Desfile de escolas de samba de SP pode sofrer interferência política

Posted by eduguim

A escola de samba Gaviões da Fiel foi a penúltima a se apresentar. Desfilou nos estertores da madrugada de domingo (19) e superou expectativas pela qualidade técnica da apresentação, pelo esmero das alegorias e pela surpreendente criatividade.

Com o tema “Verás Que o Filho Fiel Não Foge À Luta – Lula o Retrato de Uma Nação”, a Gaviões foi tecnicamente irretocável. A riqueza das alegorias, a evolução competente e milimetricamente sincronizada uniu-se a expressiva empolgação do público.

O desfile da escola foi aberto por temas mais políticos, com alas de nomes sugestivos como ABC da Vida, Caça às Bruxas, Porões da Ditadura, Voz que Não se Cala, Diretas Já e pelo carro alegórico Duelo da Democracia contra o Dragão da Ditadura.

Em seguida, vieram alas, baterias e carros alegóricos que destacaram a obra social da era Lula, com as alas Prato Cheio, Busca do Saber, Carteira de Trabalho Assinada, Quem Casa quer Casa, Energia e Progresso e Estabilidade da Moeda.

Quando a ala sobre a moeda estável entrou na avenida, a locução da Globo fez questão de lembrar que a estabilidade também seria obra de FHC.

Destacaram-se, entre as celebridades presentes, Fábio Assunção, Sabrina Sato e a própria esposa de Lula, Marisa Letícia.

Mas o que levantou mesmo o público e encantou os comentaristas da Globo foram as centenas de componentes da escola usando máscaras de Lula e trajando um macacão de operário todo prateado. Em certo ponto do desfile, os “Lulas” tiraram o macacão e ficaram de terno e gravada, simbolizando a transformação do operário em presidente.

Um detalhe emocionante: dezenas de homens que se vestiram de Lula operário e que depois despiram o macacão e viraram presidentes rasparam completamente os cabelos antes do desfile em solidariedade ao problema de saúde do homenageado.

No último carro alegórico da Gaviões, Marisa Letícia, animada, sambava sem parar.

Fechando o desfile, uma réplica em isopor do Rolls Royce presidencial, com uma criança vestida de esposa de Lula e um figurante no papel do próprio. Detalhe: o “motorista” do carro foi o ator Fábio Assunção.

Ao fim do desfile da Gaviões, o apresentador da Globo Chico Pinheiro entra no ar diretamente de um dos camarotes do sambódromo. Viera anunciar uma suposta “classificação das escolas segundo notas dos telespectadores”.

Para quem assistiu ao desfile dessa e das outras escolas de São Paulo, a nota média que a Globo diz que teria sido dada pelo público foi surpreendente. A pontuação 8,6 colocou o samba-enredo e a escola que mais empolgaram o público em sétimo lugar.

A Gaviões, escola detentora de vários títulos, com um desfile tecnicamente perfeito, com um samba-enredo que enlevou o público, a militância petista, a torcida do Corinthians e a da própria escola, poderia não ficar em primeiro na preferência do público… Mas em sétimo?!

A cada Carnaval, surgem acusações de que a Globo interfere no resultado das disputas de escolas de samba. A pontuação pífia da Gaviões que a emissora atribui ao público, é estranha. A escolha da vencedora em S. Paulo pode virar uma guerra, este ano.

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Leia e ouça, abaixo, o samba-enredo da Gaviões da Fiel em 2012.

Samba Enredo 2012 –

Verás Que o Filho Fiel Não Foge À Luta – Lula o Retrato de Uma Nação

G.R.E.S. Gaviões Da Fiel

Vai meu gavião…

Cantando a saga do menino sonhador

Um filho do sertão, cabra da peste… Irmão

Que deus pai iluminou!

Trouxe no sangue a coragem, a fé

O poder regendo seu destino!

Na cidade grande a esperança… O futuro promissor!

Traçou seu o caminho

Cresceu foi à luta… Pra vencer

E o sonho se torna real

Luiz Inácio o operário nacional!

*

Companheiro fiel… Por liberdade

Na corrente do bem… Contra a maldade!

Elo forte da democracia

A luz da nossa estrela guia!

*

Viu… No coração do Brasil

Tanta desigualdade

O retrato da realidade

A utopia buscando a dignidade!

Solta o grito da garganta e vem comemorar

A soberania popular

Felicidade…

O povo unido venceu

A cidadania resplandeceu

Uma nova era aconteceu!

*

Sou da nação, sou valente e festeiro

Corinthiano loucamente apaixonado!

Em oração a São Jorge guerreiro

Peço que o brasileiro seja sempre abençoado!”

Carta da Corrente O Trabalho – DILMA NÃO FOI ELEITA PARA PRIVATIZAR AEROPORTOS!

CARTA DA CORRENTE O TRABALHO DO PT, SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL
16 de fevereiro de 2012


DILMA NÃO FOI ELEITA PARA PRIVATIZAR AEROPORTOS!

O leilão de concessão privada dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília no último dia 6 foi um choque do governo Dilma com a base social do PT e um ataque aos interesses da nação.

Nos dois governos Lula houve a concessão de estradas federais e da ferrovia Norte-Sul (e a privatização do banco estadual do Piauí e do IRB – Instituto de Resseguros).

O novo na primeira grande privatização do PT no governo é o valor do negócio de R$ 24,5 bilhões, e, segundo, a iniciativa de colocar patrimônio público (aeroportos) no Programa Nacional de Desestatização criado por Collor, tocado por Itamar-FHC e “herdado” por Lula.

Tanto que no dia seguinte ao leilão, o Secretário de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, anunciou o “Plano de Outorga” que, além dos leilões de Confins (BH), Galeão e Santos Dumont (RJ), prevê a transferência de aeroportos regionais da União para Estados e Municípios, além da abertura de capital da Infraero. Os tucanos derrotados nas urnas pela denúncia da privataria comemoraram!

A reação a esse ataque foi limitada, certo, sobretudo pela preparação anterior.

O governo certamente tem a maior responsabilidade. O Congresso do PT, desde setembro, por maioria recusou-se a condenar a operação anunciada. E, finalmente, ao longo de 2011, na “mesa de diálogo sobre a concessão” do governo bancada pela CUT (que saiu ao final), a direção do SINA, Sindicato Nacional dos Aeroportuários, foi levada a negociar cláusulas do edital do leilão que, a seu ver, preservam “a possibilidade de que a Infraero continue tocando as atividades-fim, operações, segurança e carga aérea”, além da indenização extra aos trabalhadores que passarem da Infraero para as concessionárias.

Foi um equívoco. A negociação de direitos no quadro da privatização já começa comprometida com a privatização. Assim, terminou que não houve da parte da CUT a “campanha nacional contra a privatização” decidida na sua Plenária Nacional, e a greve de 48h chamada pelo SINA, em novembro, foi apenas parcial, uma marcação de posição tal como o ato no dia do leilão.

O que não diminui em nada a gravidade do que acaba de ocorrer, que é preciso explicar e combater!

Há uma relação com a crise na Europa, onde há já alguns anos governos de “esquerda” e “direita” adotam, não sem protestos e greves, sucessivas medidas de ajuste (privatizações, cortes etc.) amaciadas por centrais sindicais e partidos socialistas ou comunistas que participam dos mecanismos ali chamados de “diálogo social”, “consenso” ou “pacto”. É a chamada “governança mundial” que desde cima, no G20, vai sendo estendida para integrar e paralisar as organizações e salvar o capitalismo em crise.

CONCESSÃO NÃO É PRIVATIZAÇÃO!?

Consumado o leilão, o PSDB e a mídia passaram à ridicularizar “o PT que finalmente aderiu à nossa política de privatizações”, explorando que o PT já não tinha revertido as privatizações nos mandatos anteriores. Vários dirigentes do PT, os líderes na Câmara e no Senado, saíram a público pela concessão dizendo ora que não era bem uma privatização, ora que diferia daquelas outras feitas pelo PSDB no governo.

EM PRIMEIRO LUGAR, o sistema aeroportuário num país continental como o Brasil é “estratégico”, sim, para a integração nacional.

Os aeroportos administrados pela Infraero (empresa pública) se estruturam através de um sistema de “subsidio cruzado”, onde os 12 lucrativos – Guarulhos, Campinas e Brasília, principalmente – sustentam o conjunto dos 67 aeroportos de propriedade da União, em beneficio da nação como um todo, e não do lucro do operador de um aeroporto. Vendido o filé, sobrou o osso: o sistema aeroportuário vai ser desestruturado.

O problema não  é separar o Estado das lojas comerciais. Mesmo o SINA ressalva uma possibilidade, não mais que a “possibilidade de preservar as atividades-fim”, a critério na nova concessionária contratar ou não a Infraero para essas atividades. O problema é que passar os aeroportos ou para a propriedade privada ou para a administração privada, isso é privatização em qualquer parte do mundo (a Infraero ficando sócia-minoritária com 49% não altera). Aliás, 85% dos aeroportos do mundo são estatais!

EM SEGUNDO LUGAR
, uma vez concedidas às empresas privadas por 20 ou 30 anos, não há qualquer garantia – se o argumento fosse a situação emergencial da Copa e das Olimpíadas – de que os aeroportos depois voltem ao patrimônio publico, como sugeriu Zé Dirceu no seu blog, e outros dirigentes repetem.

Ao contrário, devido à inclusão no Programa Nacional de Desestatização as concessões seriam então renovadas ou novamente leiloadas, pois estão “desestatizadas”. O leilão foi uma operação de “redução do Estado”, sim, financiada de modo esdrúxulo com dinheiro público do BNDES (80%), tal como nos tempos do ministro Mendonça de Barros e do “investidor” Daniel Dantas, mais com associação obrigatória a grupos estrangeiros.

EM TERCEIRO LUGAR, os aeroportos continuam submetidos à ditadura do superávit fiscal primário para pagar a dívida. É por causa dela que o governo “não tem dinheiro para investir em aeroportos”. Entre 2002 e 2010, a Infraero fez um repasse líquido de R$ 10,3 bilhões ao governo, Tesouro Nacional e Comando da Aeronáutica. Apesar de a aviação comercial ter crescido 120% no período, com o barateamento de passagens que popularizou os aeroportos, nem metade, apenas R$ 4,6 bilhões, foi investido em ampliação de terminais, reformas de pista etc. Os auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) concluíram que as transferências da estatal contribuíram mais para o superávit primário do que para atender à crescente demanda de passageiros.

Não há novamente garantia de que os recursos arrecadados pela concessão e agora destinados ao Fundo Nacional de Aviação Civil não sejam “contingenciados”, tendo o mesmo destino (previsto no 3º parágrafo do artigo 63 da lei 12.426 que criou o FNAC).

“TÁ CHEIRANDO MAL!”

A Infraero sócia da concessão com 49%, terá que inteirar sua parte da outorga, os comemorados R$ 24,5 bilhões da venda (em Guarulhos, R$ 800 milhões ao ano). Quer dizer, o governo “não tem para investir”, mas financia pelo BNDES e ainda vai por dinheiro na Infraero que não tem caixa para bancar sua parte do negócio!

Nisso, tem toda razão o presidente do SINA, Francisco Lemos – “tá cheirando mal!” – quando explica que levará a questão ao Congresso Nacional, além da ações que correm na Justiça contra o leilão.

Hoje, no sistema aeroportuário com algum sacrifício um trabalhador viaja, e qualquer pequeno produtor acessa os grandes centros de produção e comercialização. A concessão que vai encarecer as passagens (taxas, seguros etc.) é um crime contra a nação, em benefício de interesses financeiros, não o serviço público, nem da produção nacional e do mercado interno. Contra o povo trabalhador que terá menos acesso, para não falar dos que serão terceirizados ou quarteirizados (a Infraero diz que “é razoável se ficar de 50 a 70% dos empregados!”).

ANULAÇÃO DO LEILÃO!

Ninguém, nenhum petista pode ficar alegre com o feito.

Tamanho foi o choque, que mesmo no Diretório Nacional do PT, reunido na semana do leilão para as festividades dos 32 anos do partido, isso se reflete (v. box), distorcido pelo filtro da cúpula ali presente.

A discussão  nervosa, para dizer o menos, vem da contradição com as promessas eleitorais do PT. Vários parlamentares se dizem constrangidos na luta nas Câmaras e Assembléias contra concessões de saneamento e outras privatizações.

SEM POSIÇÃO NO DIRETÓRIO DO PT

 

Uma emenda de Markus Sokol ao projeto de resolução que apoiava a privatização propôs “abrir uma discussão sobre o processo aberto pela integração desses três aeroportos no Programa Nacional de Desestatização que culminou no leilão do ultimo dia 6”.

Após argumentar porque (v. ao abaixo), concluía:

A concessão de Guarulhos, Campinas e Brasília integra um equivocado processo de privatização do sistema aeroportuário.

Saudada pelos privatistas de sempre, essa concessão será agora utilizada para reforçar as pressões do ‘mercado’ – num contexto de crise econômica na Europa e Estados Unidos que excita esses interesses privados – pela privatização dos portos, o prosseguimento dos leilões de petróleo e a concessão e privatização de serviços públicos municipais etc.

Condenada pela CUT, assim como pela Federação dos Trabalhadores da Aviação Civil, bem como pelo Sindicato Nacional dos Aeroportuários, esta concessão traz confusão à nossa base social, e esvazia os compromissos assumidos pelo partido e seus principais líderes nas ultimas eleições”.

Sem acordo fácil na sua resolução de aplauso a Dilma (vários pediam mais discussão ou tinham críticas), o presidente do PT, Rui Falcão, decidiu suspender e remeter a discussão para a próxima Comissão Executiva de 2 de março. O que não impede os líderes do PT na Câmara e no Senado de continuarem aplaudindo o leilão!

A questão deve voltar com mais força ainda na direção da CUT, em cujo site os dirigentes condenam a concessão, que deve reunir-se nos dias 21-22 de março.

 

POR OUTRA POLÍTICA!

A Corrente O Trabalho do PT, se declara disposta à mais ampla iniciativa unitária para reverter o leilão, dirigindo-se nesse sentido aos petistas, assim como aos sindicalistas e defensores da soberania nacional atacada pelo governo que, não obstante, ajudamos a eleger – não foi para isso!

Desde já, uma questão colocada para nós é agrupar-se no terreno do PT, para juntos combatermos no na luta de classes pela exigência de Outra Política:

- É preciso romper com o superávit primário e reestatizar as privatizadas, inclusive anular este último leilão.

Nas reuniões do Diálogo Petista esta é uma questão está plenamente colocada.

É urgente uma política de proteção da nação e dos trabalhadores da crise..

 

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Ponte se reapresenta na manhã deste sábado: treinador e jogadores prometem trabalho duro para voltar a vencer

O texto abaixo foi publicado no sitio oficial da Ponte Preta, mais abaixo, publicado praticamente no mesmo horário está um texto publicado no sitio da gazeta desportiva.

Fica evidente que o noticiário está eivado de parcialidades. Que à maior torcida do interior do Estado de São Paulo precisa estar atenta quanto à qualidade da cobertura da mídia aos bastidores da macaca.

Veja por voce mesmo e conclua por si… tem algo de errado.

Após o empate em 2 a 2 com o Oeste ontem, a Ponte Preta se reapresentou na manhã deste sábado (18). Ainda na noite de sexta, o técnico Gilson Kleina e o lateral Guilherme falaram sobre a situação da equipe. O pensamento de todos no grupo é o mesmo: o time está devendo atuações com resultados melhores, mas o trabalho antes do próximo jogo será forte para reverter esse quadro.

Kleina analisou a apresentação da equipe. “Nós começamos bem e marcamos. Depois o Oeste marcou muito e tivemos dificuldades para penetrar no ferrolho da defesa deles. Infelizmente a equipe não está encaixando como deveria e o tempo para trabalhar é muito curto. Além disso, estamos perdendo muitos jogadores de um jogo para o outro por lesões ou cartões”, lamentou.

O comandante da Macaca acredita que o desempenho do time está abaixo do esperado, mas crê. “Quando os resultados não vêm a pressão da torcida faz parte. Até porque são três empates seguidos com gosto de derrota. Precisamos entrar com mais calma e confiança para segurar o jogo e garantir o resultado. O perfil da nossa equipe não é de cadenciar o jogo, mas vamos trabalhar e fazer o máximo para voltar a vencer”.

O lateral Guilherme reconheceu que a parte defensiva da equipe precisa melhorar, mas lembrou que a Ponte tem um dos melhores ataques da competição e que vai trabalhar firme para voltar a vencer.

“Nós estamos fazendo os gols, mas também estamos tomando muitos. Existem falhas na marcação e, quando há um erro, ele é de todos os 11 jogadores. A única forma de reverter esse quadro é ganhar os jogos, e vamos trabalhar firme para mudar”.

O elenco alvinegro terá o domingo de folga e volta a treinar na segunda-feira (20), visando ao embate com o Ituano.

Kleina critica torcida da Ponte após revés: “A Série A está fazendo mal”

Campinas (SP)

Antes apontado como unanimidade na Ponte Preta, o técnico Gilson Kleina acabou discutindo com um torcedor após o término da partida que decretou o empate por 2 a 2 entre a Macaca e o Oeste, na última sexta-feira, no Moisés Lucarelli. Revoltado com a postura que a torcida adotou após o acesso para a Série A, o comandante alvinegro disparou contra os adeptos e pediu uma mudança de comportamento nas próximas rodadas do Campeonato Paulista.

Segundo o treinador, o retorno da equipe para a elite do futebol nacional comprometeu o ambiente motivacional que era vivido pelo grupo na competição. Gilson Kleina acredita que os torcedores adotaram uma postura esnobe após o acesso e pregou pelo retorno do ambiente de paz e tranquilidade que caracterizou o time durante a campanha na Segunda Divisão do Brasileiro.

“Parece que a Série A está fazendo mal para algumas pessoas. O ambiente mudou. Antes as coisas eram mais objetivas. Tem gente que acha que vai ganhar tudo por estar na Série A. O que está acontecendo pode ser um sinal. Nós temos que pensar para frente e rápido”, afirmou o receoso técnico da Macaca.

“Essa é a hora de eu ter o apoio. Nós temos que fazer um clima melhor possível. Todo mundo tem que jogar junto. Eu sempre dei a cara para bater e não vou deixar as coisas escaparem. Se eu sentir que as cosias escaparam, serei o primeiro a procurar a diretoria. Claro que a gente fica preocupado. Estamos indo para o nono jogo e a equipe ainda não encaixou”, emendou logo em seguida.

Com 12 pontos ganhos no Paulistão, a Ponte Preta não vem repetindo as boas atuações da Série B e os seguidos tropeços diante de equipes do interior paulista vêm causando atrito entre o time e a própria torcida. Na próxima rodada, a equipe atuará novamente no Moisés Lucarelli e tentará espantar a crise diante do Ituano.

No entanto, Gilson Kleina terá um grande problema para escalar a equipe que defenderá a conquista de mais três pontos na competição. O meia Renato Cajá recebeu o terceiro cartão amarelo durante o duelo contra o Oeste e está fora do confronto diante da equipe de Itu, o que forçará a mudança do esquema tático da Macaca na próxima quarta-feira.

O preço de Kassab

Autor(es): Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico – 17/02/2012

São Paulo elegeu sete prefeitos desde a redemocratização. Destes, quatro conquistaram o posto com alianças encabeçadas pela direita (Jânio, Maluf, Pitta e Kassab), dois o fizeram pela esquerda (Erundina e Marta) e apenas um pelo centro (Serra).

Preferências mudam, mas o eleitorado de São Paulo tem se mostrado razoavelmente estável ao longo das últimas duas décadas. Essa estabilidade se reproduz geográfica e socialmente com considerável coerência.

A direita, quando capaz de montar alianças capazes de abocanhar um naco das áreas e dos eleitores de centro e esquerda, tem sido a força eleitoral mais competitiva da maior cidade do país.

Some-se à força da história eleitoral a taxa de sucesso de prefeitos que buscam fazer seus sucessores. Em São Paulo, desde 88, apenas dois o fizeram – Maluf e Serra -, elegendo sucessores oriundos da direita partidária, Pitta e Kassab.

Foge, portanto, do campo da elocubração ou torcida a constatação da força eleitoral do prefeito Gilberto Kassab. Ainda que a fotografia do momento revele uma administração mal avaliada, o histórico do comportamento eleitoral paulistano, somado à boa saúde financeira do município neste último ano de mandato, dá ao prefeito capital suficiente para lhe assegurar a condição de pivô de sua sucessão.

Ao criar o PSD Kassab montou a estratégia com a qual pretende ampliar a abrangência desse capital político da esfera municipal para a nacional. Aliando-se a um partido com nítidas ambições de chegar ao Palácio do Planalto, o PSB, Kassab deixou claro que entrou no jogo para ir além do espaço de fiel da balança entre petistas e tucanos hoje ocupado pelo PMDB.

Foi em busca desse capital ampliado que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a minuta de aproximação entre o PT e Kassab, que culminou com a ida do prefeito ao palanque do aniversário petista.

Valeu-se dos mapas eleitorais das duas vitórias petistas na cidade. Luiza Erundina foi beneficiária de um voto útil de última hora numa campanha em que o esvaziamento do centro resultou na sua polarização com os malufistas. Tivesse havido segundo turno, o centro e a direita somados teriam votos de sobra para derrotar Erundina.

Doze anos depois, Mario Covas mostrou como a força de alguns personagens pode mudar cartas marcadas. Governador do Estado quando seu candidato a prefeito da capital, Geraldo Alckmin, perdeu a vaga no segundo turno de 2000 para Paulo Maluf por oito mil votos, Covas subiu no palanque petista arrastando o centro para eleger Marta Suplicy.

O mapa daquela votação mostrou que Marta ganhara na cidade inteira, à exceção das seções eleitorais com maior perfil de renda, lideradas pelo candidato do PSDB.

Enquanto Maluf foi forte, os tucanos não encontraram seu lugar na cidade. Foi preciso uma hecatombe das proporções da administração Celso Pitta para desgastar o capital político do malufismo e dar lugar, em 2004, à primeira vitória do PSDB no seu berço político com a eleição de José Serra.

A sobrevivência do malufismo na capital explica em grande parte por que o PSDB, governando o Estado de São Paulo desde 1994, só ganharia a eleição paulistana dez anos depois.

No Estado o PSDB ocupou os espaços do PMDB de Orestes Quércia, cuja força eleitoral declinou enquanto a do malufismo ascendia. Quando Paulo Maluf elegeu-se prefeito da capital (1992), Luiz Antônio Fleury Filho já se preparava para encerrar em desgraça a derradeira gestão pemedebista no Estado.

A ascensão de Serra à prefeitura em 2004 e a eleição de Kassab quatro anos depois se dariam com a herança de zonas eleitorais do centro expandido de tradição malufista e marcadamente antipetista. As franjas da cidade continuariam com o PT mas, na sua derradeira tentativa de voltar, Marta mostrou não ser capaz de ultrapassá-las.

Nem o perfil classe média de Dilma foi capaz de romper a muralha erguida em São Paulo contra o PT. Nas cinco eleições presidenciais – e outras cinco estaduais – que disputou o partido, só venceu uma única vez na capital paulista, quando Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Serra em 2002, numa contenda marcada pelo desemprego crescente do final do governo Fernando Henrique Cardoso.

As dificuldades eleitorais petistas no mais importante centro urbano do país desmontam uma tese em voga nas esquerdas durante muito tempo, de que os eleitores inclinam-se por candidatos conservadores por falta de esclarecimento.

O microcomerciante de Santana, tradicional reduto malufista da zona norte da cidade, apesar de ter prosperado nos governos Lula/Dilma, só enxerga taxas municipais quando pensa que o PT voltaria à prefeitura. Foi a perspectiva de conquistar esse eleitor que fundamentou os argumentos pró-aliança com o PSD.

Kassab já estava precificado no PT quando a candidatura Serra tomou forma. Os petistas avaliam que Kassab lhes ajudaria a vencer em São Paulo e minar as chances de o PSD vir a se aliar aos tucanos em 2014. Os tucanos também estão chegando à conclusão não podem prescindir dele na disputa paulistana, além de temerem o isolamento a que podem vir a ser submetidos pela aliança PT-PSD.

Petistas, pelo poder de contemplar o PSD neacionalmente, parecem ter mais poder de barganha, mas pesa a favor do PSDB maior afinidade das bases eleitorais de ambos os partidos. O que está em jogo é mais do que um ministério ali ou uma candidatura acolá. É a máquina de fazer política em que se transformou o PSD. Com o aumento da procura, o preço do prefeito subiu. E o pregão mal começou.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

CARTA COMPROMISSO DO LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE

Carta compromisso do Levante Popular da Juventude, organização que a Juventude da Consulta Popular fundou para organização da juventude.

Leia a Carta de compromissos do Levante aprovada no I Acampamento Nacional
 Nós, do Levante Popular da Juventude, no momento em que fundamos nossa organização, em nosso I Acampamento Nacional, com a participação de 1200 jovens de 17 estados brasileiros, nos comprometemos com a transformação profunda da realidade em que vivemos.
Enxergamos um mundo dividido entre aqueles que exploram, e as trabalhadoras e os trabalhadores que têm o fruto de seu trabalho roubado. Esse é o sistema capitalista-patriarcal-racista, que  mundialmente estabelece as formas de organização da sociedade na sua forma imperialista. Ele cria uma relação de dominação entre culturas e povos, destrói o meio ambiente, oprime e explora as mulheres, assassina a juventude negra, silencia gays e lésbicas e tolhe, cotidianamente, todos os nossos sonhos.
O Brasil é um país de natureza e cultura fantásticas, mas carregamos as dores da escravidão, o saqueio das grandes potências, e uma história de uma elite dependente, mas que sempre concentrou o poder em suas mãos. Os meios de comunicação, a terra, a água, energia, a educação, o lazer e a oferta de saúde de qualidade ainda estão nas mãos dessa elite. Aos trabalhadores, restaram somente as periferias das grandes cidades, as encostas de morro e as beiradas de rio, extensas jornadas de trabalho e salários miseráveis; no campo, a reforma agrária e a produção de alimentos foram deixadas de lado e substituídas pela utilização de transgênicos e agrotóxicos, tudo orientado para a exportação.
Nós, jovens, estamos no meio desse furacão: no campo, nas periferias e favelas, nas escolas e universidades, no trabalho. Somos constantemente disputados pelo projeto capitalista. É em contraposição a este projeto que nos lançamos ao desafio da construção do Projeto Popular.
Por isso, nos comprometemos:
Com a luta pela construção de uma democracia popular, que socialize com qualidade as terras, a água, a energia, os meios de comunicação, o acesso à saúde, à educação, à moradia, ao transporte.
Com a luta pela soberania, porque os povos devem tomar seu país e sua história nas mãos, sem serem sujeitados pelo imperialismo ou outros poderosos. O desenvolvimento deve ser ambientalmente sustentável e estar voltado ao interesse do povo.
Com a prática permanente de solidariedade com todos os povos que sofrem e lutam. Com atenção especial para nossos hermanos latino americanos, que carregam a mesma história de opressão e luta que nós.
Com a luta contra o machismo, na sociedade e dentro de nossa organização, pois, se os trabalhadores são explorados pelo sistema capitalista, as mulheres são duplamente oprimidas e exploradas: enquanto trabalhadoras, e enquanto mulheres, pelo sistema patriarcal. Temos que estar lado a lado com as organizações do movimento feminista no combate ao patriarcado, à violência sexista e à mercantilização do corpo e da vida das mulheres, assim como fomentar a auto-organização das mulheres do Levante.
Com a luta contra o racismo, dentro e fora de nossa organização, porque a população preta é a mais explorada da classe trabalhadora e mesmo depois de 124 anos da falsa abolição continua sendo o alvo preferencial da violência de Estado. É necessário lutarmos junto ao movimento negro e outras organizações antirracistas para que possamos construir uma sociedade livre do racismo.
Com a luta contra a lesbofobia, a transfobia e a homofobia, também dentro e fora de nossa organização,  porque não existem relações afetivas mais normais e comuns que outras, e nenhuma orientação sexual deve ser motivo para legitimar desigualdades e opressões.
Com a luta por um projeto de educação que sirva aos interesses do povo. Por isso, defendemos que exista um número suficiente de vagas tanto em creches quanto em escolas secundárias e universidades, bem como cotas sociais e raciais, no campo e na cidade. Por isso, também reivindicamos os 10% do PIB para a educação; a educação só terá qualidade se estiver voltada para os interesses do povo, atendendo todas e todos.
Com a luta por transporte público, gratuito e de qualidade, enfrentando os aumentos nos preços de passagem.
Com a luta por ampliação do acesso à cultura e ao lazer, contra sua mercantilização. Lutaremos para que existam mais possibilidades de produção e troca culturais, como música, teatro, artes visuais, cinema, dança, e tantas outras formas de expressão. Também utilizaremos da cultura e do lazer como formas de resistência, de resgate da nossa história e da nossa identidade de povo brasileiro.
Com a luta contra o trabalho precarizado e informal. A luta pela garantia e expansão dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras (exploradas duplamente, no local de trabalho e em casa) é essencial para a criação de um país menos desigual. Pela jornada de 40 horas semanais, sem a redução de salários.
Sabemos que para isso é extremamente necessária a massificação desta luta, trazendo cada vez mais jovens para o nosso projeto, porque só a juventude tem a força necessária para transformar essa sociedade. É com o trabalho coletivo, combatendo o individualismo e a estagnação, que tomaremos o futuro em nossas mãos. Esse é o caminho para a liberdade com que tanto sonhamos e precisamos para viver.
Construiremos uma organização com coerência: devemos fazer o que dizemos e dizer o que fazemos; com autonomia, construída por aqueles que trabalham no Levante; com estudo e disciplina, para dar cada passo com firmeza, conhecendo com profundidade o caminho que devemos trilhar; com o exercício de crítica e autocrítica, porque não devemos temer ou ocultar os erros, mas enfrentá-los de frente, para, então, superá-los.
Entendemos que serão esses compromissos que garantirão a construção do Levante Popular da Juventude, do Projeto Popular e da Revolução Socialista brasileira. A tarefa não é fácil: não esperamos ter todas as respostas nem construir tudo isso sozinhos, mas nos desafiaremos a dar tudo o que pudermos, porque devemos nos construir como a juventude que ousa lutar, que constrói alternativas e que é parte do povo brasileiro. Somente com alegria, amor e muita animação chegaremos lá!
 Juventude que ousa lutar constrói o poder popular!
I Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude, 5 de fevereiro de 2012, Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil.

Noroeste Paulista – Beth Sahão assume mandato na ALESP

A psicóloga Beth Sahão (PT) foi empossada deputada estadual na tarde desta quinta-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ela substitui o saudoso deputado José Cândido, falecido no dia 12 passado.

A cerimônia de posse foi marcada pelas lembranças do trabalho do parlamentar que se notabilizou pela defesa intransigente da inclusão social e da igualdade racial.

Representante da região Noroeste

Psicóloga formada pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), Beth é Mestre em Sociologia pela UNESP de Araraquara.

Durante aproximadamente dez anos chefiou o Departamento de Recursos Humanos de uma usina de açúcar e álcool da região de Catanduva. Em 1997, assumiu a Secretaria de Governo de Catanduva, na gestão de seu irmão Félix Sahão.

Beth Sahão é, até hoje, a primeira e única mulher a representar a região Noroeste na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Também foi a primeira mulher na história do Parlamento Paulista a presidir a Comissão de Agricultura do Estado.

Na sessão de posse Beth foi saudada pelo líder petista Enio Tatto, seguido pelos líderes das Bancadas do PSD, PDT, PV, PSB, PSDB, entre outros.

Beth informou aos deputados presentes em Plenário, que diante a comoção provocada pelo falecimento do deputado José Candido, ela iria abdicar de qualquer pronunciamento naquele momento. “ Peço que me compreendam mas, diante da perda do companheiro José Candido, prefiro me pronunciar em outra ocasião”.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Liderança do PT na ALESP.

Wulff, presidente da Alemanha, renuncia

Christian Wulff anuncia sua renúncia em declaração no Palácio Bellevue, residência presidencial, em Berlim 
Foto: Reuters

O presidente da Alemanha, Christian Wulff, anunciou nesta sexta-feira sua renúncia em uma breve declaração no Palácio de Bellevue, diante das acusações de corrupção e tráfico de influência que haviam contra ele.

A renuncia do governante alemão ocorreu depois que a Promotoria de Hannover, ao norte do país, solicitou na quinta ao Bundestag, o Parlamento alemão, que suspendesse a imunidade de Wulff para que fosse aberta uma investigação contra o presidente.

“A Alemanha precisa de um presidente que conte com um amplo apoio da população”, disse Wulff ao reconhecer que este não é o seu caso neste momento, após a possível ação da Justiça. “Estou convencido de que (as investigações) vão comprovar minha inocência”, afirmou o já presidente demissionário, que afirmou ter sido “sempre honrado” no exercício de suas funções como governante da Alemanha e anteriormente como líder do estado federado da Baixa Saxônia.

Wulff negou as acusações publicadas pela imprensa alemã durante os dois últimos meses e declarou que as notícias divulgadas “feriram” ele e sua mulher.

As últimas acusações contra Wulff tiveram origem em sua etapa como governador da Baixa Saxônia, por suas relações com o produtor cinematográfico David Groenewold, que também é investigado.

Em 2007, Groenewold e Wulff passaram férias juntos na exclusiva ilha alemã de Sylt, que foram pagas pelo primeiro, embora o presidente tenha garantido que ressarciu aquele que qualificou como “amigo pessoal”.

As férias aconteceram um ano depois que o governo da Baixa Saxônia, presidido por Wulff, aprovou a concessão de um milhão de euros a uma empresa de Groenewold.

A crescente polêmica por supostos casos de “amizade” de Wulff explodiu em 13 de dezembro. Na ocasião, o jornal Bild publicou que, quando era primeiro-ministro regional, havia aceitado um crédito privado de meio milhão de euros com condições bastante vantajosas de empresários amigos para adquirir uma casa.

Validada pelo STF Lei da Ficha Limpa abre espaço para manobras políticas

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa nesta quinta-feira 16. A inelegibilidade por oito anos de políticos condenados em segunda instância, cassados ou que tenham renunciado para evitar a perda do mandato, foi validada e abrange as eleições municipais de 2012.

A decisão, no entanto, abre um precedente perigoso devido à quebra do princípio da inocência, destaca Rodolfo Viana Pereira, doutor em ciências jurídico-políticas e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo ele, ao considerar que o impedimento de participar de uma disputa eleitoral não é uma punição a um indivíduo ainda não condenado sem todos os recursos possíveis, há a possibilidade de aplicação retroativa da lei. “Com isso, novos critérios de inelegibilidade podem ser criados para atingir pessoas específicas.”

Maioria dos ministros vota pela constitucionalidade da Ficha Limpa, mas analistas dizem que a lei tem aspectos falhos capazes de prejuciar a estabilidade da democracia no Brasil. Foto: José Cruz/Abr

O professor, para quem a lei tem impropriedades técnicas e jurídicas, mas também aspectos positivos – como o aumento do prazo da inelegibilidade para oito anos -, usa como exemplo a renúncia. Quando Jader Barbalho abriu mão de sua vaga no Senado em 2001 para escapar da cassação, diz, esse era um preceito legal previsto, desde que acontecesse antes da instauração de um processo administrativo. A Lei do Ficha Limpa adianta um comportamento como esse e o define como imoral, impedindo que alguém tome essa atitude se houver um pedido de inquérito.

“Isso abre a possibilidade de atos hoje considerados adequados, no futuro serem considerados imorais (e avaliados de forma retroativa). É uma futurologia eleitoral”, aponta. “O que estou fazendo hoje é válido, mas será que amanhã pode me tornar inelegível?”

Alamiro Velludo Salvador Netto, professor doutor da Faculdade de Direito da USP, destaca outro ponto polêmico da lei: tornar inelegível um candidato apenas com a condenação de um órgão colegiado ou em segunda instância, também baseado na quebra do príncípio da inocência. “Há uma violação do projeto legal, é uma condenação antes do fim do processo.”

Segundo ele, a intenção de lei é positiva, mas toda legislação com finalidade de aprimorar o processo democrático deve ser bem redigida. “Os juristas não podem admitir uma afronta a determinados preceitos constitucionais.”

Netto defende que um processo é uma reconstrução de um fato passado, “uma verdade aproximada” e precisa das diversas instâncias para chegar a uma condenação justa. Ele ainda critica o fato de a lei não levar em consideração alguns casos específicos em que os órgãos colegiados não atuam como instâncias recursais e sim como originárias das causas.

“Um prefeito, por exemplo, segundo a Constituição, é julgado em ação criminal no Tribunal de Justiça de seu estado. Neste caso, se condenado, estaria inelegível em um julgamento sem possibilidade de revisão por outro órgão (seria o equivalente a uma condenação em primeira instância).”

Pereira destaca, porém, que a lei prevê um recurso do candidato condenado desta maneira, no qual pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para suspender a inelegibilidade e disputar a eleição.

Apesar de importante, o professor da UFMG defende que a Ficha Limpa não precisaria ter avançado em aspectos mais amplos, como dar poder a um órgão de classe para gerar inelegibilidade. “Agora, ele pode tirar alguém de uma eleição. Hoje, se uma pessoa for removida do comando de uma ONG por discordar de suas ideias não há problemas eleitorais. No futuro, não se sabe.”

“Abriu-se um precedente para que organizações da sociedade civil possam criar inelegibilidade. Não é possível saber onde vamos parar e isso é perigoso para a estabilidade democrática.”

Fundamentalistas na ofensiva. Governa na defensiva. Ministro tenta reconciliar-se com os evangélicos

Munido de água fria, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) vai ao Congresso nesta quarta (15). Tentará apagar a fogueira que a bancada evangélica acendeu para queimá-lo.

Gilbertinho, como o chamam Lula e Dilma Rousseff, pôs-se em movimento nas pegadas de uma reunião de congressistas evangélicos. Deu-se nesta terça (14), no gabinete do senador Magno Malta (PR-ES).

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Família Brasileira, Magno escalara a tribuna do Senado, na semana passada, para pespegar em Gilbertinho adjetivos inamistosos: “safado”, “mentiroso”, “irresponsável”, “cara de pau”…

No encontro que ateou preocupação no ministro, Magno e seus pares decidiram desqualificá-lo como também como interlocutor. Na Secretaria-Geral, a principal atribuição de Gilbertinho é dialogar com sindicatos, movimentos sociais e segmentos religiosos.

Os evangélicos não precisam de intermediários, disse Magno, traduzindo o que vai na alma de sua turma. Havendo questões relevantes a tratar, o bloco da Bíblia vai bater direto na porta de Dilma Rousseff, sem a usual escala na sala de Gilbertinho.

Deve-se a aversão dos evangélicos a declarações feitas pelo ministro num encontro com representantes de movimentos sociais, há 15 dias, em Porto Alegre. Nessa reunião, Gilbertinho aconselhou os ativistas sociais a disputar com os pastores a simpatia dos fiéis que emergem para a “nova classe media”.

O ministro disse coisas assim: “Lembro aqui, sem nenhum preconceito, o papel da hegemonia das igrejas evangélicas, das seitas pentecostais, que são a grande presença para esse público que está emergindo.” Magno e seus congêneres tomaram o lero-lero como uma declaração de guerra.

A fogueira ganhou contornos inquisitoriais depois que Dilma converteu em ministra-chefe da Secretaria de Políticas para Mulheres a amiga Eleonora Menicucci, uma conhecida ativista da causa do aborto. Magno Malta e Cia. tomaram a nomeação como uma espécie de traição.

No encontro desta terça, além de transformar Gilbertinho em ex-interlocutor, decidiu-se encaminhar a Dilma uma nota de repúdio à escolha de Eleonora. Evocou-se um documento assinado por Dilma na campanha de 2010.

No texto, a então candidata comprometera-se a não enviar ao Congresso proposta de legalização do aborto. Algo que ela, de fato não fez. De resto, Dilma anotara anotara ser “pessoalmente contra o aborto”. Os evangélicos enxergaram na nomeação da nova ministra uma contradição.

Submetido ao cheiro de queimado, Gilbertinho tocou o telefone para João Campos (PSDB-GO), líder da bancada evangélica na Câmara. Pediu uma audiência com o deputado. Recebeu um “não” como resposta. Campos alegou que já tinha compromisso para a manhã desta quarta.

O ministro insistiu. O deputado não se deu por achado. Disse que comprometera-se com Magno Malta a participar da reunião na qual será redigida a nota de repúdio a ser entregue a Dilma. Insistente, Gilbertinho pediu para participar desse encontro.

Consultado, Magno Malta concordou em receber o desafeto junto com João Campos e outros evangélicos que se disponham a ouvi-lo. Magno fez pose de magnânimo: “Todo cristão sabe que deve perdoar, compreender e tratar o próximo como irmão. Seja qual for o assunto, o ministro será tratado com respeito e dignidade.”

Nem todos parecem, porém, dispostos a chamar o ex-seminarista Gilbertinho de “irmão”. Membro do grupo político do vice-presidente Michel Temer, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um evangélico de biografia ortodoxa, recusa-se a participar da reunião com o ministro.

Na noite desta terça, Cunha refugou a ideia de perdão no twitter: “Ele não está mais qualificado para ser interlocutor dos evangélicos. Com todo o respeito a quem ele vai procurar amanhã, não adiantará.” Noutra nota, escreveu: “Ele será recebido por educação.” Numa terceira, anotou: “Eu não vou”.

Cunha esmerou-se também nos ataques à nova titular da pasta das Mulheres. De sua tribuna na web, repisou: Gilbertinho “não foi feliz” em suas declarações. Ao mirar em Eleonora, aproximou o governo Dilma da atmosfera permissiva de Sodoma: “A nomeação da abortista [para o cargo de] sodoministra foi um desastre para a imagem do governo. Lamentável mesmo.”

É nessa fogueira de chamas altas que o ministro Gilbertinho vai borrifar água fria. Leva as mãos aos baldes em combinação com Dilma. O Planalto receia perder os votos evangélicos no Congresso, estimados em cerca de 50 –na Câmara, 47; no Senado, pelo menos três. Numa entrevista da semana passada, Gilbertinho já havia manuseado o extintor. Não resolveu. Tentará de novo.

Serra e Kassab estão fazendo o PT de bobo?

Se, e quando, for confirmada a candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo, o PT deveria promover um encontro para pedir desculpas à senadora Marta Suplicy. Nos últimos quatro meses, ela foi a principal liderança petista a não se deixar levar pelas partículas de candidatos e alianças que permaneceram em suspensão no horizonte político da cidade. Enquanto o partido mergulhava na nuvem de poluição causada pela inversão térmica eleitoral, Marta registrava sua discordância e sinalizava o risco. Primeiro, pediu para evitar uma escolha antecipada do candidato do PT, mas foi atropelada. Depois, alertou para o feitiço da aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab — e só não foi totalmente ignorada porque parte da militância petista ainda cobra um mínimo de coerência política.

Kassab na festa do PT: aliança em potencial ou jogo de dissimulação?

Marta terminou sendo posta à margem porque o PT precisava se renovar, enquanto ela nunca escondeu o desejo de tentar o cargo pela quarta oportunidade. Mas, por isso mesmo, o partido deveria tê-la ouvido: após passar quatro anos na prefeitura e perder duas eleições, uma para Serra e outra para Kassab, era Marta quem, no PT, mais tinha condições de interpretá-los. Teria sido, no mínimo, por respeito a uma tradicional regra da política: ninguém conhece melhor você do que o seu inimigo.

Quando perdeu a convenção do PSDB para Aécio Neves, em maio do ano passado, Serra sabia que seu projeto presidencial só seria retomado em duas hipóteses. Na primeira, ele atuaria de coadjuvante, capaz de ser promovido a protagonista por falta de nomes. Assim, a candidatura de 2014 teria de lhe cair no colo, com Aécio voltando para Minas Gerais e Geraldo Alckmin tentando a reeleição paulista. Para que pudesse ter um mínimo de autonomia sobre seu destino, no entanto, a Serra só restava uma candidatura a prefeito de São Paulo (leia, na coluna Análise de 28 de maio do ano passado, os motivos para isso).

Durante nove meses, portanto, Serra pareceu estar morto. No lugar de se apresentar como viúva, Kassab criou o PSD e vestiu-o de noiva, tentando ser vice-governador na eventual reeleição de Geraldo Alckmin ou ocupando, com seus parlamentares, ministérios no governo Dilma Rousseff. No projeto ideal de Serra, sua candidatura a prefeito permaneceria congelada, para despertar apenas no final do semestre – por questões legais, ele é o único nome forte capaz de ser oficializado no último minuto da convenção partidária. Mas a proximidade das prévias internas do PSDB para a escolha do candidato a prefeito, marcada para depois do carnaval, tirou-o da hibernação. Marta Suplicy teria direito igual, mas seu partido já saiu às ruas com a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad.

Em outubro, quando a eleição chegar ao final, a história de Serra e Kassab será reescrita com base no resultado e o que até hoje era apresentado como desejo sincero provavelmente será interpretado como um jogo de dissimulação. Houve um momento em que Serra gostaria de não correr o risco da disputa em São Paulo e de ter se mantido à tona como presidente do PSDB. E Kassab preferia uma aproximação com o poder federal do PT.

Ao submergir, Serra recuperou a liderança política. E teria também reduzido a taxa de rejeição porque deixou todos brigando contra todos enquanto assistia tudo à distância. Isso é importante porque, desde a adoção do segundo turno, a maioria em São Paulo é formada em torno do nome do adversário de quem o eleitor não quer eleger – e não em torno do nome favorito. Essa decisão racional, baseada na rejeição a um candidato ou partido, e não na paixão pelo outro, garantiu os mandatos de Pitta, Marta, Serra e Kassab.

O atual prefeito agora dificilmente mudará de destino porque as resistências de Dilma Rousseff e de Geraldo Alckmin em aceitar suas condições para um acordo acabaram por criar um processo simbiótico com Serra. O fracasso de ambos desenhou o caminho que se trilha neste momento na capital paulista. Para que o PSD permaneça como um projeto viável de poder, Kassab depende de Serra na prefeitura. Afinal, se partidos com mais de 20 anos de história, como o PSDB, desidratam por estar na oposição, a sobrevivência de uma legenda recém-criada não acontecerá sem uma máquina com o peso da de São Paulo.

Para Serra, a confirmação da aliança com Kassab e um eventual retorno à prefeitura oferecem o que seu partido lhe recusou no encontro de maio do ano passado – estrutura para retomar o projeto presidencial. E, além de tudo, também serve de bóia partidária caso os tucanos o abandonem no meio da última chance que lhe resta de fazer a travessia para o Planalto.

Foi essa dependência mútua entre Serra e Kassab que Marta Suplicy vislumbrou como um jogo que acabaria por engabelar, além do PT, o governador Alckmin e os quatro pré-candidatos do PSDB. No caso do PT, o pedido de desculpas a Marta se fará necessário não apenas porque o partido precisa de sua experiência na campanha de Haddad, mas sobretudo como autocrítica. Afinal, não foi a nuvem de candidatos e alianças que turvou a visão das lideranças petistas, mas a mistura de poluentes eleitorais ainda mais básicos: arrogância, ambição, precipitação e desejo de vingança.

Ante possível aliança com Haddad, executiva municipal do PT reafirma oposição à Kassab

A Executiva Municipal do PT (Partido dos Trabalhadores) em São Paulo aprovou resolução na qual reafirma que o partido é oposição à gestão de Gilberto Kassab (PSD). A  resolução foi aprovada em meio à possibilidade de uma aliança entre Kassab e o pré-candidato à prefeitura da capital paulista, Fernando Haddad.

A resolução foi aprovada em uma reunião da executiva na última terça-feira (8) e contraria as intenções do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de viabilizar uma aliança com Kassab.

Figura de maior peso no PT, Lula defende o apoio do PSD e projeta para março a oficialização da aliança com Kassab, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Na resolução, a executiva municipal convoca a militância para intensificar a mobilização contra as políticas do peessedista e afirma que o programa, candidatura e alianças devem ser definidas durante o encontro municipal do PT, que acontecerá no final do mês.

Veja abaixo a íntegra da resolução:

A Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores, reunida hoje, terça feira dia 8 de fevereiro de 2011, diante das inúmeras notas divulgadas pela imprensa, sobre supostas tratativas em relação às eleições de 2012 e 2014, com o prefeito Kassab, vem a público esclarecer o seu posicionamento frente ao governo municipal e ao processo de disputa eleitoral de 2012. A Executiva deixa claro para a nossa militância, para a sociedade e para os partidos que tem constituído um campo democrático na cidade que:

1- Reafirma a nossa oposição ao governo Kassab na cidade de São Paulo. O Partido dos Trabalhadores na cidade continuará lutando contra o sucateamento dos transportes públicos, a ausência de políticas para minimizar os efeitos das enchentes, a odiosa política higienista que expulsa a população pobre do centro da cidade, o autoritarismo que tomou conta das subprefeituras, a falta de planejamento da gestão pública que se reflete na falta de vagas nas creches, e na terceirização sem controle da saúde, entre outras políticas prejudiciais aos paulistanos. Neste sentido esclarece que não existe nenhuma “negociação” com o atual prefeito, pois temos claro que existem concepções e projetos totalmente distintos para a cidade.

2- Aproveitamos este momento para convidar todas as forças organizadas da cidade, movimentos sociais, movimentos por direitos, sindicatos e partidos para intensificarem a oposição às políticas antipopulares do governo Kassab.

3 - O Partido dos Trabalhadores, que já foi por duas vezes governo em São Paulo , tem sido porta voz de diversas reivindicações e posições de importantes setores sociais, tem lutado para que todos tenham um direito a uma cidade justa, equilibrada e sustentável, o que não tem sido garantido nos últimos anos, manterá sua coerência e defesa de sua base social. Diante disso, procurará construir um projeto político para a cidade e uma candidatura petista a ser apresentada e discutida com todos os aliados, para a disputa da prefeitura em 2012.

4 - A Executiva municipal continuará zelando para que o debate democrático seja feito de maneira ampla em todas as instancias partidárias, envolvendo as direções zonais, os setoriais, dialogando sempre com as Direções Estadual e Nacional, e como é do Estatuto partidário, concluindo esse processo no Encontro Municipal que se realizará em 2012, instancia soberana e legitima para decidir sobre o programa, as alianças e a candidatura que lançaremos.

São Paulo, 8 de fevereiro de 2011

Executiva Municipal do DM PT-SP

 

Noroeste Paulista: Nunca provoque o Horácio de Pontalinda…

Nota de saudação da Mulheres da EPS – PT à nova Ministra da SPM

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Kassab é apresentado como representante da “base aliada” e recebe vaias no aniversário do PT

Bruno Boghossian, do estadão.com.br, com informações da Agência Esta

O prefeito de São Paulo e fundador do PSD, Gilberto Kassab, foi vaiado ao ser apresentado como representante da “base aliada” durante a festa de aniversário de 32 anos do PT, em Brasília. As autoridades e lideranças petistas aplaudiram, mas parte do público presente vaiou o prefeito, ex-integrante do DEM.

Kassab foi chamado pelos locutores do evento durante a apresentação dos “representantes dos partidos que compõem a nossa base aliada”. Ele, no entanto, sempre afirmou que o PSD é uma legenda “independente” – apesar de acompanhar o governo Dilma Rousseff com frequência no Congresso.

Sem demonstrar nenhum constrangimento, Kassab sentou-se na segunda fila da mesa de convidados, entre ministros de estado, ex-presidentes do PT e o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro José Dirceu foram os mais festejados pela militância durante a comemoração. Dilma se sentou ao lado do presidente do partido, Rui Falcão, e do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Maia entrou recentemente em rota de colisão com o Palácio do Planalto devido ao não nomeação de um afilhado político para cargo no Banco do Brasil.

Para tentar desfazer o clima de animosidade com o Planalto, o presidente da Câmara fez um discurso enfático, recheado de elogios a presidente Dilma Rousseff. Ela manteve-se, no entanto, impávida, sem demonstrar nenhum entusiasmo com as palavras de Maia.

Impedido de ir ao encontro por recomendação médica, o ex-presidente Lula mandou uma carta lida pelo presidente Rui Falcão. Lula lamentou não estar presente ao encontro.

A senadora Marta Suplicy, que criticou as negociações entre o PT e Kassab para a formação de uma aliança para as eleições para a Prefeitura de São Paulo, não compareceu ao evento. Ela enviou uma carta em que parabeniza o partido e pede que a sigla se mantenha fiel a seus princípios.

PPS e PSOL fecham pré-aliança com o PSDB rumo as eleições

Tanto Alan Sales, quanto Clécio Luis, tentam trazer para o grupo Michel e Jorge Amanajás
“Clécio Luis (PSOL), Alan Sales (PPS) e Michel JK (PSDB): reunião para discutir aliança rumo as eleições”Clécio Luis (PSOL), Alan Sales (PPS) e Michel JK (PSDB): reunião para discutir aliança rumo as eleições

As eleições municipais de 2012 começam a ganhar visibilidade por meio de grandes nomes indicados pelos partidos políticos e de seus pré-candidatos. Ontem (6), o deputado estadual Michel JK (PSDB) e Jorge Amanajás (PSDB) reuniram-se com o deputado Jaci Amanajás ,  Allan Sales(PPS) e com o senador Randolfe Rodrigues (PSOL) e Vereador Clécio Luis(PSOL), para formatar uma aliança com o objetivo de disputar as eleições municipais rumo a prefeitura de Macapá.

O resultado da reunião foi considerado positivo pelo grupo, já que a parceria foi fechada, e juntos pretendem concorrer a cadeira da Prefeitura de Macapá

CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO MANDA PRO LIXO AÇÃO CONTRA REDE DA CIDADANIA

Abaixo reproduzimos matéria publicada hoje pelo Blog do Cardosinho e ao final voce poderá acessar o link para o Blog da A REDE da Cidadania onde está a íntegra das conclusões oficiais referentes às suspeitas  levantadas contra nosso trabalho. É apenas um resumo de um procedimento com centenas de volumes que demandaram gastos de recursos públicos, não só em verbas, como tempo de autoridades públicas e suas equipes técnicas oficiais.

Especialistas da Promotoria de Justiça do Estado de São Paulo, em Jales e na Capital do Estado de São Paulo, em investigação de contas e cumprimento das determinações legais se debruçaram sobre o calhamaço (com dezenas de volumes) do relatório da CEI da Camara Municipal de Jales. Relatório este (da Câmara Municipal), que por sinal não concluiu pela existencia de nenhuma irregularidade, mas apontou a existencia de “indicios, “suspeitas”…

Nossa imagem pública, e nosso trabalho em defesa dos direitos humanos, especialmente das crianças e adolescentes, tem sofrido prejuizos com as suspeitas levantas. Somos incansáveis defensores das liberdades individuais, sociais. Neste momento, no caso agora, cabe resaltar a liberdade de expressão, uma das pedras angulares da democracia. Mas como contrapartida às liberdades existem as responsabilidades. Trataremos disto depois.

São mais de 50 (cinquenta) páginas – o resumo do procedimento, firmado pelo Promotor de Justiça da Comarca de Jales, WELLINGTON LUIZ VILLAR em Julho de 2011, e homologado pelo Conselho Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo, em novembro próximo passado. Se voce quizer saber toda a verdade, leia. Tem gente que não quer saber da verdade, quer mesmo é, por interesses menores, denegrir a imagem alheia. Mas todos são responsáveis  e serão responsabilizdos por seus atos e falas.

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Muitos episódios obscuros, vivenciados na atual administração, deverão começar a ficar mais claros neste ano de 2012. Por exemplo: pouca gente sabe que as desavenças entre o prefeito Humberto Parini e o seu ex-conselheiro Arnaldo Murilo Pohl começaram depois que o CMDCA, então presidido por Murilo, deixou de aprovar um projeto apresentado pela filha do prefeito, Gabriela Parini, então funcionária da Aderj.

Depois disso, o prefeito conseguiu, na Justiça, o bloqueio dos recursos repassados pela Petrobrás à Rede da Cidadania, uma Oscip fundada por Parini, Especiato e outros petistas – inclusive este blogueiro – e presidida por Murilo. A decisão da Justiça de Jales foi reformada pelo Tribunal de Justiça, mas o dinheiro, até onde eu sei, continua bloqueado.

Além disso, abriu-se na Câmara Municipal, por ordem de Parini, uma CEI para “investigar” a aplicação dos recursos repassados pela Petrobrás à Rede da Cidadania. A CEI, auxiliada por uma empresa de auditoria – a Azevedo Ltda - apontou algumas irregularidades contábeis, que foram, posteriormente, desmentidas por técnicos do Ministério Público.

Sabe-se agora que o Conselho Superior do Ministério Público mandou ao cesto de lixo a ação civil pública que havia sido proposta contra a Rede da Cidadania. O que não se sabe é qual será o próximo passo do execrado  Murilo Pohl. Durante todo o tempo em que foi colocado sob suspeita, ele fez obsequioso silêncio, mas, velho estrategista de guerra que é, já deve estar planejando o contra-ataque.

Acesse aqui a íntegra do relatório > CEI DA PETROBÁS

Olívio Dutra debate – Diálogo Petista

Foto Olivio

Todos conhecem Olívio, fundador do PT, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, depois prefeito, governador e ministro de Lula. Em novembro, Olívio apresentou esta contribuição à Coordenação do Diálogo Petista que, em seu 4º Encontro Nacional, em dezembro, decidiu realizar debates com ele. Texto lúcido e corajoso em alguns aspectos, sem dúvida será problematizado e desenvolvido no debate. Sua publicação é uma forma de honrar o 32º aniversário do Partido dos Trabalhadores.

“O PT não pode se acomodar”

Um balanço do PT, como partido de esquerda, socialista e democrático, tem de vê-lo como parte da luta histórica do povo brasileiro, em especial dos trabalhadores, na busca de ferramentas capazes não só de mexer, mas de alterar a estrutura de poder do Estado e sociedade brasileiros marcada por privilégios baseados no enorme poder político, econômico, cultural de uma minoria. O PT nasceu para lutar por uma sociedade sem explorados e sem exploradores e radicalmente democrática.

Mas na medida em que conquistou mandatos em vários níveis, suas convicções e perspectivas foram perdendo nitidez. Houve uma acomodação na ocupação das máquinas institucionais.

Diante desse processo o PT não se rediscutiu, não discutiu os efeitos dessa adaptação à institucionalidade de um Estado e de uma sociedade que, para serem democráticos, precisam ser radicalmente transformados.

Assim, o PT cresce quantitativamente – em 2011 temos três vezes mais diretórios, passamos de mil a 3 mil, em função de eleições e do fato de estar no governo federal e em governos estaduais, municipais, além de ter eleito centenas de parlamentares nos três níveis.

E, bem mais que as idéias ou programa, o que mobiliza o partido, ultimamente, são as eleições internas e externas. Somos todos responsáveis por isso: a política como um “toma lá, dá cá”, confundindo-se com negócios, esperteza, e a idéia de tirar proveito pessoal dos cargos conquistados. E tem gente chegando no partido para isso, favorecidos pelo discurso da governabilidade mínima com o máximo de pragmatismo.

“O Estado brasileiro não foi mexido”

Mesmo com os dois mandatos de Lula, demarcatórios na história de nosso país, o Estado brasileiro não foi mexido na sua essência. O 1º mandato foi de grande pragmatismo, onde a habilidade de Lula suplantou o protagonismo do Partido e garantiu, para um governo de composição, uma direção, ainda que com limites, transformadora da política. A política de partilhar espaços do Estado com aliados políticos de primeira e última hora de certa forma já vinha de experiências de governos municipais e estaduais mas ali atingiu a sua quintessência. No 2º mandato, ao invés de o PT recuperar o protagonismo, diluiu-se mais um pouco, disputando miríades de cargos em todos os escalões da máquina pública.

Quanto à Dilma, ela é um quadro político da esquerda. Seu ingresso no PT, honroso para nós, não foi uma decisão fácil para ela, militante socialista do PDT e sua fundadora.

Em 1979, quando Brizola voltava do exílio, nós, os bancários de Porto Alegre, estávamos em greve. Caiu a repressão com intervenção no sindicato e prisão de lideranças. Brizola permaneceu em São Borja no aguardo de que, com a prisão, a greve acabasse. A categoria tinha a expectativa que ele, pelo menos, desse uma declaração contra a repressão ao movi- mento. Não se manifestou.

Quando do governo da Frente Popular (PT, PDT, PSB, PC, PC do B) no RS, em decorrência de o PT e PDT terem candidaturas opostas à Prefeitura de Porto Alegre (nosso candidato, eleito, foi o Tarso Genro), Brizola, como presidente nacional do PDT, fez pressão para que trocássemos os secretários pedetistas ligados ao “trabalhismo social”: Dilma, Sereno, Pedro Ruas e Zuanazzi, caso contrário o PDT deixaria o governo. Não concordamos. Todos eles travaram uma discussão intensa nas instâncias do PDT e deliberaram desfiliarem-se e, após nova discussão, desta vez nas instâncias do PT, filiarem-se ao nosso partido.

“Para mexer, tem que ser debaixo para cima!”

Dilma tem clareza sobre como funciona o Estado e como deveria funcionar, sob controle público, para ser justo, desenvolvido e democrático mas, a composição do governo é um limitador e ela não vai poder alterar as estruturas arcaicas e injustas do Estado, coisa que o próprio Lula, com toda sua historia vinculada às lutas sociais das últimas décadas, não conseguiu fazer. Para mexer nisso, tem que ser debaixo para cima!

Então aí está o papel do partido que não pode se acomodar. Nós, os petistas, nos vangloriamos de feitos em prefeituras, governos estaduais e federal. Mas, criamos mais consciência no povo para que se assuma como sujeito e não objeto da política?

Nas eleições fala-se em “obras” e não se discute a estrutura do Estado, como e quem exerce o poder, os impostos regressivos para os ricos e progressivos para os pobres, as isenções, os favores tributários, a enorme renúncia fiscal. Tem prefeitura do PT que privatiza a água, aceitando o jogo do capital privado e a redução do papel do estado.

O PT não se esgotou no seu projeto estratégico, mas corre o risco de se tornar mais um partido no jogo de cena em que as elites decidem o quinhão dos de baixo preservando os privilégios dos de cima. Nosso partido tem de desbloquear a discussão de questões estruturais do estado da disputa imediata por cargos. Essa discussão deve ser feita não apenas internamente, mas com o povo.

Realizar Seminários onde se discuta até mesmo o papel e o estatuto das correntes internas. Seminários com os lutadores sociais para discutir como um partido com nossa origem e compromisso pode governar transformadoramente sem se apequenar no pragmatismo político.

A lógica predominante, diante das eleições, é de governarmos mais cidades, mas qual a cidade que queremos? A imposta pela indústria automobilística, desde os tempos de JK, com ferrovias privatizadas e sucateadas e o rodoviarismo exigindo que o espaço urbano se esgarce e se desumanize para dar espaço para o automóvel particular?

“Muitas experiências de governo, nenhuma definitiva”

O PT deve refletir sobre suas experiências de governar as cidades. São muitas e nenhuma definitiva. O Orçamento Participativo não foi radicalizado ao ponto de ser apropriado pela cidadania como ferramenta sua para controle não só de receitas e despesas, verbas para obras e serviços, no curto prazo, mas sobre a renda da cidade, sua geração e o papel do governo na sua emulação e correta distribuição social, cultural, econômica. O Orçamento Participativo tem que ser pensado não como uma justificativa para a distribuição compartilhada de poucos recursos mas como gerador de cidadania capaz de, num processo de radicalidade democrática crescente, encontrar formas de erradicar o contraste miséria/riqueza de nossas cidades.

Como presidente de honra do PT-RS tenho cumprido agenda partidária, visitando cidades, participando de atos de filiações, ouvindo as lideranças de base e discutindo o PT. Sinto-me provocado positivamente com esta tarefa.

Mas na estrutura que existe hoje o Partido é cada vez mais dependente, inclusive financeiramente, dos cargos executivos e mandatos legislativos que vem conquistando. É difícil, pois, uma guinada, sem que haja pressão debaixo para cima sobre as direções, correntes, cargos e mandatos. Assim como está o PT vai crescer “inchando”, acomodando interesses. A inquietação na base quanto à isso ainda é pequena mas é sinalizadora de que a luta para que o PT seja um partido da transformação e não da acomodação vale a pena.


Esta Página é publicada sob responsabilidade do Fórum de Diálogo Petista, constituído por 83 militantes de 13 Estados reunidos num Encontro Nacional em 15 de novembro de 2008 na sede nacional do PT: “Queremos um governo petista que faça o que um governo petista deve fazer para nos livrar da política imperialista. Nesta hora em que uma grave crise se precipita, nós decidimos nos manter agrupados. Constituímos um meio de ligação entre nós e componentes das Mesas do encontro, um Fórum de Diálogo Petista. Agrupamo-nos para desenvolver a luta com as organizações construídas pelos trabalhadores: – Sim, é hora de mudar de política para proteger a nação e os trabalhadores!”

contato:  dialogo.petista@uol.com.br

1ª Plenária Nacional Sindical da Esquerda Popular Socialista – PT

PT: Nota da Executiva Nacional sobre a Função Social da Propriedade

Membros da Comissão Executiva Nacional do PT (Foto: Ricardo Weg/PT)

Partido vai apresentar plataforma legislativa para regular conflitos em áreas rurais e urbanas.

Nota da Executiva Nacional sobre a Função Social da Propriedade

Os recentes e lamentáveis episódios decorrentes de ações de repercussão nacional da Polícia Militar do Estado de São Paulo, tanto na região conhecida como Cracolândia, na capital paulista, quanto na ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, mereceram notas anteriores do Partido dos Trabalhadores em defesa dos direitos humanos e de políticas públicas que afastem a repressão policial de conflitos sociais.

O PT considera que tão importante quanto a denúncia da violência e de seus autores, a busca de reparação das vítimas da barbárie e a responsabilização criminal e civil das pessoas e instituições envolvidas, é a busca de soluções permanentes que impeçam as arbitrariedades hoje facultadas aos Poderes Executivo e Legislativo em situações limite em conflitos sociais, como as que determinaram a violência policial contra famílias indefesas em São José dos Campos.

Para tanto, serão necessários tanto atos auto-reguladores, como os que se esperam, por exemplo, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, a partir da análise da participação dos vários agentes públicos nas decisões judiciais sobre a reintegração de posse da área do Pinheirinho, como a aprovação no Congresso Nacional de novas legislações sobre os limites e a função social da propriedade.

A Executiva Nacional do PT pretende, pois, lutar para a prevenção de novas ocorrências desta natureza com a apresentação de uma plataforma legislativa regulatória sobre mediação de conflitos, direitos humanos e organização de ações policiais de reintegração de posse em áreas rurais e urbanas de conflito social, explorando as possibilidades legais abertas por legislações já em vigor como o Estatuto da Terra e o Estatuto das Cidades. Terão igualmente prioridade na plataforma legislativa para 2012 a aprovação da PEC sobre propriedades exploradas com trabalho escravo, o Estatuto dos Povos Indígenas e outras que relacionem a propriedade da terra e os direitos humanos.

Brasília, 2 de fevereiro de 2012

Comissão Executiva Nacional do PT

Entrevista – Mulheres: Continuidade ao combate à violência doméstica será uma das prioridades da pasta.

A nova ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), disse nesta terça-feira (7) que considera a discussão do aborto no Brasil uma questão de saúde pública. Para ela o tema não é uma questão ideológica, é uma questão de saúde pública, como o crack e outras drogas, a dengue, o HIV e todas as doenças infectocontagiosas.

Conforme Eleonora, que deverá tomar posse na próxima sexta-feira (10) em substituição a Iriny Lopes, uma das prioridades da pasta será dar continuidade ao combate à violência doméstica e sexual. Ela defendeu, entre outras medidas, a punição de estupradores, mesmo quando a vítima não procurar a delegacia para fazer a queixa.

“A questão da Justiça Criminal no nosso País tem que avançar, tem que ser reformulada. É inadmissível ouvir hoje, em 2012 que uma mulher fez uma denúncia pediu proteção e dois dias depois aparece morta. Onde está a segurança pública? O pacto da não violência tem que ser assinado, respeitado e ampliado nos municípios e estados… a fala da mulher não é respeitada e nem ouvida”.

(Apolo Paz e Sandro Santos – Portal do PT)

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