Bornhausen abandona DEM e vida política

Um dos fundadores e presidente de honra do Democratas, Jorge Bornhausen (SC), confirmou os boatos que abandonaria o partido, nesta sexta-feira (6). Ao anunciar sua saída do DEM, o ex-governador de Santa Catarina (1979-982) fez questão de frisar que não irá para o PSD, legenda recém-criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Por enquanto, segundo Bornhausen, ele ficará sem partido. “Vou me desfiliar, mas não tenho razão para continuar participando de nenhuma atividade partidária”, garantiu, durante palestra do vice presidente Michel Temer (PMDB) sobre Reforma Política, organizada pela Associação Comercial de São Paulo, em um hotel da capital paulista. Kassab estava presente, ouviu a declaração de Bornhausen, mas preferiu não comentá-la.

Ex-ministro da Educação (86-87) do Governo Sarney, embaixador de FHC em Portugal e senador por dois mandatos, Bornhausen está com 73 anos e muitos acreditam que irá se aposentar.

Mesmo assim, o líder do DEM na Câmara, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), não poupou críticas ao presidente de honra da legenda. “Ele não criou condições efetivas para o partido ganhar musculatura”, salientou ACM Neto.

A raiva de ACM Neto também pode ser explicada pelas mais recentes articulações políticas de Bornhausen junto à Aécio Neves (PSDB-MG). O cacique do DEM teria se reunido com Aécio e o aconselhado a se aproximar de Kassab, caso ele quisesse se candidatar à Presidência em 2014.

ACM Neto desmente que haja essa aproximação do DEM-PSDB com o PSD. “Eu e Agripino Maia também iríamos a esta reunião, chegamos a ir, mas não conseguimos pousar. Aécio falou comigo três vezes e não falou nada de apoiar o PSD”, contou o deputado.

Fonte: Brasília Confidencial

Arruda revela que distribuiu dinheiro para o DEM e o PSDB nacional

Comandante da quadrilha de administradores públicos e políticos do Distrito Federal beneficiários do mensalão do DEM, sustentado com dinheiro de propina arrecadada junto a empresários que seu governo favorecia, o ex-governador José Roberto Arruda revelou ontem que distribuiu dinheiro a altos dirigentes nacionais do DEM e do PSDB, a um senador do PDT e ao “PT de Goiás”.

Numa entrevista publicada em Veja on line, Arruda cita entre aqueles que receberam dinheiro, para eles mesmos ou para os partidos, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra; o vice-presidente nacional do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e vários expoentes do DEM: o senador Demóstenes Torres (GO), o agora ex- senador Marco Maciel, o senador Agripino Maia (RN) – eleito anteontem presidente nacional do partido -, mais os deputados Ronaldo Caiado (GO), ACM Neto (BA) e Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM até a última quarta-feira. Arruda diz também que ajudou o PT de Goiás e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Eleito governador do Distrito Federal em 2006, José Roberto Arruda foi apontado pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, em 2009, como chefe de um esquema de fraude, de corrupção e de outros crimes, que sangrou os cofres públicos em dezenas de milhões de reais. Filmado por seu auxiliar e delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, recebendo um maço de R$ 50 mil, foi expulso do partido, teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral e passou dois meses preso na sede da Polícia Federal.

Arruda alega, na entrevista a Veja, que jogou “o jogo da política brasileira” ou dançou “a música que tocava no baile”. E contra-ataca os companheiros de partido que o condenaram.

“Assim que veio a público o meu caso, as mesmas pessoas que me bajulavam e recebiam a minha ajuda foram à imprensa dar declarações me enxovalhando. Não quiseram nem me ouvir. Pessoas que se beneficiaram largamente do meu mandato. Grande parte dos que receberam ajuda minha comportaram-se como vestais paridas. Foram desleais comigo”.

A revista pergunta a Arruda quais líderes do partido foram hipócritas.

“A maioria. Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda! (…) O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília”.

Ao afirmar que ajudou também outros políticos e partidos, Arruda destaca sua contribuição ao PSDB.

“Ajudei o PSDB sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu. E também por meio de Eduardo Jorge, com quem tenho boas relações”.

Eduardo Jorge Caldas Pereira, o vice-presidente nacional tucano, alegou que pediu ajuda de Arruda para saldar dívidas do partido. No DEM, o senador Agripino Maia e o deputado ACM Neto negaram que tenham pedido ajuda de Arruda.


do Brasília Confidencial

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