Café com o Presidente: investimentos na indústria naval e Dia da Consciência Negra

Café com o presidenteO programa de incentivo à indústria naval brasileira permitirá a construção de 49 embarcações em estaleiros no país. Destes navios, 46 já foram contratados e os investimentos chegam ao montante de R$ 5 bilhões. O assunto foi abordado pelo presidente Lula, nesta segunda-feira (22/11), no programa semanal de rádio “Café com o Presidente“. Lula participou, na sexta-feira (19/11), da cerimônia de lançamento ao mar do navio Sergio Buarque de Holanda, contratado pela Petrobras.

“O dado concreto é que a inauguração de navios e os contratos que nós temos não param apenas nos 49 navios contratados pelo Promef. De acordo com os dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval, atualmente já são 82 navios em construção, e cerca de 150 novas embarcações em planejamento no Brasil. Só para você ter ideia, Luciano, o Fundo da Marinha Mercante prevê a contratação de R$ 30 bilhões até 2014. Olha, tudo isso demonstra claramente que o Brasil está levando a sério a indústria naval, a construção de navios, não apenas para atender a demanda da Petrobras no que diz respeito a navios, no que diz respeito a plataformas, no que diz respeito a sondas de perfurações em grandes profundidades, mas também por conta de termos navios de transporte e diminuir o déficit que nós temos hoje na conta de fretes, que é muito grande”.

E prosseguiu: “Então, nós precisamos ter navios próprios nacionais transportando a nossa carga, aquilo que nós produzimos, e também trazendo aquilo que nós compramos. Eu acho que o Brasil, definitivamente, Luciano, assumiu a responsabilidade de recuperar a indústria naval. Nós, que já fomos a segunda indústria naval do mundo nos anos 70, praticamente acabamos e, agora, nós estamos reconstruindo a indústria naval, já estamos com mais de 50 mil trabalhadores na categoria, e eu tenho certeza de que é um processo em expansão que não tem retorno.”

Ouça abaixo a íntegra do programa Café com o Presidente.

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De acordo com o presidente, o incremento do setor permite a geração de postos de trabalho, bem como o desenvolvimento tecnológico. Lula lembrou que durante décadas, a indústria naval deixou de produzir no país, ocasionando fechamento de empresas e demissões de operários. Agora, a situação se inverte.

“Gera muito dinheiro, gera emprego e gera, eu diria, conhecimento tecnológico. Ou seja, na medida em que o Brasil não produzia mais aqui, nós não tínhamos nem engenheiro mais para a indústria naval. Agora, nós estamos nas nossas universidades, nas nossas escolas técnicas, preparando gente para trabalhar na indústria naval. Só pra você ter ideia, em Pernambuco, mulheres que eram cortadoras de cana, foram preparadas para trabalhar na indústria naval. Pessoas que estavam no Japão porque não tinha emprego no Brasil pouco tempo atrás, estão de volta trabalhando no Brasil, prestando serviços ao povo brasileiro e cuidando da sua família. Então é isso: mais estaleiros, mais navios, mais empregos, mais distribuição de renda, mais conhecimento tecnológico, ou seja, mais soberania nacional. Tudo isso é sagrado”.

Lula também abordou a questão das desigualdades sociais. O apresentador Luciano Seixas indagou sobre este assunto levando em conta que no último sábado (20/11) foi celebrado o Dia da Consciência negra. O presidente avaliou que “nós ainda estamos longe de diminuir as desigualdades, porque a Constituição Brasileira, ela prevê – e a Constituição é de [19]88 – que não haja discriminação racial no Brasil. Mas nós sabemos que há, porque não é uma questão de lei, é uma questão da cabeça de cada brasileiro e de cada brasileira”.

“Nós estamos superando, ou seja, nós temos trabalhado muito nesses últimos oito anos, mas muito mesmo. Aliás, esse trabalho já vinha sendo feito antes de eu chegar à Presidência da República. Nós aperfeiçoamos, criamos o Ministério da Igualdade Racial; o ProUni, hoje, tem 40% de estudantes negros, meninos e meninas da periferia, e acho que nós estamos avançando; os quilombolas estão sendo reconhecidos, os quilombos estão sendo legalizados. E a gente está criando condições de não haver, definitivamente, mais discriminação no Brasil, e todo mundo viver as mesmas oportunidades, viver a igualdade que todos nós sonhamos. Eu estou convencido de que nós fizemos muito, mas estou convencido, também, de que ainda falta muito a ser feito. Falta muito a ser feito, e o muito que precisa ser feito vai ser necessário que haja uma evolução na consciência política de cada homem e de cada mulher, além do aperfeiçoamento da legislação e da punição rigorosa para quem cometer qualquer crime de discriminação”.

Fonte: http://blog.planalto.gov.br/cafe-com-o-presidente-investimentos-na-industria-naval-e-dia-da-consciencia-negra/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=Dilma+Presidente

Lula lança, Sergio Buarque de Holanda, último navio ao mar e agradece à “peãozada”

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alfinetou os ex-presidentes brasileiros em seu discurso na cerimônia de lançamento ao mar do navio Sérgio Buarque de Holanda, em Niterói, nesta sexta-feira (19). “Tem muita gente que passou pela Presidência que fica se perguntando: como é que um peão conseguiu fazer mais do que eu? Como é que um peão conseguiu fazer muito mais?”, indagou o presidente.
O início do pronunciamento de Lula foi marcado por um tom nostálgico. “É a minha última visita a um estaleiro enquanto estiver na Presidência, até o dia 31 de dezembro. É minha última visita, meu último navio a ser colocado no mar”, disse. Ao fazer um balanço do governo, Lula declarou: “deixo a Presidência da República com a consciência tranquila de que eu não fiz tudo que precisava ser feito mas, certamente, eu fiz mais do que muita gente imaginava que eu ia fazer”. Em seguida, o presidente ressaltou o apoio dos trabalhadores brasileiros durante todo o mandato. “Sei que nos momentos difíceis que eu passei na Presidência da República, foi a peãozada deste país que teve coragem de gritar: “se mexer com o Lula, mexeu comigo”.
O presidente falou sobre a escolha do nome dos navios e lembrou que Sérgio Buarque de Holanda é um dos fundadores do PT: “Para minha alegria, ele é fundador do meu partido. Assinou a ata de fundação no Colégio Sion, lá em São Paulo, em 1980”. E lembrou outro homenageado da mesma forma. “Demos o nome de outro navio para Celso Furtado, pai de todos os economistas deste País”.
 

Prêmio Indira Gandhi para a Paz – Lula foi escolhido para receber o Prêmio Indira Gandhi para a Paz, o Desarmamento e o Desenvolvimento para 2010, concedido pelo governo da Índia. Seu nome foi indicado por um júri internacional presidido pelo primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

A decisão foi anunciada em comunicado oficial do governo indiano, no qual Lula é elogiado pela “excepcional” contribuição aos programas que se destinam a acabar com a fome e promover o desenvolvimento do Brasil. O prêmio inclui um valor em dinheiro e a publicação das iniciativas do agraciado. Por meio de sua assessoria, o presidente informou que se dispõe a ir à Índia depois de deixar o cargo no dia 1º de janeiro quando transmitirá o poder à presidenta eleita, Dilma Rousseff. Já conquistaram a premiação, desde 1986, entre outros, o ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan e o ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev.

Fonte: Brasília Confidencial
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