PSDB, petróleo e interesse nacional:um antagonismo inconciliável

Saul Leblon – Carta Capital

No seminário dos dez anos de governo do PT, realizado nesta 3ª feira, em Porto Alegre, o ex-presidente Lula fez uma ponderação interessante:

‘Quando você ficar em dúvida, feche os olhos, imagine o que seria o Brasil de hoje sem os dez anos de governo do PT’.

Um bom começo é dar de barato que José Serra venceu as eleições em 2002 e seria reeleito em 2006, fazendo o sucessor em 2010.

Nesse Brasil imaginário, caso a Petrobras ainda resistisse, reservas imensas de petróleo seriam descobertas em 2009.

A seis mil metros abaixo da superfície do oceano, o Brasil seria premiado com uma poupança equivalente a 50 bilhões de barris. As maiores descobertas de petróleo do século 21.

O que Serra faria com elas não é preciso imaginar.

Basta reler despachos de dezembro de 2009, da embaixada norte-americana no Brasil, revelados pelo WikiLeaks.

Matéria da ‘Folha de S.Paulo’, de 13/12/2010 transcreveu o teor desses documentos.

Neles, o tucano explicita as consequências para o Brasil, caso as urnas de 2010 transformassem em realidade o país imaginário proposto por Lula.

Trechos da matéria da Folha intitulada ‘Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal’:

“Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse. Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo (realizada por Lula).

As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.

“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.

O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: “Vocês vão e voltam”.

A mudança no marco regulatório do pré-sal, que Serra prometia reverter, restituiu à Petrobras o controle integral de todo o processo de extração, refino e comercialização, esfarelado em 1997, quando o PSDB rompeu o monopólio.

Desde então, a exploração passaria a ser regida pelo modelo de concessão em que a empresa vencedora dos campos licitados se torna a proprietária soberana de todo o óleo.

Em síntese, o Estado deixa de exercer qualquer controle sobre o processo.

No modelo de partilha do pré-sal, que teve oposição virulenta do conservadorismo, a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios que exercerem a exploração.

O óleo extraído será dividido com o país. A presença direta da Petrobrás impedirá manipulações.

Mais importante que tudo: a estatal definirá o ritmo da extração, de modo a viabilizar a pedra basilar do novo marco regulatório.

A regra de ouro consiste em tornar o pré-sal uma alavanca industrializante, capaz de deflagrar um salto de inovação no parque fabril brasileiro.

Cerca de 60% a 70% dos bens e equipamentos requeridos em todo o ciclo de exploração terão que ser adquiridos de fabricante local.

O fracasso desse modelo conta com uma poderosa torcida incrustrada em diferentes setores da economia, da política e da mídia. Local e internacional.

O Brasil que Lula convida a especular felizmente não aconteceu. Mas seus atores potenciais não desistiram de protagonizá-lo.

Um fiasco da Petrobrás no pré-sal é tido por eles como o atalho capaz de materializar a relação de forças que as urnas descartaram em 2002, 2006 e 2010.

Na 5ª feira da semana passada, o arguto José Serra reafirmou essa esperança em um artigo no Estadão em que reitera a incompatibilidade histórica do PSDB com o petróleo brasileiro. Trata-se de uma espécie de atualização histórica do antagonismo entre a UDN e o desenvolvimentismo.

O texto sugere o nome de Lula ao Guinness World Records.

Motivo: o ex-presidente teria empurrado a Petrobrás a uma situação de pré-insolvência, entre outras razões, por ter modificado a regulação herdada do PSDB, no caso das reservas do pré-sal.

Trechos do artigo de Serra, publicado na edição de 09/05/2012 do jornal:

“Em palestra recente afirmei que o ex-presidente Lula mereceria pelo menos três verbetes no Guinness World Records. O primeiro por ter levado à pré-insolvência a Petrobras, apesar de ser monopolista, a demanda por seus produtos ser inelástica, os preços internacionais, altos e as reservas conhecidas, elevadas. Fez a proeza de levar a maior empresa do País à pior situação desde que foi criada, há 60 anos. Promoveu o congelamento de seus preços em reais, instaurou uma administração de baixa qualidade e conduziu a privatização da estatal em benefício de partidos e sindicatos, com o PT no centro. Esse condomínio realizou investimentos mal feitos e/ou estranhos, sempre a preços inflados; queimou o patrimônio da Petrobras na Bolívia; promoveu previsões irrealistas sobre o horizonte produtivo do pré-sal e fulminou, para essa área, o modelo de concessão, trocando-o pelo de partilha, que exige da empresa ampliação de capacidade financeira, administrativa e gerencial impossível de se materializar”.

O tucano causou frisson na rede conservadora, recebendo rasgados elogios daqueles que o consideram dotado de um tirocínio econômico privilegiado.

Três dias depois de sepultada no mausoléu dos grandes fracassos nacionais, a Petrobrás ressuscitou no noticiário.

O mármore da lápide onde o coveiro tucano gravou seu artigo do Estadão dissolveu-se, então, sob o peso de US$ 11 bilhões de dólares.

A montanha de dinheiro foi captada no mercado internacional com a venda de seis tranches diferentes de títulos da Petrobrás, com vencimentos variáveis que se estendem até 2043.

A demanda dos investidores internacionais teria alcançado US$ 40 bilhões, excesso que a estatal declinou.

Os maiores bancos e fundos internacionais negligenciaram a perspicaz avaliação do PSDB e de seu eterno presidenciável sobre a higidez presente e futura da Petrobras, do Brasil e do modelo de extração do pré-sal, que lastreia papeis com horizonte de vencimento de até 30 anos.

Não só. Nesta 3ª feira, infelizmente pelo modelo de concessão ainda vigente em áreas externas ao pré-sal, dezenas de empresas se apresentaram para arrematar campos leiloados pela Petrobras em diferentes regiões brasileiras.

O investimento previsto é de R$ 7 bilhões.

O que evidencia esse exercício frugal de rememoração, inspirado no convite de Lula, é a frivolidade quase caricatural com que o PSDB e seus ventríloquos torturam as palavras ‘desastre’, ‘fracasso’ e ‘crise’, de modo a vesti-las no país e num governo, cujos flancos existem.

Mas, por certo, não serão aqueles diagnosticados por Serra; e tampouco passíveis de superação com a receita conhecida dos herdeiros do udenismo.

Lula e Dilma na frente. Bye-bye Supremo !

O Globope reforça a tese deste ansioso blog: o candidato da elite (es-pecialmente a separatista, de SP) é e sempre será o Cerra. Ele é o rei do recall.

Saiu no Globope, segundo o Estadão:

Dilma supera Lula em pesquisa Ibope sobre a eleição presidencial de 2014

Na pesquisa espontânea, ou seja, sem que o Globope oferecesse nomes aos pesquisados, a dupla Lula Dilma – ou Dilma Lula, é absoluta: tem 47% (ou, 28% para Dilma e 19% para Lula). PHA

Do lado da oposição, apenas três nomes superaram o traço na espontânea: dois tucanos, José Serra (4%) e Aécio Neves (3%), e uma ex-presidenciável que está sem partido, Marina Silva (2%). Juntos, os demais nomes citados somam 2%.

A taxa dos que não souberam dizer, espontaneamente, em quem votariam para presidente se a eleição fosse hoje chegou a 39%.  (…)

Faltando dois anos para a eleição, o total de 44% de eleitores sem candidato é baixo, em comparação a outros pleitos.

Em fevereiro de 2010, oito meses antes de irem às urnas para escolher o sucessor de Lula, 52% não tinham candidato na ponta da língua (Ibope) – e outros 23% citavam o nome do então presidente, que era inelegível. Na prática, só 1 a cada 4 eleitores sabia dizer, espontaneamente, o nome de um candidato viável.

Hoje, segundo o mesmo Ibope, nada menos do que 55% dos eleitores têm o nome de um presidenciável viável na ponta da língua – e 4 de cada 5 desses eleitores citam Dilma ou Lula.

(…)

O que não muda é o fato de o Ibope mostrar que, em dois anos de governo, Dilma deixou de ser um “poste” plantado por Lula, e passou a ter luz própria. O fato de ela liderar sozinha na pesquisa espontânea mostra que seu desempenho no cargo a transformou em candidata natural à própria sucessão, independentemente de Lula.

A presidente é mais citada espontaneamente no Nordeste (31%), na classe C (27%), nas cidades com menos de 100 mil habitantes, por jovens de 16 a 24 anos (31%), por quem tem escolaridade intermediária (29% entre quem cursou até da 5.ª à 8.ª série). Lula vai melhor entre os mais velhos e entre os mais pobres.

(…)

Navalha

O Globope foi às ruas entre 8 e 12 de novembro, quando o Dirceu e o Genoino eram trucidados, sem provas.

Quando prevalecia a versão do jornal nacional, que dedicou ao enforcamento 18′.

O Supremo bem que se esforçou: descreveu a Política como um “jogo desenfreado” e pregou a República dos sábios e puros de Platão: a dos ministros do Supremo.

Porém, o Supremo não elegeu o Cerra em São Paulo.

Nem atingiu o Lula (que já disse que não é candidato) ou a Dilma (que é a candidata, inclusive do PSB).

Clique aqui para ler o que disse o Ciro.

O Globope reforça a tese muitas vezes confirmada deste ansioso blog: o candidato da elite (especialmente a separatista, de São Paulo) é e sempre será o Padim Pade Cerra.

Ele é o rei do recall.

E de recall em recall, com mais grana e mais PiG (*), ele pouco a pouco afoga o Aécio Never na praia do Lido, de Copacabana.

Se, até lá, o Cerra continuar inimputável e o brindeiro Gurgel não investigar a denúncia de aceleração do patrimônio do Aécio em Minas.

Em tempo: o Conversa Afiada não leva essas pesquisas a sério. Trata delas para extrair o significado político que elas querem impôr. O Estadão, por exemplo. Pegou essa pesquisa aí e destacou o fato de o nome da Dilma ser mais citado que o do Lula. É uma tentativa de sepultar o Lula antes de morto. Inútil, como se sabe.

Em tempo2: a Globo não ganha eleição. A Globo dá Golpe.

Clique aqui para ler “Rose é o ‘fato’ que faltava”.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Vitória avassaladora indica a força de Serra

SerragemA vitória de Serra foi amplamente comemorada pelos homens de bem do país

A força está com o representante do bem ungido por São Serapião e pelo partido só de homens  bons para liderar o exército da salvação na cruzada final pela libertação definitiva da nau capitânia paulista das garras ameaçadoras do bolchevismo atroz representadas pela pessoa do candidato do mal, F. Haddad.

José Serra soma mais uma vez a militância num mesmo ideal, enfrentando as mentiras, as falsidades e as enganações petistas, como o documento fajuto, assinado por um sósia comunista, no qual supostamente teria se comprometido com qualquer coisa sem importância para o processo. Assim que sair no Jornal Nacional do Bem o desmascaramento do falso vídeo  (que está em análise pelo Centre de Recherche et Analyse de videos de l’Université Omar Bongo, Gabón), ficará patente a sujeira que os comunistas usam para enganar o eleitor paulistano e eles não terão um voto sequer.

Vídeo grosseiro e falso, que assim como o papelzinho da Folha, não vale nada.

Serra é 45.

Marina era a grande aposta de Serra

Mensagens do consulado do Rio de Janeiro vazadas pelo Wikileaks revelam que Serra apostava em Marina Silva, do PV, como seu grande trunfo para vencer Dilma Rousseff nas eleições de outubro de 2010. O cônsul americano informa ter mantido produtivo bate-papo com o colunista da Veja, Diogo Mainardi, que lhe contou acerca de uma conversa dele com o então governador de São Paulo, José Serra.
Diz o cônsul, logo no sumário de nota vazada, de fevereiro de 2010: “Observadores políticos e representantes partidários argumentam que há possibilidade do provável candidato do PSDB, José Serra, pedir à candidata do Partido Verde, Marina Silva, para ser a sua vice. Enquanto parece improvável que Marina Silva aceite tal papel, a maioria acredita que ela iria, no mínimo, apoiar José Serra no pleito.”
As mensagens da embaixada americana revelam que os representantes diplomáticos dos Estados Unidos monitoravam muito atentamente o desenrolar dos acontecimentos políticos e partidários no Brasil, e seus interlocutores são representantes do tucanato e colunistas da Veja e do Globo.
A nota em questão relata um almoço do cônsul com o “proeminente colunista político da Veja, Diogo Mainardi [que] contou-lhe que sua recente coluna em que propunha aliança entre Serra e Marina nas eleições havia sido fruto de uma conversa entre Mainardi e Serra, na qual o tucano havia dito que ‘Marina era seu vice dos sonhos’. Serra expressou, na conversa com Mainardi, os mesmos argumentos que este usou em seu artigo, que a biografia de Marina Silva e suas credenciais esquerdistas ajudariam a reduzir o impacto do carisma de Lula sobre os mais pobres e deixar Dilma em desvantagem junto ao eleitorado de esquerda, ao mesmo tempo em que minimizaria a associação de Serra ao governo de Fernando Henrique, que Lula/Dilma esperavam usar na campanha.”
Passada as eleições, vemos que, de fato, Marina ajudou Serra, embora não da maneira completa que ele esperava, mas simplesmente dividindo o eleitorado de Dilma Rousseff. Animal político astuto que é, o tucano sabia que a verde era talvez a única maneira de roubar votos do eleitorado lulista/dilmista. Quantas articulações e promessas e ofertas não devem ter sido feitas para tentar seduzir Marina?

Mainardi e Serra, relata o cônsul, acreditavam que Marina fosse apoiar o PSDB.

O colunista não achava que Marina aceitasse o papel de vice, mas que daria apoio ao tucano no segundo turno. Mainardi, que como sempre não acertou uma, diz ainda que, uma hipótese mais realista era Aécio Neves aceitar a vaga de vice de José Serra.

Outro interlocutor do cônsul é o colunista do Globo, Merval Pereira, com quem ele manteve uma conversa no dia 21 de janeiro. Merval diz ao cônsul que conversou com Aécio Neves e que o mineiro afirmou estar “disposto a tudo” para ajudar Serra, inclusive ser vice. Eh cônsul bem articulado, héin? Eh turminha unida! Merval Pereira, Mainardi, Serra, Aécio e diplomatas norte-americanos, lutando juntos por um Brasil mais justo!
Merval Pereira, agora um Imortal da filosofia, disse ao cônsul que “não só acreditava que Aécio Neves toparia ser vice de Serra, como Marina Silva também o apoiaria na disputa”. Ô maravilha de cenário!
Os americanos, no entanto, não são tão bobos quanto Merval. Os diplomatas consultaram outras fontes, não tão otimistas (pro lado do Serra) quanto os colunistas da grande mídia. Falaram com Rodrigo Maia, por exemplo, que naturalmente não achava nada maravilhoso uma chapa puro-sangue do PSDB, nem apreciava tanto uma aliança triunfal com Marina Silva. O próprio cônsul faz observações semelhantes.
O cônsul conversa ainda com os tucanos Otávio Leite (RJ), Antonio Carlos Mendes (SP), Clovis Carvalho, e Marcelo Itagiba. Troca também umas ideias com o senador Agripino Maia. Ao cabo, vê-se que o serviço diplomático americano obtém um conjunto de informações bastante razoável, embora se restrinja a dialogar com as forças de oposição.

Confira a íntegra do documento.

Leia também, sobre o mesmo tema:
– Wikileaks campanha 2010: Serra promete fidelidade canina aos EUA (na mariafro).
– Wikileaks campanha 2010: Bolsa família é direito sacrossanto (no futepoca).

Fonte:http://www.gonzum.com/

Wikileaks: Na campanha eleitoral de 2010 Serra promete fidelidade canina aos EUA

by mariafro

O telegrama traduzido ao final deste post é de 29/12/2009, esses embaixadores estadunidenses fofoqueiros não descansam nem durante as festas!

Por meio dele podemos constatar a subserviência do ex-governador de São Paulo, José Serra que, à época, era o pré-candidato tucano às eleições de 2010.

Indigna-nos, mas não nos surpreende, a subserviência de José Serra aos EUA.  No encontro privado que ocorreu dentro do Palácio dos Bandeirantes com o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA, Arturo Valenzuela, José Serra chorou as pitangas sobre a falta de recursos para a campanha, dizendo que  o PSDB é um partido ‘pobre’, e mesmo sem muita fé de que venceria as eleições comprometeu-se, caso fosse eleito, a conduzir a política exterior do Brasil mais afinada com os EUA.

O comentário feito no item 9 é imperdível. Até mesmo os representantes do governo dos EUA reconheceram que Serra é mal informado e deixam claro que o ciúmes de Serra em relação ao presidente Lula é quase patológico.

Mas Serra não está sozinho em sua postura subserviente: Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Jose Goldemberg, também não pouparam críticas à política externa bastante independente de Celso Amorim, durante o governo Lula, que projetou o Brasil no cenário internacional.

As falas de Goldemberg causam vergonha alheia. Ele se mostra feliz com a tentativa dos EUA de dar as cartas na política externa brasileira; é fã incondicional de Hillary Clinton e todas as performances elogiadas internacionalmente do governo Lula são desaprovadas por Goldemberg. Merece troféu cão fiel dos EUA, vendilhão da pátria.

Outro detalhe interessante deste telegrama é a presença do ombudman da Folha de São Paulo.

Caros leitores, expliquem-me a presença de um ombdsman numa reunião desta natureza. Como diria PHA: é o PIG, a expressão mais fiel dos tucanos, numa reunião tucana com representantes do governo dos EUA para que possam mostrar sua fidelidade canina aos EUA.

Você pode ter acesso ao original deste (veja cablegate de nº 21 assinado por White) e dos demais telegramas do wikileaks sobre as eleições de 2010 ( em inglês) acessando este link.

WikiLeaks

241953/12/29/2009/ 16:5309SAOPAULO667/Consulate Sao Paulo/CONFIDENTIAL
Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.A íntegra do telegrama não está disponível

ASSUNTO: Em São Paulo, líderes políticos expõem preocupações sobre o governo do Brasil ao Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela

1. (C) RESUMO: No trecho final de sua visita de uma semana ao Cone Sul, o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela encontrou-se com figuras expressivas da política local e observadores econômicos em São Paulo, os quais manifestaram preocupações com a política externa do Brasil, gastos públicos e manobras políticas com vistas às eleições de outubro de 2010.

Em encontro posterior, privado, com AV [Arturo Valenzuela], o governador de São Paulo, que está na dianteira das pesquisas de intenção de voto Jose Serra alertou para o fato de que a radicalização e a corrupção crescem no Partido dos Trabalhadores (PT), no governo e sugeriu que, como presidente, conduzirá política exterior mais afinada com os EUA. FIM DO RESUMO.

Em Sao Paulo, observadores políticos e econômicos

2. (C) Concluindo sua visita à região com rápida passagem por SP no sábado, dia 18/12, Arturo Valenzuela participou de almoço oferecido pelo Cônsulo Geral e nove especialistas e observadores políticos e econômicos, entre os quais o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Jose Goldemberg. Valenzuela apresentou panorama genérico de sua viagem e destacou a alta prioridade que o governo dos EUA dá ao relacionamento bilateral. Identificou a cooperação com o Brasil em questões regionais, inclusive Honduras, como tendo “importância crítica”.

3. (C) Todos os convidados brasileiros criticaram a política exterior do governo Lula, manifestaram preocupações sobre a crescente radicalização do Partido dos Trabalhadores e destacaram a deterioração das contas públicas. O ex-ministro RE descreveu a posição do Brasil em relação ao Irã como “o pior erro” da política exterior de Lula. O embaixador Barbosa citou o papel do Brasil em Honduras como grande fracasso. Todos criticaram a atenção que o Brasil está dando em questões internacionais com as quais o Brasil pouco tem a ver e nada a fazer (Irã, conflito Israel-palestinos, Honduras etc.), ao mesmo tempo em que se ignoram questões mais próximas, inclusive as relações com o Mercosul.

4. (C) Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente da empresa Brazilian Center for International Relations (CEBRI) e o professor Goldemberg questionaram especialmente o interesse no Irã, dado o pequeno volume de negócios e pobres perspectivas comerciais e a improbabilidade de qualquer cooperação nuclear. [NOTA: Em conversa particular com o encarregado, Goldemberg, que também é renomado físico nuclear, disse que o Brasil nada tem a oferecer ao Irã, no campo dos combustíveis nucleares, dado que o Irã está muito a frente do Brasil na campacidade para centrifugar. Além disso, registrou que muito apreciou recente advertência da secretária Clinton, sobre países que estejam trabalhando muito próximos do Irã. E que o Brasil deveria levar mais a sério aquela advertência. FIM DA NOTA.]

O assessor-secretário Valenzuela destacou que um Irã, cada dia mais isolado, está à caça de qualquer oportunidade, como a que o governo Lula lhe deu, para esconder a ausência de cooperação e a impopularidade na comunidade internacional.

5. (C) No plano doméstico, os participantes brasileiros explicaram a estratégia do PT de tornar as próximas eleições nacionais um referendum para o governo Lula, que será apresentado como avanço em relação do governo de Cardoso. E todos alertaram para a intenção do PT, de conduzir campanha agressiva. Essa via, disseram todos, pode conseguir apresentar Jose Serra como candidato de Cardoso e ajudará a transferir uma parte da popularidade de Lula para Dilma Rousseff – que jamais concorreu a cargo público e até agora tem mostrado pouco carisma como candidata.

O Ombudsman da Folha de Sao Paulo (sic) Carlos Eduardo Lins da Silva, também presente, destacou que o PT terá força econômica que jamais teve antes, para a campanha eleitoral, depois de oito anos de governo. E o cientista político Bolivar Lamounier disse que um PT cada dia mais radical provavelmente fará campanha negativa contra a oposição. O ombudsman da Folha de Sao Paulo, Lins da Silva, acrescentou que, no caso de o PT não vencer as eleições presidenciais de 2010, com certeza usará a riqueza recém adquirida para trabalha como oposição agressiva.

6. (C) Economicamente, Teixeira da Costa disse que a percepção pública sobre o Brasil estava sendo super otimista e que os mercados despencarão rapidamente, caso a situação internacional se deteriore. Ricardo Sennes, Diretor de negócios internacionais da empresa de consultoria Prospectiva, concordou com a avaliação e disse que as contas públicas estão sob forte e crescente stress. Que a economia brasileira continuava a ser não competitiva no longo prazo, por causa da fraca infraestrutura, alta carga tributária e políticas trabalhistas rígidas. Mas todos concordaram que a forte performance da economia brasileira nos últimos oito anos e a recuperação pós-crise econômica global ajudarão na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Sobre o papel de destaque que o Brasil teve na recente Conferência sobre o Clima, em Conference (COP-15), o professor Goldemberg disse que a performance do presidente Lula foi medíocre. E fez piada, dizendo que o Brasil deixou em Copenhague a impressão de que o Brasil desenvolveu-se muito nas duas últimas semanas. Mas elogiou muito a apresentação da secretária Clinton e disse que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos (não como no G-77) para conseguir fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

O governador de São Paulo, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais

7. (C) Em encontro de 90 minutos, privado, no Palácio do Governo, Jose Serra disse praticamente a mesma coisa sobre tendências da política nacional, corrupção crescente, gastos públicos e política externa.

Serra contou ao secretário-assessor Valenzuela que o Partido dos Trabalhadores está fazendo todos os esforços para construir uma base de poder de longo prazo, agora que conseguiu chegar ao governo. Serra alertou que o Brasil está alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e a coalizão que o apóia usam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Por isso, e porque seu partido (PSDB), segundo o governador, é partido relativamente mais pobre, Serra não pareceu muito firmemente convencido de que chegará à presidência em outubro de 2010.

8. (C) Além de toda a política doméstica, Serra criticou a política externa do governo Lula e sugeriu que, se eleito, dará ao Brasil direção mais internacionalista. Serra citou Honduras como exemplo específico de fracasso do governo Lula, culpando o governo brasileiro e o presidente Zelaya por não deixarem que se construa solução viável. E falou muito positivamente de seu próprio engajamento, em questões de clima, com o estado da California, como exemplo de oportunidade para trabalho conjunto em questões complexas. Mas, reiterando a posição que tem assumido publicamente, Serra criticou a tarifa que os EUA impuseram ao etanol importado do Brasil, a qual, para ele, seria economicamente ilógica.

9. (C) Sobre o crescente populismo na região, Serra disse que a presidente da Argentina Cristina Kirchner pareceu-lhe “cordial e esperta” e sugeriu que, se o governo dos EUA está preocupado com as políticas populistas de Kirchner, muito mais preocupado ficará com a candidata Dilma Rousseff do PT. Alertou também que as referências que o governo dos EUA tem feito sobre uma “relação especial” com o presidente Lula não soa bem em todos os segmentos no Brasil e pode ser manipulada pelo PT. [COMENTÁRIO: À parte a Argentina, Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no cone sul, inclusive sobre a situação política do presidente Lugo do Paraguai, parecendo imerso, principalmente na política brasileira provinciana. FIM DO COMENTÁRIO.]

No final, Serra disse que está trabalhando em vários artigos para jornal, nos quais articulará suas críticas à política externa do governo Lula, a serem publicados nos próximos meses.

Governo de SP desmente Serra sobre linha 6 do Metrô


O então governador de São Paulo, José Serra, declarou, em março de 2008, que as obras da Linha 6 (Laranja) do Metrô seriam iniciadas em 2010 e terminariam, ou em 2012, ou em 2013.

Após muitos atrasos na contratação de projetos e  antes de deixar o governo para se candidatar à Presidência, Serra garantiu que tudo estaria pronto até 2014.

Acuado por esta previsão, o governo de São Paulo se viu obrigado a apresentar uma previsão mais realista: as obras só devem começar em 2013, com a conclusão da primeira etapa em 2017, depois das Olimpíadas e da Copa.

Até lá, moradores de Brasilândia e Freguesia do Ó (Zona Norte), Perdizes e Pompeia (Zona Oeste) terão de continuar esperando. Estima-se que mais de 600 mil passageiros por dia utilizariam este trecho do Metrô.

Fonte: Brasília

Balanço eleitoral e agenda para 2011 pautam última reunião do Diretório do PT-SP

Diretório apresenta roteiro para subsidiar as discussões nos Diretórios Municipais e Macrorregiões. O documento poderá receber emendas até dia 10 de fevereiro de 2011 e poderá ser aprovado na primeira reunião do Diretório, no mesmo mês. Na última reunião ordinária do ano, realizada na manhã deste sábado, dia 27, o Diretório do PT do estado de São Paulo discutiu o balanço das eleições 2010 e as primeiras propostas de uma agenda para o partido em 2011.

Os dirigentes fizeram o debate com um texto roteiro em mãos, que será distribuído aos diretórios para subsidiar a discussão. O texto foi esboçado pelo presidente do PT-SP e deputado estadual eleito, Edinho Silva, que recebeu contribuições da Executiva. O roteiro procura fazer uma síntese do balanço eleitoral e começa a sinalizar para os desafios futuros do partido no estado.

“Esse texto será amplamente discutido pelos dirigentes e filiados e receberá emendas até o dia 14 de fevereiro de 2011”, explicou o presidente, referindo-se à data da reunião da Comissão Executiva Estadual. O roteiro para subsidiar a discussão será distribuído para todas as macros e Diretórios Municipais na próxima semana.

Segundo Edinho, com as emendas, o texto de balanço das eleições será submetido à aprovação durante à primeira reunião do Diretório em 2011, que deverá ocorrer em 19 de fevereiro e que terá o modelo de um Seminário com a participação dos dirigentes, bancadas federal e estadual, prefeitos, coordenadores das macros e outras lideranças. Na ocasião também será discutido um calendário de atividades do partido para o ano.

Na avaliação do dirigente, em 2011, o partido deve retomar o modelo das Caravanas, que foram realizadas em 2009, organizando e mobilizando todo o estado. “Queremos percorrer cada região debatendo a formulação do programa de governo, tática eleitoral, política de alianças para eleições municipais 2012”.

Várias lideranças marcaram presença na reunião, como os deputados Paulo Teixeira, Janete Pietá, Carlos Zaratini, Simão Pedro e o líder da Bancada petista na Assembleia, Antônio Mentor, assim como o secretário de Organização do PT-SP, João Antônio e o presidente do Diretório Municipal da Capital, vereador Antônio Donato.

Leia a íntegra do roteiro de debates:

ELEIÇÕES 2010: AVANÇOS E DESAFIOS

*** Colaboração de Edinho Silva para a reunião da Executiva Estadual
*** Texto apresentado na última reunião da Executiva, dia 08/11/2010, como roteiro para o debate

Após a vitória nacional do nosso projeto com a eleição de Dilma, a primeira mulher a ocupar a Presidência da República, sucedendo o Presidente Lula, um operário, que se tornou o maior Presidente da nossa história e um dos maiores líderes políticos do planeta; após o nosso resultado eleitoral em São Paulo: por 70 mil votos não fomos para o segundo turno e alcançando a melhor marca da nossa história com a candidatura de Mercadante; após garantirmos a nossa cadeira no Senado com a vitória da companheira Marta; após garantirmos o crescimento da nossa Bancada Federal e nos tornamos a maior Bancada da Assembléia Legislativa (Alesp); agora é o momento de olharmos para os nossos acertos, mas também é hora de encararmos os nossos desafios.

É importante lembrar que o PT paulista saiu para as eleições de 2010 em uma situação bastante desfavorável. Lançamos a candidatura de Mercadante em meados do ano, perdendo um tempo precioso para a construção da tática eleitoral. O aspecto positivo é que o PT no estado vinha mobilizando as bases, Macrorregiões e Diretórios, bem como os movimentos sociais, desde 2009, com a organização das Caravanas. Percorremos o interior e toda a região metropolitana, encerrando as atividades na Capital numa mobilização com mais de 10 mil militantes e com a presença de Dilma.

Durante as Caravanas conseguimos debater a conjuntura política que se desenhava para as eleições de 2010 e iniciamos o debate do Programa de Governo para o estado em cada uma das regiões, diagnosticando junto às nossas lideranças as principais demandas das cidades paulistas. Consequentemente, o PT-SP chegou em 2010 com um bom acúmulo de propostas para enfrentar o debate eleitoral.

Mesmo com a construção de nossa tática eleitoral feita de forma tardia, as nossas candidaturas, Aloizio Mercadante ao Governo de São Paulo e Marta Suplicy ao Senado, construíram de forma exitosa o palanque da Dilma no estado. Conseguimos formar uma coligação que foi capaz de aglutinar 11 partidos, os principais movimentos populares e todas as centrais sindicais.

A candidatura de Netinho, do PCdoB, ao Senado Federal cumpriu papel importante na construção da nossa tática eleitoral, abrindo espaço para dialogarmos com setores importantes da sociedade paulista, principalmente a juventude dos setores populares. A sua candidatura reforçou a nossa bandeira de construção da igualdade racial.

Com a candidatura de Mercadante ao Governo, Marta e Netinho ao Senado e os nossos candidatos proporcionais, conseguimos levar para as regiões do estado o debate de projetos. Apresentamos a nossa proposta de um projeto alternativo aos 16 anos de PSDB no estado: o projeto representado nacionalmente pelo Governo Lula/ Dilma que alia desenvolvimento econômico com justiça social. Debatemos nossas propostas para melhorias da educação, da saúde, da segurança pública e, da alteração da política de pedagiamento, que se tornou um limitador para o desenvolvimento regional. Conseguimos debater os problemas de trânsito e transporte e os graves problemas de infraestrutura enfrentados pelas regiões metropolitanas.

Conseguimos polarizar o debate de projetos e, no final, deixamos de ir para o segundo turno com a candidatura de Mercadante por algo em torno de 70 mil votos. Isso mostra que o caminho estava correto. Metade da população paulista votou pela mudança. Votou por um projeto alternativo aos 16 anos de PSDB.

Conseguimos, mesmo com todas as adversidades, fazer com que o Mercadante tivesse um resultado bastante positivo, o maior já registrado no 1º turno no estado de São Paulo, 35,08%. Em 1994, com José Dirceu, registramos 14,9%; em 1998, com Marta Suplicy, 22,5%; em 2002 com José Genoíno, 32,4%; em 2006 com o próprio Aloizio Mercadante, 31,7%.

Na disputa nacional, no primeiro turno, ficamos apenas três pontos percentuais de diferença entre Dilma e a candidatura de Serra à Presidência. Por muito pouco Dilma não ganhou de Serra no “ninho dos tucanos” e no estado onde ele foi governador.

Aumentamos de 14 para 16 a Bancada de Deputados Federais do PT, fazendo um total de 24 parlamentares da coligação.

Elegemos Marta Senadora e saímos das eleições com a maior Bancada de Deputados da Assembléia Legislativa com 24 parlamentares eleitos, ante os 20 que fizemos em 2006. A coligação, no total, tem 27 deputados na Assembléia.

Dos cinco milhões de votos de legenda que o PT teve no Brasil inteiro, São Paulo ofereceu dois milhões, o que mostra que acertamos também na política de valorização da marca PT, quando priorizamos o voto na legenda. O PT-SP sai maior do que entrou nas eleições de 2010.

No segundo turno, a oposição acreditava que São Paulo faria a diferença desequilibrando o pleito nacional, gerando a nossa derrota. Isso não ocorreu. De forma correta, em sintonia com a coordenação nacional da campanha, fortalecemos as nossas agendas nas regiões em que havíamos saído vitoriosos, potencializando as nossas bases eleitorais.

Vale ressaltar também as iniciativas adotadas pela nossa bancada estadual que em mais de uma vez, colocou o PSDB e o Serra na defensiva. Especialmente no episódio ”Paulo Preto”, quando parte da grande mídia foi obrigada a noticiar os fatos, antes escondidos.”

A polarização de projetos, inevitável no segundo turno, fomentou a politização da campanha em São Paulo. Os setores da sociedade beneficiados diretamente pelos avanços proporcionados pelo Governo, e os segmentos progressistas dos setores médios paulistas, mobilizaram-se e defenderam o projeto Lula/Dilma de desenvolvimento com inclusão social, de fortalecimento das empresas públicas, de combate às desigualdades históricas, de autonomia do Brasil perante as grandes potências internacionais e o nosso papel na nova geografia mundial.

No outro pólo da disputa eleitoral, estava o projeto representado por Serra/FHC de desmonte do aparato do Estado, de precarização das políticas públicas, de aprofundamento da exclusão social.
Ao final, registrou-se uma diferença de oito pontos percentuais em São Paulo entre Serra e Dilma. Portanto, aquela avalanche de votos que eles achavam que teriam sobre nós em São Paulo não se concretizou.

Entretanto, o balanço positivo não pode esconder as nossas dificuldades e deficiências no estado mais importante do Brasil. É importante fazermos uma avaliação detalhada dos resultados das urnas. Temos que entender principalmente a complexidade das disputas políticas em São Paulo, a formação socioeconômica do estado e as dificuldades que enfrentamos para dialogar com os setores médios da sociedade paulista.

A RESISTÊNCIA DOS SETORES MÉDIOS PAULISTAS AO NOSSO PROJETO

O melhor método para entender o resultado eleitoral de 2010 é iniciar pelos resultados nacionais. O PT teve muita dificuldade de diálogo no Brasil como um todo com os setores médios da sociedade.

No início das eleições, em boa parte do primeiro turno, os setores médios estavam abertos ao diálogo conosco. Em São Paulo a candidatura da Dilma chegou a abrir uma margem significativa de votos sobre Serra. Chegamos a superar a casa dos 10% de vantagem sobre o candidato no estado.

Os setores médios dialogavam conosco, mas tendo as crises políticas de 2005 e 2006 “debaixo dos braços”. Quando surgiu o caso Erenice, todas as crises enfrentadas pelo nosso partido “foram ressuscitadas” e a oposição criou o grande fato da conjuntura política eleitoral, gerando o segundo turno da eleição nacional. Em São Paulo, o mesmo fato freou o crescimento da candidatura de Mercadante, impedindo a construção do segundo turno da eleição para governador.

Muito mais do que a falsa polêmica sobre o aborto, o fato que interferiu de forma definitiva na conjuntura política eleitoral foi o “caso Erenice” e a recuperação das crises vivenciadas pelo PT em 2005 e 2006.

Não podemos com essa constatação negar que a forma como o tema do aborto foi utilizado pelos nossos opositores, manipulando a religiosidade da população, não tenha estimulado a rejeição ao nosso projeto junto aos setores médios mais conservadores, bem como aos setores populares mais fragilizados, tanto culturalmente, como economicamente.

Cabe aqui um destaque para reflexão futura mais aprofundada. O que se viu no submundo da política nessas eleições não tem precedente na história política brasileira. Os panfletos anônimos, a internet como instrumento da disseminação da mentira, tudo isso merece uma profunda análise e uma revisão na legislação eleitoral.

O sistema eleitoral brasileiro correu sérios riscos. Se fosse vitorioso o método da disputa eleitoral alicerçado no anonimato, na desconstrução de imagens, da propagação de mentiras, as eleições futuras seriam construídas no “vale tudo”, na falta de ética, colocando em risco toda a regulamentação eleitoral e as instituições organizadoras dos pleitos.

Mas, voltando à análise em questão, o PT tem que entender a resistência significativa que se instaurou junto aos setores médios da sociedade brasileira. Ela é real e ficou bastante evidenciada mais uma vez nessas eleições de 2010. Em São Paulo, esse fator teve mais peso que em outras regiões do Brasil, devido à existência de setores médios históricos de maior extensão.

É importante que se pondere que não se trata de uma resistência oriunda dos setores médios ascendentes durante o Governo Lula. Essa se abre para o diálogo conosco. Estamos falando daqueles setores médios históricos, existente antes dos avanços sociais proporcionados pelo Governo Lula, que se origina em outros momentos do nosso desenvolvimento econômico e social e que construiu referências em outras forças políticas. Em São Paulo, uma parte desses setores médios já se referenciou no Ademarismo, no Malufismo, depois no Quercismo. Com o declínio desses projetos políticos, durante o Governo Covas e com a ascensão do Governo FHC, o PSDB fez um giro para a centro- direita e conquistou uma parte significativa desses setores médios do estado de São Paulo, criando um campo político hegemônico muito forte, que representa a maior base social do seu projeto.

Em São Paulo, uma parte desses setores médios já teve simpatia por nós. Se levarmos em consideração as eleições anteriores, por exemplo, em 2002, tínhamos mais facilidade de diálogo com os setores médios mais politizados e mais dificuldades com os setores populares.

Com o Governo Lula, nos fortalecemos muito nos setores populares, que sentiram diretamente os benefícios do Governo. E com as crises de 2005/2006 perdemos significativamente a nossa inserção nos setores médios. Essa leitura das nossas dificuldades é fundamental para que possamos construir os passos futuros.

A NECESSIDADE DE UM GOVERNO DE COALIZÃO

O governo da Dilma tem que ser sustentado por uma coalizão partidária que nos dê sustentação para enfrentarmos a futura agenda para o Brasil: uma agenda que passa pela reforma política (que tem que ser prioridade para o PT); a reforma tributária; uma reforma no modelo de gestão do SUS; a reforma do modelo de segurança pública; a regulamentação da exploração do pré-sal e seus benefícios sociais, entre outras iniciativas importantes para o povo brasileiro.

Para que não haja dúvidas, quando falamos em reforma no sistema SUS, estamos falando de fortalecimento da universalização do atendimento e da completa democratização do sistema. É necessário que se altere a remuneração do Sistema valorizando os municípios que investem no atendimento básico, ou seja, remunerar o fortalecimento dos programas e as metas de redução das enfermidades. Precisamos fortalecer o sistema, mas mudando, entre outras sistemáticas, a concepção de se estabelecer o teto de remuneração da gestão tripartite.

Uma agenda com essa importância para o Brasil tem que ser construída e encaminhada pela coalizão que vai dar sustentação ao nosso Governo. Mas também é fundamental que façamos um esforço de diálogo com a oposição, tentando construir pontos de consenso na agenda de futuro para o país.

Em São Paulo, temos que emitir os mesmos sinais para a sociedade. Somos oposição, temos um projeto para o Estado, mas queremos construir uma agenda para a sociedade paulista e dialogar com as forças políticas para implantá-la.

O PT de São Paulo tem que construir uma agenda política que dialogue com os setores médios, com propostas para a segurança pública, criação de emprego de qualidade, desenvolvimento tecnológico, desenvolvimento sustentável, cultura e lazer, trânsito e transporte nas regiões metropolitanas. Meio ambiente e juventude têm que ser bandeiras prioritárias para o nosso Partido, têm que fazer parte da nossa formulação programática.

O nosso desafio futuro está em manter a nossa base social, dialogarmos com os setores populares, mas também criar espaço na nossa ação política para construção dessa agenda que dialogue com os setores médios. Fazer com que essa agenda política se traduza em ações, em políticas públicas nas nossas prefeituras, na Assembléia Legislativa, nas câmaras municipais. O PT-SP tem que envolver os movimentos populares e o movimento sindical na construção dessa agenda.

UMA AGENDA PARA 2011

Em São Paulo somos oposição, representamos um outro projeto político. Mas temos que deixar claro para a sociedade que vamos construir a nossa ação baseada em uma agenda política e, em uma proposta de políticas públicas para o Estado: reforma da educação, saúde, segurança pública, transporte e trânsito, mudança na política de pedagiamento, valorização do desenvolvimento regional, entre outras, apresentadas pela candidatura de Mercadante no processo eleitoral.

Devemos dialogar com a sociedade paulista a relação do governo com os movimentos sociais não somente denunciando a perseguição a professores e servidores públicos, mas mostrando como os processos permanente de negociação com as representações de servidores públicos e os fóruns mais amplos como o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social contribuíram para envolvimento da sociedade nas alterações que ocorreram no país.

Temos que dar mensagens claras para a sociedade paulista de que a nossa ação contemplará também uma temática importante para os setores médios: empregos de qualidade, desenvolvimento tecnológico, propostas para o trânsito nas regiões metropolitanas, segurança pública, propostas de cultura e lazer para a juventude, a busca da sustentabilidade, entre outros.

O governo do presidente Lula é o que mais tem legitimidade para construir uma agenda de sustentabilidade para o Brasil, pois foi o governo que mais combateu o desmatamento, que mais se preocupou com as questões ambientais, que levou a Copenhague uma agenda, pautando o mundo. O governo da Dilma terá legitimidade para isso. Cabe ao PT construir uma agenda que insira como prioridade o modelo de desenvolvimento que busque a sustentabilidade.

É prioridade quebrarmos o bloqueio que os setores médios têm em relação ao nosso projeto. Precisamos ampliar a nossa base social e, portanto, construir as condições para as nossas vitórias.
Em São Paulo, somos um partido de oposição, temos que valorizar nossas bandeiras, nossa plataforma programática, mas temos que assumir um papel de oposição mais propositiva no estado que dialogue prioritariamente com a sociedade paulista.

É importante ressaltar o trabalho feito pela nossa Bancada na Alesp. Temos uma atuação fundamental dos nossos deputados na disputa de projeto, com uma fiscalização competente e a elaboração de proposituras que reforçam as nossas bandeiras. Infelizmente, todo esse trabalho sério realizado pela Bancada paulista do PT tem pouco enfoque na mídia paulista e, muitas vezes, não chega ao conhecimento da sociedade.

PRÓXIMO PERÍODO

É fundamental que iniciemos o ano de 2011 mobilizando o nosso Partido. Vamos propor para a próxima reunião do Diretório Estadual a construção de uma agenda de mobilização de todo o estado, em que a Direção vá para as Macrorregiões para debater a construção dessa agenda de diálogo com a sociedade paulista. Que no final desse processo possamos ter a formulação das diretrizes de um programa de governo para as eleições de 2012 com propostas “traduzidas” para a realidade de cada município.

Temos que colocar como meta para o final de 2011 a construção das diretrizes do programa de governo, incorporando essa agenda de diálogo com os setores médios, reforçando as nossas propostas de transformação social no Brasil. Mas também é fundamental terminar o próximo ano com a nossa tática eleitoral construída, principalmente nas cidades com mais de 100 mil eleitores.
Ao enfocar as cidades com mais de 100 mil eleitores, não significa que vamos secundarizar as cidades menores. Temos que disputar em condições de vitória todos os municípios paulistas. Significa, sim, a construção de uma meta a ser alcançada.

É prioridade mantermos no estado um campo político que dê sustentação para a nossa ação política. Temos que criar um fórum permanente de diálogo com os partidos políticos que estiveram conosco na última eleição e cabe- nos um esforço para ampliação das nossas alianças. Temos que buscar, respeitando a realidade de cada município, estabelecer como política de alianças para 2012 a consolidação desse campo político.

A construção das condições de vitória em 2014 começa nas nossas ações de 2011. O acúmulo político para 2014 passa pela ampliação da nossa base social, pela nossa capacidade de construir alianças políticas e sociais, pelo nosso estreitamento com os movimentos populares e sindical, mas, fundamentalmente, passa por conseguirmos traduzir a nossa agenda em propostas concretas para a sociedade paulista, principalmente para os setores médios. Podemos sair das eleições de 2012 com uma implantação ainda maior do nosso projeto no estado e, assim, termos dado o passo fundamental para a real disputa de hegemonia em 2014.

Edinho Silva
Presidente do PT/SP, deputado estadual eleito

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