Pochmann: país sai da ‘financeirização’ para economia baseada na produção

Ex-presidente do Ipea afirma que expansão do PIB no terceiro trimestre, de 0,6%, é atenuada pela continuidade no processo de distribuição de renda, e vê país ‘pavimentando’ desenvolvimento sustentável

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

 

Pochmann: país sai da 'financeirização' para economia baseada na produção A indústria teve leve recuperação, puxada pelo setor de transformação, que cresceu 1,5% (Foto: Rodrigo Paiva / Folhapress)

Embora nos dois últimos anos o Brasil tenha tido desempenho aquém de suas possibilidades, o que preocupa do ponto de vista conjuntural, o economista Marcio Pochmann, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destaca as mudanças estruturais em curso no país e critica o que chama de falta de melhor entendimento em algumas análises. Ele observa que há uma transição, longa, de uma economia de “financeirização da riqueza” para uma economia mantida pelo investimento produtivo. “Passamos duas décadas (1980 e 1990) em que a economia não cresceu sustentada pelos investimentos produtivos, mas pela financeirização, juros altos, levando a um quadro de regressão social. Havia setores que viviam às custas do assalto ao Estado”, afirma. “Vai crescer pouco este ano, mas é um crescimento que permite reduzir a pobreza e a desigualdade de renda.”

Pochmann lembra de decisões tomadas no início do governo Lula, baseadas na visão de que o Brasil tinha uma economia com elevada capacidade ociosa. Com Dilma, “estamos pavimentando um caminho de desenvolvimento sustentável”, avalia o economia. “Só não vê quem não quer.” Ele cita fatores como o pré-sal, nacionalização de setores produtivos e a política de concessões, “que não têm nada a ver com as privatizações dos anos 1990”. E diz ver “grande sintonia entre as decisões cruciais de Lula e Dilma”.

Ele lamenta que a comparação com outras economias não tenha sido feita naquele período, quando havia um ciclo de expansão mundial. “Em 1980, éramos a oitava economia e em 2000, a 13ª. Na segunda metade dos anos 1990, até o México ultrapassou o Brasil. E agora estamos caminhando para ser a quarta economia.”

O economista disse que gostaria de ver mais “ousadia” do governo, com, por exemplo, mais articulação com os demais países do continente, especialmente pensando na competição com a China. “O Brasil poderia ajudar a reorganizar esse espaço, a partir de políticas de caráter supranacional.”

Ao acompanhar as projeções de 4% para o crescimento da economia em 2013, Pochmann não vê o país com problemas estruturais, mas em um momento de “desincompatibilização” entre decisões privadas e públicas. “As decisões de investimento não resultam imediatamente. O investimento requer decisões mais complexas, significa ampliar a capacidade de produção”, afirma.

Ele vê Lula como um “estrategista”, do ponto de vista da política de juros, que em seu governo teve redução gradual. Não adiantaria uma queda dramática, diz ele, se não houvesse alternativas de deslocamento dos recursos “financeirizados” para a produção, com o Estado criando condições para o investimento. Mudanças, sublinha, em uma nova realidade política, dentro da democracia e com uma nova maioria. “O investimento financeiro está perdendo para o investimento produtivo”, reafirma Pochmann. “Estamos voltando a ter capacidade de fazer política macroeconômica e industrial.”

Lula e Dilma reúnem 10 mil militantes no Centro de Campinas para comício

Presidente da república afirmou que país precisa de políticos sem ‘vício’.
De Campinas, a comitiva petista seguiu evento de apoio a Haddad em SP.

Lana Torres Do G1 Campinas e Região

A presidente da República, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursaram para aproximadamente 10 mil pessoas na tarde deste sábado (20), em Campinas, durante comício no Centro da cidade. O evento foi o segundo compromisso eleitoral da presidente neste segundo turno e teve protesto entre o público e alfinetadas nos oponentes durante os discursos.

Durante a fala de 17 minutos, Dilma pediu voto para o economista iniciante nas urnas, Marcio Pochmann, e afirmou que o país precisa de líderes sem “vícios e tiques da política tradicional”. A presidente entrou no clima de festa do encontro, dançou, cantou e fez gesto de coração para os militantes.

Dilma Rousseff e Lula durante comício do PT em Campinas  (Foto: Lana Torres / G1)Presidente faz gesto de coração para militantes antes de discursar (Foto: Lana Torres / G1)

Campinas foi a única cidade brasileira de interior a receber a visita da presidente, que esteve em Salvador na sexta-feira, estará na capital paulista na tarde desta sábado e também em Manaus. Além de Dilma e Lula, estiveram presentes no comício os ministros Aloizio Mercadante, Alexandre Padilha, Tereza Campello e Isabella Teixeira, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o senador Eduardo Suplicy, além de deputados federais e estaduais, e lideranças petistas da região.

Manifestante protesta pela defesa do meio-ambiente durante visita de Dilma a Campinas (Foto: Lana Torres / G1)Manifestante protesta pela defesa do meio-ambiente
durante comício (Foto: Lana Torres / G1)

O ex-presidente Lula, durante sua fala que antecedeu à da presidência, fez críticas aos tucanos e comparou a candidatura de Dilma à de Pochmann. “Todos diziam que a Dilma era um poste. ‘A Dilma não sabe governar, ela é um poste’. ‘O Marcio é um poste’. Eu quero dizer que, é de poste em poste, que o Brasil vai ficar iluminado”.

O Corpo de Bombeiros estimou o público de 10 mil pessoas, mas afirmou não ter atendido nenhuma  ocorrências de gravidade. Segundo a corporação que dava apoio ao evento, houve registros de pessoas com mal-estar por conta do calor e uma ocorrência de um idoso que subiu em uma árvore e prometeu só sair quando entregassem a Lula  uma carta escrita por ele.

O candidato petista enfrenta no segundo turno o deputado federal Jonas Donizette (PSB), que é da base aliada de Dilma no governo e tem o apoio do governo estadual. O pessebista recebe na tarde deste sábado a deputada Luiza Erundina para uma caminhada para pedir votos.

PMDB anuncia apoio a Márcio Pochmann em Campinas

PSOL também sinalizou que pode apoiar a candidatura petista

Da Redação

O PMDB anunciou na manhã desta terça-feira, 16, o apoio ao candidato petista à Prefeitura de Campinas, Márcio Pochmann.

(Foto: marciopochmann13/Flickr)

O anúncio foi feito no comitê de campanha de Pochmann e teve a presença de Dario Saadi, presidente do PMDB em Campinas e ex-vice da chapa de Pedro Serafim (PDT), atual prefeito da cidade, no primeiro turno.

Durante a reunião, uma carta de apoio foi lida pela vice de Pochmann, Adriana Flosi (PSD). Houve pronunciamento do presidente do diretório estadual do PT, deputado Edinho Silva, e lideranças locais do PMDB. Saadi afirmou que o apoio ao candidato petista é reflexo da política nacional de alianças do seu partido.

Além do PMDB, Pochmann já conta com o apoio do PP. O PSOL também já sinalizou apoio ao petista, já que considera a eleição de Jonas Donizette (PSD) pior para Campinas.

Por outro lado, Donizette já conseguiu o apoio do PV, PTB e PSL no segundo turno.

Com informações do Portal G1.

Márcio Pochmann é o candidato do PT em Campinas

Com mais de 99% dos votos totalizados, Marcio Pocchman é o candidato do PT na disputa pela prefeitura de Campinas nas eleições de outubro. O processo de prévias do Partido dos trabalhadores transcorreu em um clima de pluralidade e unidade. Os 1555 filiados do PT que foram às urnas neste domingo não enfrentaram filas e conseguiram votar rapidamente em seus candidatos. Segundo Ari Fernandes ” o PT dá mais uma mostra de vitalidade, democracia e unidade, ao percorrer toda cidade em 14 debates entre os candidatos e chegar até esse momento” e completa “é na divergência que produzimos nossa união, Tião e Márcio estão de parabéns pelo nível do debate, tenho certeza que a militância está orgulhosa desse importante momento da história de nosso partido, estamos prontos e unidos para a luta eleitoral”.
Márcio obteve 1088 votos e Tiãozinho 428, 26 pessoas votaram em branco e 13 pessoas se abstiveram. Essa é a maior participação de filiados em prévias na história do PT Campinas, “para nós isso não é surpresa, o PT é um partido vivo, presente no dia a dia do povo de Campinas e do Brasil”, afirmou Pochmann, sobre as relações internas no PT, Márcio Pochmann afirmou que “nas prévias não tivemos vencedores nem vencidos, quem ganhou foram todos os militantes que puderam debater os rumos da cidade e discutir a melhor estratégia para o cenário eleitoral”
O Candidato do PT ainda fez questão de agradecer seu ex-adversário Sebastião Arcanjo, “Tiãozinho é um dirigente histórico do PT, ajudou muito com sua qualidade e desenvoltura nos debates, será peça fundamental em nossa campanha política”.
A próxima tarefa estabelecida pelo Partido dos trabalhadores em Campinas é consolidar o programa de governo e procurar e organizar o encontro municipal que deverá debater a melhor tática eleitoral para viabilizar a eleição de Márcio Pochmann para prefeito.

Artigo: Novos personagens?, por Marcio Pochmann

O adicional de ocupados na base da nossa pirâmide social reforçou a classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média.

 

A centralidade do trabalho, conferida pelo impulso das políticas públicas em pleno ambiente de recuperação econômica dos últimos anos, foi responsável pelo fortalecimento do segmento situado na base da pirâmide social brasileira.

Na década de 2000, por exemplo, foram 21 milhões de novos postos de trabalho abertos, sendo 95% deles com remuneração de até 1,5 salário mínimo mensal, capazes de permitir a redução tanto do mar de pobreza existente como do patamar extremo da desigualdade no interior do rendimento do trabalho.

Na década de 1990, o Brasil das políticas neoliberais abriu somente 11 milhões de ocupações, sendo 62,5% delas sem remuneração.

O adicional de ocupados na base da pirâmide social reforçou o contingente da classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média.

Talvez não seja bem um mero equívoco conceitual, mas expressão da disputa que se instala em torno da concepção e condução das políticas públicas atuais.

A interpretação de classe média (nova) resulta, em consequência, no apelo à reorientação das políticas públicas para a perspectiva fundamentalmente mercantil. Ou seja, o fortalecimento dos planos privados de saúde, educação, assistência e previdência, entre outros.

Nesse sentido, não se apresentaria isolada a simultânea ação propagandista desvalorizadora dos serviços públicos (o SUS, a educação e a previdência social).

A despolitizadora emergência de segmentos novos na base da pirâmide social resulta do despreparo de instituições democráticas atualmente existentes para envolver e canalizar ações de interesse para a classe trabalhadora ampliada. Ou seja, o escasso papel estratégico e renovado do sindicalismo, das associações estudantis e de bairros, das comunidades de base, dos partidos políticos, entre outros.

No final da década de 1970, estudos como o de Eder Sader (“Quando Novos Personagens Entram em Cena”) buscaram destacar que o crescimento econômico da ditadura militar culminou com o novo movimento de ascensão do grande contingente de brasileiros oriundos da transição do campo para cidades.

Aquela mobilidade na base da pirâmide social, que havia sido contaminada pela precariedade das cidades e dos serviços públicos, foi capturada pelo novo sindicalismo e por comunidades de base, o que impulsionou a luta pela transição democrática e pelo aparecimento das políticas sociais universalistas. Isto é, a chave do rompimento à longa fase da cidadania regulada predominante no Brasil, como descreveu Wanderley dos Santos (“Cidadania e Justiça”).

Ainda que no cenário derrotista das teses neoliberais vigente atualmente, elas parecem se renovar e ganhar impulso marqueteiro na agenda mercadológica do consumo. Isso torna a agenda das políticas públicas assentadas na centralidade do trabalho desafiada, posto que a força difusora de um conceito equivocado sobre alterações na estratificação social pode levar à dispersão e fragmentação da atuação do Estado.

O entendimento correto acerca do impulso ampliado da classe trabalhadora deveria ser acompanhado da transformação dos segmentos sociais emergentes em novos personagens pelas instituições democráticas atuais. Dessa forma, soergueriam os atores protagonistas da contínua luta pelas políticas públicas universais.

Márcio Pochmann é professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas, é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

(Texto publicado originalmente na coluna Tendências/Debates do jornal Folha de S. Paulo, edição de 02/01/2012)

%d blogueiros gostam disto: