RESPOSTA AO TEXTO: “A Estranha Convergência entre Yoani Sánchez e o PSTU”

As conquistas da Revolução Cubana de fato significaram um avanço incontestável das condições de vida para a população cubana. Não podemos, com isso, deixar de fazer um profundo debate a respeito do que tem acontecido com essa ilha nas últimas décadas, tanto no que diz respeito ao regime quanto à redução dessas mesmas conquistas e por fim com o caráter do Estado.

O texto lamentavelmente distorce as posições e mistura diversas análises diferentes em um tremendo emaranhado pra fazer parecer que só existem duas análises sobre Cuba: a daqueles que defendem o regime Castrista e a de todos os outros que fazem “frente única” com o imperialismo. Uma abordagem simplista e maniqueísta que não contribui para um debate que é muito mais profundo.

Sobre o que afirmamos a respeito de Yoani: não dizemos em nenhum momento que Yoani está certa ao defender a democracia burguesa (citem por favor onde falamos isso!), nem temos ‘solidariedade’ a ela. Afirmamos: “Suposições sobre suas reais motivações à parte, fato é que a blogueira faz uma crítica correta a partir de um fato concreto: a ausência de liberdade de expressão e organização em seu país.” Ou seja, temos acordo às críticas ao REGIME.

Sobre Trotsky (que o texto citou diversas vezes): mesmo quando defendia que o ESTADO Soviético ainda era operário, mas degenerado, ou seja, antes da restauração capitalista, criticava veementemente seu REGIME, a burocratização, a falta de democracia. Foi justamente por isso que foi assassinado, não só ele mas toda a oposição de esquerda, além de toda sua família no maior genocídio político da história. O programa Trotskista para esses Estados sempre foi de revolução política, pois só assim se poderia inclusive impulsionar a revolução em outros países e evitar o isolamento econômico (isolamento que aconteceu com Cuba).

Sobre o caráter do ESTADO em Cuba: denunciamos sim que desde a década de 90 ele mudou, deixou de ser operário e passou a ser capitalista; e foi Trotsky também quem previu isso quando afirma que nos Estados Operários degenerados, se não se fizessem revoluções políticas para tirar do poder as burocracias, substituindo pelas instituições de democracia operária estas mesmas burocracias restaurariam o capitalismo (“Em Defesa do Marxismo”).

O que acontece em Cuba desde a década de noventa é muito mais do que concessões ao capitalismo, muito diferente do que foi a NEP, e quem afirma isso são os próprios economistas Castristas (Estudo de três economistas do CEA – Centro de Estudos sobre América – de Havana, com o sugestivo título de Cuba: a reestruturação da economia trata das profundas mudanças feitas pelo governo em 1995).

Mas essa é uma discussão complexa, que precisa ser realizada! Pelo povo cubano, pela revolução cubana e mais, pelo futuro da revolução internacional é preciso fazermos um debate profundo e detalhado, econômico e político! Propomos à EPS: vamos construir uma mesa, na universidade, nós do PSTU e vocês para fazer um profunda discussão aberta acerca de CUBA!

De imediato, sugerimos textos que fundamentam nossas posições a respeito do tema:

http://orientacaomarxista.blogspot.com.br/2011/06/revolucao-e-contrarrevolucao-em-cuba.html

http://www.pstu.org.br/internacional_materia.asp?id=14551&ida=0

http://www.litci.org/pt/index.php?option=com_content&view=article&id=2304

http://pstu.org.br/internacional_materia.asp?id=14950&ida=0

Juventude do PSTU – Salvador!

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A Estranha Convergência entre Yoani Sánchez e o PSTU

A polêmica passagem da turnê mundial de Yoani Sánchez pelo Brasil tem suscitado inúmeros protestos por onde passa e também inúmeras críticas a estes mesmos protestos, a maior parte delas advindas da Direita e do oligopólio midiático, que cinicamente defendem liberdades democráticas em Cuba, quando sempre foram e ainda são defensores de ditaduras capitalistas no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Porém, uma pequena parte da esquerda também resolveu somar-se às críticas aos protestos. É sobre estas últimas críticas que pretendo dialogar.

No artigo publicado no sítio do PSTU: “Quem tem medo de Yoani Sánchez?” (http://www.pstu.org.br/internacional_materia.asp?id=14941&ida=20) é defendido que as críticas feitas pela blogueira ao regime cubano são corretas e que os protestos contra ela são a expressão de uma esquerda estalinista que se utilizaria dos métodos de calúnia e difamação para abafar qualquer tipo de oposição às suas ideias.

Uma análise equivocada

Para o PSTU, Yoani Sánchez assume posições corretas ao colocar-se na oposição ao regime cubano. Para chegar a esta posição, o PSTU parte da análise de que o regime cubano é hoje uma ditadura capitalista que reprime os trabalhadores e todo tipo de oposição que se coloca contra ela. Neste sentido, o estabelecimento de um regime democrático-burguês em Cuba, como defende Yoani Sánchez, seria progressista, já que garantiria aos trabalhadores liberdades mínimas para se organizar e lutar. É neste ponto que as posições de Yoani Sánchez e de seus aliados imperialistas coincidem com as do PSTU. É isso o que está exposto no artigo quando coloca que Yoani está correta ao reivindicar democracia em seu país. No próprio artigo mais adiante é explicitado que esta democracia é a democracia burguesa.

O PSTU embasa suas posições sobre Cuba na análise de que os 3 pilares que caracterizariam um estado operário haveriam se rompido: o monopólio do comércio exterior; a propriedade estatal; e o planejamento econômico pelo Estado.

Esta análise desconsidera o fato de, apesar da flexibilização, a maior parte do comércio exterior continua sendo realizada pelo estado, desconsidera que apesar de haver propriedade privada, a propriedade estatal permanece hegemônica e que o planejamento estatal da economia segue em vários aspectos.

Para tentar comprovar esta análise, o PSTU defende que os males capitalistas teriam retornado à ilha, junto com a restauração do capitalismo. Não leva em consideração que a maior parte das conquistas sociais da revolução cubana permanecem intocáveis como: sistemas de Educação e Saúde universais, gratuitos e de qualidade; e acesso universal à cultura e esporte.O que o PSTU não consegue explicar é: como um país pobre, isolado economicamente do mundo consegue conciliar tamanhas conquistas sociais com a restauração do capitalismo? Talvez a “burguesia cubana” tenha descoberto a fórmula mágica que nem as principais potências capitalistas, em crise atualmente, estão conseguindo descobrir.

Cuba ainda é socialista?

É inegável que nos últimos anos foram feitas concessões capitalistas em Cuba, tais concessões ajudaram a dinamizar a economia cubana após ter chegado perto do colapso na década de 90. È inegável também que a existência de tais concessões representam em certo grau uma ameaça à revolução cubana. Mas daí a extrair a conclusão de que elas representam a prova da restauração do capitalismo cubano já é um salto imenso. È preciso ter em consideração que estamos falando de uma pequena ilha do Caribe, um país praticamente agrário, que sofre há décadas com o embargo econômico dos EUA.

È preciso lembrar também que na Rússia, com a aplicação da NEP(Nova Política Econômica), estima-se que a propriedade privada tenha ocupado cerca de 40% dos meios de produção. Apesar disso, ninguém ousa afirmar que a NEP tenha sido uma política de restauração capitalista, mas é vista pela esquerda mundial como concessões capitalistas necessárias para salvar o estado operário. E mesmo após a NEP, Trotsky, por exemplo, admite que a existência de elementos capitalistas não descaracterizaria a União Soviética enquanto estado operário e, portanto, sua defesa política era uma obrigação dos socialistas:

Devido ao nível ainda baixo das forças produtivas e ao entorno capitalista, as classes e as contradições de classe, mais ou menos agudas, continuarão existindo na URSS durante um lapso indefinido, pelo menos até a vitória total do proletariado nos países capitalistas importantes.” OEstado Operário, Termidor e Bonapartismo (1935).

Toda esta polêmica está centrada na análise do caráter de classe do estado cubano. O PSTU considera que o processo de restauração capitalista em Cuba se concluiu. Logo, o regime cubano seria uma ditadura capitalista e, por consequência, a troca deste regime por uma democracia burguesa, assim como defende Yoani Sánchez, seria um avanço.
No entanto, a preservação da maioria das conquistas sociais da revolução cubana, mesmo sob o permanente ataque econômico do imperialismo contra o país não deixam dúvidas que Cuba continua um país socialista.
Há uma polêmica sobre se as concessões capitalistas feitas em Cuba nos últimos anos seriam concessões transitórias e necessárias ou o início de um processo de restauração capitalista. Mas ainda que optemos pela segunda opinião, é necessário diferenciar um processo em curso de um processo acabado. Um país em processo de restauração do capitalismo é muito diferente de um país capitalista. O próprio Trotsky fazia muito bem essa diferenciação ao descrever a União Soviética, sob o governo de Stálin, como um estado operário degenerado, mas ainda assim um estado operário, cuja defesa política contra seus opositores capitalistas, fazia-se necessária.

Estranha solidariedade

Yoani Sánchez é a principal representante da pequena oposição de direita em Cuba, símbolo internacional da luta dos gusanos(cubanos exilados) pela recuperação de suas propriedades privadas. No entanto o PSTU a apresenta como uma simples blogueira crítica ao regime cubano e menospreza as relações dela com o imperialismo, ao classificar como “suposições” as acusações de que ela recebe financiamento de órgãos estrangeiros e suas relações com a CIA, demonstradas nos documentos vazados pelo Wikileaks. Toda esta condescendência com que trata Yoani beira a uma solidariedade dissimulada.

Esta mesma condescendência no entanto, não é demonstrada nas fortes críticas que faz ao regime cubano ou aos manifestantes brasileiros que se mobilizaram para repudiar a presença de Yoani no Brasil. O PSTU defende com veemência o direito dela expressar suas ideias, mas censura o direito de manifestação contra ela.

O artigo faz uma série de críticas ao regime cubano e aos seus apoiadores no Brasil e praticamente nada diz do bloqueio econômico contra Cuba ou da invasão permanente ao território cubano em Guantânamo. Apresenta Yoani como uma vítima da “ditadura castrista”, sem contextualizar que ela é utilizada(e se faz utilizar) como parte da estratégia imperialista de desestabilização do estado operário cubano.

E ao final coroa com “Já é hora de a esquerda identificada com o castrismo desfazer-se de seu arsenal de calúnias e acusações estalinistas”. Neste trecho, a solidariedade antes dissimulada torna-se explícita. Ora, quais são as calúnias apresentadas contra ela que o PSTU repudia?

É legítimo que o PSTU faça críticas ao regime cubano, legítimo que se coloque como oposição de esquerda a este regime. Inaceitável é, para um partido socialista, fazer isto contemporizando com o imperialismo e seus aliados, formando “frente única” com os mesmos.

Anderson Santos

Historiador e militante da Esquerda Popular Socialista – Tendência Interna do Partido dos Trabalhadores

EPS – A tendência interna do PT critica presença de blogueira cubana.

 

A tendência interna do PT – Esquerda Popular Socialista (EPS) critica presença de blogueira cubana.

A Esquerda Popular Socialista (EPS), tendência interna do PT, critica duramente a presença da blogueira e dissidente política cubana, Yoani Sánchez, no Brasil. Para a EPS, as afirmações em prol de uma suposta defesa das liberdades individuais em Cuba, feitas pela ativista, servem apenas à promoção do neoliberalismo e aos interesses de intervenção política pelo governo norte-americano.

Financiada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) com um salário de 6 mil dólares por mês, a blogueira mantém relações com representantes da Repartição de Interesses dos EUA, em Havana, de quem recebe instruções. Segundo o Brasil de Fato, o seu blog Generación Y, traduzido em 21 idiomas, não tem impacto na audiência em Cuba nem internacionalmente, o que faz crer que sua fama é principalmente entre os mais tradicionais e conservadores meios de comunicação.

“O posicionamento da dissidente leva a um equívoco”, alega o Secretário de Formação Política do PT-BA, Murilo Brito, “Cuba tem um governo de inclusão social, com importantes avanços em diversos indicadores sociais, como educação, saúde e segurança alimentar, apesar do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Este sim, um atentado contra a liberdade de toda uma nação”, afirma.

Para formalizar a posição do partido, amanhã (19/02), em reunião da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores, os companheiros e dirigentes da EPS, Eudes Queiroz, Ivan Alex e Murilo Brito, estarão discutindo junto aos demais membros da executiva uma nota oficial do PT baiano sobre a presença da blogueira na Bahia.

Presente no Estado para a participação na exibição do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, do cineasta Dado Galvão, em Feira de Santana. Yoani Sánchez também participa de palestra no jornal Estado de S. Paulo e do programa Roda Viva, da TV Cultura, ambos na quinta-feira (21), em São Paulo.

*Com informações do Brasil de Fato

Na pesquisa Ibope: Serra cai, Haddad sobe e empata com Serra. E agora José?

by mariafro

Haddad tem crescido 1 ponto percentual por dia após o início da propaganda eleitoral, quanto mais conhecido, mais eleitores ganha, sua margem de crescimento ainda é alta. Seu índice de rejeição bem baixo.

Serra já era?

Por: *Wagner Iglecias, especial para o Maria Frô

 

As pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta semana para a prefeitura de São Paulo trouxeram boas novidades para Celso Russomano (PRB), que parece ir se consolidando na liderança, e para Fernando Haddad, que vai crescendo à medida em que passa a ser mais conhecido do eleitorado e reconhecido como o candidato do PT. A José Serra, do PSDB, couberam péssimas notícias, de queda nas intenções de voto e de aumento vigoroso no índice de rejeição. Pergunta: como pode aquele que era considerado favorito na disputa, há algumas semanas, estar enfrentando este cenário, com chances de nem mesmo qualificar-se para o 2º turno?

As razões devem ser muitas. Uma delas, óbvia, é o apoio de Gilberto Kassab e a imediata associação que o eleitor faz de Serra com uma gestão que é avaliada pela maioria dos paulistanos como bastante ruim. De fato há em São Paulo neste momento uma aspiração por mudança, ainda que vaga. E, talvez indo mais além, pode estar se gestando um sentimento, ainda meio difuso, de percepção de esgotamento de material, relativo não apenas a Kassab e a Serra, mas ao consórcio que domina a cidade há quase uma década e que se encontra no comando do estado há quase vinte anos.

Mas a questão não é só essa. A questão é Serra, a forma como se relaciona com o meio político e a maneira como se apresenta à sociedade. Sobre o meio político é notória a quantidade de desafetos que colecionou. Em relação à forma como se apresenta a sociedade, lembremos que nos últimos dez anos Serra disputou simplesmente quatro das cinco eleições possíveis. Provavelmente seja um caso único num período tão curto de tempo. Foi candidato à presidência da república em 2002, à prefeitura de São Paulo em 2004, ao governo do estado em 2006 e novamente à presidência em 2010. E sempre com o velho mote da casinha pobre da Moóca, da banca de frutas do Mercado Municipal, do homem dos genéricos, do melhor ministro da saúde que este país já teve, do criador das escolas técnicas, do criador dos mutirões da saúde etc, etc, etc. Fez campanhas errantes – por vezes colocou-se claramente como o candidato anti-PT, como na eleição contra Marta Suplicy, em 2004. Por outras, tentou apresentar-se como o oposto disto. Quem não se lembra do ?Zé amigo do Lula?, ou do ?sai o Lula, entra o Zé?, de 2010? Por falar em 2010, carregou sua biografia e seu partido para geografias sociais e políticas relativamente ?exóticas? ao militante tucano mais tradicional, como quando aproximou-se de lideranças católicas conservadoras e pastores das mais variadas denominações evangélicas. Acabou com isto ou para isto levando para a campanha presidencial daquele ano uma agenda calcada em questões morais que fariam corar o antigo economista que um dia escreveu livros e artigos sobre a economia brasileira e sua inserção na ordem mundial.


Fonte: Ibope, Ifográfico: A/E

Nesta eleição à prefeitura de São Paulo Serra enfrenta um desafio adicional: é um homem de 70 anos, o mais velho entre todos os candidatos. A foto da tentativa mal-sucedida de subir num simples skate virou piada nas redes sociais. A estréia no horário eleitoral na televisão, vestindo jogging, andando de bicicleta e empinando pipa também não convenceu. Assim como já tinha soado artificial sua aparição pública para assistir aos jogos do Brasil na Copa do Mundo de 2010 e soou o recente passeio de metrô às 13hs, entre duas estações situadas numa das mais nobres regiões da cidade. Até o jingle da campanha, baseado no ?tchu, tcha?, de claro apelo popular, não pegou como se esperava. Embora toque na novela, seu timing já foi e muita gente não aguenta mais ouvir a grudenta e repetitiva melodia.

Tudo, ou quase tudo na campanha serrista soa pouco espontâneo. Sobretudo aos mais jovens, à garotada que vive online, uma geração para quem cargos, títulos ou autoridade já não convencem muito, e que só respeita mesmo duas coisas: autenticidade e bons argumentos. Não é a toa que, de acordo com o Datafolha desta semana, entre os jovens de 16 a 34 anos Serra conta com impressionantes 50% de rejeição. Tenho cá pra mim que se o recorte fosse entre os 16 e 24 anos, quando se é, efetivamente, jovem, este índice seria até maior.

Passa por Serra e pelos homens de sua campanha, porém, o futuro da eleição paulistana. Os números que as pesquisas estão trazendo são dramáticos para o tucano, mas ainda há tempo de campanha e o jogo está aberto. Embora a situação seja bastante delicada para Serra, talvez estejam demonstrando muito açodamento os que, de forma até eufórica, já o consideram carta fora do baralho. O que resta ao tucano é inevitavelmente partir para o ataque. Para sobreviver, no entanto, em quem Serra baterá? Em Russomano, para disputar a vaga do pólo conservador no 2o. turno, a partir da premissa de que Haddad vai garantir a outra vaga com os votos do pólo progressista da cidade? Ou vai bater em Haddad, a partir da premissa que a vaga de Russomano no 2o. turno já está garantida? Passa por Serra, mais do que nunca, o que será desta eleição em São Paulo. Quem poderia, semanas atrás, dizer que de favorito Serra passaria à condição de fiel da balança?

*Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

Nos EUA, Dilma marca posição pró-Cuba

No encontro que terá hoje com Obama, presidente avisará que próxima Cúpula das Américas ‘será a última’ sem o país caribenho

VERA ROSA, ENVIADA ESPECIAL / WASHINGTON – O Estado de S.Paulo

Na conversa reservada que terá hoje com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, a presidente Dilma Rousseff marcará posição em defesa de Cuba. Em um jogo combinado com outros países do continente, Dilma avisará que “esta será a última Cúpula das Américas sem a participação de Cuba” porque, caso a situação não mude, o próximo encontro, em 2016, ficará completamente esvaziado.

A 6.ª Cúpula das Américas ocorrerá na cidade colombiana de Cartagena de Índias, nos dias 14 e 15, pouco depois de Dilma voltar da viagem aos EUA. Sob embargo econômico norte-americano, Cuba foi, mais uma vez, excluída da reunião continental. Em sinal de protesto, o presidente do Equador, Rafael Correa, já anunciou que não participará do encontro na Colômbia.

Na conversa com Obama, Dilma pretende antecipar a posição unificada que o Brasil e outros países do bloco mais alinhado à esquerda pretendem levar à Cúpula das Américas. Pelo roteiro acertado até agora, os governantes de 12 dos 34 países convidados para o convescote de Cartagena farão declarações de repúdio à falta de assento para Cuba no evento.

Na prática, Dilma quer arrancar de Obama, neste ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos, o compromisso político de que o governo americano vai restabelecer relações com a ilha governada por Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel Castro no comando do país. Obama é candidato a um segundo mandato pelo Partido Democrata. Os comentários de Dilma, porém, devem ser feitos na conversa a portas fechadas, e não na declaração ao lado de Obama, na Casa Branca. Dilma não tem intenção de pôr Obama numa saia-justa nem de tocar na questão da violação dos direitos humanos em Cuba.

Quando visitou Havana, em janeiro, Dilma criticou os EUA e disse não ser possível fazer da questão dos direitos humanos uma “arma” de combate político-ideológico. “Se vamos falar de direitos humanos, nós começaremos a falar de direitos humanos no Brasil, nos Estados Unidos e a respeito de uma base aqui chamada Guantánamo”, afirmou Dilma, na ocasião, numa referência à prisão mantida pelo governo americano na ilha.

Flórida. Dilma também ouviu apelos de empresários para questionar Obama sobre a constitucionalidade de uma lei aprovada na Flórida que pune empresas com relações comerciais com Cuba. Pela nova lei, companhias com negócios na ilha não podem ter grandes empreendimentos na Flórida. A retaliação atinge em cheio as empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht, que toca a obra do Porto de Mariel, em Cuba. Trata-se do principal empreendimento de infraestrutura realizado atualmente ali, com financiamento de US$ 683 milhões do governo brasileiro – 85% do valor total.

Depois que a lei foi aprovada no Congresso da Flórida, Dilma recebeu várias reclamações de empresários que mantêm negócios tanto nos EUA quanto em Cuba. Eles querem que Dilma pergunte a Obama até que ponto o Estado pode legislar sobre questões de relações internacionais.

Cachaça. O único acordo comercial da visita oficial de Dilma aos EUA será o reconhecimento da cachaça como produto exclusivamente brasileiro. A bebida deixará de chegar ao mercado americano como uma espécie de rum. A contrapartida será o ingresso no Brasil do bourbon, o uísque de milho, como bebida típica dos EUA e não mais como Scotch. Outros cinco acordos menos pitorescos serão firmados em diferentes áreas, além de 14 em Educação.

Dilma se reúne hoje de manhã com Obama na Casa Branca e, após o almoço, participa do encerramento do Foro de Altos Executivos EUA-Brasil. À tarde ela encerra o seminário Brasil-EUA: Parcerias para o Século 21 e, depois, se reúne com empresários norte-americanos. À noite, jantará com o embaixador do Brasil nos EUA, Mauro Vieira.

Líder do governo na Câmara, dep Cândido Vaccarezza PT-SP, afirmou que ninguém pode obrigar Dilma a visitar grupos políticos dissidentes.

 

MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA

Ao comentar a visita da presidente Dilma Rousseff a Cuba, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou, nesta terça-feira, que ninguém pode obrigar Dilma a visitar grupos políticos dissidentes.

Ainda na opinião de Vaccarezza, o fato de o Brasil “conceder visto para todos que pedem tem que ser festejado”. A afirmação foi feita em referência ao fato de o país ter dado visto à blogueira Yoani Sánchez.

Sánchez, crítica do regime dos Castro, recebeu na semana passada da embaixada brasileira em Havana o visto de turista para visitar o Brasil para participar do lançamento de um documentário, no dia 10.

O petista também disse apoiar a declaração de Dilma de que só trataria sobre violações de direitos humanos em Cuba sobre a “perspectiva multilateral” e a de que a questão não pode ser “só uma arma de combate político-ideológico”.

“Faz parte da tradição diplomática do Brasil não interferir em questões internas de outros países”, afirmou Vaccarezza.

O líder do governo falou ainda sobre a oposição brasileira que critica a presidente por sua proximidade com Cuba. “Devemos separar política de politicagem. Devemos pensar no país e não querer tirar casquinha de discussão sem procedência”, disse.

Ele disse que a relação com partidos da base aliada, como PMDB e PP, não preocupa. Segundo ele, a relação entre as legendas é melhor do que em outros momentos desse governo.

O PMDB trocou farpas recentemente com o governo por causa de cargos na esfera federal. Já o PP tem sua permanência no Ministério das Cidades questionada com a provável saída do titular Mário Negromonte.

Publicado originalmente por Folha.com

Dilma fala sobre direitos humanos em Cuba

 

Na coletiva, critica a instrumentalização ideológica da bandeira dos direitos humanos e diz que deve ser bandeira geral, de Cuba, do Brasil e dos Estados Unidos.

 

Publicado originalmente por luisnassif

CUBA : A BLOGUEIRA YOANI, da Traição ao Trabalho Mercenário

A BLOGUEIRA YOANI E SUAS CONTRADIÇÕES

Do Blog de Tolentino

A entrevista concedida ao jornalista francês Salim Lamranium é longa, mas indispensável para  se ver a quantidade de contradições em que incorre a blogueira Yoani Sánchez, transformada em vedete da mídia comprometida com o combate sem tréguas ao regime cubano.
Em meio à difamação da fanatizada e badalada blogueira, ela chega a reconhecer, ela mesma, que a mídia internacional manipula e mente nas entrevistas com ela, na sanha de atrair a opinião pública contra Fidel Castro e o governo da Ilha.
Ferrenha opositora do regime cubano, a blogueira Yoani Sánchez concedeu uma entrevista ao jornalista francês Salim Lamranium, na qual cai em contradição diversas vezes. Especialista em assuntos relacionados à ilha, ele conseguiu colocá-la contra a parede e expor a fragilidade dos argumentos da cubana. Veja abaixo.
Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob’s (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time(2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.
Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time(2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardofez o mesmo para 2008.
Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos – segundo a própria blogueira – pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?
Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.
O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da “polícia política”. Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX.
Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.
Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação.
Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar a instauração de um “capitalismo sui generis” em Cuba.
O incidente de 6 de novembro de 2009
Salim Lamrani – Comecemos pelo incidente ocorrido em 6 de novembro de 2009 em Havana. Em seu blog, a senhora explicou que foi presa com três amigos por “três robustos desconhecidos” durante uma “tarde carregada de pancadas, gritos e insultos”. A senhora denunciou as violências de que foi vítima por parte das forças da ordem cubanas. Confirma sua versão dos fatos?
Yoani Sánchez – Efetivamente, confirmo que sofri violência. Mantiveram-me sequestrada por 25 minutos. Levei pancadas. Consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o coloquei em minha boca. Um deles pôs o joelho sobre meu peito e o outro, no assento dianteiro, me batia na região dos rins e golpeava minha cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Por um momento, achei que nunca sairia daquele carro.
SL – O relato, em seu blog, é verdadeiramente terrorífico. Cito textualmente: a senhora falou de “golpes e empurrões”, de “golpes nos nós dos dedos”, de “enxurrada de golpes”, do “joelho sobre o [seu] peito”, dos golpes nos “rins e […] na cabeça”, do “cabelo puxado”, de seu “rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido”, dos “golpes [que] continuavam vindo” e “todas essas marcas roxas”. No entanto, quando a senhora recebeu a imprensa internacional em 9 de novembro, todas as marcas haviam desaparecido. Como explica isso?
YS – São profissionais do espancamento.
SL – Certo, mas por que a senhora não tirou fotos das marcas?
YS – Tenho as fotos. Tenho provas fotográficas.
SL – Tem provas fotográficas?
YS – Tenho as provas fotográficas.
SL – Mas por que não as publicou para desmentir todos os rumores segundo os quais a senhora havia inventado uma agressão para que a imprensa falasse de seu caso?
YS – Por enquanto prefiro guardá-las e não publicá-las. Quero apresentá-las um dia perante um tribunal, para que esses três homens sejam julgados. Lembro-me perfeitamente de seus rostos e tenho fotos de pelo menos dois deles. Quanto ao terceiro, ainda não está identificado, mas, como se tratava do chefe, será fácil de encontrar. Tenho também o papel que tirei de um deles e que tem minha saliva, pois o coloquei na boca. Neste papel estava escrito o nome de uma mulher.
SL – Certo. A senhora publica muitas fotos em seu blog. Para nós é difícil entender por que prefere não mostrar as marcas desta vez.
YS – Como já lhe disse, prefiro guardá-las para a Justiça.
SL – A senhora entende que, com essa atitude, está dando crédito aos que pensam que a agressão foi uma invenção.
YS – É minha escolha.
SL – No entanto, até mesmo os meios ocidentais que lhe são mais favoráveis tomaram precauções oratórias pouco habituais para divulgar seu relato. O correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg, por exemplo, escreve que a senhora “não tem hematomas, marcas ou cicatrizes”. A agência France Presse conta a história esclarecendo com muito cuidado que se trata de sua versão, sob o título “Cuba: a blogueira Yoani Sánchez diz ter sido agredida e detida brevemente”. O jornalista afirma, por outro lado, que a senhora “não ficou ferida”.
YS – Não quero avaliar o trabalho deles. Não sou eu quem deve julgá-lo. São profissionais que passam por situações muito complicadas, que não posso avaliar. O certo é que a existência ou não de marcas físicas não é a prova do fato.
SL – Mas a presença de marcas demonstraria que foram cometidas violências. Daí a importância da publicação das fotos.
YS – O senhor deve entender que tratamos de profissionais da intimidação. O fato de três desconhecidos terem me levado até um carro sem me apresentar nenhum documento me dá o direito de me queixar como se tivessem fraturado todos os ossos do corpo. As fotos não são importantes porque a ilegalidade está consumada. A precisão de que “me doeu aqui ou me doeu ali” é minha dor interior.
SL – Sim, mas o problema é que a senhora apresentou isso como uma agressão muito violenta. A senhora falou de “sequestro no pior estilo da Camorra siciliana”.
YS – Sim, é verdade, mas sei que é minha palavra contra a deles. Entrar nesse tipo de detalhes, para saber se tenho marcas ou não, nos afasta do tema verdadeiro, que é o fato de terem me sequestrado durante 25 minutos de maneira ilegal.
SL – Perdoe-me a insistência, mas creio que é importante. Há uma diferença entre um controle de identidade que dura 25 minutos de violências policiais. Minha pergunta é simples. A senhora disse, textualmente: “Durante todo o fim de semana fiquei com a maçã do rosto e o supercílio inflamados.” Como tem as fotos, pode agora mostrar as marcas.
YS – Já lhe disse que prefiro guardá-las para o tribunal.
SL – A senhora entende que, para algumas pessoas, será difícil acreditar em sua versão se a senhora não publicar as fotos.
YS – Penso que, entrando nesse tipo de detalhes, perde-se a essência. A essência é que três bloggers acompanhados por uma amiga dirigiam-se a um ponto da cidade que era a Rua 23, esquina G. Tínhamos ouvido falar que um grupo de jovens convocara uma passeata contra a violência. Pessoas alternativas, cantores de hip hop, de rap, artistas. Eu compareceria como blogueira para tirar fotos e publicá-las em meu blog e fazer entrevistas. No caminho, fomos interceptados por um carro da marca Geely.
SL – Para impedi-los de participar do evento?
YS – A razão, evidentemente, era esta. Eles nunca me disseram formalmente, mas era o objetivo. Disseram-me que entrasse no carro. Perguntei quem eles eram. Um deles me pegou pelo pulso e comecei a ir para trás. Isso aconteceu em uma zona bastante central de Havana, em um ponto de ônibus.
SL – Então havia outras pessoas. Havia testemunhas.
YS – Há testemunhas, mas não querem falar. Têm medo.
SL – Nem mesmo de modo anônimo? Por que a imprensa ocidental não as entrevistou preservando seu anonimato, como faz muitas vezes quando publica reportagens críticas sobre Cuba?
YS – Não posso lhe explicar a reação da imprensa. Posso lhe contar o que aconteceu. Um deles era um homem de uns cinquenta anos, musculoso como se tivesse praticado luta livre em algum momento da vida. Digo-lhe isso porque meu pai praticou esse esporte e tem as mesmas características. Tenho os pulsos muito finos e consegui escapar, e lhe perguntei quem era. Havia três homens além do motorista.
SL – Então havia quatro homens no total, e não três.
YS – Sim, mas não vi o rosto do motorista. Disseram-me: “Yoani, entre no carro, você sabe quem somos.” Respondi: “Não sei quem são os senhores.” O mais baixo me disse: “Escute-me, voce sabe quem sou, você me conhece.” Retruquei: “Não, não sei quem é você. Não o conheço. Quem é você? Mostre-me suas credenciais ou algum documento.” O outro me disse: “Entre, não torne as coisas mais difíceis.” Então comecei a gritar: “Socorro! Sequestradores!”
SL – A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana?
YS – Imaginava, mas eles não me mostraram seus documentos.
SL – Qual era seu objetivo, então?
YS – Queria que as coisas fossem feitas dentro da legalidade, ou seja, que me mostrassem seus documentos e me levassem depois, embora eu suspeitasse que eles representavam a autoridade. Ninguém pode obrigar um cidadão a entrar em um carro particular sem apresentar suas credenciais. Isso é uma ilegalidade e um sequestro.
SL – Como as pessoas no ponto de ônibus reagiram?
YS – As pessoas no ponto ficaram atônitas, pois “sequestro” não é uma palavra que se usa em Cuba, não existe esse fenômeno. Então se perguntaram o que estava acontecendo. Não tínhamos jeito de delinquentes. Alguns se aproximaram, mas um dos policiais lhes gritou: “Não se metam, que são contrarrevolucionários!”
Esta foi a confirmação de que se tratava de membros da polícia política, embora eu já imaginasse por causa do carro Geely, que é chinês, de fabricação atual, e não é vendido em nenhuma loja em Cuba. Esses carros pertencem exclusivamente a membros do Ministério das Forças Armadas e do Ministério do Interior.
SL – Então a senhora sabia desde o início, pelo carro, que se tratava de policiais à paisana.
YS – Intuía. Por outro lado, tive a confirmação quando um deles chamou um policial uniformizado. Uma patrulha formada por um homem e uma mulher chegou e levou dois de nós. Deixou-nos nas mãos desses dois desconhecidos.
SL – Mas a senhora já não tinha a menor dúvida sobre quem eles eram.
YS – Não, mas não nos mostraram nenhum documento. Os policiais não nos disseram que representavam a autoridade. Não nos disseram nada.
SL – É difícil entender o interesse das autoridades cubanas em agredi-la fisicamente, sob o risco de provocar um escândalo internacional. A senhora é famosa. Por que teriam feito isso?
YS – Seu objetivo era radicalizar-me, para que eu escrevesse textos violentos contra eles. Mas não conseguirão.
SL – Não se pode dizer que a senhora é branda com o governo cubano.
YS -Nunca recorro à violência verbal nem a ataques pessoais. Nunca uso adjetivos incendiários, como “sangrenta repressão”, por exemplo. Seu objetivo, então, era radicalizar-me.
SL – No entanto, a senhora é muito dura em relação ao governo de Havana. Em seu blog, a senhora diz: “o barco que faz água a ponto de naufragar”. A senhora fala dos “gritos do déspota”, de “seres das sombras, que, como vampiros, se alimentam de nossa alegria humana, nos incutem o medo por meio da agressão, da ameaça, da chantagem”, e afirma que “naufragaram o processo, o sistema, as expectativas, as ilusões. [É um] naufráfio [total]”. São palavras muito fortes.
YS – Talvez, mas o objetivo deles era queimar o fenômeno Yoani Sánchez, demonizar-me. Por isso meu blog permaneceu bloqueado por um bom tempo.
SL – Contudo, é surpreendente que as autoridades cubanas tenham decidido atacá-la fisicamente.
YS – Foi uma torpeza. Não entendo por que me impediram de assistir à passeata, pois não penso como aqueles que reprimem. Não tenho explicação. Talvez eles não quisessem que eu me reunisse com os jovens. Os policiais acreditavam que eu iria provocar um escândalo ou fazer um discurso incendiário.
Voltando ao assunto da detenção, os policiais levaram meus amigos de maneira enérgica e firme, mas sem violência. No momento em que me dei conta de que iriam nos deixar sozinhos com Orlando, com esses três tipos, agarrei-me a uma planta que havia na rua e Claudia agarrou-se a mim pela cintura para impedir a separação, antes de os policiais a levarem.
SL – Para que resistir às forças da ordem uniformizadas e correr o risco de ser acusada disso e cometer um delito? Na França, se resistimos à polícia, corremos o risco de sofrer sanções.
YS – De qualquer modo, eles nos levaram. A policial levou Claudia. As três pessoas nos levaram até o carro e comecei a gritar de novo: “Socorro! Um sequestro!”
SL – Por quê? A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana.
YS – Não me mostraram nenhum papel. Então começaram a me bater e me empurraram em direção ao carro. Claudia foi testemunha e relatou isso.
SL – A senhora não acaba de me dizer que a patrulha a havia levado?
YS – Ela viu a cena de longe, enquanto o carro de polícia se afastava. Defendi-me e golpeei como um animal que sente que sua hora chegou. Deram uma volta rápida e tentaram tirar-me o papel da boca.
Agarrei um deles pelos testículos e ele redobrou a violência. Levaram-nos a um bairro bem periférico, La Timba, que fica perto da Praça da Revolução. O homem desceu, abriu a porta e pediu que saíssemos. Eu não quis descer. Eles nos fizeram sair à força com Orlando e foram embora.
Uma senhora chegou e dissemos que havíamos sido sequestrados. Ela nos achou malucos e se foi. O carro voltou, mas não parou. Eles só me jogaram minha bolsa, onde estavam meu celular e minha câmera.
SL – Voltaram para devolver seu celular e sua câmera?
YS – Sim.
SL – Não lhe parece estranho que se preocupassem em voltar? Poderiam ter confiscado seu celular e sua câmera, que são suas ferramentas de trabalho.
YS – Bem, não sei. Tudo durou 25 minutos.
SL – Mas a senhora entende que, enquanto não publicar as fotos, as pessoas duvidarão de sua versão, e isso lançará uma sombra sobre a credibilidade de tudo o que a senhora diz.
YS – Não importa.
A Suíça e o retorno a Cuba
SL – Em 2002, a senhora decidiu emigrar para a Suíça. Dois anos depois, voltou a Cuba. É difícil entender por que a senhora deixou o “paraíso europeu” para regressar ao país que descreve como um inferno. A pergunta é simples: por quê?
YS – É uma ótima pergunta. Primeiro, gosto de nadar contra a corrente. Gosto de organizar minha vida à minha maneira. O absurdo não é ir embora e voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas, que estipulam que toda pessoa que passa onze meses no exterior perde seu status de residente permanente.
Em outras condições eu poderia permanecer dois anos no exterior e, com o dinheiro ganho, voltar a Cuba para reformar a casa e fazer outras coisas. Então o surpreendente não é o fato de eu decidir voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas.
SL – O mais surpreendente é que, tendo a possibilidade de viver em um dos países mais ricos do mundo, a senhora tenha decidido voltar a seu país, que descreve de modo apocalíptico, apenas dois anos depois de sua saída.
YS – As razões são várias. Primeiro, não pude ir embora com minha família. Somos uma pequena família, mas minha irmã, meus pais e eu somos muito unidos. Meu pai ficou doente em minha ausência e tive medo de que ele morresse sem que eu pudesse vê-lo. Também me sentia culpada por viver melhor do que eles. A cada vez que comprava um par de sapatos, que me conectava à internet, pensava neles. Sentia-me culpada.
SL – Certo, mas, da Suíça, a senhora podia ajudá-los enviando dinheiro.
YS – É verdade, mas há outro motivo. Pensei que, com o que havia aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba. Há também a saudade das pessoas, dos amigos. Não foi uma decisão pensada, mas não me arrependo.
Tinha vontade de voltar e voltei. É verdade que isso pode parecer pouco comum, mas gosto de fazer coisas incomuns. Criei um blog e as pessoas me perguntaram por que eu fiz isso, mas o blog me satisfaz profissionalmente.
SL – Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo apocalíptico.
YS – Como filóloga, eu discutiria a palavra, pois “apocalíptico” é um termo grandiloquente. Há um aspecto que caracteriza meu blog: a moderação verbal.
SL – Não é sempre assim. A senhora, por exemplo, descreve Cuba como “uma imensa prisão, com muros ideológicos”. Os termos são bastantes fortes.
YS – Nunca escrevi isso.
SL – São as palavras de uma entrevista concedida ao canal francês France 24 em 22 de outubro de 2009.
YS – O senhor leu isso em francês ou em espanhol?
SL – Em francês.
YS – Desconfie das traduções, pois eu nunca disse isso. Com frequência me atribuem coisas que eu não disse. Por exemplo, o jornal espanhol ABC me atribuiu palavras que eu nunca havia pronunciado, e protestei. O artigo foi finalmente retirado do site na internet.
SL – Quais eram essas palavras?
YS – “Nos hospitais cubanos, morre mais gente de fome do que de enfermidades.” Era uma mentira total. Eu jamais havia dito isso.
SL – Então a imprensa ocidental manipulou o que a senhora disse?
YS – Eu não diria isso.
SL – Se lhe atribuem palavras que a senhora não pronunciou, trata-se de manipulação.
YS – O Granma manipula a realidade mais do que a imprensa ocidental ao afirmar que sou uma criação do grupo midiático Prisa.
SL – Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa ocidental a usa porque a senhora preconiza um “capitalismo sui generis” em Cuba?
YS – Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da “mordaça”, que põe na cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.
SL – O que isso quer dizer?
YS – Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser punido com uma pena de até 15 anos de prisão.
SL – Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a cadeia?
YS – É claro!
SL – Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de um hotel no centro de Havana Velha.
YS – Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções contra Cuba pela violação dos direitos humanos.
SL – Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à Lei-Helms Burton e sanciona sobretudo as pessoas que colaboram com a aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo fornecendo informações a Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba, ninguém até agora foi condenado por isso.
Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades, que provam o contrário?
YS – Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está bloqueado.
SL – Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da entrevista, no hotel
YS – É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo. De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.
SL – Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.
YS – Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.
SL – Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos econômicos e financeiros privados.
YS – Sim, mas é diferente.
SL – A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?
YS – Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam sair.
SL – Deram-lhe alguma explicação?
YS – Nenhuma, mas quero dizer uma coisa. Para mim, as sanções dos Estados Unidos contra Cuba são uma atrocidade. Trata-se de uma política que fracassou. Afirmei isso muitas vezes, mas não se publica, pois é incômodo o fato de eu ter esta opinião que rompe com o arquétipo do opositor.
As sanções econômicas
SL – Então a senhora se opõe às sanções econômicas.
YS – Absolutamente, e digo isso em todas as entrevistas. Há algumas semanas, enviei uma carta ao Senado dos Estados Unidos pedindo que os cidadãos norte-americanos tivessem permissão para viajar a Cuba. É uma atrocidade impedir que os cidadãos norte-americanos viajem a Cuba, do mesmo modo que o governo cubano me impede de sair de meu país.
SL – O que acha das esperanças suscitadas pela eleição de Obama, que prometeu uma mudança na política para Cuba, mas decepcionou muita gente?
YS – Ele chegou ao poder sem o apoio do lobby fundamentalista de Miami, que defendeu o outro candidato. De minha parte, já me pronunciei contra as sanções.
SL – Este lobby fundamentalista é contra a suspensão das sanções econômicas.
YS – O senhor pode discutir com eles e lhes expor meus argumentos, mas eu não diria que são inimigos da pátria. Não penso assim.
SL – Uma parte deles participou da invasão de seu próprio país em 1961, sob as ordens da CIA. Vários estão envolvidos em atos de terrorismo contra Cuba.
YS – Os cubanos no exílio têm o direito de pensar e decidir. Sou a favor de que eles tenham direito ao voto. Aqui, estigmatizou-se muito o exílio cubano.
SL – O exílio “histórico” ou os que emigraram depois, por razões econômicas?
YS – Na verdade, oponho-me a todos os extremos. Mas essas pessoas que defendem as sanções econômicas não são anticubanas. Considere que elas defendem Cuba segundo seus próprios critérios.
SL – Talvez, mas as sanções econômicas afetam os setores mais vulneráveis da população cubana, e não os dirigentes. Por isso é difícil ser a favor das sanções e, ao mesmo tempo, querer defender o bem-estar dos cubanos.
YS – É a opinião deles. É assim.
SL – Eles não são ingênuos. Sabem que os cubanos sofrem com as sanções.
YS – São simplesmente diferentes. Acreditam que poderão mudar o regime impondo sanções. Em todo caso, creio que o bloqueio tem sido o argumento perfeito para o governo cubano manter a intolerância, o controle e a repressão interna.
SL – As sanções econômicas têm efeitos. Ou a senhora acha que são apenas uma desculpa para Havana?
YS – São uma desculpa que leva à repressão.
SL – Afetam o país de um ponto de vista econômico, para a senhora? Ou é apenas um efeito marginal?
YS – O verdadeiro problema é a falta de produtividade em Cuba. Se amanhã suspendessem as sanções, duvido muito que víssemos os efeitos.
SL – Neste caso, por que os Estados Unidos não suspendem as sanções, tirando assim a desculpa do governo? Assim perceberíamos que as dificuldades econômicas devem-se apenas às políticas internas. Se Washington insiste tanto nas sanções apesar de seu caráter anacrônico, apesar da oposição da imensa maioria da comunidade internacional, 187 países em 2009, apesar da oposição de uma maioria da opinião pública dos Estados Unidos, apesar da oposição do mundo dos negócios, deve ser por algum motivo, não?
YS – Simplesmente porque Obama não é o ditador dos Estados Unidos e não pode eliminar as sanções.
SL – Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004, quase nada mudou.
YS – Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de telecomunicações norte-americanas fizessem transações com Cuba.
Os prêmios internacionais, o blog e Barack Obama
SL – A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?
YS – Não tenho muito a dizer, a não ser expressar minha gratidão. Todo prêmio implica uma dose de subjetividade por parte do jurado. Todo prêmio é discutível. Por exemplo, muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez.
SL – A senhora afirma isso porque acredita que ele não tem tanto talento ou por sua posição favorável à Revolução cubana? A senhora não nega seu talento de escritor, ou nega?
YS – É minha opinião, mas não direi que ele obteve o prêmio por esse motivo nem vou acusá-lo de ser um agente do governo sueco.
SL – Ele obteve o prêmio por sua obra literária, enquanto a senhora foi recompensada por suas posições políticas contra o governo. É a impressão que temos.
YS – Falemos do prêmio Ortega y Gasset, do jornal El País, que suscita mais polêmica. Venci na categoria “Internet”. Alguns dizem que outros jornalistas não conseguiram, mas sou uma blogueira e sou pioneira neste campo. Considero-me uma personagem da internet. O júri do prêmio Ortega y Gasset é formado por personalidades extremamente prestigiadas e eu não diria que elas se prestaram a uma conspiração contra Cuba.
SL – A senhora não pode negar que o jornal espanhol El Paístem uma linha editorial totalmente hostil a Cuba. E alguns acham que o prêmio, de 15.000 euros, foi uma forma de recompensar seus escritos contra o governo.
YS – As pessoas pensam o que querem. Acredito que meu trabalho foi recompensado. Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão.
SL – Como a senhora faz para pagar os gastos com a administração de semelhante tráfego?
YS – Um amigo na Alemanha se encarregava disso, pois o site estava hospedado na Alemanha. Há mais de um ano está hospedado na Espanha, e consegui 18 meses gratuitos graças ao prêmio The Bob’s.
SL – E a tradução para 18 línguas?
YS – São amigos e admiradores que o fazem voluntária e gratuitamente.
SL – Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, a União Europeia, dispõe de tantas versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o da CIA contam com semelhante variedade.
YS – Digo-lhe a verdade.
SL – O presidente Obama inclusive respondeu a uma entrevista que a senhora fez. Como explica isso?
YS – Em primeiro lugar, quero dizer que não eram perguntas complacentes.
SL – Tampouco podemos afirmar que a senhora foi crítica, já que não pediu que ele suspendesse as sanções econômicas, sobre as quais a senhora diz que “são usadas como justificativa tanto para o descalabro produtivo quanto para reprimir os que pensam diferente”. É exatamente o que diz Washington sobre o tema.
O momento de maior atrevimento foi quando a senhora perguntou se ele pensava em invadir Cuba. Como a senhora explica que o presidente Obama tenha dedicado tempo a lhe responder apesar de sua agenda extremamente carregada, com uma crise econômica sem precedentes, a reforma do sistema de saúde, o Iraque, o Afeganistão, as bases militares na Colômbia, o golpe de Estado em Honduras e centenas de pedidos de entrevista dos mais importantes meios do mundo à espera?
YS – Tenho sorte. Quero lhe dizer que também enviei perguntas ao presidente Raúl Castro e ele não me respondeu. Não perco a esperança. Além disso, ele agora tem a vantagem de contar com as respostas de Obama.
SL – Como a senhora chegou até Obama?
YS – Transmiti as perguntas a várias pessoas que vinham me visitar e poderiam ter um contato com ele.
SL – Em sua opinião, Obama respondeu porque a senhora é uma blogueira cubana ou porque se opõe ao governo?
YS – Não creio. Obama respondeu porque fala com os cidadãos.
SL – Ele recebe milhões de solicitações a cada dia. Por que lhe respondeu, se a senhora é uma simples blogueira?
YS – Obama é próximo de minha geração, de meu modo de pensar.
SL – Mas por que a senhora? Existem milhões de blogueiros no mundo. Não acha que foi usada na guerra midiática de Washington contra Havana?
YS – Em minha opinião, ele talvez quisesse responder a alguns pontos, como a invasão de Cuba. Talvez eu tenha lhe dado a oportunidade de se manifestar sobre um tema que ele queria abordar havia muito tempo. A propaganda política nos fala constantemente de uma possível invasão de Cuba.
SL – Mas ocorreu uma, não?
YS – Quando?
SL – Em 1961. E, em 2003, Roger Noriega, subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos, disse que qualquer onda migratória cubana em direção aos Estados Unidos seria considerada uma ameaça à segurança nacional e exigiria uma resposta militar.
YS – É outro assunto. Voltando ao tema da entrevista, creio que ela permitiu esclarecer alguns pontos. Tenho a impressão de que há uma intenção de ambos os lados de não normalizar as relações, de não se entender. Perguntei-lhe quando encontraríamos uma solução.
SL – A seu ver, quem é responsável por este conflito entre os dois países?
YS – É difícil apontar um culpado.
SL – Neste caso específico, são os Estados Unidos que impõem sanções unilaterais a Cuba, e não o contrário.
YS – Sim, mas Cuba confiscou propriedades dos Estados Unidos.
SL – Tenho a impressão de que a senhora faz o papel de advogada de Washington.
YS – Os confiscos ocorreram.
SL – É verdade, mas foram realizados conforme o direito internacional. Cuba também confiscou propriedades da França, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido, e indenizou estas nações. O único país que recusou as indenizações foram os Estados Unidos.
YS – Cuba também permitiu a instalação de bases militares em seu território e de mísseis de um império distante…
SL – …Como os Estados Unidos instalaram bases nucleares contra a URSS na Itália e na Turquia.
YS – Os mísseis nucleares podiam alcançar os Estados Unidos.
SL – Assim como os mísseis nucleares norte-americanos podiam alcançar Cuba ou a URSS.
YS – É verdade, mas creio que houve uma escalada no confronto por parte de ambos os países.
Os cinco presos políticos cubanos e a dissidência
SL – Abordemos outro tema. Fala-se muito dos cinco presos políticos cubanos nos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua por infiltrar grupelhos de extrema direita na Flórida envolvidos no terrorismo contra Cuba.
YS – Não é um tema que interesse à população. É propaganda política.
SL – Mas qual é seu ponto de vista a respeito?
YS – Tentarei ser o mais neutra possível. São agentes do Ministério do Interior que se infiltraram nos Estados Unidos para coletar informações. O governo de Cuba disse que eles não desempenhavam atividades de espionagem, mas sim que haviam infiltrado grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre afirmou que esses grupos estavam ligados a Washington.
SL – Então os grupos radicais de exilados têm laços com o governo dos Estados Unidos.
YS – É o que diz a propaganda política.
SL – Então não é verdade.
YS – Se é verdade, significa que os cinco realizavam atividades de espionagem.
SL – Neste caso, os Estados Unidos têm de reconhecer que os grupos violentos fazem parte do governo.
YS – É verdade.
SL – A senhora acha que os Cinco devem ser libertados ou merecem a punição?
YS – Creio que valeria a pena revisar os casos, mas em um contexto político mais apaziguado. Não acho que o uso político deste caso seja bom para eles. O governo cubano midiatiza demais este assunto.
SL – Talvez por ser um assunto totalmente censurado pela imprensa ocidental.
YS – Creio que seria bom salvar essas pessoas, que são seres humanos, têm uma família, filhos. Por outro lado, contudo, também há vítimas.
SL – Mas os cinco não cometeram crimes.
YS – Não, mas forneceram informações que causaram a morte de várias pessoas.
SL – A senhora se refere aos acontecimentos de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização radical Brothers to the Rescue foram derrubados depois de violar várias vezes o espaço aéreo cubano e lançar convocações à rebelião.
YS – Sim.
SL – No entanto, o promotor reconheceu que era impossível provar a culpa de Gerardo Hernández neste caso.
YS – É verdade. Penso que, quando a política se intromete em assuntos de justiça, chegamos a isso.
SL – A senhora acha que se trata de um caso político?
YS – Para o governo cubano, é um caso político.
SL – E para os Estados Unidos?
YS – Penso que existe uma separação dos poderes no país, mas é possível que o ambiente político tenha influenciado os juízes e jurados. Não creio, no entanto, que se trate de um caso político dirigido por Washigton. É difícil ter uma imagem clara deste caso, pois jamais obtivemos uma informação completa a respeito. Mas a prioridade para os cubanos é a libertação dos presos políticos.
O financiamento dos dissidentes cubanos pelos Estados Unidos
SL – Wayne S. Smith, último embaixador dos Estados Unidos em Cuba, declarou que era “ilegal e imprudente enviar dinheiro aos dissidentes cubanos”. Acrescentou que “ninguém deveria dar dinheiro aos dissidentes, muito menos com o objetivo de derrubar o governo cubano”.
Ele explica: “Quando os Estados Unidos declaram que seu objetivo é derrubar o governo cubano e depois afirmam que um dos meios para conseguir isso é oferecer fundos aos dissidentes cubanos, estes se encontram de fato na posição de agentes pagos por uma potência estrangeira para derrubar seu próprio governo”.
YS – Creio que o financiamento da oposição pelos Estados Unidos tem sido apresentado como uma realidade, o que não é o caso. Conheço vários membros do grupo dos 75 dissidentes presos em 2003 e duvido muito dessa versão. Não tenho provas de que os 75 tenham sido presos por isso. Não acredito nas provas apresentadas nos tribunais cubanos.
SL – Não creio que seja possível ignorar esta realidade.
YS – Por quê?
SL – O próprio governo dos Estados Unidos afirma que financia a oposição interna desde 1959. Basta consultar, além dos arquivos liberados ao público, a seção 1.705 da lei Torricelli, de 1992, a seção 109 da lei Helms-Burton, de 1996, e os dois informes da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, de maio de 2004 e julho de 2006. Todos esses documentos revelam que o presidente dos Estados Unidos financia a oposição interna em Cuba com o objetivo de derrubar o governo de Havana.
YS: Não sei, mas…
SL – Se me permite, vou citar as leis em questão. A seção 1.705 da lei Torricelli estipula que “os Estados Unidos proporcionarão assistência às organizações não-governamentais adequadas para apoiar indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não violenta em Cuba.”
A seção 109 da lei Helms-Burton também é muito clara: “O presidente [dos Estados Unidos] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para unir os esforços a fim de construir uma democracia em Cuba”.
O primeiro informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê a elaboração de um “sólido programa de apoio que favoreça a sociedade civil cubana”. Entre as medidas previstas há um financiamento de 36 milhões de dólares para o “apoio à oposição democrática e ao fortalecimento da sociedade civil emergente”.
O segundo informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê um orçamento de 31 milhões de dólares para financiar ainda mais a oposição interna. Além disso, está previsto para os anos seguintes um financiamento anual de pelo menos 20 milhões de dólares, com o mesmo objetivo, “até que a ditadura deixe de existir”.
YS – Quem lhe disse que esse dinheiro chegou às mãos dos dissidentes?
SL – A Seção de Interesses Norte-americanos afirmou em um comunicado: “A política norte-americana, faz muito tempo, é proporcionar assistência humanitária ao povo cubano, especificamente a famílias de presos políticos. Também permitimos que as organizações privadas o façam.”
YS – Bem…
SL – Inclusive a Anistia Internacional, que lembra a existência de 58 presos políticos em Cuba, reconhece que eles estão detidos “por ter recebido fundos ou materiais do governo norte-americano para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba”.
YS – Não sei se…
SL – Por outro lado, os próprios dissidentes admitem receber dinheiro dos Estados Unidos. Laura Pollán, das Damas de Branco, declarou: “Aceitamos a ajuda, o apoio, da ultradireita à esquerda, sem condições”. O opositor Vladimiro Roca também confessou que a dissidência cubana é subvencionada por Washington, alegando que a ajuda financeira recebida era “total e completamente lícita”. Para o dissidente René Gómez, o apoio econômico por parte dos Estados Unidos “não é algo a esconder ou de que precisemos nos envergonhar”.
Inclusive a imprensa ocidental reconhece. A agência France Presse informa que “os dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram essas ajudas econômicas”. A agência espanhola EFEmenciona os “opositores financiados pelos Estados Unidos”. Quanto à agência de notícias britânica Reuters, “o governo norte-americano fornece abertamente um apoio financeiro federal às atividades dos dissidentes, o que Cuba considera um ato ilegal”. E eu poderia multiplicar os exemplos.
YS – Tudo isso é culpa do governo cubano, que impede a prosperidade econômica de seus cidadãos, que impõe um racionamento à população. É preciso fazer fila para conseguir produtos. É necessário julgar antes o governo cubano, que levou milhares de pessoas a aceitar a ajuda estrangeira.
SL – O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na Franca e no restante do mundo.
YS – Podemos admitir que o financiamento de uma oposição é uma prova de ingerência, mas…
SL – Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base nisso.
YS – Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a guerrilha. Interveio em Angola e…
SL – Sim, mas se tratava de ajudar os movimentos independentistas contra o colonialismo português e o regime segregacionista da África do Sul. Quando a África do Sul invadiu a Namíbia, Cuba interveio para defender a independência deste país. Nelson Mandela agradeceu publicamente a Cuba e esta foi a razão pela qual fez sua primeira viagem a Havana, e não a Washington ou Paris.
YS – Mas muitos cubanos morreram por isso, longe de sua terra.
SL – Sim, mas foi por uma causa nobre, seja em Angola, no Congo ou na Namíbia. A batalha de Cuito Cuanavale, em 1988, permitiu que se pusesse fim ao apartheid na África do Sul. É o que diz Mandela! Não se sente orgulhosa disso?
YS – Concordo, mas, no fim das contas, incomoda-me mais a ingerência de meu país no exterior. O que faz falta é despenalizar a prosperidade.
SL – Inclusive o fato de se receber dinheiro de uma potência estrangeira?
YS – As pessoas têm de ser economicamente autônomas.
SL – Se entendo bem, a senhora preconiza a privatização de certos setores da economia.
YS – Não gosto do termo “privatizar”, pois tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.

Conquistas sociais em Cuba?
SL – É uma questão semântica, então. Quais são, para a senhora, as conquistas sociais deste país?
YS – Cada conquista teve um custo enorme. Todas as coisas que podem parecer positivas tiveram um custo em termos de liberdade. Meu filho recebe uma educação muito doutrinária e contam-lhe uma história de Cuba que em nada corresponde à realidade. Preferiria uma educação menos ideológica para meu filho. Por outro lado, ninguém quer ser professor neste país, pois os salários são muito baixos.
SL – Concordo, mas isso não impede que Cuba seja o país com o maior número de professores por habitante do mundo, com salas de 20 alunos no máximo, o que não ocorre na França, por exemplo.
YS – Sim, mas houve um custo, e por isso a educação e a saúde não são verdadeiras conquistas para mim.
SL – Não podemos negar algo reconhecido por todas as instituições internacionais. Em relação à educação, o índice de analfabetismo é de 11,7% na América Latina e 0,2% em Cuba. O índice de escolaridade no ensino primário é de 92% na América Latina e 100% em Cuba, e no ensino secundário é de 52% e 99,7%, respectivamente. São cifras do Departamento de Educação da Unesco.
YS – Certo, mas, em 1959, embora Cuba vivesse em condições difíceis, a situação não era tão ruim. Havia uma vida intelectual florescente, um pensamento político vivo. Na verdade, a maioria das supostas conquistas atuais, apresentadas como resultados do sistema, eram inerentes a nossa idiossincrasia. Essas conquistas existiam antes.
SL – Não é verdade. Vou citar uma fonte acima de qualquer suspeita: um informe do Banco Mundial. É uma citação bastante longa, mas vale a pena.
“Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em desenvolvimento e, em certos setores, comparável ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana de 1959 e do estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu que Cuba alcançasse uma alfabetização universal, a erradicação de certas enfermidades, o acesso geral à água potável e a salubridade pública de base, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários índices importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil, continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90… Atualmente, o serviço social de Cuba é um dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e o Banco Mundial. Segundo os índices de desenvolvimento do mundo em 2002, Cuba supera amplamente a América Latina e o Caribe e outros países com renda média nos mais importantes indicadores de educação, saúde e salubridade pública.”
Além disso, os números comprovam. Em 1959, a taxa de mortalidade infantil era de 60 por mil. Em 2009, era de 4,8. Trata-se da taxa mais baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa que a dos Estados Unidos.
YS – Bom, mas…
SL – A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é de quase 80 anos, similar à de muitos países desenvolvidos. Cuba tem hoje 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário inglês The Guardian, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma população quatro vezes menor.
YS – Certo, mas, em termos de liberdade de expressão, houve um recuo em relação ao governo de Batista. O regime era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de todas as tendências políticas.
SL – Não é verdade. A censura da imprensa também existia. Entre dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de Batista, a censura foi imposta em 630 de 759 dias. E aos opositores reservava-se um triste destino.
YS – É verdade que havia censura, intimidações e mortos ao final.
SL – Então a senhora não pode dizer que a situação era melhor com Batista, já que os opositores eram assassinados. Já não é o caso hoje. A senhora acha que a data de 1º de janeiro é uma tragédia para a história de Cuba?
YS – Não, de modo algum. Foi um processo que motivou muita esperança, mas traiu a maioria dos cubanos. Fui um momento luminoso para boa parte da população, mas puseram fim a uma ditadura e instauraram outra. Mas não sou tão negativa como alguns.

Luis Posada Carriles, a lei de Ajuste Cubano e a emigração
SL – O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a julgar?
YS – É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.
SL – Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu ponto de vista a respeito?
YS – Não gosto de ações violentas.
SL – Condena seus atos terroristas?
YS – Condeno todo ato de terrorismo, inclusive os cometidos atualmente no Iraque por uma suposta resistência iraquiana que mata os iraquianos.
SL – Quem mata os iraquianos? Os ataques da resistência ou os bombardeios dos Estados Unidos?
YS – Não sei.
SL – Uma palavra sobre a lei de Ajuste Cubano, que determina que todo cubano que emigra legal o ilegalmente para os Estados Unidos obtém automaticamente o status de residente permanente.
YS – É uma vantagem que os demais países não têm. Mas o fato de os cubanos emigrarem para os Estados Unidos deve-se à situação difícil aqui.
SL – Além disso, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Muitos europeus também emigram para lá. A senhora reconhece que a lei de Ajuste Cubano é uma formidável ferramenta de incitação à emigração legal e ilegal?
YS – É, efetivamente, um fator de incitação.
SL – A senhora não vê isso como uma ferramenta para desestabilizar a sociedade e o governo?
YS – Neste caso, também podemos dizer que a concessão da cidadania espanhola aos descendentes de espanhóis nascidos em Cuba é um fator de desestabilização.
SL – Não tem nada a ver, pois existem razões históricas e, além disso, a Espanha aplica esta lei a todos os países da América Latina e não só a Cuba, enquanto a lei de Ajuste Cubano é única no mundo.
YS – Mas existem fortes relações. Joga-se beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.
SL – Na República Dominicana também, mas não existe uma lei de ajuste dominicano.
YS – Existe, no entanto, uma tradição de aproximação.
SL – Então por que esta lei não foi aprovada antes da Revolução?
YS – Por que os cubanos não queriam deixar seu país. Na época, Cuba era um país de imigração, não de emigração.
SL – É absolutamente falso, já que, nos anos 50, Cuba ocupava o segundo lugar entre os países americanos em termos de emigração rumo aos Estados Unidos, imediatamente atrás do México. Cuba mandava mais emigrantes para os Estados Unidos que toda a América Central e toda a América do Sul juntas, enquanto que atualmente Cuba só ocupa o décimo lugar apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas
YS – Talvez, mas não havia essa obsessão de abandonar o país.
SL – As cifras demonstram o contrário. Atualmente, repito, Cuba só ocupa o décimo lugar no continente americano em termos de fluxo migratório para os Estados Unidos. Então a obsessão da qual você me fala é mais forte em nove países do continente pelo menos.
YS – Sim, mas naquela época os cubanos iam e regressavam.
Entrevista com a badalada blogueira cubana Yoani Sánchez, concedida ao jornalista francês Salim Lamranium. Fonte: Rebelión, reproduzido por Opera Mundi (conforme publicado no blog Olhos do Sertão


Juventude da Esquerda Popular Socialista do PT propõe entrega do título de Rainha de Guantánamo à Yoni Sanches

A traidora cubana Yoni Sanches foi convidada pelo cineasta Cláudio Galvão para a o lançamento do documentário “Conexão Cuba-Honduras”,. O visto, concedido ontem (quarta, 25), foi uma decisão da presidente Dilma Rousseff.

O lançamento do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, em Jequié, na Bahia, no dia 10 de fevereiro. A jornalista e blogueira é entrevistada no documentário que fala sobre a falta de liberdade de expressão, fato vivido por Yoani em Cuba. Pela internet, a blogueira afirmou que o mais difícil ainda virá: conseguir a autorização para sair do país. O governo local já negou o pedido 18 vezes.

A EPS Esquerda Popular Socialista – PT (recém fundada tendencia interna do PT) repudia a presença dela no Brasil e a Juventuder da EPS propõe aentrega a ela do título de Rainha de Guantánamo, se ela ousar pisar no Brasil.

Ontem acontecia o debate de organização para recepcionar-la no aeroporto de Ilhéus com varias faixas, saudando a RAINHA DE GUANTÁNAMO.

Luta armada foi correta

Carlo Eugênio: Cuba queria participar da luta da esquerda brasileira

Por Carlos Eugênio

Último comandante militar da ALN defende execução de Hennig Boilesen, exorciza pecados dos dominicanos, não se arrepende de justiçamento de Marcio Leite Toledo, conta que Goiás fazia parte do mapa da guerrilha e avalia que existia possibilidade de derrota dos militares.

Nome: Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, de 60 anos.

Codinome: Clemente. Último comandante militar da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira de tendência comunista que empreendeu luta contra a ditadura militar no Brasil, ele afirma que Goiás fazia parte do mapa da revolução brasileira nos anos 60 e 70. A estratégia era deflagrar a guerrilha rural. Com inspiração em Régis Debray, o francês capturado nas selvas da Bolívia ao lado de Che Guevara, em 1967. Clemente retira o peso das costas dos dominicanos pela queda de Carlos Marighella, morto em 4 de novembro de 1969, em São Paulo (SP). Companheiro de armas, o ex-guerrilheiro relata os últimos momentos do goiano Paulo de Tarso Celestino, supostamente morto na Casa de Petrópolis. Mais: explica que não se arrepende do justiçamento de Marcio Leite Toledo, defende a execução de Henning Boilesen e confidencia que mais nomes ligados à repressão integravam a lista de executáveis da organização. Para Clemente, a possibilidade de derrota armada dos militares que deram o golpe de Estado de 1964 no Brasil não era um delírio à esquerda dos jovens da esquerda revolucionária: “a luta armada foi correta e havia possibilidade de vitória”.

100 anos do nascimento de Carlos Marighella: ele foi herói ou vilão?

Herói do povo brasileiro. Como por aqui demoramos a reconhecer nossos heróis, Marighella ainda não aparece nos livros de História do Brasil com essa estatura. Zumbi demorou quantos séculos para ser reconhecido? Até quando pensamos, porque fomos ensinados, que a independência do Brasil tinha sido alcançada pelas mãos de Pedro I e não conquistada pelas lutas de nosso povo? Esta é uma de nossas lutas hoje, atualizar nosso ensino. Precisamos ensinar às nossas crianças que houve um golpe de Estado em 1964 e os generais foram ditadores. Quem, como Carlos Marighella, reagiu de armas na mão, lutou pela democracia. Foram resistentes da liberdade.

A queda de Carlos Marighella pode ser debitada única e exclusivamente na conta dos dominicanos, como aponta Jacob Gorender?

As quedas de Marighella e de grande parte do GTA (Grupo Tático Armado) de São Paulo começaram quando nos desviamos de nossa linha inicial, que era de preparar e lançar a guerrilha rural, criando condições para uma luta de longo prazo, e passamos a acreditar que teríamos como desestabilizar o regime com ações armadas de grande repercussão nas cidades. Demos um papel à propaganda armada imediata que ela não tinha antes. Pensamos que estávamos mais fortes do que era verdade, e a ditadura também. A repressão veio com toda violência, milhões foram gastos para nos destruir, arrancaram informações de nossa estrutura através da tortura, e chegaram a Marighella. Isso não tira a responsabilidade histórica dos dois dominicanos que abriram (entregaram) o ponto (encontro) com nosso líder e chegaram a dar a senha por telefone. O Estado ditatorial cometeu o crime de torturar dois brasileiros e forçá-los a trair a confiança de Carlos Marighella e de seus companheiros de armas.

Quem matou Joaquim Câmara Ferreira?

José da Silva Tavares, militante da ALN, entregou o Velho (Joaquim Câmara Ferreira) ao delegado Sérgio Paranhos Fleury. O famigerado e sua equipe prenderam nosso líder, torturaram e assassinaram na madrugada de 23 para 24 de outubro de 1970.

A adoção da estratégia de luta armada não teria sido equivocada?

Não. Em primeiro lugar havia uma necessidade de responder a violência da direita que rasgou a Constituição de 1946 e deu o golpe de Estado. Uma nação soberana e justa se constrói também através das lutas de seu povo. Quando uma parte da sociedade apela para a violência, é bom que aqueles que defendem a democracia e a liberdade respondam com as mesmas armas. Isso vai construindo uma consciência a longo prazo, mesmo se essa luta não conseguir todos os seus objetivos.

Existia a possibilidade de vitória da guerrilha contra a ditadura civil e militar?

Havia, e por isso a reação da direita e do imperialismo norte-americano foi tão violenta e investiram tanto dinheiro no aparelhamento e treinamento de suas forças repressivas.

Onde estariam enterrados os restos mortais de Paulo de Tarso Celestino e Heleni Guariba?

Paulo e Heleni foram traídos pelo Cabo Anselmo e não temos nenhuma informação sobre seus restos mortais, como não sabemos os detalhes de seu desaparecimento. São as informações que queremos quando defendemos a Comissão Nacional da Verdade. O país precisa saber o que aconteceu com os companheiros desaparecidos e suas famílias precisam dos restos mortais para homenagear seus entes queridos. Paulo de Tarso foi um dos companheiros mais próximos. Conheci-o quando voltou de Cuba e nossa ligação foi imediata. Compartilhamos nossas experiências e participamos da Coordenação Nacional montada por Joaquim Câmara Ferreira em 1970. Estivemos juntos na véspera de sua queda. Foi uma das perdas irrecuperáveis da ALN.

Não teria sido um erro o justiçamento de Marcio Leite Toledo?

Uma guerra pressupõe medidas duras e às vezes irreversíveis. A organização vinha sendo atingida duramente e tomamos medidas de defesa. Preferia que não tivéssemos precisado chegar a esse ponto, mas tenho certeza que os danos seriam maiores se houvéssemos hesitado. No nível pessoal, foi uma ação que deixou marcas profundas que não devem ser confundidas com arrependimento. São marcas de guerra que os combatentes carregam pelo resto de suas vidas.

A execução de Henning Boilesen foi uma ação correta?

O justiçamento de Boilesen foi justo, correto e necessário.

A ALN tinha planos de executar mais alguém?

Sim. Alguns estavam no mesmo esquema de Boilesen, o financiamento do sistema repressivo.

Qual proposta concreta lhe fez o cubano Arnaldo Ochoa?

Voltar ao Brasil partindo de Cuba com 100 combatentes cubanos comandados por mim e por ele. Entraríamos em território nacional pelo Rio Amazonas e nos instalaríamos no Centro-Norte do país. Recusei por várias razões: era o ano de 1973 e a ALN já estava quase dizimada; havíamos perdido a maioria dos contatos no campo; restavam poucos combatentes experientes. Porém a mais importante das razões era sermos uma organização de libertação nacional. Isso era um princípio e não negociamos princípios.

Existia alguma possibilidade de viabilidade dessa proposta?

Dela se concretizar, sim. Estivemos, eu e Ochoa, várias vezes no comando do Exército de Havana e ele me mostrou todo o esquema. Desde a organização até o desembarque em terra brasileira.

Goiás fazia parte do mapa da revolução da ALN? Por quê?

A guerrilha rural seria lançada em algum lugar entre o noroeste de Goiás, do Pará, do Maranhão e uma parte do Amazonas. Eram áreas boas para a guerra de guerrilha do ponto de vista geográfico, vegetação, e também devido aos conflitos agrários que nos fortaleceriam e forjariam quadros.

O sr. tem projeto de novo livro? Qual tema?

Tenho meu terceiro livro na gaveta e vou lançá-lo no ano que vem. Conta meu exílio em Paris, minha volta ao Brasil, e ainda histórias da luta armada.

Há projeto de lançamento de CD?

Tenho o projeto de juntar meus alunos de música e gravar um CD com composições minhas. Depois de lançar o livro e terminar dois projetos de cinema, me ocupo disso.

Documentário ou filme?

A Isa Albuquerque, realizadora do Rio de Janeiro, está filmando o documentário “Codinome Clemente” e um longa de ficção com histórias do “Viagem à Luta Armada” e de meu terceiro livro.

O que o sr. está lendo?

“La Supplication — Tchernobyl, Cronique du Monde Après l’Apocalypse” (1997), da bielorrussa Svetlana Alexievitch, que conta o que se passou depois da explosão da usina atômica soviética. Esse livro ainda é proibido na Bielorrussia, pois não esconde o terror daqueles momentos.

Fonte: Jornal Opção (via @jornalpagina13)

Hoje, “Conjuntura Internacional”, com a presença do secretário do Foro de São Paulo e membro do Diretório Nacional do PT, Valter Pomar

Está confirmado para hoje, segunda-feira, 11/7/11, o debate sobre “Conjuntura Internacional”, com a presença do secretário do Foro de São Paulo e membro do Diretório Nacional do PT, Valter Pomar. O evento está sendo organizado pela Secretaria de Formação Política do Diretório Municipal do PT-SJC.

Valter Pomar irá tratar, dentre outros temas, do avanço das forças de centro-esquerda na América Latina, em especial na América do Sul, e a importância desse fenômeno para a quebra da hegemonia estadunidense na região e para o avanço das teses socialistas. Abordará ainda questões específicas dos países da região, como a situação na Venezuela (com a doença de Chaves e as dificuldades econômicas por que passa o país), a recente vitória de Ollanta Humala no Peru, as reformas econômica e política em curso na Cuba pós-Fidel e a importância da vitória de Dilma Rousseff para a continuidade do avanço das forças de centro-esquerda na América do Sul.


CICLO DE DEBATES SOBRE A REALIDADE CUBANA – São Paulo, 24 de junho.

CICLO DE DEBATES SOBRE A REALIDADE CUBANA

Atualização do Modelo Econômico Cubano

A Revolução Cubana inspirou várias gerações pelo mundo. São 52 anos vivendo, não apenas uma utopia, mas uma prática política e social que pode ser lida, compartilhada, estudada e debatida a partir das conquistas da Revolução, como a eliminação da miséria absoluta e do analfabetismo e os altos índices de qualidade da saúde e educação, em benefício dos 11 milhões de cubanos.

Durante este período, foram produzidos permanentes avanços em diferentes áreas. Cuba, em sua atual conjuntura, assume o desafio de promover inovações e transformações destinadas a aperfeiçoar seu modelo econômico-social socialista, em um contexto de profundas modificações e predomínio de novos governos comprometidos com a justiça social na América Latina e no Caribe.

Com o intuito de contribuir para compreensão objetiva da realidade do país e sua atual conjuntura, a Fundação Mauricio Grabois em conjunto com a Fundação Perseu Abramo, organizam em São Paulo, no dia 24 de junho o debate – A atualização do Modelo Econômico Cubano – atividade que compõem o ciclo de debates sobre a realidade cubana realizado nas cidades de São Paulo, Brasilia e Rio de Janeiro.

O debate contará com a presença de uma delegação cubana composta por intelectuais, jornalistas, parlamentares e um familiar dos cinco prisioneiros cubanos, além de estudiosos e ativistas da solidariedade com Cuba no Brasil.

DEBATEDORES

Parte cubana

Zueleica Romay – Presidente do Instituto Cubano do Livro

Rosa Mirian Elizarde
Jornalista – Editora do portal CubaDebate

Magalys Llort
Deputada – Familiar dos Cinco Priosioneiros

Parte Brasileira

Jamil Murad
Vereador e líder da bancada do PCdoB na Câmara Municipal de São Paulo

Renato Simões
Secretário Nacional de Movimentos Populares do PT

Antônia Mara Vieira Loguercio
Presidente Nacional do Opinio Iuris

Sistematizadores:
Iole Ilíada – Secretaria de Relações Internacionais do PT e Diretora do Núcleo de Cooperação Internacional da Fundação Perseu Abramo

Ricardo Abreu de Melo (Alemão) – Secretário de Relações Internacionais do PCdoB e Presidente do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois

Coordenação:
Adalberto Monteiro – Presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da Revista Princípios

Local: Clube Homs – Avenida Paulista, 735,  São Paulo – Próx. ao Metrô Brigadeiro

Horário: 14h30

Realização: Fundação Mauricio Grabois e Fundação Perseu Abramo

EMBAIXADORES JALESENSES EM CUBA JÁ ESTÃO DE VOLTA (via Blog do Cardosinho)

Postado por cardosinho

A delegação de jalesenses – Luiz Carlos Cervantes, Gatão, Norton, Chico Melfi e Martini – que viajou para Cuba na semana passada, onde o grupo participou do VI Congresso do Partido Comunista Cubano – PCC, já está de volta a Jales. Hoje, por volta do meio-dia, acionei o celular do Martini, que, por sinal, não funcionou em Cuba, e ele me disse que o quinteto de jalesenses já estava em Araraquara.

Martini, que já foi a Cuba várias vezes, me disse que o Chico Melfi ficou maravilhado com a viagem, apesar de a internet não funcionar nada bem na terra de Fidel Castro. Segundo o Martini, eles só conseguiram acessar este blog uma única vez, em solo cubano. Quem sabe o seo Chico não resolve instalar uma filial da Melfinet lá na ilha. Com a volta do grupo, o Senadinho – que permaneceu em recesso durante dois sábados – volta a efervescer na próxima semana

Nova economia pode influenciar relações internacionais de Cuba (via @pagina13)

Segundo o jornalista coordenador do Comitê pela Libertação dos Cinco Patriotas Cubanos, Max Altman, as mudanças econômicas estabelecidas pelo Projeto de Linhas Gerais da Política Econômica e Social e discutidas entre os dias 16 e 19 de abril pelo 6º Congresso do Partido Comunista Cubano podem influenciar as relações internacionais da ilha. De acordo com Altman, as medidas demandarão “fortes investimentos externos” a fim de acelerar o processo de desenvolvimento do país.

Por Fabíola Perez (18/04/11)

Sobre o impacto nas relações de Cuba com outros países, o jornalista acredita que é “absolutamente necessário trabalhar com o máximo rigor para aumentar a credibilidade do país em suas relações econômicas internacionais”. Altman comenta ainda que após o colapso da União Soviética e dos países socialistas do Leste Europeu as principais dificuldades foram vencidas, porém alguns vícios persistem.

Questionado se as mudanças na política econômica podem alterar as relações de Cuba com os Estados Unidos, o jornalista afirma que “vai depender de Washington”. “Se o bloqueio for levantado, as relações tenderão a se normalizar”, observa. “Se a proibição de cidadãos comuns norte-americanos de viajar a Cuba for suspensa, por exemplo, haverá um enorme fluxo turístico para a ilha”, sinaliza.

Acompanhe abaixo a íntegra da entrevista.

Vermelho: Em sua opinião, as mudanças econômicas que Cuba irá adotar influenciarão na política do país? De que maneira?
Max Altman: O presidente Raul Castro vem sustentando que nenhum cidadão que recebe do Estado gratuitamente ou altamente subsidiado serviços como saúde, educação, esporte, lazer, alimentação, transporte pode deixar de se dedicar a uma tarefa produtiva. Sem igualitarismo, ou seja, o trabalhador passará a receber segundo sua capacidade, em cada unidade empresarial. A par disso, há um plano em andamento de deslocar de 500 mil a um milhão de trabalhadores, de certa forma ociosos na folha de pagamento do Estado para uma das 179 ocupações elencadas de iniciativa privada. O impacto dessas medidas levará a um sistema de maior justiça social com desdobramentos na política interna de Cuba.

Vermelho: Caso o objetivo da mudança seja alcançado quais serão os desafios para manter esse novo modelo econômico?
Max Altman: Creio que o principal desafio é aumentar gradativa e firmemente o poder aquisitivo do peso cubano. Incrementada a produtividade e colocada à disposição da população uma maior diversidade de produtos e em quantidade suficiente, isto irá alimentar, por si só, o processo econômico. Porém, é preciso também modernizar todo o parque industrial e o sistema comercial de distribuição e o sistema de gestão. Creio que serão necessários nessa etapa fortes investimentos externos a fim de acelerar o processo e recuperar o tempo perdido.

Vermelho: Em sua opinião, em termos sociais e econômicos, Cuba está em vias de se tornar uma nova China?
Max Altman: Longe disso. O desenho do Projeto de Linhas Gerais da Política Econômica e Social colocada para apreciação da população cubana e a ser aprovado pelo 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba é rigorosamente peculiar. De resto, como comparar um país com a extensão territorial, com os recursos naturais e população da China com a pequena Cuba?!

Vermelho: Como essa nova política econômica pretende trabalhar as relações bilaterais como os países parceiros?
Max Altman: Acredito que o mais importante é garantir a aplicação integral da política comercial, fiscal, creditícia, tributária, trabalhista e outras que assegurem bons resultados no comércio exterior cubano em matéria de desenvolvimento das exportações e a efetiva substituição de importações, no tempo o mais breve possível. Mas ao mesmo tempo é absolutamente necessário trabalhar com o máximo rigor para aumentar a credibilidade do país em suas relações econômicas internacionais, por meio do estrito cumprimento dos compromissos contraídos.

Vermelho: Como o país pretende lidar com a política externa norte-americana que segue estagnada em relação a Cuba e esse momento de significativas mudanças internas?
Max Altman: Insistir com a Casa Branca em negociações diretas em pé de igualdade, discutindo todos os temas, sem exceção, sem arranhar a soberania e a independência de Cuba nem a auto-determinação do povo cubano. É o que o governo cubano vem reiterando.

Vermelho: A relação Cuba-EUA pode ser influenciada a médio ou longo prazo?
Max Altman: Vai depender de Washington. As mudanças não são em direção ao sistema capitalista de livre mercado e sim destinam-se a reforçar, arejar e impulsionar o socialismo em Cuba. Contudo se o bloqueio de mais de meio século for levantado, as relações tenderão a se normalizar. Por exemplo, se a proibição de cidadãos comuns norte-americanos de viajar a Cuba for suspensa, haverá um enorme fluxo turístico para a Ilha.

Vermelho: Como foi a receptividade da população e das comunidades cubanas no momento anterior ao congresso?
Max Altman: As notícias são de que houve uma intensa participação dos trabalhadores, dos profissionais das mais diversas áreas, das organizações de mulheres, estudantis, juvenis. Raul Castro informou ao ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter que cerca de dois terços dos parágrafos do projeto foram emendados pelas contribuições feitas pelo povo em geral e suas organizações sociais.

Vermelho: Esses setores estão preparados para essa transformação laboral?
Max Altman: É um processo que, em minha opinião, demandará tempo. O longo período especial que se seguiu ao colapso da União Soviética e dos países socialistas do Leste europeu criou raízes. As principais dificuldades foram vencidas, mas os vícios persistiram.

Vermelho: No momento em que se completam 50 anos da vitória na Batalha de Girón, como falar de capacidade de resistência do socialismo em meio a um período de mudanças?
Max Altman: Cinquenta e dois anos do Triunfo da Revolução. 50 anos da vitória em Praia Girón, meio século de ameaças, agressões, atos terroristas, assassinatos, tentativas de homicídio de dirigentes sofridos a partir do império do Norte, a par da dignidade e da história de um povo valente, falam por si só da capacidade de resistência do socialismo cubano.

Vermelho: Podemos considerar esse conjunto de mudanças como uma nova etapa do socialismo cubano? Quais as expectativas?
Max Altman: Sem dúvida. Os acontecimentos dos próximos anos trarão maior clareza a essa etapa que se inicia. Os progressistas do mundo inteiro – comunistas, socialistas, forças populares – torcem do fundo do coração e da mente para que os cubanos tenham pleno êxito nessa sua nova jornada.

Fonte: Vermelho

Fragmento da reflexão de Fidel Castro deste domingo, 17 de abril

Por Fidel Castro (17/04/11)

“Escutei hoje, domingo, às 10 da manhã, os debates dos delegados ao Sexto Congreso do Partido

….

A direção do Partido deve ser a soma dos melhores talentos políticos de nosso povo, capaz de enfrentar a política do império que põe em perigo a espécie humana e gera gangsters como os da OTAN, capazes de lançar em apenas 29 dias, desde o inglório “Amanhecer da Odisseia”, mais de 4 mil missões de bombardeio sobre uma nação da África.

É dever da nova geração de homens e mulheres revolucionários ser modelo de dirigentes modestos, estudiosos e incansáveis lutadores pelo socialismo. Sem dúvida, constitui um difícil desafio na época bárbara das sociedades de consumo, superar o sistema de produção capitalista, que fomenta e promove os instintos egoistas do ser humano.

A nova geração está convocada a retificar e mudar sem vacilação tudo o que deve ser retificado e mudado, e seguir demonstrando que o socialismo é também a arte de realizar o impossível: construir e levar a cabo a Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes e defendê-la durante meio século da mais poderosa potência que jamais existiu.”

Sobre a visita de Barack Obama ao Brasil. Direção Nacional da Articulação de Esquerda, tendência interna do Partido dos Trabalhadores


A visita de Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, ao Brasil, será uma oportunidade para que o governo Dilma reafirme nossas posições em favor de uma nova ordem mundial, baseada no desenvolvimento, na paz, nos direitos humanos e no respeito à soberania e autodeterminação dos povos.

Será, também, uma oportunidade para que a sociedade brasileira manifeste sua opinião acerca da política estado-unidense. Manifestação que pode e deve ser distinta da feita pelo governo, até porque aprendemos com a história passada e presente quão desastrosas resultam as tentativas de subordinar movimentos e partidos aos governos.

Neste sentido, saudamos as manifestações de partidos de esquerda, movimentos sociais e setores progressistas em geral, em favor do imediato fechamento da prisão em Guantánamo, da suspensão do bloqueio contra Cuba e pela revisão das leis de imigração nos Estados Unidos, que tanto prejudicam os imigrantes que buscam aquele país por melhores condições de vida.

Reiteramos, também, nosso repúdio às guerras promovidas pelos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque, bem como às ameaças de invasão da Líbia.

Denunciamos ainda, como inimiga da paz mundial e da democracia, a postura do governo Obama, que deu apoio efetivo para os golpistas em Honduras, continua espalhando bases militares pelo continente, inclusive junto às fronteiras da Amazônia. Igualmente contestamos o renascimento da IV Frota.
Da mesma forma como fizemos quando da visita do então presidente George W. Bush, os militantes petistas participarão das atividades convocadas pelos movimentos sociais, em defesa de nossas posições e contra as políticas do governo e da mídia dominante dos Estados Unidos, que expressam os interesses de poderosos grupos econômicos transnacionais.

Direção Nacional da Articulação de Esquerda, tendência interna do Partido dos Trabalhadores

Autora de queixa contra Assange escreveu manual de vingança sexual em blog

 

 

Uma cidadã cubana que acusa o jornalista australiano Julian Assange, fundador do Wikileaks, de “crimes sexuais” na Suécia foi apontada como “colaboradora” da CIA e teria planejado o caso, segundo a rede de TV venezuelana TeleSur. No início do ano, ela mesma divulgou na internet um “guia para se vingar” de alguém usando denúncias de abusos sexuais.

De acordo com as informações publicadas nesta terça-feira (7/12), a cubana Anna Ardin (cujo nome real seria Ana Bernardín) teria sido uma das primeiras a denunciar Assange por “abuso sexual” à polícia, junto à amiga sueca Sophia Wilén.

Leia mais:
 Julian Assange: ‘é fascinante ver os tentáculos da elite americana corrupta’ – entrevista exclusiva ao Opera Mundi
Stédile: EUA são os maiores terroristas do planeta
Wikileaks: documento diz que MST e movimentos sociais são obstáculos a lei antiterrorismo no Brasil

A queixa, porém, seria relativa ao fato de Assange, supostamente, não ter utilizado camisinha durante as relações sexuais que teria tido com elas, enquanto Ardin dormia em sua resisidência em Estocolmo. Além disso, Ardin e Wilden denunciaram Assange por ter mantido relações sexuais com as duas na mesma semana – o que, na Suécia, é ilegal.

De acordo com a versão apresentada, no dia 11 de agosto deste ano, Assange teria ido à Suécia a convite do movimento de centro-esquerda Broderskap (“fraternidade” em sueco, ligado ao Partido Social-Democrata Cristão) para participar de um seminário. Na ocasião, segundo Ardin, ela própria ofereceu sua casa para hospedar o fundador do Wikileaks, já que ela estaria fora da cidade. Ardin, porém, voltou antes do previsto, mas mesmo assim hospedou Assange em casa. Segundo ela, em uma das noites após jantarem juntos, tiveram relações sexuais com camisinha, que chegou a rasgar.

No dia seguinte, ao final do seminário, Assange teria seduzido Sophia Wilén, com quem também teria feito sexo, na cidade de Enkoping, onde ela mora. De acordo com Wilén, ela e Assange tiveram relações duas vezes, uma com e outras sem o uso de preservativos, em razão de uma recusa do fundador do Wikileaks.

Dez dias depois, as duas mulheres se apresentaram à polícia sueca para denunciar Assange por crimes sexuais. Ardin, porém, se apresentou como militante feminista a princípio e declarou que estava apenas auxiliando Wilén. Dias mais tarde, declarou seu envolvimento com Assange, alegando que “inicialmente o sexo foi consensual, mas logo se transformou em um abuso”, já que o preservativo teria rompido e Assange continuado a relação à revelia dela.

Vingança

Anna Ardin é uma ativista feminista conhecida na Suécia. Em 19 de janeiro de 2010, ela escreveu em seu blog (annaardin.wordpress.com) um post com o título “Sete passos para uma vingança judicial”, incluindo instruções sobre incriminar alguém usando acusações de teor sexual. Seu blog faz referências a outros como Generación Y (de Yoani Sánchez) e Desde Cuba, ambos de dissidentes cubanos.

Acusada de ter mudado o depoimento a mando da CIA, Ardin se defendeu em seu blog garantindo que as denúncias não haviam sido coordenadas.

Leia mais:
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“A responsabilidade do que aconteceu comigo e com a outra jovem é do homem que tem uma visão distorcida das mulheres, que tem um problema em aceitar um ‘não'”, argumentou, no post citado.

Anti-castristas

Segundo a TeleSur, ela também seria ligada ao ativista anti-castrista Carlos Alberto Montaner e ficou conhecida por escrever em websites financiados pela USAID (agência dos Estados Unidos para empréstimos a países subdesenvolvidos) e controlados pela CIA, como o Misceleanas de Cuba, do cubano Alexis Gainza Solenzal, que criticam o regime da ilha.

Montaner é co-autor, junto com o peruano Mario Vargas Llosa, do livro anti-esquerdista Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano (Bertrand Brasil, 1997). Nos anos 1960, chegou a ser preso em Cuba por acusações de trabalhar para a CIA em operações de sabotagem, até fugir da prisão e encontrar asilo na Espanha, então sob o regime franquista.

Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana. Fidel Castro.

Enviado el: jueves, 08 de julio de 2010 8:30
Para: Armando Montero De Miranda; Mirta Y??ez
Asunto: Cuba – Do fundo do coração…. mensagem circulando
entre os brasileiros solidarios a Cuba

Ao grande amigo Armando e a mais nova e querida Mirta, envio-lhes
este email com vídeo, uma forma de partilha do quanto lhes admiramos.
Grande abraço.

Agora inicio de agosto estaremos recebendo em um congresso
internacional de educação do campo aqui em Brasília na UnB, a profa.
Berta do Ministerio de educação superior de Cuba. Mais partilhas solidária.
Att, Jair Reck

Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana. Fidel Castro

Nota: O vídeo que vão ver foi filmado em Cuba pelo controverso Michael
Moore. É sobre o sistema nacional de saúde cubano.
Cuba, onde as crianças não têm acesso a Play Stations (pelo menos com
facilidade). Nem se sentem inferiorizadas por não vestirem roupas de
marca. Onde os supermercados não apresentam 60 marcas de manteiga
diferentes. E a TV não mente a publicitar que os Danoninhos ajudam as
crianças a crescer.
Os carros de luxo não abundam.
Nem as malinhas Louis Vuitton.
Mas têm talvez o mais avançado sistema de saúde de todo o planeta.
E um sistema de ensino ímpar, em que os professores ensinam e os alunos
aprendem, com rigor e disciplina, onde não há lugar para Escolas Novas,
estatísticas aldrabadas, pseudo-universidade s e Novas Oportunidades da
treta.
E pleno emprego.
E as ruas seguras, livres de criminalidade e de drogados
Invejo-lhes, aos Cubanos, a falta de liberdade.
Falta de liberdade para assaltarem idosos e crianças.
Falta de liberdade para agredirem professores dentro das escolas.
Falta de liberdade para dispararem contra polícias.
Falta de liberdade para desrespeitarem o seu semelhante.
Falta de liberdade para os políticos corruptos que enriquecem
à sombra do erário público.
Cuba, onde tantas coisas faltam, principalmente as supérfluas, as inventadas
pelo capital na sua necessidade de se reproduzir.
Mas onde abundam a solidariedade, a fraternidade e, principalmente, a
humanidade.

Gosto de ti, Comandante.
E desejo-te longa vida.
Do fundo do coração.

Cuidem-se!

http://video. google.com/ videoplay? docid=-847826577 3449174245& hl=p\ t-BR

Em parceria com MST o Método “Sim! Eu Posso!” de alfabetização é lançado em AL

22 de julho de 2010

Rafael Soriano,
da página do MST

Com uma cerimônia no Palácio do Governo de Alagoas, na manhã de hoje (22/7), o MST recebe cem kits de multimídia (televisão e aparelho de DVD), para dar início às turmas do método cubano de alfabetização “Sim! Eu Posso!”. A cerimônia de entrega dos kits conta com a presença de representantes do Governo e da Secretaria de Educação e Esporte de Alagoas, além de militantes das diversas áreas de assentamento e acampamento de todo o Estado.

O método “Sim! Eu Posso!” teve início no Brasil em 2006, em parceria com prefeituras do Piauí. Desde 2007 até hoje, o MST expandiu a oferta de alfabetização do método para mais de dez estados brasileiros, entre eles Pará, Pernambuco, Sergipe, Paraná, entre outros. Agora, em Alagoas, com suas 65 vídeo-aulas, cartilha do educando e manual do educador, o “Sim! Eu Posso!” pretende alfabetizar 1500 pessoas em 24 municípios do estado.

Ao todo, em Alagoas, são setenta turmas aguardando os equipamentos para dar início às aulas. A partir do método, os educadores se propõem a alfabetizar turmas de até no máximo 15 educandos, em uma média de sete a 13 semanas de aplicação. Tudo isso apoiado no uso das novas tecnologias, com o uso do método de “numerar letras” e ensinar a escrever.

A preparação das equipes de alfabetizadores aconteceu em quatro etapas macrorregionais durante o primeiro semestre 2010. Todo o planejamento partiu de um diagnóstico da situação do analfabetismo em cada assentamento e acampamento de Reforma Agrária coordenado pelo MST.

A luta pela aplicação do método no estado é travada pelo movimento agrário desde 2008, quando o primeiro foco de alfabetização cubano se desenvolveu em Delmiro Gouveia, região do Sertão, com o apoio estrutural da prefeitura na época. Desde lá, a pauta de estruturação das salas de aula foi negociada com o governo e, após muitas mobilizações do MST, no interior e na capital, transformou-se numa conquistada dos camponeses.

Cuba propaga pela América Latina luta contra o analfabetismo

O cubano Ricardo Morales, assessor do MST na aplicação do método em Alagoas, afirma que é uma grande responsabilidade monitorar o desenvolvimento dos trabalhos. “Trabalhamos na capacitação prévia das equipes de educadores, que inclusive não precisam ser educadores formais, apenas estarem dispostos a multiplicar. Além disso, acompanho os resultados de cada área onde atuamos”, informou sobre o trabalho no método.

Desde 1999, o método cubano, criado pelo Instituto Pedagógico Latino Americano e Caribenho (Iplac), está em execução em mais 29 países além do Brasil e já transformou quatro deles em territórios livres do analfabetismo: Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador.

Morales explica que Cuba erradicou o analfabetismo dois anos depois da Revolução Socialista, já em 1961. Na década de 1990, com os crescentes índices de analfabetismo na América, um grupo de educadores do Iplac idealizou um método, aplicado no Haiti. Naquele momento, o rádio era usado como suporte das aulas. Daí em diante, com a popularização do DVD, o método foi desenvolvido para televisão e migrou para todo o continente latino americano.

É comum ao regime cubano a chamada “exportação de solidariedade”, como o exemplo da operação “Milagros”, na qual médicos cubanos realizam, em várias comunidades pelo continente, cirurgias de catarata

http://www.mst.org.br/node/10300

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