Planalto anuncia troca de Ana de Hollanda por Marta Suplicy na Cultura

Demissão ocorreu após encontro entre ministra e presidente Dilma Rousseff.

Posse da senadora Marta Suplicy (PT-SP) está marcada para quinta.

Priscilla Mendes Do G1, em Brasília

O Palácio do Planalto anunciou na tarde desta terça (11) que a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, deixou o cargo e será substituída pela senadora Marta Suplicy (PT-SP). A informação foi dada pela ministra da Comunicação Social, Helena Chagas.

A demissão de Ana de Hollanda foi consumada após uma audiência da ministra com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. A posse de Marta Suplicy está marcada para a próxima quinta (13), às 11h.

A ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda (esq.) e a substituta Marta Suplicy (Foto: Agência Brasil)A ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda (esq.) e a substituta Marta Suplicy (Fotos: Agência Brasil)

De acordo com a ministra Helena Chagas, Dilma conversou com Marta por telefone nesta terça, na hora do almoço, para “sacramentar” o convite.

Segundo informou o blog de Cristiana Lôbo, o vazamento de uma carta enviada em 27 de agosto por Ana de Hollanda para a ministra Miriam Belchior (Planejamento), reivindicando verbas para a Cultura, incomodou o governo e em especial a presidente, o que teria motivado a demissão.

A senadora Marta Suplicy reuniu-se pelo menos duas vezes com Dilma Rousseff no final do mês passado.

No dia 22 de agosto, ela esteve às 17h no Palácio do Planalto, segundo agenda oficial da presidente. Já em 30 de agosto, Marta passou a tarde com Dilma no Palácio da Alvorada, encontro que não constou da agenda presidencial.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência a respeito da troca das ministras.

Nota à imprensa

A presidenta da República, Dilma Rousseff, convidou a senadora Marta Suplicy para ocupar o Ministério da Cultura. Ela substituirá a artista e compositora Ana de Hollanda, a quem a presidenta agradeceu hoje o empenho e os relevantes serviços prestados ao país à frente da pasta desde janeiro de 2011.

Dilma Rousseff manifestou confiança de que Marta Suplicy, que vinha dando importante colaboração ao governo no Senado, dará prosseguimento às políticas públicas e aos projetos que estão transformando a área da Cultura nos últimos anos.

A posse será realizada na próxima quinta-feira 11h.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Após adesão de Marta, Haddad anuncia Dilma na campanha

Após adesão de Marta, Haddad anuncia Dilma na campanhaFoto: Edição/247

DEPOIS DE RECEBER O APOIO DA SENADORA E EX-PREFEITA E SUBIR SEIS PONTOS NA PESQUISA DATAFOLHA DE INTENÇÃO DE VOTO, PETISTA GANHARÁ MAIS UM REFORÇO: DILMA VAI ENTRAR NA CAMPANHA EM SETEMBRO, MAS NÃO DEVE PARTICIPAR DE ATOS PÚBLICOS; “ELA TEM O BRASIL PARA GOVERNAR”, JUSTIFICOU O CANDIDATO

 

SP247 – Depois da senadora Marta Suplicy (PT-SP), Fernando Haddad (PT) terá mais um reforço em sua campanha para a Prefeitura de São Paulo. O petista disse nesta quinta-feira que a presidente Dilma Rousseff irá entrar em sua campanha em setembro, apesar de não garantir a participação da presidente em atos públicos. “Ela tem o Brasil para governar”, disse Haddad em entrevista à TV Estadão.

Sobre Marta Suplicy, que se uniu à campanha nesta semana, Haddad disse que ela é “lembrada com carinho na periferia” e que vai “gastar sola de sapato com ele se for preciso”.

O petista celebrou seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto e garantiu que estará no segundo turno. Sobre as críticas que recebeu de seus adversários em relação ao Bilhete Único Mensal, ele disse que elas aconteceram porque “é uma boa proposta”. “Por que funciona em Paris e não pode funcionar aqui?”, questionou.

Haddad prometeu também extinguir a taxa de inspeção veicular da Controlar. “É ridícula em vários aspectos”, criticou o candidato, dizendo que a prefeitura enganou a população. “Disseram que a taxa seria devolvida e não foi”.

O petista ainda fez questão de destacar que a sugestão de seu nome para a prefeitura de São Paulo veio de Lula. “Ele me chamou, disse que o Brasil e o PT precisavam de uma renovação política”.

Os desafios da esquerda na gestão municipal, segundo Pochmann

 

O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, e o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, vão concorrer às prefeituras de Campinas e São Paulo, respectivamente, por interferência direta do ex-presidente, e dentro de um projeto de mudança no perfil de um partido que, para Lula, esgotou o ciclo que vai de sua criação até a ascensão social de grandes massas da população não organizadas. A reportagem é de Maria Inês Nassif.

Maria Inês Nassif

São Paulo – A intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições dos dois mais importantes municípios paulistas – São Paulo, capital e Campinas – tem um objetivo que transcende o pleito de outubro. Lula colocou em andamento uma estratégia que consiste em oxigenar o PT via seu núcleo paulista, estruturado a partir dos movimentos sindicais dos anos 80, e trazê-lo para uma realidade de democracia consolidada no país, mas de onde emerge uma classe desgarrada do sindicalismo, das associações de base ou da militância em movimentos sociais.

Essa visão dos desafios que o partido terá que enfrentar para se adequar a esse novo ciclo político foi exposta por Lula ao economista Márcio Pochmann, no ano passado, quando o chamou para conversar sobre a possibilidade de aceitar a candidatura petista à prefeitura de Campinas. Simultaneamente, Lula investiu no seu ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, para que assumisse igual papel, em outubro, na disputa pela prefeitura da maior cidade do país e da América Latina, São Paulo.

Pochmann e Haddad têm biografias parecidas. Ambos, muito jovens, estavam nas articulações que resultaram na fundação do PT. Os dois, em algum momento, tornaram-se quadros intelectuais do partido, ao seguirem carreira acadêmica. Ambos integraram a administração de Marta Suplicy (2001-2004) – Pochmann comandou a pasta do Trabalho e Haddad foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças, cujo titular era João Sayad. Haddad foi ministro de Lula; Pochmann assumiu, em 2007, a presidência do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).

Ambos podem ser enquadrados na classificação de “técnicos”, por terem feito carreiras mais ligadas à academia do que à política institucional, mas não há como negar que, também por essas qualidades, foram parte e articuladores de políticas de gestão pública importantes.

“O PT é muito grande e terá candidatos a prefeitos de diversas origens. Haddad e eu somos os únicos que viemos do sistema universitário e com experiências mais intelectuais”, afirmou Pochmann, em entrevista à Carta Maior. A escolha de dois acadêmicos que tiveram experiências na gestão pública federal, na opinião do pré-candidato em Campinas, é uma inversão na ideia de que uma prefeitura é apenas o início de uma carreira política: o espaço municipal é retomado como um elemento fundamental para o êxito de políticas públicas. “O sucesso do governo federal em políticas públicas decorre de experiências exitosas de prefeituras, como os bancos populares municipais, o orçamento participativo, políticas de distribuição de renda e o próprio Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma Pochmann.

O movimento municipalista dos anos 70 e 80, se foi fundamental para a inovação da gestão, vive hoje uma fase de esgotamento, pela “pasteurização das políticas públicas”, afirma o economista. As inovações daquele período foram absorvidas indistintamente pelas administrações municipais, independentemente dos partidos políticos a que pertenciam os gestores. Pochmann acredita que desafio para ele e Haddad é propor um novo ciclo de renovação de políticas públicas, numa realidade econômica em que o país tem uma melhor distribuição de renda e adquire maior importância no cenário internacional.

Pochmann, que se intitula da “esquerda democrática, que tem como valor fundante a radicalização da democracia”, considera que essa vertente ideológica tem desafios próprios. O primeiro deles é o de reconhecer “um certo esgotamento da experiência democrática representiva” e, a partir daí, avançar e propor novos instrumentos de participação da população na gestão municipal. Um avanço seria associar os conselhos municipais, que hoje existem em todas as áreas da administração, a orçamentos participativos territorializados. “Hoje há áreas geográficas enormes, com grandes populações, e a ideia de um município centralizado na prefeitura, em um único espaço, distancia a participação popular”, afirma o presidente do Ipea.

Outro desafio, segundo o pré-candidato, será lidar com cidades que tiveram uma forte experiência industrial e hoje se transformam em municípios de serviços. A cidade industrial empurrou as pessoas mais pobres para as periferias e comprometeu uma grande parte do tempo das pessoas com todos tipos de deslacamento. A cidade de serviços, com o avanço das tecnologias de informação e comunicação, não pressuporá grandes deslocamentos “se houver uma mudança da centralidade da cidade”. O novo modelo é aquele em que o trabalho e a residência são mais próximos, “com forte presença do espaço público e da educação, que é o principal ativo dessa sociedade”, diz Pochmann.

O outro grande desafio é a alteração na demografia das grandes cidades brasileiras. “Estamos vivendo uma transformação importante na queda da fertilidade brasileira e em duas décadas teremos uma regressão absoluta no número de habitantes e um aumento na proporção de pessoas idosas”, observa. Esta é uma realidade para a qual o país não está preparado. “Vão sobrar escolas, haverá uma mudança no perfil profissional da população e será uma sociedade de jovens e adultos muito complexa, com forte dependência do conhecimento”.

Marta rompe acordo

Disputa gera motim no PT do Senado

Karla CorreiaCorreio Braziliense

Parlamentares petistas rompem acordos e se digladiam pelos cargos em comissões e na Mesa

A intenção declarada da senadora Marta Suplicy (PT-SP) de descumprir o acordo de deixar a Vice-Presidência do Senado para José Pimentel (PT-CE) no mês que vem parece ter contaminado outros parlamentares do partido na Casa. Os titulares petistas na comissões de Direitos Humanos, Paulo Paim (RS), e de Assuntos Econômicos, Delcídio Amaral (MS), ameaçam repetir o gesto da senadora paulista e ignorar o rodízio acertado com colegas de legenda em fevereiro do ano passado.

Atual presidente da Comissão de Direitos Humanos, Paim deveria ceder o cargo para a senadora Ana Rita (PT-ES), segundo a combinação firmada em 2011 para reduzir disputas entre os senadores da legenda. Com a decisão de Marta, o petista se sentiu livre para romper o acerto. “Não dá para todo ano ficar fazendo acordo e mudando os quadros, já que o mandato previsto para os cargos é de dois anos”, diz Paim, que só pretende entregar a presidência da comissão em 2013. O senador Delcídio Amaral é outro a roer a corda no acerto de revezamento. Ele pretende se manter por mais um ano no comando da Comissão de Assuntos Econômicos da Casa. No acordo anterior, Delcídio daria lugar a Eduardo Suplicy (SP) na presidência da CAE em 2012.

De olho no clima de motim entre os petistas, a oposição decidiu inflar a crise provocada pelo rompimento de acordo e anunciou contestar na Justiça o rodízio. O argumento de que os oposicionistas poderiam contestar os mandatos de quem deixasse os postos antes da hora foi apresentado por Marta para permanecer na Vice-Presidência do Senado — e seguido pelos demais “amotinados”. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a manobra petista, que visava fazer com que os 13 integrantes da bancada da legenda no Senado ocupassem um dos cargos do partido em algum momento durante os oito anos de mandato.

Planos políticos
Diante da possibilidade, Marta, que tinha aceitado o rodízio confiada em sair candidata à prefeitura de São Paulo, recuou. Durante o recesso, a senadora ligou para cada um dos membros da bancada para comunicar que permaneceria na Vice-Presidência até 2013 e apresentar seus motivos. Convenceu apenas Paim e Delcídio, justamente os beneficiados pela decisão. Irritou os demais.

“Esse argumento que ela está usando não existe”, critica o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). “Ela fica usando o regimento para justificar uma atitude que se baseia puramente no interesse político dela”, diz o líder. O posicionamento do Senado corrobora a avaliação de Humberto Costa. De acordo com a assessoria de imprensa da Casa, o regimento apenas define a duração do mandato dos cargos, que é de dois anos. “A renúncia do ocupante de um cargo é uma decisão que pertence à seara política partidária”, afirma a assessoria.

É em meio a esse clima que a bancada escolherá seu novo líder, em reunião marcada para 1º de fevereiro. Disputam o cargo os senadores Wellington Dias (PI) e Walter Pinheiro (BA). “Além de tensionada, a bancada está bastante dividida”, diz um senador petista.

Confira a entrevista com os cinco pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo

Transporte, Educação e Saúde são fios condutores das entrevistas realizadas pelo Portal Linha Direta. Pré-candidatos concordam que falta parceria entre o município e os governos do Estado e Federal para o desenvolvimento da cidade.

O Portal Linha Direta disponibiliza as cinco entrevistas com os pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. A série apresenta uma breve trajetória política do deputado federal Carlos Zarattini, o senador Eduardo Suplicy, o ministro Fernando Haddad, o também federal Jilmar Tatto e a senadora Marta Suplicy, que se mostraram dispostas a assumir o Executivo Paulistano pelo Partido dos Trabalhadores.

Além das respectivas avaliações sobre a situação da cidade e necessidade de alinhamento do município com as propostas desenvolvidas pelos governos Lula e Dilma Rousseff, os pré-candidatos abordaram temas como o Transporte, a situação da Saúde e também da Educação.


Zarattini propõe redução no custo do transporte coletivo

O deputado federal Carlos destaque que os paulistanos gastam, em média, 30% do salário para se locomover na cidade. Para tanto, ele propõe uma redução para 15% nos quatro anos de gestão. Na Educação, Zarattini aposta na valorização dos profissionais. Já na Saúde, a contratação de técnicos e especialistas experientes são soluções para geração de atendimento de qualidade em todas UBSs e Ambulatórios de Especialidades de São Paulo.

Clique aqui e leia “Zarattini propõe redução no custo do transporte em SP”.

Assista: http://www.youtube.com/embed/0CHBfq_ju2c


Suplicy: Educação para formar cidadãos conscientes e Justiça

O senador aponta para a necessidade de ampliação do sistema de transporte coletivo, sem deixar de lado a atenção às questões ambientais, bem como os ciclistas, motociclistas e pedestres. A ampliação dos CEUs, CEIs e investimento na formação de profissionais, no que tange à Educação, e parceria entre os três governos – municipal, do Estado e União -, são soluções para resolver as falhas na Saúde da cidade, de acordo com o pré-candidato.

Clique aqui e leia “Suplicy: Educação para formar cidadãos conscientes e Justiça”.

Assista: http://www.youtube.com/embed/RJQPD80BrqM


Transporte e desenvolvimento como faces da mesma moeda, aponta Haddad

Para ministro, São Paulo precisa descentralizar oportunidades de emprego e geração de renda evitando aglomerados urbanos que implicam em desemprego e superlotação do transporte coletivo. Haddad também aponta para necessidade de parcerias entre município, Estado e União para desenvolvimento e ampliações do atendimento e qualidade na educação infantil e básica. Na Saúde, o ministro se posiciona de maneira contraria às OSs e privatizações do SUS.

Clique aqui e leia “Haddad aposta em transporte e desenvolvimento como face da mesma moeda”.

Assista: http://www.youtube.com/embed/zi52KavW3HI
Tatto aposta no transporte como principal tema da campanha

Deputado federal petista mais votado na cidade aposta na valorização e reciclagem dos profissionais da saúde. Na educação, Prefeitura deveria dotar modelo integrado de ensino, lazer e cultura para formações dos jovens paulistanos. Tatto também destaca o Transporte como um dos principais temas de debate ao longo da campanha que antecede as Eleições 2012.

Clique aqui e leia “Tatto avalia que transporte será principal tema das eleições 2012”.

Assista: http://www.youtube.com/embed/kujHui5Hyxo
Marta aposta no modelo petista  para governar São Paulo

Prefeita na Capital entre 2000 e 2004, a ministra Marta Suplicy pretende ampliar e aprimorar ações iniciadas em sua gestão, como os CEUS e corredores metropolitanos de ônibus – agregado ao Bilhete Único. Familiarizada com o Executivo paulistano, Marta quer estender à população os benefícios que foram subutilizados pelas gestões recentes. Na Saúde, destaca a necessidade da construção dos três hospitais prometidos na gestão tucana.

Clique aqui e leia “Marta aposta em governar petista para vencer desafios de São Paulo”

Assista: http://www.youtube.com/embed/5xNVYLGClXI

Marcos Coimbra e a eleição em São Paulo

por Marcos Coimbra, em CartaCapital

As eleições municipais de 2012 estão começando. Não para os eleitores, que nem pensam no assunto. Mas para os políticos. Para eles, a largada foi dada.

A discussão do momento é a sucessão na prefeitura em São Paulo. A escolha dos prefeitos de algumas outras capitais recebe atenção, mas em plano menor.

Dessas, algumas devem ter fortes candidatos naturais, pois os atuais prefeitos disputam a reeleição e, a esta altura, são favoritos. É o caso do Rio de Janeiro com Eduardo Paes e Belo Horizonte com Marcio Lacerda. Em outras, o processo está mais aberto, seja porque o atual prefeito é pouco conhecido – era vice e assumiu o cargo após a desincompatibilização do titular no ano passado (como em Porto Alegre e Curitiba), não está no páreo, pois já foi reeleito (como em Salvador e Fortaleza), ou não tem boa avaliação (como no Recife).

A importância da eleição em São Paulo é indiscutível, mas costuma ser exagerada. Como maior cidade e capital econômica do País, tudo que acontece na política local tem repercussão nacional, nem que seja por suas consequências na vida política do estado, o maior colégio eleitoral brasileiro. Daí a imaginar que a escolha do prefeito da cidade tenha grande impacto na política brasileira há uma diferença.

Com Luiza Erundina, por exemplo, o PT conquistou a prefeitura em 1988 e viu Fernando Collor derrotar Lula na cidade no ano seguinte. Em 1992, foi a vez de Paulo Maluf, adversário figadal dos tucanos, ganhar, enquanto a cidade, dois anos depois, deu a Fernando Henrique uma vitória no primeiro turno. Nas próximas, o padrão se repetiu, com Celso Pitta vencendo em 1996 e FHC se reelegendo em 1998.

Houve resultados “alinhados” apenas nas eleições de 2000 e 2002, com Marta Suplicy na prefeitura e Lula no Planalto. Mas, quando Serra venceu em 2004 e Gilberto Kassab em 2008, voltamos ao normal, pois suas vitórias foram seguidas por duas do PT nas eleições nacionais.

Salvo, então, uma exceção, os demais casos indicam que o desempenho na eleição municipal de São Paulo não tem maior efeito na eleição presidencial seguinte. Mas, mesmo que não pavimente o caminho para Brasília, vencer na cidade é importante para qualquer partido.

Nas pesquisas atuais (que devem ser lidas com a cautela habitual, considerando sua grande distância da eleição) só três candidatos despontam, dos quase 20 mais comentados. No PT, Marta Suplicy; no PSDB, José Serra; no PP, Celso Russomanno. Nessa ordem, com Marta bem à frente de Serra e ele de Russomanno.

Algumas coisas chamam a atenção nos resultados. Em primeiro lugar, diferentemente do que costumam apregoar seus companheiros e amigos na mídia, Serra saiu mal da eleição de 2010. Ter, atualmente, 3% de intenções espontâneas e ficar atrás de Marta (com 9%) e Kassab (com 6%), empatando com Maluf, não é performance impressionante.

Alguém poderia argumentar que ele não é, apenas, lembrado espontaneamente para o cargo. Mas seu desempenho continua fraco nos cenários de voto estimulado, perdendo, com 24%, para Marta, que tem 29%. Seus melhores números aparecem quando os adversários são os nomes menos conhecidos do PT (Fernando Haddad e Jilmar Tatto), mesmo assim ficando pouco acima dos 25%. É pouco, para quem tem sua biografia, a menos que se considere que a desvalorizou com a campanha que fez (não esquecendo que é o mais rejeitado dos candidatos testados).

No PSDB, o grave é que Serra é, de longe, o nome mais viável, vários corpos à frente de qualquer outro. Para os tucanos, talvez seja ruim com Serra, mas pior sem ele.

Do lado do PT, está Marta, na casa dos 30%, liderando em todos os cenários, e Aloizio Mercadante, com 10%, atrás de Serra e Russomanno. Fernando Haddad e Jilmar Tatto ficam distantes, não passando de 3%, independentemente dos oponentes. Ou seja, uma escolha que poderia ser considerada natural.

Consta, porém, que Lula prefere a candidatura de Haddad. Parece que acredita que poderia repetir o que fez com Dilma, apresentando-o à cidade e lhe transferindo os votos de que precisaria. Deve imaginar que seria melhor opção que Marta.

Por tudo que já foi e fez, ninguém tem coragem de se contrapor ao ex-presidente. Mas não se pode esquecer que seu poder de transferência só foi plenamente confirmado na eleição presidencial, naquilo que os especialistas chamam de “transferência horizontal” (para o mesmo cargo). Na maior parte das vezes em que pensou influenciar eleitores para votar em candidatos a governador e prefeito (no que seria uma “transferência vertical”), não foi bem-sucedido. O que não quer dizer que não poderia fazer de seu ministro da Educação o prefeito de São Paulo.

Há vários outros nomes se movimentando nos demais partidos. Alguns são novidade, como Gabriel Chalita, outros personagens antigos, como Guilherme Afif. Da perspectiva de hoje, no entanto, nada indica que terão papel fundamental na eleição.

Vox Populi: Haddad estreia com 3%

Enviado por luisnassif

Do Estadão

Desconhecido, Haddad estreia em pesquisa com 3%

Sondagem feita pelo Vox Populi mostra que o candidato preferido de Lula tem melhor desempenho na zona oeste, região de alta renda e escolaridade

Julia Duailibi / SÃO PAULO – O Estado de S.Paulo

Pesquisa Vox Populi sobre a corrida eleitoral para a Prefeitura de São Paulo em 2012 coloca o ministro da Educação, Fernando Haddad, com 3% de intenção de voto, no cenário mais favorável ao petista, no qual o candidato do PSDB é o senador Aloysio Nunes Ferreira – o tucano aparece com 6%.

Incentivado pelo ex-presidente Lula para aumentar a inserção petista junto à classe média paulistana, Haddad tem o melhor desempenho na zona oeste, onde 7% disseram que votariam nele. A região é a formada por bairros com alta renda e escolaridade.

Encomendada pela Força Sindical, a pesquisa entrevistou 1.000 pessoas e foi realizada entre 9 e 13 de julho. A margem de erro é de 3,1 pontos porcentuais.

No cenário em que o nome do PSDB é o do ex-governador José Serra, Haddad tem 2% das intenções de voto. Serra lidera com 26%. Em terceiro, está o deputado Celso Russomanno (14%), do PP, seguido do vereador Netinho de Paula (8%), do PC do B. Depois estão o presidente da Força, o deputado Paulinho (7%), do PDT, e Soninha Francine (5%), do PPS. Neste cenário, Haddad está empatado com o deputado Gabriel Chalita (PMDB) e na frente do secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV), e do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), ambos com 1% – os dois são opções do prefeito Gilberto Kassab para a sua sucessão.

Liderança. Embora apresente a maior rejeição entre todos os nomes colocados (18%), a senadora Marta Suplicy (PT) lidera os cinco cenários em que é citada como candidata. Com Serra no páreo, tem 29% das intenções de voto contra 24% do tucano. Na pesquisa espontânea, em que o nome do candidato não é apresentado, Marta lidera com 9%, na frente de Kassab (6%). Serra vem em terceiro com 3% das menções – o mesmo porcentual do deputado Paulo Maluf (PP).

Depois de Marta, o nome petista com o melhor desempenho é o do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), que tem 10% das intenções de voto em dois cenários. No primeiro, Serra lidera com 26%. No que o candidato tucano é o deputado Ricardo Tripoli, Russomanno fica na frente com 17%.

Sem Serra na disputa, o tucano com o melhor desempenho é Aloysio. Tripoli fica com 1%, e o secretário José Anibal (Energia) tem 2%. O secretário Bruno Covas (Meio Ambiente), que conta com a simpatia do governador Geraldo Alckmin, não aparece na pesquisa, assim como Andrea Matarazzo (Cultura), opção do grupo de Serra, que tem dito não ter interesse em se candidatar.

Para o presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini, os nomes do partido que aparecem com pouca intenção de voto “ainda não são vinculados pelo eleitor como candidatos”.

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