Arruda revela que distribuiu dinheiro para o DEM e o PSDB nacional

Comandante da quadrilha de administradores públicos e políticos do Distrito Federal beneficiários do mensalão do DEM, sustentado com dinheiro de propina arrecadada junto a empresários que seu governo favorecia, o ex-governador José Roberto Arruda revelou ontem que distribuiu dinheiro a altos dirigentes nacionais do DEM e do PSDB, a um senador do PDT e ao “PT de Goiás”.

Numa entrevista publicada em Veja on line, Arruda cita entre aqueles que receberam dinheiro, para eles mesmos ou para os partidos, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra; o vice-presidente nacional do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e vários expoentes do DEM: o senador Demóstenes Torres (GO), o agora ex- senador Marco Maciel, o senador Agripino Maia (RN) – eleito anteontem presidente nacional do partido -, mais os deputados Ronaldo Caiado (GO), ACM Neto (BA) e Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM até a última quarta-feira. Arruda diz também que ajudou o PT de Goiás e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Eleito governador do Distrito Federal em 2006, José Roberto Arruda foi apontado pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, em 2009, como chefe de um esquema de fraude, de corrupção e de outros crimes, que sangrou os cofres públicos em dezenas de milhões de reais. Filmado por seu auxiliar e delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, recebendo um maço de R$ 50 mil, foi expulso do partido, teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral e passou dois meses preso na sede da Polícia Federal.

Arruda alega, na entrevista a Veja, que jogou “o jogo da política brasileira” ou dançou “a música que tocava no baile”. E contra-ataca os companheiros de partido que o condenaram.

“Assim que veio a público o meu caso, as mesmas pessoas que me bajulavam e recebiam a minha ajuda foram à imprensa dar declarações me enxovalhando. Não quiseram nem me ouvir. Pessoas que se beneficiaram largamente do meu mandato. Grande parte dos que receberam ajuda minha comportaram-se como vestais paridas. Foram desleais comigo”.

A revista pergunta a Arruda quais líderes do partido foram hipócritas.

“A maioria. Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda! (…) O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília”.

Ao afirmar que ajudou também outros políticos e partidos, Arruda destaca sua contribuição ao PSDB.

“Ajudei o PSDB sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu. E também por meio de Eduardo Jorge, com quem tenho boas relações”.

Eduardo Jorge Caldas Pereira, o vice-presidente nacional tucano, alegou que pediu ajuda de Arruda para saldar dívidas do partido. No DEM, o senador Agripino Maia e o deputado ACM Neto negaram que tenham pedido ajuda de Arruda.


do Brasília Confidencial

Procurador pedirá ao STF investigação sobre deputada


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai pedir quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para apurar o envolvimento da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN) com a quadrilha do mensalão do DEM. Video veiculado sexta-feira pelo portal Estadao.com.br e gravado durante a campanha eleitoral de 2006 mostra Jaqueline, candidata à Câmara Legislativa, mais o marido dela, Manoel Neto, recebendo dinheiro de Durval Barbosa. Durval era o alto funcionário do governo do Distrito Federal que se tornou delator da roubalheira comandada pelo governador José Roberto Arruda (DEM), cassado pela Justiça Eleitoral em 2010.

Jaqueline está ameaçada de processo por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e até formação de quadrilha. Também corre o risco de enfrentar um processo de cassação na Câmara por quebra de decoro. A abertura de processo será pedida pelo PSol. O que pode favorecer Jaqueline, na Câmara, é uma regra criada há quatro anos e que estabelece que o Conselho de Ética só deve julgar atos cometidos por deputados depois da posse.

Jaqueline, filha do ex-governador Joaquim Roriz, suspeito de ser o criador do mensalão que seu sucessor José Roberto Arruda manteve, já era citada em relatório de investigação que a Polícia Federal entregou ao Ministério Público no ano passado. A citação dela foi causada pela apreensão de planilhas que apontaram o pagamento de propina a deputados distritais para que votassem a favor de um projeto do governo distrital em dezembro de 2008. Além disso, o nome de Jaqueline aparece em planilha recolhida na casa de Leonardo Prudente, ex-presidente da Câmara Legislativa e um dos grandes beneficiários do mensalão do DEM

Fonte: brasíliaconfidencial

Mensalão do DEM – Vídeo mostra filha de Roriz, hoje deputada, recebendo dinheiro

Única estrela da propaganda exibida ontem nas TVs do Distrito Federal pelo partido de sua família – o PMN -, a deputada federal Jaqueline Roriz foi apresentada nesta sexta-feira como protagonista de outro video. Gravadas pelo delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, as imagens mostram Jaqueline e o marido, Manoel Neto, recebendo dinheiro de Durval para a campanha eleitoral de 2006, quando ela disputava uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal – e acabou eleita. Manuel recebe um maço de R$ 50 mil, põe o dinheiro numa mochila e reclama do valor, inferior ao combinado.

“Rapaz, não é fácil ser candidato. Resolve isso para mim, cara!”, apela Neto.

Jaqueline também mostra interesse em obter mais dinheiro.

”Você vê possibilidade de aumentar isso?”, pergunta a Durval, que lhe sugere procurar empresas. Ela se queixa outra vez.

”Tem cinco pessoas que disseram que iam me ajudar, mas até agora nada. O da CEB (Companhia Energética de Brasília) ficou de me ligar, mas nada”, protesta.
O video, que está sob análise do Ministério Público, foi gravado na sala de Durval Barbosa, então alto funcionário do governo do Distrito Federal, e veiculado na tarde passada pelo portal Estadão.com.br. Trata-se do 31º video sobre o mensalão do DEM, esquema de corrupção revelado pela Polícia Federal e o Ministério Público, no fim de 2009, e que era comandado pelo governador José Roberto Arruda, do DEM, cassado em 2010.

Filha do ex-governador Joaquim Roriz, suspeito de ter criado o mensalão depois mantido por seu sucessor Arruda, Jaqueline foi eleita deputada federal no ano passado. Está viajando e, segundo sua assessoria, não comentará o caso.

O líder do PSol na Câmara, Chico Alencar (RJ), quer que a deputada se afaste da comissão especial que discutirá a reforma política.  Na opinião de Alencar, há indícios “robustos e documentais” de que Jaqueline praticou irregularidade.

“A deputada perdeu as credenciais para verbalizar propostas enquanto não provar que as acusações são infundadas”.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), anunciou que pedirá informações ao Ministério Público para decidir o que fará em relação à deputada.

“Vou encaminhar imediatamente um pedido de mais informações ao Ministério Público sobre o andamento do processo para que possa subsidiar uma decisão sobre o procedimento a ser tomado na Câmara”.

Propinoduto liga empresas aos Tucanos em São Paulo e DEM em Brasília.

Testemunha desvenda esquema de propina do Metrô de SP e do DF

Dinheiro de “caixinha” vinha por meio de duas offshores do Uruguai, segundo documentos

Gilberto Nascimento, do R7

ReproduçãoReprodução

Veja imagens ampliadasDocumento mostra acordo entre a Siemens Ltda., com sede em São Paulo, e a Gantown Consulting S/A, com sede no Uruguai

Informações sigilosas de uma importante testemunha vão ajudar a desvendar um esquema internacional de propina que, segundo denúncias, teria sido montado no Brasil pelas multinacionais Alstom e Siemens. 

Uma figura que acompanhou de perto contratos firmados nos últimos anos pelas duas empresas com os governos do PSDB em São Paulo e do DEM no Distrito Federal para a compra de trens e manutenção de metrô passou a fazer novas revelações e a esmiuçar os caminhos do propinoduto europeu em direção ao Brasil.

Supostos “acertos” e negociações atribuídos a representantes das duas companhias estão em um documento elaborado por essa fonte e encaminhado ao Ministério Público de São Paulo.  

Contatada pelo R7, a testemunha – que se identifica apenas como F. e teme ser fotografada por causa de represálias – dá detalhes de como a propina chegava ao Brasil por meio de duas offshores (paraísos fiscais), a  Leraway e a Gantown, sediadas no Uruguai, e de como a Alstom e a Siemens teriam se utilizado da contratação de outras empresas para encaminhar o dinheiro da “caixinha” a políticos, autoridades e diretores de empresas públicas de São Paulo e de Brasília.

F. relata esquemas supostamente arquitetados para a obtenção de contratos da linha 5 do metrô no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo; para a entrega e a manutenção dos trens série 3000 (também conhecidos como trem alemão) para o governo paulista, além da conservação do metrô do Distrito Federal.

O deputado estadual Simão Pedro (PT) encaminhará ao Ministério Público de São Paulo nos próximos dias uma representação pedindo a investigação das denúncias feitas por F.. 

Sob investigação na Europa

A francesa Alstom e a alemã Siemens foram alvos de investigações na Suíça e na Alemanha por causa da acusação de pagamento de suborno a políticos e autoridades da Europa, África, Ásia e América do Sul. Somente a Siemens teria feito pagamentos suspeitos num total de US$ 2 bilhões.

Um tribunal de Munique acusou a empresa alemã de ter pagado propina a autoridades da Nigéria, Líbia e Rússia. O ex-diretor Reinhard Siekaczek acrescentou que o esquema de corrupção atingiria ainda Brasil, Argentina, Camarões, Egito, Grécia, Polônia e Espanha.

Já a propina paga pela Alstom em diversos países – incluindo o Brasil -, pode ter sido superior a US$ 430 milhões, de acordo com os cálculos da Justiça suíça. No Brasil, a empresa foi acusada, por exemplo, de pagar US$ 6,8 milhões em propina para receber um contrato de US$ 45 milhões no metrô de São Paulo. 

A francesa Alstom fabrica turbinas elétricas, trens de alta velocidade e vagões de metrô. Maior empresa de engenharia da Europa, a alemã Siemens faz desde lâmpadas até trens-bala. As duas companhias são concorrentes, mas em determinados momentos na disputa tornavam-se aliadas, conforme a testemunha.

Para trazer o dinheiro ao Brasil

O esquema para mandar dinheiro ao Brasil via offshore, revela F., conta com a participação das empresas Procint e Constech, sediadas na capital paulista e pertencentes aos lobistas Arthur Teixeira e Sergio Teixeira. As offshores Leraway e Gantown seriam sócias da Procint e da Constech. F. mostrou cópias de contratos firmados pela Siemens da Alemanha com as duas offshores. Segundo ele, esses contratos comprovam o envolvimento da empresa alemã no esquema.

As offshores também teriam sido utilizadas, diz a testemunha, em outros contratos com empresas como a MGE Transportes, TTetrans Sistemas Metroferroviários, Bombardier (canadense), Mitsui (japonesa) e CAF (espanhola).  

Há dois anos, parte dos documentos em poder de F. foram enviados para o Ministério Público de São Paulo e para o Ministério Público Federal. Promotores confirmaram a veracidade de informações ali contidas. No entanto, ainda não conseguiram colher o depoimento da testemunha, localizada agora pelo R7

O promotor Valter Santin confirmou que o caso já vem sendo investigado, mas disse que não pode revelar detalhes “por ser sigiloso e envolver conexões internacionais”. 

Documentação

Uma documentação bem mais ampla – só agora exibida ao R7 – foi enviada por F., em 2008, ao escritório de advocacia Nuremberg, Beckstein e Partners,  da Alemanha. Na época, o escritório atuava como uma espécie de ombusdman da Siemens.

– Por que a Siemens não investigou as denúncias encaminhadas e por que a companhia no Brasil foi poupada nas investigações? Não foi por falta de informação, pois a carta mencionada revelava todos os nomes e detalhes e incluía provas dos esquemas de corrupção, avalia F.

Por meio de uma nota, a Siemens diz conduzir seus negócios “dentro dos mais rígidos princípios, legais, éticos e responsáveis” e afirma não ter firmado contrato em parceria ou consórcio “com nenhum concorrente no que tange à manutenção de metrôs”. 

Na mesma linha, a Alstom afirmou em um comunicado que segue “um rígido código de ética, definido e implementado por meio de sérios procedimentos, de maneira a respeitar todas as leis e regulamentações mundialmente”.  A empresa disse que está colaborando com as investigações e “até o momento, as suspeitas de irregularidades em contratos não foram comprovadas e não estão embasadas em provas concretas”.

O Metrô de São Paulo e a CPTM afirmaram, por meio de nota, que desconhecem os fatos mencionados e esclarecem que os seus contratos firmados com qualquer empresa “obedecem à legislação específica que norteia a lisura do processo licitatório, além de serem submetidos ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE)”.

Já o Metrô do DF afirmou, em nota, que desconhece as irregularidades apontadas e que “a licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal”. Veja a íntegra da nota:

“O Metrô-DF desconhece as supostas irregularidades apontadas anonimamente pela reportagem do Portal R7 e, ressalta que:

– O processo de licitação para a manutenção do Metrô-DF (transcorrido em gestão anterior), seguiu a modalidade de licitação de concorrência pública tipo técnica e preço, sendo que no primeiro aspecto as duas empresas finalistas receberam a pontuação máxima;

– No quesito preço, o consórcio Metroman apresentou a melhor proposta (menor preço), vencendo então a licitação;

– A licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal;

– O consórcio Metroman vem atendendo satisfatoriamente todas as demandas de manutenção apresentadas pelo Metrô-DF.

Coordenação de Comunicação do Metrô-DF”

Cartilha do PT faz balanço das eleições 2010. Os números e avalições do PT em todo Brasil.

5 governadores, 88 deputados federais, 149 deputados estaduais e 14 senadores foram eleitos pelo PT em 2010.

Escrito em 22 de novembro de 2010, às 16:48

Esses números mostram a consolidação da força de um partido que, nascido a partir daqueles que eram até então esquecidos pelo poder público, hoje tem a plena capacidade de ajudar os mais pobres como nenhum outro, tal como vem fazendo nos últimos oito anos.

Para mostrar mais sobre os resultados concretos dessa atuação, a cartilha “O Brasil vai seguir mudando com Dilma” traz um balanço completo do desempenho do Partido dos Trabalhadores em todo o país nestas eleições. São 65 páginas repletas de imagens e gráficos que mostram por que nosso esforço sempre vale a pena diante do reconhecimento do povo brasileiro.

Vale a pena consultar a cartilha. Clique aqui para fazer o download. CADERNOeleicoes_2T_2010-11-19 

Fonte: www.pauloteixeira13.com.br

Para Cristovam, o PT ganha nova chance de eliminar o rorizismo

Luísa Medeiros

Publicação: 06/11/2010 08:00
 
Fonte: Correio Braziliense
 
O petista Agnelo Queiroz foi o vencedor na disputa ao Palácio do Buriti, mas o senador Cristovam Buarque, um dos principais cabos eleitorais do governador eleito, tomou para si boa parte da responsabilidade de fazer dar certo a nova gestão. O sabor da vitória contra o rival Joaquim Roriz, representado pela figura da mulher, Weslian, adoçou a amarga lembrança da derrota na eleição de 1998. A virada na história política da capital, dando ao PT mais uma chance de estar no poder, e consequentemente, a oportunidade de eliminar o rorizismo da cidade, injetou ânimo no primeiro representante da legenda a chefiar o Executivo local, na década de 90. 

Em entrevista exclusiva ao Correio, Cristovam Buarque, hoje no PDT, relembra a própria experiência para apontar possíveis erros que Agnelo deveria evitar. Eleito aos 66 anos para o segundo mandato e com o título de senador mais bem votado do DF (833.480 votos), o pernambucano de Recife, em tom patriarcal, aconselha o governador eleito a não lotear o GDF entre os 13 partidos que compuseram a coligação vitoriosa. Cristovam apela para o critério da competência como pré-requisito para a escolha do secretariado. Diz que, diferentemente do que fez em seu governo, Agnelo deveria priorizar os nomes dos administradores regionais, mais próximos da população do que os titulares das pastas. O recado dado pelo senador não traz nada de revolucionário, mas, na prática, é utilizado por poucos políticos. Segundo Cristovam, o importante não é falar em cargos e, sim, listar os princípios que deverão nortear a gestão do PT.

Com discurso pacificador, o ex-governador do DF defende antigos adversários, como o vice de Agnelo, Tadeu Filippelli (PMDB), mas reitera que os próximos quatro anos devem ser livres de escândalos de corrupção na capital do país. “Se esse governo der errado, não teremos moral para continuar na política.” O senador manifesta ainda o desejo de pagar sua dívida com os moradores da Estrutural — invasão que tentou remover durante o período em que esteve à frente do Palácio do Buriti. A operação de retirada dos moradores pela Polícia Militar resultou na morte de duas pessoas.

“Esse governo não pode ter um escândalo de corrupção”
O senhor não vai indicar algum nome ao governo de Agnelo Queiroz?

Não vou indicar nenhum nem acho que o PDT deve indicar nomes. O que vou fazer, pela responsabilidade que tenho com esse governo, é tentar construir nomes que acho que são bons, independentemente do partido.

Mas houve uma grande aliança para eleger esse governo. Obviamente, cada partido vai querer dar sua contribuição na composição do Executivo…
Nada impede que cada partido faça sua contribuição, basta indicar os melhores nomes. Quando o melhor for do partido, ótimo. Quando o melhor for de outro partido, acho que tem que se aceitar.

Que participação o PDT terá no novo governo?
 A participação do PDT é querer que todos os secretários sejam os melhores que essa cidade pode ter. Espero que, nesses melhores da cidade, possa haver nomes do PDT. Se tiver nome melhor para qualquer cargo de fora do PDT ou apartidário, eu apoiarei.

O senhor é conhecido como o senador da Educação. Não há interesse pessoal em acompanhar o desenvolvimento da área dentro da gestão do PT?
O que gostaria de acompanhar é a área da alfabetização. Lamento não ter erradicado o analfabetismo como governador. Outra área que quero estar acompanhar é como o governo vai tratar da Estrutural. Sinto que tenho uma dívida com as pessoas que moram lá.

Durante a campanha, o senhor não acompanhou Agnelo nos eventos na Estrutural. O ambiente se tornou hostil ao senhor?
Não acompanhei Agnelo em um dia, mas fui a almoços e reuniões. Sou bem-vindo pelas pessoas que lideravam naquela época. Aquilo foi uma manipulação. A história vai mostrar que não tive nada a ver com isso. Quem filmou aquilo tudo foi Durval (Barbosa). Por aí você vê que estava armado. Não sinto complexo algum. O que sinto é que a Estrutural não deveria ter sido erguida ali, mas não consegui que as pessoas saíssem, e hoje, não defendo mais que os moradores saiam.

Pela primeira vez, o ex-governador Joaquim Roriz, representado pela mulher, foi derrotado nas urnas. Qual é o peso disso para o grupo vencedor?
Esse não é um governo qualquer. Esse governo não tem o direito de ter um escândalo de corrupção, de não recuperar a saúde, de não colocar a educação nos eixos. Se essas três coisas não acontecerem, Brasília não terá a quem recorrer. Quem são os líderes dessa cidade? Roriz? Tá fora. Arruda? Tá fora. Os outros estão dentro desse governo. Se ele der errado, nós não teremos moral para continuar na política.

Com base na sua experiência como governador do DF, o que o senhor sugere a Agnelo fazer no início da gestão? Que tom devem ter as conversas no processo de transição?
A experiência que eu tinha não vale muito agora. Tive que enfrentar Roriz, Arruda e a cidade tinha alternativas. Se a gente fracassasse, essas alternativas voltariam. A responsabilidade é muito maior agora. Somos a última esperança da cidade. E foi por isso que Agnelo teve uma votação tão expressiva. Agnelo não ganhou apenas por ser o melhor do momento, mas porque o outro lado não tinha ninguém.

Mas o que Agnelo deveria fazer?
Reunir os partidos e dizer que tem que compor um secretariado que seja o melhor de todos. O governador eleito garantiu que vai criar creches para todo mundo, por exemplo. Se Agnelo não cumprir essa promessa, estaremos numa situação muito difícil.

Compor o secretariado com o critério de “melhor de todos” não pode deixar descontentes os partidos que esperam o cumprimento do compromisso de repartir o bolo?
Não houve comigo o compromisso de repartir o bolo. Agnelo nunca me prometeu dar um cargo ao PDT. Se ele prometeu a outros partidos, é outra coisa. Brasília não está mais à venda. A cidade não aceita mais ser vendida por propina nem por acordos partidários. Então, se amanhã não tiver ninguém do PDT, eu não tenho o que reclamar dele. Espero que os partidos entendam que o nosso compromisso é com a cidade e o futuro dela.

A ficha limpa deve valer para a transição e para a indicação dos cargos no governo?
Não podemos colocar um direitista ou um corrupto, por mais competente que seja. Mais do que ter ficha limpa, a pessoa tem que ser honesta, democrata e competente tecnicamente.

O senhor vai acompanhar de perto a transição?
Se o Agnelo me pedir, ou o encarregado da transição, estou disposto a colaborar. Eu sinto responsabilidade com esse governo como se eu fosse o governador. Minha carreira política depende do êxito do governo Agnelo porque eu avalizei o governo dele nas ruas.

O senhor afirma ter se empenhado porque acreditou que Agnelo era o melhor nome para o GDF. Mas também pela possibilidade de entrar indiretamente numa disputa contra Joaquim Roriz?
Sim, está na hora de a unidade contra o atraso se transformar numa unidade em prol do avanço. Numa reunião de partido, faltando 10, 11 dias para a eleição, eu falei: “Gente, até aqui quem nos uniu foi Roriz. E agora? Quem vai nos unir para governar? A simples figura de cada um de nós não une. Temos que ser objetivos. Acredito em cinco lemas e princípios que vão unir nosso governo.

Que lemas e princípios são esses?
Primeiro, um compromisso radical com a ética e a transparência. Segundo, um compromisso absoluto com a imagem de Brasília e com a autoestima da capital. Terceiro, a recuperação imediata da saúde pública. Quarto, a recuperação da educação, da segurança e do transporte público. Por fim, a escolha dos secretários mais pela competência que pelo partido.

Quais são os erros que o senhor cometeu como governador que Agnelo deve evitar?
Escolhi os secretários para depois escolher os administradores (regionais), mas a cara do governo está nos administradores. É preciso definir todos ao mesmo tempo. Acho que o governo pode abrir mão de um ótimo secretário para ele ser um administrador. Além disso, em minha gestão, ficamos presos ao secretários partidários. Acho que Agnelo tem que fazer uma negociação com o conjunto dos partidos.

Como o governador eleito deve se relacionar com os deputados distritais?
Não deve negociar com de-putado individualmente e deve tratar todos da mesma maneira, inclusive os da oposição.

O cenário está mais positivo para Agnelo do que para o senhor na época em que foi governador. Ele tem maioria na Câmara….
Na minha época, não havia o Fundo Constitucional do DF.
Eu tinha que pedir dinheiro (à União) todo mês. Lembro que eram R$ 1,9 bilhão. Hoje, a previsão para 2011 é de R$ 9 bilhões. E a destinação do recurso é obrigatória. Eu tinha oposição brutal. Era o mensalão ao contrário. A oposição comprava os depu-tados para ficarem contra mim. Agnelo não vai ter oposição e ele ainda vai aproveitar a experiência dos quadros. Já fomos governo. O PT chegou ao poder. E os sindicatos aprenderam a negociar, inclusive com a minha derrota.

E os remanescentes do rorizismo?
Eles não vão ter a força nem a liderança que tiveram contra mim, exercida por Luiz Estevão (senador cassado). O rorizismo saiu tão esfacelado em 2010 que não acredito em revanchismo, a não ser que a gente faça muita besteira.

O governador Rogério Rosso disse que entregará o governo sem dívidas a Agnelo. Mas neste ano foram aprovados dois pacotes de bondades para o funcionalismo. Quando o senhor governou o DF, várias categorias de servidores o pressionaram por benefícios, fizeram greve durante meses. Como Agnelo pode lidar com isso?
Relato minha experiência: faltando pouco para sair do governo, Roriz deu o vale-refeição para os professores. Quando assumi, me disseram que não era possível pagá-lo. Paguei durante oito meses e acabou o dinheiro. Até hoje sou conhecido como o governador que cortou o vale. Aconselho Agnelo a não começar nada que analistas financeiros digam não ser possível pagar.

E a bancada do DF no Senado? Como está a sintonia entre o senhor, Rodrigo Rollemberg (PSB, eleito em 2010) e Gim Argello (PTB)?
Eu e Rodrigo já estamos trabalhando e acredito que Gim venha para o nosso lado. É preciso definir os princípios que nos unem. Além disso, tenho a impressão de que é preciso fazer uma conformação das forças políticas brasileiras. O PDT está precisando ser refundado, assim como o PSB e o PV. Não vou ser um senador só do DF, quero ter um papel nacional. Vou ser um auxiliar do governo Agnelo, mas quero ser participante da política nacional, quero ser mais influente no Senado. No primeiro mandato como senador, fui um formulador de projetos de lei e fazedor de discurso.

Qual é o papel do vice Tadeu Filippelli nesse governo?
O papel dele será fundamental para o governo dar certo. Tenho esperança de que isso aconteça. Filippelli é político que percebeu que é desse lado que ele tem de estar. E, ao perceber isso, o comportamento dele vai mudar.

Mas o senhor não acha que a suspeição sempre rondará Filippelli por ele ter sido, por tanto tempo, aliado de Roriz?
Nos primeiros meses, sim. Mas à medida que ele for demonstrando que faz parte desse lado, começará a ser respeitado, reconhecido e aceito.

Filippelli foi um dos maiores opositores ao seu governo. No decorrer da campanha, o senhor começou a ver Filippelli com outros olhos?
Sim, acho que ele foi um dos grandes responsáveis pela eleição de Agnelo. Teríamos muito mais dificuldades se ele não estivesse do nosso lado. Além disso, Filippelli nunca falou sobre loteamento de cargos.

Como deve ser dado o tratamento a figuras do PMDB citadas na Operação Caixa de Pandora?
Filippelli já disse em conversas comigo, com Rodrigo e com Agnelo que pensa numa espécie de refundação do PMDB. Mas ele não detalhou isso.

http://buarque.org.br

Eleições 2010 Governador – Resultado Final em cada Estado e Região, 1º e 2º Turnos

REGIÃO NORTE
ELEIÇÕES 2010 ACRE – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito 170.202 50,51%    
  165.705 49,18%    
           
ELEIÇÕES 2010 AMAPÁ – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 95.328 28,68%
170.277
53,77%
  93.695 28,19%    
2º Turno 96.165 28,93%
146.383
46,23%
           
ELEIÇÕES 2010 AMAZONAS – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito 943.955 63,87%    
  382.935 25,91%    
  138.281 9,36%    
           
ELEIÇÕES 2010 PARÁ – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 1.720.631 48,92%
1.860.799
55,74%
  380.331 10,81%    
2º Turno 1.267.981 36,05%
1.477.609
44,26%
           
ELEIÇÕES 2010 RONDONIA – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 291.765 43,99%
422.707
58,68%
  120.462 18,16%    
2º Turno 246.350 37,14%
297.674
41,32%
           
ELEIÇÕES 2010 RORAIMA – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 99.124 45,03%
107.466
50,41%
  14.063 6,39%    
2º Turno 104.804 47,62%
105.707
49,59%
           
ELEIÇÕES 2010 TOCANTINS – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito Siqueira Campos (PSDB) 349.592 50,52%    
  Carlos Gaguim (PMDB) 342.429 49,48%    
           
REGIÃO NORDESTE
ELEIÇÕES 2010 ALAGOAS – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 534.962 39,58%
712.789
52,74%
  389.337 28,81%    
2º Turno 394.155 29,16%
638.762
47,26%
           
ELEIÇÕES 2010 BAHIA – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Reeleito Wagner (PT) 4.101.270 63,83%    
  Paulo Souto (DEM) 1.033.600 16,09%    
  Geddel Vieira Lima (PMDB) 1.000.038 15,56%    
  Bassuma (PV) 253.523 3,95%    
           
ELEIÇÕES 2010 CEARÁ – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Reeleito Cid Gomes (PSB) 2.436.940 61,27%    
  Marcos Cals (PSDB) 775.852 19,51%    
  Lucio Alcantara (PR) 654.035 16,44%    
           
ELEIÇÕES 2010 MARANHÃO – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Reeleita Roseana (PMDB) 1.459.792 50,08%    
  Flávio Dino (PC do B) 859.402 29,49%    
  Jackson Lago (PDT) 569.412 19,54%    
           
ELEIÇÕES 2010 PARAIBA – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 942.121 49,74%
1.079.164
53,70%
  12.471 0,66%    
2º Turno 933.754 49,30%
930.331
46,30%
           
ELEIÇÕES 2010 PERNAMBUCO – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Reeleito Eduardo Campos (PSB) 3.450.874 82,84%    
  Jarbas (PMDB) 585.724 14,06%    
           
ELEIÇÕES 2010 PIAUÍ – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 725.563 46,37%
921.313
58,93%
  337.028 21,54%    
2º Turno 470.660 30,08%
642.165
41,07%
           
ELEIÇÕES 2010 RIO GRANDE DO NORTE – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleita Rosalba Ciarlini (DEM) 813.813 52,46%    
  Ibere (PSB) 562.256 36,25%    
  Carlos Eduardo (PDT) 160.828 10,37%    
           
ELEIÇÕES 2010 SERGIPE – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Reeleito Deda (PT) 537.223 52,08%    
  João Alves (DEM) 466.219 45,19%    
           
REGIÃO CENTRO OESTE
ELEIÇÕES 2010 DISTRITO FEDERAL – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 676.394 48,41%
875.612
66,10%
  199.095 14,25%    
2º Turno 440.128 31,50%
449.110
33,90%
           
ELEIÇÕES 2010 GOIAS – GOVERNADOR
    1º TURNO 2º TURNO
clas nome (partido) votos % votos %
Eleito 1.400.227 46,33%
1.551.132
52,99%
  502.462 16,62%    
2º Turno 1.099.552 36,38%
1.376.188
47,01%
           
ELEIÇÕES 2010 MATO GROSSO – GOVERNADOR    
  Nome (partido) votos %    
Eleito Silval Barbosa (PMDB) 759.805 51,21%    
  Mauro Mendes (PSB) 472.475 31,85%    
  Wilson Santos (PSDB) 245.527 16,55%    
           
ELEIÇÕES 2010 M GROSSO DO SUL 1º TURNO – GOVERNADOR    
  Nome (partido) votos %    
Reeleito Andre Puccinelli (PMDB) 704.407 56%    
  Zeca do Pt (PT) 534.601 42,50%    
           
REGIÃO SUDESTE
ELEIÇÕES 2010 ESPIRITO SANTO – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito Renato Casagrande (PSB) 1.502.070 82,30%    
  Luiz Paulo (PSDB) 282.910 15,50%    
           
ELEIÇÕES 2010 MINAS GERAIS – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito Antonio Anastasia (PSDB) 6.275.520 62,72%    
  Helio Costa (PMDB) 3.419.622 34,18%    
  Zé Fernando Aparecido (PV) 234.125 2,34%    
 
 
       
ELEIÇÕES 2010 RIO DE JANEIRO – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Reeleito Sergio Cabral (PMDB) 5.217.972 66,08%    
  Gabeira (PV) 1.632.671 20,68%    
  Fernando Peregrino (PR) 853.220 10,81%    
           
ELEIÇÕES 2010 SÃO PAULO – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito Geraldo Alckmin (PSDB) 11.519.314 50,63%    
  Aloizio Mercadante (PT) 8.016.866 35,23%    
  Celso Russomanno (PP) 1.233.897 5,42%    
  Skaf (PSB) 1.038.430 4,56%    
  Fabio Feldmann (PV) 940.379 4,13%    
           
REGIÃO SUL
ELEIÇÕES 2010 PARANÁ – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito Beto Richa (PSDB) 3.039.774 52,44%    
  Osmar Dias (PDT) 2.645.341 45,63%    
           
ELEIÇÕES 2010 RIO GRANDE DO SUL – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito Tarso Genro (PT) 3.416.460 54,35%    
  Fogaça (PMDB) 1.554.836 24,74%    
  Yeda Crusius (PSDB) 1.156.386 18,40%    
           
ELEIÇÕES 2010 SANTA CATARINA – GOVERNADOR    
clas nome (partido) votos %    
Eleito Raimundo Colombo (DEM) 1.815.304 52,72%    
  Angela Amin (PP) 857.698 24,91%    
  Ideli Salvatti (PT) 754.223 21,90%    
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