Novo coordenador da Cads, Julian Rodrigues adianta o que deve ser feito em 2013 em SP

Julian assume a Cads em 2013

JULIAN

A partir do dia 1 de janeiro de 2013, a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo (Cads) terá um novo titular. Com a posse do petista Fernando Haddad como prefeito, entra para coordenar as atividades da Cads o militante Julian Rodrigues, 39 anos, figura conhecida da militância nacional e um dos principais nomes de articulação da causa LGBT dentro do PT.

Em entrevista exclusiva ao Mixbrasil, Julian se diz tranquilo com o novo desafio, mas consciente de que terá muito trabalho pela frente. Ele destaca que serão duas as prioridades de sua gestão para o começo de 2013, inseridas no chamado Plano de 100 Dias exigido por Haddad a todas às pastas municipais.

“Teremos duas prioridades: primeiro elaborar uma campanha municipal contra a homofobia, principalmente por conta desses ataques mais recentes na cidade. O tamanho da campanha ainda vai depender do orçamento que vamos ter, mas pretendemos fazer um ato de lançamento com a presença de ministros e o prefeito aproveitando o aniversário da cidade (25 de janeiro).”

A campanha pretende ser abrangente e deve contar com cartazes, folders, camisetas e presença nas redes sociais e boates alertando para a importância de denunciar ataques homofóbicos. “E se tiver dinheiro vamos para a televisão e o rádio também”, adianta Julian, que participou ativamente da campanha de Haddad ajudando a elaborar o Plano de Governo do petista – que inclui ações para a diversidade sexual em todas as regiões paulistanas.

A segunda prioridade, segundo o novo coordenador, é garantir até o mês de maio de 2013 todo o apoio à Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que todos os anos recebe da Cads ajuda em forma de infraestrutura para sua realização. “Vamos ver se é possível aumentar esse apoio”, garante Julian, afastando para longe os boatos de que a manifestação não contaria mais com apoio da administração municipal.

Nova casa

Com a extinção da Secretaria de Participação e Parceria, a Cads passa a partir do próximo ano a ser lotada na nova Secretaria de Direitos Humanos e Participação, onde o novo coordenador pretende realizar um trabalho no sentido de aumentar a estrutura da Coordenadoria e fazer melhorias como aumento no salário dos servidores e maior número de pessoas trabalhando no órgão.

Julian diz que “tudo vai se nortear pelo Programa de Governo que fizemos na campanha”, incluindo-se aí a chamada Cads Móvel, uma ideia que pretende levar os serviços da Coordenadoria à periferia paulistana e a outros bairros que muitas vezes nem sabem que a Cads existe. “O objetivo é facilitar o acesso da população aos serviços.”

O novo coordenador destaca ainda que dentre as metas para o próximo mandato estão as parcerias entre a Cads e universidades como a Unicamp e a USP, além de um diálogo aberto com todas as entidades da sociedade civil organizada na cidade – a quem ele promete receber pessoalmente, uma a uma, para conversar.

Sem ataques

De partidos políticos diferentes a partir de 2013, Prefeitura e Governo de São Paulo não devem brigar no campo da causa LGBT, pelo menos é o que promete Rodrigues. Segundo ele, diferenças partidárias serão colocadas de lado no próximo ano e o foco será uma parceria produtiva para garantia da cidadania LGBT.

Ele conta ao Mix que ainda vai conversar com a titular da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, Heloísa Gama Alves, “para ver o que a gente pode fazer juntos. Onde pudermos somar esforços nós iremos. A eleição já passou”.

Julian Rodrigues tem 39 anos e é formado em Letras, especialista em Economia do Trabalho e mestrando em Ciências Sociais na PUC de São Paulo.

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‘Quero ser o braço direito da presidente no Senado’, diz Marta Suplicy

Muito interessante esta entrevista, seja pela defesa que ela faz de pontos importantes para nós, seja no que revela sobre a visão da Marta.
 
A respeito deste segundo ponto, me chama a atenção a seguinte passagem: acho que essa preocupação é relacionada com o ranço de achar que o PT é um partido radical. Já deveria ter sido compreendido pela sociedade, e mais ainda pelos veículos de imprensa, que o PT não é um partido radical, é um partido que a maioria dos seus militantes lutou sempre pelas liberdade, muitos morreram por ela.
 
Os que morreram pela liberdade geralmente eram e se consideravam radicais.
 
Uma das causas do retrocesso que Marta aponta, nos direitos humanos em geral, nas questões de gênero e LGBT em particular, tem relação com nosso retrocesso ideológico.
 
Que inclui o medo pânico de dizer que o PT é um partido radical.
 
Pois, é bom lembrar, radical é quem vai as raízes.
 
 

DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

Senadora eleita por São Paulo diz que pretende ter posição de destaque na Casa e que PT eo PMDB devem ser parceiros; para ela, sigla errou ao buscar eleger Netinho

Eleita para o Senado com mais de 8 milhões de votos, Marta Suplicy (PT-SP) quer ser o “braço direito” da presidente eleita, Dilma Rousseff, na Casa.

A ex-prefeita não esconde que deseja ser protagonista entre os 81 senadores e atuar na “interlocução” com aliados, principalmente o PMDB.

Em balanço das eleições, Marta disse que o PT errou ao avaliar que também poderia eleger Netinho de Paula (PC do B) ao Senado.

Ela ainda prometeu defender a criminalização da homofobia.

Folha – Como a senhora avalia a eleição da Dilma Rousseff para a Presidência da República?

Marta Suplicy – A escolha da Dilma foi um gol do presidente Lula. Por ela ser mulher, mas também por ser uma mulher extremamente qualificada e parceira de todos os grandes projetos deste governo. Com isso, ele deu um salto no Brasil em termos de modernidade, por termos uma mulher_os Estados Unidos ainda buscam isso, né–, e ao mesmo tempo uma garantia de tudo o que ele conquistou e criou não vai por água abaixo.

Então foi uma escolha extremamente feliz. A Dilma é uma pessoa brilhante e quem tem o privilégio de conviver com ela sabe que se faz uma avaliação muito aquém do que ela é como pessoa e do que tem de competência.

Como a sra. avalia o impacto do fato de ela ser mulher na eleição? O Brasil é um país menos machista hoje?

Eu acredito que, no caso da Dilma, o importante para a eleição foi o Lula. Não foi fundamental ser uma mulher, apesar de ter sido um ingrediente que atuou de forma extremamento positiva. Se você for computar o machismo versus uma mulher na Presidência, ganhou a mulher. Não foi o principal, mas foi um ingrediente importante. Eu vi muitas mulheres dizendo que o Lula escolheu, vai continuar, mas é bom que seja uma mulher.

Que balanço a sra. faz da campanha do PT em São Paulo. Concorda com a avaliação de que há uma resistência ao partido no Estado?

Vou pegar outro ângulo, talvez. Acredito que o PT fez uma avaliação errada e colocou em risco a cadeira do Senado. A avaliação foi de que poderíamos ter dois senadores do mesmo campo, esquecendo que havia um candidato ao governo com 50% de intenção de voto e que o Estado tem como tradição eleger um senador de cada campo político. Dificilmente não iria contemplar a candidatura do PSDB. E, mesmo se não contemplasse, chegaria muito próximo. Era arriscado.

O PT não soube levar isso em consideração. Foi algo que ficou claro para mim na campanha.

Em relação a uma resistência ao partido no Estado, eu acredito que temos que distinguir o que é força do acúmulo de anos de gestão, do que é o resultado dessa gestão. Não podemos esquecer que o estado de São Paulo é muito rico. Tem recursos e, por menos que seja feito, vai se criando uma máquina que permite essas reeleições. Nós ainda não encontramos o caminho para fazer essa disputa de forma contundente.

Eu acredito que o Lula superou o preconceito contra o PT, mas o ranço contra o PT ainda existe, e é mais forte no interior do que na capital, por aqui ter sido o berço do partido.

O PT ainda é atrelado ao sindicalismo em São Paulo, e isso acontece menos em outros Estados. O Lula ultrapassou essa questão, e hoje se tornou na avaliação da grande maioria dos paulistas um estadista e uma pessoa muito além do próprio partido.

A questão da conversa [do partido] com a classe média é que ainda tem que ocorrer. Nós não conseguimos fazê-lo ainda. Quando você imagina que eu peguei uma prefeitura devastada e deixei uma prefeitura organizada e, ao contrário do que dizia José Serra (PSDB), financeiramente ajustada. Isso parece que a população não consegue perceber, e o ranço ideológico acaba sempre impregnando.

A candidatura da sra. ao governo seria mais competitiva que a do senador Aloizio Mercadante (PT)?

Eu estou muito contente de ter sido eleita para o Senado. O que teria sido [uma candidatura ao governo] nós nunca vamos saber. Ele [Mercadante] se dedicou muito à campanha, foi muito competente nas propostas para o Estado e foi uma pena que não ganhou, porque São Paulo merecia uma administração mais dinâmica e ousada do que o café com leite que a gente tem com os tucanos.

Eu realmente fiquei triste que ele não ganhou a eleição. São Paulo merecia uma chacoalhada no desenvolvimento regional, na questão do transporte, que não vimos caminhar como poderia ter caminhado. E o Aloizio poderia ter sido um diferencial. Foi uma pena. Falo isso de coração, viu?

A sra. sempre defendeu os direitos da mulher. Houve constrangimento em dividir o palanque com Netinho de Paula (PCdoB), que tem um histório de agressões contra mulheres?

Eu avaliei que cada candidatura era uma candidatura, que nós tínhamos um candidato do nosso campo, e que não caberia a mim julgar essa questão específica, mas ao eleitor. E o eleitor julgou.

Dentro do PT há um falatório de que a senhora dá muita ingerência aos companheiros, namorados… nas decisões políticas… Como a sra. vê isso?

Eu acredito que isso tem muito a ver com machismo. Que se fosse um homem que a mulher compartilhasse… não. Não seria diferente. Ela seria uma enxerida porque é uma mulher. E se [uma mulher] compartilhar com um homem, é porque tonta e o homem manda. Não tem muita escapatória aí. Parece que as pessoas não entendem relações.

Como a sra. avalia o Senado?

O Senado é o palco das grandes questões nacionais e eu sinto um privilégio de estar lá. É um enorme desafio e vou com um grande apetite para poder contribuir. Vai haver uma mudança grande. Primeiro porque teremos uma renovação de dois terços dos senadores. E depois porque há um clamor popular.

Espero que nunca mais tenhamos que passar pelo constrangimento que Senado teve que passar com o ex-relator do Orçamento [Gim Argello (PTB-DF), que destinou emendas a entidades de fachada].

Ponto final. Não se admite mais isso no país. Acredito que esse novo Senado, onde muitos foram eleitos com o discurso de moralização, não tem mais condição de ser leniente com as reformas que precisa.

Como a sra. vê a relação do PT com o PMDB?

Nós temos que ser parceiros. Espero ser uma interlocutora importante com eles na questão da governabilidade. Não adianta pensar que nós vamos construir esse Brasil que nós sonhamos, querendo que tenha continuidade na direção que o Lula começou de transformação social e erradicação da pobreza, se não tivermos uma parceria firme, clara e transparente com o PMDB.

O PMDB é um parceiro confiável?

Terá que ser. E se tiver interlocução confiável será. O Senado saiu muito chamuscado com os últimos acontecimentos. E não creio que tenha um senador que queira passar pelo vivido. É um momento de virar a página.

Tem alguma prioridade para a Casa?

O PT tem direito à segunda escolha. Pode ser a primeira vice [Presidência] ou a Primeira Secretaria. A primeira Vice eu acredito, que devemos ocupar pela decisão de governabilidade política. A Primeira Secretaria, acredito, não importa o partido que ocupar, vai ter que fazer um enxugamento e moralização do Senado.

As reformas, o enxugamento dos cargos, da gráfica, vai acontecer. O PT ainda não tomou a decisão se vai ficar com a Primeira Secretaria ou a primeira vice. Eu acredito que a decisão deveria ser pela política, porque tivemos a experiência com o Marconi Perillo (PSDB) na vice-presidência, sabemos o que foi. Não podemos correr o risco de o PSDB ter a vice.

A sra. apoiaria a reeleição de José Sarney (PMDB-AP) à Presidência da Casa?

Essa decisão é do PMDB e nós vamos acatar e trabalhar juntos. Não é uma escolha do PT. A nossa intenção é cooperar pela governabilidade, criando o mínimo possível de dificuldades e o máximo de força para o governo.

Que não nós não tenhamos mais divergências que acabem atrapalhando o que a Dilma pode fazer pelo país. Acho que desta vez temos muito mais chances de fazer isso, pela bancada de senadores novos. Também porque temos que recuperar a imagem da Casa. Acredito que não tenha nenhum senador ali que não tenha essa consciência.

Como a sra. avalia a colocação do aborto nas últimas eleições?

Ela foi usada da pior maneira possível e no contexto mais equivocado. Não se trata uma questão dessa em período eleitoral. Ela foi manipulada pela oposição e todas as forças de direita que a ela se ligaram. Eu acredito que o PSDB perdeu votos nessa endireitada que deu e agora vamos ter que avaliar como encaminhar essa discussão, porque é impensável que daqui a quatro anos tenhamos o mesmo tipo de debate.

Hoje a questão do aborto transcende qualquer discussão religiosa e passa principalmente pela morte de mais de um milhão de mulheres por abortos mal feitos. Ao mesmo tempo, se esse um milhão de mulheres tem esse destino, não é somente por conta da legislação, mas porque não tiveram acesso a como evitar filhos.

Essa é uma parte que deve ser encarada. A outra é a do direito da mulher a decidir. Essa é uma questão que terá de ser discutida no país, e que suscita ódios e paixões. É uma discussão difícil, mas deve ser feita.

Como a sra. avalia os últimos episódios de ataques homofóbicos em São Paulo? Defenderá a criminalização da homofobia no Congresso?
Nós estamos vivendo um enorme retrocesso na questão dos direitos dos homossexuais. O meu projeto sobre a união civil data de 15 anos atrás. Nós caminhamos enormemente na área jurídica, com grandes avanços que vão desde o reconhecimento da união à adoção de crianças, e uma paralisação absoluta no Congresso. Nem discussão tivemos nesses últimos anos.

Quando você tem uma sociedade paralisada nessas discussões você tem uma manifestação mais explícita da homofobia. Mesmo que tenhamos hoje paradas gays importantes, elas acabam se transformando em paradas festivas, e não em reconhecimento de direitos. Como estamos hoje, se eu fosse obrigada a escolher, preferia não ter parada gay e ter toda essa questão votada de forma positiva no Congresso, porque na verdade o que almejamos são os direitos civis.

A parada gay serviu para dar um espaço na mídia, mas não serviu para a transformação que precisa ser feita no país. Para você ter uma ideia, quando o meu projeto sobre a união civil gay foi apresentado, a Argentina era um país homofóbico quase. Hoje ela tem uma lei extremamente avançada e Buenos Aires é “friendly city” para gays. E nós aqui de “friendly city” temos espancamento na Avenida Paulista. Essa é a diferença.

E é a favor da criminalização da homofobia?

Sim.

Muito tem se falado sobre a criação de um conselho para regulação da mídia. A sra. é favorável?

A confusão que estão fazendo está muito além do que eu vi quando acompanhei esse assunto em uma ONG e era deputada. Houve um estudo das regulamentações em outros países do mundo. Isso é algo muito antigo, muito cidadão e que não ameaça a liberdade de imprensa.

Mas acho que essa preocupação é relacionada com o ranço de achar que o PT é um partido radical. Já deveria ter sido compreendido pela sociedade, e mais ainda pelos veículos de imprensa, que o PT não é um partido radial, é um partido que a maioria dos seus militantes lutou sempre pelas liberdade, muitos morreram por ela.

E a presidente eleita hoje pelo PT é uma pessoa que preza a liberdade individual e a de imprensa mais do que qualquer coisa. Não há porque temer nada desse porte nem do PT e nem da presidenta.

A sra. foi uma das primeiras autoridades a lidar com a precariedade da infraestrutura aeroportuária do Brasil, como ministra do Turismo, no primeiro governo Lula. Dá tempo para promover as mudanças necessárias para o Copa e a Olimpíada?

O tempo é curto. Vai ter que haver um envolvimento muito focado do governo. Nós temos a condição hoje, advinda diante da experiência do PanAnamerico, e de toda a bagagem que nós temos de dar um salto no Brasil, em investimento e educação, um legado muito importante para o país. Mas está em cima da hora.

A presidente Dilma disse que gostaria de ter mais mulheres no governo. A sra. acha que tem espaço no governo dela?

O Senado é um espaço onde eu posso ter um protagonismo bastante forte para a presidente. Eu quero ser o braço direito. E se isso me for permitido, e eu tiver capacidade de ocupar esse espaço, eu estarei mais do que satisfeita.

E depois eu tenho que pensar que tenho um mandato de oito anos. Não tenho nenhuma pressa em ocupar outro cargo.

Como a sra. vê a movimentação política do prefeito Gilberto Kassab, que pode ir para o PMDB ou ficar no DEM, e que impacto isso terá na eleição de 2012?

Estamos num momento de transição e reposicionamento dos peões do jogo político. Não dá ainda para avaliar qual a aliança que será feita. Não podemos esquecer que temos um vice-presidente paulista e do PMDB.

A sra. acha que a nomeação para o Ministério da Ciência e Tecnologia pode cacifar o senador Aloizio mercadante para a disputa à Prefeitura de São Paulo, em 2012?

O Mercadante é um grande quadro. O Ministério tem uma dimensão forte que pode ser bem aproveitada não só pelo Estado, como pelo país. E ele tem um histórico de vida e de votação que o qualifica para qualquer cargo.

E a sra? Pretende disputar a Prefeitura?

Eu não fecho nenhuma porta, porque política é conjuntura. Mas eu posso dizer que o meu foco é o Senado. Vai depender muito do que tiver acontecendo lá e no meu Estado. Eu nunca imaginei ser senadora, mas tal foi a conjuntura que eu me elegi para o Senado. Então, não adianta ficar dois anos antes dizendo que vai ser o Mercadante, eu ou outra pessoa qualquer. Eu acho que temos também que pensar em quadros novos, mas eu me sinto muito confortável nisso tudo porque tenho uma bagagem, tenho um trabalho feito. E esse trabalho vai estar sempre a favor do partido, na condição que ele achar.

A sra. vai voltar a conviver com seu ex-marido, Eduardo Suplicy (PT-SP). Alguma chance de reatar?

[Risos] Olha… é… nenhuma [risos].

Defende alguma inovação na legislação em especial?

Nós temos que repensar o pacto federativo. Uma preocupação que tem me vindo é com as regiões metropolitanas. Estamos completamente ultrapassados na nossa visão em relação a onde o cidadão mora e as demandas dele. A nossa Constituição de 1988 fez um pacto federativo interessante e justo para aquele momento. Mas o mundo mudou e o Brasil mudou sobretudo, então não podemos pensar mais em capital e zona rural. Nós temos regiões metropolitanas, onde há acúmulo de violência e pobreza. E nós temos que discutir isso. Eu gostaria de propor um repensar do pacto federativo.

O Aécio Neves (PSDB-MG) [senador eleito por Minas Gerais] também defende a revisão do pacto…

Então pode dizer que eu não sabia, mas gostei muito da notícia. Seremos parceiros nisso

Barrado o “pink money”. Eleição da APOGLBT será decidida por diretoria e fundadores.

Membros definem nova data e procedimentos. A medida foi aprovada pelos demais associados em unanimidade.
02/08/2010

Por Leandro Rodrigues

Inicialmente marcada para a última sexta-feira (30), a eleição da nova diretoria da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) foi adiada. A decisão foi tomada pelos membros em reunião na sede da entidade. A Associação deve divulgar as definições da eleição ainda esta semana.

Segundo consta em livro de presença, 78 pessoas estiveram presentes na ocasião, entre associados, militantes, jornalistas da mídia segmentada, empresários e visitantes. Número recorde de participação em reunião administrativa da Associação, a exemplo da discussão para escolha do tema da 14ª Parada, que reuniu aproximadamente 15 pessoas. 

O 8º Ciclo de Debates, atividade oficial do 14º Mês do Orgulho LGBT, recebeu uma média de 30 pessoas por dia. Dos presentes na assembleia da eleição, grande parte não participou dessa nem das outras ações do calendário promovido pela entidade, todas em prol dos direitos humanos e cidadania LGBT. 

O repentino interesse deve-se a falta de definição de uma chapa em situação. Diversos não-associados reivindicaram o direito de voto e formação de chapa, mobilizando uma tentativa de anulação do Estatuto, que exige a filiação há pelo menos seis meses anteriores à data da eleição e 25% de participação nas atividades promovidas pela APOGLBT para a aptidão ao voto e a candidatura. 

Um dos entusiastas dessa ilegalidade era o empresário Douglas Drumond, que pleiteava a possibilidade de se candidatar. O mesmo defende a mudança do formato da Parada, bloqueando o acesso à Avenida Paulista e condicionando a participação popular na manifestação através da venda de abadás. “Queremos formar uma chapa. […] Nova parada novamente gay, linda, boites [sic], drags, gogos, Caca Dipoli [sic]”, disse em seu perfil no Facebook o dono da sauna 269, estabelecimento direcionado ao público gay masculino que discrimina mulheres, travestis e transexuais. 

Integrante do Conselho de Sócio-Fundadores, Ideraldo Beltrame agradeceu a presença e o interesse dos não-associados, mas afirmou que “a derrubada do Estatuto é um ato anti-político, anti-ético e desrespeitoso à importância histórica da entidade”. O militante Julian Rodrigues e a ex-diretora Regina Facchini endossaram as colocações de Ideraldo. 
 

Arquivos abertos 

 

Acusado por Drumond de promover as eleições “às escondidas”, sem edital, o presidente da APOGLBT rebateu. “O edital da eleição está publicado em nosso site desde a semana passada, como manda o Estatuto. Os editais das outras eleições estão todos em nosso arquivo, que está aberto para quem quiser consultar”, explicou Xande. (clique aqui e confira a publicação do edital) 

O empresário – que se apresentou na 14ª Parada fantasiado de “Rei-Sol”, o monarca absolutista Luís XIV – dispara ainda que Associação não é democrática, mantendo a muito tempo um único grupo militante na diretoria. Quem lhe respondeu dessa vez foi Facchini, que apontou diversos membros presentes, outros ausentes, citou a militância de origem de cada um e salientou que “a Associação é formada por um grupo muito diverso de pessoas. Fazemos a Parada muito antes do apoio do governo e muito antes de ter uma sede, emprestávamos nossas casas para organizar a manifestação”. 
 

Trabalho solitário 

O último inscrito a tomar palavra foi o tesoureiro da APOGLBT, Manoel Zanini: “Bom vocês estarem aqui e constatarem o pequeno espaço em que é realizada a maior Parada do mundo. Tempos atrás, nem tínhamos como alugar uma sede. Hoje a associação tem dinheiro em caixa para pagamento de aluguel e contas para os próximos meses. Meus caros, estou aqui todos os dias e pouco vejo aquela porta se abrir. Este tem sido um trabalho solitário”, disse. 

Após cerca de duas horas, o debate decidiu pelo adiamento da eleição em 30 dias, num primeiro momento, para que a atual diretoria e os sócio-fundadores possam se reunir e estabelecer como será a formação de chapas e os procedimentos de votação. Todos os associados serão anistiados de débitos com a entidade, exceto prestação de contas. 

O encontro ocorre no início desta semana e a sentença para o prosseguimento será anunciada no site da organização e para a imprensa, através de sua assessoria de comunicação

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