Os 10 anos que mudaram o Brasil.

 

De 2003 para cá, esquerda brasileira viveu período intenso, com conquistas sociais, divergências e nova posição do Brasil no mundo

 

09/01/2013

 

Renato Godoy de Toledo

Redação do Brasil de Fato

 

Dilma e Lula: concessões ao fisiologismo em nome da governabilidade

Foto: Valter Campanato/ABr

Em janeiro de 2003, a esquerda brasileira viu a posse da principal liderança do maior partido construído pelas forças progressistas do país. Essa posse se deu em meio à expectativa de mudanças profundas e de descrença por setores mais à esquerda, críticos das alianças que Luiz Inácio Lula da Silva realizou para chegar ao Palácio do Planalto.

Hoje, 10 anos depois da posse, com uma reeleição e a eleição de sua sucessora, o PT consolidou-se como o maior partido do país, ainda que seja menor do que a figura carismática de seu maior líder.

Em meio a concessões aos partidos tradicionais, em nome da chamada governabilidade, e com uma clara melhora de vida da população mais pobre – com índices de pobreza e miséria sendo reduzidos drasticamente, muito em função de programas sociais –, bem ou mal, a esquerda brasileira viveu os 10 anos mais intensos de sua história.

Uma parte minoritária, hoje representada pelo Psol, rompeu com o governo e o PT após acontecimentos polêmicos como a reforma da Previdência, em 2003, e o chamado escândalo do mensalão, que atingiu figuras históricas do PT. Grande parcela dos partidos fisiológicos aderiu ao governo encabeçado por forças progressistas e, até então, antagônicas. O PFL mudou de nome para Democratas, afim de apagar seu passado pró-ditadura e seu empenho em impor o liberalismo – doutrina político-econômica que perdeu espaço na América Latina e é contestada mundialmente após o estopim da crise global. O PSDB firmou-se como partido da classe média, mas, diante da grande popularidade dos governos Lula e Dilma, tem dificuldades para criticar as políticas sociais, como o Bolsa Família, e educacionais, como o ProUni. Após três derrotas consecutivas, a direita partidária brasileira perdeu força eleitoral e as disputas tendem a crescer dentro do governismo.

O Brasil de Fato ouviu dirigentes da esquerda brasileira de diferentes matizes para avaliar politicamente os 10 anos do governo encabeçado pelo PT e apontar onde essa gestão se situa dentro do espectro político.

Espectro

Para Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do PT e do Foro de São Paulo, por se tratar de um governo de composição, as gestões Lula e Dilma não podem ser consideradas como exclusivamente de esquerda. “Os governos Lula e Dilma são governos de centro-esquerda. Do ponto de vista social, são governos de aliança com setores do empresariado. Do ponto de vista político, são governos de aliança com partidos de centro e, inclusive, de direita, como o PP. Do ponto de visto programático, são governos que buscam superar o neoliberalismo, não são governos que buscam fazer reformas estruturais de tipo democrático popular”, afirma.

Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, partido que compõe o governo desde 2003, aponta as dificuldades de uma aliança com partidos fisiológicos e estabelece uma diferença entre ganhar uma eleição e chegar ao poder. “O primeiro destaque [desses 10 anos], primeiro e essencial, é sua opção preferencial pelos pobres que se completa na defesa da soberania nacional, através do fortalecimento de nossa economia, de um lado, e, de outro, através de uma política externa independente. Certamente todos gostaríamos de que mais tivesse sido feito, e cada um de nós tem um reparo e uma sugestão. Mas a política não é movida apenas pela vontade, regida que é pela realidade objetiva. Penso que fizemos o possível em face da correlação de forças. Ganhamos, apenas, as eleições”, aponta Amaral, que foi ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula entre 2003 e 2004.

Ivan Valente, deputado federal e presidente nacional do Psol, ressalta a continuidade conservadora do governo na política econômica, ainda que aponte diferenças importantes em relação às gestões anteriores do PSDB. “A política seguida tem a hegemonia do capital financeiro, com cerca de 47% da arrecadação direcionada ao pagamento de juros e amortizações da divida. Isso inviabiliza propostas estruturantes no campo social. O governo assumiu a lógica privatizante do patrimônio público. Começou com os leilões do petróleo, alguns bancos estaduais, e agora com a privatização dos portos e aeroportos. Ao mesmo tempo, o governo tentou fazer algum diálogo com setores excluídos, com políticas compensatórias, mas que ainda não são estruturantes para os direitos dos trabalhadores”, avalia.

O presidente do Psol também aponta para algumas mudanças na política internacional, mas ainda as considera insuficientes. “Poderíamos ter uma política mais agressiva, como alguns países latino-americanos têm. Mas, de qualquer forma, ao combater a formação da Alca, foi uma postura de afirmação nacional. A entrada da Venezuela no Mercosul também é um fator positivo, mas a democracia brasileira ainda está engatinhando, pois quando chega na hora de votar uma limitação dos monopólios dos meios de comunicação, como na Argentina, o governo é frágil e não faz enfrentamentos”, analisa.

Inflexões

Ao longo dos 10 anos, analistas apontam algumas nuances na forma de conduzir política e economicamente o país. O marco comumente tido como mais importante nesse período foi o ano de 2005, quando estourou a crise do mensalão. Os principais quadros políticos do PT que cercavam Lula envolveram-se em denúncias e deixaram o governo, concentrando as decisões estratégicas cada vez mais nas mãos do ex-presidente.

“Vejo duas inflexões essenciais no governo Lula. A primeira, em 2005, quando, ameaçado e abandonado por muitas correntes políticas, opta pelo contato direto com as massas e as reconquista. Outro momento é seu segundo governo delineado pelas circunstâncias das eleições em segundo turno. Os fatos levaram o governo mais à esquerda. O governo, sem dela se afastar, começava a desconfiar que a ‘conciliação de classes’ era (como é) uma balela”, salienta Roberto Amaral.

Para Valter Pomar, houve um ataque do conservadorismo em 2005 e o governo respondeu trocando o seu comando. “Em 2005, a burguesia exagerou no ataque e provocou um contra-ataque das bases populares do PT e do governo. No meio deste contra-ataque, caiu a cúpula do primeiro governo Lula, abrindo espaço para uma outra orientação, personificada em Mantega e Dilma. Esta outra orientação significou uma inflexão desenvolvimentista, que se traduziu na linha adotada no segundo turno de 2006 e no PAC”, diz.

PSD, de Kassab, indica apoio a Haddad dois dias após eleição

Quando fundou o PSD, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, disse que o partido não seria “nem de direita, nem de esquerda, nem de centro.” Nesta terça-feira 30, o partido fez jus à ideia do seu criador. Sua bancada de sete vereadores, que apoiou José Serra (PSDB) nas eleições, deixou claro o apoio ao prefeito eleito da cidade, Fernando Haddad (PT). Os vereadores fizeram isso ao anunciar a manutenção da parceria com o PSB, que apoiou a candidatura de Haddad e apoiará o petista como prefeito.

Pouco importa se até hoje os vereadores apoiem a administração de Kassab, que também fez campanha por Serra. A partir de janeiro, dizem, irão trabalhar para o petista. O apoio do PSD garante a Haddad a maioria da Câmara Municipal, necessária para eleger o presidente da Casa e aprovar de projetos prometidos, como a criação do bilhete único mensal e o fim da taxa de inspeção veicular.

Durante o processo eleitoral, Kassab não apenas apoiou o tucano José Serra como indicou o seu vice, Alexandre Schneider. Nesta terça, após encontrar o novo prefeito da cidade, o atual prefeito disse que “São Paulo com certeza estará em ótimas mãos”. Ele disse, porém, que não sabia qual seria a postura dos vereadores do seu partido.

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Kassab decidiu apoiar o PSDB nas eleições depois que Serra, seu padrinho político, anunciou a candidatura. Antes disso, Kassab vinha sendo cortejado pelo PT. Sua administração foi alvo de duras críticas dos petistas durante toda a campanha eleitoral. Entre as críticas, Haddad chegou a dizer que faltava “comando e transparência” na administração e que Serra escondia Kassab devido à sua baixa popularidade.

Abaixo, a íntegra da nota distribuída pela bancada do PSD na Câmara:

Os vereadores do bloco parlamentar PSB-PSD na Câmara Municipal de São Paulo decidiram, nesta data, manter sua atuação conjunta no Parlamento da cidade, através da qual têm procurado melhor defender os interesses da população de São Paulo. Nesse sentido, esperam contribuir para que a nova administração possa dar continuidade à busca de soluções para os complexos problemas de nossa metrópole.

PT e PSB avançam em reduto da oposição

PAULO DE TARSO LYRA

Correio Braziliense

Petistas apoiam socialistas na briga pela prefeitura de Mossoró (RN), a única com mais de 150 mil eleitores sob comando do DEM. Aproximação facilita acordo em São Paulo

A comissão formada por PT e PSB para desenrolar os nós das eleições municipais — e aproximar os socialistas da pré-candidatura do petista Fernando Haddad em São Paulo — já tem a primeira cidade definida como consenso: Mossoró (RN). O município potiguar é o único com mais de 150 mil eleitores governado pelo DEM, partido que vive uma crise nacional após o escândalo envolvendo o senador Demóstenes Torres (GO).

Mais: o município é reduto do presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN). “É claro que vamos fazer de tudo para apoiar o PSB lá. Será o meu esforço pessoal e tenho certeza de que do ex-presidente Lula também”, afirmou o secretário nacional de Organização do PT, Paulo Frateschi.

A cidade potiguar foi citada na reunião que o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, teve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último dia 24. O PT fez, recentemente, uma convenção municipal em Mossoró e lançou o nome do ex-reitor da Universidade Federal Rural do semiárido Josivan Barbosa. O PSB apresentou a deputada estadual Larissa Rossado. Do lado demista, a pré-candidata é Ruth Ciarlini, irmã da governadora do estado, Rosalba Ciarlini, também filiada ao DEM.

Frateschi é o representante do PT na comissão formada para discutir as alianças entre os dois partidos. O interlocutor pelo PSB é o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral. Os dois vão se encontrar pela primeira vez para discutir a disputa municipal deste ano hoje, no Rio de Janeiro.

Os movimentos de Eduardo Campos, que ora sinaliza aproximação com o PT, ora flerta com o PSDB, são vistos com ressalvas pela direção petista. “O Eduardo é mais esperto que a média dos integrantes do PT”, disse um dirigente partidário incomodado com a postura do governante.

Mesmo assim, o secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi, acredita que, ao término das negociações, o PSB apoiará Fernando Haddad em São Paulo. “Tentaremos antecipar a resposta deles para maio. É claro que eles vão tentar ao máximo valorizar essa parceria, mas devemos fechar coligação com eles e o PR”, espera o petista.

Capitais
Para o PSB, além de Mossoró, são consideradas prioritárias cinco capitais: João Pessoa (PB), Macapá (AP), Curitiba (PR), Cuiabá (MT) e Porto Velho (RO). “As capitais, claro, estão na nossa lista principal, além de cidades-polo, como Campinas (SP)”, disse ao Correio o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

O caso de Campinas é mais complicado, na visão dos petistas. Os socialistas lançaram o deputado federal Jonas Donizette (SP) e têm uma aliança assegurada com o PSDB. “Não vão abrir mão dessa parceria para coligar-se com o Márcio Pochmann (atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea)”, acreditam os articuladores do PT

RESOLUÇÃO DO ENCONTRO MUNICIPAL DE POLÍTICA DE ALIANÇAS E TÁTICA ELEITORAL DO PT BH DO DIA 25/3/2012

Art. 1º – Fica aprovada a coligação com PSB para apoiar a candidatura Marcio Lacerda a Prefeito de Belo Horizonte, nos termos desta resolução.

Art. 2º – O Encontro de Tática Eleitoral do PT BH recomenda ao DM PT BH a imediata constituição de seu GTE 2012, a ser formado por onze membros, dentre os quais, para também o presidir, o Presidente Municipal do Partido, observando na composição do conjunto de seus membros a proporcionalidade da votação obtida pelas chapas, ou de agrupamentos de chapas que para este fim vier a se formar, por decisão de seus representantes, a quem caberá também indicar seus membros.

§1° – Caberá ao GTE, de maneira especial e sem prejuízo de suas demais atribuições, organizar o debate político interno, envolvendo as bases sociais e partidárias, preparando sua realização no próximo encontro municipal incluindo:

a) Avaliação das políticas públicas municipais ora em andamento;
b) As propostas petistas para o município a serem incluídos na plataforma do candidato;
c) Os compromissos com a democracia na gestão pública;
d) A repactuação das relações PT-PSB no plano da Administração da PBH;
e) Os pontos políticos/programáticos a serem levados aos partidos que pretendemos coligar e a seu candidato a prefeito para com eles discutir e acertar o conjunto dos temas relacionados às eleições.

§2° – As decisões previstas no parágrafo anterior terão obrigatoriamente como base o texto “REPACTUAR DEMOCRATICAMENTE”, assinado pelas chapas 102 e 103 sobre o qual se aporão emendas para sua aprovação final no próximo período.

§3° – Caberá também ao GTE, em colaboração com a CEM, estabelecer o diálogo com os demais partidos em torno dos compromissos com o PT, notadamente na plataforma eleitoral que deverá estar coerente com os rumos do governo federal, onde se aliam PT e PSB, rumos esses contrários ao bloco de oposição.

Art. 3º – Proclamar que dentre os pontos a serem discutidos com os partidos e candidato a prefeito três deles são de natureza fundamental, portanto obrigatoriamente considerados na formação dos acordos político-eleitorais com o PT BH em 2012, a saber:
a) Acolher a coligação majoritária com o PSB sendo o candidato a Vice – prefeito indicado pelo PT;
b) Reiterar a não participação nessa coligação de partidos políticos que se opõe – PSDB, PPS, DEM -, ou que no curso do processo venham a se opor, ao governo Dilma Rousseff;
c) Estabelecer a coligação PT-PSB na chapa de candidatos a vereadores como desdobramento necessário ao apoio dado ao PSB e conseqüente contrapartida às perdas de legenda petistas na eventualidade da ausência de candidatura própria.

Art. 4º – Chamar a Direção Nacional e estadual do PT a se integrar no esforço de implementação da Tática Eleitoral do PT BH, sobre tudo, a primeira, assumindo a responsabilidade sobre a construção dos três pontos listados como fundamentais, inclusive lançando mãos das variáveis supra-municipais e supra-estaduais todas elas a seu alcance.

Art. 5º – Marcar o Encontro de Escolha de Candidatos para o dia 15 de abril, domingo.
§1° – fica também esta data definida como prazo limite para que os partidos e o candidato a prefeito se manifestem com clareza absoluta e antes do inicio do Encontro, acerca dos temas respectivos ao Encontro, já listados no Art. 3º.
§2º – Se aplica a observância do prazo estabelecido no parágrafo anterior ao disposto no Art. 4º, relativo à Direção Nacional do PT.

Belo Horizonte, 25 de março de 2012

ENCONTRO MUNICIPAL DE POLITICA DE ALIANÇAS E TÁTICA ELEITORAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES DE BELO HORIZONTE, REALIZADO EM 25 DE MARÇO DE 2012.

Em decisião apertada em BH PT apoia Marcio Lacerda e deixa para PSB decisão sobre tucanos na chapa

Rafael Passos

O PT e PSB vão continuar juntos na aliança pela sucessão à Prefeitura de Belo Horizonte nas eleições de outubro. Em uma disputa acirrada, que mostra a divergência de correntes no partido, 255 delegados votaram neste domingo pela continuidade da dobradinha com o socialistas para tentar reeleger Marcio Lacerda (PSB). Outros 224 petistas se posicionaram a favor do lançamento da candidatura própria.

A reunião, chamada de Encontro de Tática Eleitoral, teve a presença de 497 delegados, sendo que 479 foram credenciados e puderam votar

Com a vitória apertada da corrente favorável ao prosseguimento da chapa com o PSB, os petistas entendem que o imbróglio envolvendo a permanência PSDB na aliança terá que ser definido pela legenda de Lacerda até 14 de abril.

Em 2008, Aécio Neves, na época governador de Minas, e Fernando Pimentel, que deixava a prefeitura da capital, alinhavaram uma aliança informal entre petistas e tucanos e elegeram Marcio Lacerda.

O presidente do PT em Minas Gerais, deputado federal Reginaldo Lopes, afirmou a legenda tem um “veto ideológico” e não legal aos tucanos na aliança. Lopes é um dos defensores continuidade da chapa entre os três partidos à frente do Executivo da capital.

Já vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho, defensor da candidatura própria, disse que os militantes petistas contrários à união com os tucanos e socialistas podem abandonar a campanha eleitoral caso fique definida a presença do PSBD.

Dia 15 de abril, os petistas voltam a ser reunir e a indicação do nome para ocupar o cargo de vice-prefeito poderá ser decidido oficialmente. O deputado federal Miguel Corrêa Júnior e o deputado estadual André Quintão aparecem como mais cotados.

Com informações de Alice Maciel, do Jornal Estado de Minas

PCdoB acena com apoio a Chalita e PT não poderá reclamar (via @mariafro)

O próprio PT é aliado do PMDB de Sarney; flertou com Kassab, cria de Serra, e fritou em cadeia nacional o ex-ministro Orlando Silva do PCdoB. Parece que só o comuno-ruralista mantém sua fidelidade canina ao governo de coalização. De todo modo o PT não pode realmente reclamar do comportamento do PCdoB.

PCdoB ameaça petistas em SP e negocia apoio a Chalita

FERNANDO GALLO E JULIA DUALIBI – Agência Estado

A crise na base aliada que o governo federal enfrenta no Congresso passou a respingar na campanha do pré-candidato petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Depois do PDT e do PR, agora o PC do B, o mais tradicional aliado do PT nas disputas paulistanas, ameaça fechar uma aliança com o PMDB, do deputado Gabriel Chalita.

Líderes do PC do B foram procurados há cerca de 10 dias pelo vice-presidente Michel Temer, principal articulador da pré-candidatura de Chalita, para conversar sobre a sucessão. Temer se encontrou recentemente com o presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, e com o ex-ministro do Esporte Orlando Silva.

“Até duas semanas atrás era um namorico, agora está virando namoro sério”, diz um comunista, elevando a pressão sobre o PT, num momento em que a costura das alianças em favor de Haddad patina com a ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva das articulações – o petista postergou a volta ao cenário político após diagnóstico de pneumonia semana passada.

Assim como os demais partidos da base aliada de Dilma Rousseff, o PC do B reclama do tratamento dado pelo PT. Afirma não conseguir emplacar indicados em cargos na Esplanada e diz não ver contrapartida na relação com a sigla aliada, já que lançará candidatos em 10 capitais, mas não tem garantia de que terá o apoio do PT em nenhuma delas. Além disso, a sigla ainda guarda a mágoa da demissão de Orlando Silva do ministério por suspeitas de fraudes e desvios de recursos a ONGs conveniadas à pasta.

O flerte do PC do B com o PMDB agrava a situação na campanha de Haddad, que assiste a uma rebelião dos potenciais aliados que podem garantir ao petista tempo de TV na propaganda eleitoral gratuita. Oficialmente, o PC do B mantém a pré-candidatura do vereador Netinho de Paula à Prefeitura paulistana.

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PT se aproxima de Kassab e decide manter possibilidade de aliança em SP

Autor(es): Alberto Bombig
O Estado de S. Paulo – 20/06/2011
 
Direção paulista do partido barra resolução que proibiria coligações entre petistas e candidatos do PSD no Estado; gesto ocorre no momento em que o prefeito está sob ataque da oposição a Dilma e negocia integrar a base governista no Congresso
Sob ataque do DEM em todo o País, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ganhou no fim de semana um forte aliado em sua intenção de criar seu novo partido, o PSD. Reunido em Sumaré (SP), o PT paulista decidiu manter abertas as portas para que a nova sigla integre a base de apoio da presidente Dilma Rousseff no Congresso e, pelo menos por enquanto, possa até fazer coligações com candidatos petistas nas eleições do ano que vem.
A decisão foi interpretada como um sinal para os demais diretórios do País de que o partido de Kassab não deverá ser tratado como um adversário natural do PT, mas sim como uma sigla a ser usada na sustentação do governo e na luta contra a oposição, especialmente em São Paulo, Estado governado pelo PSDB desde 1995 e hoje a principal obsessão do Planalto e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante o Encontro das Macrorregiões do PT-SP, a direção paulista conseguiu vetar uma resolução que proibiria alianças eleitorais com o partido de Kassab, caso a sigla seja viabilizada.
Seria mais uma medida para asfixiar o PSD no seu nascedouro (São Paulo), pois a nova sigla já é alvo de ações na Justiça capitaneadas pelo DEM, o antigo partido do prefeito.
A proposta de proibir coligações do PT com o PSD partiu de um grupo de petistas da capital do Estado, oposição ao prefeito Kassab. Mas a direção estadual atuou fortemente para evitar que ela fosse aprovada e conseguiu ao menos rachar o partido. O resultado da consulta foi de 236 votos favoráveis à proibição e 236 contrários. Na prática, isso significa que não existe hoje um veto formal ao PSD dentro do comando petista.
A decisão agora deverá ser tomada em um seminário a ser organizado pelo PT somente para analisar a questão. No encontro, que contou com a participação de Lula, os petistas aprovaram o veto formal às coligações com o PSDB, o DEM e o PPS em todo o Estado. Por sugestão de vereadores de São Paulo, o PSD foi incluído na consulta, mas a direção conseguiu barrar a restrição formal ao partido que ainda está na fase de coletas de assinaturas para ser viabilizado a tempo de concorrer nas eleições de 2012.
“Em termos de cenário nacional, seria ruim para o PT paulista mandar um recado negativo ao novo partido do prefeito Kassab. Todos os sinais hoje são para que ele integre a base de apoio ao governo federal no Congresso. Seria, antes de mais nada, prematuro um veto ao PSD neste momento”, disse o deputado estadual Edinho Silva, presidente do PT do Estado de São Paulo.
Edinho defendeu pessoalmente a proibição ao veto e colocou todo o peso da direção estadual para evitar que os paulistanos obtivessem êxito. O diretório da capital já declarou ser contra a aproximação com Kassab. “O PT da capital não aceita qualquer possibilidade de união com o prefeito. Discordamos das políticas públicas implementadas pela gestão dele e vamos permanecer na oposição”, diz o vereador Antônio Donato, presidente dos petistas paulistanos.
“A questão da capital não pode balizar o PT em todo o Estado , diz Edinho. Em Ribeirão Preto, importante cidade do interior, por exemplo, a prefeita Dárcy Vera tem a intenção de concorrer à reeleição pelo PSD com o apoio decisivo dos petistas.
Na capital do Estado, o sonho de parte dos petistas seria ter o apoio de Kassab no caso de um eventual segundo turno entre um candidato do PT e um do PSDB. Em conversas reservadas, o prefeito acena com essa hipótese para seduzir os petistas da direção estadual.
CPI do PSD. Donato também é autor de um requerimento que propõe a criação de uma CPI na Câmara Municipal para investigar o suposto uso da máquina pública da gestão Kassab na coleta de assinaturas para a criação do partido. Para isso, são necessárias 28 adesões de parlamentares.
No fim de semana, porém, o governador Geraldo Alckmin declarou não ser favorável à instalação da CPI, o que deve inviabilizar o apoio dos sete vereadores do PSDB à proposta de Donato. Além disso, dentro da própria bancada do PT, Kassab possui a simpatia dos grupos ligados ao vereador Arselino Tatto e ao deputado estadual João Antônio.
Marcelo Fernandes.Cps.
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