Dilma fala sobre direitos humanos em Cuba

 

Na coletiva, critica a instrumentalização ideológica da bandeira dos direitos humanos e diz que deve ser bandeira geral, de Cuba, do Brasil e dos Estados Unidos.

 

Publicado originalmente por luisnassif

….Livro reacende debate sobre privatizações…. (via @marcelo semer)

 

Em paradoxo mal explicado, empresas foram vendidas para capital estrangeiro, mas pagas com dinheiro nacional

Durante o processo das privatizações, o Brasil entrou em transe.

A imprensa eufórica abandonou sua tradicional postura crítica para remar a favor.

Não é de se estranhar que a opinião pública tenha vibrado a cada batida do martelo na Bolsa de Valores, como se a entrega de empresas estatais ao setor privado pudesse representar alguma inebriante conquista do país.

O clima positivo foi incensado por reportagens que atribuíam ao gigantismo do Estado o atraso da economia e o débito social.

Em nome desse passaporte para a modernidade, o país se desfez não apenas de empresas pesadas e custosas, mas de potências lucrativas. Não apenas de empresas periféricas cujo controle pudesse representar uma forma extravagante de atividade econômica, mas de gigantes dos setores estratégicos de energia e comunicações.

Em um paradoxo até hoje mal explicado, estas empresas foram vendidas para o capital estrangeiro, mas pagas com dinheiro nacional. Fundos de pensões das estatais e o banco nacional de desenvolvimento social avalizaram os bilhetes premiados que permitiram as privatizações.

Ao final deste processo, algumas áreas se modernizaram (como a telefonia celular), outras nem tanto (como a energia), mas ninguém pôde exibir orgulhosamente os frutos de tamanhas vendas. O patrimônio estatal aparentemente reduziu-se a pó.

Por prudência, receio ou conveniência, o governo petista que sucedeu FHC jamais questionou o processo.

Hoje, o distanciamento histórico nos permite avaliar acertos e erros das privatizações. Até para averiguar a viabilidade de sua continuação -atualmente centrada na infraestrutura (estradas e aeroportos) e expandida a serviço de setores essenciais, como a saúde.

Nesse horizonte crítico, o livro “A Privataria Tucana” (Geração Editorial), que bateu recordes de venda no final de 2011, agregou um novo condimento ao debate: a denúncia de que propinas pagas na formação dos consórcios e as vantagens que estes teriam auferido desembarcaram em contas de pessoas próximas a José Serra, então ministro do Planejamento.

O autor, Amaury Ribeiro Jr., centra sua pesquisa na criação de offshores em paraísos fiscais que teriam ocultado ganhos ilícitos do processo e o posterior investimento destas empresas de fachada no Brasil para internar o dinheiro. O jornalista foi atrás das constituições das empresas e, em vários casos, seguiu o rastro do dinheiro, apontando quando saiu e para onde voltou.

Seus personagens principais circulam, sobretudo, ao redor de José Serra: a filha, o genro, o primo e alguns amigos que também tomaram parte no processo, especialmente o ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, que depois foi tesoureiro de sua campanha. Para quem tem pouca familiaridade com economia, e não entende bem o complexo movimento do ir e vir do dinheiro, como mecanismo para ocultar origem e destino, a reportagem tem pontos esclarecedores.

A utilização de paraísos fiscais para evitar controles e tributações não é fato novo. Mas incomoda constatar o quanto de dinheiro sai de nossas fronteiras para empresas que se resumem a caixas postais em ilhas do Caribe e como retornam como valiosos investimentos internacionais. Isto pode valer tanto para o dinheiro da corrupção (como sustenta o MP, em relação a Paulo Maluf) quanto para o do tráfico. Pode ser produto de fraude ao INSS ou de sonegação de empresas aparentemente respeitáveis.

Não se pode dizer, entretanto, que o livro-reportagem condene José Serra. Não há qualquer referência à empresa ou negócio de que ele tenha participado diretamente.

Mas tampouco é prudente afirmar, sem qualquer análise da veracidade e relevância sobre os documentos juntados, que tudo não passa de “peça de ficção”, como apressadamente sentenciou o jornalista de O Globo, Merval Pereira.

Ainda que não seja um porto de chegada, pode se transformar em ponto de partida – pautas, no jargão jornalístico.

Mas eis que veio justamente da imprensa a maior polêmica no entorno político que cercou o lançamento do livro. Sucesso imediato de vendas e tema dos mais compartilhados pela web, o livro quase não foi notícia na grande mídia.

Em alguns dos principais meios de comunicação, foi simplesmente ignorado; em outros, a menção só veio como forma de defesa do processo ou de seus envolvidos. O conhecido espírito crítico, a famosa ânsia de investigar fios desencapados, as coincidências que tradicionalmente sensibilizam os jornalistas, tudo isso ficou adormecido. E paradoxalmente, no ano que a grande imprensa tanto se jactou de ser fábrica de derrubar ministros a partir de denúncias veiculadas em suas telas e páginas.

A defesa ideológica da causa ou a eventual preferência política não devem influir nas pautas, sob pena de contrariar justamente o interesse público que representam. Afinal, como lembrou Wladimir Safatle, nas páginas da Folha de S. Paulo, “o primeiro atributo dos julgamentos morais é a universalidade”.

Estadão com medo: teme que PT ganhe eleição e presidenta Dilma se reeleja e faça sucessor

ImageO Estadão – na verdade, os Mesquitas – está assustado com a possibilidade de o PT, de novo, governar a cidade de São Paulo, último bastião da oposição, segundo o jornal afirma em seu principal editorial do fim de semana (publicado neste domingo) “Agora a capital, depois o Estado”.

Mas nós já governamos São Paulo duas vezes – com as prefeitas Luíza Erundina e Marta Suplicy – e bem melhor do que os tucanos. Para não falar no ex-prefeito Jânio Quadros e nos ex-prefeitos Paulo Maluf-Celso Pitta, nós administramos de forma muito mais eficiente que a dupla José Serra-Gilberto Kassab. E olha que não tínhamos, nem de perto, sequer 1/3 dos recursos orçamentários e o apoio do governo do Estado que hoje a capital paulista tem.

O fato é que fizeram um editorial típico dos velhos tempos, quando a mídia fazia e derrubava governos, ganhava eleição com apoio da embaixada norte-americana e de dinheiro de suas agências. Os Mesquitas lamentam que a oposição não se una e a convocam para sua missão: evitar que o PT governe o Estado de São Paulo.

Razão do editorial: medo de PT ganhar eleições

Mas, a verdadeira razão do Estadão é o medo de que a presidenta Dilma Rousseff se reeleja em 2014 e ainda faça o seu sucessor em 2018. É isso o que diz o editorial choramingando sobre a alternância no poder federal, mas esquecendo que os tucanos governam São Paulo há exatamente 20 anos.

Sem contar os três governos anteriores do PMDB – de Franco Montoro, Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury Filho -, cujos principais líderes estão hoje integrados ao tucanato. Então, a democracia só vale no âmbito federal? Não podemos nem devemos trocar o poder municipal em São Paulo nunca?

O jornalão rasga a fantasia – ainda que ao estilo da mídia brasileira, sem assumir diretamente que é pró-PSDB – com esse editorial, em que berra para os tucanos se mexerem em São Paulo. O texto adverte, inclusive, para o “apocalipse” que se aproxima, o absurdo de o PT querer ganhar a prefeitura de SP na eleição deste ano.

Travo amargo: nosso, ou deles?

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Fernando Haddad

“Ganhar a Prefeitura em outubro é apenas o primeiro passo, o trampolim para a conquista inédita sem a qual a hegemonia política dos petistas no País continuará tendo um travo amargo: não controlar o governo do mais importante Estado da Federação”, alerta o jornal aos tucanos.

O Estado de S. Paulo afirma que “a candidatura do ex-ministro da Educação emerge estimulada por circunstâncias favoráveis. É claro que Haddad ainda terá que comprovar um mínimo de competência numa área de atuação em que é neófito. Mas, se vocação para o palanque fosse indispensável, Lula não teria feito sua sucessora em 2010”.

Em outro trecho chega a dizer: “o que importa é que, repetindo o que deu certo em 2010 em escala muito mais ampla, o novo escolhido pelo Grande Chefe se apresentará na campanha municipal exatamente com essa credencial: ser o candidato de Lula, e com toda a liderança (…) e a aguerrida militância do PT empenhadas numa questão que para eles já se tornou ponto de honra – vencer em São Paulo”.

Pode fazer editorial que quiser; mas é ilegal fazer campanha

Em outro ponto, um “aviso” do jornal aos seus leitores e aos eleitores: “De qualquer modo, o que importa é que na disputa pela Prefeitura de São Paulo está em jogo muito mais do que o poder municipal. Um dos fundamentos do regime democrático é a possibilidade de alternância no poder no âmbito federal, que está ameaçado pela perspectiva de o lulopetismo estender seus domínios ao que de mais politicamente significativo ainda lhe falta: a cidade e o Estado de São Paulo. Se existe uma oposição no País, está na hora de seus líderes pensarem seriamente nisso. E agir”.

O jornal dos Mesquitas pode escrever o editorial que bem entender, mas não pode fazer campanha. Isto é abuso do poder econômico e ilegal. Mas, parece que vai fazê-lo. Aliás, já começou com o tom da matéria publicada, ontem, sobre creches, onde já cita nominalmente nosso candidato a prefeito, Fernando Haddad.

Mas, como já conhecemos nossa mídia, diante de quaisquer reparos a esses abusos/campanha eleitoral que já começaram a fazer, o Estadão vai apelar para a liberdade de imprensa, dizer que esta está ameaçada, para poder violar a lei eleitoral e fazer campanha descaradamente para os tucanos.

Publicado originalmente no blog do zé dirceu

Dep. Fed. Valmir Assunção PT – BA em entrevista ao Bahia Notícas

Valmir Assunção

por Felipe Campos

Bahia Notícias – Um ano à frente de uma cadeira na Câmara dos Deputados. O que você já conseguiu fazer em termo de política nacional?

Valmir Assunção – Nesse primeiro mandato, cheguei à Câmara Federal e tive que construir espaço para as bandeiras que eu defendo, que são a questão da reforma agrária, a questão racial e as políticas para a juventude. É uma construção muito difícil. Mesmo assim, eu acredito que nesse ano nós conseguimos espaços importantes. Fiz parte nesse primeiro ano da vice-liderança do PT e, enquanto vice-líder, tive a oportunidade de participar de todos os debates de pauta que o PT apresentou no plenário. Agora, estou fazendo parte da comissão que está discutindo justamente a liderança do PT na Câmara, e já conseguimos um avanço importante que foi construir uma unidade da bancada. Em 2012 e em 2013 já temos dois líderes já definidos e só falta definir quem começa em 2012: se é José Guimarães (PT-CE), ou se é Jilmar Tatto (PT-RS).
BN – A gente sabe que lá dentro existe uma bancada ruralista muito forte que defende o lobby do agronegócio. Como você, assentado do Movimento dos Sem Terra (MST) e militante da causa da reforma agrária, lida com essa tensão?
VA – Na Câmara Federal, o líder do agronegócio é Ronaldo Caiado (DEM-GO), um deputado que, do ponto de vista do agronegócio, é muito atuante. Em contraste à bancada ruralista, a bancada da reforma agrária, da agricultura familiar, é muito pequena. Mesmo assim, eu, enquanto defensor dessa bandeira, apresentei diversos projetos de lei na Câmara. O que eu acho importante registrar é que tem alguns projetos que já vêm a algum tempo na Câmara dos Deputados e nós estamos tentando construir um entendimento na Mesa Diretora da Casa para poder trabalhar, como a PEC [Proposta de Emenda Constitucional] do Trabalho Escravo, que é uma medida importante e estamos trabalhando para tentar uma votação este ano. Na Câmara dos Deputados você encontra todas as matrizes ideológicas e faltava ter um assentado de reforma agrária dentro do plenário. E eu levo todo esse processo, toda essa luta. E aí tem os embates naturais dentro da Câmara. Cada um defende sua bandeira, os seus interesses. E eu defendo os daqueles que são meus iguais.
BN – Você, enquanto militante da causa agrária, acha legítima a presença de uma bancada ruralista tão forte?
VA – Acho que é legitimo. Cada segmento tem que ter o direito de ter representação na Câmara dos Deputados. O que é surpresa para mim e para muita gente é como a agricultura familiar, produzindo 70% da alimentação do país, tenha uma representação na Câmara, ou nas assembleias legislativas e câmaras dos vereadores, que é muito pequena. É preciso cada vez mais que a gente tenha consciência da importância do parlamento para defender nossas causas.
BN – Em dezembro do ano passado, você e outros militantes da corrente petista Articulação de Esquerda (AE) debandaram do grupo e criaram a Esquerda Popular Socialista, que já nasce aqui na Bahia com você, como deputado federal, e Marcelino Galo como parlamentar estadual. Como se deu a cisão com a AE e o que te decepcionou para fazer você sair de uma corrente que fundou?
VA – Primeiro: eu fui militante da Articulação de Esquerda por 18 anos. Fui um dos fundadores da AE. Mas o que fez com que eu saísse não foi nem decepção. Acho que a gente precisa compreender que o PT mudou e nós, enquanto militantes, temos que compreender as mudanças do PT. Mas, mesmo o PT tendo mudado, não podemos abrir mão de algumas bandeiras. É caro para a sociedade, é caro para o PT e é caro para mim, enquanto militante. Os movimentos sociais no Brasil cumprem um papel fundamental na política, na construção de políticas e é um impulsionador das lutas sociais. Então, uma corrente do PT não pode de forma nenhuma se afastar dos movimentos sociais e a AE estava fazendo isso ao longo dos anos. E eu, enquanto militante do Movimento dos Sem Terra, não poderia de forma nenhuma fazer parte de uma corrente que não tem os movimentos sociais como prioridade.
BN – E por que você acha que a Articulação de Esquerda se afastou?
VA – Acho que até pela concepção que a Articulação de Esquerda veio construindo ao longo dos anos. O PT, ele por ter se tornado governo federal durante oito anos do presidente Lula e ter ganhado em muitos estados, muitos municípios, fez com que uma parte da militância do PT fortalecesse a institucionalidade como bandeira principal. Uma tendência que sempre trabalhou a questão ideológica foi perdendo espaço também junto à militância do PT. E por perder espaço junto à militância do PT, foi se afastando dos movimentos sociais. E por se afastar dos movimentos sociais, passou a ser uma tendência muito pequena, que não disputa os rumos internos dentro do PT. E eu acho que qualquer um de nós tem que ter capacidade para disputar os rumos internos do PT, reafirmar nossa posição ideológica, reafirmar nossa posição política e a AE foi abrindo mão dessa disputa.
BN – E aí nasce a Esquerda Popular Socialista. Como essa corrente está se organizando para as eleições municipais? Quais prefeituras ela pode disputar na Bahia e quais seriam os candidatos a vereador para Salvador?
VA – Definimos que nas grandes cidades do país nós lançaríamos candidatos a vereador. Aqui em Salvador, nós temos o [Luís Carlos] Suíca, [representante do sindicato de funcionários de limpeza], nós temos o Marco Rezende e tem Paulo Mota [vice-presidente do PT soteropolitano], além de Ernesto Marques [jornalista e vice-presidente da Associação Baiana de Imprensa]. Nós estamos discutindo os nomes desses companheiros, no intuito de fortalecer para poder fazer a disputa.
BN – Alguma prefeitura aqui na Bahia?
VA – Nós estamos discutindo Itaberaba e Itamaraju. E nós temos Uruçuca, com a vice-prefeita Fernanda, que também vai disputar. Mas o fundamental para a nossa corrente será a fundamentação política e ideológica na sociedade. Porque nós temos que disputar o PT, temos que disputar a sociedade e temos que disputar espaço dentro dos governos que nós ajudamos a eleger. Reafirmar nossas convicções.
BN – Qual o tamanho da corrente no governo Wagner?
VA – Hoje nós temos a Secretaria de Políticas para Mulheres, com Lúcia Barbosa. E temos diversos outros espaços no segundo escalão do governo e em as regiões do estado importantes também. Mas nós não debatemos espaço no governo com o governador Jaques Wagner depois que criamos a corrente. Até porque, nós somos parte dessa construção e no momento certo nós vamos debater o que achamos importante. Mas hoje nos sentimos bem representados no governo.
BN – Como parte do governo estadual, você já foi titular da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes) por três anos. Recentemente [19 de dezembro de 2011], o atual secretário Carlos Brasileiro foi criticado por ter realizado uma festa para servidores no Espaço Unique, a casa de eventos mais cara de Salvador. Na ocasião, o próprio governador Jaques Wagner chamou o episódio de “inadequado”. Qual a sua opinão?
VA – Fui secretário da Sedes por três anos e três meses e, durante todo esse período, nós fizemos eventos de comemoração com os servidores. Mas fizemos eventos de acordo com o tamanho da pasta. Boa parte dos nossos eventos nós fizemos no Centro Social Urbano, que é um espaço da própria secretaria. Porque eu acredito que é importante qualquer secretaria levar em consideração que você pode fazer esses eventos. É importante para a unidade e para valorizar os servidores. Mas se tratando da festa em questão, eu vou repetir as palavras de nosso governador Jaques Wagner: foi inadequado.
BN – Outro ponto polêmico levantado esses dias é a questão de cotas raciais para parlamentares, uma ideia defendida pelo deputado federal Luiz Alberto (PT-BA). Você concorda com a proposta?
VA – Eu acho que é preciso a gente compreender que o Brasil precisa de uma reforma política. E uma reforma séria no país precisa levar em consideração que as mulheres precisam de um espaço maior e eu acredito que também a população negra precisa. Acredito que seja fundamental criar o espaço para a participação política da população negra. Estou com Luiz Alberto nesse projeto. Precisamos de políticas afirmativas. Isso significa fazer reparação também. Precisamos criar os mesmo espaços e os mesmo direitos na sociedade. Por causa disso, acredito que seja fundamental criar espaços para a população negra.
BN – Recentemente, o deputado estadual Marcelino Galo, seu parceiro na antiga e na atual corrente, criticou a pouca atenção, segundo ele, que foi dada à questão agrária durante os oito anos de governo Lula e que continua no governo Dilma. Você concorda?
VA – Na Câmara dos Deputados, fiz diversos discursos e estabeleci como meta toda semana fazer um discurso falando sobra a reforma agrária. Disse que é um absurdo, e acho mesmo, a presidente Dilma passar o ano todo sem assinar um decreto de desapropriação. E ela ficou até o mês de dezembro sem assinar um decreto. No final do mês, ela desapropriou 60 fazendas em todo o país, ou seja, 60 decretos, o que é muito pouco diante da demanda e da necessidade que tem. Tem mais de 60 mil famílias acampadas no Brasil. As 60 fazendas desapropriadas dão para assentar em torno de três ou quatro mil famílias, um numero muito reduzido. Esse é um grande debate que nós temos na sociedade. Nos não podemos perder a oportunidade de fazer reforma agrária. E nós estamos perdendo essa oportunidade. Mesmo no governo do PT. Qualquer cidadão que passe por qualquer terra desse país vai ver a quantidade de terra que é improdutiva. Por que não cumprir a Constituição Federal? Por que não aplicar a lei? Eu acho que o governo do PT, tanto o do presidente Lula quanto o da presidente Dilma, conseguiu avançar muito quando se trata da geração de emprego, das políticas sociais e da credibilidade de nosso país. Agora, quando se trata da questão da reforma agrária, os avanços que nós tivemos com o presidente Lula foram pequenos. A nossa expectativa, porque ainda faltam três anos do mandato da presidente Dilma, é poder superar. Esse é o espírito e a nossa crença. Nesse primeiro ano, a atitude com relação à reforma agrária foi muito tímida.
BN – E por que você acha que tão pouco foi feito?
VA – Tem duas teorias: a primeira é que tem muita gente no Brasil que não acredita que reforma agrária seja importante para desenvolver o país. Então, por não acreditar que é importante para desenvolver o país, acaba não desapropriando. E tem muita gente no PT que acha isso mesmo, que a reforma agrária não cumpre mais um papel para o desenvolvimento do país. Esta é uma teoria. O outro aspecto é que o agronegócio na Câmara dos Deputados é muito forte. Isso na maioria dos partidos da base do governo. Eles têm muita força, então essa força que se tem na Câmara acaba colocando o governo, de certa forma, sem disposição de enfrentar esse debate. Agora, eu acho que a reforma agrária é importante devido à quantidade de pessoas que vivem acampadas e a demanda por terra que existe nesse país. E por outro lado, por mais que a agricultura familiar produza 70% do alimento no país, é preciso aumentar ainda mais. Para poder baratear os preços e todo cidadão ter direito a alimento de qualidade. Já está comprovado: quem produz o alimento não é o agronegócio, são pequenos proprietários.
BN – Hoje, no governo Wagner, há um grande foco dos investimentos, embora com recursos federais, para o escoamento da produção de grãos do agronegócio no oeste do estado. Estradas e grandes obras de infraestrutura, como a Ferrovia Oeste-Leste e a construção do Porto Sul, estão em parte ligadas ao desenvolvimento deste setor. Em sua opinião, o governo estadual tem investido no foco errado?
VA – Um governador tem que trabalhar com todos os segmentos da sociedade. Ele está correto no ponto de vista de atender a todas as organizações. Nunca antes na história da Bahia nós tivemos uma relação com o governador como temos hoje. Todas as organizações sociais da Bahia têm uma relação com o governador que é excelente, não só os Sem-Terra. Agora, eu acho que na questão da agricultura familiar e da reforma agrária seria possível o nosso governador dar uma ênfase maior. Não tenho dúvidas. Era preciso criar uma secretaria de desenvolvimento agrário no estado da Bahia, onde incorporasse todos os setores que hoje trabalham com a agricultura social no estado. Que esses órgãos estivessem voltados justamente para fortalecer a agricultura familiar. A minha preocupação não é o quanto o governador Jaques Wagner investe no agronegócio ou em outro setor. A minha questão é que é possível que nós avancemos mais, contribuindo com a agricultura familiar para o enriquecimento de vários municípios da Bahia e no combate à miséria em todas as regiões.
BN – Você chegou a se lançar como pré-candidato à prefeitura de Salvador e hoje abriu mão para Nelson Pelegrino, um nome ligado a uma esquerda mais moderada dentro do seu partido, a qual você já criticou aqui nessa entrevista. Por que você abriu mão de uma candidatura sem nem mesmo a realização de prévias?
VA – Aqui em Salvador eu reconheço que não teria uma força interna para fazer frente a Nelson Pelegrino e ganhar dele em uma disputa. Eu não teria essa força. Tentamos construir com outras forças internas do PT, mas não foi possível. O objetivo central não é uma candidatura de um militante simplesmente. O objetivo central é fazer uma disputa para ganhar a eleição. Nós não poderíamos gastar tempo nem energia nas disputas internas se já sabíamos que Nelson Pelegrino iria ganhar as disputas. Estou dizendo isso honestamente. Dialogamos com ele e retiramos a nossa candidatura e deixamos que transcorresse naturalmente a discussão interna em prol de Pelegrino. Pela primeira vez também todo o PT está unido em torno do nome de Pelegrino. Então, não seria eu o elo da discórdia. E também tem outro aspecto: eu moro em Salvador, mas até hoje não transferi meu título do povoado e da cidade onde eu nasci. Eu voto até hoje em Nova Alegria, que é um povoado de Itamaraju, e isso desde a primeira vez que eu votei.

Governo Alckmin é condenado por racismo

Governo Alckmin é condenado por racismo Foto: Felipe L. Gonçalves/247

Material distribuído por professora da rede pública a alunos associava a cor negra ao demônio; indenização será de R$ 54 mil a família que se sentiu atingida

29 de Janeiro de 2012 às 20:18

Fernando Porfírio _247 – O governo paulista foi condenado por disseminar o medo e a discriminação racial dentro de sala de aula. A decisão é do Tribunal de Justiça que deu uma “dura” no poder público e condenou o Estado a pagar indenização de R$ 54 mil a uma família negra. De acordo com a corte de Justiça, a escola deve ser um ambiente de pluralidade e não de intolerância racial.

O Estado quedou-se calado e não recorreu da decisão como é comum em processos sobre dano moral. O juiz Marcos de Lima Porta, da 5ª Vara da Fazenda Pública, a quem cabe efetivar a decisão judicial e garantir o pagamento da indenização, deu prazo até 5 de abril para que o Estado dê início à execução da sentença.

O caso ocorreu na capital do Estado mais rico da Federação e num país que preza o Estado Democrático de Direito instituído há quase 24 anos pela Constituição Federal de 1988. Uma professora da 2ª série do ensino fundamental, de uma escola estadual pública, distribuiu material pedagógico supostamente discriminatório em relação aos negros.

De acordo com a decisão, a linguagem e conteúdo usados no texto são de discriminatórias e de mau gosto. Na redação – com o título “Uma família diferente” – lê-se: Era uma vez uma família que existia lá no céu. O pai era o sol, a mãe era a lua e os filhinhos eram as estrelas. Os avós eram os cometas e o irmão mais velho era o planeta terra. Um dia apareceu um demônio que era o buraco negro. O sol e as estrelinhas pegaram o buraco negro e bateram, bateram nele. O buraco negro foi embora e a família viveu feliz.

O exercício de sala de aula mandava o aluno criar um novo texto e inventar uma família, além de desenhar essa “família diferente”. Um dos textos apresentados ao processo foi escrito pela aluna Bianca, de sete anos. Chamava-se “Uma Família colorida” e foi assim descrito:

“Era uma vez uma família colorida. A mãe era a vermelha, o pai era o azul e os filhinhos eram o rosa. Havia um homem mau que era o preto. Um dia, o preto decidiu ir lá na casa colorida.Quando chegou lá, ele tentou roubar os rosinhas, mas aí apareceu o poderoso azul e chamou a família inteira para ajudar a bater no preto. O preto disse: – Não me batam, eu juro que nunca mais vou me atrever a colocar os pés aqui. Eu juro. E assim o azul soltou o preto e a família viveu feliz para sempre”.

A indenização, que terá de sair dos cofres públicos, havia sido estabelecida na primeira instância em R$ 10,2 mil para os pais do garoto e de R$ 5,1 mil para a criança, foi reformada. Por entender que o fato era “absolutamente grave”, o Tribunal paulista aumentou o valor do dano moral para R$ 54 mil – sendo R$ 27 mil para os pais e o mesmo montante para a criança.

De acordo com a 7ª Câmara de Direito Público, no caso levado ao Judiciário, o Estado paulista afrontou o princípio constitucional de repúdio ao racismo, de eliminação da discriminação racial, além de malferir os princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana.

“Sem qualquer juízo sobre a existência de dolo ou má-fé, custa a crer que educadores do Estado de São Paulo, a quem se encarrega da formação espiritual e ética de milhares de crianças e futuros cidadãos, tenham permitido que se fizesse circular no ambiente pedagógico, que deve ser de promoção da igualdade e da dignidade humana, material de clara natureza preconceituosa, de modo a induzir, como induziu, basta ver o texto da pequena Bianca o medo e a discriminação em relação aos negros, reforçando, ainda mais, o sentimento de exclusão em relação aos diferentes”, afirmou o relator do recurso, desembargador Magalhães Coelho.

Segundo o relator, a discriminação racial está latente, “invisível muitas vezes aos olhares menos críticos e sensíveis”. De acordo com o desembargador Magalhães Coelho, o racismo está, sobretudo, na imagem estereotipada do negro na literatura escolar, onde não é cidadão, não tem história, nem heróis. Para o relator, ao contrário, é mau, violento, criminoso e está sempre em situações subalternas.

“Não é por outra razão que o texto referido nos autos induz as crianças, inocentes que são, à reprodução do discurso e das práticas discriminatórias”, afirmou Magalhães Coelho. “Não é a toa que o céu tem o sol, a lua, as estrelas e o buraco negro, que é o vilão da narrativa, nem que há “azuis poderosos”, “rosas delicados” e “pretos” agressores e ladrões”, completou.

O desembargador destacou que existe um passado no país que não é valorizado, que não está nos livros e, muito menos, se aprende nas escolas.

“Antes ao contrário, a pretexto de uma certa “democracia racial”, esconde-se a realidade cruel da discriminação, tão velada quanto violenta”, disse. Segundo Magalhães Coelho, na abstração dos conceitos, o negro, o preto, o judeu, o árabe, o nordestino são apenas adjetivos qualificativos da raça, cor ou região, sem qualquer conotação pejorativa.

“Há na ideologia dominante, falada pelo direito e seus agentes, uma enorme dificuldade em se admitir que há no Brasil, sim, resquícios de uma sociedade escravocrata e racista, cuja raiz se encontra nos processos históricos de exploração econômica, cujas estratégias de dominação incluem a supressão da história das classes oprimidas, na qual estão a maioria esmagadora dos negros brasileiros”, reconheceu e concluiu o desembargador.

Ponte desbanca Mogi fora de casa, vence por 3 X 1 e sobe para 4ª posição no Paulistão 2012

Mogi Mirim (SP)

A Ponte Preta foi até Mogi Mirim na noite deste domingo para enfrentar a sensação do Campeonato Paulista, mas não deu chances para o rápido time da casa. Jogando nos contra-ataques, a equipe do técnico Gilson Kleina fez 3 a 1 no Sapão e conseguiu a sua segunda vitória na competição.

 

O triunfo começou a ser construído aos 24 minutos do primeiro tempo. Rodrigo Pimpão foi lançado e apareceu livre na frente, totalmente sem marcação. Com calma, ele esperou a saída do goleiro e só rolou para Willian Magrão, que veio de trás e empurrou para o fundo das redes.

Os visitantes seguiram com a sua proposta, sem dar chances para o rápido meia Felipe e o centroavante Hernane, que já havia marcado três gols no torneio. Assim, aos 42, outro contragolpe ampliou a vantagem.

O volante João Paulo Silva invadiu a área pela direita e bateu cruzado, vencendo o goleiro. Antes do intervalo, porém, uma falta cobrada na entrada da área diminuiu a desvantagem. João Paulo acertou o ângulo de Lauro e diminuiu.

Na etapa final, a Macaca manteve o adversário sob controle, sofrendo pouco nas bolas alçadas na área. E, para variar, ampliou após pênalti cometido sobre Enrico, que aproveitou falha do zagueiro em novo contra-ataque e surgiu cara a cara com Anderson, que derrubou o atacante. Na cobrança, Renato Cajá guardou o dele.

Com o resultado, os ponte-pretanos chegam a seis pontos, mesmo número do adversário, mas ultrapassam o Mogi no saldo de gols (5 a 3), ficando na quarta posição. Na próxima rodada, a Ponte recebe o Linense, enquanto o Sapão visita o Palmeiras.

P J V E D GP GC SG
São Paulo 9 3 3 0 0 9 3 6
Corinthians 9 3 3 0 0 5 1 4
Paulista 7 3 2 1 0 6 1 5
Ponte Preta 6 3 2 0 1 8 3 5
Mogi Mirim 6 3 2 0 1 6 3 3
Guarani 6 3 2 0 1 4 4 0
Palmeiras 5 3 1 2 0 4 3 1
Santos 5 3 1 2 0 4 3 1
Linense 4 3 1 1 1 7 7 0
10° São Caetano 4 3 1 1 1 5 5 0
11° Portuguesa 4 3 1 1 1 3 4 -1
12° Ituano 3 3 1 0 2 4 4 0
13° Comercial 3 3 1 0 2 5 8 -3
14° Bragantino 3 3 1 0 2 5 9 -4
15° Botafogo-SP 3 3 1 0 2 3 7 -4
16° Mirassol 2 3 0 2 1 2 3 -1
17° Catanduvense 2 3 0 2 1 2 4 -2
18° XV de Piracicaba 1 3 0 1 2 4 6 -2
19° Oeste 1 3 0 1 2 3 5 -2
20° Guaratinguetá 0 3 0 0 3 1 7 -6

Operação Pinheirinho’: custo ultrapassa R$ 100 milhões

 

Para dizer o mínimo: teria sido muito mais barato para o poder público [nossos impostos] manter os moradores onde estavam, em suas casas.

A menos que o PSDB pretendesse incinerá-los todos em fornos crematórios, solução final que já foi tentada na História da Humanidade, com resultados nefastos.

O que houve aqui, mais uma vez, foi apenas uma transferência, pura e simples, de recursos públicos para a área privada. Promovida por juízes e políticos corruptos.

Fonte: OVale recebido por email por @Jprcampos 

Policiais da tropa de choque durante desocupação do PinheirinhoFoto : Roosevelt Cássio/ O Vale

Levantamento realizado por O VALE considera despesas com planejamento, aparato policial, abrigo e programas habitacionais para as famílias desalojadas; maior parte do dinheiro sairá dos cofres públicos

Carolina Teodora
São José dos Campos

A Operação Pinheirinho terá um custo final de pelo menos R$ 109,4 milhões, sendo mais de R$ 103 milhões dos cofres públicos.
O levantamento feito pelo O VALE com base em dados oficiais mostra que o maior investimento será na construção das moradias para abrigar as famílias do acampamento: R$ 88 milhões.
Até que o conjunto habitacional fique pronto, os sem-teto vão receber um ‘aluguel social’ de R$ 500 mensais que vai atingir a cifra de R$ 9 milhões em 18 meses –prazo previsto para a construção.
Somente na ação de desocupação da área foram investidos mais de R$ 5 milhões na mobilização e infraestrutura aos policiais e aluguel das máquinas para demolição das casas. No abrigo aos desalojados foram gastos cerca de R$ 3,5 milhões.
O VALE considera como operação o planejamento, desocupação, abrigo e programas habitacionais para a dar solução ao caso.
Júlio Aparecido da Rocha, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José, considerou o custo alto, mas necessário.
“A minha preocupação é com a fila da habitação que será furada, mas isso é necessário”, afirmou.

Arte - Custo da Operação Pinheirinho

Planilha. A planilha considera itens como a diária que será paga aos 850 policiais de outras cidades que participaram da ação por terem se deslocado de suas sedes.
Dona do terreno, a massa falida da Selecta gastou cerca de R$ 4 milhões com a estrutura da PM, demolição e mudança dos móveis.
A prefeitura mantém em sigilo o dinheiro empenhado para abrigar as 1.200 pessoas que estão nos abrigos. Empresas do setor estimam que esse custo var ie de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões.
A prefeitura vai gastar ainda com o pagamento de horas extras a servidores.

Empresa tentou mediar regularização
São José dos Campos
O impasse envolvendo o Pinheirinho poderia ter sido resolvido sem a retirada dos moradores, prejuízos aos cofres públicos e privados ou intervenção do poder público.
É o que afirma o advogado André Albuquerque, fundador da empresa Terra Nova, com sede no Paraná, especializada em regularização fundiária.
Segundo ele, vereadores de São José o convidaram em 2008 para analisar o caso do Pinheirinho. Entre os parlamentares que fizeram o convite estava o Robertinho da Padaria (PPS), que teve sua padaria incendiada após conflito.
“Analisei a situação, fiz um projeto e uma reunião com líderes do movimento e representantes da massa falida, que estavam interessados na questão. Essa etapa levou cerca de dois anos”, disse.
“Mas a reunião mais importante que foi marcada na Câmara, em 2010, foi boicotada pelos líderes do movimento, que disseram que não iriam fazer acordo nenhum, muito menos para os moradores terem que pagar por suas casas. Estava todo mundo na reunião, menos os moradores do Pinheirinho”, acrescentou.
De acordo com o pré-projeto que ele havia elaborado, cada família iria pagar entre R$ 3.000 e R$ 6.000 pelo lote de suas casas, com prestações entre R$ 60 a R$ 100 por dez anos.
A maior parte do valor seria repassado à massa falida proprietária do terreno. Com o acordo firmado, morador iria pagar sua casa e empresa receber seu dinheiro, a Justiça que estudava o processo de reintegração da posse dava o caso como encerrado.

A grande pergunta que se deve fazer ao governo, principalmente ao Sr. Geraldo Alckmin: porque não se resolveu essa questão antes desse conflito todo, de onde surgiu o dinheiro e a “boa” vontade para construção em regime de urgência de 1.100 casas para os poucos necessitados que lá viviam (excluem-se os aproveitadores)duvido que as outras 3.900 moradias sejam realizadas, acabará no esquecimento do povo brasileiro,basta lembrar da duplicação da Rodovia dos Tamoios prometida a anos pelo mesmo governador e que até agora não saiu do papel, ano eleitoral é assim mesmo, aproveitam até para incentivar a invasão de propriedades alheias, pois essa atitude do nosso Governador tomada após a repercussão negativa da referida reintegração, só serve para incentivar novas invasões no estado, (VAMOS INVADIR, O GERALDO VAI GARANTIR),parabéns a Juíza Márcia Loureiro, só com uma decisão dificil para todos que se consegue fazer com que nossos governantes tomem atitude ” eleitoreira”,ao nosso prefeito Eduardo Cury que entendo ter feito o que estava ao alcance do municipio e tentou ser correto ao afirmar que a fila de espera por moradias no municipio não poderia ser furada, mas teve que ceder em obediência ao partido, hora de rever conceitos. que Deus abençõe a todos nós eleitores, que nos dê o bom senso no momento do voto. Feliz 2012

Comentado por Paulo de Carvalho, 29/01/2012 07:47

Será que este custo não daria para regularizar essa situação??? Vejamos essa notícia da Folha online… Estado age à base da força e perdeu o controle da polícia, dizem analistas A atuação da Polícia Militar de São Paulo na reintegração de posse do Pinheirinho, na cracolândia e na USP (Universidade de São Paulo) revelam que o Estado está agindo à base da força e perdeu o controle da polícia. Esta é a avaliação do jurista Walter Maierovitch e do cientista político Guaracy Mingardi, ambos especialistas em segurança pública.

Maierovitch avalia que a PM “não é uma polícia preparada para a legalidade democrática”. “Hoje os problemas são resolvidos à base da força. É um quadro traumático. Precisamos começar a desmilitarizar a polícia. Temos que ter uma polícia cidadã. E deixar a polícia de fora em casos que não são de polícia”, diz o jurista. Já Mingardi vê nos episódios falta de controle do Estado. “Toda polícia no mundo quer extrapolar porque é mais fácil agir usando de violência; é mais fácil quando há, portanto, a reação do outro lado. O papel do governante é dizer o ‘não pode’ ou o ‘quem passar desse ponto, será demitido’”, avalia.

O cientista político cita o exemplo da Inglaterra: “lá a polícia é super controlada, com pouquíssimas mortes causadas ao ano. A situação só começou a sair de controle quando a ordem era tirar os terroristas de circulação a qualquer custo. Resultado: um inocente [o brasileiro Jean Charles de Meneses] foi morto”, diz. USP e cracolândia Para o jurista, no caso da USP, a polícia desviou o foco de sua atuação, quando “em vez de prevenir os crimes, resolveu se preocupar em reprimir os alunos”. “Criaram um caso de proporções exageradas”, diz. No caso da cracolândia, avalia Maeirovich, o “governo não percebeu que o problema é de saúde pública, e não de polícia.” “Em vez de uma operação que priorizasse ações so ciossanitárias, optou-se por uma repressão policial equivocada. E burra, porque nenhuma rede de tráfico foi afetada. Fizeram uma ação de limpeza. Prenderam os usuários e sequer havia para onde levá-los”, aponta o jurista. Pinheirinho Maierovitch questiona a necessidade da operação de reintegração de posse no Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). “Em que país civilizado isso ocorreria? A expulsão de 1.500 famílias sem ter para onde ir? Nesse caso, a culpa deve ser atribuída à Justiça, que determinou a reintegração. Colocaram uma tropa de choque para atuar de surpresa contra uma população que não está rebelada. É uma arbitrariedade muito grande”, critica. O jurista critica ainda a inserção de PMs disfarçados dentro da comunidade. “A Polícia Militar usou técnicas da época da ditadura. Se infiltrou para ver quem eram as lideranças.” Mingardi aponta problemas no comando da PM paulista. “A própria Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) teve, entre seus últimos comandantes, alguma relação com a violência [o atual comandante, o tenente-coronel Salvador Modesto Madia, é um dos 116 PMs acusados do massacre no Carandiru, em 1992]. Por melhor que seja o sujeito para a função, esse é um sinal que o gestor dá, um sinal errado para a corporação.”

Texto integral e comentário transcritos do Midiacrucis’s

‘Filiados’ tucanos desconhecem o partido

EQUIPE AE – Agência Estado

Entre os filiados tucanos aptos a votar nas prévias que definirão o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo há pessoas que sequer conhecem o partido e que dizem ter passado seus dados eleitorais a entidades das quais recebiam leite distribuído pelo governo estadual, administrado pela legenda. Até simpatizantes do PT estão na lista oficial tucana. Ao entrar em contato com 40 integrantes da “base” do PSDB nas regiões leste e sul, áreas de baixa renda onde há concentração de “tucanos”, o jornal O Estado de S. Paulo encontrou moradores que ignoravam a condição de filiados.

Cinco mulheres da zona eleitoral Vila Jacuí apontaram entidades associadas ao programa Vivaleite, da Secretaria de Desenvolvimento Social do governo estadual, como possível explicação para seu vínculo com o partido. Foram citadas a Associação para Qualificação Profissional e Social dos Moradores do Jardim Pedro Nunes (Aqualiprof), dirigida por Wellington Machado, presidente do diretório do PSDB da Vila Jacuí, e a Assocam, presidida por Idevanir Arcanjo de Souza, também filiado ao partido.

A Vila Jacuí – zona eleitoral com maior concentração de tucanos “de carteirinha”, conforme mapeamento publicado pelo Estado na semana passada – é região de grande influência do vereador Adolfo Quintas (PSDB). No final de 2009, o parlamentar participou de um evento de Natal com Idevanir na região onde foram feitas as filiações. Também há mensagem de Wellington Machado elogiando-o em site ligado ao partido. Nas prévias, Idevanir diz que irá apoiar o deputado Ricardo Tripoli. Machado declarou apoio ao secretário Bruno Covas (Meio Ambiente).

Mais de 20 mil pessoas poderão votar nas prévias, marcadas para março. Líderes tucanos temem que a filiação de pessoas sem vínculos com o partido favoreça determinado candidato – estão também na disputa os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e José Aníbal (Energia).

CUBA : A BLOGUEIRA YOANI, da Traição ao Trabalho Mercenário

A BLOGUEIRA YOANI E SUAS CONTRADIÇÕES

Do Blog de Tolentino

A entrevista concedida ao jornalista francês Salim Lamranium é longa, mas indispensável para  se ver a quantidade de contradições em que incorre a blogueira Yoani Sánchez, transformada em vedete da mídia comprometida com o combate sem tréguas ao regime cubano.
Em meio à difamação da fanatizada e badalada blogueira, ela chega a reconhecer, ela mesma, que a mídia internacional manipula e mente nas entrevistas com ela, na sanha de atrair a opinião pública contra Fidel Castro e o governo da Ilha.
Ferrenha opositora do regime cubano, a blogueira Yoani Sánchez concedeu uma entrevista ao jornalista francês Salim Lamranium, na qual cai em contradição diversas vezes. Especialista em assuntos relacionados à ilha, ele conseguiu colocá-la contra a parede e expor a fragilidade dos argumentos da cubana. Veja abaixo.
Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob’s (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time(2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.
Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time(2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardofez o mesmo para 2008.
Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos – segundo a própria blogueira – pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?
Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.
O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da “polícia política”. Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX.
Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.
Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação.
Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar a instauração de um “capitalismo sui generis” em Cuba.
O incidente de 6 de novembro de 2009
Salim Lamrani – Comecemos pelo incidente ocorrido em 6 de novembro de 2009 em Havana. Em seu blog, a senhora explicou que foi presa com três amigos por “três robustos desconhecidos” durante uma “tarde carregada de pancadas, gritos e insultos”. A senhora denunciou as violências de que foi vítima por parte das forças da ordem cubanas. Confirma sua versão dos fatos?
Yoani Sánchez – Efetivamente, confirmo que sofri violência. Mantiveram-me sequestrada por 25 minutos. Levei pancadas. Consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o coloquei em minha boca. Um deles pôs o joelho sobre meu peito e o outro, no assento dianteiro, me batia na região dos rins e golpeava minha cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Por um momento, achei que nunca sairia daquele carro.
SL – O relato, em seu blog, é verdadeiramente terrorífico. Cito textualmente: a senhora falou de “golpes e empurrões”, de “golpes nos nós dos dedos”, de “enxurrada de golpes”, do “joelho sobre o [seu] peito”, dos golpes nos “rins e […] na cabeça”, do “cabelo puxado”, de seu “rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido”, dos “golpes [que] continuavam vindo” e “todas essas marcas roxas”. No entanto, quando a senhora recebeu a imprensa internacional em 9 de novembro, todas as marcas haviam desaparecido. Como explica isso?
YS – São profissionais do espancamento.
SL – Certo, mas por que a senhora não tirou fotos das marcas?
YS – Tenho as fotos. Tenho provas fotográficas.
SL – Tem provas fotográficas?
YS – Tenho as provas fotográficas.
SL – Mas por que não as publicou para desmentir todos os rumores segundo os quais a senhora havia inventado uma agressão para que a imprensa falasse de seu caso?
YS – Por enquanto prefiro guardá-las e não publicá-las. Quero apresentá-las um dia perante um tribunal, para que esses três homens sejam julgados. Lembro-me perfeitamente de seus rostos e tenho fotos de pelo menos dois deles. Quanto ao terceiro, ainda não está identificado, mas, como se tratava do chefe, será fácil de encontrar. Tenho também o papel que tirei de um deles e que tem minha saliva, pois o coloquei na boca. Neste papel estava escrito o nome de uma mulher.
SL – Certo. A senhora publica muitas fotos em seu blog. Para nós é difícil entender por que prefere não mostrar as marcas desta vez.
YS – Como já lhe disse, prefiro guardá-las para a Justiça.
SL – A senhora entende que, com essa atitude, está dando crédito aos que pensam que a agressão foi uma invenção.
YS – É minha escolha.
SL – No entanto, até mesmo os meios ocidentais que lhe são mais favoráveis tomaram precauções oratórias pouco habituais para divulgar seu relato. O correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg, por exemplo, escreve que a senhora “não tem hematomas, marcas ou cicatrizes”. A agência France Presse conta a história esclarecendo com muito cuidado que se trata de sua versão, sob o título “Cuba: a blogueira Yoani Sánchez diz ter sido agredida e detida brevemente”. O jornalista afirma, por outro lado, que a senhora “não ficou ferida”.
YS – Não quero avaliar o trabalho deles. Não sou eu quem deve julgá-lo. São profissionais que passam por situações muito complicadas, que não posso avaliar. O certo é que a existência ou não de marcas físicas não é a prova do fato.
SL – Mas a presença de marcas demonstraria que foram cometidas violências. Daí a importância da publicação das fotos.
YS – O senhor deve entender que tratamos de profissionais da intimidação. O fato de três desconhecidos terem me levado até um carro sem me apresentar nenhum documento me dá o direito de me queixar como se tivessem fraturado todos os ossos do corpo. As fotos não são importantes porque a ilegalidade está consumada. A precisão de que “me doeu aqui ou me doeu ali” é minha dor interior.
SL – Sim, mas o problema é que a senhora apresentou isso como uma agressão muito violenta. A senhora falou de “sequestro no pior estilo da Camorra siciliana”.
YS – Sim, é verdade, mas sei que é minha palavra contra a deles. Entrar nesse tipo de detalhes, para saber se tenho marcas ou não, nos afasta do tema verdadeiro, que é o fato de terem me sequestrado durante 25 minutos de maneira ilegal.
SL – Perdoe-me a insistência, mas creio que é importante. Há uma diferença entre um controle de identidade que dura 25 minutos de violências policiais. Minha pergunta é simples. A senhora disse, textualmente: “Durante todo o fim de semana fiquei com a maçã do rosto e o supercílio inflamados.” Como tem as fotos, pode agora mostrar as marcas.
YS – Já lhe disse que prefiro guardá-las para o tribunal.
SL – A senhora entende que, para algumas pessoas, será difícil acreditar em sua versão se a senhora não publicar as fotos.
YS – Penso que, entrando nesse tipo de detalhes, perde-se a essência. A essência é que três bloggers acompanhados por uma amiga dirigiam-se a um ponto da cidade que era a Rua 23, esquina G. Tínhamos ouvido falar que um grupo de jovens convocara uma passeata contra a violência. Pessoas alternativas, cantores de hip hop, de rap, artistas. Eu compareceria como blogueira para tirar fotos e publicá-las em meu blog e fazer entrevistas. No caminho, fomos interceptados por um carro da marca Geely.
SL – Para impedi-los de participar do evento?
YS – A razão, evidentemente, era esta. Eles nunca me disseram formalmente, mas era o objetivo. Disseram-me que entrasse no carro. Perguntei quem eles eram. Um deles me pegou pelo pulso e comecei a ir para trás. Isso aconteceu em uma zona bastante central de Havana, em um ponto de ônibus.
SL – Então havia outras pessoas. Havia testemunhas.
YS – Há testemunhas, mas não querem falar. Têm medo.
SL – Nem mesmo de modo anônimo? Por que a imprensa ocidental não as entrevistou preservando seu anonimato, como faz muitas vezes quando publica reportagens críticas sobre Cuba?
YS – Não posso lhe explicar a reação da imprensa. Posso lhe contar o que aconteceu. Um deles era um homem de uns cinquenta anos, musculoso como se tivesse praticado luta livre em algum momento da vida. Digo-lhe isso porque meu pai praticou esse esporte e tem as mesmas características. Tenho os pulsos muito finos e consegui escapar, e lhe perguntei quem era. Havia três homens além do motorista.
SL – Então havia quatro homens no total, e não três.
YS – Sim, mas não vi o rosto do motorista. Disseram-me: “Yoani, entre no carro, você sabe quem somos.” Respondi: “Não sei quem são os senhores.” O mais baixo me disse: “Escute-me, voce sabe quem sou, você me conhece.” Retruquei: “Não, não sei quem é você. Não o conheço. Quem é você? Mostre-me suas credenciais ou algum documento.” O outro me disse: “Entre, não torne as coisas mais difíceis.” Então comecei a gritar: “Socorro! Sequestradores!”
SL – A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana?
YS – Imaginava, mas eles não me mostraram seus documentos.
SL – Qual era seu objetivo, então?
YS – Queria que as coisas fossem feitas dentro da legalidade, ou seja, que me mostrassem seus documentos e me levassem depois, embora eu suspeitasse que eles representavam a autoridade. Ninguém pode obrigar um cidadão a entrar em um carro particular sem apresentar suas credenciais. Isso é uma ilegalidade e um sequestro.
SL – Como as pessoas no ponto de ônibus reagiram?
YS – As pessoas no ponto ficaram atônitas, pois “sequestro” não é uma palavra que se usa em Cuba, não existe esse fenômeno. Então se perguntaram o que estava acontecendo. Não tínhamos jeito de delinquentes. Alguns se aproximaram, mas um dos policiais lhes gritou: “Não se metam, que são contrarrevolucionários!”
Esta foi a confirmação de que se tratava de membros da polícia política, embora eu já imaginasse por causa do carro Geely, que é chinês, de fabricação atual, e não é vendido em nenhuma loja em Cuba. Esses carros pertencem exclusivamente a membros do Ministério das Forças Armadas e do Ministério do Interior.
SL – Então a senhora sabia desde o início, pelo carro, que se tratava de policiais à paisana.
YS – Intuía. Por outro lado, tive a confirmação quando um deles chamou um policial uniformizado. Uma patrulha formada por um homem e uma mulher chegou e levou dois de nós. Deixou-nos nas mãos desses dois desconhecidos.
SL – Mas a senhora já não tinha a menor dúvida sobre quem eles eram.
YS – Não, mas não nos mostraram nenhum documento. Os policiais não nos disseram que representavam a autoridade. Não nos disseram nada.
SL – É difícil entender o interesse das autoridades cubanas em agredi-la fisicamente, sob o risco de provocar um escândalo internacional. A senhora é famosa. Por que teriam feito isso?
YS – Seu objetivo era radicalizar-me, para que eu escrevesse textos violentos contra eles. Mas não conseguirão.
SL – Não se pode dizer que a senhora é branda com o governo cubano.
YS -Nunca recorro à violência verbal nem a ataques pessoais. Nunca uso adjetivos incendiários, como “sangrenta repressão”, por exemplo. Seu objetivo, então, era radicalizar-me.
SL – No entanto, a senhora é muito dura em relação ao governo de Havana. Em seu blog, a senhora diz: “o barco que faz água a ponto de naufragar”. A senhora fala dos “gritos do déspota”, de “seres das sombras, que, como vampiros, se alimentam de nossa alegria humana, nos incutem o medo por meio da agressão, da ameaça, da chantagem”, e afirma que “naufragaram o processo, o sistema, as expectativas, as ilusões. [É um] naufráfio [total]”. São palavras muito fortes.
YS – Talvez, mas o objetivo deles era queimar o fenômeno Yoani Sánchez, demonizar-me. Por isso meu blog permaneceu bloqueado por um bom tempo.
SL – Contudo, é surpreendente que as autoridades cubanas tenham decidido atacá-la fisicamente.
YS – Foi uma torpeza. Não entendo por que me impediram de assistir à passeata, pois não penso como aqueles que reprimem. Não tenho explicação. Talvez eles não quisessem que eu me reunisse com os jovens. Os policiais acreditavam que eu iria provocar um escândalo ou fazer um discurso incendiário.
Voltando ao assunto da detenção, os policiais levaram meus amigos de maneira enérgica e firme, mas sem violência. No momento em que me dei conta de que iriam nos deixar sozinhos com Orlando, com esses três tipos, agarrei-me a uma planta que havia na rua e Claudia agarrou-se a mim pela cintura para impedir a separação, antes de os policiais a levarem.
SL – Para que resistir às forças da ordem uniformizadas e correr o risco de ser acusada disso e cometer um delito? Na França, se resistimos à polícia, corremos o risco de sofrer sanções.
YS – De qualquer modo, eles nos levaram. A policial levou Claudia. As três pessoas nos levaram até o carro e comecei a gritar de novo: “Socorro! Um sequestro!”
SL – Por quê? A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana.
YS – Não me mostraram nenhum papel. Então começaram a me bater e me empurraram em direção ao carro. Claudia foi testemunha e relatou isso.
SL – A senhora não acaba de me dizer que a patrulha a havia levado?
YS – Ela viu a cena de longe, enquanto o carro de polícia se afastava. Defendi-me e golpeei como um animal que sente que sua hora chegou. Deram uma volta rápida e tentaram tirar-me o papel da boca.
Agarrei um deles pelos testículos e ele redobrou a violência. Levaram-nos a um bairro bem periférico, La Timba, que fica perto da Praça da Revolução. O homem desceu, abriu a porta e pediu que saíssemos. Eu não quis descer. Eles nos fizeram sair à força com Orlando e foram embora.
Uma senhora chegou e dissemos que havíamos sido sequestrados. Ela nos achou malucos e se foi. O carro voltou, mas não parou. Eles só me jogaram minha bolsa, onde estavam meu celular e minha câmera.
SL – Voltaram para devolver seu celular e sua câmera?
YS – Sim.
SL – Não lhe parece estranho que se preocupassem em voltar? Poderiam ter confiscado seu celular e sua câmera, que são suas ferramentas de trabalho.
YS – Bem, não sei. Tudo durou 25 minutos.
SL – Mas a senhora entende que, enquanto não publicar as fotos, as pessoas duvidarão de sua versão, e isso lançará uma sombra sobre a credibilidade de tudo o que a senhora diz.
YS – Não importa.
A Suíça e o retorno a Cuba
SL – Em 2002, a senhora decidiu emigrar para a Suíça. Dois anos depois, voltou a Cuba. É difícil entender por que a senhora deixou o “paraíso europeu” para regressar ao país que descreve como um inferno. A pergunta é simples: por quê?
YS – É uma ótima pergunta. Primeiro, gosto de nadar contra a corrente. Gosto de organizar minha vida à minha maneira. O absurdo não é ir embora e voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas, que estipulam que toda pessoa que passa onze meses no exterior perde seu status de residente permanente.
Em outras condições eu poderia permanecer dois anos no exterior e, com o dinheiro ganho, voltar a Cuba para reformar a casa e fazer outras coisas. Então o surpreendente não é o fato de eu decidir voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas.
SL – O mais surpreendente é que, tendo a possibilidade de viver em um dos países mais ricos do mundo, a senhora tenha decidido voltar a seu país, que descreve de modo apocalíptico, apenas dois anos depois de sua saída.
YS – As razões são várias. Primeiro, não pude ir embora com minha família. Somos uma pequena família, mas minha irmã, meus pais e eu somos muito unidos. Meu pai ficou doente em minha ausência e tive medo de que ele morresse sem que eu pudesse vê-lo. Também me sentia culpada por viver melhor do que eles. A cada vez que comprava um par de sapatos, que me conectava à internet, pensava neles. Sentia-me culpada.
SL – Certo, mas, da Suíça, a senhora podia ajudá-los enviando dinheiro.
YS – É verdade, mas há outro motivo. Pensei que, com o que havia aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba. Há também a saudade das pessoas, dos amigos. Não foi uma decisão pensada, mas não me arrependo.
Tinha vontade de voltar e voltei. É verdade que isso pode parecer pouco comum, mas gosto de fazer coisas incomuns. Criei um blog e as pessoas me perguntaram por que eu fiz isso, mas o blog me satisfaz profissionalmente.
SL – Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo apocalíptico.
YS – Como filóloga, eu discutiria a palavra, pois “apocalíptico” é um termo grandiloquente. Há um aspecto que caracteriza meu blog: a moderação verbal.
SL – Não é sempre assim. A senhora, por exemplo, descreve Cuba como “uma imensa prisão, com muros ideológicos”. Os termos são bastantes fortes.
YS – Nunca escrevi isso.
SL – São as palavras de uma entrevista concedida ao canal francês France 24 em 22 de outubro de 2009.
YS – O senhor leu isso em francês ou em espanhol?
SL – Em francês.
YS – Desconfie das traduções, pois eu nunca disse isso. Com frequência me atribuem coisas que eu não disse. Por exemplo, o jornal espanhol ABC me atribuiu palavras que eu nunca havia pronunciado, e protestei. O artigo foi finalmente retirado do site na internet.
SL – Quais eram essas palavras?
YS – “Nos hospitais cubanos, morre mais gente de fome do que de enfermidades.” Era uma mentira total. Eu jamais havia dito isso.
SL – Então a imprensa ocidental manipulou o que a senhora disse?
YS – Eu não diria isso.
SL – Se lhe atribuem palavras que a senhora não pronunciou, trata-se de manipulação.
YS – O Granma manipula a realidade mais do que a imprensa ocidental ao afirmar que sou uma criação do grupo midiático Prisa.
SL – Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa ocidental a usa porque a senhora preconiza um “capitalismo sui generis” em Cuba?
YS – Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da “mordaça”, que põe na cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.
SL – O que isso quer dizer?
YS – Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser punido com uma pena de até 15 anos de prisão.
SL – Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a cadeia?
YS – É claro!
SL – Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de um hotel no centro de Havana Velha.
YS – Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções contra Cuba pela violação dos direitos humanos.
SL – Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à Lei-Helms Burton e sanciona sobretudo as pessoas que colaboram com a aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo fornecendo informações a Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba, ninguém até agora foi condenado por isso.
Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades, que provam o contrário?
YS – Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está bloqueado.
SL – Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da entrevista, no hotel
YS – É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo. De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.
SL – Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.
YS – Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.
SL – Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos econômicos e financeiros privados.
YS – Sim, mas é diferente.
SL – A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?
YS – Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam sair.
SL – Deram-lhe alguma explicação?
YS – Nenhuma, mas quero dizer uma coisa. Para mim, as sanções dos Estados Unidos contra Cuba são uma atrocidade. Trata-se de uma política que fracassou. Afirmei isso muitas vezes, mas não se publica, pois é incômodo o fato de eu ter esta opinião que rompe com o arquétipo do opositor.
As sanções econômicas
SL – Então a senhora se opõe às sanções econômicas.
YS – Absolutamente, e digo isso em todas as entrevistas. Há algumas semanas, enviei uma carta ao Senado dos Estados Unidos pedindo que os cidadãos norte-americanos tivessem permissão para viajar a Cuba. É uma atrocidade impedir que os cidadãos norte-americanos viajem a Cuba, do mesmo modo que o governo cubano me impede de sair de meu país.
SL – O que acha das esperanças suscitadas pela eleição de Obama, que prometeu uma mudança na política para Cuba, mas decepcionou muita gente?
YS – Ele chegou ao poder sem o apoio do lobby fundamentalista de Miami, que defendeu o outro candidato. De minha parte, já me pronunciei contra as sanções.
SL – Este lobby fundamentalista é contra a suspensão das sanções econômicas.
YS – O senhor pode discutir com eles e lhes expor meus argumentos, mas eu não diria que são inimigos da pátria. Não penso assim.
SL – Uma parte deles participou da invasão de seu próprio país em 1961, sob as ordens da CIA. Vários estão envolvidos em atos de terrorismo contra Cuba.
YS – Os cubanos no exílio têm o direito de pensar e decidir. Sou a favor de que eles tenham direito ao voto. Aqui, estigmatizou-se muito o exílio cubano.
SL – O exílio “histórico” ou os que emigraram depois, por razões econômicas?
YS – Na verdade, oponho-me a todos os extremos. Mas essas pessoas que defendem as sanções econômicas não são anticubanas. Considere que elas defendem Cuba segundo seus próprios critérios.
SL – Talvez, mas as sanções econômicas afetam os setores mais vulneráveis da população cubana, e não os dirigentes. Por isso é difícil ser a favor das sanções e, ao mesmo tempo, querer defender o bem-estar dos cubanos.
YS – É a opinião deles. É assim.
SL – Eles não são ingênuos. Sabem que os cubanos sofrem com as sanções.
YS – São simplesmente diferentes. Acreditam que poderão mudar o regime impondo sanções. Em todo caso, creio que o bloqueio tem sido o argumento perfeito para o governo cubano manter a intolerância, o controle e a repressão interna.
SL – As sanções econômicas têm efeitos. Ou a senhora acha que são apenas uma desculpa para Havana?
YS – São uma desculpa que leva à repressão.
SL – Afetam o país de um ponto de vista econômico, para a senhora? Ou é apenas um efeito marginal?
YS – O verdadeiro problema é a falta de produtividade em Cuba. Se amanhã suspendessem as sanções, duvido muito que víssemos os efeitos.
SL – Neste caso, por que os Estados Unidos não suspendem as sanções, tirando assim a desculpa do governo? Assim perceberíamos que as dificuldades econômicas devem-se apenas às políticas internas. Se Washington insiste tanto nas sanções apesar de seu caráter anacrônico, apesar da oposição da imensa maioria da comunidade internacional, 187 países em 2009, apesar da oposição de uma maioria da opinião pública dos Estados Unidos, apesar da oposição do mundo dos negócios, deve ser por algum motivo, não?
YS – Simplesmente porque Obama não é o ditador dos Estados Unidos e não pode eliminar as sanções.
SL – Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004, quase nada mudou.
YS – Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de telecomunicações norte-americanas fizessem transações com Cuba.
Os prêmios internacionais, o blog e Barack Obama
SL – A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?
YS – Não tenho muito a dizer, a não ser expressar minha gratidão. Todo prêmio implica uma dose de subjetividade por parte do jurado. Todo prêmio é discutível. Por exemplo, muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez.
SL – A senhora afirma isso porque acredita que ele não tem tanto talento ou por sua posição favorável à Revolução cubana? A senhora não nega seu talento de escritor, ou nega?
YS – É minha opinião, mas não direi que ele obteve o prêmio por esse motivo nem vou acusá-lo de ser um agente do governo sueco.
SL – Ele obteve o prêmio por sua obra literária, enquanto a senhora foi recompensada por suas posições políticas contra o governo. É a impressão que temos.
YS – Falemos do prêmio Ortega y Gasset, do jornal El País, que suscita mais polêmica. Venci na categoria “Internet”. Alguns dizem que outros jornalistas não conseguiram, mas sou uma blogueira e sou pioneira neste campo. Considero-me uma personagem da internet. O júri do prêmio Ortega y Gasset é formado por personalidades extremamente prestigiadas e eu não diria que elas se prestaram a uma conspiração contra Cuba.
SL – A senhora não pode negar que o jornal espanhol El Paístem uma linha editorial totalmente hostil a Cuba. E alguns acham que o prêmio, de 15.000 euros, foi uma forma de recompensar seus escritos contra o governo.
YS – As pessoas pensam o que querem. Acredito que meu trabalho foi recompensado. Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão.
SL – Como a senhora faz para pagar os gastos com a administração de semelhante tráfego?
YS – Um amigo na Alemanha se encarregava disso, pois o site estava hospedado na Alemanha. Há mais de um ano está hospedado na Espanha, e consegui 18 meses gratuitos graças ao prêmio The Bob’s.
SL – E a tradução para 18 línguas?
YS – São amigos e admiradores que o fazem voluntária e gratuitamente.
SL – Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, a União Europeia, dispõe de tantas versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o da CIA contam com semelhante variedade.
YS – Digo-lhe a verdade.
SL – O presidente Obama inclusive respondeu a uma entrevista que a senhora fez. Como explica isso?
YS – Em primeiro lugar, quero dizer que não eram perguntas complacentes.
SL – Tampouco podemos afirmar que a senhora foi crítica, já que não pediu que ele suspendesse as sanções econômicas, sobre as quais a senhora diz que “são usadas como justificativa tanto para o descalabro produtivo quanto para reprimir os que pensam diferente”. É exatamente o que diz Washington sobre o tema.
O momento de maior atrevimento foi quando a senhora perguntou se ele pensava em invadir Cuba. Como a senhora explica que o presidente Obama tenha dedicado tempo a lhe responder apesar de sua agenda extremamente carregada, com uma crise econômica sem precedentes, a reforma do sistema de saúde, o Iraque, o Afeganistão, as bases militares na Colômbia, o golpe de Estado em Honduras e centenas de pedidos de entrevista dos mais importantes meios do mundo à espera?
YS – Tenho sorte. Quero lhe dizer que também enviei perguntas ao presidente Raúl Castro e ele não me respondeu. Não perco a esperança. Além disso, ele agora tem a vantagem de contar com as respostas de Obama.
SL – Como a senhora chegou até Obama?
YS – Transmiti as perguntas a várias pessoas que vinham me visitar e poderiam ter um contato com ele.
SL – Em sua opinião, Obama respondeu porque a senhora é uma blogueira cubana ou porque se opõe ao governo?
YS – Não creio. Obama respondeu porque fala com os cidadãos.
SL – Ele recebe milhões de solicitações a cada dia. Por que lhe respondeu, se a senhora é uma simples blogueira?
YS – Obama é próximo de minha geração, de meu modo de pensar.
SL – Mas por que a senhora? Existem milhões de blogueiros no mundo. Não acha que foi usada na guerra midiática de Washington contra Havana?
YS – Em minha opinião, ele talvez quisesse responder a alguns pontos, como a invasão de Cuba. Talvez eu tenha lhe dado a oportunidade de se manifestar sobre um tema que ele queria abordar havia muito tempo. A propaganda política nos fala constantemente de uma possível invasão de Cuba.
SL – Mas ocorreu uma, não?
YS – Quando?
SL – Em 1961. E, em 2003, Roger Noriega, subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos, disse que qualquer onda migratória cubana em direção aos Estados Unidos seria considerada uma ameaça à segurança nacional e exigiria uma resposta militar.
YS – É outro assunto. Voltando ao tema da entrevista, creio que ela permitiu esclarecer alguns pontos. Tenho a impressão de que há uma intenção de ambos os lados de não normalizar as relações, de não se entender. Perguntei-lhe quando encontraríamos uma solução.
SL – A seu ver, quem é responsável por este conflito entre os dois países?
YS – É difícil apontar um culpado.
SL – Neste caso específico, são os Estados Unidos que impõem sanções unilaterais a Cuba, e não o contrário.
YS – Sim, mas Cuba confiscou propriedades dos Estados Unidos.
SL – Tenho a impressão de que a senhora faz o papel de advogada de Washington.
YS – Os confiscos ocorreram.
SL – É verdade, mas foram realizados conforme o direito internacional. Cuba também confiscou propriedades da França, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido, e indenizou estas nações. O único país que recusou as indenizações foram os Estados Unidos.
YS – Cuba também permitiu a instalação de bases militares em seu território e de mísseis de um império distante…
SL – …Como os Estados Unidos instalaram bases nucleares contra a URSS na Itália e na Turquia.
YS – Os mísseis nucleares podiam alcançar os Estados Unidos.
SL – Assim como os mísseis nucleares norte-americanos podiam alcançar Cuba ou a URSS.
YS – É verdade, mas creio que houve uma escalada no confronto por parte de ambos os países.
Os cinco presos políticos cubanos e a dissidência
SL – Abordemos outro tema. Fala-se muito dos cinco presos políticos cubanos nos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua por infiltrar grupelhos de extrema direita na Flórida envolvidos no terrorismo contra Cuba.
YS – Não é um tema que interesse à população. É propaganda política.
SL – Mas qual é seu ponto de vista a respeito?
YS – Tentarei ser o mais neutra possível. São agentes do Ministério do Interior que se infiltraram nos Estados Unidos para coletar informações. O governo de Cuba disse que eles não desempenhavam atividades de espionagem, mas sim que haviam infiltrado grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre afirmou que esses grupos estavam ligados a Washington.
SL – Então os grupos radicais de exilados têm laços com o governo dos Estados Unidos.
YS – É o que diz a propaganda política.
SL – Então não é verdade.
YS – Se é verdade, significa que os cinco realizavam atividades de espionagem.
SL – Neste caso, os Estados Unidos têm de reconhecer que os grupos violentos fazem parte do governo.
YS – É verdade.
SL – A senhora acha que os Cinco devem ser libertados ou merecem a punição?
YS – Creio que valeria a pena revisar os casos, mas em um contexto político mais apaziguado. Não acho que o uso político deste caso seja bom para eles. O governo cubano midiatiza demais este assunto.
SL – Talvez por ser um assunto totalmente censurado pela imprensa ocidental.
YS – Creio que seria bom salvar essas pessoas, que são seres humanos, têm uma família, filhos. Por outro lado, contudo, também há vítimas.
SL – Mas os cinco não cometeram crimes.
YS – Não, mas forneceram informações que causaram a morte de várias pessoas.
SL – A senhora se refere aos acontecimentos de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização radical Brothers to the Rescue foram derrubados depois de violar várias vezes o espaço aéreo cubano e lançar convocações à rebelião.
YS – Sim.
SL – No entanto, o promotor reconheceu que era impossível provar a culpa de Gerardo Hernández neste caso.
YS – É verdade. Penso que, quando a política se intromete em assuntos de justiça, chegamos a isso.
SL – A senhora acha que se trata de um caso político?
YS – Para o governo cubano, é um caso político.
SL – E para os Estados Unidos?
YS – Penso que existe uma separação dos poderes no país, mas é possível que o ambiente político tenha influenciado os juízes e jurados. Não creio, no entanto, que se trate de um caso político dirigido por Washigton. É difícil ter uma imagem clara deste caso, pois jamais obtivemos uma informação completa a respeito. Mas a prioridade para os cubanos é a libertação dos presos políticos.
O financiamento dos dissidentes cubanos pelos Estados Unidos
SL – Wayne S. Smith, último embaixador dos Estados Unidos em Cuba, declarou que era “ilegal e imprudente enviar dinheiro aos dissidentes cubanos”. Acrescentou que “ninguém deveria dar dinheiro aos dissidentes, muito menos com o objetivo de derrubar o governo cubano”.
Ele explica: “Quando os Estados Unidos declaram que seu objetivo é derrubar o governo cubano e depois afirmam que um dos meios para conseguir isso é oferecer fundos aos dissidentes cubanos, estes se encontram de fato na posição de agentes pagos por uma potência estrangeira para derrubar seu próprio governo”.
YS – Creio que o financiamento da oposição pelos Estados Unidos tem sido apresentado como uma realidade, o que não é o caso. Conheço vários membros do grupo dos 75 dissidentes presos em 2003 e duvido muito dessa versão. Não tenho provas de que os 75 tenham sido presos por isso. Não acredito nas provas apresentadas nos tribunais cubanos.
SL – Não creio que seja possível ignorar esta realidade.
YS – Por quê?
SL – O próprio governo dos Estados Unidos afirma que financia a oposição interna desde 1959. Basta consultar, além dos arquivos liberados ao público, a seção 1.705 da lei Torricelli, de 1992, a seção 109 da lei Helms-Burton, de 1996, e os dois informes da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, de maio de 2004 e julho de 2006. Todos esses documentos revelam que o presidente dos Estados Unidos financia a oposição interna em Cuba com o objetivo de derrubar o governo de Havana.
YS: Não sei, mas…
SL – Se me permite, vou citar as leis em questão. A seção 1.705 da lei Torricelli estipula que “os Estados Unidos proporcionarão assistência às organizações não-governamentais adequadas para apoiar indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não violenta em Cuba.”
A seção 109 da lei Helms-Burton também é muito clara: “O presidente [dos Estados Unidos] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para unir os esforços a fim de construir uma democracia em Cuba”.
O primeiro informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê a elaboração de um “sólido programa de apoio que favoreça a sociedade civil cubana”. Entre as medidas previstas há um financiamento de 36 milhões de dólares para o “apoio à oposição democrática e ao fortalecimento da sociedade civil emergente”.
O segundo informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê um orçamento de 31 milhões de dólares para financiar ainda mais a oposição interna. Além disso, está previsto para os anos seguintes um financiamento anual de pelo menos 20 milhões de dólares, com o mesmo objetivo, “até que a ditadura deixe de existir”.
YS – Quem lhe disse que esse dinheiro chegou às mãos dos dissidentes?
SL – A Seção de Interesses Norte-americanos afirmou em um comunicado: “A política norte-americana, faz muito tempo, é proporcionar assistência humanitária ao povo cubano, especificamente a famílias de presos políticos. Também permitimos que as organizações privadas o façam.”
YS – Bem…
SL – Inclusive a Anistia Internacional, que lembra a existência de 58 presos políticos em Cuba, reconhece que eles estão detidos “por ter recebido fundos ou materiais do governo norte-americano para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba”.
YS – Não sei se…
SL – Por outro lado, os próprios dissidentes admitem receber dinheiro dos Estados Unidos. Laura Pollán, das Damas de Branco, declarou: “Aceitamos a ajuda, o apoio, da ultradireita à esquerda, sem condições”. O opositor Vladimiro Roca também confessou que a dissidência cubana é subvencionada por Washington, alegando que a ajuda financeira recebida era “total e completamente lícita”. Para o dissidente René Gómez, o apoio econômico por parte dos Estados Unidos “não é algo a esconder ou de que precisemos nos envergonhar”.
Inclusive a imprensa ocidental reconhece. A agência France Presse informa que “os dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram essas ajudas econômicas”. A agência espanhola EFEmenciona os “opositores financiados pelos Estados Unidos”. Quanto à agência de notícias britânica Reuters, “o governo norte-americano fornece abertamente um apoio financeiro federal às atividades dos dissidentes, o que Cuba considera um ato ilegal”. E eu poderia multiplicar os exemplos.
YS – Tudo isso é culpa do governo cubano, que impede a prosperidade econômica de seus cidadãos, que impõe um racionamento à população. É preciso fazer fila para conseguir produtos. É necessário julgar antes o governo cubano, que levou milhares de pessoas a aceitar a ajuda estrangeira.
SL – O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na Franca e no restante do mundo.
YS – Podemos admitir que o financiamento de uma oposição é uma prova de ingerência, mas…
SL – Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base nisso.
YS – Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a guerrilha. Interveio em Angola e…
SL – Sim, mas se tratava de ajudar os movimentos independentistas contra o colonialismo português e o regime segregacionista da África do Sul. Quando a África do Sul invadiu a Namíbia, Cuba interveio para defender a independência deste país. Nelson Mandela agradeceu publicamente a Cuba e esta foi a razão pela qual fez sua primeira viagem a Havana, e não a Washington ou Paris.
YS – Mas muitos cubanos morreram por isso, longe de sua terra.
SL – Sim, mas foi por uma causa nobre, seja em Angola, no Congo ou na Namíbia. A batalha de Cuito Cuanavale, em 1988, permitiu que se pusesse fim ao apartheid na África do Sul. É o que diz Mandela! Não se sente orgulhosa disso?
YS – Concordo, mas, no fim das contas, incomoda-me mais a ingerência de meu país no exterior. O que faz falta é despenalizar a prosperidade.
SL – Inclusive o fato de se receber dinheiro de uma potência estrangeira?
YS – As pessoas têm de ser economicamente autônomas.
SL – Se entendo bem, a senhora preconiza a privatização de certos setores da economia.
YS – Não gosto do termo “privatizar”, pois tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.

Conquistas sociais em Cuba?
SL – É uma questão semântica, então. Quais são, para a senhora, as conquistas sociais deste país?
YS – Cada conquista teve um custo enorme. Todas as coisas que podem parecer positivas tiveram um custo em termos de liberdade. Meu filho recebe uma educação muito doutrinária e contam-lhe uma história de Cuba que em nada corresponde à realidade. Preferiria uma educação menos ideológica para meu filho. Por outro lado, ninguém quer ser professor neste país, pois os salários são muito baixos.
SL – Concordo, mas isso não impede que Cuba seja o país com o maior número de professores por habitante do mundo, com salas de 20 alunos no máximo, o que não ocorre na França, por exemplo.
YS – Sim, mas houve um custo, e por isso a educação e a saúde não são verdadeiras conquistas para mim.
SL – Não podemos negar algo reconhecido por todas as instituições internacionais. Em relação à educação, o índice de analfabetismo é de 11,7% na América Latina e 0,2% em Cuba. O índice de escolaridade no ensino primário é de 92% na América Latina e 100% em Cuba, e no ensino secundário é de 52% e 99,7%, respectivamente. São cifras do Departamento de Educação da Unesco.
YS – Certo, mas, em 1959, embora Cuba vivesse em condições difíceis, a situação não era tão ruim. Havia uma vida intelectual florescente, um pensamento político vivo. Na verdade, a maioria das supostas conquistas atuais, apresentadas como resultados do sistema, eram inerentes a nossa idiossincrasia. Essas conquistas existiam antes.
SL – Não é verdade. Vou citar uma fonte acima de qualquer suspeita: um informe do Banco Mundial. É uma citação bastante longa, mas vale a pena.
“Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em desenvolvimento e, em certos setores, comparável ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana de 1959 e do estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu que Cuba alcançasse uma alfabetização universal, a erradicação de certas enfermidades, o acesso geral à água potável e a salubridade pública de base, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários índices importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil, continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90… Atualmente, o serviço social de Cuba é um dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e o Banco Mundial. Segundo os índices de desenvolvimento do mundo em 2002, Cuba supera amplamente a América Latina e o Caribe e outros países com renda média nos mais importantes indicadores de educação, saúde e salubridade pública.”
Além disso, os números comprovam. Em 1959, a taxa de mortalidade infantil era de 60 por mil. Em 2009, era de 4,8. Trata-se da taxa mais baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa que a dos Estados Unidos.
YS – Bom, mas…
SL – A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é de quase 80 anos, similar à de muitos países desenvolvidos. Cuba tem hoje 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário inglês The Guardian, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma população quatro vezes menor.
YS – Certo, mas, em termos de liberdade de expressão, houve um recuo em relação ao governo de Batista. O regime era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de todas as tendências políticas.
SL – Não é verdade. A censura da imprensa também existia. Entre dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de Batista, a censura foi imposta em 630 de 759 dias. E aos opositores reservava-se um triste destino.
YS – É verdade que havia censura, intimidações e mortos ao final.
SL – Então a senhora não pode dizer que a situação era melhor com Batista, já que os opositores eram assassinados. Já não é o caso hoje. A senhora acha que a data de 1º de janeiro é uma tragédia para a história de Cuba?
YS – Não, de modo algum. Foi um processo que motivou muita esperança, mas traiu a maioria dos cubanos. Fui um momento luminoso para boa parte da população, mas puseram fim a uma ditadura e instauraram outra. Mas não sou tão negativa como alguns.

Luis Posada Carriles, a lei de Ajuste Cubano e a emigração
SL – O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a julgar?
YS – É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.
SL – Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu ponto de vista a respeito?
YS – Não gosto de ações violentas.
SL – Condena seus atos terroristas?
YS – Condeno todo ato de terrorismo, inclusive os cometidos atualmente no Iraque por uma suposta resistência iraquiana que mata os iraquianos.
SL – Quem mata os iraquianos? Os ataques da resistência ou os bombardeios dos Estados Unidos?
YS – Não sei.
SL – Uma palavra sobre a lei de Ajuste Cubano, que determina que todo cubano que emigra legal o ilegalmente para os Estados Unidos obtém automaticamente o status de residente permanente.
YS – É uma vantagem que os demais países não têm. Mas o fato de os cubanos emigrarem para os Estados Unidos deve-se à situação difícil aqui.
SL – Além disso, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Muitos europeus também emigram para lá. A senhora reconhece que a lei de Ajuste Cubano é uma formidável ferramenta de incitação à emigração legal e ilegal?
YS – É, efetivamente, um fator de incitação.
SL – A senhora não vê isso como uma ferramenta para desestabilizar a sociedade e o governo?
YS – Neste caso, também podemos dizer que a concessão da cidadania espanhola aos descendentes de espanhóis nascidos em Cuba é um fator de desestabilização.
SL – Não tem nada a ver, pois existem razões históricas e, além disso, a Espanha aplica esta lei a todos os países da América Latina e não só a Cuba, enquanto a lei de Ajuste Cubano é única no mundo.
YS – Mas existem fortes relações. Joga-se beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.
SL – Na República Dominicana também, mas não existe uma lei de ajuste dominicano.
YS – Existe, no entanto, uma tradição de aproximação.
SL – Então por que esta lei não foi aprovada antes da Revolução?
YS – Por que os cubanos não queriam deixar seu país. Na época, Cuba era um país de imigração, não de emigração.
SL – É absolutamente falso, já que, nos anos 50, Cuba ocupava o segundo lugar entre os países americanos em termos de emigração rumo aos Estados Unidos, imediatamente atrás do México. Cuba mandava mais emigrantes para os Estados Unidos que toda a América Central e toda a América do Sul juntas, enquanto que atualmente Cuba só ocupa o décimo lugar apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas
YS – Talvez, mas não havia essa obsessão de abandonar o país.
SL – As cifras demonstram o contrário. Atualmente, repito, Cuba só ocupa o décimo lugar no continente americano em termos de fluxo migratório para os Estados Unidos. Então a obsessão da qual você me fala é mais forte em nove países do continente pelo menos.
YS – Sim, mas naquela época os cubanos iam e regressavam.
Entrevista com a badalada blogueira cubana Yoani Sánchez, concedida ao jornalista francês Salim Lamranium. Fonte: Rebelión, reproduzido por Opera Mundi (conforme publicado no blog Olhos do Sertão


Vivendo e aprendendo…

Primeiro ano de Dilma tem a maior aprovação desde redemocratização

Apenas 6% dos brasileiros não aprovam governo Dilma Rousseff  –  PT

Gestão da petista é avaliada como ótima ou boa por 59%, índice superior ao de todos seus antecessores após o primeiro ano de mandato

A petista Dilma Rousseff é a presidente com o maior nível de aprovação após um ano de governo desde o retorno das eleições diretas. De acordo com pesquisa Datafolha realizada nos dias 17 e 18 de janeiro, o governo Dilma é considerado bom ou ótimo por 59% dos brasileiros com 16 anos ou mais. Seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), era até então o presidente mais bem avaliado do país após encerrar um ano de mandato. Reeleito em 2006, o petista tinha sua gestão vista como ótima ou boa por 50% em dezembro desse mesmo ano. Ao encerrar o primeiro ano do primeiro mandato, o nível de aprovação a Lula era menor: 42% viam seu governo como ótimo ou bom em dezembro de 2002. Em dezembro de 1995, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) encerrava seu primeiro ano à frente da Presidência da República com a aprovação de 41% dos brasileiros adultos. Ao final do primeiro ano de seu segundo mandato, esse índice caiu: 16% consideravam a gestão FHC ótima ou boa em dezembro de 1998. O governo de Itamar Franco (PMDB) completou um ano avaliado como ótimo ou bom por 12%, em novembro de 1993. Primeiro presidente eleito por voto direto após a ditadura militar, Fernando Collor (PRTB) chegou ao final de seu primeiro ano de mandato avaliado como ótimo ou bom por 23% dos brasileiros.

Na comparação com a última avaliação do governo Dilma Rousseff realizada pelo Datafolha, em agosto de 2011, o índice de aprovação da petista subiu de 48% para os atuais 59%. A fatia dos que consideram seu governo regular caiu de 39% para 33%, mesma trajetória do índice de desaprovação ao mandato de Dilma: em agosto, 11% viam seu governo como ruim ou péssimo, ante 6% que dizem o mesmo no atual levantamento. Em março de 2011, três meses após assumir, Dilma tinha sua gestão vista como ruim ou péssima por 7%.

A aprovação ao governo Dilma Rousseff aumentou tanto entre as mulheres (de 49% em agosto do ano passado para 62% atualmente) quanto entre os homens (46% para 56%). As taxas de ótimo ou bom da presidente também cresceram em todas as faixas de idade, com mais intensidade entre os mais jovens, de 16 a 24 anos (de 43% para 56%) e menos intensidade entre aqueles que têm de 45 a 59 anos (de 49% para 57%). Entre os segmentos de escolaridade, nos quais também se verificou crescimento da aprovação de forma geral, o maior avanço percentual na aprovação a Dilma se deu entre aqueles com curso superior (de 44% para 59%; entre os que têm ensino médio, houve crescimento similar, de 45% para 57%). Entre agosto do ano passado e janeiro deste ano, aumentou a aprovação ao atual governo em todos os estratos de renda, com destaque para o grupo daqueles com renda familiar mensal de 5 a 10 salários mínimos, no qual os índices de ótimo ou bom passaram de 45% para 61%. Os índices de aprovação também subiram em todas as regiões, com destaque para as regiões Norte e Centro-Oeste (de 45% para 63%), com avanço menor no Sul (de 50% para 58%) e no Sudeste (de 48% para 56%).

O aumento da aprovação ao governo Dilma se refletiu na nota média atribuída a sua gestão, que passou de 6,7 para 7,2 entre agosto de 2011 e janeiro de 2012.

O Datafolha também mediu alguns aspectos da imagem pessoal da presidente. Para 72% dos brasileiros, Dilma é decidida. Esse índice é menor do que o verificado em março (79%), quando ela completava três meses de mandato, mas maior do que os que diziam o mesmo em junho (62%). A mesma trajetória teve a taxa dos que consideram a petista muito inteligente, que era de 85% em março, 76% em junho e fica em 80% no atual levantamento. A fatia dos que avaliam Dilma como sincera era de 65% após três meses de governo, oscilou negativamente para 62% no seu sexto mês de governo e subiu para 70% em janeiro de 2012. O índice dos que a consideram falsa, por outro lado, era de 17% em março, foi a 22% em junho e é de 15% atualmente. Entre as avaliações como democrática ou autoritária, a maior fatia (52%) a considera democrática, enquanto 39% dizem que é autoritária. Em março, 44% avaliavam a petista como democrática, e 44%, como autoritária. Três meses depois, em junho, 52% apontavam Dilma como democrática, e 41%, como autoritária.

70% Descartam pelo menos um Ministério da República

Os 38 ministérios de que o governo federal dispõe atualmente representam um número maior do que o necessário para 44% dos brasileiros, aponta a pesquisa Datafolha. Para 29%, esse número é adequado às necessidades do país, enquanto 15% dizem que o número é menor do que o Brasil precisa, enquanto 11% não souberam responder. Diante da lista dos 38 ministérios, que incluem todos os órgãos vinculados à Presidência da República cujos titulares têm status de ministro, um índice acima da média (39%) de jovens de 16 a 24 anos vê o número como adequado. Também consideram o número adequando em nível acima da média os entrevistados das regiões Norte e Centro-Oeste (35%). Entre aqueles que têm de 35 a 49 anos, porém, uma taxa acima da média (54%) acredita que o número de ministérios é maior do que o país precisa. O mesmo acontece no grupo dos que possuem ensino superior (58%), tem renda familiar de 5 a 10 salários mínimos (56%) ou superior a 10 salários mínimos (63%). Na região Sudeste, 50% considera o número de ministérios excessivo.

O Datafolha também perguntou quais ministérios o entrevistado descartaria caso houvesse uma reforma ministerial. Apenas 30% disseram que não descartar nenhum ministério. Entre os ministérios apontados como descartáveis em uma reforma ministerial, os mais citados foram Secretaria de Assuntos Estratégicos (15%), Secretaria de Pesca e Aquicultura (13%), Gabinete de Segurança Institucional (10%), Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (9%), Secretaria de Portos (8%), Secretaria de Relações Institucionais (7%), Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (6%), Ministério da Integração Nacional (6%), Ministérios das Cidades (6%), Secretaria-Geral da Presidência (6%) e Ministério do Turismo (5%), entre outros menos citados. Uma fatia de 20 disse não saber qual ministério excluir, apesar de afirmar estar disposto a descartar pelo menos um deles.

Noroeste Paulista – Nova escola SESI, em Fernandópolis será inaugurada dia 10 de fevereiro e em Jales MP instaura inquérito.

O prédio da nova escola do Sesi

O prefeito Luiz Vilar recebeu nessa quarta-feira, 25 de janeiro, a visita da diretora do Centro Educacional SESI, Rosicleide Costa Scapim da Fonseca Carósio, que veio acertar os detalhes do evento de inauguração da nova escola, que será realizado no próximo dia 10.

O horário do evento ainda não está definido, mas já está confirmada a presença do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Dr. Paulo Antônio Skaf, além de outras autoridades.

O prefeito Luiz Vilar se colocou à disposição do SESI e disse que os serviços de manutenção e limpeza no bairro Emílio Mininel, onde está localizado o novo prédio da escola, serão providenciados antes da inauguração.

Também participou da reunião, a nutricionista do SESI, Verônica Samartino Albino, que elogiou a merenda escolar, que é fornecida pela Prefeitura aos alunos, professores e funcionários do SESI.

Novo SESI

O novo Centro Educacional do SESI recebeu investimentos de mais de R$ 11 milhões. A escola terá 12 salas de aula, sala de multimeios, laboratório de informática, biblioteca, centro de convivência, quadra poliesportiva, cozinha, área administrativa e de apoio.

O SESI atenderá alunos com educação em tempo integral, com classes do ensino fundamental e médio, além de atividades pedagógicas diversas, cursos de qualificação profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mais de 400 alunos estão matriculados na escola.

O novo Centro Educacional do SESI foi construído em uma área de 12.743m², doada pelo município.

Equanto isso em Jales: MP INSTAURA INQUÉRITO PARA APURAR EVENTUAL DANO AMBIENTAL

O Ministério Público de Jales, através do promotor de Justiça, Eduardo Hiroshi Shintani, deferiu representação formulada por dois cidadãos e determinou diligências para apurar eventual prática de dano ambiental, por conta do provável corte de 50 árvores em área do Terminal Rodoviário. O terreno onde estão as árvores foi doado ao SESI, para construção da Estação Sesi de Cultura.

A representação foi protocolada junto ao Ministério Público pela advogada Alzira Mara de Azevedo Novaes e pelo estudante Luís Henrique Vicente de Oliveira e está acompanhada por um abaixo-assinado com cerca de 2.000 assinaturas.

O MP resolveu coletar informações sobre o assunto e, entre outras coisas, está pedindo que a Prefeitura justifique a escolha do local e explique se tal escolha está de acordo com o Plano Diretor Ambiental, recentemente anunciado pela administração Parini. Além disso, o MP também quer saber se houve participação comunitária na escolha da área onde se pretende construir a Estação Sesi de Cultura.

Esta última indagação eu mesmo posso responder: na administração Parini – que sepultou o orçamento participativo – a participação comunitária nas decisões que dizem respeito à população é nenhuma.

Com informações do Folha do Noroeste e blog do Cardosinho.


Disputa pela prefeitura de São Paulo segue estável, diz Datafolha

 

Maioria dos paulistanos desconhece os principais nomes à sucessão municipal

Serra é o tucano mais bem posicionado, mas possui rejeição alta e tem dito a partido que não é candidato

UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO

A disputa pela Prefeitura de São Paulo mantém-se inalterada e, a oito meses das eleições, os principais candidatos ainda não são conhecidos pela maioria dos paulistanos, mostra o Datafolha.

Segundo pesquisa realizada quinta e sexta, nenhum candidato ultrapassa 21% de intenção de voto na maior cidade do país.

Um dos que apresentam o melhor desempenho continua sendo Celso Russomanno (PRB), que oscila de 17% a 21% e lidera quatro dos cinco cenários pesquisados.

No único quadro que Russomanno não lidera, ele fica atrás apenas de José Serra (PSDB), que aparece com 21%. O tucano, porém, tem dito a seu partido que não quer concorrer à prefeitura.

Serra tem contra si uma das maiores rejeições: 33% dos paulistanos dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Na pesquisa, só Netinho de Paula (PC do B) aparece à frente do tucano neste quesito, com 35%. Os dois são também os nomes mais conhecidos pelos entrevistados.

Os demais candidatos do PSDB que disputam a sucessão de Gilberto Kassab (PSD) -Bruno Covas, José Aníbal, Ricardo Tripoli e Andrea Matarazzo- variam de 2% a 6%.

O petista Fernando Haddad, que tem o apoio do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, não passa de 5%.

Já Gabriel Chalita (PMDB), candidato do vice-presidente Michel Temer, varia de 6% a 9% das intenções de voto. Ele oscilou positivamente em todos os quadros, sempre dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

O cenário é praticamente o mesmo mostrado pela pesquisa anterior, feita no início de dezembro.

A pesquisa foi feita com 1.090 eleitores da cidade de São Paulo e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número 00001/2012.

Veja abaixo a íntegra da informação divulgada no sitio do Datafolha, referente à pesquiza anterior, feita em dezembro, cujo quadro permanece praticamente estável em janeiro.

Opinião Pública

Mais conhecidos, Serra, Russomano e Netinho lideram cenários para prefeitura de SP

Fernando Haddad (PT) tem índices entre 3% e 4%

Na última pesquisa Datafolha de 2011 sobre a disputa eleitoral na cidade de São Paulo em 2012, o quadro aponta para um cenário com alto índice desconhecimento sobre os nomes até agora mencionados para disputar a prefeitura. O levantamento foi realizado nos dias 7, 8 e 9 de dezembro, com 1092 eleitores na capital paulista. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Para essa rodada de pesquisa, o Datafolha estimulou cinco cenários. Em todos eles, são fixos os nomes de Celso Russomano (PRB), Soninha (PPS), Paulinho da Força (PDT), Netinho de Paula (PCdoB), Gabriel Chalita (PMDB), Fernando Haddad (PT), Eduardo Jorge (PV), Guilherme Afif Domingos (PSD) e Luiz Flávio Borges D’urso (PTB). Os nomes que se revezam em cada um desses cenários são do PSDB, que teve como nomes consultados José Serra, Bruno Covas, José Anibal, Ricardo Trípoli e Andrea Matarazzo.

Quando o nome de José Serra aparece na lista, ele lidera com 18% das intenções de voto, empatado com Russomano (16%) e Netinho (13%). A seguir aparecem Soninha (8%), Paulinho (8%), Gabriel Chalita (5%), Fernando Haddad (3%), Gulherme Afif Domingos (3%) e Borges D’urso (2%). O índice dos que votariam em branco, nulo ou em nenhum deles fica em 17%, enquanto 6% disseram não saber em quem votar. Entre os que avaliam como ótima ou boa a administração de Gilberto Kassab (PSD) na cidade de São Paulo, o índice de Serra fica em 23%. Russomano tem 21% entre os eleitores de 35 a 44 anos, ante 7% na fatia dos mais jovens, de 16 a 24 anos. É entre esses eleitores jovens que Netinho consegue seu maior índice (20%), mas fica com 6% entre aqueles com nível superior. Entre os mais escolarizados, Haddad vai de 3% para 9%. Entre os simpatizantes do PT, porém, o ministro da Educação fica com 4%.

Nos cenários em que são outros os candidatos do PSDB, quem lidera são Celso Russomano e Netinho. Quando o candidato tucano é Bruno Covas, Russomano obtém 20%, e Netinho, 14%. Em seguida aparecem Soninha (10%), Paulinho (9%), Gabriel Chalita (6%), Bruno Covas (6%), Fernando Haddad (4%), Guilherme Afif Domingos (3%), Borges D’urso (1%) e Eduardo Jorge (1%). Com José Aníbal, Russomano fica com 20%, e Netinho, com 15%. Depois vêm Soninha (10%), Paulinho (9%), Gabriel Chalita (6%), Fernando Haddad (4%), Guilherme Afif Domingos (3%), José Aníbal (3%), Eduardo Jorge (1%) e Borges D’urso (1%). No cenário com Andrea Matarazzo, Russomano e Netinho repetem seus índices (20% e 15%). Em seguida aparecem Soninha (10%), Paulinho (9%), Gabriel Chalita (6%), Fernando Haddad (4%), Guilherme Afif Domingos (3%), Andrea Matarazzo (2%), Eduardo Jorge (1%) e Borges D’urso (1%).Com Ricardo Tripoli, Russomano mantém 20%, e Netinho oscila para 14%. Depois vêm Soninha (11%), Paulinho (9%), Gabriel Chalita (6%), Fernando Haddad (4%), Guilherme Afif Domingos (3%), Tripoli (2%), Borges D’urso (1%) e Eduardo Jorge (2%).

Nas simulações sobre a intenção de voto para a prefeitura de São Paulo realizadas pelo Datafolha em setembro, em nenhum cenário aparecia o nome do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), agora incluído em todos os cenários (com índices de intenção de voto de 3% em todos eles). Observada essa inclusão, é possível comparar o comportamento dos índices de outros candidatos em alguns dos cenários consultados: quando Bruno Covas e Fernando Haddad aparecem como candidatos, Celso Russomano oscila de 21% para 20%, Netinho, de 15% para 14%, Soninha, de 11% para 10%, Paulinho, de 10% para 9%, Chalita, de 5% para 6%, Haddad, de 2% para 4%, e Eduardo Jorge, de 2% para 1%. Bruno Covas e Borges D’urso mantêm seus índices (6% e 1%, respectivamente). No cenário em que entram José Serra e Haddad, o tucano oscila de 19%, em setembro, para 18%, atualmente, e Russomano oscila de 19% para 16% (os demais mantêm seus índices ou oscilam 1% para cima ou para baixo). No cenário com José Anibal e Fernando Haddad, os candidatos também mantêm seus índices ou oscilam dentro da margem de erro.

Na pesquisa espontânea, na qual não são apresentados os nomes dos candidatos aos entrevistados, o nome mais citado pelos eleitores quando perguntados sobre em quem iriam voltar para prefeito em 2012 foi o de Marta Suplicy (PT), com 8% das indicações. A seguir aparecem Kassab (PSD), com 3%, José Serra (PSDB), com 2%, “candidato do PT”, com 2%, Geraldo Alckmin (2%) e Paulo Maluf (PP), que tem 1%, juntamente com outros nomes como Gabriel Chalita (PMDB), “candidato do PSDB” e Fernando Haddad. O índice de indecisos, nesse caso, atinge 63%, e a fatia dos que dizem que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato é de 10%. Entre os que simpatizam com o PT, o nome de Marta é citado por 17%. No grupo que diz simpatizar com o PSDB, 9% citam espontaneamente “candidato do PSDB.

MAIS CONHECIDOS, SERRA E NETINHO TAMBÉM LIDERAM REJEIÇÃO

O Datafolha também perguntou aos eleitores paulistanos em qual dos candidatos apresentados eles não votariam de jeito nenhum. O nome mais rejeitado no levantamento foi o de José Serra, em quem 35% não votariam de jeito nenhum (eram 32% em setembro). O patamar é similar ao obtido por Netinho, com índice de rejeição de 32%. A seguir vêm Soninha (16%), Paulinho (17%), Bruno Covas (13%), Russomano (12%), José Aníbal (12%), Gabriel Chalita (10%), Andrea Matarazzo (9%), Ricardo Trípoli (9%), Eduardo Jorge (9%), Borges D’urso (8%), Guilherme Afif Domingos (8%) e Fernando Haddad (8%). A fatia dos que rejeitam todos estes pré-candidatos e não votariam em nenhum deles soma 8%, enquanto 4% não rejeitam nenhum e 8% não souberam responder. Na pesquisa de setembro, 4% disseram rejeitar todos, e 3% não souberam responder.

O índice de rejeição de José Serra fica acima de sua média entre aqueles com renda familiar entre 5 e 10 salários mínimos (42%) e entre os eleitores que avaliam a gestão Kassab como ruim ou péssima (43%), mas fica abaixo da média entre os mais velhos, com mais de 60 anos (26%). O nome de Netinho tem rejeição abaixo da média entre os eleitores com nível fundamental (20%), mas acima da média entre aqueles com nível superior (60%). Entre aqueles que ganham de 5 a 10 salários mínimos, a rejeição ao candidato do PC do B fica em 51%. A rejeição a Celso Russomano também fica acima de sua média entre os eleitores com nível superior (19%).

Também foi perguntado aos eleitores sobre o nível de conhecimento dos nomes consultados pelo Datafolha. José Serra também é, neste caso, o mais conhecido: 98% dizem conhecer o tucano, sendo que 67% afirmam o conhecer bem, 22%, um pouco, e 8%, só de ouvir falar. O índice de conhecimento de Netinho de Paula é de 95%, sendo que 53% o conhecem muito bem, e 29%, um pouco. Em seguida aparece Celso Russomano, conhecido por 88% (36% o conhecem bem, 30%, um pouco, e 23%, só de ouvir falar); Paulinho da Força, conhecido por 83% (39% o conhecem bem, e 25%, um pouco); Soninha, conhecida por 73% (24% a conhecem um pouco, e 23%, só de ouvir falar); José Aníbal, conhecido por 55% (28% o conhecem só de ouvir falar); Bruno Covas, conhecido por 49% (31% o conhecem só de ouvir falar), Gabriel Chalita, conhecido por 47% (23% o conhecem só de ouvir falar); Guilherme Afif Domingos, conhecido por 40% (17% o conhecem só de ouvir falar), Fernando Haddad, conhecido por 37% (20% o conhecem só de ouvir falar), Ricardo Tripoli, conhecido por 35%, Andrea Matarazzo, conhecido por 32%, Eduardo Jorge, conhecido por 21%, e Luiz Flavio Borges D’urso, conhecido por 17%.

Entre os simpatizantes do PSDB, 83% conhecem José Anibal, 69%, Bruno Covas, 64%, Ricardo Tripoli, e 55%, Andrea Matarazzo. No grupo que dize ser simpático ao PT, metade (50%) diz conhecer Fernando Haddad, sendo que 18% o conhecem só de ouvir falar, e 20%, conhecem-no um pouco.

AUMENTA O ÍNDICE DOS QUE PODERIAM VOTAR EM CANDIDATO APOIADO POR LULA

O apoio da presidente Dilma Rousseff (PT) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB) a um dos nomes na disputa teriam pesos semelhantes, aponta o levantamento. Para 44%, o apoio da presidente seria indiferente, enquanto 33% dizem que esse apoio poderia os levar a escolher um candidato e 20% dizem que o apoio de Dilma faria com que não votassem em um candidato. No caso de Alckmin, 40% afirmam que seu apoio seria indiferente, enquanto 31% dizem que o apoio poderia os levar a escolher um candidato e 26% afirmam que esse apoio os levaria a não votar em um candidato.

Na comparação com levantamento realizado em setembro, o índice dos que seriam indiferentes ao apoio de Alckmin a um dos candidatos à prefeitura de São Paulo caiu de 48% para 40%. A fatia dos que poderiam optar por um candidato a partir do apoio do tucano, por sua vez, oscilou de 27% para 31%, e a dos que não votariam por causa deste apoio oscilou de 21% para 26%. A tendência se repete com Dilma: em setembro, 53% diziam ser indiferentes ao apoio da petista, ante 44% agora. Outros 17% diziam que o apoio da presidente os faria não optar por um candidato, índice que oscilou para 20% no atual levantamento. Na direção oposta, eram 26% os que diziam que o apoio de Dilma os faria optar por um candidato, índice que subiu para 33%.

Os eleitores também foram consultados sobre o apoio do prefeito Gilberto Kassab e do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), cujos resultados mostram tendências opostas. Para 49%, o apoio do atual prefeito faria com que não votassem neste candidato. Outros 35% dizem que o apoio de Kassab seria indiferente, e 13% afirmam que poderiam votar em um candidato apoiado por ele. Já o apoio de Lula poderia fazer com que 48% dos eleitores paulistanos optassem por um candidato, enquanto outros 32% dizem que esse apoio seria indiferente e 18% afirmam que o apoio do ex-presidente os levaria a não votar em um candidato. Na comparação com setembro de 2011, o índice dos que poderiam escolher um candidato apoiado por Lula subiu oito pontos (eram 40%), enquanto a taxa de indiferentes a esse apoio caiu de 39% para 32%. Desde 2003, o Datafolha já questionou os paulistanos sobre o apoio de Lula a um candidato a prefeito em São Paulo em dez oportunidades. Nesta décima primeira pesquisa, o ex-presidente alcança seu maior índice de influência. Quanto ao apoio de Kassab, subiu de 38%, em setembro, para 49%, atualmente, o índice dos que dizem que o apoio do prefeito os faria não optar por um candidato.

Entre os que têm ensino fundamental, 40% dizem que poderiam optar por um candidato à prefeito de São Paulo a partir do apoio de Dilma. Esse índice, no mesmo estrato vai a 58% no caso de Lula. Entre aqueles com ensino superior, porém, caem para 18%, no caso de Dilma, e para 24%, no caso de Lula. Entre aqueles que avaliam a gestão Kassab como ótima ou boa, 45% dizem que o apoio de Alckmin poderia os levar a optar por esse candidato, índice que fica em 39% para o apoio do próprio Kassab. No grupo de simpatizantes do PSDB, 63% afirmam que o apoio de Alckmin poderia os levar a optar por um candidato à prefeitura.

32 ANOS… e estamos só começando.

Melhor amigo do homem

Juventude da Esquerda Popular Socialista do PT propõe entrega do título de Rainha de Guantánamo à Yoni Sanches

A traidora cubana Yoni Sanches foi convidada pelo cineasta Cláudio Galvão para a o lançamento do documentário “Conexão Cuba-Honduras”,. O visto, concedido ontem (quarta, 25), foi uma decisão da presidente Dilma Rousseff.

O lançamento do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, em Jequié, na Bahia, no dia 10 de fevereiro. A jornalista e blogueira é entrevistada no documentário que fala sobre a falta de liberdade de expressão, fato vivido por Yoani em Cuba. Pela internet, a blogueira afirmou que o mais difícil ainda virá: conseguir a autorização para sair do país. O governo local já negou o pedido 18 vezes.

A EPS Esquerda Popular Socialista – PT (recém fundada tendencia interna do PT) repudia a presença dela no Brasil e a Juventuder da EPS propõe aentrega a ela do título de Rainha de Guantánamo, se ela ousar pisar no Brasil.

Ontem acontecia o debate de organização para recepcionar-la no aeroporto de Ilhéus com varias faixas, saudando a RAINHA DE GUANTÁNAMO.

Noroeste Paulista – UAB Jales abre inscrições para Cursos de Graduação


Estão abertas as inscrições para o curso de Matemática (Licenciatura), da Universidade Federal de Ouro Preto, na UAB – Universidade Aberta do Brasil – Polo de Jales. A novidade é que não haverá vestibular. A seleção dos candidatos será feita entre professores da rede pública e de alunos aprovados no ENEM. Estão previstas 50 vagas para Jales.

Outra novidade é o curso de Química (Licenciatura), da Universidade Federal de Alfenas. De acordo com a coordenação do curso, o início das aulas está previsto entre os meses de abril a agosto. Após essa confirmação, as inscrições serão abertas.

O Polo UAB Jales oferece ainda outros cursos de Graduação como: Agricultura Familiar e Sustentabilidade, Educação Musical, Engenharia Ambiental, Licenciatura em Física, Gestão Pública, Curso de Letras – Espanhol/Literatura, Licenciatura em Pedagogia, Bacharelado em Sistemas de Informação.

As inscrições estarão abertas no período de 16 a 30 de janeiro de 2012. No edital, que pode ser acessado através deste link http://migre.me/7FC3L é possível encontrar todas as instruções para a realização da inscrição.

Qualquer dúvida acesse o site www.uabjales.com.br ou a página www.vestibular.ufop.br (clicar no item de Inscrição para o PIS/UAB/UFOP2012-1).

Justiça Eleitoral de SP suspende fundo partidário do PSDB

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo desaprovou ontem a prestação de contas do PSDB paulista de 2009.

O diretório terá suspenso, por um ano, o recebimento o fundo partidário e terá que devolver R$ 87,9 mil. Cabe recurso ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Segundo o relator do processo, Mathias Coltro, o partido usou R$ 56 mil em recursos de origem não identificada, referentes a doações de pessoas jurídicas, contribuições de parlamentares e de filiados

Além disso, de acordo com ele, houve irregularidades na aplicação do fundo partidário como, por exemplo, a não comprovação de R$ 52 mil pagos no aluguel de imóveis.

O relator lembrou que o PSDB recebeu R$ 939 mil do fundo partidário em 2009. A decisão foi baseada na Lei dos Partidos Políticos.

A direção do diretório foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre a decisão.

CDHU culpa moradores por defeitos estruturais em obras

Enviado por luisnassif,

Por politicsbuz

falando em asneiras (esgoto midiático) a céu aberto, o usuário da casa popular é responsável por rachaduras e vazamentos causados pelo construtor e falta de fiscalização da CDHU… I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L-!-!-!

Da Folha de S. Paulo

Estatal de SP culpa ‘morador de favela’ por defeito em casas

Imóveis entregues por Alckmin em dezembro continuam com problemas, apesar de construtora ter prometido solução

Segundo diretor da CDHU, houve possível mau uso por moradores, que deveriam passar por orientação social

 

Fotos Marcia Ribeiro/Folhapress
Moradora mostra balde embaixo da pia da cozinha, que está com problemas de vazamento
Moradora mostra balde embaixo da pia da cozinha, que está com problemas de vazamento

GABRIELA YAMADA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE RIBEIRÃO PRETO

Ao constatar que casas entregues pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em Ribeirão Preto (SP) continuam com problemas, um dirigente da CDHU (órgão estadual de habitação) responsabilizou ontem os moradores pelos defeitos.

No dia 4, após a Folha revelar diversas falhas no conjunto habitacional Paulo Gomes Romeu, a Croma -construtora responsável pela obra- disse que resolveria os problemas em 20 dias.

Parte das casas foi entregue por Alckmin no final de dezembro e dias depois já apresentava as falhas.

A reportagem voltou ao local ontem e anteontem e constatou que 12 de 16 casas continuam com problemas, como vazamentos nas pias, fissuras nas paredes e portas e janelas que não fecham.

Em visita ao conjunto na manhã de ontem, Milton Vieira de Souza Leite, diretor regional da CDHU, disse que os problemas são possíveis reflexos de mau uso.

“A gente conhece o nível de educação [dos moradores]… O pessoal veio da favela. Não está acostumado a viver em casa”, afirmou.

Depois, questionado por telefone sobre a frase, ele disse que a adequação desses moradores no conjunto é uma questão complexa.

“Você não consegue mudar a educação delas [famílias] somente mudando de local.” Segundo ele, seria preciso um trabalho social a longo prazo para resolver isso.

Leite foi ao conjunto habitacional ontem após a Folha ter entrado em contato com a CDHU na quarta-feira para questionar sobre a continuidade dos problemas.

Sobre o caso de um morador que afirmou à reportagem, no início do mês, que a pia da cozinha havia caído depois de ele ter colocado uma cesta básica sobre ela, Leite ironizou o episódio.

“O que ele foi comer era outra coisa”, disse, insinuando que a pia caiu durante uma relação sexual.

A frase foi dita em entrevista gravada na frente de oito pessoas, entre elas funcionários da CDHU e da Croma.

Durante a visita, em duas casas havia moradores dormindo, fato também questionado por Leite. “Você viu? Não sei se eles estavam dormindo porque trabalharam à noite ou porque continuam sem fazer nada.”

Leite afirmou que todos os problemas apontados serão reparados pela construtora e que “o benefício está sendo muito maior que o sacrifício”.

Na casa de Lucimara Aparecida de Oliveira, 29, foi constatado o pior caso, de fissuras no entorno de portas e janelas. Elas estão abrindo “buracos” no entorno das portas dos quartos e da janela da sala.

Sobre isso, Leite disse que o problema pode ter sido causado por batidas repetidas das portas.

“Eu acho um absurdo. Aqui ninguém ganhou casa, está todo mundo pagando”, disse Lucimara.

Os beneficiários do programa pagam mensalidades que vão de R$ 50 a R$ 150.

A dona de casa Alessandra dos Santos Fernandes, 32, sofre com problemas de vazamentos nas pias do banheiro e da cozinha desde quando se mudou, em dezembro. “Já vieram arrumar, mas piorou. A casa fica sempre suja.”

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