Por que a campanha “não vai ter Copa” é irresponsável?

Autor: Miguel do Rosário

 

turismo

 

O gráfico acima foi tirado de estudo da Fundação Getúlio Vargas em parceria com a consultoria Ernst & Young, cuja íntegra pode ser lida aqui.

Para me poupar o trabalho de resumir os números apresentados pelo estudo, transcrevo trecho de post de hoje de Eduardo Guimarães, do blog Cidadania, que já fez o serviço:

Estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com a renomada empresa de consultoria Ernst & Young para o Ministério do Esporte em 2010 diz coisas muito diferentes das que vêm sendo ditas por esses embrulhões do movimento “Não vai ter Copa”.

Segundo o estudo, a Copa irá gerar R$ 183 bilhões de faturamento em um período de dez anos (de 2010 e até 2019) devido a impactos diretos – investimentos em infraestrutura, turismo, empregos, impostos, consumo – e indiretos – via circulação de todo esse dinheiro no país.

Somente em obras de infraestrutura, os investimentos deverão alcançar R$ 33 bilhões, entre estádios, mobilidade urbana, portos, aeroportos, telecomunicações, energia, segurança, saúde e hotelaria.

No turismo, os números apurados pela consultoria mostram que circularão 600 mil turistas estrangeiros e 3 milhões de turistas nacionais, aumentando em cerca de 50% o faturamento do turismo no país – de cerca de 6 para cerca de 9 bilhões de reais.

Somando empregos para trabalhadores permanentes e temporários, eles devem incrementar o PIB em R$ 47,9 bilhões.

Segundo a consultoria citada, “Os R$ 5 bilhões a serem injetados no consumo pela renda gerada por esses trabalhadores equivalerá a 1,3 ano de venda de geladeiras no Brasil ou 7,2 milhões de aparelhos”.

A expectativa é a de que a Copa crie mais de 700 mil empregos entre permanentes e temporários.

FGV e Ernst & Young ainda afirmaram que devem ser arrecadados “R$ 17 bilhões em impostos, o que representará mais de 30 vezes os R$ 500 milhões em isenções fiscais que serão concedidas à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e empresas por ela contratadas para a realização do Mundial”.

Os tributos federais a ser arrecadados com a Copa deverão chegar a R$ 11 bilhões, deixando um saldo positivo de R$ 3,5 bilhões em relação aos investimentos federais na realização do campeonato.

Veja, leitor, o cálculo do faturamento total da Copa, segundo o estudo em tela:

“Os impactos indiretos da Copa na economia do país com a recirculação do dinheiro são calculados pelo estudo em R$ 136 bilhões, até 2019, cinco anos depois da Copa. Um impacto pós-Copa, impossível de dimensionar financeiramente transforma-se em turismo futuro. Além disso, as obras que modernizarão estádios nas 12 cidades-sedes também geram riqueza e impacto no PIB. Este valor, somado aos R$ 47 bilhões dos impactos diretos, leva aos R$ 183 bilhões que o estudo calcula que a Copa vai gerar para o país”.

Então, diante de gastos de cerca de 30 bilhões de reais para realizar a Copa de 2014 no Brasil, haverá um faturamento bruto de 183 bilhões de reais

Publicado originalmente em Tijolaço

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Uma resposta

  1. Isso se trata de uma tentativa de justificar os gastos excessivos.

    Nenhum país do mundo gastou tanto quanto o Brasil para uma copa. E outra, um retorno em 10 anos é um período de longo prazo, e dentro deste período haverá DEPRECIAÇÃO.

    Claramente o autor do artigo não faz ideia do que é PIB, pois ele cita empresas contratadas pela FIFA, que produzem FORA do Brasil, e o PIB considera apenas o que é produzido dentro da fronteira nacional.

    Outra questão claramente errônea, o autor utilizou o termo faturamento com relação a arrecadação de impostos. Novamente ele se confundiu, pois governo não é empresa, existe superavit e déficit. Um superavit de 3.5 bilhões, se não for revertido para consumo ou desenvolvimento, em proporções corretas, é PÉSSIMO para o país, e ele mostra como se fosse uma coisa boa. Superavit não faz parte do PIB. Para tanto, o superavit, ao ser lançado nas contas do governo, tem um sinal de menos a sua frente.
    Com a selic lá em cima, tentando controlar a inflação, com a dívida pública e os juros pagos no período, devido a empréstimos para financiamento da copa, não haverá superavit! Se bobear, isso se tornará um déficit.

    A FGV e a EY não realizaram um estudo envolvendo todos pontos relacionados, mas sim, apenas um cálculo de padaria, entre o que irá arrecadar e o que irá gastar, e ainda, sem considerar os juros e o que será gasto dentro de 10 anos para manter esta infra estrutura.

    Falaram o mesmo daquela arena olímpica no RJ, que foi abandonada as traças.

    Então, quem seria o embrulhão? Os anti copa, ou o Eduardo Guimarães?

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