentado como representante da “base aliada” e recebe vaias no aniversário do PT

Bruno Boghossian, do estadão.com.br, com informações da Agência Esta

O prefeito de São Paulo e fundador do PSD, Gilberto Kassab, foi vaiado ao ser apresentado como representante da “base aliada” durante a festa de aniversário de 32 anos do PT, em Brasília. As autoridades e lideranças petistas aplaudiram, mas parte do público presente vaiou o prefeito, ex-integrante do DEM.

Kassab foi chamado pelos locutores do evento durante a apresentação dos “representantes dos partidos que compõem a nossa base aliada”. Ele, no entanto, sempre afirmou que o PSD é uma legenda “independente” – apesar de acompanhar o governo Dilma Rousseff com frequência no Congresso.

Sem demonstrar nenhum constrangimento, Kassab sentou-se na segunda fila da mesa de convidados, entre ministros de estado, ex-presidentes do PT e o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro José Dirceu foram os mais festejados pela militância durante a comemoração. Dilma se sentou ao lado do presidente do partido, Rui Falcão, e do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Maia entrou recentemente em rota de colisão com o Palácio do Planalto devido ao não nomeação de um afilhado político para cargo no Banco do Brasil.

Para tentar desfazer o clima de animosidade com o Planalto, o presidente da Câmara fez um discurso enfático, recheado de elogios a presidente Dilma Rousseff. Ela manteve-se, no entanto, impávida, sem demonstrar nenhum entusiasmo com as palavras de Maia.

Impedido de ir ao encontro por recomendação médica, o ex-presidente Lula mandou uma carta lida pelo presidente Rui Falcão. Lula lamentou não estar presente ao encontro.

A senadora Marta Suplicy, que criticou as negociações entre o PT e Kassab para a formação de uma aliança para as eleições para a Prefeitura de São Paulo, não compareceu ao evento. Ela enviou uma carta em que parabeniza o partido e pede que a sigla se mantenha fiel a seus princípios.

PT e PSD estão próximos em dois terços das capitais

Por Cristian Klein | De São Paulo

Pellegrino: candidato do PT em Salvador receberá apoio automático do PSD, em retribuição à ajuda do governador

Assim em São Paulo, como em outras capitais. A parceria entre o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, e o PT pode ocorrer em pelo menos 17 cidades que são sedes de Estado. Apenas em cinco das 26 capitais, os dois partidos estão em nítida oposição que deverá impedir uma aproximação nas eleições municipais de outubro. Em outras quatro, a situação é de indefinição, conforme mostra levantamento feito pelo Valor.

A aliança, que na maioria das cidades era improvável, de acordo com levantamento semelhante feito em maio do ano passado, passou a encontrar terreno fértil – seja pela adesão local à estratégia camaleônica de Kassab, seja pela força das circunstâncias ou pela combinação de ambas. Em São Paulo, o prefeito ofereceu ao PT o vice da chapa encabeçada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, durante visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em tratamento contra um câncer na laringe, no hospital Sírio-Libanês.

Petistas e pessedistas estão próximos especialmente em capitais onde governadores do PT ou de aliados da base federal abriram as portas e facilitaram a criação do PSD no ano passado.

Os casos mais emblemáticos são de Salvador e Aracaju. Em Sergipe, o PSD é praticamente uma sublegenda organizada pelo governador petista Marcelo Déda. Durante negociação com Kassab, Déda disputou e ganhou o comando do PSD, então cobiçado pelo grupo do senador Eduardo Amorim (PSC) e de seu irmão, o empresário Edvan Amorim (PTB), que controlam nada menos que 11 partidos médios, pequenos e nanicos no Estado.

Na Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) abençoou o projeto de seu vice, Otto Alencar, que queria se livrar do PP e embarcar na fundação do PSD. Com a ajuda, a nova sigla construiu no Estado uma de suas seções mais fortes e tem ali a segunda maior bancada na Assembleia Legislativa. O agradecimento virá com o apoio automático ao deputado federal Nelson Pellegrino, pré-candidato do PT à Prefeitura de Salvador.

“Em 2012, será a hora de pagar uma conta muito grande. Somos devedores e, nas grandes cidades, não vamos relutar em apoiar quem nos ajudou”, afirma Saulo Queiroz, secretário-geral do PSD.

Queiroz também cita os casos de Recife, em Pernambuco, e Fortaleza, no Ceará, onde os governadores Eduardo Campos e Cid Gomes, ambos do PSB, em aliança com o PT, foram parceiros.

Essa mesma dívida de gratidão é responsável e explica, em parte, os casos em que PT e PSD estão muito distantes, como em Belém e Curitiba, capitais de Estados onde Kassab contou com a colaboração de governadores tucanos, adversários dos petistas.

No Pará, o presidente estadual do PSD é o secretário de Infraestrutura e Logística, Sérgio Leão. No Paraná, “não há interesse” em desagradar Beto Richa, aliado de Luciano Ducci, que tenta reeleição. O prefeito pertence ao PSB, partido presidido por Eduardo Campos, com quem Kassab tem uma aliança.

O presidente estadual da sigla, o deputado federal Eduardo Sciarra, diz que o partido ainda avalia a possibilidade de candidatura própria – pois tem o deputado estadual mais votado em Curitiba, Ney Leprevost -, mas confirma que a tendência é de apoio a Ducci. O PT, que faz oposição ao prefeito, estuda compor com o ex-deputado federal tucano e seu algoz em Brasília durante o escândalo do mensalão, Gustavo Fruet, agora no PDT.

“Do mesmo modo que em São Paulo, não existe impedimento [para aliança], mas o quadro é este”, afirma Sciarra, indicando a distância em relação ao PT.

Além de Curitiba e Belém, em outras três capitais, todas de baixa densidade eleitoral, a chance de união é remota: Vitória, Rio Branco e Macapá.

Em Vitória, no Espírito Santo, o presidente do diretório municipal do PSD, Max da Mata, ex-DEM, tenta articular candidatura própria e é o nome mais identificado como opositor à administração do prefeito João Coser, do PT, que se divide entre o apoio ao ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e à correligionária e ministra de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes.

Em Rio Branco, PT e PSD não se bicam, já que o Acre é um dos raros Estados onde a sigla de Kassab é oposição tanto ao prefeito da capital quanto ao governador, ambos petistas.

No Amapá, o controle do PSD está com representantes do grupo do senador José Sarney (PMDB-AP), adversário do governador Camilo Capiberibe (PSB), que tem em sua base de apoio o PT. O presidente regional da legenda, o deputado estadual Eider Pena, afirma que “a dificuldade maior” é com o PSB, e não com os petistas, mas reconhece ser difícil uma aproximação. Mesmo assim, não deixa de entoar discurso ao estilo kassabiano. “Não somos nem oposição, nem situação. Temos posição”, diz. Questionado sobre se a parceria nacional entre Kassab e Eduardo Campos não poderia mudar a política de aliança, o deputado, ex-PDT, aponta para o seu cacique. “Kassab não tem relação só com Campos, mas também com Sarney”, afirma.

Em compensação, no Maranhão, Estado de origem de Sarney, o senador deve levar o PSD, também sob suas rédeas, ao encontro de uma candidatura petista. O vice-governador Washington Luís surge como nome de seu grupo político para a Prefeitura de São Luís.

Tendo ou não um intermediário, o PSD se esforça rumo à aproximação com o PT mesmo em situações em que o histórico de seus integrantes é de rivalidade local, como os oriundos do DEM.

“Não, não… Nada impede a aproximação. Esse foi um dos motivos para a nossa saída do DEM. Eles [o PT] são oposição, mas o governador [Raimundo Colombo, do PSD] os recebe e atende seus pleitos”, argumenta o deputado estadual Gelson Merísio, presidente da sigla em Santa Catarina, sobre a situação de Florianópolis.

No Rio Grande do Norte, a criação do PSD foi um processo traumático e causou o rompimento entre o vice-governador Robinson Faria, ex-PMN, e o DEM, da governadora Rosalba Ciarlini e do senador José Agripino Maia, presidente nacional do partido. Faria entregou os cargos e foi para a oposição, tornando uma aliança com o PT mais factível na corrida à Prefeitura de Natal.

Em Porto Alegre, é o PT – e os demais concorrentes – que tentam se aproximar do PSD. Curiosamente, o Rio Grande do Sul é um dos Estados onde a sigla de Kassab nasceu mais fraca – está organizada em 21% dos municípios e tem apenas cinco (0,01%) prefeitos de um total de 496 – mas é dirigida pelo popular deputado federal e ex-goleiro do Grêmio, Danrlei. Ele diz ter conversas mais avançadas com o PT, cujo pré-candidato é o deputado estadual Adão Villaverde, e com o PCdoB, da federal Manuela D’Ávila. “Minha relação com os dois é maravilhosa e já existia antes”, afirma Danrlei.

Em três capitais, além de Florianópolis, a relação entre petistas e pessedistas é ambígua ou indefinida. Em Goiânia, o PSD tem grande participação no governo de Marconi Perillo (PSDB), mas o deputado federal Armando Vergílio, que cogita se lançar à disputa, não descarta apoio ao prefeito Paulo Garcia, do PT, que tenta reeleição. Em Porto Velho, um ex-petista, o deputado estadual Hermínio Coelho, pré-candidato, pode se reaproximar, caso haja mudança na direção do partido, envolvida em grande escândalo de corrupção que atingiu líderes de várias siglas na Assembleia. E, por fim, há Belo Horizonte, capital que vive o impasse do consórcio atípico em torno do prefeito Márcio Lacerda (PSB), que não sabe se contará, mais uma vez, com o apoio dos rivais nacionais PT e PSDB.

Folha do Noroeste – Folha Geral

Agora é

O Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB de Jales, lançou no sábado, 14 de janeiro, a pré-candidatura do vice-provedor da Santa Casa de Jales, José Devanir Rodrigues, o Garça, a prefeito do município.

Presente

O lançamento foi feito durante uma reunião que contou com a presença de Jarbas Elias Zuri, membro do Diretório Regional do PMDB.

Buscar reforço

O presidente do Diretório Municipal, João Missoni Filho, disse que com o lançamento da pré-candidatura de Garça, o PMDB vai dar inicio às conversações junto aos demais partidos em busca de coligações.

De olho no PTB

Segundo uma fonte, o PMDB considera o PTB como um dos partidos mais fortes e decisivos para a eleição municipal, e nesse sentido, é intenção dos peemedebistas conversar com a presidenta Nice Mistilides para uma possível coligação. Uma união com PMDB é defendida pelo ex-prefeito Hilário Pupim, influente no PTB.

Oficialmente dois

Com o lançamento da pré-candidatura de Garça a prefeito, oficialmente são dois pré que vão às convenções partidárias. Recentemente o Diretório Municipal do PT, em reunião com a presença do deputado estadual Zico Prado, lançou a pré-candidatura do vereador Luis Especiato.

Esfriou

Antes do lançamento do nome de Garça como pré-candidato, o PT vivia a expectativa de uma possível coligação com o PMDB para o pleito de outubro, baseada no ex-triunvirado que fazia parte da administração.

Outros pré-candidatos

O ex-vereador Flá Prandi deve anunciar oficialmente em breve a sua pré-candidatura. O vice-prefeito Clóvis Viola (PPS), se mantém reticente quanto à sua pré-candidatura. Quem também se diz pré-candidato é o vereador e atual presidente da Câmara Municipal Luiz Henrique Vioto (Macetão), do PSD. Mas poucos estão acreditando. A expectativa maior está no a guardo do lançamento do nome da petebista Nice Mistilides como pré-candidata, ou se optará como querem alguns de seus correligionários, coligar-se com outro pré-candidato.

Candidato próprio

O deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB), de Votuporanga, esteve reunido com a cúpula de Jales, e lembrou–a, que se lançar candidato a prefeito o partido a nível estadual dará total apoio. Fala-se no nome do delegado aposentado e ex-vereador Jorge Pegolo como pré-candidato tucano, apesar da decisão ser dos convencionais.

Continua

A polêmica sobre a exoneração dos ocupantes em cargo de comissão na Câmara Municipal de Jales teve mais bate boca esta semana, com o vereador Especiato ainda ameaçando renunciar ao seu cargo de 1° secretário na Mesa Diretora, e o presidente da Casa , vereador Macetão se defendendo dizendo que é um direito que lhe assiste no caso das exonerações.

Nota

Por e-mail, o vereador Macetão fez chegar à mídia, uma justificativa sobre o episódio que ainda vai dar muito pano pra manga. Ele começa na nota dizendo que “venho esclarecer que a Casa não encontra-se em crise, como noticiaram alguns dos veículos de comunicação”.

No singular

Diz ele, usando o singular que “as substituições foram feitas com o único objetivo de imprimir meu ritmo de trabalho ao lado de pessoas de minha inteira confiança, além de reduzir custos com a folha de pagamento. Isso que fiz é uma prerrogativa que cabe ao presidente da Câmara e, sempre que há uma troca na presidência, os funcionários em comissão são obrigados a colocar seus cargos à disposição. Como o próprio nome diz, são cargos de confiança e, portanto, achei por bem efetuar mudanças. Fui eleito pelo povo com uma proposta de renovação e o que estou fazendo não é nada mais que isso”.

CF

Diz ele ainda na nota que “baseei-me no Artigo 37 da Constituição Brasileira no que se refere à moralidade, impessoalidade, legalidade, eficiência e publicidade para efetuar as contratações e não vejo motivo para tanta perseguição e polêmica. Necessitamos agora é debater a solução dos problemas que atingem a comunidade jalesense, já que esse é o verdadeiro papel do Legislativo e dos vereadores”.

Só falam

Falam, falam e falam. Mas no final das contas tudo vai ficar como está. Macetão exonerou e pronto. Vai acabar sendo aplaudido por quem o criticou agora. A não ser que leve uma rasteira.

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A cracolândia e o proto-fascismo de Alckmin e Kassab


Governantes implementam uma política reacionária e higienista – que penaliza negros e pobres, reprime movimentos sociais e restringe liberdades democráticas. A dupla governa com apoio da grande mídia – apoiada nas elites e na tradicional classe média branca paulistana.

Por Julian Rodrigues
Sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Caso estivéssemos em outra conjuntura, o autoritarismo e a violência exibidas na “operação cracolândia” seriam apenas mais uma manifestação da convencional hipocrisia que marca a abordagem dos governos sobre a questão das drogas.

Mas a mega operação do governo estadual e da prefeitura de São Paulo, além de ser pirotecnia pura, é bárbara, cruel, inócua – parte de planejada ascensão autoritária promovida pelo prefeito e pelo governador.

Trata-se de um retorno à ideologia corrente no início do século passado, em plena república velha, quando a questão social era tratada como um caso de polícia. Kassab e Alckmin implementam uma política reacionária e higienista – que penaliza negros e pobres, reprime movimentos sociais e restringe liberdades democráticas. A dupla governa com apoio da grande mídia – apoiada nas elites e na tradicional classe média branca paulista-na.

Kassab, enquanto se distrai construindo seu novo partido, o PSD, coloca a maioria das subprefeituras da capital na mão de oficiais militares. Seu governo persegue camelôs, desaloja violentamente sem-teto, faz do higienismo diretriz oficial.

Alckmin, em um ano de governo, já mostrou ao que veio com suas “aulas de democracia”. A PM do governador do PSDB tem como uma de suas tarefas reprimir o movimento estudantil. E está ocupada vigiando estudantes da USP, tentando impedir que fumem um singelo baseado no campus.

É a mesma polícia autoritária de sempre que ignora o direito constitucional à liberdade de manifestação, descendo o porrete em ativistas que defendem uma nova política de drogas em passeatas na Paulista.

Enquanto isso, o grande crime organizado segue atuando tranqüilo, a violência aumenta. Ou homofóbicos atacam livremente gays na região central.

Dor e sofrimento 

Porém, é necessário registrar. Essa espetacular ação da PM de Alckmin e da prefeitura de Kassab na cracolândia inaugura um novo momento. Colocar milicos para jogar gás lacrimogênio e atirar balas de borracha em dependentes químicos, moradores de rua é ação típica de ditaduras. Remete-nos imediatamente aos anos de chumbo, à ditadura militar, quando o biônico governador Maluf e seu delegado Richetti regozijavam-se a prender e torturar negros, pobres, putas e viados nas ruas do centro paulistano.

Não há racionalidade ou objetividade nessa atuação violenta. Os direitos humanos e as liberdades civis de centenas de pessoas estão sendo violados flagrantemente. O problema não se limita aos evidentes equívocos conceituais ou à óbvia ineficácia dessa operação – que manipula o discurso do combate ao tráfico para fazer uma “limpeza” urbana.

É repulsivo esse oportunismo eleitoreiro. Anos de inação governamental não serão compensados com amadoras jogadas de marketing. O pior é certa apologia governamental da ignorância e da brutalidade. Um desprezo absoluto pelos direitos humanos. Para não mencionar o cinismo explícito. Afinal, não há locais, leitos ou estrutura mínima para acolher os dependentes que eventualmente decidam procurar ajuda.

Um secretário de Alckmin chegou a dizer que o objetivo da ação policial, além de dispersá-los, seria impedir o acesso dos dependentes à droga para que entrem em abstinência, sintam dor, sofram e procurem tratamento. Sem comentários.

Enfrentar o debate ideológico 

Certamente a firme reação dos setores democráticos vai cessar essa ação proto-fascista na cracolândia. Mas será uma vitória pontual.

É hora de inserir o debate de uma nova política pública sobre drogas na agenda do petista. Sem pânico moral, sem hipocrisia, com realismo, respeito aos direitos humanos e racionalidade.

Toda pessoa tem o direito de alterar seu próprio estado de consciência, desde que não cause danos a terceiros – é uma liberdade individual, democrática. Dependência química, entretanto, é questão de saúde pública. E de política social.

Inexiste argumento- científico, jurídico ou filosófico – que justifique, por exemplo, a proscrição da maconha e o livre acesso à cachaça. E se faz, simultaneamente, propaganda abundante da cerveja.

A produção, comercialização e o uso de todas as drogas devem ser regulados pelo Estado. A questão é importante demais para ficar na mão do mercado ilegal.

Somente uma nova legislação e outra política pública, que caminhe em direção à legalização das drogas, com rígido controle, podem acabar com o tráfico. Além de reduzir danos, prevenir o consumo e tratar os doentes. Enfrentemos esse debate.

A esquerda paulista e brasileira, o Partido dos Trabalhadores, os movimentos sociais e os setores democráticos estão chamados a combater a política atrasada e repressiva dos tucanos e da direita paulista.

Nossa resposta tem de vir das ruas e das urnas. Na capital, nosso desafio é transformar a campanha de Fernando Haddad à prefeitura em um grande movimento de massas, que repudie os oito anos de Serra-Kassab e projete uma nova cidade.

É hora da velha e boa disputa política, ideológica, cultural.Momento de nitidez programática.

Porque a velha direita volta com força total. E a esquerda é cada vez mais necessária. Civilização ou barbárie?

*Julian Rodrigues, ativista pelos direitos humanos, é militante do PT-SP e coordenador nacional do setorial LGBT do PT

Kassab propõe aliança com o PT em SP

 

Prefeito ofereceu a Lula nome do PSD para ser vice na chapa de Fernando Haddad (PT) à sucessão paulistana

Gesto representa uma guinada na articulação feita até pouco tempo, quando PSD e tucanos discutiam acordo

NATUZA NERY
CATIA SEABRA
DE BRASÍLIA

Gilberto Kassab ofereceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva um nome de seu partido, o PSD, para ser vice do petista Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em outubro.

A conversa ocorreu na semana passada, quando o prefeito paulistano visitou Lula no hospital Sírio-Libanês, onde ele passa por tratamento de radioterapia contra um câncer na laringe.

Na ocasião, segundo a Folha apurou, Kassab teria autorizado o petista a escolher o nome que quisesse dentro da legenda.

O novo gesto do prefeito tem potencial explosivo dentro do PT, que é um dos principais críticos da administração municipal.

Internamente, diz-se que Lula conseguiu emplacar seu candidato ao partido, mas racharia a sigla se insistisse em impor um afilhado do atual prefeito para a vaga de vice.

A oferta de Kassab também representa uma guinada na articulação que ele promovia até pouco tempo, a de tentar unir a sua legenda ao PSDB em uma candidatura única à sua sucessão.

Em outubro, ele propôs ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) que os tucanos indicassem um nome para compor chapa encabeçada pelo vice-governador Afif Domingos (PSD).

Em troca, o prefeito selaria o compromisso de apoiar a reeleição de Alckmin em 2014. O entendimento, porém, não avançou.

JUNTOS

Embora Kassab e Lula não tenham comentado nomes no encontro da semana passada, há pelo menos uma pessoa no PSD com perfil híbrido: Henrique Meirelles, titular do Banco Central nos oito anos de Lula.

Procurado, Gilberto Kassab confirmou que a sucessão municipal fora alvo da conversa, mas negou ter discutido formalmente uma possível aliança. Na definição do prefeito, houve apenas uma abordagem superficial.

“Foi [algo como] `vamos estar juntos’. Não era o momento apropriado”, disse.

Ele não esclareceu se desistiu da difícil costura com o PSDB ou se está apenas testando possíveis alianças.

O prefeito encontra dificuldade em lançar um candidato competitivo, até porque o recém criado PSD tem direito a tempo minúsculo na propaganda eleitoral.

Em dezembro, pesquisa do Datafolha mostrou que Lula ampliou sua força em São Paulo e poderia influenciar o voto de quase metade do eleitorado municipal. O instituto também identificou que a gestão de Kassab atingiu o menor índice de aprovação do segundo mandato: 20%.

TSE concede registro e PSD poderá disputar eleições em 2012

Reuters
Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – O Tribunal Superior Eleitoral concedeu nesta terça-feira registro ao Partido Social Democrático, idealizado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o que permitirá à nova sigla disputar as eleições municipais do ano que vem.

A decisão foi tomada por 6 votos a 1 e coloca ponto final, ao menos no âmbito da Justiça Eleitoral, a um processo marcado por suspeitas –levantadas pelo DEM– sobre a legitimidade de assinaturas colhidas para o pedido de registro e contestações sobre o nome do novo partido, já que uma legenda homônima foi incorporada pelo PTB em 2002.

A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, considerou que o partido provou ter conseguido mais que as cerca de 491 mil assinaturas exigidas por lei, e foi acompanhada por todos os ministros, com exceção do ministro Marco Aurélio Mello.

O DEM é o partido que mais perdeu membros para o PSD, que também recebeu adesões de integrantes de PSDB, PPS, PMN entre outros.

O partido será presidido por Kassab, uma das principais lideranças do DEM até decidir fundar o PSD, e, embora o prefeito paulistano tenha afirmado que a sigla terá postura independente em relação ao Planalto, analistas ouvidos pela Reuters acreditam em alinhamento do PSD com o governo da presidente Dilma Rousseff.

A senadora Kátia Abreu (TO), os governadores Raimundo Colombo (SC) e Omar Aziz (AM), o deputado Paulo Bornhausen (SC) e vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, também fazem parte da nova legenda.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

PSD de Kassab enterra os demos

Por Altamiro Borges

Apesar das várias denúncias de irregularidades, o PSD do prefeito Gilberto Kassab caminha para conseguir seu registro definitivo na Justiça Eleitoral, o que garantirá a participação da nova legenda nos pleito municipal de 2011. Com isso, o tabuleiro político do país sofrerá fortes abalos. Um dos efeitos poderá ser o enterro definitivo dos demos – o que já preocupa o capeta no inferno!

Perda de salas e cargos em Brasília

O presidente da Câmara Federal, deputado Marco Maia, inclusive já avisou que o registro da sigla exigirá mudanças na Casa. Os demos perderão salas, cargos e comissões – ficarão mais mirradinhos. “O PSD deve subtrair 17 dos 44 deputados do DEM. Dessa forma, os democratas perderão o direito ao espaço privilegiado que têm hoje para as salas de sua liderança (ao lado da presidência da Câmara) e parte das vagas para os assessores”, informa Fernando Rodrigues, da Folha.

Segundo Marco Maia, será preciso “achar um espaço adequado para o PSD dentro da casa”, já que o novo partido “chega forte, provavelmente com mais de 50 deputados”. A mudança deve desesperar os demos, sempre tão fisiológicos. “A eventual redução da presença física do DEM dentro da Câmara será um dos sinais mais visíveis da desidratação do partido depois da criação do PSD. Legenda derivada da antiga Arena e do PFL, o Democrata passa por um momento de fragilidade”, conclui Fernando Rodrigues.

Desastre nacional

O baque não será sentido apenas em Brasília, no centro do poder político. Em vários estados, o DEM simplesmente desaparecerá – perdendo governadores, senadores, deputados federais e estaduais e vereadores. Em Santa Catarina, por exemplo, a tragédia é total. Na capital paulista, o PSD do prefeito engoliu a maior parte da bancada dos demos e ainda garfou alguns tucanos.

A nova sigla já surge como a segunda maior bancada da Câmara Municipal. Sete vereadores assinaram a “declaração de intenção de filiação”, documento que passará a ter valor legal quando o PSD for registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o partido de Kassab empata com o PSDB como a segunda maior bancada na Câmara Municipal, e só fica atrás da do PT, que possui 11 vereadores.

Mudança de nome e de perfil

Assinaram a ficha de adesão ao PSD os vereadores Marco Aurélio Cunha, Edir Salles, Ushitaro Kamia, Marta Costa e Domingos Dissei, todos dissidentes do DEM. Souza Santos e o presidente da Câmara, Police Neto, que deixaram o PSDB em abril e estavam sem partido, completaram as adesões. Com o registro definitivo, o prefeito pretende aumentar as deserções nestes partidos – seus antigos aliados.

A decadência do DEM explica a histeria de suas lideranças, com discursos hidrófobos contra o governo Dilma. O partido já estuda mudar novamente de nome – já foi Arena, PDS e PFL – e até fala em adotar um perfil mais conservador. Alguns dos seus expoentes não escondem a simpatia pela Tea Party, a seita de extrema-direita dos EUA. A dúvida é se o partido, expressão maior do fisiologismo e do patrimonialismo na política brasileira, resistirá à acelerada perda de espaços. O diabo que se prepare!

Cartas marcadas em licitação de R$ 433 milhões da PMSP e em SP “tá tudo grampeado”

 

 

 

LICITAÇÃO PARA ILUMINAR RUAS DE SÃO PAULO TRAZ MAIS LUZ PARA MOSTRAR A CORRUPÇÃO NA GESTÃO KASSAB
Estadão Online – 08/09/2011 – 16h39
EXCLUSIVO: ‘Estado’ tem acesso antecipado a vencedor de licitação no valor de R$ 433 milhões, realizada pela PMSP (Prefeitura Municipal de São Paulo), para iluminação das ruas da cidade

SÃO PAULO – O Estado teve acesso ao nome dos ganhadores da licitação para serviços técnicos de manutenção, ampliação e remodelação do serviço de iluminação pública na cidade de São Paulo antes da abertura da concorrência, que ocorreu hoje. O vencedor, como foi publicado em um vídeo na segunda-feira no estadão.com.br, é o consórcio formado pelas empresas Alusa Engenharia e FM Rodrigues. Neste momento, a comissão de licitação está conferindo os papéis do consórcio para habilitar a proposta.

O esquema para favorecer as empresas vencedoras e o nome dos ganhadores já haviam sido revelados ao Estado desde o começo deste ano.

O serviço de manutenção da rede vem sendo prestado por meio de contratos de emergência, renovado a cada seis meses, desde 2005. A Alusa Engenharia e a FM Rodrigues já integram o Consórcio SPLuz, responsável pelo serviço emergencial, formado por mais duas empresas (Start e Socrel)

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,exclusivo-estado-tem-acesso-antecipado-a-vencedor-de-licitacao-para-iluminacao-em-sp,770057,0.htm

 

Estadão Online – 05/09/2011 (Segunda-feira)

Vídeo: “Estado” antecipa resultado de licitação

O repórter Bruno Paes Manso antecipa o resultado da licitação para o sistema de iluminação pública da cidade de São Paulo, cujo resultado só sairá no dia 8 de setembro

http://tv.estadao.com.br/videos,ESTADO-ANTECIPA-RESULTADO-DE-LICITAO,146246,332,0.htm

 

ESPIONAGEM TUCANA  EM SÃO PAULO: “TÁ TUDO GRAMPEADO” – Frase do Kassab

Agência Estado – 08/09/2011

SP mantém contrato com empresa de ‘contrainformação’

O governo paulista mantém há três anos contrato com uma empresa que, segundo seu proprietário, trabalha com “contrainformação” e faz “varreduras” em escutas telefônicas na Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), empresa de economia mista – e sociedade anônima fechada – que gerencia toda a rede de dados do Executivo estadual.

A Fence Consultoria Empresarial Ltda. foi contratada em julho de 2008, durante a gestão do ex-governador José Serra (PSDB), e continua trabalhando para a administração do também tucano Geraldo Alckmin

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,sp-mantem-contrato-com-empresa-de-contrainformacao,769960,0.htm

 

iG – 17/06/2011

Kassab: “Tá tudo grampeado”

De acordo com testemunhas do primeiro destempero público do prefeito Gilberto Kassab, revelado por Poder Online e ocorrido no dia 23 de maio, nas Faculdades Metropolitanas Unidas, durante palestra sobre bullying, ele travou o seguinte diálogo com o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP):

– Eu vou quebrar o seu pescoço, o do [Geraldo] Alckmin, do Alexandre [Moraes] e o do Rodrigo [Garcia].

– O que é isso Kassab ? – teria dito Chalita, surpreso com a agressividade do prefeito.

– Tá tudo grampeado – respondeu Kassab.

– Grampeado o quê? Você está me ameaçando? – devolveu o deputado

No diálogo, se é que a definição seja esta, de quarta-feira, no gabinete do secretário de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia,  Kassab ameaçou:

– Eu sei seus podres.

E ouviu:

– Se eu tenho podres foram feitos ao seu lado.

Muita gente ouviu também. Chalita e Rodrigo Garcia preferiram não comentar os fatos. Alckmin também, de acordo com sua assessoria, calou-se.

http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2011/06/17/kassab-ta-tudo-grampeado/

 

Leia também:

  1. Desafeto de Kassab é o homem de Alckmin no DEM paulistano
  2. Ministro do STF testemunha bullying de Kassab contra Chalita
  3. Rodrigo Garcia dá prova de rompimento com Kassab (ou vice-versa)

 

 

Lembrando espionagem envolvendo governos do PSDB em SP:

 

iG – 02/08/2011

52 mil páginas registram espionagem da Polícia Civil de SP durante os governos Montoro, Quércia, Fleury e Covas/Alckmin

Até 1999, central de arapongagem espionou partidos, autoridades nacionais, políticos, movimentos sociais, igrejas e sindicatos

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/52+mil+paginas+registram+espionagem+da+policia+civil+de+sp/n1597098808527.html

 

iG – 02/08/2011

PT foi investigado até 99, mostram documentos da Polícia Civil – 02/08/2011

Departamento de Comunicação Social da polícia manteve dossiê sobre PT até 1999, quando órgão foi extinto

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/pt+foi+investigado+ate+99+mostram+documentos+da+policia+civil/n1597098846561.html

 

Para o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio de Janeiro, Wadih Damou, as atividades realizadas pelo Departamento de Comunicação Social da Polícia Civil do Estado de São Paulo são ilegais, violam a Constituição e devem ser investigadas no período de 1983 a 1999, durante as gestões dos governadores eleitos André Franco Montoro, Orestes Quércia, Fleury Filho e Mário Covas.
IstoÉ – 05/08/2011
A central tucana de dossiês
Mais de 50 mil documentos encontrados no Arquivo Público de São Paulo mostram como a polícia civil se infiltrou e investigou partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos em pleno governo de Mário Covas.
Agentes infiltrados em movimentos sociais, centenas de dossiês sobre partidos políticos, relatórios minuciosos com os discursos de oradores em eventos políticos e sindicais. Tudo executado por policiais, a mando de seus chefes. Estas atividades, típicas da truculenta ditadura militar brasileira, ocorreram no Estado de São Paulo em plena democracia, há pouco mais de dez anos. Cerca de 50 mil documentos, até então secretos e que agora estão disponíveis no Arquivo Público do Estado, mostram como os quatro governadores paulistas, eleitos pelas urnas entre 1983 e 1999, serviram-se de “espiões” pagos com o dinheiro dos contribuintes para monitorar opositores. Amparados e estimulados por seus superiores, funcionários do Departamento de Comunicação Social (DCS) da Polícia Civil realizavam a espionagem estatal. Até o tucano Mário Covas, um dos maiores opositores do regime militar e ele mesmo vítima de seus métodos autoritários, manteve a “arapongagem” durante todo o seu primeiro mandato e por um período de sua segunda gestão

 

Carta Maior – 08/08/2011
Espionagem em governos tucanos aponta relações obscuras com polícia e mídia – por Marco Aurélio Weissheimer
As revelações sobre episódios de espionagem política patrocinados por governos tucanos em São Paulo e no Rio Grande do Sul lançam um pouco de luz em uma zona sombria da relação entre poder político, aparato policial e mídia que não fica devendo nada ao escândalo Murdoch.
Em setembro de 2010, o governo Yeda Crusius (PSDB) foi alvo de novas denúncias envolvendo o uso do aparato de segurança do Estado para espionar jornalistas, adversários políticos e outras autoridades.
Amílcar Macedo, promotor que conduziu o caso, revelou mais tarde que o sargento também tinha a atribuição de executar serviços especiais de espionagem.
A lista de espionados era longa, incluindo políticos, filhos de políticos, jornalistas (entre os quais estou incluído), delegados, oficiais de polícia e das forças armadas, uma desembargadora, entre outros.
Há algumas semelhanças gritantes entre as denúncias que surgem agora envolvendo governos do PSDB em São Paulo e aquelas feitas ao governo de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Os dois casos envolvem o uso do aparato de segurança do Estado para espionar adversários políticos, contando com o silêncio e, possivelmente, a cumplicidade de setores da mídia. O desenrolar das investigações e dos processos em curso no Rio Grande do Sul talvez possam inspirar algum procedimento semelhante em São Paulo.
Saiba mais

 

iG – 13/03/2011

Alckmin tenta manter crise de espionagem longe da disputa do PSDB

Caso envolvendo secretário de Segurança Pública nasceu em meio à largada das negociações para a eleição de 2012

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/alckmin+tenta+manter+crise+de+espionagem+longe+da+disputa+do+psdb/n1238159958573.html

 

iG – 20/10/2010

PT quer apurar suposta ‘central de espionagem’ tucana

José Eduardo Dutra diz que quebra de sigilo é um bicho que tem ‘perna, pena e bico de tucano’

http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/pt+quer+apurar+suposta+central+de+espionagem+tucana/n1237807876139.html

PSD faz convenção nacional e elege Kassab como presidente

O PSD realizou na manhã deste sábado a convenção que escolheu seu diretório nacional. O prefeito Gilberto Kassab foi indicado presidente da legenda.

O evento aconteceu na sede do partido no edifício Joelma, em São Paulo.

PTB quer impugnar PSD em 14 municípios paulistas
Dilma receberá lideranças do PSD na próxima semana

Em seu Twitter, Kassab comemorou: “parabéns a todos que participaram desta jornada cívica”.

Segundo o prefeito, o partido já fez convenções estaduais em 20 Estados. Ele ainda diz ter as 500 mil assinaturas de apoio certificadas.

Juridicamente, a convenção nacional é a última etapa para o partido entrar com o registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O PSD, no entanto, deve enfrentar questionamentos na Justiça de outras legendas, principalmente do DEM e PTB.

Os dois partidos já entraram com uma representação contra o PSD porque o partido usou o mesmo texto em documentos para formalização de diretórios municipais em pelo menos três Estados.

Conforme revelou a Folha na semana passada, os textos descrevem com as mesmas palavras diferentes reuniões que teriam sido realizadas por militantes do novo partido.

O pedido, porém, foi negado pela ministra do TSE Nancy Andrighi por questões processuais.

Publicado originalmente no Folha.com – Poder

Pelo menos 20 partidos em formação tentam registro para participar das eleições municipais de 2012

Por: Danilo Macedo

Brasília – Pelo menos 20 novos partidos buscam registro na Justiça Eleitoral brasileira, segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em parceria com tribunais regionais Eleitorais (TREs). Para concorrer nas eleições municipais de 2012, a legislação exige que, pelo menos um ano antes, os partidos obtenham o registro nacional, período que se encerra em 70 dias, já que o primeiro turno será no dia 7 de outubro.

Quem pretende se candidatar a algum cargo político também precisa estar filiado a um partido nesse mesmo período. Segundo o TSE, para a criação de uma nova legenda, é preciso o apoio, comprovado por meio de assinaturas acompanhadas do número do título de eleitor, de pelo menos 0,5% dos eleitores que votaram para deputado federal na última eleição, desconsiderados os votos brancos e nulos.

Os eleitores que assinarem o documento de apoio devem ainda estar distribuídos por, no mínimo, nove estados e, em cada um deles, representar pelo menos 0,1% dos que votaram. Considerando as eleições de 2010 para a Câmara dos Deputados, cada novo partido precisa de aproximadamente 490 mil assinaturas no total, de acordo com o TSE.

O Partido Social Democrático (PSD), criado pelo atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi o que comunicou a busca de assinaturas em mais unidades da Federação, de acordo com levantamento realizado com informações repassadas por 18 TREs. Foram 15 no total: Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

O Partido da Pátria Livre (PPL) e o Partido Novo (PN) informaram o recolhimento de assinaturas em 12 estados. O Partido Ecológico Nacional (PEN) está buscando apoio em 11 unidades da federação. Os demais partidos em formação ainda não chegaram a comunicar o mínimo de nove estados com assinaturas.

Segundo o TSE, existem no Brasil atualmente 27 partidos devidamente registrados. Desses, três foram criados na última década: o Partido Republicano Brasileiro (PRB), o Partido Socialismo e Liberdade (P-SOL) e o Partido da República (PR).

Boa entrevista de Gilberto Carvalho ao G1. Reveladora, em trechos, dos erros de articulação política e comunicação.

Não há ‘nenhuma hipótese’ de Lula voltar em 2014, diz Gilberto Carvalho

Caso Palocci foi ‘golpe duro’ para a presidente Dilma, disse ministro ao G1.
Fiel a Lula, Carvalho é a principal ponte entre o antecessor e a atual chefe.

Andreia Sadi Do G1, em Brasília

O ministro Gilberto Carvalho em seu gabinete durante entrevista ao G1 (Foto: G1)O ministro Gilberto Carvalho em seu gabinete durante entrevista ao G1
(Foto: G1)

Com seis meses de governo, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou considerar “natural” que a presidente Dilma Rousseff seja candidata à reeleição em 2014. Em entrevista ao G1, ele disse que não há “nenhuma hipótese” de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar a Presidência em 2014.

“[Lula] não quer, em 2014, em hipótese nenhuma ele gostaria. E 2018 está muito longe. A oposição precisa levar em conta isso. Nosso time, além de bom plantel, tem bom banco. Não pense que colocamos todas as fichas na mesa. E Lula permanece figura que nos ajuda, apoia. Como candidatura, nenhuma hipótese de ele ser candidato em 2014. Ele não aceitaria de jeito nenhum”, afirmou Carvalho.

Fiel escudeiro de Lula, Carvalho é a principal ponte entre o antecessor e a atual chefe. Com experiência acumulada de quem trabalha há mais de oito anos no governo, ele testemunhou as principais crises que abalaram a administração Lula, como o mensalão, em 2005, e a queda dos ministros José Dirceu, da Casa Civil e da Fazenda, Antonio Palocci.

Gilberto Carvalho disse lamentar a “crise prematura” que derrubou Antonio Palocci da Casa Civil no começo deste mês. Ele admite que o caso foi um “golpe duro” para a presidente Dilma. “Essa crise do Palocci não dá para subestimar. Foi um golpe duro que aconteceu prematuramente, e o governo não estava preparado.”

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Politicamente analisando, Palocci não precisava ter feito o que fez, e nós não precisaríamos tê-lo perdido. Aí sim, acho que teve erro político, de comprar uma casa com tanta ostentação como aquela e assim por diante. Mas insisto: é julgamento relativo. No essencial, ele não cometeu erro legal nem ético enquanto esteve no governo.”

G1 – O sr. é visto como o principal elo entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma. Com essa visão privilegiada, qual balanço faz destes seis primeiros meses do governo?
Gilberto Carvalho
– Eu acho que, de um lado, dá para dizer que é nitidamente um governo de continuidade, no sentido de que o projeto geral, com lema de crescimento, com distribuição de renda, está mantido, no sentido geral de inversão das prioridades, no sentido de privilegiar os que mais precisam, está mantido. O governo é para todos, mas especialmente para os mais pobres – o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], Minha casa, Minha vida. Eu diria que, de uma maneira geral, eu faço uma avaliação muito positiva de que os nossos pontos mais sagrados, mais importantes, estão não só mantidos, como reenfatizados. O lançamento do programa Brasil sem miséria é apenas a consolidação disso que eu estou dizendo. (…) É inegável, também, que é um governo que sofreu uma crise prematura, não vamos esconder o sol com a peneira. Essa crise do Palocci não dá para subestimar, foi um golpe duro que aconteceu prematuramente, e o governo não estava preparado. Governo nenhum está preparado para crise alguma, mas, vamos convir, foi cedo demais. Uma figura chave, muito importante. Foram 23 dias de muito sofrimento dela e de todos nós aqui dentro.

G1 – O sr. estava no governo nas piores crises, como a própria queda de Palocci do Ministério da Fazenda, no governo Lula. Pode-se dizer foi um erro colocá-lo no governo Dilma?
Carvalho
– Não foi não, porque pelo papel que ele tinha desempenhado no governo Lula, pelo papel fundamental na campanha e a contribuição que ele deu nos últimos seis meses, acho que não foi equivocado não. Deve-se levar em conta que a razão pela qual Palocci caiu não foi por uma razão pós-posse dele, foi anterior. Confesso que tenho muita dificuldade para fazer avaliação moral desta história, acho que não me compete isso – tanto que saí em defesa do Palocci. Do ponto de vista legal, ele fez o que muita gente não faz neste país: ele emitiu nota, registrou os bens dele na Receita, compareceu à Comissão de Ética. Aí, a pergunta: ‘é muito dinheiro? É pouco dinheiro?’ Eu, como sou incompetente para ganhar dinheiro, não sei avaliar isso. Claro que eu sei que é estranho, vejo a reação dos meus amigos, dos familiares. Politicamente analisando, Palocci não precisava ter feito o que fez, e nós não precisaríamos tê-lo perdido. Aí sim, acho que teve erro político, de comprar uma casa com tanta ostentação como aquela e assim por diante. Mas insisto: é julgamento relativo. No essencial, ele não cometeu erro legal nem ético enquanto esteve no governo.

G1- A escolha das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) o pegou de surpresa?
Carvalho
– Difícil falar que pegou de surpresa porque acompanhei muito de perto a escolha. Fui chamado pela Dilma para emitir opinião.

G1 – Com as escolhas, Dilma deu qual recado? Ela enfrentou os partidos?
Carvalho
– Você sabe que a escolha ministerial já é uma tradição no país e com Lula era a mesma coisa. Quando ele escolheu a Dilma, ninguém também imaginava. Então, não acho que ela quis enfrentar ninguém. O único episódio que teve um pouco de conflito foi com a Ideli, que a bancada queria indicar alguém. Mas, aquela história: para ministro, não se faz campanha. É escolha pessoal.

 (Foto: G1) (Fotos: G1)

G1 – No começo do ano, o sr. disse que o PMDB teria a chance de ‘melhorar sua imagem’ no governo Dilma. Mas o PT tem dado tanto trabalho quanto o aliado, cobrando cargos do governo, fazendo pressões. Quem o sr. diria que dá mais dor de cabeça para o governo Dilma: o PT ou o PMDB?
Carvalho
– Eu acho que não pode ser visto desse jeito [risos]. Eu estou rindo da formulação interessante da pergunta e da minha dificuldade em responder [risos]. Eu acho que não dá para falar em dor de cabeça. Você tem aliados, PT, PMDB, PSB, que cresce cada vez mais. Tem o fenômeno novo que é o PSD, que se estiver perto do PSB vai ser força grande. Então, as pedras se movimentam, e os problemas que elas geram e as ajudas que elas dão também são proporcionais ao tamanho delas. Não dá para dizer que o PMDB dá mais trabalho que o PT, depende do momento e do tema.

Ele não quer voltar. Não vejo no Lula nenhuma manifestação dele de estar se preparando para voltar”

G1- Mas, e no momento?
Carvalho
– Digo para você assim: o PT deu trabalho, nesta dificuldade da bancada, mas houve momento anterior em que houve problemas com o PMDB, pelas pressões por cargos. Eu prefiro olhar – após oito anos nesta casa, você aprende a ficar calejado, não se apavora. É um jogo da política, de pressões e contrapressões. Cada partido, dependendo do momento, vai apresentar suas demandas.

G1 – Mas PT e PMDB se queixam o tempo todo de que não são atendidos por cargos e indicações.
Carvalho
– É natural da política, o governo está montado, praticamente. Falta muito pouca coisa para nomear. Os ministérios, o essencial está trabalhando, falta pouca coisa para nomear. Cada um olha do seu lado. A Ideli trouxe para a Dilma esses dias um texto de jornal de 2008, [em] que um ano depois Lula ainda precisava pedir calma para o PT e PMDB por causa da montagem do governo. As coisas vão ficando. A pressão é infinita. Precisamos relativizar as coisas. [É] natural que os partidos façam suas demandas.

G1- Dilma cede menos em relação aos partidos que Lula?
Carvalho
– Diria que sim, ela cede menos. Claro que ela pode fazer isso com a experiência que ela teve anteriormente, que Lula não teve. Outra coisa: a base que ela tem na Câmara, Senado, é mais confortável que [a que] Lula teve. Mas me agrada muito a clareza da Dilma, das posições dela. Eu fico muito triste de ver o nome dela vinculado a essa história de sigilo. Dilma é muito cuidadosa com a questão da transparência. Se tem alguém favorável à transparência é a Dilma.

G1 – E os sigilos dos documentos oficiais?
Carvalho
– [O senador Fernando] Collor fez um pedido a ela e isso foi vazado como se fosse uma posição dela.

 (Foto: G1) (Foto: G1)

G1 – Mas a notícia é a de que houve um recuo da posição da presidente. Até porque houve um desencontro de opiniões dos próprios componentes do governo, como a ministra Ideli e o líder do governo no Senado, Romero Jucá. Houve um recuo?
Carvalho
– É verdade. Mas não houve um recuo. Eu estava ao lado dela no almoço do PTB quando Collor falou que achava perigoso a emenda colocada [no projeto] por Walter Pinheiro [atual senador pelo PT-BA] que abre tudo, as questões internacionais. Ela comentou internamente que precisava olhar com cuidado isso, mas nem ela sabia direito os detalhes da emenda que a Câmara tinha feito. A partir disso, foi vazado – não com palavras dela – que Dilma ia apoiar a medida que Collor tinha proposto. Depois, quando ela foi examinar a questão, ela percebeu que não era correto isso, que não tinha sentido aquela posição, que o projeto da Câmara não era nenhum desastre. É apenas um exemplo de como a comunicação é importante. Senão, a gente apanha por versões que não correspondem aos fatos.

G1- Sobre o ex-presidente Lula, como o senhor avalia as intervenções dele em momentos de crise do governo Dilma?
Carvalho
– A relação Lula e Dilma vai merecer muitos estudos no futuro, é muito especial, eu tenho o privilégio de acompanhar as conversas entre os dois. É muito impressionante a sintonia, mas também o cuidado que ele tem para não fazer uma interferência inadequada. Acho natural que as pessoas interpretem os fatos como elas veem. Aquela bendita vinda dele aqui com a bancada do PT no Senado, depois com pessoal na casa do Sarney, aquilo foi interpretado como ‘Dilma em crise e pediu socorro ao Lula.’

A pressão é infinita. Precisamos relativizar as coisas. [É] natural que os partidos façam suas demandas”

G1 – E não foi?
Carvalho
– Não teve nada disso. Ele tinha combinado um encontro com senadores, foi convidado pelo Sarney. Eu concordo que o resultado não foi bom. O sinal externo não foi bom, pareceu que Lula chegou a Brasilia para salvar a Dilma. Mas, na prática, não houve nada disso. Como a cada 15 dias eles se encontram, era mais um desses encontros. O que quero dizer é: a Dilma não depende do Lula para tomar atitudes. Tanto que Gleisi e Ideli não foram sugestões dele. Ela não pediu licença dele. Dilma o consultou respeitosamente. Não tem essa de que ele é uma sombra dela. Ele é um apoio efetivo. Não há hipótese de ruptura entre os dois – pelo menos no horizonte que eu enxergo.

G1- O senhor ainda acha que Lula está na reserva para a eleição de 2014 ou Dilma é a candidata natural à reeleição do PT?
Carvalho
– As duas coisas. Eu acho que ela é candidata. Mas não posso responder sem consultá-la. Não sei se ela está cansada com seis meses do governo. Mas eu acho que é natural que ela seja candidata. Agora, Lula é reserva para nós, claro que é. Tem 2018. Quando digo que ele está no banco, é no sentido de que ele está ajudando, não necessariamente que será candidato no lugar da Dilma. Ele não quer voltar. Não vejo no Lula nenhuma manifestação dele de estar se preparando para voltar.

G1 – Lula não quer voltar?
Carvalho
– Não quer, em 2014, em hipótese nenhuma ele gostaria. E 2018 está muito longe. A oposição precisa levar em conta isso. Nosso time, além de bom plantel, tem bom banco. Não pense que colocamos todas as fichas na mesa. E Lula permanece figura que nos ajuda, apoia. Como candidatura, nenhuma hipótese de ele ser candidato em 2014. Ele não aceitaria de jeito nenhum.

PT se aproxima de Kassab e decide manter possibilidade de aliança em SP

Autor(es): Alberto Bombig
O Estado de S. Paulo – 20/06/2011
 
Direção paulista do partido barra resolução que proibiria coligações entre petistas e candidatos do PSD no Estado; gesto ocorre no momento em que o prefeito está sob ataque da oposição a Dilma e negocia integrar a base governista no Congresso
Sob ataque do DEM em todo o País, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ganhou no fim de semana um forte aliado em sua intenção de criar seu novo partido, o PSD. Reunido em Sumaré (SP), o PT paulista decidiu manter abertas as portas para que a nova sigla integre a base de apoio da presidente Dilma Rousseff no Congresso e, pelo menos por enquanto, possa até fazer coligações com candidatos petistas nas eleições do ano que vem.
A decisão foi interpretada como um sinal para os demais diretórios do País de que o partido de Kassab não deverá ser tratado como um adversário natural do PT, mas sim como uma sigla a ser usada na sustentação do governo e na luta contra a oposição, especialmente em São Paulo, Estado governado pelo PSDB desde 1995 e hoje a principal obsessão do Planalto e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante o Encontro das Macrorregiões do PT-SP, a direção paulista conseguiu vetar uma resolução que proibiria alianças eleitorais com o partido de Kassab, caso a sigla seja viabilizada.
Seria mais uma medida para asfixiar o PSD no seu nascedouro (São Paulo), pois a nova sigla já é alvo de ações na Justiça capitaneadas pelo DEM, o antigo partido do prefeito.
A proposta de proibir coligações do PT com o PSD partiu de um grupo de petistas da capital do Estado, oposição ao prefeito Kassab. Mas a direção estadual atuou fortemente para evitar que ela fosse aprovada e conseguiu ao menos rachar o partido. O resultado da consulta foi de 236 votos favoráveis à proibição e 236 contrários. Na prática, isso significa que não existe hoje um veto formal ao PSD dentro do comando petista.
A decisão agora deverá ser tomada em um seminário a ser organizado pelo PT somente para analisar a questão. No encontro, que contou com a participação de Lula, os petistas aprovaram o veto formal às coligações com o PSDB, o DEM e o PPS em todo o Estado. Por sugestão de vereadores de São Paulo, o PSD foi incluído na consulta, mas a direção conseguiu barrar a restrição formal ao partido que ainda está na fase de coletas de assinaturas para ser viabilizado a tempo de concorrer nas eleições de 2012.
“Em termos de cenário nacional, seria ruim para o PT paulista mandar um recado negativo ao novo partido do prefeito Kassab. Todos os sinais hoje são para que ele integre a base de apoio ao governo federal no Congresso. Seria, antes de mais nada, prematuro um veto ao PSD neste momento”, disse o deputado estadual Edinho Silva, presidente do PT do Estado de São Paulo.
Edinho defendeu pessoalmente a proibição ao veto e colocou todo o peso da direção estadual para evitar que os paulistanos obtivessem êxito. O diretório da capital já declarou ser contra a aproximação com Kassab. “O PT da capital não aceita qualquer possibilidade de união com o prefeito. Discordamos das políticas públicas implementadas pela gestão dele e vamos permanecer na oposição”, diz o vereador Antônio Donato, presidente dos petistas paulistanos.
“A questão da capital não pode balizar o PT em todo o Estado , diz Edinho. Em Ribeirão Preto, importante cidade do interior, por exemplo, a prefeita Dárcy Vera tem a intenção de concorrer à reeleição pelo PSD com o apoio decisivo dos petistas.
Na capital do Estado, o sonho de parte dos petistas seria ter o apoio de Kassab no caso de um eventual segundo turno entre um candidato do PT e um do PSDB. Em conversas reservadas, o prefeito acena com essa hipótese para seduzir os petistas da direção estadual.
CPI do PSD. Donato também é autor de um requerimento que propõe a criação de uma CPI na Câmara Municipal para investigar o suposto uso da máquina pública da gestão Kassab na coleta de assinaturas para a criação do partido. Para isso, são necessárias 28 adesões de parlamentares.
No fim de semana, porém, o governador Geraldo Alckmin declarou não ser favorável à instalação da CPI, o que deve inviabilizar o apoio dos sete vereadores do PSDB à proposta de Donato. Além disso, dentro da própria bancada do PT, Kassab possui a simpatia dos grupos ligados ao vereador Arselino Tatto e ao deputado estadual João Antônio.
Marcelo Fernandes.Cps.

Bornhausen abandona DEM e vida política

Um dos fundadores e presidente de honra do Democratas, Jorge Bornhausen (SC), confirmou os boatos que abandonaria o partido, nesta sexta-feira (6). Ao anunciar sua saída do DEM, o ex-governador de Santa Catarina (1979-982) fez questão de frisar que não irá para o PSD, legenda recém-criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Por enquanto, segundo Bornhausen, ele ficará sem partido. “Vou me desfiliar, mas não tenho razão para continuar participando de nenhuma atividade partidária”, garantiu, durante palestra do vice presidente Michel Temer (PMDB) sobre Reforma Política, organizada pela Associação Comercial de São Paulo, em um hotel da capital paulista. Kassab estava presente, ouviu a declaração de Bornhausen, mas preferiu não comentá-la.

Ex-ministro da Educação (86-87) do Governo Sarney, embaixador de FHC em Portugal e senador por dois mandatos, Bornhausen está com 73 anos e muitos acreditam que irá se aposentar.

Mesmo assim, o líder do DEM na Câmara, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), não poupou críticas ao presidente de honra da legenda. “Ele não criou condições efetivas para o partido ganhar musculatura”, salientou ACM Neto.

A raiva de ACM Neto também pode ser explicada pelas mais recentes articulações políticas de Bornhausen junto à Aécio Neves (PSDB-MG). O cacique do DEM teria se reunido com Aécio e o aconselhado a se aproximar de Kassab, caso ele quisesse se candidatar à Presidência em 2014.

ACM Neto desmente que haja essa aproximação do DEM-PSDB com o PSD. “Eu e Agripino Maia também iríamos a esta reunião, chegamos a ir, mas não conseguimos pousar. Aécio falou comigo três vezes e não falou nada de apoiar o PSD”, contou o deputado.

Fonte: Brasília Confidencial

Falta de consenso impede eleição completa no PSDB-SP

O PSDB paulista  elegeu o deputado Pedro Tobias como novo presidente da executiva estadual, em convenção realizada na Assembleia Legislativa, no último sábado (7). Contudo, o primeiro ato de Tobias foi adiar para a próxima quinta-feira (12), às 19 horas,a eleição dos outros 17 membros do comando partidário, devido a um “racha” na legenda.

A  idéia  inicial  dos  tucanos  era  eleger  uma  chapa única. Porém, a briga começou logo no primeiro cargo a ser definido, o de secretário-geral. Cesar Gontijo, que ocupa o posto, avisou que não sairá. A bancada de deputados federais  indicou, sem sucesso, Vaz de Lima, aliado de Serra.

“Existe uma crise no PSDB, por que negar? O problema não é divisão no partido, mas honrar os votos que recebemos. O maior risco que as oposições correm é perder tempo com disputas fantasmas”, disse Serra, na primeira vez que comentou a crise partidária.

Alckmin apressou-se para desmentir Serra. “Não há crise no PSDB, o que existe é o PSDB resistindo. Eu sinto é ânimo do PSDB!”, desconversou o governador. Não havia coerência nos discursos das  lideranças  do  PSDB-SP.  O  senador  Aloysio  Nunes Ferreira chegou a defender que o PSDB  se alie ao PSD, recém-lançado por Kassab, nas eleições para a prefeitura de 2012. Ao mesmo tempo, Serra convocava:  “Cadê  o  PSDB,  como  um  todo,  defendendo suas ideias?”.

A convenção ocorreu em meio a uma revoada de seis vereadores da capital paulista, após divergências na escolha do presidente do diretório municipal tucano.

Fonte: Brasília Confidencial

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