Governo de SP desmente Serra sobre linha 6 do Metrô


O então governador de São Paulo, José Serra, declarou, em março de 2008, que as obras da Linha 6 (Laranja) do Metrô seriam iniciadas em 2010 e terminariam, ou em 2012, ou em 2013.

Após muitos atrasos na contratação de projetos e  antes de deixar o governo para se candidatar à Presidência, Serra garantiu que tudo estaria pronto até 2014.

Acuado por esta previsão, o governo de São Paulo se viu obrigado a apresentar uma previsão mais realista: as obras só devem começar em 2013, com a conclusão da primeira etapa em 2017, depois das Olimpíadas e da Copa.

Até lá, moradores de Brasilândia e Freguesia do Ó (Zona Norte), Perdizes e Pompeia (Zona Oeste) terão de continuar esperando. Estima-se que mais de 600 mil passageiros por dia utilizariam este trecho do Metrô.

Fonte: Brasília

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Ministro da Saúde quer regulamentar Emenda 29; texto está parado desde 2008

Divulgação/Prefeitura de Várzea Grande (MT)
Emenda poderá melhorar atendimento na rede pública.

Entre as prioridades para a área da Saúde destacadas pelo novo ministro da pasta, Alexandre Padilha, algumas são objeto de propostas que já tramitam no Congresso Nacional; outras foram herdadas de gestões anteriores; e quase todas dependem de novos recursos alocados para o setor. No seu programa de governo, a presidente Dilma Rousseff prometeu aumentar os recursos destinados para a Saúde a fim de, entre outras metas, ampliar as equipes de Saúde da Família e criar novas Unidades de Pronto Atendimento 24 horas.

Em seu discurso de posse, Padilha anunciou um “choque de gestão” e a disposição de negociar com governadores e prefeitos a aprovação da regulamentação da Emenda Constitucional 29, que fixa os percentuais mínimos a serem gastos na Saúde por estados, municípios e União. O texto está parado no Plenário da Câmara desde 2008.

Proposta na Câmara
O texto mais atual na Câmara sobre a regulamentação da Emenda 29 (PLP 306/08, do Senado) é o substitutivo do deputado Pepe Vargas (PT-RS), segundo o qual a União deve aplicar na Saúde o mesmo valor empenhado no ano anterior, corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto (PIBIndicador que mede a produção total de bens e serviços finais de um país, levando em conta três grupos principais: – agropecuária, formado por agricultura extrativa vegetal e pecuária; – indústria, que engloba áreas extrativa mineral, de transformação, serviços industriais de utilidade pública e construção civil; e – serviços, que incluem comércio, transporte, comunicação, serviços da administração pública e outros. A partir de uma comparação entre a produção de um ano e do anterior, encontra-se a variação anual do PIB.) entre os dois anos anteriores; os estados deverão aplicar 12% de seus impostos, e os municípios, 15%. Esses valores estão definidos provisoriamente na Constituição, mas não vêm sendo cumpridos pela falta de regulamentação.

Um dos problemas gerados pela falta de regulamentação é que a destinação atual dos recursos para a Saúde é pouco específica, podendo os gestores, por exemplo, direcionar verba para a assistência social alegando se tratar de uma medida de saúde. A regulamentação deixará claro quais ações serão consideradas de saúde – todas elas, inclusive, vinculadas ao Sistema Único de Saúde. O texto diz, por exemplo, que limpeza urbana, pagamento de aposentadoria de servidores da Saúde, merenda escolar e obras de saneamento não poderão setr custeadas por essa verba.

A votação não foi concluída pelo impasse entre governo e oposição sobre a criação da Contribuição Social da Saúde (CSS), um novo tributo previsto no substitutivo que seria cobrado nos moldes da extinta CPMF, mas com uma alíquota menor, de 0,10% sobre a movimentação financeira. A CPMF era cobrada em 0,38%. A estimativa é que a CSS gerasse uma de receita aproximada de R$ 15 bilhões ao ano.

Oposição
Os partidos de oposição (DEM, PSDB e PPS) não concordam com o novo tributo e apresentaram um destaque para retirar a base de cálculo do texto e inviabilizar a cobrança. “A proposta vem ao encontro do que a Frente Parlamentar da Saúde defende, que é o fortalecimento dos municípios a partir do pacto federativo”, destacou o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), integrante da frente. “O problema é que todos os ministros defenderam isso durante os oito anos de Governo Lula, mas o assunto não avançou porque há descompasso entre os ministérios da Fazenda, da Saúde e do Planejamento”, destacou.

Na mesma linha argumenta o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), um dos ex-ministros da Saúde do Governo Lula. “Todas as declarações dele [de Padilha] são reincidentes em relação às de ex-ministros da pasta. Eu, quando tomei posse, fiz um discurso que não estava muito diferente, assim como o Agenor e o Temporão”, disse, referindo-se aos também ex-ministros da pasta José Gomes Temporão e Agenor Álvares. “O SUS só vai obter resultados substantivos quando conseguir avançar em dois sentidos: na homogeneização da gestão – que é ótima em alguns lugares e péssima em outros – e resolver o problema do financiamento, porque não tem como sobreviver com R$ 1 por habitante/dia, as tabelas estão totalmente defasadas”, acrescentou.

Assim, os parlamentares desta legislatura que se encerra não foram convencidos sobre a necessidade de criar um tributo para financiar o sistema. Alguns, como o líder do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC), acreditam que a regulamentação da Emenda 29 já colocará, por si só, R$ 30 bilhões por ano na Saúde, mesmo sem a criação da CSS, já que os gastos serão obrigatoriamente direcionados para ações específicas do SUS.

O coordenador da área de Saúde do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sérgio Piola, discorda. Para ele, a destinação correta dos recursos não é suficiente para garantir uma prestação de serviços semelhante à dos países desenvolvidos. “É preciso mais recurso, seja ele proveniente de um tributo específico ou não”, avalia.

Ciranda – Por Ricardo Fernandes de Menezes

No dia 20 de maio de 2006, foram disponibilizados no sítio do Partido dos Trabalhadores (PT) na Internet os documentos intitulados Conjuntura, Tática e Política de Alianças e Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo, aprovados no 13º Encontro Nacional do PT, realizado no final do mês de abril do presente ano. Nos dois documentos encontram-se análises sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva e diretrizes para a elaboração do programa de governo a ser apresentado à sociedade brasileira nas eleições de 2006.

Chama a atenção, nos dois documentos, a ênfase com que a questão social é abordada e, por isso mesmo, revela-se a preocupação com um dos pressupostos para o encaminhamento de soluções para a superação das enormes desigualdades que caracterizam a sociedade brasileira: as condições de operação do aparelho de Estado nacional.

Assim, diz-se que o país “experimentou os efeitos de uma década de governos neoliberais, com efeitos gravíssimos nas condições de vida do povo, na vida econômica do país e na capacidade de atuação social do Estado”; fala-se “na desestruturação do aparelho de Estado”; aponta-se que “o contexto do processo de privatizações no Brasil foi marcado também pelo desmonte neoliberal da máquina estatal e de suas já combalidas estruturas de controle e fiscalização”; afirma-se que “foi necessário desencadear um processo de reconstrução do Estado, enfraquecido por forte crise fiscal, por privatizações, terceirização de seu pessoal” e, agrega-se, que “abandonou-se a opção anterior pelo Estado mínimo”.

E lê-se ainda naqueles documentos: “Interrompeu-se o ciclo de privatizações, concursos recompuseram áreas fundamentais do serviço público. Foram retomados os investimentos no saneamento básico, tendo sido já contratados 6.2 bilhões de reais de serviços nesta área. Deu-se vigoroso impulso às grandes estatais.

A Petrobrás, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil, o BNDES, a Infraero, para só citar algumas empresas, passaram a ter papel estruturante na reorganização do país, ao mesmo tempo em que exibem uma rentabilidade que nunca tiveram”. E lê-se também: “O investimento em pessoal e equipamento na Polícia Federal permitiu inéditos avanços no combate ao crime organizado” e, por fim, que “Os programas de transferência de renda têm forte impacto sobre a reativação da economia, transcendem o assistencialismo, mas o desafio para o segundo mandato é transformar esses programas em políticas sociais universais, tais como a Previdência Social e o SUS mais adequados ao nosso país que se caracteriza por profundas desigualdades sociais”.

No dia 27 de maio de 2006, em matéria publicada na Folha de São Paulo, intitulada “Tarso pede fim do “conceito arcaico” de direito adquirido”, assinada por Malu Delgado, da  Reportagem Local, Seção Brasil, foram veiculadas supostas declarações do Ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, entre elas as contidas no seguinte trecho da matéria:

O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, defendeu ontem a “redução drástica de despesas da União, com corte de salários, pensões e aposentadorias como uma medida exemplar” e crucial para que o país consiga crescer a médio prazo. Especializado em direito trabalhista, afirmou que é preciso “remover o conceito arcaico de direito adquirido” e “cassar privilégios para os quais as pessoas não contribuíram”.

Tais supostas declarações causam espécie, porque destoam completamente do eixo político central que inspira os aludidos documentos aprovados no 13º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), agremiação da qual o ministro faz parte.  

Há de se ter críticas ao Estado – lato sensu – historicamente erigido pela elite econômica (burguesia) brasileira, mas a solução é trabalhar com persistência e competência para democratizá-lo, reorganizá-lo e torná-lo coisa pública. No entanto, para que isso seja possível, o “insumo” vital é gente – profissionais de carreira, concursados, bem remunerados, sistematicamente capacitados e compromissados com a causa pública. De certo, entes públicos eficazes da Administração Pública no país – citarei a Petrobrás face à exemplaridade que lhe é inerente, mas existem muitos outros – não teriam sido construídos à luz do Estado mínimo, cujo discurso tem como característica mais saliente a estigmatização dos servidores públicos, dos servidores do Estado ou, ainda, como preferem alguns, dos trabalhadores sociais. 

Atualmente, a sociedade brasileira assiste às graves conseqüências da desestruturação do aparelho de Estado brasileiro, iniciada no final dos anos 1980, em todos os setores que convenciona-se denominar de sociais, com crises na segurança pública e na saúde para não nos alongarmos. Contudo, afrontando mesmo a realidade, continuamos a conviver com um dado discurso que, por ser ideologicamente dotado de lógica interna complexa, contribui para estigmatizar sobremaneira os servidores do Estado perante a sociedade.

Este discurso é uma espécie de ciranda, na qual joga-se remediados contra pobres, e pobres contra excluídos.

Os que são remediados e pobres, o são porque, mal ou bem, têm direitos sociais que, ao longo de décadas de duras lutas, foram sendo conquistados, mas escribas e oradores disso se esquecem.

Os que não são remediados, nem pobres, nem tampouco excluídos, não aparecem na história daqueles escribas e oradores esquecidos. E pior: o topo da pirâmide social, de um país cuja concentração de renda e exclusão só fez aumentar durante o paraíso prometido por Fernando CoIlor de Melo e Fernando Henrique Cardoso (chegou-se a afirmar que estaríamos vivendo um “novo renascimento”, lembram-se?), simplesmente não existe, pois, provavelmente, trata-se de entidade divina, atemporal.

Advoga-se que os remediados não têm direitos sociais, não, eles têm privilégios em face dos pobres, portanto, pobre que é pobre (o que é ser pobre?) deve buscar esquartejar os remediados?; já os pobres também não têm certos direitos sociais, não, eles têm privilégios em face dos excluídos, portanto, excluído que é excluído, deve combater os pobres? E assim continua a moderna “ciranda da solidariedade” do novo milênio, com sua proverbial vocação para, quem sabe?, entoar a ordem de ataque dos excluídos aos remediados e, deste modo, ensejar a contra-ofensiva política desses com relação aos excluídos e pobres, ou – pior dos mundos – brotar da terra o grito de guerra dos pobres, não contra a degradação da vida humana originária dos interesses da divindade do Capital, não, mas contra os excluídos!

A intervenção do Estado não pode dar curso à possibilidade de se estabelecer no imaginário popular a inusitada dinâmica daquela ciranda de ressentimento, que, por outro lado, não eleva, muito menos solda, o princípio da solidariedade social no sentido (apenas) da busca da consecução de emblemas da Revolução Francesa (1789): igualdade e fraternidade.

No aparato estatal existem remediados e, a depender do que se considere pobreza, existem por certo pobres, mas não existem excluídos. O círculo de servidores federais, estaduais e municipais, que vertebra a face visível do Estado na vida cotidiana das pessoas, aguarda historicamente ser conduzido por mãos arrojadas que, no mínimo, o leve a implementar ações e a executar atividades estruturantes de políticas públicas, norteadas por princípios de proteção da vida, que visem:

a) num primeiro momento, impulsionar os excluídos para cima, para a pobreza que seja, porém objetivando assentar esses seres em definitivo na condição de cidadãos cujos direitos sociais foram reconhecidos – de fato;

b) ungir os lídimos pobres, bem como os novos-pobres – os quais, então, seriam lembranças tristes da exclusão passada -, à dignidade que resulta da ampliação das possibilidades de acesso à cultura, ao trabalho regular e formal, à proteção social (educação e seguridade social – saúde, previdência e assistência social), à prática de esporte, ao lazer;

c) valorizar a importância do trabalho dos remediados para a construção coletiva de uma sociedade que transite da perspectiva de barbárie – verossímil como conseqüência de desdobramentos políticos imponderáveis da profunda desigualdade econômico-social e cultural  reinante no Brasil – para uma sociedade menos desigual.

O círculo de servidores a que me refiro partilha de sentimento singelo e, talvez por isso mesmo, não associa aquelas políticas públicas à caridade, porque ele mesmo não se enxerga como objeto de políticas de corte benemerente ou de políticas públicas de eliminação de direitos – instituídos há décadas – de quem vem, com todas as sabidas dificuldades, constituindo-se em agente principal da prestação de serviços voltados para a proteção social de excluídos, de pobres e de remediados.

Sim, os servidores públicos brasileiros não entendem o giro de uma ciranda que, a pretexto de impulsionar a solidariedade humana, consagra a divindade do Capital e de seus negócios, os quais, por um passe de mágica, tornam-se invisíveis, desprovidos de interesses concretos e passam a pairar no Brasil como almas penadas que, persistentemente, distribuem o sofrimento, sugam a riqueza e a soberania nacionais e tentam inculcar-nos o menos nobre dos sentimentos: tudo haverá de ser como antes, porque, de novo, não há nada mesmo a fazer…

 

Contudo, embora não se saiba bem porque, os servidores públicos brasileiros ainda conseguem extrair do fundo d’alma a esperança. Por que será? Talvez porque acreditem que o desafio do mandato popular é implantar políticas sociais universais, tais como a Previdência Social e o Sistema Único de Saúde (SUS), mais adequadas a um país que, conforme foi mencionado anteriormente, se caracteriza por profundas desigualdades sociais.

 


Ricardo Fernandes de Menezes é médico sanitarista.

MOBILIZAÇÃO CONTRA A VENDA DE LEITOS DO SUS PARA PLANOS DE SAÚDE E PARTICULARES.

DIA 15 DE DEZEMBRO, QUARTA, AS 16:30 HORAS.

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SP.

AVENIDA PEDRO ÁLVARES CABRAL, 201. IBIRAPUERA.

CONTRA O PLC 45-10, DO GOVERNADOR ALBERTO GOLDMAN, QUE DISPÕE SOBRE A VENDA DE SERVIÇOS DO SUS PARA PLANOS DE SAÚDE E PARTICULARES.

Eurípedes Balsanufo Carvalho.

 Coordenador do setorial estadual de saúde. PT-SP.

Alckmin nomeia coordenador de campanha para chefiar a Casa Civil em SP

Guilherme Balza
Do UOL Notícias*
Em São Paulo o Ex-secretário de Gestão Público e ex-coordenador de campanha, Beraldo ganha a Casa Civil

Em anúncio feito na tarde desta terça-feira (16), o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), nomeou quatro secretários que irão participar de sua administração no Palácio dos Bandeirantes a partir de janeiro do ano que vem.

O tucano escolheu Sidney Beraldo, coordenador de sua campanha e chefe da equipe de transição, para ocupar a Casa Civil, posto estratégico que faz a ponte entre o Executivo e o Legislativo paulista.

Beraldo, antigo conhecido do governador eleito, foi secretário de Gestão Pública na gestão José Serra e já ocupou a presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo (03/2003-03/2005), quando teve bom relacionamento com Alckmin, governador na época.

Para a Saúde, Alckmin nomeou Giovanni Guido Cerri, atual diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). A decisão põe fim ao mistério em torno do futuro comandante da pasta que gerencia a rede ambulatorial e hospitalar no Estado.

Com a morte de Luiz Roberto Barradas Barata, médico sanitarista que chefiou a Secretaria de Saúde de 2003 até seu falecimento, em julho deste ano, Alckmin ficou sem um herdeiro para o cargo. O outro cotado para o posto era David Uip, diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

O tucano ainda anunciou que a atual secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, seguirá no cargo. Ela é  é médica fisiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Grupo de Trabalho do Comitê de Humanização do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O quarto nome divulgado hoje é do novo titular da Casa Militar. O posto ficará com o coronel Admir Gervásio, que será responsável também pela Defesa Civil. Atual corregedor da Polícia Militar – nomeado para conter suspeitas de conivência da corporação com policiais infratores – Gervásio chega ao cargo com um espírito moralizador.

“Sem pressa”
O governador eleito afirmou não ter pressa para divulgar os nomes dos próximos secretários. De acordo com Alckmin, os anúncios devem começar a ser feitos no final deste mês. “Não tem correria. Fim de novembro, começo de dezembro, vamos começar a ouvir os partidos e anunciar outros nomes. Hoje, por exemplo, recebemos um cojunto de sugestões do PPS”, afirmou o tucano.

O futuro secretário-chefe da Casa Civil continuará sendo o braço direito de Alckmin na articulação política para a composição do novo governo. Questionado sobre a participação do candidato derrotado Jose Serra, Beraldo desconversou e disse que o ex-governador é um “grande homem” e que seria fundamental tê-lo na próxima gestão.

Caso Enem: todo apoio ao ministro Haddad (Dep. Paulo Teixeira PT – SP)

Escrito em 16 de novembro de 2010, às 11:49

Diante da recente notícia de que o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, o desembargador Luiz Alberto Gurgel de Faria, considerou o recurso do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e sustou a liminar que invalida o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, cabe aqui reiterar nosso apoio incondicional ao Ministro Fernando Haddad, à sua postura diante dos acontecimentos e à validação do Exame.

Não há motivos para que nossa confiança no Enem seja, em alguma medida, abalada. Afinal, entre os mais de 4,5 milhões de alunos que se inscreveram para fazer a prova (sendo que 3,3 milhões efetivamente a fizeram), menos de 1.000 tiveram problemas em suas avaliações. Isso significa que o Inep, responsável pelo Exame, e o Ministério da Educação, do qual o Inep é autarquia, obtiveram uma margem de mais de 99% de acerto. E, assim como grandes concursos e vestibulares que são realizados todos os anos no país, o Enem é passível de ter questões anuladas por conta de problema ou outro.

Além disso, conforme já se explicou, é possível aplicar uma nova prova aos poucos alunos prejudicados sem que haja perda de isonomia – isto é, nossa tecnologia educacional permite, com toda precisão, fazermos um exame com o mesmo grau de dificuldade do primeiro, pouco importando se as provas são realizadas em dias distintos ou não. Muitos exames, como o TOEFL, que avalia proficiência em língua inglesa, são realizados em países diferentes e em dias diferentes e, nem por isso, são desqualificados. Outro exemplo é o SAT (Standart Admissions Test), que, utilizado por universidades norte-americanas para selecionar seus futuros alunos, é realizado sete vezes por ano.

É evidente que as falhas precisam ser, com urgência, corrigidas, de modo que aprendamos com os erros a fim de evitar cometê-los no futuro. No entanto, o Exame Nacional do Ensino Médio vem recebendo saltos de qualidade consideráveis sob a gestão do Ministro Haddad. Trata-se, conforme observou o neurocientista Miguel Nicolelis – professor da Universidade de Duke – em entrevista ao Viomundo, de uma das melhores maneiras que existem no mundo de se avaliar o conhecimento, pois nela os alunos são examinados de modo uniforme, independentemente das diferentes metodologias de ensino a que foram submetidos.

Não é à toa que, ao todo, 500 mil alunos a mais se inscreveram no Exame desta vez, e que mais universidades passam a adotá-lo a cada ano. Por tudo isso, é nossa obrigação defender o Enem, refazer o processo com os alunos prejudicados e, por fim, validar sua aplicação neste ano de 2010. Quando tenta desqualificar a prova e menosprezar o trabalho do Ministro Haddad, a oposição, derrotada nas urnas, tenta criar um clima inexistente de terceiro turno. Não podemos permiti-lo.

Marta Suplicy: “Dilma sabe escuchar, pero es muy exigente”

7/11/2010, Página 12
Buenos Aires 

Suplicy revela detalles sobre la personalidad de la presidenta entrante y del presidente saliente, analiza el debate sobre el aborto y la agenda del próximo gobierno y se alinea con firmeza detrás de Dilma: “Quiero ser su mano derecha”.

 Por Santiago O’Donnell

Desde San Pablo

Con el debido respeto, y sin ánimo de ofender a nadie, podría decirse que por belleza, inteligencia y calidez, Marta Suplicy es una política sexy. Senadora nacional electa por el Partido de los Trabajadores, el partido de Dilma y Lula, para representar al principal distrito electoral del país, ex alcaldesa de una de las ciudades más grandes del mundo, diputada, sexóloga, feminista, Suplicy es un símbolo brasileño de izquierda chic con compromiso social.

Nos recibe en su casa de Jardín Europa, el mejor barrio de San Pablo, en un living ecléctico y recargado, con sillones rojo furioso, chimenea y candelabros de plata, biombo chino, máscaras africanas, esculturas de Amazonia, almohadones hindúes y grandes cuadros abstractos y figurativos. Experta en el arte de decir sin decir lo que no quiere decir, Suplicy revela detalles sobre la personalidad de la presidenta entrante y del presidente saliente, analiza el debate sobre el aborto y la agenda del próximo gobierno, pero al mismo tiempo oculta cualquier crítica o diferencia de opinión que pudiera haber tenido en el pasado, para alinearse firme detrás de Dilma: “Quiero ser su mano derecha”.

Su nombre suena fuerte para ocupar un puesto en el futuro gabinete y Suplicy no lo descarta. Pero avisa que no está dispuesta a sacrificar su lucha en favor de la despenalización del aborto y el matrimonio gay. La entrevista duró una hora y no tuvo mucho desperdicio, por eso se editan las preguntas y el análisis de una campaña electoral que Suplicy tildó de “farisea”, “ridícula” y “muy poco politizada,” según ella de los dos lados, pero sobre todo por culpa de la oposición.

Diferencias entre el futuro gobierno de Dilma y el de Lula

 

–Son personalidades completamente diferentes con formaciones políticas y culturales completamente muy diversas, con respectivas consecuencias de virtudes y defectos diferentes. Ella tiene la personalidad más dura que Lula, entonces podrá enfrentar, tal vez, las reformas que hasta ahora no fueron hechas. La reforma tributaria y la reforma política, principalmente.

Lula es una persona que decide, pero demora para decidir. Ella creo que es más impetuosa a pesar de que escucha mucho, que tiene capacidad de diálogo, a pesar de lo que dicen. Yo conviví con ella. Escucha, pero es muy exigente, implacable con sus subordinados, con los ministros, con todos, en la excelencia de trabajo. Creo que su exigencia muchas veces puede haber creado ciertas aristas. Como ministra, probablemente. Pero como presidenta es más fácil hacerlo. Como mujer, si una mujer es muy dulce, hacen papel picado de ella. Yo fui alcaldesa de San Pablo, yo sé. Entonces creo que parte de su personalidad es así, pero parte tiene que ver con el ejercicio de poder siendo mujer…

Dilma es una persona muy reservada. Yo estuve muchas veces con ella en la campaña. No habla de las personas, no le gustan los chismes. Puede ser irónica, graciosa, pero no se abre nunca. Es lo opuesto de Lula. Lula habla mucho. Si usted conversa con Lula siempre sale con impresiones de muchas cosas porque habla de todo con muy poca reserva. Muchas veces lo hace para encaminar lo que quiere. Ella no.

Las mujeres y el poder

–Yo creo que en este siglo vivimos un liderazgo femenino muy diferente al siglo pasado, cuando los grandes liderazgos femeninos eran mujeres travestidas de hombre: Thatcher, Indira Gandhi, Golda Meir, y este siglo tenemos mujeres que son mucho más femeninas como Cristina Kirchner, Angela Merkel, Michelle Bachelet, y esto es muy bueno para nosotras. Al mismo tiempo, estas mujeres son mujeres que saben ser firmes, porque si no eres firme no puedes ejercer el cargo. Es un cargo que no tiene que ver con la cuestión de género, sino con una personalidad fuerte. Y se puede ser fuerte siendo femenina. Yo creo que Dilma en esta campaña fue más femenina de lo que jamás lo fue en su vida, porque no es una persona dedicada a la moda o la belleza. Y descubrió, ella no tenía la virtud de tener un peinado lindo o un maquillaje que la favoreciera, no era de su interés, y creo que cambió un poco. No tanto (se ríe), pero un poco.

Aborto, Iglesia e Igualdad de género

 

–La principal cuestión de la desigualdad de género no pasa por la descriminalización del aborto. Tiene que ver con la frase que dijo Dilma, que se vea con naturalidad la presencia de la mujer en el poder. Entonces, me parece muy importante que ella promueva a las mujeres y que tenga un gabinete con el mayor número posible de mujeres. Es muy difícil, porque no tenemos muchas mujeres fuertes en los cuadros partidarios y los partidos generalmente son los que nombran a los funcionarios, entonces va a ser imposible tener un gabinete como el de Bachelet: mitad mujeres, mitad hombres. Si fuera posible lo haría, y estoy segura de que va a hacer el máximo esfuerzo, pero no va a poder.

En cuanto al aborto, ella va a respetar su promesa de no llevar el tema al Congreso. Creo que va a depender del Congreso organizar el debate. Este es un tema difícil para la mayoría de los políticos, que tienen mucho miedo de la contestación de los religiosos. Yo no había pensado tener como tema principal las dos cuestiones que había trabajado mucho como diputada, que son descriminalización del aborto y matrimonio gay. Mi prioridad es ser la mano derecha de Dilma en la implementación de programas sociales para erradicar la indigencia. Pero en virtud de lo que pasó en la campaña (dominada por un debate amañado y electoralista sobre el aborto) creo que voy a tener que retomar mis temas más pronto de lo que pensaba. No sé si tendré que esperar hasta después del tratamiento de las reformas tributaria y política, que seguramente tendrán la atención de los senadores y también la mía, pero no podemos dejar que de aquí a cuatro años tengamos que tratar el tema nuevamente en la próxima campaña presidencial.

La Iglesia hace mucho que no habla de profilácticos y anticonceptivos en Brasil. La Iglesia no toca esos temas, aunque siga las directivas del Papa, porque directamente no da. Se metió con lo del aborto porque Serra lo usó. En Brasil estaba siendo respetada la laicidad del país. Claro, si esto llega al Congreso, la Iglesia se va a manifestar, pero en un momento adecuado. Era un debate en el Congreso, no una campaña electoral. Si esos temas vuelven, creo que la Iglesia y los evangélicos también se van a posicionar de una manera muy dura, por eso no va a ser fácil.

Lula, Dilma y el PT

–Los dos ganaron con Dilma, tanto Lula como el PT. Hoy Lula es mucho más que el PT, pero el PT es el que fue reelecto. Lula propició la reelección, pero la reelección del PT, que sigue en el poder. Hoy Lula trasciende Brasil. Con el abrazo de Lula, Dilma tiene el respeto de todos; no fue cuestionada en ningún momento por el partido. Por su competencia y lealtad al gobierno de Lula después del “mensalao”, y por ser la persona que ayudó a Lula a planear Brasil y ejecutar sus ideas en estos ocho años. Va a ser como siempre fue. El PT siempre presiona. Presionó a Lula, va a presionarla a ella, porque los movimientos sociales no se pueden quedar quietos. Su función es justamente la de presionar para no quedar en una situación desfavorable. Ella sabe eso. Al contrario de Serra, que no tiene capacidad de diálogo y manda a la policía a reprimir a los profesores.

Hace algunos años, Lula me dice: “Marta, la próxima presidenta va a ser mujer”, y yo pensé que iba a ser Marina, Dilma o yo. Con el tiempo me di cuenta de que Marina no iba a ser, entonces pensé Dilma o yo. Después percibí que iba a ser Dilma y me quedé tranquila, porque percibí que Dilma era la persona que estaba allá todo el tiempo con él, y que estaba bien que sea así. Vestí la camiseta de Dilma y me puse a trabajar desde el primer momento que él dijo “Dilma”, y ella percibió eso. En situaciones normales siempre es mejor hacer una cosa más natural, pero cuando se tiene a un líder como Lula, nadie pensaría en nombrar a un candidato sin pasar por su anuencia y lo normal sería escucharlo. Lula planeó muy bien la estrategia. Eso no es diferente en otros partidos. ¿Cómo fue la candidatura de Serra? No hubo elecciones internas. Fernando Henrique se posicionó a favor de Serra, fue determinante. Es lo mismo.

El futuro de Lula y Dilma

–Lula va a hacer exactamente lo que dice: se va a dedicar a unificar los movimientos sociales de América latina y a ayudar a los países menos desarrollados de Africa, donde puede hacer una gran diferencia. No va a asumir un cargo en un organismo internacional, él dice que esos cargos diluyen liderazgos. En Brasil va a ayudar, pero creo que se va a dedicar a esas tareas y a liberar el terreno para Dilma. Ella fue electa por Lula, sin Lula nunca hubiera sida electa. Pero Lula nunca la hubiera elegido si ella no fuera competente. Por eso la jefa política es ella. Ella es mucho más brillante y capaz de lo que la gente tiene idea. Cuando la conozcan, verán que es mucho mejor que en los debates. Es una persona brillante.

sodonnell@pagina12.com.ar

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