Câmara aprova projeto que disciplina funcionamento de lan houses

O plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira (19) o projeto de lei (PL 4361/04), que disciplina o funcionamento das chamadas lan houses. O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP) elogiou a aprovação da proposta que teve total apoio da bancada petista. “O fato é positivo para colocar as lan houses na legalidade e fazer delas parceiras do programa de acesso à cultura e à educação, e permitir a sustentabilidade econômica desse tipo de negócio”, explicou.

Ainda de acordo com o deputado Paulo Teixeira, que presidiu a comissão especial que analisou o tema, as lan houses são importantes instrumentos de inclusão digital. “A ideia é qualificar essa atividade desenvolvida por grandes brasileiros, empreendedores, estimulando os órgãos públicos a ajudar na organização desses negócios para que eles sobrevivam e ampliem sua atividade”, ressaltou o líder do PT.

Pela proposta, que segue para análise do Senado, as lan houses serão incentivadas a se legalizar, a desenvolver propostas pedagógicas e a adotar instrumentos que permitam impedir o acesso de menores a conteúdos indesejados. Também foi aprovada uma emenda que determina o registro do nome e da identidade do usuário das lan houses. O texto aprovado prevê também convênios entre os entes federados e as lan houses para ampliar o acesso à internet e também estimular o desenvolvimento de atividades educacionais e culturais.

Atualmente existem cerca de 108 mil desses centros de informática no Brasil, que garantem o acesso à internet para mais de 28 milhões de pessoas, 44% do total de usuários da rede.

Seguro habitacional – Os deputados aprovaram hoje também o texto base da medida provisória (MP 513/10), que autoriza o Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) a assumir os direitos e obrigações dos contratos ainda em vigor do Seguro Habitacional do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), extinto em 2010. Ainda falta apreciar destaques ao texto.

Segundo o texto do Executivo, a MP protege os mutuários de 450 mil contratos de financiamento que se encontravam na apólice do seguro do SFH. Atualmente, não há nenhuma cobertura para esses contratos, pois não existe uma entidade habilitada para concedê-la.

(Da Liderança do PT)

Zé Dirceu e Wikileaks (via paulocoelho)

 Hoje almocei com José Dirceu, a quem conheci em dezembro de 2005, logo depois de sua saída do governo.

No meio do almoço descontraído (comida árabe), comentei sobre os telegramas do Departamento de Estado Americano, que estão sendo divulgados pelo site Wikileaks. Para minha supresa, Dirceu disse que acabara de ser entrevistado por um jornal (não mencionou se era brasileiro ou de outro país) justamente a respeito de informações que seriam divulgadas na próxima semana.

Peguei um caderno que sempre carrego gomigo ( Moleskine, tradição de escritor) e comecei a anotar nossa conversa. Abaixo o que está nos telegramas e o verdadeiro conteúdo das conversas,segundo José Dirceu.
A] são vários telegramas, porque são vários interlocutores

B] Em um deles, em churrasco na sua casa em Vinhedo, o ex-funcionario do Departamento de Estado Bill Perry, comenta sobre eleições no Brasil. Zé e Bill conversam durante toda a tarde, sobre uma infinidade de assuntos. No telegrama enviado ao Depto. De Estado, a conversa foi resumida nos seguintes items:
1] que Zé tinha feito Caixa 2 (segundo Dirceu, uma conclusão do interlocutor )
2] que não falou de reforma política ( segundo Dirceu, foi um dos assuntos dominantes).

C] O mesmo Bill Perry, na apartamento funcional de José Dirceu em Brasília, teve outra longa conversa, que resumiu em algo como “José Dirceu afirmou que Lula não seria candidato a um segundo turno, já que achava que iria perder as eleições”. Dirceu afirma que tudo que fez foi traçar os cenários que a oposição estava desejando naquele momento.

D] Em outro cabo, o então embaixador americano (aqui não me lembro o nome) relata conversas com Dirceu sobre a ALCA, mas se limita a dizer aquilo que lhe interessa. Todas as explicações dadas por Dirceu – posição do governo brasileiro e do PT sobre a inviabilidade da ALCA – se resumiu a uma referencia no telegrama, sobre a concordancia do Brasil de um novo encontro a respeito.

E] Ainda o embaixador americano na época: Dirceu defenda a posição da Venezuela e do governo Chavez, mas o embaixador resume toda a conversa em uma opinião de Dirceu – que o Chavez devia se concentrar nas questões economicas do país e não em um conflito com os EUA.

Vale a pena acrescentar o seguinte a este post
a] embora tenha visto anotando a conversa, José Dirceu nao me pediu nenhuma ajuda a respeito do tema.
b] José Dirceu foi entrevistado por esse jornal (repito, pode ser brasileiro ou estrangeiro) mas nào viu os telegramas. O jornalista leu os telegramas, e os itens acima se baseiam nas anotações de Dirceu sobre a conversa

Fonte: paulocoelhoblog.com

Comissão Especial aprova PL das lan houses (via @pauloteixeira13)

A Comissão Especial dos Centros de Inclusão Digital (CIDs), que discute a situação e o papel das lan houses no Brasil deste março deste ano, aprovou, em reunião ordinária realizada na tarde desta quarta-feira (8/12), uma proposta que regulamenta a atividade dos CIDs (PL das Lan Houses).

O texto discutido e aprovado pela Comissão, que trabalhou sob a presidência de Paulo Teixeira desde que foi criada, é um projeto substitutivo do relator, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), ao Projeto de Lei 4361 e a oito apensados.

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A nova proposta

O novo projeto contempla o papel fundamental que lan houses, telecentros, pontos de cultura, cybercafés e similares têm desempenhado na contribuição para a inclusão digital no país e, por isso, incentiva a regularização desses espaços. Por serem classificadas como casas de jogos, por exemplo, a maior parte das lan houses brasileiras operam na ilegalidade, o que impede que participem de programas governamentais e que tenham um plano de seguro, entre inúmeros outros benefícios.

Estima-se que metade da população do país acesse a internet por meio dos centros de inclusão digital. Por isso, segundo Paulo Teixeira, os CIDs devem ser vistos como sinônimos de inclusão social, além de polos de cultura e educação para a sociedade.

Ainda de acordo com o parlamentar, a Comissão tentará incluir a proposta para votação no Plenário ainda este ano.

O AI-5 Digital está de volta. Vamos combatê-lo! #AI5digital

A ressurreição

No início do mês de outubro, enquanto boa parcela da sociedade e do Congresso se voltava à campanha eleitoral e aos resultados das eleições estaduais e federal, o Projeto de Lei (PL) 84/99, de autoria do senador Eduardo Azeredo, embora não tenha sido aprovado em qualquer Comissão da Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável em duas delas – a de Segurança Pública e a de Constituição e Justiça.

Com isso, caso o Projeto seja aprovado nessas duas comissões, estará pronto para ir ao plenário e, se deputados federais assim decidirem, ele pode se tornar lei.

O projeto

O Projeto do senador Azeredo, para aqueles que não o conhecem ou dele não se lembram, recebeu a alcunha de “AI-5 Digital” por conta dos malefícios que sua aprovação poderia causar à privacidade, e por tornar crime muitas das práticas cotidianas de todos os internautas – como baixar músicas e filmes ou trocar arquivos.

Caso se torne lei, o PL 94/99 obrigará que provedores de conteúdo (como, por exemplo, os serviços de e-mail e os publicadores de blogs) sejam responsáveis pela guarda dos logs (os registros de navegação) dos usuários. Pior que isso, fará com que haja uma “flexibilização” nas regras para que esses registros sejam obtidos. Isso significa, na prática, que nossos dados poderão ser divulgados à polícia ou ao Ministério Público sem a necessidade de uma ordem judicial.

Além disso, o Projeto dificulta a atividade das lan houses e inviabiliza a existência de redes abertas, pois exige a identificação de cada usuário conectado à internet.

Para saber sobre os demais efeitos do PL, veja esta petição.

Nossa posição/ação

Além de criminalizar ações absolutamente corriqueiras na internet, o PL 94/99 representa um verdadeiro atentado à privacidade. Sem o menor rigor jurídico, corre-se o risco de se ter dados de navegação expressamente violados, muito embora nossa Constituição preveja que a quebra de sigilo só pode ser realizada mediante ordem judicial.

Há pouco mais de um ano, graças à mobilização virtual e presencial de ciberativistas e demais defensores da liberdade internet, com quem estamos em pleno diálogo, conseguimos barrar, na Câmara dos Deputados, a tramitação do AI-5 Digital. Desde então, demos nossa contribuição no sentido de alertar quanto aos malefícios do Projeto.

Neste momento, no entanto, surgem novos desafios. O primeiro deles, sem dúvidas, é trabalhar para barrar, de uma vez por todas, no Congresso Nacional, o AI-5 Digital, de modo que ele não seja aprovado nas Comissões da Câmara. Paralelo a isso, nossa grande alternativa para assegurar concretamente os direitos dos usuários da internet no Brasil é discutir e aprovar o Marco Civil da Internet. Nesse sentido, temos a possibilidade de sacramentar uma legislação pioneira, capaz de compreender a verdadeira dinâmica da internet e de seus usuários.

Feito isso, direcionaremos nossos esforços para caracterizar os chamados crimes digitais – que são, de fato, objetos de grande preocupação da sociedade brasileira. Há um compromisso firmado entre mim e o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP) de apresentar um Projeto de Lei em que tais crimes sejam devidamente tipificados, de modo a deixar claro quais práticas devem ou não ser punidas, e de que forma.

Enfim, diante de um tema tão relevante e caro à sociedade, cabe a nós a missão de assegurar que direitos básicos dos cidadãos não sejam violados em decorrência de um Projeto de Lei que não compreende, ao apontar soluções, a realidade do nosso tempo. Por isso, é hora mobilização. Vamos juntos, mais uma vez, construir um movimento capaz de barrar o AI-5 Digital. Contamos com seu apoio!

O fracasso do toque de recolher‏. Fenandópolis – SP

cremildateixeira |

Ontem, a TV Globo mostrou Fernandópolis-SP mergulhada nas drogas. Para uma cidade pequena, as cenas foram chocantes. Era uma “cracolândia” e a céu aberto. O céu da cidade onde mais se perseguem crianças e alunos… Toque de recolher… famílias perseguidas… Conselho Tutelar dando blitz junto com a polícia… na caça de crianças e adolescentes fora da escola ou fora de casa…
Em Fernandópolis, violaram frontalmente a Constituição Federal, cerceando o direito da criança e do adolescente. Não podiam circular pela cidade se tivesse com uniforme da escola; e eram tratados como bandidos. Com direito a abordagem policial e humilhação diante das câmeras das TVs que acompanhavam as caçadas…
Então, mudar a Constituição Federal completamente e obrigar todo mundo a ficar confinado dentro de casa não podiam… Então caiam de pau, ferozmente, em cima do adolescente…
NÃO DEU CERTO. NÃO PODIA DAR.
Na última reportagem da Rede Record de Televisão, dois policiais posaram de heróis diante das câmeras, ligando para a escola de onde o aluno teria se evadido. A satisfação deles parecia com a satisfação de quem prendeu um traficante perigoso… Mas era apenas um aluno que cabulou aula… Fácil assim: policial prendendo aluno…
Se Fernandópolis está mergulhada nas drogas, seria mais natural que pegassem “o cabeça”, o traficante. Mais natural, mas não tão fácil como dar cana em aluno de escola pública
Uma advogada, na época, foi entrevistada e disse que esperava que não passassem a abordar aluno simplesmente por estar uniformizado na rua… Mas era exatamente o que estava acontecendo… e na frente das câmeras das TVs, conforme mostrado na mesma reportagem…
Então, estamos cobrando uma posição pública e oficial da OAB de Fernandópolis…
O lado menos negro menos vergonhoso da reportagem foi o CONANDA (conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), pronunciando-se e dizendo que se combate a criminalidade infanto-juvenil com políticas públicas voltada para a prevenção. Pediram mais Educação e só faltou pedir às escolas que acolhessem os alunos… só faltou ele aproveitar e pedir menos repressão na escola pública.
As escolas públicas devem dar bons exemplos e aulas de qualidade.
Com políticas públicas para adolescente, com escola pública interessante e atraente, a prevenção seria a solução.
Fernandópolis usou a violência e a repressão e foi um ótimo exemplo de fracasso retumbante.
Faltou ao CONANDA ser mais preciso nas suas críticas. Mas o que falou já foi o suficiente para desmoralizar a política do “toque de recolher de dia “ (para os alunos) e o “toque de recolher noturno” (para todas as crianças e adolescentes à noite).

 


“Governo que não respeita a Defensoria Pública, não respeita os direitos da sua população!”

Paulo Teixeira alerta: Internet está sob perigo!

 

 

 

 

 

O modo como a internet funcionou até hoje está sob perigo!

O modo como a Internet foi construída é um dos grandes responsáveis pelo seu sucesso. Como tem dito o professor Sergio Amadeu, “na Internet, ninguém precisa pedir autorização para criar conteúdos, formatos, tecnologias e aplicações”. Esse modelo é que permite que a cada dia sejam criadas novidades incríveis que contribuem para a construção desse grande repositório das diversas culturas contemporâneas que é a Internet.

A internet foi projetada para que todo o tráfego de informações seja tratado de forma igual. Esse princípio é conhecido como “neutralidade da rede“, ou seja: quem controla a infraestrutura de rede não pode interferir no fluxo de dados. Entretanto, muitas empresas de telecomunicações e provedores de acesso perceberam que podem ganhar muito mais dinheiro se transformarem a Internet em algo parecido com uma rede de TV a Cabo, na qual você deve pagar pelo que acessa.

Se as corporações conseguirem quebrar o princípio da neutralidade na rede, um blog não será aberto com a mesma velocidade que o site da Microsoft ou daqueles que possuem muito dinheiro para realizar acordos com os detentores da infraestrutura de cabos, backbones e satélites. Isso levará à mercantilização completa para o ciberespaço e soterrará o modo como temos atuado na rede até o momento. O mais grave é que, sem o princípio da neutralidade, dificilmente jovens teriam criado o YouTube, a voz sobre IP, o BitTorrent etc., pois essas novidades seriam barradas pelos controladores dos cabos de conexão.

Em 2007, o maior provedor americano, Comcast, começou a bloquear seus usuários que utilizavam o protocolo de transferência de arquivos BitTorrent. Em 2008, a Federal Communications Commission (FCC), o equivalente à Anatel norte-americana, ordenou que a Comcast parasse com sua prática de intromissão no tráfego da rede. Em 2010, um tribunal revogou a decisão, alegando que a FCC não tem autoridade legal necessária para punir a Comcast. A partir daí, as grandes corporações começaram a elaborar suas próprias regras de tratamento de pacotes de informação. Temendo esse abuso, na proposta de Marco Civil da Internet no Brasil, o Ministério da Justiça inseriu um artigo proibindo a quebra do princípio da neutralidade na rede. O problema é que a Internet é uma rede transnacional e seus principais provedores estão nos Estados Unidos.

Há alguns dias, um dos grandes aliados da neutralidade da rede, o Google, mudou seu comportamneto. Anunciou um acordo de priorização de tráfego com a Verizon (outro dos maiores provedores dos Estados Unidos). Aparentemente, o acordo não parece ser tão ruim. A Verizon concordou em respeitar o princípio da não discriminação de pacotes de dados em suas redes cabeadas e Google reiterou o seu compromisso pela neutralidade da rede. No entanto, a proposta exclui especificamente os serviços de internet sem fio. O acordo também propõe os chamados “serviços de gestão” nas redes com fio (a criação de pistas essencialmente rápidas com regras distintas da web). Coisa muito parecida com os pedágios das estradas paulistas, que tanto empolgam os tucanos e a dupla Serra-Alckmin.

Precisamos atuar imediatamente em defesa da neutralidade na rede. Vamos apoiar o movimento Save the Internet. Escreva emails para a direção do Google. Vamos apelar para que não abram um precedente tão perigoso. Vamos escrever tweets e alertar a todos sobre a importância da neutralidade na rede para a defesa da criatividade e da diversidade cultural. O poder das grandes corporações deve ser barrado. A Internet alcançou tanto sucesso porque seguiu os princípios de liberdade e compartilhamento próprios da cultura hacker. Vamos defender a possibilidade de qualquer jovem criar uma nova aplicação sem ter que pagar pedágio para as operadoras de telecomunicações. Vamos defender a neutralidade na rede!

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Mercadante, Alckmin, e Russomanno aceitam regras no debate Folha/UOL

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Representantes de Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT), candidatos líderes nas pesquisas para o governo de São Paulo, se reuniram nesta segunda-feira (02), na sede da Folha de S.Paulo, para assinar documento que define as regras do debate promovido por UOL e Folha. O evento, que contará ainda com a presença de Celso Russomanno (PP), será dia 17 de agosto, no Teatro Tuca, em São Paulo, com transmissãoao vivo pela internet a partir das 10h30.

Os três candidatos estarão frente a frente por duas horas e meia. Metade do debate será apenas entre os próprios candidatos, que farão perguntas entre si. Um moderador controlará o tempo. Na segunda parte, os candidatos responderão a perguntas de internautas, exibidas em vídeo. Entre aqui e saiba como enviar sua pergunta.

Segundo o secretário de comunicação do PT-SP e coordenador de eventos da campanha do partido, Aparecido Luz da Silva, o diferencial do debate na internet é a interatividade. “A capacidade de mobilização do UOL e da Folha certamente promove um debate mais participativo, propaga as ideias da candidatura e torna a relação com o eleitor mais ativa que outras mídias”, disse.

O representante tucano, Roger Ferreira avalia que “o debate Folha/UOL será uma ótima oportunidade para os candidatos mostrarem o seu pensamento e suas propostas para o futuro de São Paulo.”

Assinantes do UOL e da Folha podem assistir ao debate no local. Os assinantes do UOL devem escrever para debategovernador@uol.com.br, informando nome completo, CPF e e-mail do UOL. Já os assinantes da Folha devem enviar e-mail para eventofolha@grupofolha.com.br ou ligar para 0/xx/11/3224-3473, das 14h às 19h. É preciso informar nome completo, código do assinante, telefone e RG.

Com o objetivo de democratizar o acesso ao encontro, todos os meios de comunicação interessados poderão compartilhar e transmitir o sinal de áudio e vídeo do debate. Portais de internet, emissoras de rádio, TVs e outros veículos terão amplo acesso para fazer a cobertura jornalística do evento.

A legislação impõe restrições à realização de debates em emissoras de rádio e de televisão. No caso da internet, a liberdade é plena. Como meios de comunicação não podem formular perguntas diretamente ao plenário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o UOL e a Folha fizeram um pedido de esclarecimento por meio de consulta apresentada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

O TSE liberou a web para realizar debates, sem exigir um número mínimo de candidatos convidados. UOL e Folha definiram a faixa de 10% ou mais de intenção de votos na última pesquisa divulgada pelo Datafolha como critério para participação no debate. Assim, foram convidados Alckmin, Mercadante e Russomanno.

Blogosfera Paulo Teixeira. Comunidade das Lan Houses ganha nova ferramenta

Escrito em 30 de julho de 2010

O Programa Democracia Eletrônica, da Câmara dos Deputados, lançou mais uma ferramenta que promete facilitar ainda mais a ação de quem quer contribuir na consulta pública. Trata-se da Wikilegis, que permite discutir na íntegra ou artigo por artigo a minuta do Projeto de Lei.

Assim, fica muito mais fácil organizar as ideias que comporão o documento final.

Para acessar a nova ferramenta, siga os seguintes passos:

1. clique na comunidade lan houses no Portal e-Democracia (http://www.edemocracia.gov.br);

2. Abaixo do campo dos fóruns, você visualizará o wikilegis;

3. Clique em “Editar”;

4. Em seguida, abaixo do próprio campo do texto terá uma opção de clique na barra cinza “OK”. Clique!;

5. Imediatamente abrir o espaço de edição e contribuição para o texto minuta no Wikilegis, onde terá um sumário para edição do texto integral ou por artigo;

6. Para você postar sua proposta, basta clicar em “EDITAR” no menu do Wikilegis, onde abrirá um tela para edição do texto, igual a um modelo do Word;

7. Abaixo também do campo de edição do seu texto, você também tem um espaço de comentário, bastar clicar em “Adicionar comentários”;

8. Para acompanhar as versões e analisar as propostas sugeridas, bastar clicar em “Histórico” no menu do Wikilegis, onde você poderá visualizar sua ou outra versão clicando em “DIFF”, na tabela de versões que contém as opção de autor, arquivo, última modificação, etc.

Todo debate público é sempre importante. E este, em especial, trata de um elemento fundamental capaz de combater a exclusão digital e social do nosso país. Por isso, contamos com seu apoio e contribuição.

OAB/MS lança “Eleições Limpas”: uma ferramenta na defesa do eleitor

 
Sexta, 23 de Julho de 2010 – 15:09
Daniel Castro, responsável pelo site Eleições Limpas, e o pres. da OAB-MS Leonardo Duarte

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul – OAB-MS- lançou hoje, sexta-feira (23) o site “Eleições Limpas” e, com ele,  entrou efetivamente no acompanhamento do processo eleitoral. A proposta da entidade é atuar na fiscalização de denúncias relacionadas à compra e venda de votos e outros delitos que possam ser aplicados durante as eleições de outubro deste ano.
A solenidade de lançamento do site aconteceu no plenário da OAB-MS e contou com a participação do presidente da entidade, Leonardo Avelino Duarte, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Luiz Carlos Santini, desembargador Carlos Eduardo Contar, representando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e do juiz auxiliar da Corregedoria do TJMS, Rui Celso Barbosa Forense, do procurador Regional Eleitoral, Pedro Paulo de Oliveira Grubits Gonçalves de Oliveira e do presidente do Conselho regional de Contabilidade (CRC-MS), Carlos Rubens de Oliveira.
 

 Além disso, também estiveram presentes, o vice-presidente da OAB-MS, Júlio César Souza Rodrigues, a secretária-geral, Rachel de Paula Magrini, da secretária-geral-adjunta, Luciana Azambuja, o tesoureiro, André Luiz Xavier Machado, além de conselheiros federais e estaduais e advogados sul-mato-grossenses.
 Segundo o presidente da OAB/MS, o site será o principal instrumento da Comissão Especial de Acompanhamento nas Eleições 2010 (CEAE), que será  coordenada pelos advogados Daniel Castro, André Luis Xavier Machado e Rachel de Paula Magrini e, que atuarão, respectivamente, como presidente, vice-presidente e secretária-geral. “Nossa proposta é estabelecer um vínculo direto com eleitor e com toda a sociedade para que ela possa de fato exercer o seu direito de cidadania ao formular uma denúncia”, disse.
 Duarte ressaltou, ainda, que a entidade verificará o cumprimento da lei. “É obrigação disponibilizar essas informações. Estaremos junto com o Ministério Público Federal e o Tribunal Regional Eleitoral, para solucionar a corrupção eleitoral. A Ordem assume esse compromisso”, disse, lembrando, também, que muitos sabem do direito de denúncia, mas não sabem como exercitá-lo corretamente.
 O site vai contribuir para a fiscalização e o acompanhamento do processo eleitoral com transparência e disponibilizará informações no que diz respeito a legislações, notícias e prazos para as eleições, e, principalmente, informará aos cidadãos, os candidatos que estarão na lista da chamada Ficha Limpa. Os eleitores poderão fazer denúncias contra atos ilícitos durante o período eleitoral.
 Durante a solenidade também foi assinado um protocolo de intenções entre a Seccional da OAB em Mato Grosso do Sul e o Conselho Regional de Contabilidade (CRC-MS). A intenção das duas entidades é estimular a participação e o espítiro de responsabilidade social dos advogados e contabilistas, visando a transparência e a legalidade nas prestações de contas das campanhas eleitorais dos candidatos ao governo estadual e dos respectivos partidos políticos.
Para acessar a página “Eleições Limpas” da OAB-MS, acesse http://oabms.dothcom.net/eleicoes
Lembrando que, segundo o presidente da OAB-MS, Leonardo Avelino Duarte, não serão aceitas denúncias anônimas e todas as denúncias identificadas serão apuradas.
 

http://www.alcaine.com.br/wordpress/2010/07/23/oabms-lanca-%e2%80%9celeicoes-limpas%e2%80%9d-uma-ferramenta-na-defesa-do-eleitor/

Mercadante se reunirá com lan houses na segunda dia 19 – debate sobre inclusão digital.

15 de julho de 2010

O governo de São Paulo tem que mudar a sua postura em relação às lan houses. Elas devem ser incentivadas e não perseguidas”, afirmou Mercadante.

Na segunda, dia 19 de julho, das 15h30 às 17h, o Senador Mercadante se reunirá com representantes de Lan Houses para discutir como o Governo de São Paulo pode apoiar essa importante atividade de pequenos empresários pela inclusão digital.

Mercadante acredita que as Lan Houses podem realizar parcerias com o Estado para alavancar as atividades de educativas, culturais e de entretenimento.

Inscreva-se para participar. Envie email para divulgamercadante@gmail.com

O quê: Encontro do Mercadante com as lan houses
Onde: Lan House Cyber Games  (Rua Oscar Freire, 1928)
Quando: 15h30min às 17h

Aberta consulta pública sobre projeto das lan houses

E já está disponível na biblioteca virtual da comunidade das lan houses a minuta do relator Otáveio Leite (PSDB-RJ). Depois de várias audiências públicas, em que ouvimos membros dos mais variados setores da sociedade, temos a oportunidade de realizar mais um amplo debate por meio da internet. Clique aqui para consultar a minuta.

Convido a todos para que se cadastrem no portal e-Democracia e mandem suas sugestões. Nos próximos dias, já devem estar disponíveis vários meios para suas contribuições: fórum específico, wikilegis, comunicado ao todos os membros e programação de sala de bate-papo pré-agendada para discussão do relatório.

Participe! Isso é de grande importância para nós, para as lan houses e para a democracia

http://www.pauloteixeira13.com.br/

Inclusão Digital – O papel comunitário da Lan house

Por: Deputado Paulo Teixeira

A reportagem abaixo, do pessoal do Conexão Cultura, reafirma o que defendemos há algum tempo: que as lan houses, verdadeiras promotoras de atividades culturais, têm um papel social a cumprir. Não tenho dúvidas de que elas são capazes de formar cidadãos, oferecendo a eles oportunidades que jamais tiveram.

 Veja só:

 Lan house é um lugar aonde vamos para acessar a internet, certo? Mas será que existem outras possibilidades de uso desse espaço? Uma lan, por exemplo, poderia ter um papel social  dentro de uma comunidade? A resposta é sim. E a equipe do Conexão Cultura foi até o bairro de São Matheus, no extremo leste de São Paulo, para conhecer a Lan do Fran: uma lan house que explora seu papel social e se destaca na comunidade promovendo atividades culturais para crianças e um mutirão da cidadania para os moradores da região.

Nossa equipe saiu da Fundação Padre Anchieta, na Água Branca, zona oeste, às 13 horas do dia 23 de junho em direção ao número 142 da rua Peramirim, na Vila Bela, zona leste. Depois de uma hora, chegamos ao local. Lá funciona a Lan do Fran.


“Sempre quis ter uma escola de informática”, disse José Francisco Dias, 30 anos, dono da lan. “Então, montei aqui há três anos e comecei a dar aula. Depois, veio a ideia do cinema para as crianças, do Dia da Ação Social para os moradores, e hoje a gente faz várias atividades”.

 Parceria com a Associação de Moradores

A Lan do Fran tem estrutura simples: um salão com porta de aço; cinco computadores para os usuários e um servidor. O movimento é pequeno, diz Francisco, que não sabe precisar quantas pessoas atende por dia, mas já contabiliza 769 cadastros no banco de dados.

Aos sábados, o espaço deixa de atender os clientes para promover exibição de filmes para as crianças da comunidade, gratuitamente.

    Aos sábados, a lan exibe filmes para as crianças do bairro (imagem de arquivo) Aos sábados, a lan exibe filmes para as crianças do bairro (imagem de arquivo)Por iniciativa própria, a Lan do Fran promove o Dia da Ação Social, uma vez por mês. Em parceria com a Associação dos Moradores de Vila Bela (AMVB), a lan organiza um mutirão de cidadania para preencher e enviar currículos via e-mail, tirar segunda via de contas, atestados, e uma série de outros serviços via web, tudo gratuitamente.

É o que atesta a moradora e usuária da lan Patrícia Ferreira Oliveira, 40 anos, que ajuda a divulgar as ações promovidas no bairro. “Para mim o Fran, aqui da lan house, o pessoal da Associação e o pessoal da Igreja estão de parabéns! Tudo isso aqui é feito com união, todo mundo se ajuda e no fim tudo dá certo”, disse.

No dia de nossa visita conseguimos conversar com algumas lideranças. Estiveram presentes na Lan do Fran as professoras do EJA (Educação para Jovens e Adultos) Marluce Martins, 31 anos, e Karoline Barbeiro, 25 anos; a moradora Verônica Calixto, 40 anos, sua filha Ayhra de Lima, 18 anos, e sua irmã Vera Lúcia da Silva, 42 anos, que, apesar de não morar em Vila Bela, faz questão de atuar vivamente pela região. “Sou de Natal, no Rio Grande do Norte: o nordestino, justamente por passar dificuldade, sabe como é importante ajudar o próximo. Por isso, sou participava mesmo, estou em todas!”, nos contou, entusiasmada e bem-humorada. Todas atuam na comunidade dando aulas ou participando de ações de apoio às famílias.

    As voluntárias Vera Lúcia e Verônica auxiliam os moradores no “Dia da Ação Social” As voluntárias Vera Lúcia e Verônica auxiliam os moradores no “Dia da Ação Social” 

Segundo Edilene Teresa da Silva, 40 anos, presidente da AMVB, são as próprias famílias que se ajudam. “Um traz a pipoca, outro traz o guaraná, e a gente faz o cinema para as crianças. No Dia da Ação Social, um traz a folha de sulfite, outro ajuda na triagem, no cadastro, e assim todo mundo se ajuda”. Segundo Lena, como é conhecida, a lan é um canal de comunicação com o mundo. “A lan funciona como um Poupa Tempo para nós: se não der para resolver pela internet, a gente pesquisa o lugar em que dá para resolver, o horário, que documento tem que levar, e assim a gente vai lutando para melhorar as condições aqui do bairro”.

 

O próximo Dia da Ação Social deve ocorrer no dia 17 de julho, sábado. E a equipe do Conexão Cultura estará lá para acompanhar mais essa ação de cidadania. Fique de olho no blog do Deputado Paulo Teixeira!

http://www.pauloteixeira13.com.br/?p=6295

Reforma da LDA – Lei do Direito Autoral participe do debate, até 28 de julho.

O Ministério da Cultura (MinC) abriu consulta pública do anteprojeto de lei que reforma a lei de direitos autorais (Lei 9.610/98 – LDA). A LDA vem sendo debatida com desde 2007 e sua alteração, segundo o MinC, tem o intuito de “harmonizar a proteção aos direitos do autor, o acesso do cidadão ao conhecimento e a segurança jurídica ao investidor”.

Dada a relevância do tema, a Casa da Cidade e a Rede pela Reforma da Lei de Direitos Autorais propõe aprofundar este debate por considerar os direitos do autor assunto de extrema relevância para todos os cidadãos e cidadãs. A questão se relaciona às nossas práticas cotidianas, como o compartilhamento de arquivos pela internet, a cópia de obras, o consumo de livros, filmes, música, o xerox para os estudantes e a utilização das obras para fins educacionais.

A nova legislação autoral deve visar atender ao interesse público do acesso à cultura e ao conhecimento. Dentre as questões principais da reforma da lei, estão: a possibilidade de cópia privada, a criação de um sistema de supervisão estatal dos órgãos coletores de direitos autorais, a questão da cópia para uso educacional e o aumento das limitações e exceções (possibilidades de usos “justos” das obras protegidas).

O projeto de lei que reforma a LDA fica em consulta pública, para receber contribuições da sociedade, até o dia 28 de julho e depois segue para o Congresso Nacional.

 É um assunto de grande interesse para artistas plásticos, músicos, arquitetos, escritores e todos os trabalham com criação, além dos cidadãos em geral.

Convidados:

Marcos Alves de Souza (diretor de direitos intelectuais do Ministério da Cultura)

Paulo Teixeira (deputado federal) –confirmado

Pedro Paranaguá (doutorando em propriedade intelectual na Universidade de Duke (EUA) e coautor dos livros Direitos Autorais e Patentes e criações industriais)

Guilherme Carboni (advogado autoralista, autor de Função Social do Direito de Autor)

Guilherme Varella (Idec, Rede pela Reforma da Lei de Direitos Autorais)

Mediação: Nabil Bonduki (Professor da FAU-USP e Casa da Cidade)

Quando: dia 5 de julho, 2º feira, às 19 horas

Onde: Casa da Cidade, Rua Rodésia 398, Vila Madalena – São Paulo – SP

http://culturadigital.org.br/site/lda/?p=451

Perversão no Orkut ou Psicopatologia em acting no virtual

(Trabalho apresentado no Psicoinfo/2006 – PUC/SP)

 Denise Deschamps e Eduardo J. S. Honorato

“Ao escrevermos, como evitar que escrevamos sobre aquilo que

não sabemos ou que sabemos mal? É necessariamente

neste ponto que imaginamos ter algo a dizer. Só

escrevemos na extremidade de nosso próprio saber, nesta

ponta extrema que separa nosso saber e nossa ignorância e

que transforma um no outro.”

Gilles Deleuze

Necessário esclarecer antes de tudo,que esse trabalho levantará mais questões do que as que pretende responder, partindo da convicção de que a produção de conhecimento se dá mais no ato de perguntar do que de criar respostas fechadas e inquestionáveis.

Sua apresentação consistirá em uma descrição de algumas tipologias em psicopatologia psicanalítica e uma análise da vivência de algumas dessas dinâmicas nas chamadas comunidades virtuais – mais especificadamente as do site Orkut.

O Orkut caracteriza-se pela proposta em se constituir em um espaço destinado ao desenvolvimento de comunidades virtuais e um encontro de amigos. Sabemos que até certo ponto tem cumprido seu objetivo. O Brasil assimilou o Orkut de uma forma bastante impressionante. Pelos dados do próprio Orkut representamos hoje a grande maioria de seus usuários(por volta de 51,18%[nov/08])).

Vejamos a descrição do Orkut por ele mesmo: “Com o orkut é fácil conhecer pessoas que tenham os mesmos ‘hobbies’ e interesses que você, que estejam procurando um relacionamento afetivo ou contatos profissionais. Você também pode criar comunidades on-line ou participar de várias delas para discutir eventos atuais, reencontrar antigos amigos de faculdade ou até mesmo trocar receitas de biscoitos.”

Observa-se hoje que o Orkut tem uma movimentação e características próprias e que, se aproxima muitas vezes, de uma dinâmica muito próxima do mundo presencial(optamos por nomear dessa forma, já que chamar de mundo real daria ao virtual, por analogia, a característica de irreal, coisa que está longe de ser; ainda poderia ser chamado de “atual” [Lévy]). Nessa dinâmica encontraremos aspectos que incluem os chamados de positivos ou negativos; construtivos ou destrutivos, legais ou ilegais, espontâneos ou provocados.

Sobre o Virtual e os fakes

Dentro do mundo orkutiano o sujeito psíquico poderá encontrar formas absolutamente diversas de inserir-se nele. Mas, vale sublinhar a partir dessa fase desse trabalho, que ele possui características de tela, levando a um mecanismo que se resumiria dessa maneira: Identificação -> Projeção -> Reação

Por esses aspectos talvez possamos pensar a partir do conceito criado por Melanie Klein de “identificação projetiva”.

 

Em um primeiro momento todos se apresentam com suas características mais idealizadas, procurando comunidades que descrevam aspectos de sua crença, reflexões filosóficas, corrente científica, inserção profissional, etc. Apresentando-se de maneira identificada, a primeira vista, com seus interlocutores. A seguir o fenômeno que acontece, é no mínimo, interessante, realizam-se alguns laços por afinidades e iniciam-se, também, as hostilidades, dessa maneira já operando o mecanismo de projeção, tendo ela características bem regressivas pelo aspecto da fragmentação(ambivalência dissociada). Todos que participam das comunidades do Orkut experimentam o aparecimento desses aspectos da convivência virtual, de maneira mais ou menos intensa, de acordo com seu histórico pessoal.

Observamos o aparecimento repetitivo de algumas dessas dinâmicas psicopatológicas, ao longo de debates, nas comunidades cuja temática giram em torno de temas da psicologia e psicanálise, que na verdade foram as comunidades por nós observadas, não descartamos a hipótese de que as mesmas dinâmicas se reproduzam em outras comunidades. Esse fenômeno está vinculado ao anonimato proporcionado pelos chamados perfis “fakes”, ou como preferimos classificar: “perfis não identificáveis” .

Na comunidade do Orkut intitulada de Wilhelm Reich, seu moderador, experiente terapeuta reichiano, coloca como observação às regras para o seu funcionamento, uma observação muito descritiva dessa dinâmica que relatamos: “Os “fakes” estão presentes em todo o mundo virtual, mas as manifestações de suas presenças devem estar de acordo com as características e objetivos da comunidade. Além do mais, já que estão protegidos pelo anonimato, serão analisados com mais rigor as suas colocações, observações e opiniões exaradas. Serão tolerados… mas correrão sempre o risco de serem expulsos da comunidade. Civilidade e respeito ao próximo são objetivos de pessoas do bem e assumidas em suas identidades.”

Enquanto os outros membros transitam pelas comunidades privilegiando os aspectos mais produtivos de suas identificações/projeções, alguns desses fakes demonstram um distúrbio dissociativo bastante peculiar e interessante. Operam variações entre o mais encantador acolhimento até explosões de ódio e ataque de intensidade bastante impressionante, alguns deles operam ações de agressão própria ao mundo virtual, que muitas vezes irá avançar pelo mundo presencial do sujeito atacado de inúmeras maneiras e quase sempre de forma bem estruturada e direcionada.

 

Psicopatologia psicanalítica

Vamos então descrever em linhas gerais a psicopatologia freudiana, vamos nos ater a ela pela adequação ao que estamos estudando e essa apresentação se dará de forma bastante resumida.

Sabemos que em psicanálise(freudiana) teremos três estruturas diferenciadas: as neuroses propriamente ditas ou chamadas neuroses de transferência, as psicoses,também chamadas de neuroses narcisícas ou narcisistas e finalmente as perversões que dizem respeito em psicanálise a escolha do objeto sexual e a parcialidade das pulsões, sem ter necessariamente relação com os atos de perversidade. Paralelamente teremos as psicopatias que são descritas por Freud como distúrbio de caráter e não doença mental e que pode ter atrelada a ela outros quadros, quase sempre de psicoses ou perversão com o deslocamento do alvo para os atos de perversidade e manipulação do outro. Teríamos hoje o que está se convencionando chamar de a clínica dos borderlines, onde na verdade se centrará aqui essa exposição.

Vejamos então um breve estudo:

 “Perversão: “Diz-se que existe perversão quando o orgasmo é obtido com outros objetos sexuais (pedofilia, bestialidade, etc)…e quando é subordinado de forma imperiosa a certas condições extrínsecas(feitichismo, escoptofilia, exibicionismo, sado-masoquismo), estas podem proporcionar, por si sós, o prazer sexual…

Na mesma ordem de idéias, é corrente falar-se de perversão, ou antes de perversidade, para qualificar o caráter e o comportamento de certos indivíduos que demonstram crueldade ou uma malignidade singulares”.(1)

Psicopatia: Os anti-sociais se escondem em pele de cordeiro, parecem muitas vezes amáveis e solícitos, até que são contrariados ou explodem por algo que lhes acarretou frustração ou não correspondeu às suas deturpadas expectativas. Transtornos anti-sociais (psicopatias e sociopatias) não são considerados “doença mental”, mas sim como propôs Freud, seriam distúrbios de caráter, por conta disso são de difícil identificação e podem ter quadros de doenças mentais acoplados a eles.

Poderemos apenas perceber que constroem uma lógica própria que independe das leis da maioria. Mudam seus discursos de acordo com seus interesses. Não conseguem controlar-se frente a fato de serem confrontados e são capazes de atos cruéis em todos os sentidos(sempre se posicionando como se fossem vítimas da situação por eles mesmos engendrada).

Há que se entender também que traços narcisistas poderão ser encontrados em alguns dos quadros na psicopatologia freudiana e neles operar de maneira diferenciada.

Ama-se segundo o tipo narcisista:

 a) O que se é (a própria pessoa);

b) O que se foi;

c) O que se gostaria de ser;

d) A pessoa que foi, uma parte da própria pessoa.

Iremos ainda conceituar brevemente algumas diferenciações ainda sobre as chamadas psicoses(neuroses narcisistas) e as neuroses propriamente ditas (de transferência).

N. Transferência

<!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Frustração em relação ao objeto

<!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–> Retração da Carga do objeto real

<!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Investimento no objeto fantasiado

<!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Retração do objeto recalcado -> Carga em outros objetos

N. Narcisista

<!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Cessação de carga

<!–[if !supportLists]–><!–[endif]–>Investimento libidinal no eu

Importante ainda pontuar a linha de desenvolvimento:

 Auto-Erotismo – Etapa Anárquica

Narcisismo Primário – Imagem Unificada

Narcisismo Secundário – Investimento próprio Ego.

Psiconeuroses Narcisistas

Ausência de Objeto

Catexia das Palavras

Perversões se caracterizam Por desvios de:

1 – Objeto

2 – Objetivo Sexual

No curso psicossexual normal se encontram rudimentos perversos nas chamadas carícias preliminares e porque não pensar, também, em algumas formas de atuação frente a objetos de investimento.

Interdição como aquilo que sustenta o aparelhamento psíquico..

DUPLA

1º Tempo 2º Tempo 3º Tempo

CÉLULA NARCÍSICA  SEPARAÇÃO  sujeito psíquico

1º TEMPO – Posição psicótica

2º TEMPO – Posição perversa

3º TEMPO – Posição neurótica

1º TEMPO – mãe fálica e filho narcisista

2º TEMPO – castração simbólica – interdita duplamente a mãe e o filho castração simbólica – função de separação

A interdição é tarefa da função pai cria dois sujeitos desejantes.

A mãe precisa reconhecer fora alguma coisa que precisa e o filho deixar de ser um complemento total. “Já que me falta, agora eu desejo”.

3º TEMPO – situação edípica

 <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Identificações

<!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Investimento

<!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Formação do Superego

<!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Constituição do sujeito

Protótipo da lei – interdição do incesto

Os limítrofes e o real

A grosso-modo pode-se dizer que durante aproximadamente os primeiros 50 anos de psicanálise o neurótico domina a cena psicanalítica e que, de lá para cá, as chamadas síndromes limítrofes têm ocupado um lugar cada vez maior na clínica e no pensamento psicanalítico.”(B)

Vamos então estender mais nosso estudo sobre os limítrofes para fundamentar nossa tese de sua atuação dentro das comunidades do Orkut. Entendendo seu funcionamento e seu modelo de relação com o real poderemos inferir algumas hipóteses para seu funcionamento frente ao manejo virtual.

 “Uma classificação bastante didática divide o Transtorno Borderline em 4 grupos clínicos:

Grupo A: Borderline com predomínio de características esquizóides e/ou paranóides, mais próxima das psicoses.

Grupo B: Borderline com predomínio de características distímicas e afetivas.

Grupo C: Borderline com predomínio de características anti-sociais e perversas (corresponderiam ao grupo de Transtorno de Pessoalidade Borderline, propriamente dito, satisfazendo quase todos os critérios do DSM IV).

Grupo D: Borderline com predomínio de características neuróticas (obsessivo-compulsivas, histéricas e fobicas graves).

Esta classificação tem objetivo mais didático que prático, porquanto na prática cotidiana observamos com maior freqüência a ocorrência de casos mistos.”(A)

Citando Winnicott: “Os psicanalistas experientes concordariam em que há uma gradação da normalidade não somente no sentido da neurose, mas também da psicose” (em C)

Completaríamos essa afirmação aqui nesse caso, dizendo que essa gradação se dará em todos os sentidos e referente a todas as estruturas e suas inter-relações.

“Grinker,R.R., fala de quatro níveis de borderline:

Grupo 1- O borderline psicótico – comportamento inapropriado e não adaptado. Deficiente senso de identidade e de realidade. Comportamento negativo e raivoso em relação às pessoas. Depressão.

Grupo 2- O borderline nuclear – Envolvimento flutuante com outros. Expressões abertas e atuadas de raiva. Depressão. Ausência de indicações de um self consistente.

Grupo 3 – Personalidades ‘como se’ – comportamento adaptado e apropriado. Relações complementares. Pouca espontaneidade e afeto em resposta a situações. Defesas: afastamento e intelectualização.

Grupo 4- O borderline neurótico – Depressão anaclítica (semelhante à da infância). Ansiedade. Semelhança com caráter narcisista neurótico. “Influenciado por essa sistematização agrupei esse conjunto humano em borderline pesado (patológico), borderline falso-self e borderline brando (próximo da normalidade)”[Nahman]. Estaremo trabalhando muito próximo dessa classificação de A. Nahman.

Fato é que como muito bem sublinha esse autor acima citado., “O borderline pesado é polissintomático, ambulatório, com dificuldades nas relações pessoais por sua fragmentação ou por suas necessidades narcísicas exacerbadas, com tendência à atuação, com problemas na área afetiva, com questões nas áreas das identificações e identidade, necessitando de uma circunvizinhança humana para atuar os seus fantasmas, com labilidade de humor, com tendência à exagerada dependência afetiva muitas vezes reativamente negada, usando excessivamente a identificação projetiva e introjetiva, com extrema sensibilidade e susceptibilidade, incomumente e seletivamente permeável ao próprio inconsciente, ao inconsciente do outro e à subjetividade circulante.”(B)

O Orkut como depositário da patologia

E como isso tem aparecido nas comunidades virtuais? Levantamos a hipótese que elas têm sido local privilegiado na atualidade para seus “actings”. Para elaborarmos essa hipótese observamos presencialmente por onze meses a atuação de o que chamamos uma “legião de fakes” atuando nas comunidades de Psicologia/Psicanálise de maneira evidente e cruel. Atende às suas necessidades de vínculo permanente, pois podem estar em atuação 24 horas por dia. Isso porque em suas “relações interpessoais: não suportam a solidão e o abandono, necessitam do outro em tempo integral, a todo o momento, são francamente dependentes, masoquistas e manipuladores.”( Gunderson) É nesse aspecto que são atraídos pelas comunidades virtuais, onde a questão do corte temporal inexiste (não há a necessidade do outro estar presente [on] para que se possa estabelecer a “comunicação”), dessa forma tomam conta de determinadas comunidades, impondo um diálogo peculiar, onde passam de extrema cooperação à crises de fúria incontrolável, atacando com violência o membro da comunidade que questiona sua delirante posição de privilégios. Constrói, dessa maneira, no virtual, diferentes aspectos de seu ser, fragmentando-os em parte, criando uma nova classificação que poderíamos, na falta de outro termo ainda consistente, chamar de “múltiplas personalidades virtuais”. Aquilo que não podemos encontrar enquanto realidade em casos descritos de psicopatologia em estudo, vamos perceber atuando com constância nas comunidades virtuais que compõem o Orkut.

Na teia de perversidade impune que lança mão esse sujeito psíquico frente ao virtual , lança sua própria história fragmentada projetando em seus inúmeros personagens, de uma forma infantilmente maniqueísta, seus lados “bondosos” ou “maldosos”, dando existência no virtual ao seu insano diálogo interno, sem dar-se conta, quase em nenhum momento, que ao ocultar-se, na verdade, mais se fará revelar.

Nesse caso em específico, por esse trabalho abordado, descrevemos um tipo de limítrofe com traços de perversão, não no sentido de busca de objeto, mas sim do objetivo, já que esse perderia as características próprias a sexualidade e adquiriria busca de prazer bem longe da genitalização e bem próxima do campo de atuação da patologia(acting out). Encontrando no virtual, ambiente propício para uma atuação longe do alcance da lei, por esse mesmo motivo, seria um campo provilegiado onde inconscientemente estaria operando a NEGAÇÃO (enquanto defesa) da existência da lei(enquanto interditora e formadora do sujeito psíquico). Somente nesse aspecto encontraremos traços de perversão, no restante acreditamos estar lidando com fortes tendências anti-sociais, o que aproximaria ainda mais a tese dos limítrofes na atuação desses fakes.

Vamos então estender mais nosso estudo sobre os limítrofes para fundamentar nossa tese de sua atuação dentro das comunidades do Orkut. Entendendo seu funcionamento e seu modelo de relação com o real poderemos inferir algumas hipóteses para seu funcionamento frente ao manejo virtual.

A tendência anti-social faz parte da família da psicopatia. Ela começa na infância e pode ou não se estender à idade adulta quando ganha outros contornos e outros nomes.”(C)

Ressalta Nahmann também que: “Uma pessoa da linhagem neuróide se frustrada recalcará o seu desejo infantil de onipotência e acederá a uma potência fixando objetivos distantes e de realização gradativa. Na linhagem psicóide o desejo de onipotência não é recalcado, mas dissociado. O que ocupa o lugar da onipotência não é a potência neuróide, mas a impotência psicóide. O borderline ferido em seu narcisismo sente-se impotente e dissocia sua onipotência. Esta, porém, vai reaparecer logo adiante, sendo então este o momento em que a impotência é colocada numa gaveta, não influindo no impulso de onipotência.”(C)

E como poderemos pensar sua atuação dentro de um ambiente virtual, com características bem próprias:

 1- anonimato (sem possibilidade de identificação);

2- possibilidade de projetar no “fake” características que não necessitam comprovação;

3- completa apropriação do discurso do outro como seu;

4- possibilidade permanente de atuar sua dissociação(mais de um perfil: bom X mau);

5- estruturação das idéias deliróides em relatos onde o real não faz o corte;

6- inexistência do corte temporal.

Faremos nesse momento uma impotante ressalva, que tratará de questões referentes a faixa etária envolvida no comportamento virtual/net.

Percebemos que os adolescentes fazem uso permanente dessas características dentro do virtual, de alguma maneira, encontram nesse espaço, o local “seguro” para depositarem suas características de atuação que acontecem dentro de uma normalidade no período da adolescência.

Diz Arminda Aberastury: “O Adolescente se apresenta como vários personagens e, às vezes, frente aos próprios pais, porém com mais freqüência frente a diferentes pessoas do mundo externo, que nos poderiam dar dele versões totalmente contraditórias sobre sua maturidade, sua bondade, sua capacidade, sua afetividade, seu comportamento e, inclusive, num mesmo dia, sobre seu aspecto físico

Essa imensa mobilidade característica da adolescência apresenta-se no virtual. Sabemos que o fato dessas características persistirem em um ser adulto nomeará o aparecimento de outros quadros, perdendo a qualidade de rebeldia e questionamento próprias da adolescência. “Nesse momento se produz um aumento da intelectualização para superar a incapacidade de ação(que é correspondente ao período de onipotência do pensamento na criança pequena). O adolescente procura a solução teórica de todos os problemas transcendentes e daqueles com os quais se enfrentará a curto prazo: o amor, a liberdade, o matrimônio, a paternidade,a educação, a filosofia, a religião. Mas aqui, podemos e devemos traçar-nos a interrogação: é assim só por uma necessidade do adolescente ou também é resultante de um mundo que lhe proíbe a ação e obriga-o a refugiar-se na fantasia e na intelectualização?” Há hoje um enorme impedimento à ação advindo do medo do mundo real violento e ameaçador, pais procuram impedir maiores movimentações físicas e filhos amedrontados se refugiam projetando suas fantasias de realização no virtual. Nada contra, fenômeno passível de estudo na atualidade e não será dele que pretendemos falar. Ele nos serve apenas como ponte para evidenciar que assim como no real, esse comportamento onipotente no virtual vindo de um adolescente tem uma característica e advindo de um ser adulto poderá estar evidenciando um manejo psicopatológico evidente.

Vamos então circunscrever nosso objeto então para não nos perdermos em classificações múltiplas que acabarão por confundir o entendimento sobre o fenômeno que relatamos no presente trabalho.

Estivemos descrevendo aqui um sujeito adulto (idade cronológica), mas com um manejo das relações virtuais que apresenta fortes traços juvenis, com suas características de dissociação e projeção, caracterizando um quadro limítrofe com comportamentos virtuais anti-sociais e perversos no sentido mesmo da realização do prazer pela ação de enganar, manipular, dissociar que faz através da construção de vários perfis não identificáveis a si mesmo(fakes).

 

Na classificação proposta pelo psicanalista Nahmann Armony diríamos que seria o bordeline pesado(patológico).

 

Outras variações em psicopatologia presentes no Orkut

Nesse mundo do anonimato outros tipos de acting, que não somente o borderline perverso, também atuariam de maneiras diferenciadas. Nesse trabalho só pudemos pesquisar um dos tipos. Vale ressaltar que estes relatados aqui, não compõem a totalidade dos fakes. Existem também, os apelidados no mundo virtual de “fakes do bem”, que representam apenas pessoas que, por qualquer motivo, não querem ser identificadas e preferem atuar nessas comunidades compondo um personagem onde algumas de suas características são projetadas, mas percebemos nesses perfis a manutenção de uma ética e coerência com suas estruturas emocionais.

Dentro de outras variações encontraremos grande quantidade de expressão do patológico dentro do mundo do Orkut. Vão desde a combatida propagação da idéia central da pedofilia (perversão propriamente dita), até os ataques mágicos de algo próximo a uma projeção paranóica, passando ainda por melancólicos e expositivos pedidos de ajuda, ou ainda ataques contra-fóbicos aos representante do objeto temido (ex.:homofobia).

Resta-nos talvez pesquisar se, no caso desse anonimato, não seriam atraídos com maior intensidade os traços narcisistas que estão presentes em todos nós, os neuróticos. Se assim ficar evidenciado, teríamos então em mãos um fenômeno de massa a ser detalhadamente descrito. Mas isso consistiria necessariamente em outra etapa dessa pesquisa. Não temos ainda nesse momento elementos que nos permitam afirmar uma coisa ou outra no caso do anonimato fake e sua patologização de maneira generalizada

Propomos então, a partir desse estudo, que sejam criados conceitos que procurem classificar e descrever os vários fenômenos presentes na virtualidade e ainda em estágio de formação. O desenvolvimento desse teatro onde autor e personagem se confundem em uma teia psicopatológica.

Os perfis do Orkut, até mesmo por sua natureza virtual são muito susceptíveis a se tornarem continente de partes excindidas do self, e esse fenômeno ocorre não apenas nos chamados nos perfis ‘fakes’, mas em todos os perfis. A partir dessa projeção, vão se repetir e reproduzir via transferência, todas as situações objetais psicóticas e neuróticas (ou perversas) de seus usuários. A intensidade dessas projeções pode ser um indicativo do grau de psicose nesse indivíduo: quanto maior o uso de mecanismos projetivos, maior a parte psicótica da realidade, pois menor é capacidade de integração do ego.”(E)

Estar presente como espectador interessado num espetáculo ou peça, representa para os adultos o que o brinquedo representa para as crianças, cujas esperanças hesitantes de poderem fazer o que os adultos fazem são, dessa forma, satisfeitas. O espectador é uma pessoa cuja participação é muito pequena, que sente ser um ‘pobre miserável a quem nada de importância pode acontecer’, que de há muito tem sido obrigado a sufocar, ou antes, a deslocar sua ambição de ter sua própria pessoa no centro dos assuntos mundiais; ele anseia por sentir, agir e dispor as coisas de acordo com seus desejos – em suma, por ser um herói…o espectador sabe, muito bem que uma verdadeira conduta heróica como essa seria impossível para ele sem dores, sofrimentos e temores agudos, que quase anulariam o prazer”(Freud)(3b)

Finalização: “O PAI (resoluto, avançando)

Fico maravilhado da incredulidade dos senhores! Não estão habituados, porventura, a ver pularem vivos, aqui em cima, uma diante das outras, as personagens que foram criadas por um autor? Talvez porque não há ali (indica a caixa do ponto) UM TEXTO QUE NOS CONTENHA?…(*)

A ENTEADA (indo ao Diretor sorridente e provocante)

Creia, senhor, que somos verdadeiramente, seis personagens interessantíssimas! Se bem que desperdiçadas!…

O PAI (afastando-se)

Sim, desperdiçadas, isso mesmo! (Ao Diretor, subitamente) No sentido de que o autor que nos criou vivos não quis, depois, ou não pode, materialmente, meter-nos no mundo da arte. E foi um verdadeiro crime, senhor, porque quem tem a sorte de nascer personagem viva, pode rir até da morte. Não morre mais! Morrerá o homem, o escritor, instrumento da criação; a criatura não morre jamais! E para viver eternamente, nem mesmo precisa possuir dotes extraordinários ou realizar prodígios...”(do livro: Seis personagens à procura de uma autor – Luigi Pirandello)

(*) grifo nosso

Considerações críticas

Submetido a tese do presente trabalho para crítica de alguns psicanalistas, recebeu contribuições bastante interessantes e algumas sugestões.

 Destacaremos os comentários a nós enviados pelo psicanalista Alexandre Escaples, por nos trazer uma abordagem mais kleiniana e por ser um usuário freqüente do Orkut. Ele produziu um interessante texto de supervisão desse trabalho que fizemos constar da bibliografia.

Segue parte dessa crítica: “Um ‘fake’ é uma ‘entidade virtual’, um continente (Bion) de uma projeção de uma parte da realidade psíquica, uma parte do ego do usuário do Orkut.” Mas poderíamos ir além e dizer que TODO perfil do Orkut é em certa medida a mesma coisa. A intensidade e a relação do usuário com essa parte excindida creio que seja um objeto interessante de estudo.”

Os perfis ‘fakes’ não apenas são o continente de uma parte excindida do self do usuário, mas eles também atuam a partir desses perfis. E qual seria o objetivo dessas atuações? Minha proposta é que partes não integradas do self atuam a partir desses perfis, provocando nos demais usuários respostas emocionais específicas. Em outras palavras, estamos diante de uma transferência (Freud, 1914): busca-se uma solução para os conflitos do ego, através de relações objetais, nesse caso mais virtuais, e portanto menos suscetíveis a frustrações. Esse mecanismo para mim tem algumas funções básicas:

<!–[if !supportLists]–>a) <!–[endif]–>trabalhar essas partes psicóticas, integrando-as em na virtualidade orkutiana, menos susceptível a frustrações, na esperança da busca de novas possibilidades de integração ao ego;

<!–[if !supportLists]–>b) <!–[endif]–>projeção de um conflito neurótico, onde a parte excindida, nesse caso é o próprio conflito, que se repete nas relações objetais que se estabelecem no Orkut, de acordo com cada resposta que o ego neurótico pode dar ao conflito: neurótico obsessivo ou histérico.

 Essas duas hipóteses básicas não são excludentes. A diferença básica aqui é qual parte do ego é excindida: no primeiro caso se trata de uma parte não integrada, na segunda, uma parte mais integrada, ainda que conflituosa.

Sinceramente não sei se todos os usuários ‘fakes’ podem ser considerados sob a égide de uma estrutura psicopatológica, como a perversão, mesmo os ‘fakes’ do mal. Poderíamos estar diante da ambivalência de um neurótico obsessivo que excinde mais sua parte agressiva, uma vez que pode não consegue integrá-la ou controla-la pelo seu ego.

Uma pergunta interessante: Pode o Orkut, com suas características de comunidade virtual, suprir as necessidade de integração de um ego? Um dos fatores fundamentais na esperança da projeção é que a mãe devolva amor ao seu filho e com isso ele possa se integrar. Citando Empédocles: o amor uni e o ódio separa. Pode o Orkut ser um holding para essa situação? Em minha opinião sim e não. Pode, pois todas as relações humanas podem, mas em um grau muito diminuto, pois o amor, fator integrativo, é algo real, e não virtual. “(E)

Bibliografia:

1.Vocabulário da Psicanálise – J.L. Laplanche e J.B. Pontalis

2Teoria Psicanalítica das neuroses – Otto Fenichel

3Obras Completas Sigmund Freud:

Artigos:

a)Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade – vol VII;

b)Tipos psicopáticos no palco – vol VII;

c)O Caso Schreber e Artigos sobre a técnica – vol XII;

 d)Sobre o narcisismo: uma introdução – vol XIV; e

)Luto e Melancolia – vol. XIV;

f)Alguns tipos de caráter encontrados no trabalho psicanalítico – vol. XIV.

g) FREUD, S. Recordar, repetir e elaborar. Volume XII (1914).

4 “CLASSIFICAÇÃO: EXISTE UMA CONTRIBUIÇÃO PSICANALÍTICA À CLASSIFICAÇÃO PSIQUIÁTRICA?”

In “O ambiente e os processos de maturação”.- Winnicot, D.W. – 5Adolescência Normal – A. Aberastury e M. Knobel

Sites:

A- http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=150&sec=91

B- http://www.saude.inf.br/nahman/borderlineidentificacao.pdf#search=%22Nahman%20Armony%22

C- http://www.saude.inf.br/nahman/tendenciaantisocial.pdf#search=%22Nahman%2Bborderline%2Bcultura%22

D-http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/peter/clausuradofora.pdf#search=%22dissocia%C3%A7%C3%A3o%20esquiz%C3%B3ide%2Bfragmenta%C3%A7%C3%A3o%2Bpsican%C3%A1lise%2Bvirtualidade%22

E- Texto Alexandre Escaples

 

– Literatura:

Seis personagens à procura de um autor – Luigi Pirandello

Filmes Indicados: (clique nas imagens para ler as sinopses)

 

 

http://www.cinematerapia.psc.br/perversoorkut.html

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