Vitória da Conquista – BA: Derba realiza vistoria de área para construção do novo aeroporto

 

 

O Departamento de Infraestrutura de Transporte da Bahia (Derba) iniciou nesta quarta-feira (29) a vistoria da área para a construção do novo aeroporto no município de Vitória da Conquista. Em reunião na Prefeitura local, o diretor-presidente do Derba, Saulo Pontes, o prefeito Guilherme Menezes (PT), o deputado estadual Marcelino Galo (PT), representantes da sociedade e técnicos do governo do estado debateram os entraves e as soluções para a continuação do projeto. A construção foi anunciada pelo vice-governador Otto Alencar (PSD) na última sexta-feira (24), quando garantiu também que o licenciamento de construção do aeroporto sairia no mês de março.

 

“Precisamos avançar, pois essa obra é de fundamental importância para a região sudoeste da Bahia e para o desenvolvimento do Território de Vitória da Conquista. O novo aeroporto vai trazer mais vôos e mais turistas do Brasil e de diferentes regiões do estado. Isso vai auxiliar no crescimento da economia e na melhor distribuição do Produto Interno Bruto [PIB] da Bahia, que está concentrado na capital e na região metropolitana de Salvador”, afirma o parlamentar Marcelino Galo.

 

O engenheiro e diretor-presidente do Derba, Saulo Pontes, disse em entrevista, que a área de desapropriação já está resolvida com indenizações, os projetos executivo e o de pacto ambiental também já foram concluídos, restando agora quatro obstáculos. Segundo Pontes o aterro sanitário de Vitória da Conquista, que “bem monitorado não tem o perigo de atração de abutres e aves”, é um desses obstáculos. “A fábrica de farinha de ossos a prefeitura vai remover e a fábrica de ração também, esses dois obstáculos tem que ser removidos”, declara.

 

O quarto obstáculo era uma pocilga, que não existe mais, ela já está na parte da área que foi desapropriada pelo Derba. Ainda de acordo com o engenheiro do Derba, as obras só poderão ter início após a remoção desses obstáculos, conforme exigência do Ministério Público.

Marcelo Crivella assumirá pasta da Pesca no lugar de Luiz Sérgio

NATUZA NERY
FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA

O Palácio do Planalto anunciou nesta quarta-feira (29) mais uma troca na Esplanada dos Ministérios: Luiz Sérgio de Oliveira (PT-RJ) deixará a pasta da Pesca e Aquicultura e será substituído pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).

A mudança foi divulgada pelo porta-voz da Presidência, Thomas Traumann. Segundo nota divulgada, Luiz Sérgio prestou “inestimável contribuição ao governo”.

“À frente da Secretaria de Relações Institucionais e, depois, como responsável pela pasta da Pesca e Aquicultura, Luiz Sérgio desempenhou com dedicação e compromisso com o país todas as tarefas que lhe foram atribuídas pela presidenta Dilma Rousseff”, diz trecho da nota.

O documento diz ainda que a mudança permitirá incorporar à Esplanada um “importante partido aliado da base do governo” –o texto menciona o fato de que o ex-vice-presidente José Alencar pertencia a essa legenda.

Com a troca, Luiz Sérgio deve retornar à Câmara dos Deputados.

Lula e Marta: o vento que venta aqui é o mesmo que venta lá

Por Renato Rovai

A ex-prefeita Marta Suplicy registrou hoje que o partido errou ao dialogar com Kassab. Se fosse mais aguda deveria afirmar que Lula errou. Foi ele quem iniciou essa conversa. Mas como Lula é hoje um quase santo no PT (muito em decorrência dos seus méritos) quem crítica a tentativa de aliança com o PSD evita citar o nome dele. Fala em erro do partido.

Foi Lula quem iniciou as conversas e foi ele quem estimulou alguns de seus principais aliados internos a manter o diálogo aberto com o alcaide da capital do estado. Mesmo contra a posição da maioria dos dirigentes partidários tanto em nível municipal, quanto nacional.

Outro fato é que Fernando Haddad em nenhum momento deu declarações muito confortáveis sobre a coligação. Como diria a presidenta Dilma, em todos os momentos que foi confrontado com a possibilidade da aliança em entrevistas, tergiversou. Pessoas próximas a ele garantem que, no íntimo, Haddad torcia para que Kassab tomasse outro rumo. Garantem há algum tempo. Não apenas agora.

Outro fato concreto é que Kassab foi à festa de 32 anos do PT e tomou uma vaia homérica, histórica. E de lideranças partidárias, como registrei aqui. Mesmo com a vaia no ouvido, o ex-prefeito não passou recibo. E continuou dizendo que apoiaria Haddad.

Ou seja, Kassab achava Haddad o melhor candidato. Só ponderava que se Serra saísse não teria como não apoiá-lo. Por compromissos anteriores.

Sendo assim, que moral Serra terá para dizer que saiu candidato pelo risco que a vitória de Haddad significava para São Paulo? Se significava um grande risco porque Kassab queria tanto apoiá-lo?

Os que ficam perguntando como o PT vai explicar o “namorico” com Kassab, poderiam também se perguntar como Serra vai explicar que um de seus principais aliados tenha corrido por dois meses atrás do candidato do PT como a grande solução para São Paulo.

O vento que venta aqui é o mesmo que venta lá. É mais fácil pra Haddad mandar Serra perguntar pra Kassab por que ele queria tanto apoiá-lo. Do que Serra tentar perguntar por que o PT discutiu aliança com o prefeito que não é de centro, de direita e nem de esquerda.

Renato Rovai é editor da Revista Fórum

Em Sergipe: ESMERALDO LEAL É LANÇADO PRÉ-CANDIDATO A PREFEITO DE SIMÃO DIAS PELO PT

Esmeraldo: Pré-candidato a prefeito do PT
Parece que a movimentação na política estadual em torno do rompimento de Déda com Amorim e possivelmente com Valadares, também mexeu na política de Simão Dias.
Segundo o líder petista Denar, em reunião com outros membros do partido chegou ao consenso em torno do lançamento do nome do líder do Movimento Sem-Terra, Esmeraldo Leal como pré-candidato a prefeito do município.
Esmeraldo já foi candidato a vereador em 2000, sem conseguir êxito na disputa. Atualmente é assessor do deputado João Daniel, que na última eleição estadual em Simão Dias obteve mais de 1600 dos simãodienses.

Deputado Valmir Assunção assume coordenação do Núcleo Agrário do PT

 

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Após reunião entre os parlamentares da bancada agrária do PT, o deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) foi escolhido como o novo coordenador do Núcleo Agrário do PT.  Segundo Valmir, a primeira tarefa será o pleito da presidência da Comissão de Agricultura Pecuária e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, historicamente dominada por ruralistas.
“Depois da decisão dos movimentos sociais de se unirem na defesa da reforma agrária, senti-me motivado a assumir a coordenação do núcleo agrário e, assim, trabalhar para que a Comissão de Agricultura seja destinada ao PT. Vamos trabalhar neste sentido e será uma demonstração de prioridade na questão da reforma agrária, agricultura familiar e agricultura em geral.”, afirmou Valmir.
O orçamento da União também deverá ser trabalhado pelo núcleo já desde o início do ano. “Também atuaremos na construção do orçamento, sensibilizando o Governo na elaboração do mesmo, para que quando chegar para a votação no Congresso, possamos dar prioridade à reforma agrária”, apontou o novo coordenador.
Pautas prioritárias
A bancada agrária do PT também já sinalizou quais serão suas prioridades para o início deste ano no Congresso Nacional. “Nossa primeira reunião será de planejamento e daremos prioridade para a atuação dentro da CPI do Trabalho Escravo e também na aprovação da PEC do Trabalho Escravo. O debate sobre o Código Florestal e dentro da Comissão Especial que trata da exploração de recursos minerais em terras indígenas também está na nossa pauta”, disse Valmir.
“Para mim, é um desafio grande assumir o núcleo agrário do PT, até por que tem outros deputados com experiência no núcleo. Vamos fortalecer os parlamentares em defesa da reforma agrária, da agricultura familiar, camponesa, em defesa dos territórios e direitos dos quilombolas e indígenas”, completou.
O núcleo agrário é o principal espaço de articulação dos deputados, senadores e movimentos sociais dentro do Parlamento para a defesa da reforma agrária, da agricultura familiar e camponesa.

PT define tática na maioria das grandes cidades e deve crescer em todo país

Rui Falcão lidera a reunião da Comissão Eleitoral. (Foto Mário Agra – PT)

A avaliação é da Comissão Eleitoral do Partido, que já conta com definição tática em 78 grandes cidades.

Com a tática eleitoral definida em dois terços das maiores cidades do país (capitais e municípios com mais de 150 mil eleitores), o PT está bem posicionado para crescer em números de governos locais em todos os Estados, segundo avaliou a Comissão de Acompanhamento Eleitoral do partido, ocorrida nesta segunda-feira (27) na sede do Diretório Nacional em São Paulo.

“A avaliação é bastante positiva”, resumiu o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, durante coletiva de imprensa. Mas o partido, de acordo com Rui, não irá estabelecer metas percentuais de crescimento.

O quadro atual, a nove meses das eleições, mostra que, das 118 cidades nessa condição, o PT já definiu sua tática em 78 (ou 66%): terá candidato próprio em 68 e apoiará nomes da base aliada do governo Dilma nas outras 10. Nos demais municípios, as conversas continuam, já que o prazo final para definição de alianças é junho.

Segundo Rui, entre as pendências, a Comissão está dando atenção especial a três capitais: Belo Horizonte, Fortaleza e Recife.

Em BH, o PT ainda não decidiu se apoiará a reeleição de Márcio Lacerda (PSB) ou lançará candidato próprio; na capital cearense, o PT tem cinco pré-candidatos a prefeito e ainda não definiu se fará a escolha por prévias ou encontro; e, no Recife, a direção nacional se reunirá com o prefeito João da Costa, entre final e março e começo de abril, para avaliar se o quadro é favorável ou não à sua candidatura à reeleição.
São Paulo

Na coletiva de imprensa, os jornalistas priorizaram a disputa paulistana em suas perguntas, devido à decisão do tucano José Serra, candidato derrotado à presidência da República em 2010, de disputar as prévias em seu partido.

“Serra não foi assunto da reunião. Discutimos muito mais outros Estados. Em São Paulo, a campanha está sendo muito bem conduzida pelo Diretório Municipal”, afirmou Rui.

Ele avaliou, porém, que a entrada do ex-governador em cena não muda as estratégias e o cronograma da pré-campanha de Fernando Haddad.

“Não foi nenhuma surpresa. Para nós, parecia claro que ele seria candidato. O PT continua fazendo o que já vinha fazendo. Começamos a construir nosso programa de governo, com agenda nos bairros, e continuamos dialogando com partidos da base para eventuais alianças”, explicou.

Na opinião de Rui, partidos como PSB e PR devem estar juntos com o PT já no primeiro turno. E PCdoB e PMDB, que hoje tem candidaturas próprias, poderão somar num eventual segundo turno.

“Com o nome que escolheu (Haddad), com a força do PT, com a aprovação do governo Dilma e com o prestígio do presidente Lula, nossa possibilidade de atrair aliados é muito grande, bem como de vencer as eleições em SP”, disse.

Segundo o presidente do PT, Haddad vai apresentar à população de São Paulo um programa de mudanças. Ele citou como problemas a serem enfrentados a questão da mobilidade urbana, a falta de vagas em creches, as carências no setor de saúde e a política higienista da atual administração.

Ele rebateu a tese, levantada por alguns jornalistas, de que a proposta se dê por conta do apoio declarado do prefeito Gilberto Kassab (PSD) à possível candidatura José Serra.

“Em nenhum momento o Haddad deixou de dizer que quer um programa de mudanças para a cidade. E a crítica à administração Kassab sempre foi feita pela nossa bancada de vereadores, em defesa dos interesses da cidade”.

Ele lembrou que entre o PT e Kassab nunca houve conversas formais a propósito de uma possível aliança em São Paulo.

“O PSD dialoga conosco em várias cidades de vários Estados, mas aqui (em SP), isso nunca ocorreu”.
(João Paulo Soares – assessoria PT-SP)

PT redefine aliança e estratégia eleitorais

Por Cristian Klein e Cristiane Agostine

Valor Econômico – 28/02/2012

As primeiras reações do PT à entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo foram de confiança, reavaliação de estratégia e subida no tom das críticas à administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que, agora, deverá se aliar aos tucanos e não mais à candidatura petista do ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

Mesmo com dificuldade de firmar alianças com legendas que lhe dão sustentação no governo federal, o PT espera o apoio de partidos como o PCdoB, o PDT e especialmente o PSB. Em entrevista à imprensa ontem, na sede do partido em São Paulo, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, líder do PSB, teria firmado uma espécie de “compromisso pessoal” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que sua sigla apoiasse a candidatura Haddad, em São Paulo, independentemente de outras negociações no restante do país.

“O governador Eduardo Campos já se comprometeu a tratar São Paulo fora de qualquer outro tipo de tratativa. Quase que um compromisso pessoal dele com o [ex-] presidente Lula”, disse Falcão, ao negar que a eventual retirada do apoio do PT à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), possa levar a uma retaliação de Campos em São Paulo.

O apoio seria importante pois o PSB paulista, dirigido pelo secretário estadual de Turismo, Márcio França, está próximo do governador Geraldo Alckmin e já deu declarações de que o partido tenderia a se coligar com o PSDB. Segurar o PSB poderia conter um clima de revoada e impedir que outra legenda da base federal, o PDT, também aliado de Alckmin, confirme sua presença na coligação tucana.

Falcão afirmou que uma quebra deste suposto compromisso do PSB não significaria uma traição aos petistas e a Lula. Mas, num recado indireto, disse que o “PT mantém coerência nas suas alianças”. O dirigente afirmou que a entrada de Serra no cenário pode até facilitar a vitória petista, ao mencionar a taxa de rejeição do ex-governador, e a possibilidade de o PT aglutinar as legendas da base federal uma vez que o tucano – que concorreu e perdeu duas eleições à Presidência contra o PT – aumentará o potencial de nacionalização da disputa.

Com Serra, o PT também parece ter mudado seu discurso em relação à melhor estratégia para voltar à Prefeitura de São Paulo. Se até agora, a legenda tentava persuadir o PMDB para que desistisse de lançar o deputado federal Gabriel Chalita à disputa, para compor uma chapa forte, encabeçada pelos dois partidos com maior tempo no horário eleitoral gratuito, a sigla já aponta vantagens na existência da candidatura pemedebista.

Ontem, Fernando Haddad disse que, em princípio, não insistirá na aliança com o PMDB no primeiro turno e aposta em Chalita para tirar votos de José Serra.

“Tenho algumas dúvidas se é preciso unificar o campo progressista na cidade de São Paulo. Tenho dúvidas a respeito disso. Não vejo como um problema mais de uma candidatura de partidos da base aliada”, afirmou. Segundo o petista, o PT não deve pressionar o presidente nacional licenciado do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, a retirar a candidatura de Chalita em São Paulo.

Na análise de petistas, Chalita ajudaria a tirar votos do PSDB, por ter um eleitorado semelhante ao dos tucanos.

O PT já trabalha com um cenário eleitoral com dois turnos e espera o apoio do PMDB no segundo. “Pode haver um acordo [no primeiro turno]? Pode. Mas não vejo como uma condição sem a qual nós não possamos nos apresentar corretamente. Nós vamos ter um tempo [de televisão] satisfatório para apresentar nossas propostas”, comentou Haddad, ao visitar bairros da zona norte da capital.

O PT tem direito a pouco mais de quatro minutos no horário eleitoral gratuito. A aliança com o PMDB poderia render mais quatro minutos no tempo de televisão, o que ajudaria o pré-candidato petista – pouco conhecido pela população – em uma disputa contra Serra, ex-prefeito e ex-governador.

Haddad disse que não se surpreendeu com a entrada de Serra no cenário eleitoral em São Paulo e comentou que, das seis eleições do século XXI, o tucano irá para sua quinta disputa. “Qual a surpresa?”, questionou, ao falar sobre o tucano. O petista comentou que o ex-presidente Lula viu “com tranquilidade” a pré-candidatura de Serra.

Haddad reforçou que a candidatura Serra e a aproximação de Kassab ao tucano o deixarão à vontade para intensificar as críticas à gestão municipal. “Fico mais tranquilo porque vou poder representar melhor as ideias que acredito”, comentou. “Temos que apresentar propostas de mudança”, disse.

A elevação do tom oposicionista já começou. Rui Falcão disse que, apesar da disputa em São Paulo ser marcada pela nacionalização do debate, Serra e Kassab terão de responder pelas questões locais, pela “política higienista”, pela “cidade devastada”, com crise na saúde, com um “déficit abissal” de mais de 100 mil crianças fora da creche, e os problemas de mobilidade urbana e reajuste de tarifa de transporte público acima da inflação

Veja como está a tramitação de cada projeto da reforma política

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REFORMA POLÍTICA

MATÉRIAS PRONTAS PARA VOTAÇÃO EM PLENÁRIO

Número

Ementa

Tramitação

PLS 268/2011 Financiamento público de campanha: destina recursos ao Tribunal Superior Eleitoral em valor correspondente a R$ 7,00 por eleitor inscrito, a serem aplicados exclusivamente por partidos políticos e respectivos candidatos nas campanhas eleitorais. Aprovado na CCJ, recebeu recurso para votação em Plenário.
PEC 38/2011 Data de posse e duração de mandato: estabelece a posse do presidente da República em 15 de janeiro e de governador e prefeito em 10 de janeiro. Proposta de mandato de cinco anos para esses cargos foi rejeitada. CCJ aprovou as novas datas de posse, mas rejeitou mandato de cinco anos para Executivo. Foi submetida a cinco sessões de discussão em Plenário e recebeu emenda, já aprovada na CCJ, para unificar posse de deputados estaduais e distritais em 1º de fevereiro.
PEC 42/2011 Referendo: estabelece que lei ou emenda constitucional que altere o sistema eleitoral seja aprovada em referendo para entrar em vigor. Aprovada na CCJ, passou por cinco sessões de discussão em Plenário, sem emendas.

MATÉRIA EM FASE DE DISCUSSÃO EM PLENÁRIO

PEC 40/2011 Coligações: permite coligações eleitorais apenas nas eleições majoritárias (presidente da República, governador e prefeitos). Aprovada na CCJ, passará por cinco sessões de discussão nos dias 13, 14, 15, 20 e 21 de março. Poderá ser votada em primeiro turno no dia 21 de março, caso não receba emendas.

MATÉRIAS NA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA (CCJ)

PLS 266/2011 Fidelidade partidária: prevê a perda de mandato por desfiliação partidária em casos nos quais não se configure incorporação ou fusão de legenda, desvio de programa partidário e grave discriminação pessoal. Aprovado na CCJ, que excluiu novo partido da lista de causas justas para parlamentar deixar o partido sem perder o mandato.Recebeu recurso para ir a Plenário, onde recebeu emenda e voltou à CCJ.
PEC 37/2011 Suplência de senador: reduz de dois para um o número de suplentes de senador e veda a eleição de suplente que seja cônjuge ou parente do candidato ao Senado. Aprovada na Comissão de Justiça, passou por cinco sessões de discussão em Plenário e, antes de ser votada em primeiro turno, voltou à CCJ para exame das emendas recebidas.
PEC 43/2011em conjunto com

PEC 23/2011

Sistema eleitoral: institui o sistema eleitoral proporcional de listas preordenadas nas eleições para a Câmara dos Deputados, respeitada a alternância de um nome de cada sexo. Rejeitada na CCJ, recebeu recurso para votação em Plenário. Retornou à CCJ para análise de requerimento propondo a tramitação em separado das duas PECs.

PROJETOS APROVADOS PELO SENADO E ENVIADOS À CÂMARA

PLS 265/2011 Domicílio eleitoral: veda a transferência de domicílio eleitoral de prefeitos e vice-prefeitos durante o exercício do mandato. Aprovado na CCJ em decisão terminativa e enviado à Câmara

PLS 267/2011
Cláusula de desempenho: inclui entre os critérios em vigor para funcionamento partidário na Câmara eleger e manter filiados no mínimo três deputados, de diferentes estados. Aprovado na CCJ em enviado à Câmara

PROPOSTAS REJEITADAS PELO SENADO

PEC 39/2011 Fim da reeleição: torna inelegível presidente da República, governador e prefeito para os mesmos cargos, no período subsequente. Rejeitada na CCJ e enviada ao arquivo
PEC 41/2011 Candidatura avulsa: acaba com a exigência de filiação partidária para candidatos em eleições municipais. Rejeitada na CCJ e enviada ao arquivo.
Iara Guimarães Altafin / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Nota da Esquerda Popular Socialista Nacional

A Direção Nacional da Esquerda Popular Socialista vem afirmar seu compromisso com a construção do Grupo Luta Fenaj no movimento sindical de jornalistas.
Compreendemos que este movimento é o espaço daqueles e daquelas que almejam que a nossa Federação saia da apatia e lidere as lutas dos jornalistas, e se transforme em instrumento capaz de responder aos constantes ataques que nossa categoria tem sido vítima.
Queremos que a FENAJ seja parte constitutiva de um forte movimento que garanta e amplie as conquistas de nossa categoria e lidere, junto aos movimentos sociais, a luta por uma comunicação democrática em nossa sociedade.
Acreditamos que para alcançar tais conquistas a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas devem se orientar e atuar no interior da Central Única dos Trabalhadores – CUT.
É importante destacar que, em nosso país a realidade sindical é muito diversa, no caso da disputa em São Paulo a opção da Direção da EPS-SP reflete um entendimento sobre uma conjuntura que não impacta na nossa opção e compromisso nacional pelo fortalecimento do Movimento Luta Fenaj.
Conclamamos os/as jornalistas brasileiros/as a participar desta frente pelo fortalecimento dos direitos da categoria.
Esquerda Popular Socialista.
Elida Miranda – (82)9965-6778
CUT-AL
SINDJORNAL
Intervozes
Luta Fenaj
Esquerda Popular Socialista (DNESP)
MSN: mirandoaelida@hotmail.com
“Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros” (Che Guevara)
Saudações na luta, Elida Rachel Miranda.

Seminário – SP: modo Petista de governar.

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Líbia: petróleo e o sangue de 50 mil

portal vermelho

Após um ano dos conflitos iniciados na Líbia, capitaneamos pelas nações imperialistas e executados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o país sofre com graves denúncias de corrupção, exploração e ausência da prestação dos serviços básicos à população.

O pensador marxista, Domenico Losurdo, externou sua indignação frente a essa situação durante uma conferência, na Casa Delle Culture, em Roma.

Em cerca de cinco minutos, o professor explicou o que foi a investida à Líbia, como as nações imperialistas, representadas pela mídia mundial, manipularam, assassinaram e venderam a ideia de que derrubar o então governo seria a salvação daquele país.

BRASIL x CHINA: QUAL É O “PLANO B”?

“Uma das causas para a rápida ascensão do Brasil no ranking das economias mundiais é a relação comercial com a China, que evoluiu de US$ 2,3 bilhões em 2001, para US$77 bilhões no ano passado. Cresceu tanto o ingresso de capitais chineses no Brasil, que além de maior parceiro comercial e maior comprador de produtos agropecuários, a China tornou-se também o maior investidor no setor produtivo brasileiro. No curto prazo, as compras e investimentos chineses são bem-vindos, mas será que eles resistem a uma análise de caráter estratégico?

O artigo é de Milton Pomar

Dentro de mais alguns anos, o Brasil deverá entrar para o clube das cinco maiores economias do mundo, do qual fazem parte hoje os Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e França. Seremos então o país com o 5º maior PIB.

Provavelmente, na época já não teremos a maior taxa de juros do mundo, nem estaremos mais na companhia dos quatro países com a pior concentração de renda, mas o Brasil continuará sendo o maior em exportações de soja, açúcar, carnes, celulose, café, suco de laranja, etanol de cana-de-açúcar, minério de ferro etc. Como o único critério para ser aceito nesse clube é a grandeza do PIB, o Brasil fará parte dele, mesmo distante dos demais sócios em aspectos decisivos: nível educacional da população; dimensão do mercado consumidor; participação na indústria mundial; transporte de cargas por ferrovia e hidrovia; taxa de investimento em relação ao PIB; participação do comércio exterior na formação do PIB; e investimento em Ciência, Tecnologia e Inovação.

Uma das causas para essa rápida ascensão do Brasil no ranking das economias mundiais (era a 12ª maior, há apenas dez anos), é a relação comercial com a China, que evoluiu de US$ 2,3 bilhões em 2001, para US$ 77 bilhões no ano passado. As exportações brasileiras para a China batem recordes, ano após ano: US$ 44,3 bilhões em 2011, quase o dobro das vendas para os EUA (US$ 25,9 bilhões). Mantido esse ritmo de crescimento, superior a 40% anuais, o comércio com a China deverá atingir US$ 300 bilhões em 2015. E há os investimentos no Brasil, cada vez maiores, em indústrias de diversos setores, de vários estados. Cresceu tanto o ingresso de capitais chineses no Brasil que, além de maior parceiro comercial e maior comprador de produtos agropecuários, a China tornou-se também o maior investidor no setor produtivo brasileiro.

A sociedade brasileira assiste atônita a essa ofensiva comercial chinesa. As quantias crescentes tendem a ofuscar a análise qualitativa do que é comprado e do que é vendido pela China, e se diz assim porque a iniciativa é muito mais dela. Diversas lideranças industriais têm protestado, alertando sobre os riscos da desindustrialização que já estaria ocorrendo no Brasil. Alguns intelectuais, em geral economistas, escrevem com frequência sobre os possíveis impactos dessa relação desigual – o Brasil comprando manufaturados da China e ela comprando commodities, ambos em quantidades crescentes. Até agora, o resultado das trocas comerciais com a China tem sido positivo para o Brasil, tendo inclusive mais do que dobrado em 2011, em relação a 2010, a ponto de responder por quase 40% do superávit total da balança comercial brasileira. No curto prazo, as compras e investimentos chineses são bem-vindos, mas será que eles resistem a uma análise de caráter estratégico?

O movimento de lá para cá segue claramente uma estratégia, perceptível nos discursos e ações dos dirigentes políticos e das empresas chinesas – apesar de serem de setores diferentes, revelam sintonia entre si, como se cada qual soubesse a sua parte no jogo. Enquanto isso, do lado de cá, há divergências em relação ao que fazer com a China nos governos, legislativos, universidades, entidades empresariais e sindicais, mídia etc. O meio empresarial brasileiro está visivelmente “rachado” no tema China, entre os setores que estão ganhando muito dinheiro – agronegócio, mineração e comércio –, e os segmentos do setor industrial que estão perdendo. Sindicalistas, intelectuais, empresários e integrantes dos governos falam da possibilidade do ressurgimento do desemprego, caso as importações de manufaturados da China continuem crescendo, e muitos temem, em relação a empresas chinesas, a concessão de áreas de exploração de petróleo e a venda de terras agrícolas e minas, entre outros perigos para a economia e a soberania nacionais.

Quem analisa a situação do ponto de vista estratégico para o Brasil, leva em consideração o que ocorreu com os Estados Unidos na relação com a China, desde que esta iniciou seu programa de reformas e abertura, em 1980, após o fim do bloqueio norte-americano (que durou de 1949 a 1979). Naquele ano, a China não estava entre as dez maiores economias do mundo; até 2020, será a maior economia mundial. Durante as décadas de 1980 e 90, a China realizou uma proeza impensável: conseguiu a transferência de milhares de indústrias dos EUA para o território chinês, onde elas respondem hoje por mais de 60% das exportações “made in China”. Esse fenômeno resultou na redução significativa da participação dos EUA na indústria mundial, no período 1980/2010, e na multiplicação por dez da participação da China (de 1,5% para 15%). Outro indicador impressionante dessa inversão do peso dos dois países no mundo é revelado pela Organização Mundial do Comércio (OMC): no período 1948/2010, a China saiu de 0,9% de participação nas exportações mundiais para 10,6%, e os EUA caíram de 21,7% para 13,2%. No mesmo período, os EUA mantiveram a sua fatia nas importações mundiais em 13%, enquanto a China saltou de 0,6% para 9,3%.

Perdendo parte considerável da sua importância na indústria e comércio mundiais para a China, restou aos EUA fincar pé nas exportações agrícolas e cortar fundo nas despesas militares, reduzindo centenas de bilhões de dólares do orçamento do Pentágono, diminuindo os efetivos das bases que ainda mantêm em quase todo o mundo e retirando-se do Iraque. A prioridade militar dos EUA agora é o Pacífico, onde precisam manter presença ostensiva por causa justamente da China. Registre-se que o encolhimento militar dos EUA é inversamente proporcional à modernização das forças armadas chinesas, que tem realizado expressivos investimentos em equipamentos bélicos, treinamentos etc. Mas nada é mais simbólico da transformação radical promovida pela China na relação com os EUA, do que o fato de ela ser hoje a sua maior credora, com quase um trilhão e meio de dólares em títulos do Tesouro norte-americano.

Como tudo isso ocorreu muito rápido, e a situação chinesa de hoje é infinitamente superior à de 1980, causa arrepio na espinha pensar no que pode acontecer com o Brasil na relação com a China, se deixarmos o barco correr para ver aonde a correnteza vai nos levar. Daí o medo (quase pânico) de muitos que acompanham o assunto, de que as coisas cheguem a um ponto sem volta, que se traduziria, em termos práticos, no Brasil tão-somente grande exportador de commodities para o mundo, particularmente para a China, e dependente da importação de manufaturados, em especial chineses, com perdas econômicas gigantescas, resultando em desemprego, queda da arrecadação e tudo o mais que os EUA enfrentam hoje. Situação agravada pelo peso chinês em setores estratégicos da economia nacional, como mineração e energia.

DIFERENÇAS IMPORTANTES A CONSIDERAR

Ainda que esse quadro assustador baseie-se no exemplo norte-americano, há aspectos diferenciais no caso brasileiro que devem ser considerados, para que se possa estabelecer a relação com a China em outras bases, de maneira a assegurar ao Brasil os recursos necessários ao desenvolvimento do país e melhor participação no maior mercado consumidor do mundo.

Sabemos da realidade brasileira, do potencial e das debilidades estruturais das diferentes regiões. Mas o que se sabe realmente sobre a China no Brasil – nas universidades, entidades empresariais e sindicais, governos federal, estaduais e das maiores cidades, empresas internacionalizadas e na mídia? Mesmo onde os ganhos são mais expressivos, sob todos os aspectos, como é o caso do agronegócio (ainda que o lucro das mineradoras esteja nas alturas), pouco se investe para conhecer as características do mercado, as tendências das demandas alimentares chinesas e as possíveis iniciativas do governo e empresários do país para lucrarem com o setor, sem abrirem mão da soberania alimentar, algo vital para a China.

Chega a ser perturbador constatar a leviandade com que o país é tratado por gente importante, expressa na utilização de informações erradas e em uma dose considerável de preconceitos. É inegável que estamos despreparados para lidar em pé de igualdade política e comercial com a segunda maior economia do mundo. Felizmente, essa situação está mudando para melhor, há mais pessoas no Brasil se preocupando em aprofundar o conhecimento e as relações com a China, buscando oportunidades não apenas comerciais, mas também de intercâmbios em áreas diversas.

A soja é um bom exemplo dos benefícios da entrada decisiva da China no mercado mundial. O Brasil atingiu a produção de 1 milhão de toneladas em 1969; dez anos depois, chegou a 15 milhões de toneladas. Foram necessários mais 20 anos para a produção dobrar. Com a China comprando, em dez anos a produção brasileira dobrou novamente, atingindo 70 milhões de toneladas. Significa que, não apenas houve aumento da produção, mas também da produtividade – resultado de ciência e tecnologia e da utilização de insumos industriais. Essa mesma lógica serve para a celulose; etanol de cana-de-açúcar; carnes suína, bovina e de frango; fumo; suco de laranja; algodão; e outros produtos agrícolas.

Maior compradora de produtos agropecuários do Brasil, tudo indica que a China seguirá importando em velocidade muito superior ao do crescimento da sua economia: tem 20% da população mundial e há cada vez mais pessoas com maior poder aquisitivo; dispõe de pouca água (6% da existente no mundo), mal distribuída e com risco de contaminação; seu estoque de terras disponíveis para agricultura está no “limite vermelho”; o esforço permanente para aumentar a produtividade agrícola tem custo muito alto, que requer subsídios cada vez maiores; e a produção de grãos tem se mantido em 550 milhões de toneladas. O detalhe aparentemente contraditório é que a China não só exporta produtos agrícolas, como tende a transformar-se rapidamente em grande pólo agroindustrial, utilizando matérias-primas próprias e importadas para a industrialização em larga escala de alimentos e outros produtos.

Passar de maior importadora agrícola, para maior exportadora de alimentos industrializados, papel, tecidos de algodão e outras fibras naturais, móveis de madeira etc para a Ásia (2,5 bilhões de pessoas), será o grande “pulo do gato” do dragão chinês. Vendedora por natureza, altamente capitalizada, com 800 milhões de pessoas economicamente ativas, localização central, fronteiras terrestres e ligação ferroviária atual ou futura com 15 países, a China revolucionará a logística de transporte mundial de uma maneira fantástica, porque construirá ferrovias entre países da Ásia Central, na sua região oeste, e o Oceano Pacífico, onde possui os maiores portos do mundo e gigantesca frota mercante. Esse plano foi anunciado por autoridades do governo central chinês em 2008, na cidade de Chengdu, capital de Sichuan, durante evento reunindo 12 províncias e regiões autônomas e representantes dos países vizinhos. Quando estiver concretizada essa “Rota da Seda sobre trilhos”, as trocas comerciais da Ásia com o restante do mundo atingirão volumes impensáveis hoje.

A capacidade de transporte por ferrovia é uma das razões da competitividade imbatível chinesa: mais de 80 mil km, ligação entre todas as municipalidades, capitais de províncias e de regiões autônomas, velocidade média de 80 km/h para carga (os trens de passageiros vão de 100 km/h a 350 km/h), com um movimento tão grande que só perde para o dos Estados Unidos. Após construir a ligação ferroviária entre Qinghai e Lhasa (capital do Tibet), a última entre capitais que faltava, e as ferrovias de alta velocidade, entre Beijing e Shanghai, o próximo objetivo é aumentar a malha para 100 mil km.

Uma ferrovia ligando o Oeste brasileiro ao Pacífico aumentará a competitividade da exportação de soja para a Ásia, tornando o preço do produto brasileiro imbatível. Essa possibilidade, mais o potencial agrícola, florestal e mineral da região, tornam o investimento na construção muito atraente para empresas chinesas, que também se interessarão em vender locomotivas, vagões e trilhos. Considerando os cenários possíveis do setor agropecuário mundial para os próximos dez anos, essa ferrovia adquire importância extraordinária para o agronegócio brasileiro, cujo crescimento internacional (exportou US$ 94,6 bilhões ano passado, 24% a mais em relação a 2010) incomoda muito a concorrência, principalmente a norte-americana, que será a mais afetada por essa ferrovia na disputa pelo mercado asiático. Apesar disso, até onde se sabe, não há nenhum trabalho da região ou do governo federal sendo desenvolvido com o objetivo de atrair investimentos do país com a maior liquidez do mundo.

AS OPORTUNIDADES DO CRESCIMENTO CHINÊS
Crescer tanto, com dezenas de milhões de pessoas migrando o tempo todo das áreas rurais e demandando infraestruturas e empregos nas cidades, gera várias contradições e desigualdades. Trata-se de construir, nos próximos 30 anos, o equivalente a dois “brasis”. Calcular as quantidades necessárias de energia, cimento, aço, alumínio, vidro, madeira, plástico, e tudo o mais, para tantos edifícios residenciais e comerciais, indústrias, escolas, hospitais etc, chega a ser surreal. Além disso, durante o processo contínuo de migração e construção, deverá continuar ocorrendo aumento da renda, e por consequência, aumento do consumo, como tem sido desde 1980, efetivando ingresso na classe média chinesa de mais 300 milhões, ou 400 milhões, elevando o seu mercado consumidor para inacreditáveis 700 ou até 800 milhões de pessoas.

Ainda que muitos analistas não acreditem que o fenômeno chinês vá continuar por muito tempo mais, é bom considerar essa possibilidade, e se preparar para aproveitar as oportunidades em todas as áreas, porque a China precisará importar mais, seu parque industrial não dá conta de atender à demanda doméstica, muito menos o crescimento dela decorrente da decisão governamental de continuar o crescimento via consumo interno. Mas de onde ela vai importar mais, se os custos de produção europeus, norte-americanos, japoneses e brasileiros são muito maiores dos que os seus? Por isso, a China precisará investir muito, na própria China e no restante do mundo, para aumentar a capacidade de produção e reduzir custos. Ano passado, ela recebeu 103 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros, e teria investido no exterior pouco mais de US$ 60 bilhões.

Esse movimento simultâneo (atrair investimentos e investir em outros países) continuará em grande escala, porque, ao mesmo tempo em que é “obrigada” a investir em ativos em outros países, precisa obter capital alheio, porque o seu superávit na balança comercial está caindo (ano passado foi US$ 28 bilhões menor, em relação a 2010), e a tendência é continuar assim conforme aumentem as suas importações. Prova da sua disposição de continuar atraindo capital estrangeiro é a decisão do governo, anunciada dia 30 de dezembro de 2011, e em vigor a partir de 30 de janeiro de 2012, de abrir mais setores da economia ao investimento estrangeiro. O objetivo declarado pela “Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China” e o Ministério do Comércio é atrair investimentos em “indústrias emergentes estratégicas”: economia de energia, energias alternativas, veículos de combustíveis alternativos, despoluição, tecnologias de informação de nova geração, biotecnologia, produção de equipamentos modernos e materiais avançados.

Ao mesmo tempo, permitirá aumento do capital estrangeiro em alguns setores, velha reivindicação dos investidores, que se recusavam a ficar minoritários nas sociedades. O comunicado conjunto dá conta ainda que o governo “continuará dando as boas-vindas aos investidores estrangeiros em indústrias de ponta e de serviços modernos”, e também os incentivará a investir nas indústrias de reciclados.

As novas diretrizes do governo chinês reforçam a atração de investimentos e indicam por onde caminhará a política industrial do país nos próximos anos: o governo retirará o apoio ao capital estrangeiro na produção de automóveis, devido à necessidade de obter “saudável desenvolvimento da produção nacional nesse setor” e tampouco apoiará o investimento estrangeiro nos setores de silício policristalino e química de hulha, devido ao receio de excesso de oferta industrial e excesso de capacidade instalada. Por fim, o governo chinês anunciou que produzirá “política detalhada para as regiões central e oeste do país, levando em consideração as diferenças de desenvolvimento regional”.

ATRAIR INVESTIMENTOS DA CHINA PARA O BRASIL
A “Agência de Promoção de Exportações e Investimentos” (APEX), conta com escritório na China, em Beijing. Sua congênere chinesa, a CCPIT, com a qual possui acordo de cooperação, está estruturada nos níveis central, setorial, provincial e municipal. Enquanto o Brasil possui uma APEX, a China possui 700 CCPIT. Quando o Brasil se dispuser a atrair investimentos chineses, precisará de escritórios e equipes da APEX também em Shanghai, Guangzhou e outras grandes cidades chinesas. Tem que estar perto, tem que conviver, conhecer, estabelecer relações. Essa lógica vale também para a representação diplomática brasileira na China. Além da embaixada e consulado em Beijing, há consulados também em Shanghai, Guangzhou e Hong Kong. A equipe brasileira é hoje bem maior do que era há dez anos, mas, ainda assim, não chega a 10% do efetivo norte-americano e é menos de um terço da representação do Canadá. Com um agravante: muda a cada quatro anos. Ou seja, quando o diplomata começa a conhecer a China, ele vai embora.

O Banco do Brasil tem um escritório em Shanghai, onde está a maioria das empresas brasileiras na China. Mas falta Banco do Brasil em Guangzhou, no sul da China, e em Beijing, no norte. Aumentar a presença institucional do Brasil na China é fundamental para todos que queiram se relacionar com o país: estudantes, empresários, governos, artistas, esportistas. Enquanto o programa do governo federal de envio de estudantes para o exterior quer “exportar” 75 mil jovens para o mundo, o governo Obama anunciou sua disposição de mandar 100 mil estudantes somente para a China (contrapondo-se assim aos 130 mil estudantes chineses nos EUA), para aprenderem a língua e conhecerem a cultura do principal adversário dos EUA.

COMPETIÇÃO E COMPETITIVIDADE
O panorama mundial é deveras preocupante, mas para muitos no Brasil a relação comercial com a China é mais preocupante ainda pelos riscos que implica, até porque algumas das empresas que querem vir para o Brasil são estatais. Ainda está vivo na memória o ocorrido na segunda metade do século passado, quando o Brasil foi “invadido” e “dominado” por empresas norte-americanas, alemãs, japonesas, francesas, italianas etc, que se tornaram donas de minas, fazendas e indústrias. De mais a mais, competir com as empresas chinesas parece ser impossível, elas trabalham com juro de 5%, quase metade da carga tributária brasileira, custos de produção e de transportes muito menores e margens de lucro inferiores às praticadas no Brasil.

Competindo com todos os países, o Brasil comprou e vendeu um total de US$ 482 bilhões em 2011, quase o mesmo, em termos populacionais, que os US$ 3,6 trilhões obtidos pela China. Mais do que a competitividade das chinesas, a maior dificuldade comercial das empresas brasileiras naquele mercado é a competição com empresas do mundo inteiro, que já estão lá há vários anos. Existem algumas dezenas de empresas do Brasil na China, e dezenas de milhares dos outros países. Enquanto uma empresa do setor lácteo nacional reluta em investir no mercado chinês, empresas da China importam anualmente 100 mil vacas leiteiras do Uruguai, Nova Zelândia e Austrália, com o objetivo de formar rebanho leiteiro de alta qualidade. Hoje, a China já produz mais leite de vaca do que o Brasil, e importa leite em pó a preços inferiores aos praticados por nossas empresas no mercado internacional.

O aumento da entrada de produtos chineses no Brasil é resultado exclusivo da ação de empresas brasileiras, dos setores industrial e do agronegócio, que vão até lá comprar, visando obter redução de custos e a elevação das margens do que produzem, e do setor comercial, que busca preços que permitam margens elevadas na revenda. Entidades empresariais desses setores organizam e levam comitivas para comprar na China, e esse movimento cresceu demais nos últimos cinco anos, resultando em aumento da quantidade de empresas que importam da China e em US$ 33 bilhões de compras em 2011.

Esse quadro complexo, contraditório e volátil, requer da sociedade e do governo brasileiros definições de como lidar com a China, de maneira a permitir realizar uma ofensiva articulada, visando estreitar relações nas áreas cultural, esportiva, educacional e de ciência e tecnologia; aumentar a presença institucional do Brasil no país; e estimular ações dos governos e das empresas, de atração de investimentos e de penetração no mercado chinês, inclusive através de instalação de indústrias lá. Temos necessidade e condições de fazer tudo isso, nós só não temos um “Plano B”.”

FONTE: artigo de Milton Pomar, empresário, editor da revista em chinês “Negócios com o Brasil”. Artigo publicado originalmente na revista “Amanhã” (edição de Fevereiro/2012). Transcrito no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br)

 

Em péssima fase, com 3 expulsos, Ponte toma vareio do Santos por 6 X 1

Fora de casa, Ponte é superada pelo Santos, mas se mantém no G8

Ponte Preta jogou maior parte do segundo tempo com 9 jogadores e terminou o jogo com 8

Na noite desse sábado (25) a Ponte Preta foi superada pelo Santos na Arena Barueri pelo placar de 6 a 1. O gol da Ponte foi marcado por Uendel. Os donos da casa foram as redes com Neymar [2], Ganso, Guilherme (contra) e Edu Dracena [2]. Na segunda etapa do jogo a Ponte ficou com 8 jogadores em campo após as expulsões de Cicinho, Guilherme e Renato Cajá. Com o resultado, a Macaca ficou com 15 pontos, e manteve a 7º colocação, dentro do G8. A rodada termina no domingo.

O próximo compromisso da equipe alvinegra será na quinta-feira (01) contra Botafogo, às 21h, na cidade de Ribeirão Preto. A partida será válida pela 11º rodada do Campeonato Paulista 2012. A equipe adversária está atualmente na 18º colocação, com 6 pontos ganhos.

O Jogo:
Mesmo jogando fora de casa foi a Ponte quem atacou primeiro. Aos 2 minutos Cicinho carregou a bola pela direita, entrou na área e chutou da linha de fundo, acertando a rede pelo lado de fora. O Santos chegou aos 11, Neymar lançou para Ibson cara a cara com Lauro, mas o goleiro da Ponte saiu muito bem para fechar o ângulo e fazer a defesa. No lance seguinte, a Macaca saiu em contra ataque rápido, Cicinho cruzou da direita e Leandrão desviou por cima do gol.
Aos 17 minutos Borges recebeu na entrada da área e chutou desequilibrado para a defesa de Lauro. Aos 27, o Santos tocava bola no meio campo, Neymar recebeu o chutou forte, com curva, para abrir o placar para os donos da casa. 1 a 0 para o Santos.
Aos 34 minutos Neymar fez jogada pela esquerda e tocou para Borges, o atacante brigou com a zaga e conseguiu dar o toque para Ganso, dentro da pequena área empurrar para o gol. 2 a 0 para o Santos.
Aos 36, Neymar carregou em velocidade pelo meio e lançou para Borges pela direita, o atacante entrou na área e chutou para fora. Três minutos depois Neymar carregou pelo meio e arriscou de fora da área, mas a bola subiu de mais e passou por cima do travessão. Aos 41 minutos Rodrigo Pimpão recebeu pela esquerda, fez um belo drible em Fucile e chutou para fora. Sem mais lances de perigo, o primeiro tempo foi encerrado após 2 minutos de acréscimos.
Na volta do intervalo a Ponte voltou com uma alteração, William Magrão entrou no lugar de Xaves. Aos 6 minutos Renato Cajá fez um lançamento na medida para Uendel entrar na área e chutar na saída de Rafael e diminuir o placar. 2 a 1.
No lance seguinte, Ganso cruzou para Neymar chutar de dentro da área para a defesa de Lauro. Aos 9 minutos o técnico Gilson Kleina promoveu a segunda mudança na Ponte, Enrico entrou no lugar de Rodrigo Pimpão. Aos 11, Neymar cobrou escanteio da direita, Borges subiu e cabeceou forte, mas Lauro fez uma grande defesa no reflexo, na sobra, Guilherme tentou afastar, mas a bola explodiu em Ferron e entrou. 3 a 1 para o Santos.
Aos 13 minutos Neymar cobrou falta da esquerda levantando a bola para a área, o zagueiro Edu Dracena subiu mais alto do que a zaga pontepretana e desviou para o fundo do gol. 4 a 1 para o Santos.
Aos 16, Cicinho recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso de campo, deixando a Ponte com 10 jogadores. Dois minutos depois Juan cruzou da esquerda e Neymar tentou de bicicleta para fora. Aos 21 minutos João Paulo cobrou falta com perigo e Rafael fez uma boa defesa. Um minuto depois Neymar ergueu a bola na área e Edu Dracena desviou de cabeça para o fundo do gol. 5 a 1 para o Santos.
Aos 24 minutos o lateral Guilherme também recebeu o segundo cartão amarelo e também foi expulso, Ponte com 9 em campo. Logo após o lance, a Ponte Preta mudou pela última vez, Gerson entrou no lugar de Leandrão. Aos 30, Ganso recebeu na área e tentou por cobertura, mas mandou por cima do gol. Dois minutos depois, Ganso arriscou de fora da área e Lauro fez uma grande defesa. No lance seguinte Ganso lançou para Neymar tocar na saída de Lauro para ampliar o placar. 6 a 1 para o Santos.
Aos 36 minutos Renato Cajá fez falta em Juan e também foi expulso de campo, deixando a equipe pontepretana com 8 jogadores. Aos 40, Ganso cobrou falta da entrada da área e Lauro fez a defesa. Na jogada seguinte Elano chutou de fora da área e Lauro fez mais uma grande defesa. Sem mais lances de perigo, o jogo foi encerrado sem acréscimos. 6 a 1 para o Santos.
Ficha Técnica:
Ponte Preta: Lauro; Guilherme, Ferron, Gian e Uendel; Xaves (William Magrão), João Paulo, Cicinho e Renato Cajá; Rodrigo Pimpão (Enrico) e Leandrão (Gerson). Técnico: Gilson Kleina.
Santos: Rafael; Fucile (Crystian), Durval, Edu Dracena e Juan; Henrique (Alan Kardec), Arouca, Ibson (Elano) e Ganso; Neymar e Borges. Técnico: Muricy Ramalho.
Data: 25/02/2012, sábado – 18h30.
Local: estádio Arena Barueri, em Barueri–SP.
Árbitro: Marcelo Rogério.
Assistentes: Marcelo Carvalho Van Gasse e Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo.
Cartões Amarelos: Xaves, Cicinho [2] e Guilherme [2] (Ponte Preta); Durval e Neymar (Santos).
Cartões Vermelhos: Cicinho, Guilherme e Renato Cajá (Ponte Preta).

Gols: Uendel (Ponte Preta); Neymar [2], Ganso, Guilherme (contra) e Edu Dracena [2] (Santos

Noroeste Paulista – Devanir Ribeiro (PT) entrega maquinários agrícolas à prefeitura de Santa Fé do Sul

Deputado Devanir Ribeiro com o prefeito
Toninho Favaleça e assessores

O prefeito Toninho Favaleça e o secretário de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, Ademir Maschio, receberam na manhã de sábado, 18 de fevereiro, o deputado Federal Devanir Ribeiro. Devanir fez a entrega de maquinários adquiridos por meio de recursos no valor de R$ 567 mil de emendas de sua autoria.

O prefeito Toninho Favaleça disse que admira o deputado por sua luta pela agricultura e agradeceu por atender Santa Fé. “O Devanir tem trabalhado por uma das áreas que mais necessita, que é a agricultura. Aqui em Santa Fé a verba foi bem aplicada. Compramos os equipamentos necessários e com o pregão economizamos R$ 150, que usaremos para comprar mais um trator. Esses implementos serão muito úteis para os trabalhos dos micro e pequenos produtores”.

Uma das contempladas com os equipamentos é a Associação Dr°. Hélio de Oliveira, que receberá dois tratores e dez implementos. As Associações Alto Bacuri e Pequenos Produtores Rurais receberão um trator e quatro implementos cada uma. Os representantes de cada uma das associações receberam a chave dos veículos.

Ademir Maschio, disse que “esse é um momento muito importante para nossa cidade. Com a verba adquirimos e já estamos entregando quatro tratores, 18 implementos e 10 tanques resfriadores de leite. A agricultura há muito tempo está precisando de ajuda e o deputado veio para nos ajudar. Também conseguimos através do deputado uma fábrica de gelo no valor de R$ 113 mil para atender aos nossos piscicultores e pescadores e uma retroescavadeira para fazer tanque na zona rural. Deixo meu agradecimento ao deputado porque que eu me lembre nunca houve um investimento deste em Santa Fé”.

Devanir disse que é uma satisfação fazer a entrega dos equipamentos. “Para transformarmos nosso país precisamos fazer isso por meio do município. Eu sou de um partido e o prefeito é de outro, mas isso não interessa, o que interessa é a necessidade da comunidade. Eu que agradeço a vocês pela oportunidade de vir aqui entregar esses maquinários. Temos que fazer chegar até o povo de Santa Fé o que é direito deles, e o que é direito a gente não pede, a gente exige. Vocês têm um projeto e por isso receberam esses equipamentos”.

Participaram da entrega o presidente do Partido dos Trabalhadores de Santa Fé, Hortêncio Vieira Ramos Sobrinho, representantes das associações rurais, secretários municipais, vereadores e autoridades.

Publicado originalmente no Jornal Folha do Noroeste.

Noroeste Paulista – Lei da ficha limpa e seus possíveis efeitos na micro região de Jales

Podem ser atingidos ainda pela lei da Ficha Limpa, os ex-prefeitos Claudio Pereira da Silva, o popular Caju, (Paranapuã), Varsi Scapin (Aspásia), Antonio Sanches Cardoso (Jales), Augusto Vitorelli Garcia (Urânia), Joaquim Pires da Silva (Urânia), Alicio Camilo (Aspásia), Natanael e ex-vereadores que pretendem disputar o pleito deste ano.

Além destes, Humberto Parini (Jales), Natanael Valera (São Francisco) e vários outros cujos possíveis planos de retôrno vão para alèm de 2012 terão que ser adiados, uma vez que a Lei da Ficha Limpa torna inelegíveis, por oito anos, os condenados criminalmente por órgão colegiado, independente de o caso ter sido ou não julgado em última instância.

É o caso de Parini, que já foi condenado pelos desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo em pelo menos três casos. O da Facip 97 é o mais famoso deles, mas o “Caso Carroça” e a “CPI das Praças” também renderam condenações, em segunda instância, ao atual prefeito.

Outro que não poderá candidatar-se à reeleição é o vereador José Roberto Fávaro (PSDB), o JR. O tucano deve o impedimento de sua candidatura exatamente ao prefeito Humberto Parini, que, em 2005, incentivou a abertura da “CPI do Lixo Reciclável”, para investigar supostos desvios na venda do lixo reciclável recolhido pela Secretaria de Promoção Social, da qual JR foi chefe de gabinete no período 2001/2004.

A “CPI do Lixo Reciclável”, instalada pela Câmara Municipal, resultou em um processo por improbidade administrativa, onde JR, juntamente com outros três réus, já foi condenado, em segunda instância, à perda dos direitos políticos por cinco anos e à devolução de R$ 40 mil, com juros e correção monetária.

Graça Foster defende aumento no preço da gasolina

Graça Foster defende aumento no preço da gasolina Foto: Agência Petrobras

Presidente da Petrobras alega que os preços dos combustíveis estão defasados em relação ao mercado internacional

Por  Agência Estado

A firmeza de Maria das Graças Foster não deixa dúvida: a presidente da Petrobras considera necessário adequar o preço dos combustíveis vendidos na refinaria ao novo padrão de preço do petróleo, câmbio e consumo. O aumento de novembro, de 10% na gasolina e 2% no diesel – que foi absorvido pela redução de tributos e não chegou ao consumidor final – apenas “suavizou a barriga” da distorção. Um novo reajuste está a caminho.

“Se você me pergunta: é para corrigir preço? É lógico que é para corrigir preço, a perdurar os patamares vigentes nos últimos seis meses. (…) Não faz sentido imaginar que quem vende – qualquer coisa que seja, uma xícara, um caderno, gasolina, diesel – não repasse ao mercado as suas vantagens e as suas desvantagens”, declara Graça.

Em entrevista ao Estado, concedida na sexta-feira, a executiva, primeira mulher a presidir a maior empresa brasileira, não se negou a responder a nenhuma pergunta. À vontade no gabinete remodelado, onde espalhou flores, mudou posição de móveis, distribuiu fotos da família e objetos pessoais, como a pequena escultura dos Beatles, ela recebeu os repórteres reclamando de um troféu momesco: bolhas nos pés, resultado do concorrido desfile no bloco Simpatia é Quase Amor, uma instituição carnavalesca de Ipanema.

Mas lamentou não ter atravessado a Sapucaí com sua escola de coração, a União da Ilha do Governador, para evitar uma superexposição. Passado o carnaval, o ano começa com muito trabalho e um caderno já totalmente preenchido à mão, com números, cobranças, gráficos, colagens e grifos feitos com caneta marca-texto. “Anoto tudo”, afirma Graça, há 11 dias no cargo. Tempo suficiente para ter convocado três reuniões com a Sete Brasil – empresa que fornecerá sondas para a Petrobrás – e agendado mais uma para a semana que vem

Greves de policiais e privatizações: um dilema do PT

Apresentamos algumas considerações sobre dois episódios que confirmam um dos diagnósticos que fazemos em nossos debates: o PT se comporta como partido de retaguarda, seja na relação direta com a sociedade, seja na base dos governos que apoia. Todos, temos parcelas de responsabilidades nessa condição. Ainda que proporcionais à influência de cada tendência nas instâncias do Partido.

A greve da PM baiana e o desfecho do processo de concessão dos aeroportos são dois emblemas dessa condição de retaguarda. Tais eventos eram previstos. Mas, o DN, os DR’s e DM’s, foram pegos de surpresa pela evolução dos fatos e suas repercussões. A postura “antecipatória” que se exige do PT, mais uma vez, faltou ao encontro.

1)   Sobre a Greve da PM-BA

A simples tramitação da PEC 300 nacionaliza e politiza as reivindicações das polícias. No entanto, a reação partidária, de início inexistente, depois atrasada, ou tímida e confusa, via suas instâncias formais, foi fatal para nosso desgaste.

Por um lado, a “esquerda” externa ao PT aderiu ao movimento e ignorou a complexidade da situação: afinal não eram profissionais das categorias “civis” em luta (educação, saúde, cultura etc). Era greve armada, com direção de direita e base conservadora. Secularmente formada na defesa patrimonial das classes dominantes, na repressão aos pobres e aos movimentos sociais organizados. Além de ser “infantarizada” e condicionada a combater o “inimigo interno”, herança da doutrina da segurança nacional, do Regime de 64.

À direita, tivemos a reação desmoralizada do PSDB, DEM e PPS e da mídia que lhes correspondem em claro apoio ao movimento grevista, não pelas suas reivindicações, mas, pelo poder desestabilizador que a greve poderia ter sobre o governo da Bahia e sobre o governo federal que buscavam, de maneira conjunta, soluções pacíficas para o desfecho da greve. Com isso, este apoio revelou, mais uma vez, a utilização do expediente da violência como parte da estratégia de ação do PSDB. Enquanto em São Paulo o governo tucano utilizou o aparato policial a partir do governo para o uso da violência na Cracolândia, em Pinheirinho, e na USP, no caso da Bahia, nos deparamos com uma situação terrível: fortes indícios de execuções de moradores de ruas, diretamente por grevistas ou por grupos de extermínios estimulados pela impunidade planejada. Há provas documentais de uso de armas e apetrechos de repressão como meios de intimidação. A já escassa legitimidade social da greve foi abalada por tal desfecho. Finalmente, destaque-se aí, também na direita, mas com perfil próprio e digno do papel desqualificado que cumpre no cenário político, a atuação sorrateira do deputado federal Garotinho, “nosso” aliado na Câmara.

a)    Assumir a vanguarda de uma reflexão desafiadora e complexa

Nesse contexto, o PT tem fortes insumos para um debate antecipatório: qual a polícia que uma sociedade efetivamente democrática deve ter?

A atual não presta: ela é parte integrante de uma cultura (ainda hegemônica) machista, homofóbica, “branca”, anti-pobre, de defesa patrimonial dos ricos etc. A tortura, a corrupção, a formação de quadrilhas de extermínio, extorsão e achaques não são meras exceções no quotidiano desse aparato repressivo. A Primeira Conferência Nacional de Segurança Pública, realizada em agosto de 2009 apontou a necessidade de unificação das polícias, a desmilitarização, integração e promoção de uma cultura de paz. Com tais premissas, que reforçam, ainda, que esta como uma área estatal que precisa ser acompanhada de perto e a partir – inclusive – de numerosos estudos acadêmicos e científicos sobre o tema é preciso abrir um diálogo com as parcelas da sociedade que pretendemos representar e com as bases do aparato policial. Evitar incêndios é melhor que apagá-los.

2)   Aeroportos: da estatização popular ausente à ausência de propostas alternativas

A pauta das concessões dos aeroportos vem desde 2010, ou mesmo antes. E não a agendamos nas instâncias partidárias. Resultado: o governo a operou, na premência das datas da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. Ou seja, o debate estratégico sobre o papel da atividade aeroportuária, no contexto de um projeto de desenvolvimento (que ultrapasse a premência dos eventos desportivos) ainda está por ser iniciado no PT.

Resultado: houve quem se esforçasse em demonstrar que concessão é diferente de privatização; e outros que provaram que concessão era, em termos taxonômicos, “espécie” do “gênero” privatização. Tudo certo, mas ficamos reféns assim mesmo: por um lado, de um diagnóstico ausente e, por outro, de uma ausente estatização popular da coisa pública em nossa formação social.

b)    A postura acrítica frente ao capitalismo de estado

Há uma lacuna estratégica da esquerda: a crítica sobre o “nosso” processo (real) de estatização e o reconhecimento de nosso atraso na elaboração de propostas alternativas. Expondo o nervo do debate: a estatização da coisa pública no Brasil, na crise do pacto agrário-exportador, ocorre sob um desenvolvimentismo burguês avesso à participação popular e vanguardeado por uma elite urbana que sempre guardou os traços arcaicos de suas origens agrárias. Ou seja, tivemos uma estatização carente de uma dimensão plebeia e, portanto, hegemonizada pela cultura positivista das castas militares nacionais, pelas demandas da rápida e atabalhoada instalação de uma infraestrutura econômica e na precavida atitude de “fazer a revolução, antes que o povo a fizesse”. Assim é que tivemos também concessões trabalhistas e previdenciárias, sem concurso popular. Não foram conquistas, foram – repetimos – concessões. Eis o porquê de nossas dificuldades contemporâneas com o tema das estatais.

c)    Nem o passado como era…

A ”esquerda” externa ao PT critica as concessões dos aeroportos como se seu padrão de estatização existente fosse algo progressista. E que fosse fruto da luta popular organizada. E que seus resultados econômicos fossem redistribuídos, em sua maior parte, para o restante “deficitário” da estrutura. Na verdade, os excedentes econômicos produzidos pelas estruturas “estatizadas” mais rentáveis, e herdadas do Estado Novo, são apropriados privadamente ao longo desses últimos 70 anos. O que muda, com as atuais concessões, são a forma e o conteúdo da produção de excedentes e sua apropriação privada. De modo que, pouco ou nada há de estatal a ser defendido aí. E por quê?

Porque em seu nascimento e desenvolvimento, a gestão dos aeroportos não incorpora – efetivamente – as categorias aeroviárias e aeronáuticas, a da Infraero, além de passageiros e passageiras (pessoas físicas). Na verdade, o que temos é uma administração hegemonizada pelos governos, pelas empresas aéreas e pelos empresários do transporte de cargas. E pelos verdadeiros shoppings em que se transformaram os ditos aeroportos mais rentáveis.

Temos aí duas pistas.

Uma explica o fracasso da crítica feita pelos que se horrorizam com o “modelo” das concessões. As classes proletárias não atenderam a seu chamado de se oporem ás concessões, porque não enxergam o caráter estatal de tais equipamentos. E talvez, o que é pior, essas classes associem o “estatal” aos “caos” aéreo criado pela pequena burguesia, que viu seu santuário ser invadido pelos pobres, depois do governo Lula. Ou seja, tal esquerda, agarrada a um fantasma, pregou no deserto. Aliás, certa esquerda se nutre do cheiro de naftalina, como se o Estado, do Estado Novo, fosse avançado e um ótimo ponto de partida para a crítica das concessões.

A outra pista nos leva à explicação da defensiva do PT. Não tínhamos a convicção também de que essas estruturas “estatais” seriam públicas, de fato. E não produzimos nada para colocar no lugar. Restou ao governo… governar. E nas urgências do momento. Como perdemos o metrô (ou o voo) da história e não debatemos o assunto ao seu tempo, deixamos escapar uma excelente oportunidade para construir um projeto próprio e não aquele ditado pelas limitadas alternativas do mercado. Ora, o PT, por suas resoluções, suas tradições e suas experiências pode e deve fixar propostas alternativas, mesmo que com atraso destacado anteriormente.

d)    … nem o presente como está!

Eis a diretriz que defendemos: a administração dos aeroportos deve ser submetida a maior controle público, seja dos usuários, da sociedade e do governo. Deve incorporar os sujeitos (passageiros/passageiras, categorias sindicais diretamente envolvidas com tais equipamentos, governo etc) listados acima, em permanente compromisso de administração dos aeroportos, sem exclusão das empresas aéreas e demais empresários que demandam transporte de cargas. Tudo isso equilibrado pela mão forte do próprio governo e embasado num projeto nacional de desenvolvimento e integração regional. Inclusive na distribuição dos lucros produzidos pela atividade. Lógico que tal proposição não advém de necessária “postura antecipatória”, porque a sugestão vem no crepúsculo desse processo singular. Mas deve ser considerada, para evitar que novas iniciativas cheguem desacompanhadas dessa dimensão plebeia.

e)    Sair da defensiva política

É relevante a distinção entre privatizações que alienam patrimônio e as que não o fazem. Só para citar um exemplo: os riquíssimos depósitos de rejeitos da Vale, nem sequer entram na avaliação do patrimônio da empresa, para sua venda a preço de banana. Por isso que é atual a luta pela anulação da privatização da mineradora. Não há porque ficar na defensiva, quando os tucanos nos criticarem. Nem quando a pseudo esquerda assim o fizer. Nem hangares, nem pistas, nem torres, nem radares, nem salas de embarque e desembarque foram vendidas. Há um relativo golden share (dispositivo de veto) nas mãos do governo, ante as concessões feitas. E as condicionalidades das mesmas implicam fortes obrigações aos consórcios vencedores. Mas, isso é insuficiente.

Em um passado remoto, sob o pretexto de criticar o vanguardismo (que deve ser criticado), o PT levou de roldão algo que se exige de qualquer partido: o de ser vanguarda. O chamado “protagonismo político” tentou ser alternativa. Pálido eufemismo que nos levou para a retaguarda dos movimentos sociais, que pretendemos representar e dos governos dos quais participamos com maiores responsabilidades. Resgatemos, pois, do limbo teórico, a noção de vanguarda! Sob pena de nos restar a trágica existência de partido post festum, justificador do acontecido.

Renata Rossi é integrante do Diretório Nacional do PT

Mauro Rubem é deputado estadual (PT/GO) e integrante do Diretório Nacional do PT

Após pressão do Planalto, militares da reserva retiram críticas a Dilma

DE BRASÍLIA

Clubes militares haviam cobrado de presidente reprimenda a auxiliares

Após causar mal-estar dentro do governo, clubes que representam militares da reserva recuaram de críticas feitas à presidente Dilma Rousseff por ela não ter censurado falas de ministras e do PT contra a ditadura.

O recuo, algo raro aos clubes, passou a ser debatido depois que, anteontem, o ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes do Exército, da Aeronáutica e do Estado Maior se reuniram e trataram do tema.

Segundo a Folha apurou, o encontro foi acertado entre o ministro e o Planalto.

Coube aos chefes militares a tarefa de negociar o desmentido com as cúpulas dos clubes Militar, Naval e de Aeronáutica, que ontem, em nota de apenas uma frase, disseram que “desautorizam” o texto que eles mesmos haviam confeccionado.

Publicado no último dia 16, ele sugeria que Dilma se afastava de seu papel de estadista ao não “expressar desacordo” sobre três declarações recentes de auxiliares e do PT.

A primeira delas foi feita pela ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos), para quem a Comissão da Verdade, que investigará violações durante o regime, pode levar a punições penais, apesar da Lei da Anistia.

Depois, Eleonora Menicucci (mulheres), ex-colega de prisão de Dilma durante o período autoritário, fez em discurso “críticas exacerbadas aos governos militares”, segundo o texto.

Já o PT, em uma resolução política, disse que deveria priorizar o resgate de seu papel para o fim da ditadura.

Ao final, estavam os nomes dos presidentes dos três clubes -que, apesar de não estarem na ativa, devem seguir a hierarquia das Forças, das quais Dilma é a chefe máxima.

Mas, de acordo com o almirante Ricardo Antonio da Veiga Cabral, presidente do Clube Naval, ele nunca autorizou sua publicação, que ainda vinha sendo discutida, nem estava ciente dela. “Não tem assinatura, apenas constam os nomes”, afirmou.

Ele disse que, após a nota, os comandantes das Forças os procuraram. “Cada um procurou o seu lado, mas não em termos de reprimenda, pois isso aí é uma coisa que as Forças têm o pensamento delas, e os clubes militares têm sua postura normal”.

Questionado pela Folha se ele confirma o teor da primeira nota, ele preferiu não responder. “Vai causar mais confusão.”

Os clubes Militar, de Aeronáutica e o ministério da Defesa não se pronunciaram.

Arrecadação bate record. Gasta, Dilma, gasta !

Daniel Lima

Repórter da Agência Brasil

Brasília – A arrecadação de impostos e contribuições federais em janeiro atingiu R$ 102,57 bilhões, um recorde histórico, informou hoje (24) a Receita Federal. O resultado representa um crescimento real de 6,04% em comparação com janeiro de 2011. Em relação a dezembro do ano passado, a arrecadação teve um aumento de 5,57%.

De acordo com os dados divulgados pelo governo, tiveram influência na arrecadação de janeiro o pagamento da primeiro cota ou cota única do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado no último trimestre do ano. Influenciou ainda, segundo a Receita Federal, a antecipação de pagamentos, em janeiro de 2012, do ajuste anual do IRPJ e da CSLL referente ao lucro obtido no ano anterior.

Outro fator é o pagamento trimestral, em janeiro, dos royalties relativos à extração de petróleo, assim como o comportamento dos principais indicadores da economia que afetam a arrecadação, como a massa salarial, que cresceu 15,47% em dezembro de 2011 na comparação com dezembro de 2010. Também influenciou o resultado o crescimento de 4,3% na venda de bens e serviços no período.

***

Enquanto isso, os neolibelês (*) da CBN, a rádio que troca a notícia, se estrebucham.

Que horror !

A Dilma vai cumprir a meta de superavit primário e ainda fica com um monte de dinheiro para investir na construção pesada e civil – clique aqui para ver o que aconteceu com o salário dos pedreiros -, no PAC, no Minha Casa, na Transnordestina, no rio São Francisco.

O jeito é curtir a derrocada da Grécia !

Paulo Henrique Amorim

(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

Publicado originalmente no CONVERSA AFIADA

Os ataques rasteiros a PH Amorim

 Rodrigo Vianna
Inimigos de Paulo Henrique Amorim (seria tolo chamá-los, apenas, de adversários) utilizaram a internet nas últimas horas para espalhar a informação de que ele teria sido condenado por racismo. Mentira dupla: não houve condenação (mas um acordo, ainda em primeira instância) e o autor do processo (o também jornalista Heraldo Pereira, da Globo) reconheceu (ao assinar o tal acordo) que não teria havido ofensa de cunho racista.

Figura emblemática na internet, PH Amorim fez muitos inimigos nos últimos anos. Claro que os inimigos tentaram aproveitar a situação para atacá-lo. Dizer (ou insinuar) que PH Amorim é racista foi a vingança de parte dessa gente que vive nas sombras – protegida pelos cargos oficiais, pelas amizades político-financeiras ou pelas posições ocupadas em Redações da velha mídia. Claro que essa gente não botou a cara pra bater; preferiu utilizar sites e/ou portais que fazem o serviço pesado para o PIG.

Esse é o método dessa gente. Senti isso na pele quando sai da TV Globo em 2006, e recebi ataques sistemáticos daqueles que agiam de forma dissimulada para agradar meus ex-patrões: apareceram notas plantadas nos jornais, comentários maldosos na web (vindos até de gente que hoje se esconde na Itália).

Isso posto, vale esclarecer mais dois pontos:
1) Não concordo com a expressão utlizada por Paulo Henrique Amorim nas críticas a Heraldo Pereira (“negro de alma branca”); ele utilizou a expressão de forma irônica, vá lá, justamente para relembrar a forma dissimulada como parte da “elite branca” se refere a negros que aceitam fazer o jogo dessa elite. Ainda assim, foi infeliz – além de injusta com Heraldo.

Isso, no entanto, não pode (e nao vai) apagar a luta incansável de Paulo Henrique que – ao longo dos últimos anos -vem-se dedicando a denunciar a tentativa idiota de negar o racismo no Brasil. O diretor da TV Globo Ali Kamel escreveu um livro (“Não Somos Racistas”) para “provar” que o racismo não existe. Heraldo Pereira – que trabalha na Globo- foi à Justiça porque se sentiu atingido pela frase de Paulo Henrique Amorim. Então, o racismo não existe, Ali?

2) Considero Heraldo Pereira um ótimo sujeito; e até onde sei, é um jornalista correto. Assim como qualquer um que exerce atividade pública, ele está sujeito a críticas. E tem o direito óbvio de buscar a Justiça quando se sentir atacado de forma exagerada ou injusta. Ao aceitar um acordo na primeira instância, Heraldo mostrou grandeza, mostrou que não pretende usar processos como arma de intimidação política e/ou econômica.

Não é o caso de outros personagens, conhecidos, que utilizam a Justiça (a mesma que às vezes prefere proteger Naji Nahas a garantir o direito à moradia de centenas de famílias) para intimidar e calar os críticos… A mim, não intimidam.

Paulo Henrique Amorim recebeu muitos ataques rasteiros nas últimas horas – vindos, inclusive, da turma que se diz de “esquerda” (é aquele povo que Brizola e Darcy Ribeiro definiram tão bem: “a esquerda que a direita adora”).

Mas PH Amorim recebeu também a solidariedade de milhares de leitores e colegas jornalistas. Entre tanta coisa que se escreveu, reproduzo aqui a reflexão de Leandro Fortes (outro jornalista e blogueiro que não se intimida com ataques e processos)…

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RACISTA É A PQP, NÃO PHA
por Leandro Fortes
Paulo Henrique Amorim, assim como eu e muitos blogueiros e jornalistas brasileiros, nos empenhamos há muito tempo numa guerra sem trégua a combater o racismo, a homofobia e a injustiça social no Brasil. Fazemos isso com as poderosas armas que nos couberam, a internet, a blogosfera, as redes sociais. Foi por meio de pessoas como PHA, lá no início desse processo de abertura da internet, que o brasileiro descobriu que poderia, finalmente, quebrar o monopólio da informação mantido, por décadas a fio, pelos poderosos grupos de comunicação que ainda tanto fazem políticos e autoridades do governo se urinar nas calças. PHA consolidou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e muitos outros com humor, inteligência e sarcasmo, características cada vez mais raras entre os jornalistas brasileiros. Tem sido ele que, diuturnamente, denuncia essa farsa que é a democracia racial no Brasil, farsa burlesca exposta em obras como o livro “Não somos racistas”, do jornalista Ali Kamel, da TV Globo.

Por isso, classificar Paulo Henrique Amorim de racista vai além de qualquer piada de mau gosto. É, por assim dizer, a inversão absoluta de valores e opiniões que tem como base a interpretação rasa de um acordo judicial, e não uma condenação. Como se fosse possível condenar PHA por racismo a partir de outra acusação, esta, feita por ele, e coberta de fel: a de que Heraldo Pereira, repórter da TV Globo, é um “negro de alma branca”.

O termo é pejorativo, disso não há dúvida. Mas nada tem a ver com racismo. A expressão “negro de alma branca”, por mais cruel que possa ser, é a expressão, justamente, do anti-racismo, é a expressão angustiada de muitos que militam nos movimentos negros contra aqueles pares que, ao longo dos séculos, têm abaixado a cabeça aos desmandos das elites brancas que os espancaram, violentaram e humilharam. O “negro de alma branca” é o negro que renega sua cor, sua raça, em nome dessa falsa democracia racial tão cara a quem dela usufrui. É o negro que se finge de branco para branco ser, mas que nunca será, não neste Brasil de agora, não nesta nação ainda dominada por essa elite abominável, iletrada e predatória – e branca. O “negro de alma branca” é o negro que foge de si mesmo na esperança de ser aceito onde jamais será. Quem finge não saber disso, finge também que não há racismo no Brasil.

Recentemente, fui chamado de racista por um idiota do PCdoB, partido do qual sou, eventualmente, eleitor, e onde tenho muitos amigos. Meu crime foi lembrar ao mundo que o vereador Netinho de Paula, pagodeiro recentemente convertido ao marxismo, havia espancado a esposa, em tempos recentes. E que havia dado um soco na cara do repórter Vesgo, do Pânico na TV. Assim como PHA agora, fui vítima de uma tentativa primária de psicologia reversa cujo objetivo era o de anular a questão essencial da discussão: a de que Netinho de Paula era um espancador, não um negro, informação esta que sequer citei no meu texto, por absolutamente irrelevante. Da mesma forma, Paulo Henrique Amorim se referiu a Heraldo Pereira como negro não para desmerecer-lhe a cor e a raça, mas para opinar sobre aquilo que lhe pareceu um defeito: o de que o repórter da TV Globo tinha “a alma branca”, ou seja, vivia alheio às necessidades e lutas dos demais negros do país, como se da elite branca fosse.

Não concordo com a expressão usada por PHA. Mas não posso deixar de me posicionar nesse momento em que um jornalista militante contra o racismo é acusado, levianamente, de ser racista, apenas porque se viu na obrigação de fazer um acordo judicial ruim. Não houve crime, sequer insinuação, de racismo nessa pendenga. Porque se pode falar muita coisa sobre Paulo Henrique Amorim, menos, definitivamente, que ele é racista. Qualquer outra interpretação é falsa ou movida por ma fé e vingança pessoal de quem passou a ser obrigado, desde o surgimento do blog “Conversa Afiada”, a conviver com a crítica e os textos adoravelmente sacanas desse grande jornalista brasileiro.

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