Kassab e os vereadores do PSDB

 

Do Valor

Indefinição de Kassab abre crise na bancada municipal do PSDB em SP

Fernando Taquari | São Paulo
24/02/2011

Dono da maior bancada da Câmara Municipal, com 13 vereadores, o PSDB paulistano é o maior prejudicado pela indefinição do futuro partidário do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Os tucanos são base de sustentação de seu governo na capital paulista e são mais próximos do prefeito do que do governador Geraldo Alckmin (PSDB). É por receio da debandada nas bases municipais do partido que os caciques tucanos trabalham nos bastidores pela permanência do prefeito no DEM.

Há duas semanas, Kassab participou de um jantar com os ex-governadores José Serra e Alberto Goldman, além do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. No encontro, foram desenhados alguns cenários para convencer o prefeito a não migrar de legenda. Em uma das hipóteses, Serra seria candidato à prefeitura em 2012, enquanto Alckmin concorreria à Presidência e Kassab ao governo do Estado em 2014. Outra possibilidade aventada seria o governador tentar a reeleição e o prefeito, o Senado.

O problema nos dois casos seria persuadir Serra, que resiste à ideia de disputar as eleições municipais, pois não descarta a possibilidade de tentar pela terceira vez a Presidência da República em 2014. Vice de Alckmin, Guilherme Afif Domingos (DEM) representa outro empecilho para um acordo na medida em que se coloca como candidato natural à sucessão do tucano. Desta forma, esbarraria com as pretensões do prefeito, que tem como principal objetivo o governo de São Paulo.

 

Na visão de um líder tucano próximo dos dois principais líderes do PSDB paulista, a saída de Kassab do DEM seria um desastre para o PSDB. Comprometeria Serra por ser seu afilhado político e atrapalharia os planos de Alckmin. Foi esse o menu do jantar que os reuniu ao prefeito.

A aproximação da base municipal tucana com Kassab cresceu durante as eleições de 2008, quando o prefeito e Alckmin se enfrentaram. Na ocasião, 11 dos 12 vereadores do PSDB declararam apoio à reeleição do prefeito. O único parlamentar que permaneceu ao lado do tucano foi Tião Farias, que continua na Casa ao substituir Mara Gabrilli (PSDB), eleita deputada federal em outubro. Nessa legislatura, o governador ainda tem como aliado o vereador Floriano Pesaro, líder da bancada na Casa, e José Rolim (PSDB), que entrou no lugar de Gabriel Chalita (PSB), também eleito à Câmara dos Deputados.

Um tucano ligado a Alckmin aposta que apenas quatro vereadores do PSDB deverão acompanhar o movimento de Kassab. Os dissidentes seriam Ricardo Teixeira, Adolfo Quintas, Claudinho e Gilberto Natalini. Os parlamentares, por sua vez, contestam a informação. Quintas disse que está envolvido nas discussões sobre renovação do partido e por isso teve a iniciativa de colocar seu nome na disputa pelo diretório municipal do PSDB. A eleição está programada para ocorrer em abril.

Natalini afirmou que não deixa a sigla por razões históricas. Alega ter sido um dos primeiros a preencher a ficha de filiação. Já Claudinho ficou em cima do muro. Admitiu a proximidade com Kassab e a dependência do Poder Executivo para honrar com suas emendas. Mesmo assim, ressaltou que tem uma relação antiga com o PSDB, sendo reconhecido por seus eleitores por se filiado à sigla. Teixeira não retornou à reportagem até o fechamento da edição.

A intenção de Alckmin de dar as cartas na eleição do diretório municipal do PSDB pode azedar ainda mais a sua relação com a bancada na Câmara Municipal e engrossar a debandada. Com vistas às eleições de 2012, Alckmin articula para emplacar o secretário estadual de Gestão Pública, Julio Semeghini, na presidência do diretório, contrariando os vereadores, que fazem questão de indicar um nome para o cargo.

Para o vereador Juscelino Gadelha (PSDB), ao insistir nessa ideia, Alckmin mostra que ainda acredita ter sido “traído” na disputa municipal. “Kassab, que foi eleito e reeleito com as teses do PSDB, cumpriu com todos os acordos da bancada. Ele assumiu no lugar de Serra. Era natural que nós o apoiássemos. Já o Geraldo [Alckmin] não comunicou a ninguém que seria candidato. Apenas anunciou”, recorda Gadelha. Segundo ele, se o governador ignorar a demanda da bancada na eleição do diretório municipal, os únicos vereadores que sobrarão no partido serão Pesaro, Tião Farias e Rolim.

“Se o Geraldo acha que não há confiança, não tem sentido ficar no PSDB. Isso mostra que a bancada não é bem-vinda”, afirmou Gadelha, que não teme o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. “Se há incompatibilidades, essa hipótese não pode ser cogitada”, explicou. Outro vereador tucano, que prefere o anonimato, não poupa críticas a Alckmin, a quem acusa de desprezar os vereadores do PSDB por conta de mágoas de 2008. Em off, outros dois parlamentares paulistanos não descartam a possibilidade de seguir os passos do prefeito.

Com o objetivo de reduzir as insatisfações, Alckmin se reuniu com os vereadores na terça-feira. Ouviu as reivindicações e as considerou legítimas. Apesar disso, não foram apresentados nomes para a presidência do diretório municipal. “Essa discussão nesse momento enfraquece o processo político”, avaliou Pesaro, escolhido para a liderança do PSDB na Câmara por conta do perfil conciliador. O líder terá como uma de suas principais missões conter eventuais descontentamentos que possam dividir novamente o partido nas eleições municipais.

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‘Quero ser o braço direito da presidente no Senado’, diz Marta Suplicy

Muito interessante esta entrevista, seja pela defesa que ela faz de pontos importantes para nós, seja no que revela sobre a visão da Marta.
 
A respeito deste segundo ponto, me chama a atenção a seguinte passagem: acho que essa preocupação é relacionada com o ranço de achar que o PT é um partido radical. Já deveria ter sido compreendido pela sociedade, e mais ainda pelos veículos de imprensa, que o PT não é um partido radical, é um partido que a maioria dos seus militantes lutou sempre pelas liberdade, muitos morreram por ela.
 
Os que morreram pela liberdade geralmente eram e se consideravam radicais.
 
Uma das causas do retrocesso que Marta aponta, nos direitos humanos em geral, nas questões de gênero e LGBT em particular, tem relação com nosso retrocesso ideológico.
 
Que inclui o medo pânico de dizer que o PT é um partido radical.
 
Pois, é bom lembrar, radical é quem vai as raízes.
 
 

DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

Senadora eleita por São Paulo diz que pretende ter posição de destaque na Casa e que PT eo PMDB devem ser parceiros; para ela, sigla errou ao buscar eleger Netinho

Eleita para o Senado com mais de 8 milhões de votos, Marta Suplicy (PT-SP) quer ser o “braço direito” da presidente eleita, Dilma Rousseff, na Casa.

A ex-prefeita não esconde que deseja ser protagonista entre os 81 senadores e atuar na “interlocução” com aliados, principalmente o PMDB.

Em balanço das eleições, Marta disse que o PT errou ao avaliar que também poderia eleger Netinho de Paula (PC do B) ao Senado.

Ela ainda prometeu defender a criminalização da homofobia.

Folha – Como a senhora avalia a eleição da Dilma Rousseff para a Presidência da República?

Marta Suplicy – A escolha da Dilma foi um gol do presidente Lula. Por ela ser mulher, mas também por ser uma mulher extremamente qualificada e parceira de todos os grandes projetos deste governo. Com isso, ele deu um salto no Brasil em termos de modernidade, por termos uma mulher_os Estados Unidos ainda buscam isso, né–, e ao mesmo tempo uma garantia de tudo o que ele conquistou e criou não vai por água abaixo.

Então foi uma escolha extremamente feliz. A Dilma é uma pessoa brilhante e quem tem o privilégio de conviver com ela sabe que se faz uma avaliação muito aquém do que ela é como pessoa e do que tem de competência.

Como a sra. avalia o impacto do fato de ela ser mulher na eleição? O Brasil é um país menos machista hoje?

Eu acredito que, no caso da Dilma, o importante para a eleição foi o Lula. Não foi fundamental ser uma mulher, apesar de ter sido um ingrediente que atuou de forma extremamento positiva. Se você for computar o machismo versus uma mulher na Presidência, ganhou a mulher. Não foi o principal, mas foi um ingrediente importante. Eu vi muitas mulheres dizendo que o Lula escolheu, vai continuar, mas é bom que seja uma mulher.

Que balanço a sra. faz da campanha do PT em São Paulo. Concorda com a avaliação de que há uma resistência ao partido no Estado?

Vou pegar outro ângulo, talvez. Acredito que o PT fez uma avaliação errada e colocou em risco a cadeira do Senado. A avaliação foi de que poderíamos ter dois senadores do mesmo campo, esquecendo que havia um candidato ao governo com 50% de intenção de voto e que o Estado tem como tradição eleger um senador de cada campo político. Dificilmente não iria contemplar a candidatura do PSDB. E, mesmo se não contemplasse, chegaria muito próximo. Era arriscado.

O PT não soube levar isso em consideração. Foi algo que ficou claro para mim na campanha.

Em relação a uma resistência ao partido no Estado, eu acredito que temos que distinguir o que é força do acúmulo de anos de gestão, do que é o resultado dessa gestão. Não podemos esquecer que o estado de São Paulo é muito rico. Tem recursos e, por menos que seja feito, vai se criando uma máquina que permite essas reeleições. Nós ainda não encontramos o caminho para fazer essa disputa de forma contundente.

Eu acredito que o Lula superou o preconceito contra o PT, mas o ranço contra o PT ainda existe, e é mais forte no interior do que na capital, por aqui ter sido o berço do partido.

O PT ainda é atrelado ao sindicalismo em São Paulo, e isso acontece menos em outros Estados. O Lula ultrapassou essa questão, e hoje se tornou na avaliação da grande maioria dos paulistas um estadista e uma pessoa muito além do próprio partido.

A questão da conversa [do partido] com a classe média é que ainda tem que ocorrer. Nós não conseguimos fazê-lo ainda. Quando você imagina que eu peguei uma prefeitura devastada e deixei uma prefeitura organizada e, ao contrário do que dizia José Serra (PSDB), financeiramente ajustada. Isso parece que a população não consegue perceber, e o ranço ideológico acaba sempre impregnando.

A candidatura da sra. ao governo seria mais competitiva que a do senador Aloizio Mercadante (PT)?

Eu estou muito contente de ter sido eleita para o Senado. O que teria sido [uma candidatura ao governo] nós nunca vamos saber. Ele [Mercadante] se dedicou muito à campanha, foi muito competente nas propostas para o Estado e foi uma pena que não ganhou, porque São Paulo merecia uma administração mais dinâmica e ousada do que o café com leite que a gente tem com os tucanos.

Eu realmente fiquei triste que ele não ganhou a eleição. São Paulo merecia uma chacoalhada no desenvolvimento regional, na questão do transporte, que não vimos caminhar como poderia ter caminhado. E o Aloizio poderia ter sido um diferencial. Foi uma pena. Falo isso de coração, viu?

A sra. sempre defendeu os direitos da mulher. Houve constrangimento em dividir o palanque com Netinho de Paula (PCdoB), que tem um histório de agressões contra mulheres?

Eu avaliei que cada candidatura era uma candidatura, que nós tínhamos um candidato do nosso campo, e que não caberia a mim julgar essa questão específica, mas ao eleitor. E o eleitor julgou.

Dentro do PT há um falatório de que a senhora dá muita ingerência aos companheiros, namorados… nas decisões políticas… Como a sra. vê isso?

Eu acredito que isso tem muito a ver com machismo. Que se fosse um homem que a mulher compartilhasse… não. Não seria diferente. Ela seria uma enxerida porque é uma mulher. E se [uma mulher] compartilhar com um homem, é porque tonta e o homem manda. Não tem muita escapatória aí. Parece que as pessoas não entendem relações.

Como a sra. avalia o Senado?

O Senado é o palco das grandes questões nacionais e eu sinto um privilégio de estar lá. É um enorme desafio e vou com um grande apetite para poder contribuir. Vai haver uma mudança grande. Primeiro porque teremos uma renovação de dois terços dos senadores. E depois porque há um clamor popular.

Espero que nunca mais tenhamos que passar pelo constrangimento que Senado teve que passar com o ex-relator do Orçamento [Gim Argello (PTB-DF), que destinou emendas a entidades de fachada].

Ponto final. Não se admite mais isso no país. Acredito que esse novo Senado, onde muitos foram eleitos com o discurso de moralização, não tem mais condição de ser leniente com as reformas que precisa.

Como a sra. vê a relação do PT com o PMDB?

Nós temos que ser parceiros. Espero ser uma interlocutora importante com eles na questão da governabilidade. Não adianta pensar que nós vamos construir esse Brasil que nós sonhamos, querendo que tenha continuidade na direção que o Lula começou de transformação social e erradicação da pobreza, se não tivermos uma parceria firme, clara e transparente com o PMDB.

O PMDB é um parceiro confiável?

Terá que ser. E se tiver interlocução confiável será. O Senado saiu muito chamuscado com os últimos acontecimentos. E não creio que tenha um senador que queira passar pelo vivido. É um momento de virar a página.

Tem alguma prioridade para a Casa?

O PT tem direito à segunda escolha. Pode ser a primeira vice [Presidência] ou a Primeira Secretaria. A primeira Vice eu acredito, que devemos ocupar pela decisão de governabilidade política. A Primeira Secretaria, acredito, não importa o partido que ocupar, vai ter que fazer um enxugamento e moralização do Senado.

As reformas, o enxugamento dos cargos, da gráfica, vai acontecer. O PT ainda não tomou a decisão se vai ficar com a Primeira Secretaria ou a primeira vice. Eu acredito que a decisão deveria ser pela política, porque tivemos a experiência com o Marconi Perillo (PSDB) na vice-presidência, sabemos o que foi. Não podemos correr o risco de o PSDB ter a vice.

A sra. apoiaria a reeleição de José Sarney (PMDB-AP) à Presidência da Casa?

Essa decisão é do PMDB e nós vamos acatar e trabalhar juntos. Não é uma escolha do PT. A nossa intenção é cooperar pela governabilidade, criando o mínimo possível de dificuldades e o máximo de força para o governo.

Que não nós não tenhamos mais divergências que acabem atrapalhando o que a Dilma pode fazer pelo país. Acho que desta vez temos muito mais chances de fazer isso, pela bancada de senadores novos. Também porque temos que recuperar a imagem da Casa. Acredito que não tenha nenhum senador ali que não tenha essa consciência.

Como a sra. avalia a colocação do aborto nas últimas eleições?

Ela foi usada da pior maneira possível e no contexto mais equivocado. Não se trata uma questão dessa em período eleitoral. Ela foi manipulada pela oposição e todas as forças de direita que a ela se ligaram. Eu acredito que o PSDB perdeu votos nessa endireitada que deu e agora vamos ter que avaliar como encaminhar essa discussão, porque é impensável que daqui a quatro anos tenhamos o mesmo tipo de debate.

Hoje a questão do aborto transcende qualquer discussão religiosa e passa principalmente pela morte de mais de um milhão de mulheres por abortos mal feitos. Ao mesmo tempo, se esse um milhão de mulheres tem esse destino, não é somente por conta da legislação, mas porque não tiveram acesso a como evitar filhos.

Essa é uma parte que deve ser encarada. A outra é a do direito da mulher a decidir. Essa é uma questão que terá de ser discutida no país, e que suscita ódios e paixões. É uma discussão difícil, mas deve ser feita.

Como a sra. avalia os últimos episódios de ataques homofóbicos em São Paulo? Defenderá a criminalização da homofobia no Congresso?
Nós estamos vivendo um enorme retrocesso na questão dos direitos dos homossexuais. O meu projeto sobre a união civil data de 15 anos atrás. Nós caminhamos enormemente na área jurídica, com grandes avanços que vão desde o reconhecimento da união à adoção de crianças, e uma paralisação absoluta no Congresso. Nem discussão tivemos nesses últimos anos.

Quando você tem uma sociedade paralisada nessas discussões você tem uma manifestação mais explícita da homofobia. Mesmo que tenhamos hoje paradas gays importantes, elas acabam se transformando em paradas festivas, e não em reconhecimento de direitos. Como estamos hoje, se eu fosse obrigada a escolher, preferia não ter parada gay e ter toda essa questão votada de forma positiva no Congresso, porque na verdade o que almejamos são os direitos civis.

A parada gay serviu para dar um espaço na mídia, mas não serviu para a transformação que precisa ser feita no país. Para você ter uma ideia, quando o meu projeto sobre a união civil gay foi apresentado, a Argentina era um país homofóbico quase. Hoje ela tem uma lei extremamente avançada e Buenos Aires é “friendly city” para gays. E nós aqui de “friendly city” temos espancamento na Avenida Paulista. Essa é a diferença.

E é a favor da criminalização da homofobia?

Sim.

Muito tem se falado sobre a criação de um conselho para regulação da mídia. A sra. é favorável?

A confusão que estão fazendo está muito além do que eu vi quando acompanhei esse assunto em uma ONG e era deputada. Houve um estudo das regulamentações em outros países do mundo. Isso é algo muito antigo, muito cidadão e que não ameaça a liberdade de imprensa.

Mas acho que essa preocupação é relacionada com o ranço de achar que o PT é um partido radical. Já deveria ter sido compreendido pela sociedade, e mais ainda pelos veículos de imprensa, que o PT não é um partido radial, é um partido que a maioria dos seus militantes lutou sempre pelas liberdade, muitos morreram por ela.

E a presidente eleita hoje pelo PT é uma pessoa que preza a liberdade individual e a de imprensa mais do que qualquer coisa. Não há porque temer nada desse porte nem do PT e nem da presidenta.

A sra. foi uma das primeiras autoridades a lidar com a precariedade da infraestrutura aeroportuária do Brasil, como ministra do Turismo, no primeiro governo Lula. Dá tempo para promover as mudanças necessárias para o Copa e a Olimpíada?

O tempo é curto. Vai ter que haver um envolvimento muito focado do governo. Nós temos a condição hoje, advinda diante da experiência do PanAnamerico, e de toda a bagagem que nós temos de dar um salto no Brasil, em investimento e educação, um legado muito importante para o país. Mas está em cima da hora.

A presidente Dilma disse que gostaria de ter mais mulheres no governo. A sra. acha que tem espaço no governo dela?

O Senado é um espaço onde eu posso ter um protagonismo bastante forte para a presidente. Eu quero ser o braço direito. E se isso me for permitido, e eu tiver capacidade de ocupar esse espaço, eu estarei mais do que satisfeita.

E depois eu tenho que pensar que tenho um mandato de oito anos. Não tenho nenhuma pressa em ocupar outro cargo.

Como a sra. vê a movimentação política do prefeito Gilberto Kassab, que pode ir para o PMDB ou ficar no DEM, e que impacto isso terá na eleição de 2012?

Estamos num momento de transição e reposicionamento dos peões do jogo político. Não dá ainda para avaliar qual a aliança que será feita. Não podemos esquecer que temos um vice-presidente paulista e do PMDB.

A sra. acha que a nomeação para o Ministério da Ciência e Tecnologia pode cacifar o senador Aloizio mercadante para a disputa à Prefeitura de São Paulo, em 2012?

O Mercadante é um grande quadro. O Ministério tem uma dimensão forte que pode ser bem aproveitada não só pelo Estado, como pelo país. E ele tem um histórico de vida e de votação que o qualifica para qualquer cargo.

E a sra? Pretende disputar a Prefeitura?

Eu não fecho nenhuma porta, porque política é conjuntura. Mas eu posso dizer que o meu foco é o Senado. Vai depender muito do que tiver acontecendo lá e no meu Estado. Eu nunca imaginei ser senadora, mas tal foi a conjuntura que eu me elegi para o Senado. Então, não adianta ficar dois anos antes dizendo que vai ser o Mercadante, eu ou outra pessoa qualquer. Eu acho que temos também que pensar em quadros novos, mas eu me sinto muito confortável nisso tudo porque tenho uma bagagem, tenho um trabalho feito. E esse trabalho vai estar sempre a favor do partido, na condição que ele achar.

A sra. vai voltar a conviver com seu ex-marido, Eduardo Suplicy (PT-SP). Alguma chance de reatar?

[Risos] Olha… é… nenhuma [risos].

Defende alguma inovação na legislação em especial?

Nós temos que repensar o pacto federativo. Uma preocupação que tem me vindo é com as regiões metropolitanas. Estamos completamente ultrapassados na nossa visão em relação a onde o cidadão mora e as demandas dele. A nossa Constituição de 1988 fez um pacto federativo interessante e justo para aquele momento. Mas o mundo mudou e o Brasil mudou sobretudo, então não podemos pensar mais em capital e zona rural. Nós temos regiões metropolitanas, onde há acúmulo de violência e pobreza. E nós temos que discutir isso. Eu gostaria de propor um repensar do pacto federativo.

O Aécio Neves (PSDB-MG) [senador eleito por Minas Gerais] também defende a revisão do pacto…

Então pode dizer que eu não sabia, mas gostei muito da notícia. Seremos parceiros nisso

Novo ministério será anunciado até 15 de dezembro

 do Brasília Confidencial

Em menos de um mês, serão anunciados todos os nomes que farão parte do governo Dilma Rousseff, segundo o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP). O peemedebista tomou café da manhã com a presidente eleita ontem (quarta-feira). “Conversamos sobre a formação de governo, mas é a longo prazo. Até dia 15, estará tudo acertado”, disse Temer.
Nesta semana, um grupo de siglas da base aliada – PMDB, PP, PR, PTB e PSC – – anunciou a formação de um bloco para atuação conjunta na Câmara. O líder do PMDB na Casa, Henrique Eduardo Alves (RN), estima que o bloco reunirá 202 deputados dos cinco partidos e evitará “os atropelos” na busca pelos cargos. A movimentação poderia influenciar a disputa pela presidência da Casa em 2011. “Haverá respeito absoluto. E tudo será decidido na hora certa por quem deve decidir: a presidente Dilma Rousseff”, garantiu Henrique Eduardo Alves. Já o presidente do Senado, José Sarney, afirmou que o acordo feito na Câmara para a criação de um bloco com as legendas da base aliada do futuro governo não se estenderá ao Senado. “Não temos isso em vista aqui. Até agora ninguém tratou da criação de blocos”, comentou.
De sua parte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a formação de um bloco de partidos na Câmara do Deputados não deve mexer de forma abrupta na política.“Tenho uma definição de política que é a seguinte: política é como o leito de um rio, se a gente não for um desmancha-ambiente a gente deixa a água correr tranquilamente e tudo vai se colocando de acordo com o que é mais importante. Se as pessoas tentam, de forma conturbada, mexer na política pode não ser muito bom”, afirmou Lula, após cerimônia no Palácio do Planalto

O crescimento de Dilma no Rio Grande do Sul, e a queda nas intenções de voto de Serra estão tornando a seção gaúcha do PMDB cada vez mais dilmista.

Queda de Serra no RS aproxima PMDB de Dilma

O PMDB/RS era um dos maiores focos de resistência à aliança com o PT, mas vem cautelosamente se aproximando da candidata. 
 
Oficialmente, os peemedebistas gaúchos ainda se declaram neutros, mas tem utilizado a excelente relação do PDT com Dilma para aproximar Fogaça e assim neutralizar o crescimento do candidato do PT ao governo do estado, ex-ministro Tarso Genro.
 
O PDT, principal aliado de José Fogaça (PMDB) na corrida ao Piratini, promoverá na sexta-feira um ato de apoio à ex-ministra. É uma tentativa de evitar que apenas Tarso Genro (PT) se beneficie com a crescente popularidade da candidata no Estado.
 
A petista já confirmou presença no evento que reunirá, em Porto Alegre, prefeitos, deputados, vereadores e militantes do PDT. Segundo o presidente estadual da sigla, Romildo Bolzan Jr., será inaugurado, na sede da legenda, um comitê de campanha para Dilma e Fogaça. Líderes pedetistas, como o deputado federal Pompeo de Mattos, vice na chapa do ex-prefeito, vão lembrar nos discursos que apoiam Dilma para presidente e Fogaça para governador.
 
Essa estratégia vai mostrar para o eleitor que, se ele quiser votar na Dilma, pode votar no Fogaça também. Afinal, ela estará conosco, nos apoiando. Queremos descolar um pouco ela do Tarso reconhece um dirigente do PMDB.
 
Simon vê como natural apoio de peemedebistas a Dilma
 
Divulgada no domingo, a última pesquisa Ibope mostrou Dilma à frente de José Serra (PSDB) pela primeira vez no Rio Grande do Sul. A diferença entre ambos é de dois pontos percentuais dentro da margem de erro de três pontos. A sondagem foi realizada entre 3 e 5 de agosto e foi registrada no TSE sob o número 21.914/2010. Desde então, peemedebistas gaúchos voltaram a discutir a neutralidade assumida diante da corrida ao Planalto. O problema é que, enquanto o PMDB nacional tem aliança com Dilma, a maioria dos líderes gaúchos prefere Serra, que também prevê roteiro no Estado na próxima semana.
 
Segundo o coordenador da campanha de Fogaça, deputado Mendes Ribeiro (PMDB), o partido discute internamente se vai liberar os peemedebistas simpatizantes de Dilma para participar do evento do PDT:
 
Estamos tratando com Michel Temer (vice na chapa da petista) sobre quando e como essas pessoas poderiam demonstrar apoio à ex-ministra.
 
Presidente estadual do partido, o senador Pedro Simon acredita que haverá membros do PMDB já no evento de sexta-feira.
 
Eu tenho convicção disso. É absolutamente normal que, após o PDT criar um comitê para apoiar Fogaça e Dilma, pessoas do PMDB simpáticas à candidatura dela compareçam ao ato e, depois, trabalhem neste comitê.
 
De Porto Alegre
Com informações do Zero Hora
Gustavo Alves

Temer diz que piso salarial de policiais pode ser votado ainda hoje

03/08/2010 16:37
 

O presidente da Câmara, Michel Temer, disse há pouco que, se for atingido o quórum de 308 deputados, vai tentar votar ainda nesta terça-feira o segundo turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300/08, já que há acordo dos líderes partidários sobre essa proposta, que fixa o piso salarial para policiais e bombeiros. Até às 16h37, o Plenário já registrava a presença de 214 deputados.

Temer disse ainda que intenção é votar duas ou três medidas provisórias durante o esforço concentrado desta semana. A pauta está trancada por três medidas provisórias, uma que trata da capitalização do BNDES (MP 487/10) e outras duas sobre a preparação do Brasil para as Olimpíadas de 2016 (MPs 488/10 e 489/10).

Reportagem – Idhelene Macedo/Rádio Câmara
Edição – Newton Araújo

“Comendo pelas beiradas”, Temer ganha votos para Dilma em território de Quércia

Christina Lemos – Brasília

Começa a render frutos de encher a vista e as urnas a aliança de Dilma Rousseff com o pemedebista Michel Temer, que foi vista com ceticismo e enfrentou resistências de uma parcela importante do PT. A dupla Dilma-Temer tem sido apresentada com sucesso ao interior paulista como mais consistente que a adversária, Serra-Índio, defendida por outro líder pemedebista, Orestes Quércia.

A caravana petista tem arrebanhado votos no território do oposicionista Quércia, a cada nova investida. No último sábado, quando Dilma e Temer foram a Jales, no interior de São Paulo, a tendência já estava clara. Os prefeitos e líderes locais têm migrado para o governismo, embora muitos declarem que votarão em Quércia para o senado.

Para reforçar esta tendência, os pemedebistas aliados a Lula vão insistir na estratégia de “comer pelas beiradas” a preferência por Serra no Estado. Neste sábado, a campanha petista baixa em Terra Roxa, onde Dilma e Temer já têm encontro marcado com 400 lideranças da região. Barretos, Votuporanga e Sorocaba já são considerados territórios conquistados pelos pemedebistas pró-Dilma.

Embora nestas localidades muitos declarem voto em Quércia para o senado, a situação é de risco para o pemedebista rebelde, que vem amargando o quarto lugar nas intenções de voto. Uma eventual vitória de Dilma somada à sua derrota para o senado será danosa para Quércia, que arrisca perder sua liderança em São Paulo, onde mantém um acordo de não-agressão com o presidente do PMDB e vice de Dilma, Michel Temer.

http://noticias.r7.com/blogs/christina-lemos/2010/07/22/%E2%80%9Ccomendo-pelas-beiradas%E2%80%9D-temer-ganha-votos-para-dilma-em-territorio-de-quercia/

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