LANÇAMENTO DA CANDIDATURA – EMIDIO DE SOUZA

Prezado (a) Companheiro (a),

No dia 27/09, sexta-feira, em função de outros compromissos na agenda do presidente Lula, vamos antecipar o ato de lançamento da minha candidatura à Presidência Estadual do PT-SP, para às 18h.

Conto com sua presença!

Abraços,

Emidio Pereira de Souza
Tel. +55 (11) 4562-0313
facebook.com/emidiopsouza

LANÇAMENTO EMIDIO

Ponte Preta empata com São Paulo e permanece invicta e dividindo a liderança do Paulistão

Com o resultado de 0 a 0, a Macaca segue na vice-liderança da competição, empatada em número de pontos com o líder Santos

A equipe da Ponte Preta foi até o Morumbi enfrentar o São Paulo e conseguiu somar mais um ponto na classificação, ao empatar com o time da casa por 0 a 0. Com o resultado, o time campineiro permanece invicto e na vice-liderança do Campeonato Paulista 2013, com 14 pontos, mesma pontuação do líder Santos, que está à frente da Ponte pelo saldo de gols.

A próxima partida da Macaca será no sábado (09), às 19h30, em Itu, contra o Ituano, pela 7ª rodada da competição. Para esse jogo, o técnico Guto Ferreira já pode contar com os meio-campistas Bruno Silva e Ramirez, que não estavam à disposição desse jogo por causa de suspensão e convocação para seleção peruana respectivamente.

O Jogo

Debaixo de muita chuva, a partida começou bem disputada entre as equipes, mas sem lances de perigo. Com o início marcado por muitas faltas o jogo ficou truncado. E foi atráves de uma falta que a Ponte teve seu primeiro lance de perigo no jogo.

Aos 20 minutos, Artur desviou de cabeça e quase abriu o marcador para a Ponte Preta, após cobrança de Chiquinho. O jogo permaneceu com muita marcação e sem lances de perigo entre as equipes.

Os donos da casa só chegaram de forma mais forte aos 40 minutos, após bola de Jadson para Osvaldo, que finalizou para fora, sem levar perigo ao gol de Edson Bastos. Quatro minutos depois, a Ponte teve um bom contra-ataque com o atacante William, que recebeu lançamento em profundidade. O atacante chutou cruzado para defesa de Denis. Sem mais chances o primeiro tempo terminou em 0 a 0.

O segundo tempo começa e logo aos 4 minutos a Ponte teve uma grande chance de gol, em chute forte de Chiquinho. O goleiro Denis espalmou para escanteio. O técnico Guto Ferreira decidiu alguns minutos depois modificar a equipe com duas alterações: Alemão no lugar de William e Diego Rosa na vaga de Wellington Bruno.

Aos 18 minutos foi a vez do São Paulo criar uma boa jogada. Osvaldo apareceu livre pelo lado esquerdo e chutou. A zaga da Ponte afastou a bola para escanteio. Aos 25 minutos foi a vez de Aloísio dominar dentro da área e concluir para fora do gol de Edson Bastos.

Três minutos depois a Ponte teve mais um contra-ataque. Chiquinho recebeu passe, mas concluiu para fora. Aos 38 minutos o volante Denilson chtuou de longa distância, sem perigos ao gol de Edson Bastos. Seis minutos depois o atacante Osvaldo pegou de primeira e o arqueiro da Ponte Preta jogou para escanteio novamente. O último lance de perigo do jogo foi da Ponte Preta. Diego Rosa ajeitou de peito e Chiquinhochutou de fora da área. A bola bateu no travessão e saiu. Sem mais lances de perigo entre os times, o placar final foi 0 a 0.

Ficha Técnica:

São Paulo: Denis; Douglas, Lúcio, Rodolfo (Rafael Toloi) e Cortez; Denilson, Wellington (Paulo Henrique Ganso), Jadson (Paulo Miranda) e Cañete; Osvaldo e Aloísio. Técnico: Ney Franco.

Ponte Preta: Edson Bastos; Artur, Cleber, Ferron e Uendel; Baraka, Memo (Xaves), Wellington Bruno (Diego Rosa) e Cicinho; Chiquinho e William (Alemão). Técnico: Guto Ferreira.

Data: 06/02/2013, quarta-feira – 22h00

Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), São Paulo-SP.

Árbitro: José Cláudio Rocha Filho (SP).

Auxiliar: Gustavo Rodrigues de Oliveira (SP) e Edson Rodrigues dos Santos (SP).

Cartões Amarelos: Osvaldo e Rafael Toloi (São Paulo); Chiquinho (Ponte Preta).

Público: 5.685;

Renda: R$152.795,00.

Razões da violência em São Paulo e Santa Catarina: W.Novaes (via leonardoboff)

Que quer dizer exatamente a onda redobrada de violência na Grande São Paulo e interior paulista, Santa Catarina, Goiás, Paraíba, Bahia, Ceará e outros Estados ? O tema está a cada dia mais presente na comunicação e suscita, inclusive em entrevistas e artigos assinados, muitas interpretações. Na verdade, a questão já era muito forte e só agora temos uma nova visão ? Ou se trata de uma escalada na violência ? Por que ? Será coincidência ou um salto de consciência ?
Carmo Bernardes, o falecido escritor mineiro/goiano, costumava dizer que os acontecimentos (e a consciência sobre eles) em nossas vidas não escorrem lentamente, e sim dão saltos repentinos: de um momento para outro vem-nos a consciência de que houve uma mudança forte, um salto. Será assim neste momento ? Ou se trata apenas de coincidência, situações momentâneas ? Por um lado, as estatísticas de crimes mostram que a situação não é nova, embora possa ter-se agravado – apenas se estaria dando mais ênfase. De fato, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, citado pelo ministro da Justiça (ESTADO, 14/11), diz que já tínhamos no ano passado 471,2 mil pessoas presas em 295,4 mil vagas, com um déficit de 175,8 mil vagas e 1,6 preso por vaga. Só no Estado de São Paulo, 195 mil presos, ou 1,9 por vaga. Nas 28 prisões da Região Metropolitana, no ano passado, 43,6 mil presos. E 250 mil pessoas detidas provisoriamente.
Então, por que não percebemos antes a enormidade do quadro, só lhe damos atenção agora ? Há indícios de que ocorreram mudanças importantes e certas coisas parecem mais visíveis. Entre elas, um aparente deslocamento geográfico do crime organizado, em busca de novos territórios, desde que cessou o acordo não declarado que havia no Rio de Janeiro, desde o governo Chagas Freitas, na década de 70, entre a polícia e o tráfico de drogas – “vocês não descem o morro e nós não subimos”. Com a ocupação de morros e favelas pelo programa das UPPs, o crime (drogas, especialmente) teve de migrar – inclusive para fora do Estado. São Paulo e Santa Catarina parecem ser novos territórios, ou a busca deles.
Mas essa busca tem implicado uma escalada. Os comandos de organizações na área do tráfico têm recorrido até à requalificação técnica de seus membros, matriculando-os em cursos que ensinam a manusear explosivos (Folha de S. Paulo, 18/11). Tem significado a exigência de que os devedores aos mandantes do tráfico sejam obrigados a saldar suas dívidas executando policiais – 6 PMs e dois agentes prisionais foram executados em 20 dias (Estado, 15/11), quando 154 pessoas foram assassinadas. Em um ano, foram mortos 93 policiais (19/11) Ordens de ataques têm partido de dentro de prisões (15/11), a ponto de os governos federal e paulista cogitarem de implantar bloqueadores de celulares em presídios, ao custo de R$1 milhão em cada um deles levado para 143 unidades prisionais (19/11). A evidência de que esses novos fatores influenciam a visão das autoridades paulistas está no processo, já iniciado, de transferir líderes de organizações para presídios de segurança máxima fora do Estado (17/11), e no anúncio de que haverá ações importantes em “14 pontos estratégicos do Estado”.
Para completar o quadro da redistribuição geográfica do crime organizado: parece claro que o Centro-Oeste brasileiro transformou-se no ponto de recepção e redistribuição de drogas advindas das regiões de fronteira. Goiânia teve quase 500 homicídios no ano passado, mais de 500 este ano, até agora – quase invariavelmente relacionados com o tráfico e o não-pagamento de dívidas. Rio Verde, cidade de 185 mil habitantes, em 2011, quase 100 assassinatos. Este ano, mais (O Popular, 19/11). De certo modo, os fatos estavam diante dos nossos olhos há muito tempo. Na Paraíba, a Polícia Federal prendeu mais de 30 policiais e agentes de segurança “envolvidos em grupos de extermínio” (Estado, 10/11). De 1984 para cá, escreve o leitor Marcelo de Lima Araújo, mais de um milhão de pessoas foram assassinadas intencionalmente no Brasil”, o “20.o país mais violento do mundo”.
E mesmo deixando de lado as razões sociais desse quadro não há como entrar nessa seara abominável do crime e do crime organizado sem referência à situação calamitosa do Judiciário, que implica também a ausência de ressocialização de quem está na prisão – parte da pena quase inexistente. Nada menos de 423,4 mil processos, ao todo, estão paralisados em tribunais federais e estaduais (Agência Globo, 16/11), aguardando julgamento. Nos tribunais federais nada menos de 26 milhões de processos foram abertos em 2011 (eram 5,1 milhões em 1990). E com isso 90 milhões de processos tramitam nos tribunais.Mas no ano passado, cada ministro do STJ julgou 6955 ações; no TST, 6.299 cada um; no TSE, 1.160. Como dar conta da papelada toda ?
É evidente que nossos modos de viver, acotovelados em grandes cidades e megalópoles, geram condições favoráveis – geográficas, econômicas, sociais, de dificuldade de cobertura policial em toda a área etc. Mas as verbas previstas para construção de presídios até 2014 são de apenas R$1,1 bilhão, com 24 mil vagas implantadas, 42 mil contratadas; apenas 7.106 entregues (Folha de S. Paulo, 18/11). E quanto a novas condições sociais e econômicas nas grandes cidades, não há muitas razões para otimismo. Estudo de 40 especialistas da USP, ao lado de 81 técnicos, para o governo paulistano, diz que “A São Paulo dos sonhos” “poderá estar pronta em 2040”, nas áreas de transportes coletivos, habitação, despoluição de rios etc. E custaria R$314 bilhões.
Haja paciência e fé! E ainda a crença ilusória de que algo será possível, principalmente nas áreas de segurança e justiça, sem reformas mais amplas, de caráter global mesmo. Migração de fatores sociais e da criminalidade, escaladas de violência etc., não se detêm diante de fronteiras municipais, estaduais ou nacionais.

WAHSINGTON NOVAES é um jornalista atento às causas das violências que estão ocorrendo principalmente em São Paulo e em Santa Catarina. Parece que uma orgnização criminosa com algumas características de estado paralelo está se enfrentando com o Estado constitucional.Todos nos perguntamos, sem entender exatamente o porquê deste recrudescimento da violência, com tantas vítimas inocentes e com tantos policiais assassinados. Aqui vai uma reflexão esclarecedora de W.Novaes que acaba de ser publicada em O São Paulo de 23/11/2012 sob o título: “As novas percepções na escalda da violência”.

 

LULA EM SÃO PAULO PODE SER GOLPE FATAL NO PSDB

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Mais do que um capricho do ex-presidente Lula, a conquista do Palácio dos Bandeirantes, anunciada nesta segunda-feira pelo marqueteiro João Santana, é parte essencial do projeto petista de poder. As cartas, pelo lado do PT, já estão na mesa: Dilma é candidata à reeleição, Lula o nome para São Paulo e Fernando Haddad a aposta para o futuro. Será que Geraldo Alckmin é páreo para este exército? E o que José Serra e FHC podem fazer?

247 – Deve-se ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, a revelação política mais importante do ano – que já vinha sendo sussurrada em algumas rodas, mas jamais confirmada. Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, poderá ser o candidato petista ao governo de São Paulo, em 2014. A sugestão foi feita por João Santana, marqueteiro oficial do PT. “Vou fazer uma provocação. É uma pena o nosso candidato imbatível, Lula, não aceitar nem pensar nesta ideia de concorrer a governador de São Paulo. Você já imaginou uma chapa com Lula para governador tendo Gabriel Chalita, do PMDB, como candidato a vice? E mais do que isso. Já imaginou o que seria, para o Brasil, Dilma reeleita presidenta, Lula governador de São Paulo e Fernando Haddad prefeito da capital? Daria uma aceleração incrível no modelo de desenvolvimento econômico e avanço social que o Brasil vem vivendo. [Mas] ele não aceita. Se isso sair publicado ele vai xingar até a minha quinta geração”, disse ele.

João Santana, que, além de marqueteiro, é também um experiente jornalista, não diria o que disse à Folha se não tivesse a certeza de que seria publicado. Mais: provavelmente o fez, com o conhecimento do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff. Com a entrevista, o PT praticamente colocou todas as suas cartas na mesa. Dilma é candidata à reeleição, encerrando as especulações sobre uma eventual volta de Lula em 2014, o ex-presidente é a carta na manga para a conquista do Palácio dos Bandeirantes e Fernando Haddad será preparado para futuras disputas presidenciais.

Diante desse exército, o PSDB corre o risco de sofrer um golpe fatal em 2014. Nas últimas eleições municipais, o PT venceu nas cidades mais ricas do estado, como a própria capital, além de São Bernardo do Campo, Guarulhos, Osasco e São José dos Campos. Irá administrar a maior parte dos orçamentos municipais paulistas e terá plenas condições de organizar uma campanha poderosa rumo ao Palácio dos Bandeirantes.

Do lado tucano, José Serra está desgastado pelas derrotas que sofreu nas últimas eleições, Fernando Henrique Cardoso prega renovação sem apontar novos quadros e Geraldo Alckmin irá desgastado para a tentativa de reeleição. Pesquisa Datafolha publicada neste domingo aponta queda acentuada de sua popularidade, em função da escalada da violência em São Paulo.

Mais do que um simples capricho de Lula, a conquista da maior fortaleza tucana em 2014 desmontaria a única máquina política que hoje é capaz de rivalizar com o PT e tem grande influência sobre os meios de comunicação. “Lula não tem um projeto pessoal de poder”, disse Paulo Okamotto, seu braço direito, no dia da comemoração da vitória de Fernando Haddad. “Seu projeto é o PT”.

Nos próximos meses, a guerra política tende a se acentuar, com a intensificação dos ataques a Lula. Em 1946, Getúlio Vargas, que era odiado pela elite de São Paulo, em razão das feridas de 1932, concorreu pelo estado e foi o senador mais votado do País. Lula, inspirado em Getúlio, pode estar

Após as eleições – Vladimir Safatle

As eleições municipais deixam questões importantes ­referentes ao desdobramento da política brasileira dos próximos anos. Novos fenômenos parecem se configurar lentamente e que podem ganhar forma mais definida daqui para a frente.

O primeiro deles diz respeito ao eixo de conflito no cenário político brasileiro. Tal eixo se duplicou. Até agora, os embates realmente decisivos deram-se entre a oposição e o bloco governista. Mas, por um lado, a oposição hoje se resume a um só partido, o PSDB. Os outros dois sócios preferenciais, DEM e PPS, estão em processo lento e contínuo de desintegração. Isso faz com que o PSDB acabe por ser a legenda de ressonância de todo o espectro da oposição, de liberais egressos das fileiras da esquerda moderada a pastores que transformam o combate à modernização dos costumes em bandeira política e coronéis de polícia que não temem em afirmar que “bandido bom é bandido morto”.

Por outro lado, um novo eixo de conflitos se configura. Ele concerne os embates, cada vez mais violentos, no interior da própria coalização governista. A linha de conflito entre PSB e PT é apenas o exemplo mais evidente dessa tendência. Devemos lembrar também o verdadeiro embate entre PT e PRB em São Paulo. Ele é mais interessante por mostrar o resultado da ausência de basteamento ideológico do lulismo. PT e PRB disputaram os mesmos votos da chamada nova classe média que vive nas periferias de São Paulo. Uma disputa que mostra como o lulismo podia abrigar tanto a adesão ao PT quanto a simpatia pelo populismo conservador de Celso Russomanno.

Em conferências e artigos, insisti que Russomanno deveria ser compreendido como uma espécie de filho bastardo do lulismo muito bem adaptado a um processo de ascensão social pautada pela integração por meio da ampliação das possibilidades de consumo, e não da solidariedade social pela constituição de serviços públicos gratuitos de qualidade. Ele ainda tinha vantagem de não precisar representar um conservadorismo anti-Lula, verdadeiro calcanhar de aquiles dos embates eleitorais brasileiros.

Alguns viram na fantástica desidratação de sua candidatura a expressão do caráter equivocado dessa análise. Não creio, porém, que seja verdade. Sua votação continuou incrivelmente expressiva, ainda mais por se tratar de um candidato sem estrutura partidária. Sua votação mais que triplicou em São Paulo em relação à sua última candidatura a governador.

Ficou claro que Russomanno ganhava votos nas bases orgânicas do lulismo. Se esses votos migraram novamente para o PT, tal fenômeno deve ser creditado, entre outras coisas, à incrível inabilidade do candidato do PRB em garantir novos tetos de credibilidade diante de ataques cada vez mais pesados. Mas fica o fato de ele expor a ausência de basteamento ideológico do lulismo e sua fragilidade eleitoral evidente. Russomanno expõe um eixo de conflito na política brasileira que gira em torno dos espectros ideológicos no interior da própria coalização heteróclita que caracterizou esta última década da política brasileira.

Vale salientar mais dois fenômenos importantes. O primeiro deles diz respeito à abertura para o desenvolvimento de uma esquerda fora do espectro do PT. Um dos partidos que tiveram maior crescimento proporcional de votos foi o PSOL, graças à suas candidaturas no Rio de Janeiro e em Belém. A votação no Rio foi um fato impressionante, se levarmos em conta a ausência de tempo de televisão e de infraestrutura de campanha. Caso isso continue nas próximas eleições, teremos um partido de extrema-esquerda que se coloca como a segunda legenda em um dos estados mais importantes da federação.

O outro fenômeno: a comparação entre as votações do Rio de Janeiro e de São Paulo expõe algo de interessante referente à ideologia política nacional. O mapa dos votos de São Paulo, acrescido a uma pesquisa que organizava os eleitores no espectro polar entre conservadores e liberais, mostra como há uma unidade territorial e perenidade temporal conservadora claramente definida em São Paulo. Os eleitores de Pinheiros ou do Jardim Paulista não são simplesmente antipetistas. Eles são organicamente conservadores, pois votam em candidatos conservadores desde há muito de maneira ininterrupta. Seu voto não é um voto de desencanto com o governo federal, mas um voto de explícito apoio ideológico, mesmo que eles não saibam.

Como explicar que eles continuem a votar entusiasticamente no pai espiritual de um dos prefeitos mais mal avaliados do País e da história recente da cidade? Que tipo de indignação moral seria esta que os move e que é surda para todos os casos de corrupção da prefeitura, do mensalão tucano e das acusações contra José Serra ligadas ao processo fernandista de privatização? Nesse modo de avaliação, os eleitores da classe média carioca são muito mais flexíveis do ponto de vista ideológico. Podem ir da extrema-esquerda do PSOL ao liberalismo cool de Fernando Gabeira.

Datafolha: Serra estaciona e Haddad sobe 5 pontos percentuais

 

O instituto de pesquisa Datafolha divulgou na noite deste domingo o resultado da última pesquisa de intenção de votos pela prefeitura de SP. Com menos de quatro meses para a disputa, o ex-governador de São Paulo e pré-candidato à prefeitura José Serra (PSDB), continua líder das pesquisas de intenção de votos pela disputa da prefeitura paulistana.

Com 30% dos votos, Serra continuou com os mesmos pontos percentuais da última pesquisa realizada pelo Datafolha em março deste ano. Atrás do tucano está o pré-candidato do PRB e ex-deputado federal Celso Russomanno (PRB), com 21% Russomanno subiu dois pontos percentuais e disputaria o 2º turno das eleições com Serra.

Com o apoio  do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e uma aparição no Programa do Ratinho do SBT ao lado do ex-mandatário da nação, Fernando Haddad (PT) subiu 5 pontos na pesquisa, e chegou aos 8%. O pré-candidato do PMDB e deputado federal Gabriel Chalita apresentou uma queda de 1 ponto percentual na pesquisa, atingindo 6%.

A pré-candidata Soninha Francine (PPS) subiu 1 ponto percentual e ultrapassou Chalita. Com 8% da intenção de votos, ela está empatada na terceira colocação com Fernando Haddad. O pré-candidato e vereador Netinho de Paula (PCdoB) também está com 7%, ele perdeu três pontos percentuais e está empatado tecnicamente com Gabriel Chalita na quinta colocação.

A pesquisa entrevistou mil pessoas entre os dias 13 e 14 de junho, e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) com o número SP-00075/2012. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Nós, mulheres da periferia

BIANCA PEDRINA, JÉSSICA MOREIRA, MAYARA PENINA, SEMAYAT OLIVEIRA E PATRÍCIA SILVA

 

Sempre escutamos frases como “ela é formada, mas não na USP” ou “ela é ótima, mas mora longe”, mas o tempo ensina a não ter vergonha da periferia

Se a periferia tivesse sexo, certamente seria feminino. Como coração de mãe, ela abraça os seus filhos sem distinção, sem ver se é belo ou feio, dentro ou fora dos padrões.

No dicionário, periferia é a região mais afastada do centro. Um termo que designa apenas um espaço geográfico, não o pior lugar da cidade.

Em São Paulo, há mais de 650 mil mulheres vivendo na periferia -e presentes em toda a cidade, trabalhando, estudando e saindo com os amigos. No Brasil, quase 22 milhões de mulheres são chefes de família.

E para quem é considerada uma favelada, alcançar o ensino superior é quase impossível. É como se ela nascesse com seu destino determinado. Jamais vai ter dinheiro para pagar a universidade e a escola pública não vai prepará-la.

Mas agora, belas, agressivas, cheias de gana e autoconfiança, essas mulheres estão driblando as dificuldades para ascender socialmente. Passaram a incluir mais uma atividade em sua dupla jornada, que se tornou tripla, pois também estudam.

Hoje, mais do que nunca, mães que não tiveram oportunidades de ensino podem sonhar com o estudo dos seus filhos. Na periferia, a mãe tem orgulho de dizer à patroa que seu filho “fez faculdade”.

Não que o diploma de ensino superior tire a sensação de ser marginalizada. “Ela é formada, mas não na USP. É uma ótima profissional, mas mora muito longe.” Essa é a realidade de muitas das 3,6 milhões de brasileiras que fazem faculdade.

Situação que apaga e esconde diversas características da população que está longe dos grandes centros. A periferia tem, sim, pessoas interessadas em arte, moradores engajados em movimentos sociais e políticos que querem mostrar a pluralidade deste “outro mundo”.

Yhorranna Ketterman, moradora de Taipas, zona norte de São Paulo, é um exemplo. Ficou grávida aos 17 anos. Sugeriram que ela abortasse, ela recusou. Aos 28 anos e com dois filhos, Yhorranna sonha com uma casa, pois vive em uma moradia irregular. Na favela onde mora, os becos são apertados. Ao abrir a porta, só vê casas coladas -ao menos pode pedir para a vizinha ficar de olho nas crianças quando vai trabalhar.

Ela é metalúrgica e se separou do marido depois de uma briga que a deixou com o dedo torto. Já apanhou, mas também bateu. Como mulher forte que é, decidiu fazer a operação para não ter mais filhos, encarando o machismo do então parceiro, que não quis fazer a vasectomia.

Sozinha e chefe do lar, Yhorranna manda na sua vida.

Não basta, no entanto. Quem de nós nunca ouviu a famosa afirmação: “Você não parece que mora na periferia.” Bom, até onde sabemos e vemos, as mulheres da periferia não têm apenas um padrão de beleza, não usam as mesmas roupas e não gostam de um único tipo de música.

Somos negras, brancas, jovens, idosas, mães de outras meninas. Gostamos de fotografia, balé, funk, teatro. Na entrevista de emprego, o local onde moramos cria constrangimento. “Sim, tomo ônibus. Trem. Dois metrôs. E ônibus de novo.” No happy hour, é comum escutar: “Lá entra carro? Essa hora é perigoso. Quer dormir na minha casa?”. A resposta é não. Saímos cedo, voltamos tarde, mas sempre voltamos.

Trabalhamos perto, trabalhamos longe, dirigimos carros, usamos ônibus. Somos várias, diferentes histórias, o mesmo lugar. É impossível nos reduzir a um estereótipo.

Com o tempo, a mulher aprende a dizer que seu bairro não é tão perigoso quanto pregam. Aprende a não ter vergonha de dizer que é da periferia, pois é lá que estão suas raízes e tudo aquilo que aprendeu.

Ser mulher na periferia é também esperar mais de um mês para ir ao ginecologista. É não conseguir creche para seus filhos. Mas nada disso intimida. Nesta semana da mulher, vale lembrar que pobreza maior é não ter espaço para ser. Na periferia, elas são: mulheres guerreiras.

 

 

BIANCA PEDRINA, 27, é jornalista e mora em Taipas
JÉSSICA MOREIRA, 20, estuda jornalismo e mora em Perus
MAYARA PENINA, 21, de Paraisópolis, estuda jornalismo
SEMAYAT OLIVEIRA, 23, jornalista, vive na Cidade Ademar
PATRÍCIA SILVA, 23, é jornalista e mora no Campo Limpo
Todas são correspondentes do blog Mural, da Folha.com

Alianças em SP afetam negociação de ministérios

Autor(es): Por Fernando Exman | De Brasília
Valor Econômico – 02/03/2012

A disputa pela Prefeitura de São Paulo e as articulações relativas à candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad tornaram-se as engrenagens centrais dos novos ajustes da presidente Dilma Rousseff no primeiro escalão do governo federal.

Depois de integrar o PRB ao Executivo, Dilma sinaliza a possibilidade de tirar o comando do Ministério do Trabalho do PDT e fortalecer os laços do governo com PSC e PTB. O movimento pode levar o deputado Hugo Leal (PSC-RJ) ao Ministério do Trabalho. Em São Paulo, entretanto, até agora o PSC está próximo ao deputado Gabriel Chalita (PMDB), candidato patrocinado pelo vice-presidente Michel Temer.

Ontem, Dilma foi visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encontro que não estava previsto na agenda da presidente e foi mantido sob sigilo pelo Palácio do Planalto durante grande parte do dia. A presidente está insatisfeita com a infidelidade de seu ex-partido, o PDT, em votações de interesse do Executivo no Congresso, como a que criou a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp). Além disso, o PDT paulista tem sinalizado que poderá lançar candidatura própria ou até mesmo aliar-se ao PSDB nas próximas eleições. O PDT tem uma bancada de 26 deputados, enquanto um bloco formado por PTB e PSC poderia garantir 38 votos ao governo.

“Temos um pacto de os dois partidos caminharem juntos”, explicou o líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO). “Temos esse compromisso de votar juntos.”

Já o PR, que tenta retomar o controle do Ministério dos Transportes, ameaçou lançar o deputado Tiririca como candidato próprio e disse não ter problemas em reforçar o palanque de Serra em São Paulo. O partido resiste à ideia de assumir o Ministério da Agricultura e ceder o Ministério dos Transportes ao PMDB. Ontem, o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), reuniu-se com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para cobrar a liberação das emendas ao Orçamento apresentadas pelos parlamentares da sigla.

Inicialmente, Dilma havia assegurado que evitaria participar da campanha eleitoral nas praças em que os partidos de sua base de sustentação no Congresso estivessem divididos. Nos últimos dias, abriu a primeira grande exceção. Disse em conversas reservadas que poderia entrar na eleição paulistana, dependendo de quem fosse candidato. O interlocutor da presidente não teve dúvidas: Dilma se referia ao ex-governador José Serra (PSDB), que acabara de anunciar sua pré-candidatura a prefeito de São Paulo e foi seu adversário na última disputa presidencial.

O lance seguinte da presidente foi demitir o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) do Ministério da Pesca e Aquicultura para aproximar o PRB e os evangélicos da candidatura do ex-ministro da Educação Fernando, nomeando para o cargo o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Além de impulsionar as negociações entre o PT e o PRB de São Paulo, a nomeação de Crivella, que é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, pode reduzir as críticas do eleitorado evangélico a Haddad. Essa parcela da população condenou fortemente a elaboração, pela gestão de Haddad na Pasta, de um material contra a homofobia, o qual foi apelidado de “kit gay”.

“São Paulo é o centro nervoso do país e onde a oposição está encastelada”, afirmou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), para quem a capital paulista abriga a elite mais retrógrada do Brasil.

Para o petista, o ideal seria que todos os partidos que integram a coalizão governista estivessem unidos já no primeiro turno em torno da chapa a ser liderada por Haddad. O PMDB, sugere, indicaria o vice da coligação.

No entanto, os pemedebistas não só descartam a ideia, ao reafirmar a candidatura do deputado Gabriel Chalita, como já começam a se incomodar com os movimentos de Dilma e seus articuladores políticos. Avaliam que nacionalizar a campanha de São Paulo só interessa a José Serra, que já declarou ter um desejo “adormecido” de voltar a concorrer à Presidência da República.

Além disso, o PMDB negociava uma composição com o PRB. Queria que o partido de Crivella indicasse o também pré-candidato Celso Russomanno, primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, para vice de Chalita. Mas o partido foi surpreendido pela nomeação do senador. A presidente Dilma Rousseff sequer avisou o vice-presidente Michel Temer da mudança que faria na Esplanada dos Ministérios.

Tucanos ameaçam retaliar PSB em SP

Valor Econômico

O presidente estadual do PSDB em São Paulo, Pedro Tobias, afirmou ontem que seu partido só apoiará candidatos do PSB em cidades como Campinas, São José do Rio Preto e São Vicente, onde já vigora um acordo entre as duas siglas, se os tucanos receberem a contrapartida na eleição à prefeitura da capital paulista.

“Temos uma conversa boa com o PSB, mas apoio tem que ser recíproco. Se eles não nos apoiarem em São Paulo, não vamos participar da coligação deles nessas cidades”, assegurou.

Segundo Tobias, o presidente estadual do PSB, Márcio França, que é também secretário de Turismo do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), é o principal interlocutor do partido nas negociações e quer a aliança. Eduardo Campos, presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, já conversou com Alckmin a respeito, mas não foi fechado um acordo. “Pelo que vejo na imprensa, Campos prefere aliança com o PT. Temos que definir essa situação logo”, avaliou.

O PSB aposta forte na eleição do deputado federal Jonas Donizette (PSB), que lidera as pesquisas de intenção de voto em Campinas, terceira maior cidade do Estado. Em São José do Rio Preto, o prefeito Valdomiro Lopes (PSB) concorrerá à reeleição. Em São Vicente, o vereador Caio França, filho de Márcio França, deve concorrer à prefeitura.

Outro partido que desperta interesse dos tucanos, o PDT confirmou semana passada a candidatura do deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. O presidente municipal do PDT, vereador Cláudio Prado, admite ter poucas chances de atrair outras legendas, o que deixará Paulinho com pouco tempo de televisão, mas acredita que a candidatura aumentará a bancada na Câmara Municipal, hoje de apenas um vereador. “Acho que numa campanha com propostas trabalhistas podemos chegar a três ou quatro vereadores”, afirmou Prado

PT redefine aliança e estratégia eleitorais

Por Cristian Klein e Cristiane Agostine

Valor Econômico – 28/02/2012

As primeiras reações do PT à entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo foram de confiança, reavaliação de estratégia e subida no tom das críticas à administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que, agora, deverá se aliar aos tucanos e não mais à candidatura petista do ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

Mesmo com dificuldade de firmar alianças com legendas que lhe dão sustentação no governo federal, o PT espera o apoio de partidos como o PCdoB, o PDT e especialmente o PSB. Em entrevista à imprensa ontem, na sede do partido em São Paulo, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, líder do PSB, teria firmado uma espécie de “compromisso pessoal” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que sua sigla apoiasse a candidatura Haddad, em São Paulo, independentemente de outras negociações no restante do país.

“O governador Eduardo Campos já se comprometeu a tratar São Paulo fora de qualquer outro tipo de tratativa. Quase que um compromisso pessoal dele com o [ex-] presidente Lula”, disse Falcão, ao negar que a eventual retirada do apoio do PT à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), possa levar a uma retaliação de Campos em São Paulo.

O apoio seria importante pois o PSB paulista, dirigido pelo secretário estadual de Turismo, Márcio França, está próximo do governador Geraldo Alckmin e já deu declarações de que o partido tenderia a se coligar com o PSDB. Segurar o PSB poderia conter um clima de revoada e impedir que outra legenda da base federal, o PDT, também aliado de Alckmin, confirme sua presença na coligação tucana.

Falcão afirmou que uma quebra deste suposto compromisso do PSB não significaria uma traição aos petistas e a Lula. Mas, num recado indireto, disse que o “PT mantém coerência nas suas alianças”. O dirigente afirmou que a entrada de Serra no cenário pode até facilitar a vitória petista, ao mencionar a taxa de rejeição do ex-governador, e a possibilidade de o PT aglutinar as legendas da base federal uma vez que o tucano – que concorreu e perdeu duas eleições à Presidência contra o PT – aumentará o potencial de nacionalização da disputa.

Com Serra, o PT também parece ter mudado seu discurso em relação à melhor estratégia para voltar à Prefeitura de São Paulo. Se até agora, a legenda tentava persuadir o PMDB para que desistisse de lançar o deputado federal Gabriel Chalita à disputa, para compor uma chapa forte, encabeçada pelos dois partidos com maior tempo no horário eleitoral gratuito, a sigla já aponta vantagens na existência da candidatura pemedebista.

Ontem, Fernando Haddad disse que, em princípio, não insistirá na aliança com o PMDB no primeiro turno e aposta em Chalita para tirar votos de José Serra.

“Tenho algumas dúvidas se é preciso unificar o campo progressista na cidade de São Paulo. Tenho dúvidas a respeito disso. Não vejo como um problema mais de uma candidatura de partidos da base aliada”, afirmou. Segundo o petista, o PT não deve pressionar o presidente nacional licenciado do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, a retirar a candidatura de Chalita em São Paulo.

Na análise de petistas, Chalita ajudaria a tirar votos do PSDB, por ter um eleitorado semelhante ao dos tucanos.

O PT já trabalha com um cenário eleitoral com dois turnos e espera o apoio do PMDB no segundo. “Pode haver um acordo [no primeiro turno]? Pode. Mas não vejo como uma condição sem a qual nós não possamos nos apresentar corretamente. Nós vamos ter um tempo [de televisão] satisfatório para apresentar nossas propostas”, comentou Haddad, ao visitar bairros da zona norte da capital.

O PT tem direito a pouco mais de quatro minutos no horário eleitoral gratuito. A aliança com o PMDB poderia render mais quatro minutos no tempo de televisão, o que ajudaria o pré-candidato petista – pouco conhecido pela população – em uma disputa contra Serra, ex-prefeito e ex-governador.

Haddad disse que não se surpreendeu com a entrada de Serra no cenário eleitoral em São Paulo e comentou que, das seis eleições do século XXI, o tucano irá para sua quinta disputa. “Qual a surpresa?”, questionou, ao falar sobre o tucano. O petista comentou que o ex-presidente Lula viu “com tranquilidade” a pré-candidatura de Serra.

Haddad reforçou que a candidatura Serra e a aproximação de Kassab ao tucano o deixarão à vontade para intensificar as críticas à gestão municipal. “Fico mais tranquilo porque vou poder representar melhor as ideias que acredito”, comentou. “Temos que apresentar propostas de mudança”, disse.

A elevação do tom oposicionista já começou. Rui Falcão disse que, apesar da disputa em São Paulo ser marcada pela nacionalização do debate, Serra e Kassab terão de responder pelas questões locais, pela “política higienista”, pela “cidade devastada”, com crise na saúde, com um “déficit abissal” de mais de 100 mil crianças fora da creche, e os problemas de mobilidade urbana e reajuste de tarifa de transporte público acima da inflação

Por que Datafolha esconde líder da pesquisa em SP?

 

Por Ricardo Kotscho em 31/01/2012 na edição 679

Reproduzido do blog do autor, 30/1/2012; título original “Por que Datafolha esconde líder da pesquisa em SP?”, intertítulos do OI

Há modos e modos de se divulgar os resultados de uma pesquisa. Cada um escolhe a que mais lhe convém. Como nas decisões judiciais, convencionou-se dizer que critérios editorias não se discutem, em nome do direito sagrado da liberdade de imprensa.

Tudo bem, mas também não é preciso exagerar nem achar que ninguém vai perceber a manipulação.

“Disputa pela prefeitura segue estável, diz Datafolha”, informa o título da matéria publicada pela Folha de S.Paulo no domingo (29/1). O subtítulo acrescenta: “Maioria dos paulistanos desconhece os principais nomes à sucessão municipal”.

O principal destaque do texto é sobre um não candidato: Serra é o tucano mais bem posicionado, mas possui rejeição alta e tem dito a partido que não é candidato.

E daí? Até este ponto, o leitor ainda não foi informado quem é o líder na pesquisa sobre a disputa eleitoral na maior cidade do país. Este detalhe só vai aparecer no terceiro parágrafo da matéria assinada por Uirá Machado de uma forma bem enigmática:

“Um dos que apresentam melhor desempenho continua sendo Celso Russomanno (PRB), que oscila de 17% a 21 % e lidera quatro dos cinco cenários pesquisados”.

Sujeito oculto

Quais são estes cenários? Os leitores da Folha não têm o direito de saber? Deve ter sido a primeira vez, desde a criação do instituto, em 1983, que o jornal publica uma pesquisa sobre intenções de voto sem nenhum gráfico mostrando os resultados nos diferentes cenários possíveis.

Ao lado da matéria publicada discretamente na dobra inferior da página A8, aparecem apenas duas tabelas com o grau de conhecimento e o índice de rejeição dos 14 candidatos pesquisados, além da “força dos padrinhos” (49% votariam num candidato apoiado por Lula e 34% pela presidente Dilma).

Aos mais curiosos, o jornal explica: “No único quadro que Russomanno não lidera, ele fica atrás apenas de José Serra (PSDB), que aparece com 21%. O tucano, porém, tem dito a seu partido que não quer concorrer à prefeitura”.

Tem dito, não. Serra comunicou oficialmente ao PSDB, na semana passada, antes que os pesquisadores fossem a campo, que está fora da disputa eleitoral deste ano.

Um dos motivos é seu alto índice de rejeição, que oscilou de 35% em dezembro para 33% agora. Só é menor que o de Netinho de Paula (PCdoB), que foi de 32% para 35%.

Abaixo de Russomanno, se a disputa segue estável, conclui-se que surgem os candidatos Netinho de Paula e Soninha (PPS), cujo nome nem foi mencionado na matéria. Os nomes do candidato do PT, Fernando Haddad, e dos pré-candidatos do PSDB (Bruno Covas, José Anibal, Ricardo Tripoli e Andrea Matarazzo) continuam patinando na faixa de um dígito.

O único que cresceu, dentro da margem de erro, segundo o Datafolha, foi Gabriel Chalita, do PMDB, cujos índices variam entre 5% e 9% das intenções de voto.

Na análise do diretor geral do Datafolha, Mauro Paulino, publicada junto com a matéria da pesquisa, sequer é mencionado o nome de Celso Russomanno. É verdade que a eleição só acontece daqui a oito meses, e tudo pode mudar, mas se a pesquisa não serve para nada agora, melhor seria não publicá-la.

Quem é

Sem novidades sobre a eleição municipal, a Folha preferiu dar em manchete outra pesquisa, mostrando que “Polícia na cracolândia é aprovada por 82% em SP”.

Principal tema da disputa entre PT e PSDB até agora, com os dois principais partidos se atacando mutuamente em torno desta questão, a ação policial na Cracolândia ainda não mostrou efeitos na disputa eleitoral.

Nem que fosse por curiosidade, os editores da Folha poderiam ter dado um Google para informar aos seus leitores quem é, afinal, este Celso Russomanno, que lidera as suas pesquisas desde dezembro.

Celso Ubirajara Russomanno, 56 anos, é advogado e jornalista que se tornou conhecido quando apresentava um quadro no programa Aqui Agora, no SBT. Participa atualmente do programa Balanço Geral, da TV Record.

Deputado federal por quatro mandatos, destacou-se na área de defesa do consumidor. Começou no PFL, mudou para o PSDB, passou pelo PPB e estava no PP de Paulo Maluf, antes de se transferir para o PRB no ano passado. Em 2010, disputou a eleição para governador pelo PP e ficou em terceiro lugar.

***

[Ricardo Kotscho é jornalista]

Operação que investiga desvio no Ministério do Turismo prende 38 pessoas

Ao todo foram cumpridos 19 mandados de prisão preventiva, 19 de prisão temporária e sete de busca e apreensão em São Paulo, Brasília e Macapá

Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (9) 38 pessoas ligadas direta ou indiretamente ao Ministério do Turismo. Entre os detidos estão o secretário-executivo e número dois na hierarquia da pasta, Frederico Silva da Costa, além do ex-presidente da Embratur, Mário Moisés. Entre os presos está também o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, diretores e funcionários do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi) e empresários.

Conforme a Polícia Federal, a operação, batizada de “Voucher”, teve só no Distrito Federal o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, dez de prisão preventiva e cinco mandados de prisão temporária. Houve prisões também nos Estados do Amapá e de São Paulo, onde a operação também é realizada. Os presos em SP e DF serão encaminhados a Macapá (AP).

O objetivo da ação, que teve início às 5h, é prender pessoas ligadas ao Ministério suspeitas de desviar recursos públicos por meio de emendas parlamentares. Preliminarmente, a PF informou terem sido detectados indícios de desvio de dinheiro público em um convênio pela qualificação de profissionais de turismo no Amapá, firmado em 2009 entre o ministério e o Ibrasi –sem chamamento público –no valor de R$ 4,4 milhões. O Ibrasi é uma organização sem fins lucrativos.

A operação foi executada em conjunto com o TCU (Tribunal de Contas da União) e com o apoio do MPF (Ministério Público Federal). Segundo a PF, os envolvidos no esquema poderão ser indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e fraudes em licitação, cujas penas podem chegar a 12 anos de prisão.

A assessoria do Ministério do Turismo disse não ter conhecimento sobre os motivos que levaram à operação nem informações de quem são os servidores. Por outro lado, a PF admitiu que alguns dos presos podem ser liberados ainda hoje. O Palácio do Planalto também ainda não se pronunciou sobre o caso.

Investigação

A investigação teve início na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários do Amapá. A operação é coordenada pela Superintendência da PF amapaense. Ao todo, 200 policiais participam da operação.

Em nota, a PF informou que foram detectados indícios de desvio de dinheiro público no convênio com o Ibrasi. Entre as irregularidades apontadas, estão a celebração de convênio com entidade sem fins lucrativos e sem condições técnico-operacionais para a execução do objeto; a não realização de cotações prévias de preços de mercado por intermédio do Siconv (o portal de convênios do governo federal) e o direcionamento das contratações às empresas pertencentes ao suposto esquema de corrupção.

Foram detectados ainda pela PF a “ausência de preços de referência e de critérios de aceitabilidade de preços”, a “inexecução ou execução parcial do objeto pactuado no convênio”, o pagamento antecipado de serviços, “fraude em documentos comprobatórios de despesas, contrapartida não executada ou executada irregularmente pelo Ibrasi” e, por parte do ministério, “inexistência ou fiscalização insatisfatória do convênio”.

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PRISÕES NO MINISTÉRIO DO TURISMO: ENVOLVIMENTO DE PETISTAS GERA ALÍVIO NO PMDB

Marcos Coimbra e a eleição em São Paulo

por Marcos Coimbra, em CartaCapital

As eleições municipais de 2012 estão começando. Não para os eleitores, que nem pensam no assunto. Mas para os políticos. Para eles, a largada foi dada.

A discussão do momento é a sucessão na prefeitura em São Paulo. A escolha dos prefeitos de algumas outras capitais recebe atenção, mas em plano menor.

Dessas, algumas devem ter fortes candidatos naturais, pois os atuais prefeitos disputam a reeleição e, a esta altura, são favoritos. É o caso do Rio de Janeiro com Eduardo Paes e Belo Horizonte com Marcio Lacerda. Em outras, o processo está mais aberto, seja porque o atual prefeito é pouco conhecido – era vice e assumiu o cargo após a desincompatibilização do titular no ano passado (como em Porto Alegre e Curitiba), não está no páreo, pois já foi reeleito (como em Salvador e Fortaleza), ou não tem boa avaliação (como no Recife).

A importância da eleição em São Paulo é indiscutível, mas costuma ser exagerada. Como maior cidade e capital econômica do País, tudo que acontece na política local tem repercussão nacional, nem que seja por suas consequências na vida política do estado, o maior colégio eleitoral brasileiro. Daí a imaginar que a escolha do prefeito da cidade tenha grande impacto na política brasileira há uma diferença.

Com Luiza Erundina, por exemplo, o PT conquistou a prefeitura em 1988 e viu Fernando Collor derrotar Lula na cidade no ano seguinte. Em 1992, foi a vez de Paulo Maluf, adversário figadal dos tucanos, ganhar, enquanto a cidade, dois anos depois, deu a Fernando Henrique uma vitória no primeiro turno. Nas próximas, o padrão se repetiu, com Celso Pitta vencendo em 1996 e FHC se reelegendo em 1998.

Houve resultados “alinhados” apenas nas eleições de 2000 e 2002, com Marta Suplicy na prefeitura e Lula no Planalto. Mas, quando Serra venceu em 2004 e Gilberto Kassab em 2008, voltamos ao normal, pois suas vitórias foram seguidas por duas do PT nas eleições nacionais.

Salvo, então, uma exceção, os demais casos indicam que o desempenho na eleição municipal de São Paulo não tem maior efeito na eleição presidencial seguinte. Mas, mesmo que não pavimente o caminho para Brasília, vencer na cidade é importante para qualquer partido.

Nas pesquisas atuais (que devem ser lidas com a cautela habitual, considerando sua grande distância da eleição) só três candidatos despontam, dos quase 20 mais comentados. No PT, Marta Suplicy; no PSDB, José Serra; no PP, Celso Russomanno. Nessa ordem, com Marta bem à frente de Serra e ele de Russomanno.

Algumas coisas chamam a atenção nos resultados. Em primeiro lugar, diferentemente do que costumam apregoar seus companheiros e amigos na mídia, Serra saiu mal da eleição de 2010. Ter, atualmente, 3% de intenções espontâneas e ficar atrás de Marta (com 9%) e Kassab (com 6%), empatando com Maluf, não é performance impressionante.

Alguém poderia argumentar que ele não é, apenas, lembrado espontaneamente para o cargo. Mas seu desempenho continua fraco nos cenários de voto estimulado, perdendo, com 24%, para Marta, que tem 29%. Seus melhores números aparecem quando os adversários são os nomes menos conhecidos do PT (Fernando Haddad e Jilmar Tatto), mesmo assim ficando pouco acima dos 25%. É pouco, para quem tem sua biografia, a menos que se considere que a desvalorizou com a campanha que fez (não esquecendo que é o mais rejeitado dos candidatos testados).

No PSDB, o grave é que Serra é, de longe, o nome mais viável, vários corpos à frente de qualquer outro. Para os tucanos, talvez seja ruim com Serra, mas pior sem ele.

Do lado do PT, está Marta, na casa dos 30%, liderando em todos os cenários, e Aloizio Mercadante, com 10%, atrás de Serra e Russomanno. Fernando Haddad e Jilmar Tatto ficam distantes, não passando de 3%, independentemente dos oponentes. Ou seja, uma escolha que poderia ser considerada natural.

Consta, porém, que Lula prefere a candidatura de Haddad. Parece que acredita que poderia repetir o que fez com Dilma, apresentando-o à cidade e lhe transferindo os votos de que precisaria. Deve imaginar que seria melhor opção que Marta.

Por tudo que já foi e fez, ninguém tem coragem de se contrapor ao ex-presidente. Mas não se pode esquecer que seu poder de transferência só foi plenamente confirmado na eleição presidencial, naquilo que os especialistas chamam de “transferência horizontal” (para o mesmo cargo). Na maior parte das vezes em que pensou influenciar eleitores para votar em candidatos a governador e prefeito (no que seria uma “transferência vertical”), não foi bem-sucedido. O que não quer dizer que não poderia fazer de seu ministro da Educação o prefeito de São Paulo.

Há vários outros nomes se movimentando nos demais partidos. Alguns são novidade, como Gabriel Chalita, outros personagens antigos, como Guilherme Afif. Da perspectiva de hoje, no entanto, nada indica que terão papel fundamental na eleição.

Resolução da Executiva Municipal do PT São Paulo sobre o processo eleitoral 2012

logo Resolução da Executiva Municipal do PT São Paulo sobre o processo eleitoral 2012

 

Resolução da Executiva Municipal do PT São Paulo

A Executiva Municipal do PT da Cidade de São Paulo, reunida no dia 2 de agosto de 2011, diante das inúmeras informações publicadas na imprensa sobre a participação do PT no processo eleitoral de 2012, vem informar à militância, aos filiados e à sociedade a posição oficial do Partido.

Reafirmamos as resoluções do 2° Congresso das Direções Zonais (realizado em abril passado), a saber:

– Defesa dos avanços e conquistas sociais e econômicas alcançadas pelo Brasil na gestão do Presidente Lula, aliada à luta pelo aprofundamento das transformações em direção a uma nação cada vez mais desenvolvida, justa e soberana conforme o programa de nossa presidenta Dilma.

– Na cidade de São paulo somos oposição à gestão do prefeito Kassab, sobretudo por suas políticas publicas excludentes, higienistas, centralizadoras, antidemocráticas e que beneficiam pequenos setores da sociedade paulistana, em particular a especulação imobiliária.

-O PT terá candidatura própria à prefeitura da cidade de São Paulo, a ser construída no debate com os pré-candidatos, com as direções partidárias e com a militância até o final deste ano.

-A elaboração das diretrizes para o nosso programa de governo, em debate com a nossa militância, com os movimentos sociais, com a intelectualidade e com outras forças políticas e sociais. Diretrizes que além de incorporarem os avanços constituídos nas duas gestões do PT na cidade (prefeitas Luiza Erundina e Marta Suplicy) irão adiante de maneira ousada e criativa para enfrentar os desafios da metrópole, apontando para uma cidade justa, inclusiva, inovadora, democrática e ambientalmente sustentável.

Como decorrência dessas resoluções iniciamos um intenso processo de mobilização da nossa militância. Realizamos vários encontros setoriais que mobilizaram mais de mil militantes. Fizemos o 1° Congresso das Mulheres Dirigentes do PT, bem como o primeiro festival de cultura e arte da Juventude do PT, com grande sucesso.

Dando continuidade a esse processo iniciaremos dia 5/8 as Caravanas Zonais, grandes plenárias organizadas pelos 36 diretórios zonais de São Paulo, onde discutiremos a realidade de cada região de nossa cidade.

Nesse processo, com forte participação de nossa militância, a direção municipal, em conjunto com as direções nacional e estadual tem a responsabilidade e a tarefa de buscar garantir a unidade partidária e a construção de uma candidatura de consenso. Mas esse consenso não será verdadeiro caso seja imposto. Ele deve ser fruto do debate político, da compreensão comum da conjuntura e dos desafios colocados ao PT para o próximo período.

Se esse esforço não alcançar pleno êxito, a direção municipal garantirá uma prévia participativa e democrática, como é da nossa tradição e está inscrito em nosso estatuto.

Confiantes no entusiasmo da militância e na maturidade das nossas lideranças e dirigentes, temos a certeza que manteremos o partido unido e forte.

Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores
Diretório Municipal do PT de São Paulo – SP

Apagões em São Paulo: As promessas enganosas da privatização

Passados quase 20 anos desde o início das privatizações das distribuidoras de energia eléctrica, já se pode fazer um balanço do que foi prometido; e realmente do que está ocorrendo no Brasil, com um primeiro semestre batendo recorde em falhas no fornecimento de energia eléctrica em diversas regiões metropolitanas. Por Heitor Scalambrini Costa.
Apagão em São Paulo em 11 de Novembro de 2009, foto de Hermann Wecke/Flickr

Apagão em São Paulo em 11 de Novembro de 2009, foto de Hermann Wecke/Flickr

Desde então a distribuição eléctrica é operada pela iniciativa privada. As distribuidoras gerenciam as áreas de concessão com deveres de manutenção, expansão e provimento de infraestrutura adequada, tendo sua receita advinda da cobrança de tarifas dos seus clientes.

A tão propalada privatização do sector elétrico nos anos 90, foi justificada como necessária para a modernização e eficientização deste sector estratégico. As promessas de que o sector privado traria a melhoria da qualidade dos serviços e a modicidade tarifaria, foram promessas enganosas. Os exemplos estão aí para mostrar que não necessariamente a gestão do sector privado é sempre superior ao do sector público.

Desde 2006 é verificado na maioria das empresas do sector uma tendência declinante dos indicadores de qualidade dos serviços com sua deterioração, reflectindo negativamente para o consumidor. A parcimónia da Agência Nacional de Energia Eléctrica (Aneel) ante a decadência da prestação dos serviços é evidente. Criada no âmbito da reestruturação do sector eléctrico para intermediar conflitos, acabou virando parte deles. A Aneel é cada vez mais questionada na justiça tanto por causa dos blecautes que ocorrem, já que não fiscalizam direito as prestadoras de serviço que acabam fazendo o que querem, como é questionada pelos reajustes tarifários.

Esta falta de fiscalização ilustra a constrangedora promiscuidade entre interesses públicos e privados dando o tom da vida republicana no Brasil. Os gestores da Aneel falam mais do que fazem.

O exemplo mais recente e emblemático no sector elétrico é o da empresa AES Eletropaulo, com 6,1 milhões de clientes, que acaba de receber uma multa recorde de 31,8 milhões de reais (não significa que pagará devido a expectativa de que recorra da punição, como acontece em quase todas as multas), por irregularidades detectadas como o de não ressarcimento a empresas e cidadãos por apagões, obstrução da fiscalização e falhas generalizadas de manutenção. A companhia de energia foi punida por problemas em 2009 e 2010, e devido aos desligamentos ocorridos no início do mês de Junho, quando deixou as famílias da capital paulista e região metropolitana ficarem três dias no escuro.

O que aconteceu na capital paulista, não é exclusivo. Outras distribuidoras coleccionam queixas de consumidores em todo o Brasil. Vejam o caso da Light, com 4 milhões de clientes, presidida por um ex-diretor geral da Aneel, com os famosos “bueiros voadores”, cuja falta de manutenção crónica tem colocado em risco a vida dos moradores da cidade do Rio de Janeiro.

A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), com 3,1 milhões de clientes, controlada pela Neoenergia, uma das maiores empresas do sector elétrico do país, também é outra das distribuidoras que tem feito o consumidor sofrer pela baixa qualidade da energia eléctrica entregue, e pelas altas tarifas cobradas.

Infelizmente a cada apagão e a cada aumento nas contas de energia eléctrica, as explicações são descabidas, e os consumidores continuam a serem enganados pelas falsas promessas de melhoria na qualidade dos serviços, de redução de tarifas e de punição as distribuidores. O que se verifica de facto, somente são palavras ao léu, sem correcção dos rumos do que está realmente malfeito. A lei não pode mais ser para inglês ver, tem de ser real, e assim proteger os consumidores.

Mostrar firmeza e compromisso público com a honestidade e com a eficiência é o mínimo que se espera dos gestores do sector elétrico brasileiro.

Artigo de Heitor Scalambrini Costa, Professor da Universidade Federal de Pernambuco, publicado em Vi o mundo. (via esquerda.net)

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A sujeira na Merenda Escolar

via ninho da vespa

Depois de uma semana de férias deliciosas e de postagens “mais ou menos” em alguns minutinhos de escapadas, este blogueiro mau e sujo, que fala de gente boa e limpinha, voltou com tudo ao mundo digital, dedicando uns minutinhos a mais para saborear as notícias. Mas vamos ao que interessa: São Paulo é uma cidade com muita sujeira, o que tudo mundo já sabe. E a meleca chega inclusive na merenda.

O Ministério Público paulista investiga a formação de cartel entre empresas fornecedoras de merenda escolar para a prefeitura da cidade de São Paulo (gestão Gilberto Kassab – DEM/PSD). A enpresa Geraldo J. Coan teria grampeado os próprios telefones para monitorar seus funcionários todo o tempo, evitando que alguém furasse o esquema, para que não houvesse traição comercial. Nem o advogado da empresa estaria informado sobre os grampos… Hum. Eu não acredito!

Tudo ainda seria apenas uma suspeita e aparentemente haveria fraude em licitação para contratação de fornecimento de merenda e as empresas Coan e SP Alimentação podem ter combinado os preços antes de participarem da concorrência e dividido o lucro. Valor do contrato? Apenas 200 milhões. A última merendeira já é conhecida do brasileiro bem informado por já ter se envolvido em vários escândalos no país e em setembro de 2010 o seu dono, o empresário Eloízo Gomes Afonso Durães, chegou a ser preso.
Entre os anos de 2008 e 2010 as duas empresas teriam movimentado R$ 280.000.000 (duzentos e oitenta milhões de reais) em notas frias, em um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção de políticos nos estados de São Paulo (gestão José Serra – PSDB), Minas Gerais (gestão Aécio Neves da Cunha – PSDB), Rio Grande do Sul, (gestão Yeda Rorato Crusius – PSDB) Alagoas (gestão Teotônio Brandão Vilela Filho – PSDB), Pernambuco (gestão Eduardo Henrique Accioly Campos – PSB) e Maranhão (gestão Jackson Kepler Lago – PDT), quase todos estados administrados por tucanos, pra variar.
EM PINDA TEM MERENDA COM DEFUNTO

E para quem pensou que o governador de São Paulo, senhor Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho (PSDB) sairia ileso, vai aqui uma novidade: parentes do dito cujo estão envolvidos em um escandalozinho básico lá na aprazível cidadezinha de Pindamonhangaba*, terra onde brotou fulano. Lá, além das maracutaias de praxe, a merenda estaria sendo transportada… Pasme! No mesmo carro que transportava defuntos.

A sobrinha do governador e vice prefeita do município, dona Myriam Alckmin Ramos Nogueira (PPS), é investigada por envolvimento em licitações fraudulentas que podem ter favorecido a empresa Verdurama, que coincidentemente seria de Lucas César Ribeiro, também sobrinho do governador e filho do lobista Paulo César Ribeiro (Paulão), a firma que teria levado merenda para as escolas no carro da funerária. Toma Zé!

*também conhecida como Pindaíba-Monhangaba por causa de alguns políticos

Marta Suplicy critica Kassab e confirma interesse em disputar prefeitura de SP

Em entrevista ao programa Jogo de Poder (TV CNT), que vai ao ar no próximo domingo (15), às 23 horas, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) criticou Kassab e reiterou o interesse em ser candidata à prefeitura de São Paulo nas eleições de 2012.

“Não pensava em ser candidata em 2012, mas passei a cogitar concorrer à prefeitura depois de ver o que o Kassab fez com a minha cidade”, criticou a senadora. “Isso me permitiu pensar: eu tenho possibilidade e estou colocando meu nome à disposição do partido”, completou.

Uma das críticas de Marta ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi em relação às obras de transporte público. “Estavam programados 300 km de corredor, não fizeram nenhum. Para uma cidade como São Paulo, o que funciona é metrô, mas isso é responsabilidade do governo estadual e a prefeitura poderia ajudar “, explicou Marta.

Todavia, Marta não é a preferida dos dirigentes do PT paulista. Muitos defendem que o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), derrotado na disputa pelo governo paulista em 2010, seria o mais indicado. Lula, no entanto, estaria estimulando o ministro da Educação, Fernando Haddad, a disputar o cargo. Haddad não admite o interesse, mas tem multiplicado a presença em eventos na capital paulista.

Os deputados federais do PT Carlos Zaratini e Jilmar Tatto também manifestaram interesse em disputar a prefeitura. Contudo, os parlamentares não têm apoio significativo da base do partido.

Diferentemente do PT, o PP já tem seu pré-candidato: o ex-deputado federal Celso Russomano. Anunciado durante reunião que elegeu a executiva do PP, na segunda semana de abril, Russomano tem dito que pode tirar votos do PSDB e do PSD de Kassab.

Fonte: Brasília Confidencial

“Não vou descansar enquanto o Estado não for para o banco dos réus”, diz Gegê. (via @pauloteixeira13)

Confiram entrevista do militante e ativista Gegê, absolvido na semana passada, ao jornal Brasil de Fato:

O fim de um processo, mas não o fim de uma prisão. Para Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, não há sentença que apague as recordações dos oito anos em que foi acusado de um crime que jamais cometeu.

Um dos líderes do Movimento de Moradia do Centro (MMC), Gegê foi absolvido em um julgamento realizado nos dias 4 e 5 de abril, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Ele era acusado de ser mandante do assassinato de José Alberto dos Santos Pereira Mendes, morto em agosto de 2002 em um acampamento do MMC na capital paulista.

De 2002 até o dia de seu julgamento, Gegê foi preso, enfrentou rebeliões e chegou a ser considerado foragido da Justiça. Para o militante, o período representou um corte em sua vida. “Foram oito anos sem ter o direito de viver”, resume.

A sessão permaneceu lotada durante os dois dias de julgamento. Políticos e representantes de várias entidades prestavam solidariedade ao líder e denunciavam perseguição política contra Gegê e criminalização contra os movimentos sociais.

Gegê tem um longo histórico de militância social e sindical. O militante participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de movimentos de moradia. Além disso, integrou entidades como Unificação das Lutas de Cortiço (ULC), Movimento de Moradia do Centro (MMC), União dos Movimentos de Moradia, Fórum Nacional de Reforma Urbana e Central de Movimentos Populares (CMP).

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Gegê fala sobre a criminalização das lutas políticas e afirma que pretende processar o Estado. “Não vou descansar enquanto o Estado não for para o banco dos réus”, garante.

Brasil de Fato – Qual era sua expectativa em relação ao julgamento?

Gegê – Eu vou ser sincero, não tinha nenhuma esperança. Eu não falava isso, mas minha esperança era a mínima possível, porque para mim a questão não estava em julgar o crime, por que quantos milhares de pais de família são assassinados todos os dias nessa cidade de São Paulo e são enterrados na vala do esquecimento? Mataram alguém, tem um assassino, o sistema penitenciário sabe quem foi, sabe o nome, e não procurou. Com isso posso dizer que eu sentia completamente vulnerável, exposto a sair dali com, no mínimo, 12 anos de prisão. Era o mínimo que eu esperava.

O resultado te supreendeu então?

O resultado final não me surpreendeu na medida em que o júri foi acontecendo, os interrogatórios, e a discriminação foi vindo mais à tona. “Eu discrimino porque você é um negro, pobre, um sujeito abusado na sociedade e ao mesmo eu criminalizo a sua luta política”. Foi caindo essa máscara, como um tabuleiro de xadrez em que você vai desmontando peça por peça, até chegar ao ponto em que um dos promotores mais duros da história recente do Brasil [Roberto Tardelli] ser obrigado a pedir minha absolvição. Ele pediu porque se sentiu um homem impotente diante dos fatos e dos acontecimentos nesses dois dias [de julgamento], aquele plenário cheio o tempo todo. Eles perceberam, ali, que estavam lidando com um movimento social, que não estavam julgando a pessoa do Gegê.

Como foi esse período de oito anos em que o processo se arrastou?

Foram oito anos sem ter o direito de viver, pagando por uma pena, julgado e condenado já. Penalização total, sem emprego, sem vida familiar, sem vida pública, sem uma vida digna como qualquer cidadão tem direito. Um dia eu estava aqui, no outro dia não sabia onde podia amanhecer. Foram oito anos que, para mim, por conta de uma tragédia e de uma irresponsabilidade de um ser humano, eu fui acusado de um crime do qual jamais seria cúmplice. E eu paguei por esses oito anos, e aliás eu continuo pagando. Mesmo no dia 5, sendo dito “você está livre”, eu continuo pagando, e mais caro inclusive porque agora vem a censura, “você não pode falar isso”, “você não pode falar aquilo”. Terminou uma fase, um processo no dia 5, mas vem outra fase mais dura, que são as preocupações que eu vou ter na minha vida. Eu vou ter que sair em busca de uma forma de sobrevivência. Esses oito anos foram um corte total na minha vida. Foram anos que me impediram de fazer o que eu queria, era um direito meu, viver minha vida. E eu fiquei preso nesses oito anos. Convivi com tentativas de fuga em DP, com três rebeliões. Eu não posso esquecer essas coisas, e ninguém pode exigir isso de mim. Por pior que tenham sido esses oito anos, tenho a obrigatoriedade de lembrá-los a cada segundo daqui pra frente.

Sua segurança também te preocupa daqui pra frente?

Eu estou inseguro, não nego para ninguém. Eu continuo preso, em prisão domiciliar, que para mim é a pior prisão possível. Eu estou livre, mas muito longe de ter liberdade. Eu não sei a hora em que eu sair desta casa e puser o pé na rua o que estará por trás, nas minhas costas. Quem fez o que fez para me obrigar a viver oito anos como eu vivi pode estar insatisfeito e dizer “agora sim eu posso tirar a vida dele”. Eu não tenho medo de nada, mas me preocupa a traição. Essa insegurança para mim é muito forte. Eu não tenho dinheiro para contratar segurança, e o Estado me negou esse direito. Se o Estado tivesse me oferecido segurança, talvez hoje eu estivesse livre disso. Em 2001, nós [do Movimento de Moradia do Centro] chegamos a pedir segurança para o Estado, procuramos a Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, por meio do [secretário] Saulo Ramos, e ele nos negou. Eu tentei mostrar várias mensagens que eu tinha recebido, ameaças de morte gravadas, e ele não ouviu uma mensagem sequer. Ele só disse que era impossível dar segurança para o Gegê ocupar prédios públicos. Disse assim, ironicamente. Eu não posso dizer hoje que estou livre dessa bala perdida e, por isso, não posso dizer que estou em liberdade.

Na tua avaliação, quem e que interesses estão por trás da tua perseguição?

Não sei. Se eu soubesse, já teria resolvido esse caso. Se eu sei que são algumas pessoas, eu vou direto até elas. Mas o que eu posso dizer é que por trás de tudo isso está o Estado burguês em que eu vivo, que me perseguiu, me pondo na prisão domiciliar. E por isso esse Estado não está livre de sofrer sanções. Jamais perdoarei o Estado.

Você pretende em processar o Estado?

Eu vou processar. Vou ainda fazer uma reunião com meu advogado. Quero processar o Estado por aquelas pessoas que tentaram me condenar e pôr essas pessoas na cadeia. E não quero pouca coisa, quero arrancar o que eu puder do Estado porque não se paga oito anos como eu vivi e estou vivendo simplesmente com a palavra e um pedaço de papel dizendo que você está livre. Quero dizer para o Estado “você está pagando pelo seu erro, pela sua incompetência”. Nunca se foi atrás da pessoa que cometeu o crime, nunca se soube quem foram as outras duas pessoas que entraram [no acampamento]. O Estado tinha a obrigação de procurá-los, mas não foi atrás porque não teve vontade. Não foi feito um trabalho investigativo mínimo nesse processo. O único trabalho foi o de me condenar. Um investigador responsável pelo processo foi me procurar com a arma na mão, apontada para minha cabeça. Não só eu, mas todos e todas que estavam em volta desse processo de transformação social saímos perdendo. O mínimo que nós estivéssemos fazendo na cidade de São Paulo, ações, passeatas, atos públicos, as pequenas conquistas, era um avanço na luta de classes. E esse Estado percebeu isso. Teve uma vida, teve um criminoso, mas o que interessa é a criminalização dos movimentos sociais. Não vou descansar enquanto o Estado não for para o banco dos réus.

Qual pode ser o significado da tua absolvição para a luta dos movimentos populares?

Isso mostrou que é preciso resistir. Fomos absolvidos, mas não na totalidade. Na noite de quarta (06) a gente reuniu o “Comitê Lutar Não é Crime” [comitê criado por entidades em São Paulo para combater a criminalização dos movimentos sociais] e reafirmou que o Comitê não vai fechar as portas.

Qual a situação dos movimentos de moradia hoje?

Hoje os movimentos de moradia comemoram porque tiveram uma reunião com o prefeito [Gilberto] Kassab. Isso não é vitória. Isso é uma conquista mínima, sentar com o poder público para discutir. A conquista real será quando você não tiver sem-tetos nas ruas, drogados nas ruas, meninos e meninas de rua nos farois, meninas vendendo seu corpo para sobreviver. Aí sim teremos uma vitória, vamos eliminar os males do sistema capitalista e estaremos na mesma frente pelo direito de viver com dignidade. Mas os movimentos de moradia esqueceram essa política, é cada um para si. Enquanto isso, milhões de pessoas ficam jogadas nas ruas.

E qual deve ser o papel dos movimentos de moradia em relação aos megaprojetos para a realização da Copa do Mundo?

Os movimentos têm que ir para a rua mostrar os problemas vão ser gerados por conta dos megaeventos e dos megaprojetos. As pessoas não sabem qual será o impacto ambiental da construção do estádio do Corinthians, em Itaquera [na zona leste de São Paulo]. O povo não sabe que não poderá chegar nem perto do estádio, vai ficar sabendo disso na hora H. A lei de exceção vai ser imposta em cada estado, em cada hotel em que estiver uma delegação. E será que, passou a Copa, essa lei de exceção não vai permanecer? O povo está ansioso para que chegue esse momento, mas mal sabe ele que os impactos são pesadíssimos, sem contar que está em jogo a nossa soberania. Só na ditadura militar a gente vê isso. A gente lutou tanto, morreu tanta gente para se pôr fim à lei de exceção e agora ela está aqui, de volta. Vem aqui um Obama da vida e ninguém pode abrir uma faixa contra a presença dele que vai pra cadeia. Quantos milhões vão ser gastos com a Copa aqui no Brasil? Não vou ser contra a Copa, mas por que se gasta tanto dinheiro com a Copa e não se gasta com a miséria e a violência? Dez por cento do que será gasto poderia ser aplicado no combate à violência contra a juventude, a mulher, o negro. Para fazer um estádio para 65 mil pessoas, eles vão mexer com dezenas de milhares de famílias, e vão para onde essas famílias? E aí vem o prefeito dizer que esse povo vai ser colocado na região central. Vai poder onde? Só se for na rua. Mais mendigos morando embaixo das pontes e das marquises.

Governo de SP desmente Serra sobre linha 6 do Metrô


O então governador de São Paulo, José Serra, declarou, em março de 2008, que as obras da Linha 6 (Laranja) do Metrô seriam iniciadas em 2010 e terminariam, ou em 2012, ou em 2013.

Após muitos atrasos na contratação de projetos e  antes de deixar o governo para se candidatar à Presidência, Serra garantiu que tudo estaria pronto até 2014.

Acuado por esta previsão, o governo de São Paulo se viu obrigado a apresentar uma previsão mais realista: as obras só devem começar em 2013, com a conclusão da primeira etapa em 2017, depois das Olimpíadas e da Copa.

Até lá, moradores de Brasilândia e Freguesia do Ó (Zona Norte), Perdizes e Pompeia (Zona Oeste) terão de continuar esperando. Estima-se que mais de 600 mil passageiros por dia utilizariam este trecho do Metrô.

Fonte: Brasília

”Com Kassab no PSB, serei estranha no ninho” (via @erundinapsb)

Reproduzimos abaixo a entrevista concedida pela Deputada Federal Luiza Esrundina PSB SP publicada hoje no jornal Estado de São Paulo onde aponta seu ponto de vista sobre a anunciada manobra de Gilberto Kassab DEM – SP visando ingresso no PSB.

Ex-prefeita ressalta ‘proximidade’ com o PT e admite deixar partido se a cúpula decidir acolher líderes do DEM

Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo

A ex-prefeita de São Paulo e deputada federal Luiza Erundina deixou claro ontem que sairá do PSB se o partido acolher políticos como o prefeito Gilberto Kassab e o vice-governador Guilherme Afif Domingos, ambos de saída do DEM.

Erundina destacou sua proximidade com o PT, partido do qual saiu em 1997, mas disse esperar que a Justiça Eleitoral impeça a concretização de uma eventual manobra de Kassab e da cúpula do PSB – nessa hipótese, estaria assegurada sua permanência na legenda.

Como a senhora vê a possibilidade de Kassab e Afif criarem outro partido para depois migrar para o PSB?

Se essa migração se confirmar, será absolutamente incompatível com a minha opção política pelo PSB. Serei uma estranha no ninho. A convivência, tanto para essas pessoas quanto para mim, será praticamente inviável. Com certeza não terei lugar nesse partido.

A senhora deixará o PSB?

Isso poderá acontecer, mas temos de ver em que termos. Há uma questão legal a ser esclarecida. Se eles vão criar outro partido já com o propósito de se incorporar ao PSB, como é que a Justiça Eleitoral vai interpretar esse mecanismo oportunista? É claramente um artifício para fugir do enquadramento na infidelidade partidária.

A legislação não ameaçaria seu próprio mandato em caso de troca de partido?

Se isso (fusão do PSB com partido criado apenas com esse objetivo) pode ser feito, quem estará sendo infiel? Digamos que um de nós, que não concorde com essa via do partido trampolim, queira sair do PSB. Quem sair poderá alegar que foi o partido quem mudou de rumo. Há possibilidade de você não ser punido por infidelidade se a infidelidade se deu pelo partido no qual você está.

Nos últimos anos, a senhora se reaproximou de líderes do PT. Seu retorno ao partido é uma possibilidade?

Essa proximidade minha com os petistas existe. No fundo, minha prática política e meus compromissos não se alteraram um milímetro em relação ao que fazia como petista. Essa base histórica, essa militância, essa identidade nunca deixou de existir. Tenho muitos eleitores que são filiados ao PT. Nunca tive distanciamento com o partido. Alguns dirigentes é que se distanciaram. Mas há companheiros com quem mantenho relação de confiança, de afinidade na luta política. Durante a campanha de Dilma, na qual me engajei, havia manifestações públicas e coletivas para que eu voltasse ao PT. Mas trocar de partido é muito complexo, é traumático. Quero primeiro acreditar que isso (a migração de líderes do DEM) não se confirmará. É um absurdo um partido que estava crescendo como referência política para a sociedade de repente perder tudo em nome de um projeto de poder a médio e longo prazo. Essa não pode ser a lógica predominante em um partido que se pretende de esquerda, socialista e democrático

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