Inflação para famílias de baixa renda cai e fica em 0,59% em abril

Vitor Abdala, Agência Brasil

“A inflação para famílias com renda até 2,5 salários mínimos, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) da Fundação Getulio Vargas (FGV), ficou em 0,59% em abril, taxa inferior ao 0,75% do mês anterior. O índice é superior, entretanto, ao 0,52% registrado em abril pelo Índice de Preços ao Consumidor Brasil (IPC-BR), que mede a inflação para todas as faixas de renda.

A queda do IPC-C1 de março para abril foi provocada pela redução da taxa de cinco das oito classes de despesa analisadas. A inflação dos alimentos, por exemplo, caiu de 1,28% para 0,98% no período, puxada principalmente pela deflação (queda de preços) de 2,08% dos preços das aves e dos ovos em abril.

Outra classe de despesa com inflação menor foi habitação, cuja alta de preços passou de 0,76% em março para 0,34% em abril. O comportamento foi puxado por itens como tarifa de eletricidade residencial, que teve deflação de 0,58% no mês.

Três grupos de despesa passaram de uma inflação em março para uma deflação no mês seguinte: transportes (de 0,21% para -0,06%), comunicação (de 0,31% para -0,78%) e educação, leitura e recreação (de 0,42% para -0,47%).

Por outro lado, três classes de despesa tiveram aumento da taxa em abril. O índice do grupo saúde e cuidados pessoais passou de 0,36% em março para 1,63% em abril, influenciado pela alta dos preços dos remédios, de 2,75% no mês.

A taxa de inflação de vestuário passou de 0,72% para 0,83%, enquanto o índice de despesas diversas subiu de 0,18% para 0,21%. O IPC-C1 acumula taxas de 2,51% no ano e de 7,16% nos últimos 12 meses.”

Ironia sobre Austeridade Fiscal versus Gastos Públicos.

AUSTERIDADE FISCAL X GASTOS PUBLICOS

A Imprensa Golpista brasileira e os seus cães como Revista Veja, Rede Globo, Folha de São Paulo incorporado pelos senhores universo como Mirian Leitão, Arnaldo Jabor, Diogo Mainard, Eliane Castanhede junto com as alienígenas como Financial Times e The Economist e a oposição lideradas pelo PSDB e o DEM, junto com os ptfóbicos de plantão parecem mumificados no final dos anos 90 com a cartilha do Tartcherismo na mão. Nem a morte da Múmia “Margareth Tartcher” tiram o desejo de implantar o estado mínimo e a volta do individualismo no Brasil.

Governo de FHC, anos de Austeridade???

Quando o PSDB através do Fernando Henrique Cardoso assumiram o Brasil com uma série de programas de privatizações, aonde venderam todo o patrimônio público, eles vendiam a ideia de Estado Mínimo pra dar um choque de capitalismo no país. Com isso reduziria a dívida pública brasileira e daria mais emprego e estabilidade econômica. Pois bem o desemprego antes do PSDB entrar no poder era de 8% em 1994 foi pra quase 20% em 2002, a dívida pública brasileira era 30,5% em relação ao PIB e saltou para 60,4% em relação do PIB. Os gastos sociais cresciam apenas 4% ao ano, e o Brasil que em 1994 era a 10ª Economia do mundo foi para a 15º. Sem contar que a inflação média no governo FHC foi em torno de 8,5% ao ano!!!

Gastanças do governo Lula/Dilma, e a Austeridade???

Quando o PT através do presidente Lula assumiram o Brasil, defendiam a política do estado forte, aonde o governo pudesse participar ativamente da economia brasileira fortalecendo as estatais que estavam sucateadas pra vender. Rompeu com a política de Estado Mínimo e o que deixam a oposição e as viúvas do FHC torta é que os gastos com o social aumento 9% ao ano, triplicando até chegar no governo Dilma. Porém a dívida pública brasileira, veio caindo sistematicamente, da estratosfera de 60,4% do PIB em 2002, ultimo ano do governo FHC, para 35,5% no governo Dilma, ano atual da gestão do PT no Brasil. A dívida pública brasileira só aumentou uma vez em 2009 em relação ao PIB por conta da crise internacional de 2008, o que permitiu o Brasil crescer 7,5% em 2010 contornando para a tendência de queda da dívida pública. Sem contar com as reservas em dólares recordes que o Brasil obtém, lhe dando o título de 4º maior credor internacional do tesouro americano. Taxas de desemprego em torno de 5%, a mais baixa da história desse país, inflação sobre controle, em torno 5,5% nos anos do PT.

É amigos, Margareth Tarcther, Keynes, Adam Smith e Karl Marx devem estar trucando no campo do além, entendo como pode um partido de esquerda como o PT ter implantado o Estado Forte aumentando os gastos sociais e ter feito austeridade fiscal com a dívida pública caindo de 60,4% do liberal FHC para 35,5% da comunista Dilma Roussef!!!

— com Bruno Moreno, Jorge Salomao, Helena Sloboda e outras 13 pessoas.

“Cansei”: tomate abandona a oposição

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

A oposição brasileira já teve aliados e projetos mais consistentes. Agarra-se agora à inflação e ao tomate. De forma patética.

O tomate, ao que parece, deixará a oposição falando sozinha. É o que leio no Blog do Nassif: preço do tomate cai 43% no Ceagesp.

Não se pode mais contar com o tomate…

Em 2005, a oposição contava com Bob Jefferson.

Em 2006, apostava no delegado Bruno – aquele que, para levar a eleição pro segundo turno, armou a foto com um monte de dinheiro e avisou: “eu quero ver isso no Jornal Nacional”. A Globo deixou de noticiar o acidente da Gol naquela noite, para estampar as fotos do dinheiro no JN. E a eleição foi pro segundo turno,mas aí a oposição morreu abraçada com a Globo e o Alckmin.

Em 2007, veio o “caosaéreo”, e logo a tragédia em Congonhas. Um articulista da “Folha” chamou Lula de “assassino”. Um repórter da Globo foi pra pista do aeroporto e colocou uma moedinha no chão: o objetivo era provar que o governo Lula era o responsável pelo acidente – que matou 200 pessoas. A Globo fracassou, mas o repórter foi recompensado com seguidas promoções.

A popularidade de Lula não parou de crescer, e uma parte do Brasil – inconformada – resolveu sair em passeata por aí, para avisar: “Cansei”.

A turma dos cansados seguiu em campanha:

– ameaça de Apagão;

– Erenice;

– logo veio a ficha falsa de Dilma na primeira página;

– em 2010, a internet foi tomada por boatos sobre “Dilma abortista”;

– e, finalmente, a bolinha de papel – com o perito Molina no JN, para provar o “atentado”contra Serra.

Bolinha de papel e tomate: a oposição já teve dias melhores…

O eleitor é que parece dizer à oposição: cansei.

Uma defesa para Dilma

Uma das tarefas domésticas que mais gostava na infância era ir ao supermercado. Não tanto para comprar doces e chocolates, já que minha mãe foi por muito tempo rígida com açúcar e gordura dentro de casa. O mais divertido era sair correndo na frente do funcionário que remarcava preços com sua “arma”. Lembro que eu e meu irmão entrávamos nos corredores e ao avistarmos o inimigo, corríamos para pegar as compras. Voltávamos para o carrinho sempre com a sensação de dever cumprido e pronto para a próxima missão.

Sei, no entanto, que esta é a única parte cômica da tragédia dos anos 1980. Quem viveu sabe que processos hiperinflacionários são destruidores de lares. Sem exagero. A inflação corrói a renda, principalmente dos mais pobres e daqueles que tem salários pré-estabelecidos. A remarcação diária de preços acaba com o poder de compra do assalariado, que força seu empregador a corrigir seu salário e que por consequência pressiona novamente a inflação.

Por isso, combater processos inflacionários é um dado da realidade, ainda mais se há uma opção por privilegiar as classes mais baixas. Em qualquer política econômica séria esta é uma premissa fundamental, que deve ser sempre respeitada.

A questão, como quase tudo nessa vida, é como.

Quando a presidenta afirmou que o método de combate à inflação baseado em altíssimas taxas de juros estava superado, ela falou a verdade. Sua fala posterior, dizendo que combater a inflação é um valor em si, também. Ok. Ela desdisse para acalmar os ânimos do “mercado”, é fato. Mas não mentiu.

O que ela não disse – ou não deixaram que dissesse – é que o problema sobre o combate à inflação é de método. Investidores, especuladores, operadores e donos do mercado financeiro vociferaram à afirmação dizendo ser pá de cal no controle sério da inflação. O chororô faz parecer que logo mais vamos voltar aos velhos tempos, quando os itens mais básicos da alimentação chegavam a ter seus preços reajustados mais de uma vez por dia.

Quase que como uma entidade espiritual, “o mercado” mandou mais um recado ao governo. Mostrando sua insatisfação com o que chama de excesso de intromissão do Estado em assuntos que não são de sua competência, só faltou demandar por sacrifícios para saciar suas vontades.

Na verdade, o conjunto de entidades financeiras que compõe o que os jornais chamam de “mercado” quer sim sacrifícios para aplacar sua fome. Só não tem coragem de dizer por que depois da era Fernando Henrique – o que saiu pela porta dos fundos – falar em altas taxas de juros se tornou algo digno de censura moral. Mas sempre que podem se valem da “desculpa” da inflação para saciar sua fome.

O que o mercado quer mesmo é um aumento das taxas de juros. O pretexto é o combate à inflação para proteger o salário dos mais pobres. A verdade é que sem taxas de juros estratosféricas, o lucro fácil dos bancos e especuladores cai. Sinceramente, não acho que muitos banqueiros estão realmente preocupados com o salário do trabalhador. Por outro lado, desconfio que com uma taxa SELIC mais alta, fica fácil ganhar mais trabalhando menos. Aliás, foi só o governo começar a fazer cortes significativos na taxa básica que todos os bancos registraram enormes prejuízos. O Santander amargou queda de seu valor de mercado em nível mundial.

Quando disse que o combate à inflação é um problema de método me referia a isso: todo o projeto de combate à hiperinflação defendido pelo mercado pode ser resumido a deixar nossa taxa básica de juros tão alta, mas tão alta, que paralisa a economia real (a indústria, setor agrícola etc) e tem como consequência a diminuição da inflação.

Em 1999 nossa taxa SELIC chegou a 45% ao ano. Na prática isso significa dizer ninguém mais emprestava dinheiro para investir na indústria. Primeiro porque com uma rentabilidade dessas era só comprar títulos públicos, sentar e esperar. Não há margem de lucro em outros setores da economia que possam competir com isso. Ou seja, pra que diabos eu investiria em uma empresa se poderia colocar minha grana na ciranda financeira e ganhar sem trabalho algum?

Mas isso não é tudo. A taxa SELIC é o piso do que o mercado paga ao contrair empréstimos. Ou seja, todos os empréstimos privados são calculados a partir deste valor. Assim, se você for doido de abrir uma fábrica, vai ter que dar um jeito de pagar seus empréstimos (de capital de giro, por exemplo) com no mínimo 45% de juros ao ano.

Essa política econômica controla a inflação simplesmente porque acaba com a economia real. Sem empréstimos, fica-se sem dinheiro para girar a economia. Com a fonte seca, ninguém consome. Essa é a primeira parte da história. A segunda é que sem consumo, temos crise. Com a crise, desemprego. Com o desemprego, mais crise.

Desse jeito galera, até eu acabo com a inflação. Basta fazer todo mundo parar de consumir que está tudo resolvido. A outra parte da história, que eles não contam, é que não tem inflação, mas não tem emprego, renda etc.

O erro de Dilma foi não ter entrado neste mérito. É óbvio que temos que controlar a inflação. É óbvio que o maior prejudicado é o assalariado. Mais óbvio do que isso é que a inflação tem que ser controlada com a economia crescendo. E é aí que na prática a teoria é outra. O governo, apesar de suas inúmeras limitações, vem fazendo algum esforço para a economia andar. Não concordo com várias ações, mas este não é o ponto. É fato que Dilma tem colocado peso político para fazer a indústria brasileira voltar a crescer.

O que não dá pra deixar é o país voltar à Idade Média das finanças, quando o mercado e seus cardeais ditavam todas as regras da economia, sempre em benefício próprio. De fato, o governo tem que pensar em formas de conciliar o desenvolvimento econômico com o controle da inflação. Só não podemos voltar àquela velha catequese que diz que o melhor jeito de crescer é não crescendo. De uma vez por todas precisamos nos livrar da ideia de matar o boi para acabar com o carrapato.

ECONOMIA IMPULSIONA DILMA

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“Acalmem-se”, disse a presidente Dilma Rousseff, num sorriso; faz sentido; aos que apostam no eclipse do crescimento, a resposta da economia real é ensolarada; vendas de aço, alumínio, eletro-eletrônicos, ônibus e tratores disparam neste início do ano; arrecadação de impostos sobe; dívida mobiliária federal recua; projeção aponta para inflação em queda e crescimento em alta; apostas no pessimismo começam a pagar menos

247 – Apostar no pessimismo, dentro de um cenário global de incertezas, sempre parece menos arriscado. Vai dar errado, dizem os céticos e derrubadores, cercados de conjecturas. O problema, como apontam os primeiros números da economia brasileira em 2013, é que, neste ano, jogar contra já está dando pinta de ser muito mais um torcida política do que uma análise fria e científica. Em lugar de eclipse, o que está surgindo no horizonte é um sol tipicamento tropical.

Nos últimos dias, uma série de dados econômicos confluem para um desempenho, em 2013, muito superior ao verificado no ano passado. Líderes empresariais de diferentes setores do meio da economia – aqueles que usam insumos da indústria de transformadora de matérias primas para aplicar em produtos finais ao consumidor – estão otimistas sobre mais produção e mais vendas este ano, com base nos primeiros resultados já alcançados.

É assim que os setores que compram aço, como as montadoras de veiculos e a construção civil, fizeram aquisições em janeiro nada menos que 18% acima do comprado em dezembro, segundo dados do Instituto Nacional das Distribuidoras de Aço (Inda). “O mercado está começando a crescer novamente”, disse o presidente Carlos Loureira ao jornal Valor Econômico. Com alta de 3,4% em vendas em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, o setor projeta um crescimento de 6% no mercado doméstico sobre o ano passado até dezembro.

No alumínio, outro elemento presente em ínumeros setores industriais, o melhor termômetro de crescimento é a venda de chapas, folhas e extrudados. Neste campo, as vendas em janeiro, de acordo com a Associação Brasileira de Alumínio (Abal), já foram 5,9% maiores do que no primeiro mês de ano passado. “Acreditamos num crescimento do setor de até 5 por centro para este ano”, diz o presidente da entidade, Luiz Carlos Loureiro Filho. “Estamos otimistas”.

Não é diferente entre uma das maiores fabricantes de ônibus e caminhões do País, a MAN Latin America. “Já temos pedidos que indicam vendas 20% maiores do que em 2012, em razão de a necessidade do mercado renovar a sua frota”, adianta Roberto Cortes, presidente da companhia. “Nossa atividade no primeiro bimestre está ótima em relação à que tivemos em 2012”.

No mesmo setor, a Agrale, tradicional fabricante de máquinas e tratores, registrou um crescimento de vendas simplesmente espetacular em janeiro com relação a dezembro: 126% mais. Os responsáveis pela companhia admitem que tratou-se de um ponto fora da curva, mas, a partir dele, eles projetam um crescimento da companhia, este ano, de mais de 16% sobre o realizado no ano passado. “O forte desempenho está ligado ao fim dos estoques das indústrias do nosso setor”, disse o diretor-presidente Hugo Zattera ao Valor.

Pesquisa entre associados feita pela  Abinee (Associação Brasileira da Indústria de Eletro-eletrônicos) constatou que 56% das empresas associadas relataram alta de encomendas em janeiro com relação a dezembro. Isso mostra um aquecimento no setor de ponta tecnológica da economia. “O otimismo aumentou, porque os sinais dados em janeiro, um mês que nunca é excepcionalmente forte em vendas, indicam um grande ano pela frente”, conta o presidente Humberto Barbato. Segundo ele, 79% dos associados da Abinee registraram em pesquisa que esperam melhores vendas em 2013 do que em 2012.

Mesmo onde janeiro apontou queda em relação a dezembro, de 3%, no setor de máquinas e equipamentos, o dado foi comemorado. “Esse recuo é sazonal, e sempre acontece nessa época, mas foi muito menor do que em anos anteriores”, relatou Marcos Bernardini, consultor econômico da Abimaq.

Nos grandes números macroeconômicos, o governo também já tem o que comemorar. O Boletim Focus, do Banco Cenral, que semanalmente capta os humores de agentes do mercado financeiro sobre dados como inflação e crescimento do PIB indica nesta segunda-feira 25 que a inflação esperada é menor do que na semana anterior – e o crescimento, maior, da ordem de 3% para o ano. Noutro dado, o estoque da dívida mobiliaria do Tesouro (tudo o que o governo deve ao mercado) declinou 4%, equanto a arrecadação de impostos bateu novo recorde.

A continuar nessa marcha, o melhor, para os pessimistas, vai ser iniciar logo um ajuste de discurso, sob pena de ficarem falando sozinhos – os empresários, afinal, de olho no chão de suas fábricas e em seus caixas, sabem que o certo é acreditar em resultados do que se guiar por palavras pré-fabricadas.

Para a presidente Dilma Rousseff, com a reeleição lançada e ainda sem um forte adversário definido, o sol do primeiro semestre traz consigo uma brisa capaz de impulsioná-la com menos atropelos do que muitos gostariam por 2013 em direção a 2014.

PT defende mais a política econômica de Dilma do que a de Lula

Por Cristiane Agostine e Raymundo Costa | De São Paulo e BrasíliaValor Econômico

 

O PT comemora os dez anos no exercício da Presidência da República mais unido do que nunca em torno da defesa da política econômica do governo federal. Em documento que será distribuído hoje, na festa organizada para marcar a década no comando do país, o partido faz uma demonstração de apoio às medidas adotadas pela presidente Dilma Rousseff que nem mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve.

Em uma cartilha de 15 páginas, chamada de “O Decênio que Mudou o Brasil”, o PT exalta a condução da política econômica e elogia a decisão do governo de reduzir a taxa de juros, “com ativação da política fiscal”. O período do partido no governo é chamado de “glorioso”.

O texto, elaborado pelo PT em conjunto com o Instituto Lula e a Fundação Perseu Abramo, contrasta com os documentos oficiais divulgados pelo partido durante o governo Lula (2003-2010), que expuseram a divisão petista em torno da política econômica conduzida pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. As críticas e descontentamento de petistas marcaram sobretudo o primeiro mandato de Lula, entre 2003 e 2006.

No primeiro ano do governo Lula, o então presidente do PT, deputado José Genoino (SP), contornou críticas à política de Palocci e, com apoio do governo, impediu que as reclamações fossem registradas nas resoluções petistas.

Nos anos seguintes, no entanto, o PT mostrou sua divisão em torno dos rumos da economia e deixou clara sua insatisfação nos textos partidários. Em 2004, a Executiva fez duras críticas à gestão de Palocci e defendeu que o partido pressionasse o governo “com afinco” por mudanças na política econômica. Sob pressão de Lula, o diretório nacional amenizou o tom, mas trouxe à tona o embate que havia no partido: ao mesmo tempo em que os petistas queriam defender o governo, ressentiam-se de medidas adotadas por Palocci, mais ortodoxas e menos afinada com teses históricas do PT.

Em 2005, com as denúncias do mensalão e mudanças no comando do PT, a divisão partidária foi aprofundada e preocupou Lula.

Quando presidiram o partido, Tarso Genro, atual governador do Rio Grande do Sul, e Ricardo Berzoini (SP), deputado federal, deram voz a petistas descontentes com os rumos da economia. Tarso fez críticas a Palocci, dizendo que o então ministro havia errado ao fixar a taxa de juros e ao definir o superávit primário. Sob comando de Berzoini, o PT aprovou um documento pedindo mudanças imediatas na política econômica. Em resolução, a sigla afirmou que o país não poderia “ficar prisioneiro” dos juros altos “como único remédio para combater a inflação”.

O documento defendia a redução do superávit primário, das taxas de juros e defendia a aceleração da execução orçamentária para ampliar os investimentos em infraestrutura. Berzoini disse que as críticas à economia eram uma diretriz para a campanha de 2006, quando Lula se reelegeu. Naquele ano, as reclamações continuaram.

Passados dez anos do PT no governo federal, Berzoini disse que o balanço da política econômica é positivo. “As críticas que fizemos em 2004, 2005 e 2006 foram importantes para chegarmos na fase atual”, comentou o ex-presidente do partido. “Era necessário reduzir a taxa de juros”, disse. “Hoje ainda não estamos em um céu de brigadeiro, mas o cenário é positivo”.

Na cartilha a ser distribuída hoje, o PT exalta a política econômica dos dez anos do governo, sem qualquer crítica e sem fazer distinção entre os mandatos de Lula e de Dilma. O documento compara as gestões petista com os oito anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e apresenta números favoráveis ao PT: aumento da produtividade (13,2%) entre 2003 e 2010, aumento real do salário mínimo (70,7%), queda da desigualdade de renda (11,4%) e da pobreza absoluta (37,3%) e um aumento inflacionário – no período dos dez anos – de menos de 77%, o que representou uma variação média anual de 5,8% “ante a expansão de 9,2% registrada durante os governos neoliberais”. A publicação, no entanto, não toca em aspectos negativos do PT no período, como as CPIs do mensalão no governo Lula e o julgamento dos envolvidos no caso.

A publicação é uma espécie de rascunho do discurso da campanha da reeleição da presidente Dilma em 2014. O texto, no entanto, não traz o que o governo pretende fazer para retomar o crescimento econômico, que foi pífio em 2012, e controlar a inflação, que ameaça ultrapassar os limites da meta, para que o país chegue, ao final década, como uma das quatro maiores economias do planeta, como diz a cartilha.

A comemoração, que será realizada em um hotel na noite de hoje, em São Paulo, também será uma espécie de pré-lançamento da campanha presidencial.

As estrelas da festa serão Dilma, Lula e também deverá ganhar destaque o ex-ministro José Dirceu, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.

O evento está sendo usado pelo partido para tentar dissipar as dúvidas sobre a candidatura de Dilma à reeleição. Ainda há quem não tenha descartado a hipótese de que Lula seja o candidato do PT.

Lula deve ir a todos os outros 13 encontros partidários já programados, o que alimenta a suspeita de quem desconfia que ele pense em voltar. Mas Dilma também irá aos outros encontros, já que o partido procurou marcar parte das reuniões aos sábados.

Os eventos terão o formato de seminário. O primeiro será na próxima semana, em Fortaleza, com a presença do vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. Se a saúde de Lula permitir, o PT fará um encontro em cada Estado, para que o ex-presidente mantenha acesa a chama da militância e faça contato com os líderes de partidos aliados para compor a aliança eleitoral em 2014.

Ontem, ao discursar em Brasília, Dilma aproveitou o mote da comparação dos dez anos do PT com os oito anos do PSDB e criticou os programas sociais “precários” do governo Fernando Henrique Cardoso. Ao participar de cerimônia de ampliação do Bolsa Família, a presidente adotou um tom eleitoral em seu discurso e atacou também “as forças conservadoras” que não entendem o modelo de desenvolvimento atual. (Colaboraram Leandra Peres e Yvna Sousa, de Brasília)

Pochmann: país sai da ‘financeirização’ para economia baseada na produção

Ex-presidente do Ipea afirma que expansão do PIB no terceiro trimestre, de 0,6%, é atenuada pela continuidade no processo de distribuição de renda, e vê país ‘pavimentando’ desenvolvimento sustentável

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

 

Pochmann: país sai da 'financeirização' para economia baseada na produção A indústria teve leve recuperação, puxada pelo setor de transformação, que cresceu 1,5% (Foto: Rodrigo Paiva / Folhapress)

Embora nos dois últimos anos o Brasil tenha tido desempenho aquém de suas possibilidades, o que preocupa do ponto de vista conjuntural, o economista Marcio Pochmann, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destaca as mudanças estruturais em curso no país e critica o que chama de falta de melhor entendimento em algumas análises. Ele observa que há uma transição, longa, de uma economia de “financeirização da riqueza” para uma economia mantida pelo investimento produtivo. “Passamos duas décadas (1980 e 1990) em que a economia não cresceu sustentada pelos investimentos produtivos, mas pela financeirização, juros altos, levando a um quadro de regressão social. Havia setores que viviam às custas do assalto ao Estado”, afirma. “Vai crescer pouco este ano, mas é um crescimento que permite reduzir a pobreza e a desigualdade de renda.”

Pochmann lembra de decisões tomadas no início do governo Lula, baseadas na visão de que o Brasil tinha uma economia com elevada capacidade ociosa. Com Dilma, “estamos pavimentando um caminho de desenvolvimento sustentável”, avalia o economia. “Só não vê quem não quer.” Ele cita fatores como o pré-sal, nacionalização de setores produtivos e a política de concessões, “que não têm nada a ver com as privatizações dos anos 1990”. E diz ver “grande sintonia entre as decisões cruciais de Lula e Dilma”.

Ele lamenta que a comparação com outras economias não tenha sido feita naquele período, quando havia um ciclo de expansão mundial. “Em 1980, éramos a oitava economia e em 2000, a 13ª. Na segunda metade dos anos 1990, até o México ultrapassou o Brasil. E agora estamos caminhando para ser a quarta economia.”

O economista disse que gostaria de ver mais “ousadia” do governo, com, por exemplo, mais articulação com os demais países do continente, especialmente pensando na competição com a China. “O Brasil poderia ajudar a reorganizar esse espaço, a partir de políticas de caráter supranacional.”

Ao acompanhar as projeções de 4% para o crescimento da economia em 2013, Pochmann não vê o país com problemas estruturais, mas em um momento de “desincompatibilização” entre decisões privadas e públicas. “As decisões de investimento não resultam imediatamente. O investimento requer decisões mais complexas, significa ampliar a capacidade de produção”, afirma.

Ele vê Lula como um “estrategista”, do ponto de vista da política de juros, que em seu governo teve redução gradual. Não adiantaria uma queda dramática, diz ele, se não houvesse alternativas de deslocamento dos recursos “financeirizados” para a produção, com o Estado criando condições para o investimento. Mudanças, sublinha, em uma nova realidade política, dentro da democracia e com uma nova maioria. “O investimento financeiro está perdendo para o investimento produtivo”, reafirma Pochmann. “Estamos voltando a ter capacidade de fazer política macroeconômica e industrial.”

Qual a variação patrimonial dos vereadores de São Francisco nos ultimos 4 anos?

Depois da divulgação pelo Jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto, da informação sobre a variação patrimonial do Prefeito Tiãozinho – DEMO, em todas as rodas de conversa na cidade o assunto está colocado.
Assim, atendendo à pedidos, publicamos também a variação patrimonial dos 9 (nove) atuais Vereadores. A fonte é a mesma, a declaração de cada um dos candidatos perante o TSE, que é pública e pode ser acessada diretamente no site tse.jus.br

Entre os Vereadores que em 2008 declararam não possuir qualquer bem, se destaca o bem sucedido Vereador Amilton, agora com patrimônio declarado de R$ 221.000,00. Lembramos a todos que ele declara como profissão, motorista.

Leia mais aqui >>>> PT de São Francisco – SP

BC reduz juro a 8,5% e sinaliza mais cortes

Por Mônica Izaguirre e Claudia Safatle | De BrasíliaValor Econômico

Além de reduzir a taxa básica de juros (Selic) para o menor nível da história – 8,5% ao ano -, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) praticamente assegurou que promoverá novos cortes nas próximas reuniões. Se o cenário externo não se deteriorar, a próxima redução deverá ser também de 0,5 ponto percentual

A taxa básica de juros (Selic) rompeu o seu piso histórico e caiu para 8,5% ao ano, em decisão unânime tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Até então, o nível mais baixo era de 8,75% ao ano, que vigorou entre julho de 2009 e abril de 2010.

No comunicado divulgado logo após a reunião, o Copom deixou claro que haverá pelo menos mais um corte de juros na reunião dos dias 10 e 11 de julho, ao mencionar que a redução de 0,5 ponto percentual de ontem estava “dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias”. O fato de ter sido uma decisão unânime é uma outra indicação adicional de que novos cortes virão.

Até lá, eventos importantes vão ocorrer na Europa, onde a crise se agrava dia a dia, que podem ampliar ou não o ritmo de queda da taxa básica de juros. No dia 17 haverá eleições na Grécia, no dia 18 as lideranças mundiais se encontram no G-20 no México e há grandes expectativas em relação aos desdobramentos da crise na Espanha.

Este foi sétimo corte consecutivo da Selic, desde agosto de 2011, quando, antecipando-se aos efeitos da crise internacional e suas consequências recessivas e desinflacionárias, o BC começou a patrocinar um longo ciclo de afrouxamento monetário.

Mas o ritmo desse processo, que havia se acelerado em março e abril, arrefeceu. Após duas quedas de 0,75 ponto percentual, a Selic, que de agosto a abril recuou de 12,5% para 9% ao ano, desta vez caiu meio ponto percentual.

A reunião de ontem foi a primeira sob o novo regulamento do Copom. O texto da norma que rege o funcionamento do comitê foi alterado na semana passada, para se adaptar à nova lei de acesso à informação. Antes, havendo divergência entre os membros do colegiado, divulgava-se somente o placar. Agora, o Copom vai divulgar os votos de cada um dos diretores. Dessa vez, isso não fez diferença porque a decisão foi unânime.

No breve comunicado, o Copom justificou o corte afirmando que, “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”. O comitê ainda reiterou que, “dada a fragilidade da economia global”, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária”.

O mercado já esperava uma desaceleração do processo de queda da Selic. A última edição da pesquisa Focus, feita pelo BC junto a uma centena de bancos e outras empresas, mostrou que a mediana das projeções para a meta de taxa Selic era de exatos 8,5% ao ano na sexta-feira, dia 25.

Ao falar em “parcimônia” na ata da reunião de abril, o próprio BC tinha sinalizado que colocaria um pé no freio. “Mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia”, informou o BC no texto.

Ou seja, mesmo com crescimento fraco, o Copom entende que é preciso ser parcimonioso porque a atividade econômica ainda será estimulada pelo efeito defasado de reduções anteriores da Selic.

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o corte de 0,5 ponto percentual “mostrou que a parcimônia prometida na ata da reunião anterior não foi afetada pela nítida piora na situação da economia global e da economia brasileira”. Na opinião dele, ” parece ter prevalecido a percepção de que os estímulos fiscais e monetários já implementados estão perto de mostrar seus efeitos cumulativos e defasados sobre a atividade.”

O economista Roberto Luis Troster, que já foi da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), avaliou que o Copom deu “mais peso ao risco inflacionário do que ao risco de desaceleração da economia”. Ele destaca que, desde a reunião de abril, o real se desvalorizou ante o dólar americano, o que pressiona preços. Entre os que tendem a ser mais afetados, estão os bens duráveis, cujos preços são sensíveis ao câmbio, diz Troster.

O economista lembra que até então esses preços vinham contribuindo com o recuo da inflação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, no qual se baseia a meta de inflação oficial, de 4,5% para 2012), pois caíram 2,65% no acumulado de 12 meses até abril. O câmbio muda essa tendência.

A percepção dos agentes econômicos sobre o comportamento recente da taxa de câmbio também pressiona a inflação, no entendimento de Troster. Os sinais dados pelo governo têm levado muitos agentes a avaliar que essa elevação do dólar não é fruto de mero nervosismo do mercado e que, portanto, não se reverterá. A percepção, explica ele, é de que o novo e mais alto patamar da moeda americana se manterá, o que estimula o reajuste de preços.

O fato de o Copom ter optado por um corte menor do que os dois anteriores sinaliza, na interpretação de Troster, que o fim do processo de ajuste da Selic, iniciado em agosto, está próximo do fim. Ele acredita que a taxa para de cair quando chegar a 8% ao ano, o que significa mais uma redução de meio ponto percentual.

Para o economista sênior do HSBC, Constatin Jancso, as condições que levaram o Copom a usar o argumento da parcimônia, na ata da reunião de abril, não mudaram de forma significativa a ponto de justificar uma alteração do argumento. Por isso, a decisão não surpreendeu.

Jancso afirma que mesmo o agravamento da crise internacional não foi suficiente para modificar os planos do Copom de desacelerar o ritmo dos cortes da taxa básica de juros. Para o economista, os dados conhecidos não sustentam cortes mais intensos da Selic, embora, acredita ele, isso possa ocorrer com uma saída desastrosa da Grécia da Zona do Euro ou outra “hecatombe”.

“O mais provável é que uma piora no cenário externo vá influenciar por quanto tempo o BC vai continuar o ciclo de afrouxamento monetário”, afirmou. Mesmo assim, o HSBC ainda mantém a projeção de somente mais um corte de 0,50 ponto percentual, na próxima reunião em julho, na Selic, que fecharia o ano em 8% ao ano.

No cenário interno, o economista vê um ambiente misto. Os indicadores continuam positivos no mercado de trabalho e no varejo restrito. Por outro lado, pela precariedade do ambiente externo e pela volatilidade no câmbio, há um arrefecimento nas decisões de investimentos para o país e uma expectativa ruim para a produção industrial, que ainda sofre com a concorrência dos importados e o alto custo.

Entre agentes de mercado, esta quinta-feira tende a ser marcada po ajustes marginais, o que seria diferente caso o corte da Selic fosse de 0,25 ou 0,75 ponto percentual.

Segundo o economista-sênior para a América Latina da empresa de análises de mercado 4Cast, Pedro Tuesta, como nenhuma vírgula foi alterada no texto, o BC não soma nenhum tipo de “urgência” à comunicação ou avaliação. “Mantemos nossa avaliação de que o BC fará um novo corte de meio ponto e manterá a taxa básica em 8% por um longo período de tempo”, diz Tuesta. E longo período de tempo quer dizer até 2014.

O economista-chefe da corretora Concórdia, Flávio Combat, acredita que os ajustes na curva futura de juros devem indicar mais um corte de 0,5 ponto em julho. Para ele, a Selic estaciona em 8%.

“O BC vai então avaliar o impacto e os reflexos desse afrouxamento monetário sobre a atividade”, aponta. “Se foi usado o termo parcimonioso é porque esse corte deveria ter vindo menos forte que o anterior”.

Ontem, na BM&F, o contrato de julho/2012 o segundo de maior giro, fechando a 8,30%, com R$ 56 bilhões movimentados, quase cinco vezes mais que o giro da terça-feira – sinalização que há espaço para ajustes na curva.

O HSBC apontou em relatório assinado pelo economista Constatin Jancso que os fatores favoráveis à queda dos juros no Brasil são mais fortes e presentes que as variáveis capazes de levar o BC a rever o afrouxamento monetário. “Levando em conta nossa projeção de Selic de 8% neste ano e no próximo, vemos espaço para as taxas recuarem mais”, diz o banco sobre os juros. “Vemos espaço para a curva DI se mover para algum ponto mais baixo”.

O novo juro básico aciona o “gatilho” que muda a rentabilidade da poupança para o equivalente a 70% da Selic (ou 5,95% ao ano). O BC informou que os depósitos em poupança feitos ou renovados partir de hoje serão remunerados a 0,4828% ao mês mais TR. Esse será o rendimento enquanto a Selic estiver em 8,5% ao ano. (Colaborou João José de Oliveira)

 

Dieese ‘desmonta’ justificativas de bancos para manterem alto spread

Com dados apurados antes da atual onda de corte de juros, que ainda permanece restrita a determinados pacotes de serviços e segmentos de clientes, Dieese revela que maior parte do spread é formada por lucro, compulsório representa apenas 4 pontos percentuais da taxa e índice de inadimplência é estimativa, e não dado real.
São Paulo – Estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) desmonta alguns dos principais argumentos dos bancos brasileiros para manterem spreads elevados na intermediação financeira.
No início deste mês, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), pressionada pelo governo federal, condicionara a queda do spread a uma série de medidas a serem tomadas pelo governo, como redução do compulsório e de impostos.
Como se sabe, a resistência durou pouco. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, sob ordens do governo, cortaram os spreads, obrigando as instituições privadas a fazerem o mesmo para não perderem mercado – ainda que os benefícios permaneçam restritos a alguns pacotes de serviços e segmentos de clientes.
O que o estudo da subseção do Dieese no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região confirma agora, com base em dados do Banco Central (BC), é que o spread é alto no Brasil por conta das altas margens de lucro embutidas na taxa.
Em 2010, última pesquisa feita pelo BC, o spread era formado por 32,7% de margem líquida, 28,7% de inadimplência, 21,9% de impostos diretos, 12,6% de custo administrativo e 4,1% de despesas referentes ao compulsório, subsídio cruzado e fundo garantidor de crédito.
“Alguns analistas dizem que é preciso reduzir o compulsório para cortar o spread, mas isso é um desvio de foco, porque o compulsório representa apenas quatro pontos do spread”, afirma o economista do Dieese Gustavo Cavarzan, um dos autores do trabalho.
Ele lembra ainda que está embutido no spread um custo administrativo de mais de 12 pontos percentuais, apesar de os bancos já obterem uma remuneração via tarifas de 130% do valor das despesas com pessoal.
Por fim, com relação à inadimplência cobrada via spread, ele aponta que o valor é uma estimativa, e não a “inadimplência real”. Isso sugere que em determinados períodos os bancos cobram um valor referente à taxa de inadimplência que, na verdade, poderia ser menor.
Antes da atual onda de corte nos spreads, os bancos brasileiros eram um ponto fora da curva no mundo, onde alguns países chegavam a ter “spreads negativos”. Em janeiro de 2012, enquanto a taxa média paga para aplicações financeiras no Brasil estava em 38% ao ano, a taxa média de captação era de 10,2% anuais, resultando em um spread de cerca de 27,8 pontos percentuais ao ano.
Na Argentina, esse número estava em 3,39 pontos, no Chile, em 4,49, no México, em 3,82, na Colômbia, em 7,37, e na Bolívia, em 9,61. Agora, aguarda-se um novo estudo para confirmar se os spreads no Brasil convergem rumo a padrões normais.
Apesar das novidades, Cavarzan afirma que não acredita que os bancos do país deixarão de registrar lucros relativamente mais elevados do que em outros países. “Eles vão deixar de ganhar na margem, mas vão ganhar na escala,”, diz.
O mercado de crédito no país realmente tem um amplo potencial de crescimento. Enquanto por aqui o volume de crédito alcança patamares de 48% (metodologia do BC, em janeiro de 2012) ou 57% (metodologia do Banco Mundial, em 2010), esse número chega a 225% na Dinamarca, 169,2% no Japão, 145,5% na África do Sul e 130,0% na China – conforme dados do Banco Mundial.

Dilma: ‘vamos defender a indústria brasileira’

Em entrevista concedida ao jornalista Luis Nassif, a presidenta Dilma Rousseff diz que a preocupação número um do governo, daqui para diante, será com o tsunami monetário e os riscos que traz para a indústria brasileira. “As condições do mercado mudaram”, avisa. “Se perguntar hoje qual é o maior cuidado do governo, respondo: é acompanhar como o Brasil se defende dessas políticas que são abertamente protecionistas praticadas pelos governos desenvolvidos”.

Luis Nassif
(*) Publicada originalmente no Blog de Luis Nassif

Quem imaginava uma presidente emocionalmente abalada, depois de chorar em público pela saída de um assessor, pode desistir. A Dilma Rousseff que entrou no salão do Palácio Alvorada para tomar café vinha lépida, feliz, rejuvenescida e entusiasmada pela visita a Hannover, Alemanha, para participar da Feira de Tecnologia.

Lá, conferiu os stands alemães, quase todos apenas com filiais de empresas coreanas.

Depois, os brasileiros, com sistemas criativos, inovadores. “Todo mundo tinha coisa bem legalzinha”, conta a mineira Dilma, Entusiasmou-se com o sistema de controle de voo da Embraer, com a apresentação de Marcos Stefanini, de uma empresa brasileira de TI, que mostrou o grande diferencial brasileiro: jeitinho, criatividade.

Foram 90 minutos de entrevista, interrompida por um telefonema de Lula que mostrou ter recuperado a voz.

A seguir, os trechos principais da entrevista. Nela, diz que a preocupação número um do governo, daqui para diante, será com o tsunami monetário e os riscos que traz para a indústria brasileira. “As condições do mercado mudaram”, avisa ela. E analisa também as marolas em torno da suposta crise da base política.

Como os países ricos estão tratando a crise

É importante analisar como os países ricos tratam a crise.

Comecemos pelos Estados Unidos. O governo Barack Obama assumiu que queria política de crescimento imediato e correção de rumos fiscais no médio prazo. O problema foi a derrota no Congresso que o obrigou a optar pelo “quantitative easy” (programa de expansão monetária). Empurraram a crise com a barriga, aumentaram a quantidade de dinheiro nos bancos, mas não rolaram as dívidas das famílias, o que poderia ter destravado o mercado interno. Só agora nas eleições, depois de quatro anos de crise, começam a rolar as dividas das famílias.

O “quantatitve easy” é um mix de política macro, com taxas de juros lá embaixo, expansão monetária acelerada e segurar o lado fiscal. É evidente que por trás dela há a intenção de desvalorizar o dólar e melhorar o emprego interno.

O governo Obama foi levado a isso politicamente.

No caso da Europa, não: optaram por isso. O último relatório do BIS (o banco central dos bancos centrais) mostra que a estratégia visa dois objetivos principais: impede a crise bancária e ganha tempo para dois mecanismos: desvalorizar o euro e jogar a conta sobre países emergentes que têm câmbio flutuante. Mas, por outro lado, pode estar criando uma enorme bolha monetária.

Não há unanimidade no governo alemão com respeito ao tamanho da liquidez. Para eles foi importante para evitar um Lehman Brothers alemão, mas só isso. Não existe unanimidade na Alemanha sem sobre isso nem em relação à Grécia.

Por trás da expansão da bolhas, há um medo da inflação, pelo histórico alemão com a hiperinflação. Medo que nós compartilhamos.

A arbitragem com países de câmbio flutuante

No filme “Muito Grande para Falir”, na cena final o Secretário do Tesouro Paulson pergunta a Ben Bernanke se estava satisfeito com o fato dos grandes bancos terem absorvido os empréstimos para rolar dívidas. Bernanke, quieto, responde: não tenho certeza se eles vão emprestar. De fato, não emprestaram: uma parte ficou depositada no próprio FED, outra parte foi devolvida.

No caso da Europa, são um trilhão de euros emprestados a 1% ao ano, que em breve entrarão na ciranda financeira. Irão investir em títulos da Itália e Espanha, aumentando sua exposição? Não: virão fazer arbitragem aqui e em outros países. Tem uma enorme bolha a caminho.

O problema é que essa desvalorização cambial artificial é a forma de protecionismo mais feroz que se tem. Há um discurso dos países centrais, de que são defensores do livre comércio. Mas praticam o protecionismo mais feroz que se tem. E essa desvalorização artificial da moeda não está regulada pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Então não venham reclamar de algumas medidas absolutamente defensivas que o Brasil toma.

Hoje em dia, via tsunami monetária, está em curso no mundo a prática das desvalorizações competitivas, o que se chama de “empobreça seu vizinho”.

É uma situação esquizofrênica na Europa, que não consegue uma solução de crescimento.

Muitos países estão com graus de desemprego do ponto de vista política incompatível com sistemas democráticos abertos. A dívida grega não é financiável, assim como a de Portugal. Como conviver com nível de desemprego que chega a atingir 45% dos jovens? Destrói o tecido social, tira das pessoas a esperança.

A estratégia brasileira

No Brasil, vamos ter que perceber duas coisas:

Primeiro, as condições do mercado internacional mudaram. Estamos vivendo situação diferenciada. Não se pode perder a consciência do tsunami monetário. Tem que fazer avaliação sobre as estratégias a serem tomadas, e não se faz de forma abrupta e apaixonada. Com muita cautela, frieza, tranquilidade, iremos acompanhar o desenrolar da situação e tomar as medidas cabíveis.

Não tenho como adiantar as medidas cabíveis, mas para o governo brasileiro esta é a questão principal.

Se perguntar hoje qual é o maior cuidado do governo, respondo: é acompanhar como o Brasil se defende dessas políticas que são abertamente protecionistas praticadas pelos governos desenvolvidos.

A necessidade do investimento no Brasil

A própria China está promovendo uma transição do modelo de exportações para o mercado interno. Não vão parar de importar, mas irão se situar de forma diferente no mundo.

Por todas as manifestações que lemos: acho que os chineses se sentiram muito fragilizados diante da crise dos seus maiores mercados. Não podem mais confiar só no mercado externo.

Wen Jiabao disse que o modelo era desequilibrado, insustentável (usa quatro adjetivos): eminentemente desequilibrado: levará a impasses que terão que ser resolvidos.

A China caiu na armadilha do sobre investimento elevado, o que cria rigidez econômica muito forte. Agora, tentam fazer a versão.

No Brasil, anda estamos na fase de acelerar investimento. Em breve pretendo fazer uma reunião pessoal com os maiores empresários do país sobre a questão do investimento, Uma parte da decisão depende da expectativa, do que Delfim gosta de chamar de “espírito animal”. O Brasil oferece todas as condições.

Em todos os lugares que vamos são as mesmas avaliações dos empresários internacionais. No último dia na Alemanha tivermos reunião com Angela Merkel na ABDI (o equivalente à nossa Confederação Nacional da Indústria).

A reunião foi para que nos falassem como pretender investir no Brasil. Havia uma porção de setores, quase uma rodada de negócios. E todos eles vinham, diziam que tinham empresa tal, na área tal, e todo interesse em investir no Brasil. Hoje em dia a maior parte da população alemã é de aposentados e crianças. E o Brasil tem o bônus demográfico. Eles olham para isso, para nosso mercado, para a estabilidade macroeconômica e política, para nossa tradição de respeitar contratos.

Revertendo a queda na indústria

Aqui não temos dúvida de que a economia mundial caminha para recessão com excesso de liquidez. A China reduzirá crescimento para 7,5% com a clara intenção de reverter o modelo para dentro. Outros grandes países vão perseguir esse fortalecimento do mercado interno, com, a possível exceção da Índia, que tem um déficit externo muito complicado.

Temos que ter consciência disso.

A situação atual não é a mesma de 2011. Nós tínhamos absorvido a expansão monetária dos Estados Unidos que de uma forma ou outra foi encaixada. Agora é absolutamente diferente, é recessão com uma gigantesca expansão monetária acumulada e uma tendência a uma volta aos mercados domésticos.

Vamos ter uma política clara em relação ao Brasil, da qual o melhor exemplo é a revisão do acordo automotivo com o México. Foi feito em 2002, em outra conjuntura, na qual cabia o acordo. E está em vigor até agora, em condições não adequadas ao Brasil.

O Brasil vai institucionalmente tomar medidas para garantir que nosso mercado interno não seja canibalizado. Tem queda na indústria, mas dá para reverter. Não daria se deixássemos continuar por dois, três anos. Agora dá e vamos fazer o possível e o impossível para defender a indústria nacional.

O papel da redução dos juros pelo BC

A redução dos juros, pelo Banco Central, não é só para esquentar a economia brasileira. Cumprimento o BC porque a intenção maior é equilibrar a taxa interna com a internacional. Hoje em dia esse diferencial é responsável pela maior arbitragem que existe no mundo.

Iremos fazer isso sem comprometer a luta contra a inflação.

O fantasmas das falsas crises políticas

Existe uma forma quase fantasmagórica de cobrir a política. A imprensa vem falando em crise com a base aliada. Não existe crise. Os conflitos – que sempre existirão – tem a ver com os processos pelos quais exercemos o nosso presidencialismo. Tem que ser de coalizão, mas não deixa de ser presidencialismo.

No caso do Brasil, alcançamos grande maturidade nas relações executivo-legislativo e executivo-judiciário. Podemos nos vangloriar de ter certa estabilidade.

Por aqui seria inconcebível uma relação Executivo-Congresso do tipo democrata-republicano As diferentes opiniões que se estruturam dentro da sociedade brasileira não permitiriam isso.

Temos tradição de sermos obrigados, como políticos que somos, a olhar o interesse de todos: o que nos EUA às vezes me parece que não é o caso.

Ninguém aqui pode durante muito tempo só defender seus interesses específicos sem que haja reação da parte da sociedade.

É sempre bom que tanto Executivo quanto Legislativo e Judiciários saibam que essa é exigência de postura de todos: presidentes, ministros, deputados, senadores e juízes. Esse é aspecto importante da nossa democracia e explica também porque, mesmo tendo eleições bastante atritadas, em alguns casos até duras, logo depois da eleiçao há como uma pacificação geral

Ai do presidente que não falar em nome de todos os brasileiros e brasileiras. Em outros países do mundo não se vê isso

Ao lado da coalisão há questão do interesse de todos, balanço do presidencialismo que fala em nome de todos e coalisão que são interesses partidários. É normal que se reivindique e se debata. É intrínseco a esse processo.

E partidos não podem arcar com ônus de inviabilizar acordos: são partes do acordo. Quando votam contra governo, são pontos muito específicos. Não tem desvio, conduta inadequada: que eles façam assim é da regra do jogo, que façamos de outro é da regra do jogo.

IGP-M registra deflação em dezembro, diz FGV

 

Por Valor

SÃO PAULO – O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou baixa de 0,12%, em dezembro, acabou de informar a Fundação Getulio Vargas (FGV), que apura o indicador. Em novembro o índice havia avançado 0,50%. No acumulado de 2011, entre janeiro e dezembro, o IGP-M variou 5,10%.

Dois dos três componentes do índice apresentaram desaceleração no mês. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve taxa de variação de -0,48%. No mês anterior, havia subido 0,52%. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) mostrou variação de 0,35%, abaixo do resultado de novembro, de 0,50%. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou 0,71%, diante de 0,43% em novembro.

No IPC, que teve variação de 0,71%, cinco das sete classes de despesa componentes do indicador registraram alta, com destaque para Alimentação (0,52% para 1,24%). Os itens que mais influenciaram a taxa desta classe de despesa foram: carnes bovinas (1,95% para 5,36%); frutas (0,72% para 4,37%); e panificados e biscoitos (0,08% para 1,56%).

Também apresentaram acréscimo os grupos Transportes (-0,06% para 0,53%); Saúde e Cuidados Pessoais (0,37% para 0,64%); Vestuário (0,76% para 1,10%); e Despesas Diversas (0,23% para 0,37%). Nessas classes de despesa a FGV destacou o comportamento dos preços dos itens gasolina (-0,64% para 1,02%); artigos de higiene e cuidado pessoal (0,22% para 1,06%); roupas (0,85% para 1,36%); e cerveja (1,04% para 3,75%).

Tiveram recuo os grupos Habitação (0,53% para 0,38%) e Educação, Leitura e Recreação (0,46% para 0,44%). Nesses grupos, destacam-se os itens condomínio residencial (1,69% para 0,59%) e show musical (4,83% para -0,77%).

No IPA, o índice relativo aos Bens Finais variou 0,52%. Em novembro, esse grupo de produtos mostrou alta 0,62%. Contribuiu para a desaceleração, segundo a FGV, o subgrupo alimentos in natura, cuja taxa de variação passou de 1,92% para -0,60%. Excluindo-se os subgrupos alimentos in natura e combustíveis, o índice de Bens Finais (ex) registrou variação de 0,33%. Em novembro, a taxa foi de 0,35%.

O índice referente ao grupo Bens Intermediários variou -0,17%. Em novembro, 0,27%. O subgrupo materiais e componentes para a manufatura registrou decréscimo, passando de 0,26% para -0,50%, sendo o principal responsável pela desaceleração do grupo. O índice de Bens Intermediários (ex), calculado após a exclusão do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, variou -0,33%, ante 0,19% em novembro.

Ainda no IPA, no estágio inicial da produção o índice de Matérias-Primas Brutas variou -1,98%. Em novembro havia registrado variação de 0,73%. Os principais responsáveis pela desaceleração do grupo foram minério de ferro (1,83% para -6,96%); milho em grão (-0,42% para -7,04%); e bovinos (3,72% para 1,35%). Registraram-se acelerações em café em grão (-0,11% para 2,83%); em suínos (1,94% para 6,51%) e em arroz em casca (2,18% para 4,74%).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou em dezembro variação de 0,35%, abaixo do resultado de novembro, de 0,50%. Dois dos três grupos componentes do índice apresentaram desaceleração: a taxa do grupo Materiais e Equipamentos passou de 0,26% para 0,18%, enquanto a do grupo Mão de Obra recuou de 0,73% para 0,47%. O grupo Serviços apresentou aceleração, de 0,30% para 0,39%.

(Valor)

* Nota atualizada e ampliada às 8h46

2011, o primeiro ano de Dilma

por Paulo Passarinho, publicado originalmente pela Fundação Lauro Campos.

O início do ano que se encerra foi o primeiro da gestão de Dilma Rousseff, como presidente da República. A herdeira de Lula e principal auxiliar do ex-presidente enfrentava em janeiro passado dois temores: o que se chamava de recrudescimento inflacionário e um processo de forte valorização do real.

O ano de 2010 havia terminado com um expressivo crescimento do PIB – acima de 7,5% – por conta de um conjunto de medidas que havia sido tomado pelo governo, como resposta à retração econômica experimentada pelo país em 2009. O recuo do PIB naquele ano se deu por força da crise internacional e, também, pela demora do Banco Central, ainda em 2008, em reduzir a taxa básica de juros, o que somente ocorreu já em 2009.

A retração de 2009 e a adoção de medidas anticíclicas, junto com a liberação de recursos públicos no ano eleitoral de 2010, ajudam, portanto, o desempenho da economia brasileira, em termos do comportamento do PIB. Contudo, é neste contexto que sinais vermelhos se acendem para o novo governo. O desempenho das exportações e a entrada maciça de recursos externos no país contribuem para a valorização do real frente ao dólar. Se este é um processo que acaba por contribuir para atenuar as pressões inflacionárias, o forte crescimento das importações faz com que o saldo da balança comercial sofra igualmente uma indesejável redução. E esse é um processo que não interessa ao governo. Com a desnacionalização do aparato produtivo brasileiro, com a abertura financeira que temos e com o processo de endividamento externo das empresas privadas nossa conta de serviços é crescentemente deficitária. A obtenção de saldos comerciais, em um quadro como o descrito, torna-se essencial, como forma de administrar o balanço de pagamentos e sua dependência de atração de recursos pela conta de capital – o que apenas faz com que nossos passivos com o capital externo se elevem.

Frente a esse quadro, medidas macro prudenciais, particularmente relacionadas à área fiscal e ao fluxo de capitais externos (embora de forma muito tímida) foram adotadas, ainda mesmo antes da posse de Dilma. Já em janeiro, o ano se inicia com fortes medidas de controle sobre o orçamento e um processo de alta da taxa Selic, além de uma organizada resistência dentro do Congresso, para se evitar qualquer surpresa na definição do valor do salário mínimo, que acabou ficando em R$ 545,00, conforme vontade do Palácio do Planalto.

A palavra de ordem do novo governo era desacelerar o crescimento. Segundo Guido Mantega, o objetivo do governo seria diminuir o ritmo de crescimento da atividade econômica, sem, contudo, abortá-lo. A maior preocupação era, naquele momento, com os efeitos da sobrevalorização do real, suas conseqüências sobre o ritmo das importações, e o temor com a inflação. Mesmo com o bom desempenho das exportações, tanto em termos de volume quanto em relação aos preços das commodities agrícolas e minerais, a velocidade com que as importações cresciam levava a projeções que apontavam o risco de voltarmos a ter um resultado negativo da balança comercial, em 2012. O que não deixa de ser uma ironia e um paradoxo: afinal, para um Brasil que em boa parte do século XX cresceu a taxas muito elevadas e de forma continuada, agora, em plena era de um suposto neo-desenvolvimentismo, um crescimento de pouco mais de 7%, em seguida a uma retração econômica, como a observada em 2009, assusta as autoridades e as fazem traçar metas de desaceleração do crescimento…

Entretanto, o que de fato acabou por surpreender Dilma e sua equipe econômica foi, com certeza, o recrudescimento da crise internacional e especialmente a instabilidade econômica e financeira da Europa. Desse modo, depois de elevar a taxa básica de juros ao longo de todo o primeiro semestre, ao final de agosto o Banco Central se vê obrigado a inverter a mão e dar início a um processo de paulatina redução da taxa Selic.

De janeiro a julho, a taxa de juros básica foi elevada por cinco consecutivas vezes, chegando a 12,5% ao ano (em dezembro de 2010, a taxa Selic era de 10,75%). Agora, em dezembro, o Copom definiu a taxa básica em 11% ao ano, em uma terceira redução consecutiva. A preocupação se volta, novamente, para o ritmo da atividade econômica. Porém, em um sentido inverso daquele manifesto no início do ano. No terceiro trimestre do ano, a economia ficou estagnada em relação ao desempenho do segundo trimestre. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o crescimento foi de 2,1%, muito abaixo de países como a Índia (6,9%) ou a China (9,1%).

Fica claro, desse modo, que a administração macroeconômica continua refém do curto-prazo e tem como objetivo a busca de condições para a manutenção do modelo em curso, baseado no tripé câmbio flutuante/ metas de inflação/ superávit fiscal.

A aposta no mercado externo para o fechamento das nossas contas externas depende cada vez mais da dinâmica e da demanda asiática, e chinesa, por nossas commodities agro-minerais. O endividamento em títulos da União; em dólares, pelas grandes empresas, e em reais, pelas famílias, continuam em curso. E, é bom lembrar, nem a inflação, nem a sobrevalorização do real se transformaram nos bichos-papão apontados inicialmente.

No plano produtivo, o que voltamos a destacar é a forma como continuamos a assistir a entrada do capital estrangeiro e seu predomínio nos mais diferentes setores da economia, particularmente nas aquisições de terras, como reserva de valor ou em investimentos vinculados à produção de etanol e à atividade agropecuária voltada à exportação.

Pela intensa badalação que a mídia dominante, de dentro e de fora do país, assim como círculos de pressão e formação de opinião vêm fazendo em relação ao nosso país, tudo indica que o Brasil é a estrela econômica da vez. Ao menos durante esse ciclo, onde nosso país estará sediando eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Da mesma forma que, em passado não muito recente, países como o México e a Argentina já foram apresentados como sucessos pela chamada comunidade financeira internacional.

Espero apenas que o nosso destino não nos seja tão cruel.

Paulo Passarinho é economista

Aécio Neves e sua inflação de banalidades



O textinho de Aécio, publicado nesta segunda-feira (26/09), tem como preocupação aparente a volta da inflação.

Ele discorre sobre números, com um nível de profundidade inversamente proporcional à complexidade do tema. O IPCA de agosto, alerta-nos o senador mineiro, mostra a cifra acumulada (anual) de 7,23% e o IPCA-15, 7,37%. A inflação por setores (vestuário, transporte, alimentação e gastos pessoais) também preocupa o neto de Tancredo.

Fala ainda em “abrupta desvalorização da taxa de câmbio” que, em uma semana, variou 9,2%. Insinuando, assim, que tal desvalorização fosse uma decisão de governo. E dá-lhe blá-blá-blá, tró-ló-ló, ti-ti-ti.

Ao final, ele registra que nada “justifica o retorno de políticas voluntaristas”. Ah, no meio do seu escrito sob o pretexto de desqualificar a recente queda nas taxas de juros, ele “avança” a senha: faltaria um esforço fiscal restritivo e o governo Dilma “surpreendentemente” teria adotado políticas inflacionárias que podem danificar empresas e penalizar os mais pobres.

Resumindo a prosa: sem explicitar, o que Aécio quer são os cortes de gastos em programas sociais, arrocho salarial dos servidores públicos, demissão nos setores públicos e privados, a volta das férias coletivas, paralisação de obras do PAC, cancelamento das medidas do plano “Brasil Maior” etc. Ainda que, ironicamente, diga que não há motivos para pânico.

A pressão inflacionária é preocupante mesmo. Mas não pelos motivos superficiais alegados pelo nosso bacharel em economia. Tal pressão é uma resultante de fatores internacionais que não dominamos:  na “zona do Euro”, nos EUA, na Ásia e no Oriente Médio (dívida americana, guerra cambial patrocinada pela China, aventuras militares em países produtores de petróleo, farras da agiotagem financeira, crise na Grécia, Itália, Portugal etc); e de problemas internos que mereceram, no passado recente, posturas distintas se comparados os governos Lula aos dois de FHC.

Há um vídeo bem humorado na internet mostrando como se diferenciam essas duas abordagens (“Entenda como Serra quebraria o Brasil na crise mundial”) e que pode ser acessado em qualquer sistema de busca na rede ou, diretamente, pelo link:

http://www.youtube.com/watch?v=Ig9pE6qwzxw

O que Aécio chama de esforço fiscal restritivo é desenvolvido por líderes tucanos nesse curto vídeo.

Em síntese, a diferença é: combater a crise ao modo FHC, com juros altos, arrocho fiscal, salarial, desaquecimento da economia, desemprego etc; ou à moda Lula, investindo em políticas equilibradas que combinem manutenção da atividade econômica, proteção do mercado interno, taxas de emprego, consumo responsável etc.

Aécio “arrisca” a dizer que o governo Dilma teria abandonado o regime de metas de inflação. Ele aposta num palpite e não nos dá nenhuma pista disso. Ao contrário, o pronunciamento do governo federal é claro: o tripé que sustenta a condição de enfrentamento da crise (câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e regime de metas) está sendo reforçado.

Comparando a 2008, o país tem U$ 150 bilhões a mais em relação às Reservas Internacionais. Para brincar com percentuais: 500% em relação ao governo FHC (no ano em que Aécio presidia a Câmara de Deputados)! R$ 170 bilhões a mais de Depósitos Compulsórios, também em relação a 2008.

Lula e Dilma adotaram medidas importantes que, pelo seu grau de tecnicalidade, não podem ser desenvolvidas neste curto espaço (nem Aécio mereceria tal deferência), mas vale apenas mencionar: oneração de empréstimos internacionais de curto prazo e de operações com derivativos; ampliação das margens sobre depósitos compulsórios; medidas prudenciais em relação ao “boom” de crédito e de seus prazos alongados; implementação antecipada de medidas recomendadas internacionalmente, pressionando os bancos a constituírem seus “colchões” de amortecimento de crises e melhor cobertura de riscos etc. Operações de crédito de longo prazo foram incentivadas com a criação da “Letra Financeira” que é isenta, integralmente, do recolhimento compulsório. Isso sem falar que medidas macroprudenciais são tomadas e o monitoramento da própria crise é feito sem improvisação e de forma ordinária, quotidiana, por organismos responsáveis pela regulação financeira no país.

Enfim, de fato a crise é grave e exige mergulho profundo num mar revolto. E não será qualquer surfista de águas rasas que dará lições de economia, política fiscal e monetária, a quem enfrentou a de 2008 e dela saiu fortalecido.

Paulo Teixeira líder do PT mostra diferença entre PT e PSDB e afirma que governo FHC foi antinacional e elitista

Qui, 16 de Junho de 2011 13:21

lider pteixeira1_D1O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP),em discurso na tribuna da Câmara, deixou claras as diferenças entre o projeto vitorioso do PT e aliados, implementado desde 2003, e do governo de FHC (1995-2002), que quebrou o País três vezes. Segundo o líder, o governo Fernando Henrique Cardoso tomou um caminho equivocado para o País, privatizando parte importante do patrimônio nacional, como a Companhia Vale do Rio Doce, “vendida na bacia das almas”, como parte de uma estratégia de abertura “que destruiu parte das empresas nacionais”.

As considerações do líder petista foram feitas a propósito de comentários feitos pelo líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP) a respeito de carta que a presidenta Dilma mandou a FHC, alusiva ao 80º aniversário do ex-presidente tucano. “Eu também o cumprimento pelos 80 anos, mas quero deixar claras as nossas divergências”, frisou Teixeira. O líder tucano deu a entender que não há mais divergências com o PT, em razão de algumas medidas tomadas pelo governo Dilma, mas foi desautorizado pelo líder do PT.

Teixeira lembrou que as divergências de fundo com o PSDB e seus aliados não foram superadas. “Nós continuamos dizendo que o governo FHC foi antinacional; foi um governo antipopular; representante das forças conservadoras do País e dos interesses do grande capital e não do interesse do povo brasileiro”, ressaltou Teixeira.

SUBSERVIÊNCIA – O líder petista observou que o projeto antinacional do PSDB levou o país a problemas seríssimos cuja solução foi encaminhada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2003. Um exemplo foi a abertura desenfreada ao capital estrangeiro. Teixeira contrapôs como exemplo a Coreia do Sul, que nos anos de 1980 tinha o mesmo patamar de riquezas do Brasil e, trinta anos depois, chegou a um PIB per capita de US$ 30 mil. O motivo, explicou, é que os coreanos não empreenderam uma abertura irresponsável como fez FHC.

“Os coreanos fizeram uma abertura seletiva, fortaleceram as grandes empresas nacionais, como a Hyundai, a Samsung e outras. Copiaram, copiaram e copiaram e hoje estão em uma sociedade do conhecimento. O que fez o Governo FHC? Privatizou as grandes empresas nacionais, desnacionalizou grande parte delas, fez uma abertura violenta que destruiu parte do nosso parque industrial, aprovou uma lei de propriedade intelectual além do que a Organização Mundial de Comércio propunha, a chamada TRIPS Plus”, observou o líder.

Paulo Teixeira disse que, graças ao modelo do PSDB, o Brasil enfrenta hoje problemas para chegar a uma sociedade do conhecimento. Ele mencionou como exemplos positivos a Índia e a China, que fizeram uma transição para que pudessem absorver conhecimento e dar um salto tecnológico, formando uma indústria nacional de ponta. Esses países não aceitaram as imposições dos países industrializados no tocante a leis de propriedade intelectual, como fez, de forma subserviente, o governo tucano de FHC.

DESIGUALDADES – O líder do PT lembrou que, no governo FHC, aumentaram as desigualdades sociais no Brasil e o projeto de nação foi comprometido. “Se ali tivéssemos tomado um outro caminho, teríamos hoje um grau de desenvolvimento maior. Tanto que o Presidente Lula fez uma grande transição do modelo neoliberal para um modelo de construção de um projeto nacional de país e de nação”, assinalou Teixeira.

O líder reconheceu a contribuição que FHC deu para a estabilização econômica, mas ressalvou que foi no governo Lula que houve a estabilização com crescimento, inclusão social e distribuição de renda, modelo que vem tendo continuidade com o governo da presidenta Dilma.

Ele lembrou que, hoje, combate-se a inflação com medidas diferenciadas das adotadas por FHC. “Controle de inflação não representa comprometimento do crescimento e aumento da dívida pública; o controle da inflação tem que ser combinado com o crescimento econômico, e foi esse o compromisso da presidenta Dilma Rousseff. É por isso que o Brasil cresce. É por isso que o Brasil gera empregos. Nós crescemos com o controle das contas públicas”, disse o líder do PT.

MAROLINHA – Apontou também que, no governo FHC, a dívida pública aumentou de forma exponencial, enquanto que, no de Lula, diminuiu, em relação ao PIB. E mais: mesmo com crise mundial eclodida em 2008, a maior do capitalismo desde 1929, o Brasil não ficou exposto, graças às medidas de proteção da economia nacional adotadas desde 2003. “Foi uma marolinha, como disse Lula, e nós tivemos condição de voltar a crescer e a ser uma economia vibrante, uma economia que cresce, que inclui e é baseada no mercado interno de massas”.

Em contraste, disse, na época de FHC o Brasil, por não ter se preparado, entrava em crise ao menor sinal de instabilidade nas economias externas. “Enquanto o Governo FHC acreditava que o mercado externo resolveria tudo, o País sofreu com a crise da Ásia, do México e todas as outras crises”, recordou Paulo Teixeira.

O líder disse que o governo Dilma dá continuidade e aprofunda o projeto iniciado em 2003 com Lula. Citou como ações importantes o programa de erradicação da miséria, o incremento da formação técnico-profissional, entre outros.

É nois na fita Manu…InfRação desacelera em maio e fica em 0,63%, aponta IBGE… tá errado? kkkkk

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, desacelerou em maio, com variação de 0,70%, ante 0,77% no mês anterior.

Em maio de 2010, o índice ficou em 0,63%. Nos primeiros cinco meses do ano, o IPCA-15 atinge 3,86%, acima de igual período do ano passado (3,16%). Em 12 meses, chega a 6,51%, também maior que os 12 meses imediatamente anterior (6,44%).

Segundo o IBGE, que divulgou os dados nesta sexta-feira (20), a desaceleração se explica, principalmente, pelos grupos alimentação e bebidas, que passou de 0,79% em abril para 0,54% em maio, e transporte, que foi de 1,45% para 0,93%.

No caso dos alimentos, o instituto destacou quedas nos preços do tomate (-9,18%), frutas (-2,90%) e hortaliças (-1,51%). Nas refeições fora do domicílio, item importante na composição do índice, a variação foi de 0,47%, ante 0,91% no mês anterior.

Os lanches consumidora fora do domicílio, que haviam subido 0,54% em abril, caíram 0,63%. Foram registradas altas nos preços da batata-inglesa (de 10,05% para 24,22%), feijão carioca (de 5,99% para 7,27%), leite pausterizado (de 1,58% para 3,82%) e café moída (de 2,10% para 3,02%).

Em transporte, o etanol passou de uma alta de 16,40% para uma variação de apenas 0,01% este mês. Já o litro da gasolina teve alta de 5,30%, acima da elevação de abril (4,28%) – esse item representou 30% do IPCA-15%. “Com isto, a alta da gasolina chegou a 11,82% neste ano, influenciada pelo etanol, que a ultrapassou e atingiu 30,70%”, diz o IBGE. Por outro lado, a menor variação de tarifas de ônibus urbanos (de 0,62% para 0,14%) ajudou a puxar para baixo a taxa mensal.

Tarifas de serviços aumentaram em maio: as contas de energia elétrica, que haviam subido 0,59% em abril, tiveram alta de 1,14% este mês. As de água e e esgoto foram de 1,06% para 1,64%. Despesas de aluguel subiram de 0,76% para 0,95% e as de condomínio, de 0,99% para 1,01%.

Entre os índices regionais, o maior foi o de Goiânia (1,07%), com impacto da taxa de água e esgoto (2,49%) e da gasolina (6,71%). O menor foi o de Belém (0,36%). O IPCA-15 teve inflação de 0,85% em Belo Horizonte, 0,65% em Brasília, 0,81% em Curitiba, 0,54% em Fortaleza, 0,91% em Porto Alegre, 0,70% em Recife, 0,75% no Rio de Janeiro, 0,85% em Salvador e 0,53% em São Paulo (ante 0,94% em abril). No ano, acima do índice geral (3,86%), estão Curitiba (4,46%), São Paulo (4,10%), Recife (4,01%) e Belo Horizonte (3,93%).

O IPCA de maio será divulgado em 7 de junho. O de abril teve variação de 0,77%, próxima à do mês anterior (0,79%).

Fonte: Rede Brasil Atual

Projeção de analistas para inflação cai depois de oito semanas em alta

Após dois meses seguidos de projeções de alta para inflação, a previsão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2011 voltou a cair, de acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira(9), pelo Banco Central (BC).

A estimativa do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) diminuiu de 6,37% para 6,33% entre os analistas de mercado. A redução foi influenciada pela divulgação do IPCA de abril, na última sexta-feira (6),pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE).

O IBGE informou que a inflação de abril ficou em 0,77%, pouco menor do que a registrada em março (0,79%). A diminuição da inflação já havia sido prevista pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última sexta-feira (6).

“O pior momento da inflação está passando, ficando para trás. A partir de maio, os preços passarão a cair no Brasil de modo que a inflação estará sob controle”,disse o ministro. Mantega acrescentou que, sem considerar no IPCA alguns alimentos cujos preços variam facilmente, a queda seria ainda maior. “Passou de cerca de 0,70% (março) para 0,52% (abril)”, enumera.

Ainda na semana passada, em audiência na Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Central (BC),

, declarou que a pressão inflacionária começará a ser reduzida nos próximos meses. “Teremos um inflação mensal girando em valores mais baixos”, garantiu.

Tombini explicou que o aumento das taxas de juros ainda não teve impacto no mercado e que “estamos caminhando para o controle da inflação”. Segundo ele, “o cidadão comum vai sentir a inflação mais baixa ao longo do ano”.

Fonte: Brasília Confidencial

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