Código Florestal: esta base aliada vale a pena?

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O que vimos na Câmara dos Deputados com a votação do Código Florestal foi uma cena vergonhosa. O desserviço que a Casa envia à presidenta Dilma não é comemorado pela maioria da sociedade brasileira. Ao contrário, em ano de Rio +20, o que foi aprovado é a motosserra em nossas florestas, o desrespeito à nossa Amazônia, às nossas águas, aos nossos mangues, ao nosso meio ambiente. É  uma afronta aos nossos camponeses. Estes, os verdadeiros preservadores do meio ambiente, por vezes tiveram sua identidade manchada por aqueles que teimam tomar a nossa voz, de camponês, para justificar o absurdo que aqui foi votado.

 

Nós, nordestinos, por vezes, fomos evocados para justificar o injustificável. Deu dor de estômago!

 

Desde o começo, os comprometidos com a agricultura camponesa, familiar e o meio ambiente sabíamos que a situação era difícil e complicada: não podíamos criar novos textos, mas escolher o texto do Senado, que apesar de ter pontos problemáticos, ainda era melhor que o da Câmara, que pode ser apelidado de Código Ruralista.

 

Tivemos uma aula de como a luta de classes é presente, ainda que muitos teimem em dizer que ela não existe: a bancada ruralista, uníssona em seus interesses, em detrimento daqueles que lutam pela produção de alimentos saudáveis, que precisam da natureza preservada para a sua sobrevivência.

 

Neste caso, não existe base aliada! Pergunto-me: vale a pena ter uma aliança tão ampla? Esta base está comprometida com os seus interesses, não com os projetos do povo. É a mesma base que não quer a reforma agrária, a mesma base que quer tirar o poder de nossa Presidenta de titular terras aos indígenas com a PEC 215; é a mesma base que emperra a votação da PEC do Trabalho Escravo há anos no Congresso Nacional.

 

No caso do Código Florestal, repito: da mesma forma que o relatório de Aldo Rebelo foi uma vergonha, o mesmo pode ser dito do relatório de Paulo Piau.

 

Precisamos impedir a possibilidade de recuperar só metade das áreas que foram desmatadas em beiras de rios e nascentes até junho de 2008; a desobrigação de recuperar as reservas legais desmatadas até 2008 para todos os imóveis com até quatro módulos fiscais; a possibilidade de recuperar ou preservar a reserva legal e/ou a Área de Proteção Permanente em outra propriedade de um mesmo bioma. Temos ainda que impedir que haja a autorização da recomposição das reservas legais e áreas de proteção permanentes com até 50% de espécies exóticas, o que aumentaria os desertos verdes de eucalipto e pinus, além da permissão do plantio de lenhosas em áreas com inclinação maior de 45° e topos de morros.

 

O Núcleo Agrário do PT trabalhará pelo Veta Dilma! É preciso mais que nunca uma grande mobilização social para não retroceder!

 

 

Deputado Valmir Assunção (PT-BA) é coordenador do Núcleo Agrário do PT, vice-líder do PT na Câmara.

 

Dilma pretende enxugar Base Aliada e exigir mais fidelidade

 

A presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estão determinados a fazer um expurgo nos partidos da Base Aliada, para que ela se torne “mais administrável e fiel”.

A expressão é do ex-presidente que transferiu para Gilberto Carvalho (hoje o homem forte do governo) parte do “assessoramento que dava à presidenta. Além disso, em função de sua doença, ele não poderá mais fazer o “meio de campo”, aquelas longas conversas com políticos de todos os partidos, coisa que ele fazia com prazer e que para Dilma é um grande sacrifício.

Independente dessas circunstâncias, eles concluíram que a Base Governista é ampla demais e está fora de controle. A “folgada maioria” do Governo no Congresso é ilusão que se esvai nas votações mais importantes.

Entretanto, o “enxugamento” só ocorrerá depois de Junho, quando já estiverem definidas as candidaturas e respectivos apoios dos candidatos às prefeituras das principais capitais, sobretudo São Paulo, tratada obsessivamente como altamente estratégica. Até lá, os ministérios continuam sendo moeda de troca para a composição de alianças.

A idéia é criar um “núcleo governista” mais coeso e compacto reunindo PT, PMDB, PSB, o PSD do Kassab e o PCdoB que já não é considerado um partido nanico e tende a crescer. Entra na lista, também, o PRB do bispo Macedo, que tem poucos parlamentares, mas tem a TV Record e uma razoável capacidade de apascentar a ouriçada bancada evangélica.

Todas essas siglas seriam contempladas com fatias maiores dos ministérios e estatais. Fatias estas subtraídas aos partidos mais problemáticos: PDT, PR, PP e PTB.

As conspirações e as intrigas, bem como as discrepâncias ideologias não seriam totalmente eliminadas, é claro. Mas, pelo menos se colocaria um pouco de ordem na casa e, na soma total, a diminuiçãode candeiras da Base Governista seria pequena, até porque os partidos excluídos também tem suas divisões internas.

De qualquer modo, não faz sentido dividir o Poder com um partido como o PP, por exemplo, que abriga um Jair Bolsonaro, oposicionista permanente e feroz ao Governo. O mesmo vale para o PTB de Roberto Jefferson (um serrista convicto) e para o PR de Antony Garotinho que recentemente estimulou a greve das PMs.

E, da mesma forma, o PDT do Paulinho da Força. Este sempre que pode cria embaraços para o Planalto e acaba de fazer acordo com o esquema tucano justamente em torno das eleições em São Paulo.

No caso específico do PDT, note-se que o partido já estava desgastado e praticamente ficou acéfalo com a desmoralização de seu presidente, o incrível Carlos Lupi. Parece, no entanto, que a presidenta Dilma está empenha em dar atenção pessoal a alguns líderes pedetistas que tem peso político ou aos quais ela estima.

E o caso, por exemplo, do ex-governador gaucho Alceu Colares ou dos deputados fluminenses Miro Teixeira e Brizola Neto.

Seja como for, a presidenta está resignada a conversar mais com os parlamentares aliados. No caso do PMDB e no âmbito do Senado, houve ali uma fragmentação de lideranças. No tempo do presidente Lula, bastava conversa com o Sarney (AP) e o Renan Calheiros (AL) que as coisas ficavam sob controle. Agora será preciso ampliar o leque de interlocutores.

Quanto à Câmara, aconselhada pelo vice Michel Temer, Dilma parece propensa a receber periodicamente um grupo de deputados de um mesmo partido. A ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, ficaria encarregada de organizar, digamos quinzenalmente, pequenas caravanas de deputados.

PT vai às urnas sem Dilma

Segundo o presidente nacional da sigla, a chefe do Executivo deve apenas acompanhar as disputas municipais. Lula é a grande esperança

 

Os encontros no Palácio do Planalto para o presidente nacional do PT tornaram-se, desde a posse de Dilma Rousseff, em 2011, momentos para relembrar a infância. A cada reunião, é recebido com um sonoro “Rui Goethe da Costa Falcão”. No entendimento dele, não se trata de uma bronca. É como se fosse um “olá, meu querido”. Mas o tratamento usado por Dilma coincide com o que era utilizado pelo pai, Albino de Freitas Falcão, quando o filho fazia travessuras. Em entrevista ao Correio, Falcão falou sobre o relacionamento com o Planalto e as estratégias do partido para a disputa municipal.

Entre uma pergunta e outra, foi interrompido por uma a ligação da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que queria saber se a disputa pela Vice-presidência no Senado, na qual foi confirmada Marta Suplicy (SP), não seria foco de futuro problemas. Ele se levantou e foi ao banheiro, em busca de privacidade para a conversa.

Após alguns minutos, voltou a falar sobre a disputa de outubro. Dilma deve ficar longe das brigas para evitar um racha na aliança dos partidos que a apoiam em âmbito nacional. Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai atuar, e não só em São Paulo. Também está no radar do PT a conquista das prefeituras de Salvador e de Porto Alegre. Sobre a dança das cadeiras na Esplanada, Falcão nega ter se frustrado com o fato de o deputado Newton Lima (SP) não ter sido nomeado ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação. Escolha da bancada petista, ele acabou preterido por Marco Antonio Raupp, opção de Aloizio Mercadante.

O PT vai disputar as eleições municipais com aliados que compõem a aliança no plano nacional. Como crescer sem atropelá-los?
É natural que, nas disputas municipais, cada partido queira crescer, assim como o PT quer. Então, a maneira de não haver sequelas é seguir a linha de campanha que queremos imprimir, que é a defesa do projeto nacional. Dessa forma, você não descamba para o pessoal, para ataques.

Quais são os municípios que se quer reconquistar?
São Paulo e Porto Alegre. Há outros que nunca governamos, mas são estratégicos, como Salvador.

Belo Horizonte não entra nessa lista?
A nossa posição é de que nós preferiríamos que se mantivesse a aliança com o prefeito Márcio Lacerda, do PSB. Não vemos como positiva a entrada do PSDB nesse conjunto.

Como o senhor avalia os sinais trocados do PSD em São Paulo? Ora tem candidato próprio, ora quer se aproximar do PT.
O partido vai manter diálogo, inclusive com o PSD. Mas temos que respeitar o tempo dele. Se amanhã o PSDB resolver ser o vice do Afif, nós não podemos ficar parados.

O senhor diz que o PT não vai entrar na linha de ataques contra os adversários.
Em São Paulo também?
O melhor argumento para nós é o governo do PSDB em São Paulo, não precisamos mostrar documentos. O episódio de Pinheirinho (a desocupação da área) mostra qual é o tratamento que o governador do PSDB dá a uma questão social. Não precisamos de documentos, de denúncias, de offshores, de difícil comprovação para nos credenciarmos na eleição.

Qual é a expectativa da participação de Lula na eleição municipal?
Ele recuperado, já falou de sua disposição de fazer campanha pelo 13, pelo PT. Certamente não será tempo integral em São Paulo.

E da presidente Dilma?
Ela tem prioritariamente a tarefa de governar o país. Nós temos uma crise mundial em andamento. Não se pode perder um segundo de vigilância.
Então, a previsão é de que Dilma não participe diretamente da campanha?
Se ela se atira em disputa em que os aliados e

stão divididos na base, não teremos a garantia posterior de permanência das alianças no âmbito nacional. Acho que ela vai ter uma postura de acompanhamento e de não envolvimento direto nas disputas que dividem os aliados.

Faz parte das estratégias do PT a saída de Paulo Bernardo do Ministério da Comunicação para organizar o PT no Paraná?
Não. Nem o desejo que ele vá, nem que ele saia do ministério. Isso são decisões que cabe à presidenta e que cabe a ele. O partido não tem esse nível de influencia de intervenção.

Em relação à Presidência da Câmara, o PT vai cumprir acordo como PMDB ?
Não há precedente com o PT de descumprimento de acordo político, nenhum na história. Vamos manter o acordo de que o presidente da Câmara será do PMDB.

Mas é o episódio da Vice-presidência do Senado em que estava acertado um rodízio entre os senadores do PT?
Não houve descumprimento do acordo, houve uma reavaliação, convencionou-se que ela deveria continuar. Estou falando do acordo do PT com o conjunto para fora, não de acordo intra-PT.

No episódio da escolha no novo ministro de Ciência e Tecnologia, alguns petistas disseram que o senhor foi procurar Dilma, mas não foi recebido…
É curioso. Quando teriam dito que eu fui lá, ela estava em Angra dos Reis (RJ), e eu almoçando com Ideli. O Newton Lima nunca me procurou. Ele seria de fato indicado ministro não fosse uma condenação por órgão colegiado por conta de uma pesquisa que ele fez em São Carlos (SP) quando era prefeito, e o Ministério Público entendeu que era improbidade administrativa. Não há conflito com o Planalto, as nossas relações com a presidente são as melhores possíveis. Inclusive, depois de ela ter batido a porta, disseram que ela não queria minha eleição. Na semana passada, terça ou quarta, eu fiquei das 10h até as 12h45 reunido com ela tratando dos assuntos do país, da conjuntura.

E da reforma ministerial?
Essa confiança de poder conversar comigo sem ter vazamentos mantém essa relação. Sou de uma época que, quando você conversa com o presidente, a versão é da pessoa que te recebeu, sobretudo o presidente.

É diferente a relação da época de Lula e agora com Dilma?
Eu convivi com o presidente Lula como presidente do PT quando ele era candidato a presidente em 1994, e exerci durante um ano a Presidência do PT. Então, era outro tipo de relação. Agora, ela (Dilma) é presidente, eu sou presidente do PT. Eu a chamo de Dilma. Fora, eu a chamo de presidenta. Ela me chama de Rui Goethe. Só quem me chamava assim era meu pai, ela sabe disso. Quando ele queria ficar bravo comigo, dizia: Rui Goethe, menino. Então, ela faz questão às vezes de falar meu nome completo: Rui Goethe da Costa Falcão.

É quando ela está brava?
Não, ela não fica brava comigo.

Como foi o papo com a Ideli há pouco no telefone?
Fui informar para ela: tudo bem no Senado

Autor(es):  Erich Decat e Josie Jeronimo

Correio Braziliense – 05/02/2012

Agora sem Marina, PV negocia volta à base aliada do governo

Da Folha

“Tentamos muito ficar independentes”, diz presidente da sigla

NATUZA NERY
CATIA SEABRA
DE BRASÍLIA

O governo já comemora, nos bastidores, o que chama de a “novidade” do momento: o retorno do PV, pós Marina Silva, para a base da presidente Dilma Rousseff.

O partido ainda negocia os termos da união. As conversas ocorrem um mês após Marina ter deixado a sigla, levando consigo parte expressiva dos 19,6 milhões de votos conquistados em 2010.

O casamento, segundo os verdes, depende de gestos do Planalto. Presidente da legenda, José Luiz Penna defende uma agenda socioambiental capaz de atraí-los à órbita de Dilma.

Na gestão Lula, a sigla comandou o Ministério da Cultura. Distanciou-se do Executivo em 2010 para lançar Marina à Presidência.

“Tentamos muito ficar independentes. Mas, diante da crise econômica [mundial], a gente está disposto a rever. Com a gravidade internacional, precisamos trabalhar para o país”, disse Penna. E acrescentou: “Ainda não temos um horizonte definido, isso dependerá do governo”.

Na semana passada, o deputado José Sarney Filho (PV-MA) teve encontro com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Dilma deve recebê-lo em breve.

O PV tem um integrante no Senado e 13 representantes na Câmara.

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