Artigo: UNESP – Vitória do povo de São João da Boa Vista e da região!

A notícia dada pelo jornal O Município, na semana passada, da decisão do Governo Paulista e da Unesp da implantação de um novo campus da Unesp em São João da Boa Vista é sem sombra de dúvida uma das mais importantes nos últimos anos para a cidade e para toda a região do entorno. E mais, a proposta de que a Unesp “encampe” a UniFAE, embora ainda tenha toda uma engenharia institucional e financeira a ser resolvida, é a melhor possível, pois vai se poupar um tempo precioso, já que não haverá necessidade de processos construtivos que são muito demorados, pois a autarquia municipal, que é um orgulho de todos nós, conta com modernas instalações no seu campus. É vitória do povo cidadão, que paga impostos e faz desta região, com seu trabalho e espírito empreendedor, uma as regiões mais produtivas do Estado.

Sem tirar o mérito do peso político do Secretário Sidnei Beraldo no desfecho final da implantação do novo campus da Unesp em São João da Boa Vista e esse fato é inegável, também quero ressaltar o papel importante que outros atores tiveram para que essa decisão chegasse a bom termo.

Quero destacar o papel que o jornal O Município teve ao longo desses anos todos. Não teve uma visita ou ligação minha ao jornal em que seu proprietário, Dr. Joaquim e seus jornalistas não abordassem o assunto, nos impulsionando a continuar com o tema em nossa pauta de atuação. Em função disso, muitos eleitores e amigos de São João da Boa Vista e das cidades vizinhas sempre me pediam notícias sobre o andamento das negociações. Não podemos deixar de dar crédito aos cidadãos que foram importantes nesta conquista.

Também é justo dar relevância à ação do prefeito Nelson Nicolau que não titubeou ao oferecer à Unesp a proposta da encampação da UniFAE e que levou adiante a proposta em várias reuniões. E à direção e funcionários desta instituição, onde tive o orgulho de trabalhar, que não colocou qualquer obstáculo ao processo em andamento.

Devemos lembrar também o papel dos reitores da Unesp. O atual, professor Durigan e seu antecessor e atual Secretário Estadual de Educação, professor Herman Horvard, que, reconhecendo o fato da ausência da universidade na região da Mogiana e sensível à nossa reivindicação, abriram-se para pensar alternativas e sugerir propostas que viabilizassem a ideia. Seu assessor, professor Carrijo, paciente, nunca deixou de encaminhar nossas solicitações aos reitores e aos secretários de Estado. Evidente que, a pesquisa do professor Bovo, mostrando os impactos positivos na economia local e no urbanismo das cidades paulistas onde foram implantados os campus da Unesp, serviram como motor que deram força para nossa reivindicação.

Por fim, sem falsa modéstia, quero dizer que sempre acreditei na justeza da nossa causa e na real possibilidade de uma vitória. Nestes últimos anos peguei no pé dos diversos secretários e do governador, protocolei um Projeto de Lei autorizando o governo do Estado a implantar a universidade pública na Mogiana, protocolei emendas nas LDOs e Leis Orçamentárias, realizei audiências com os reitores, fiz discursos e discuti com os prefeitos e cidadãos da região. Nas últimas semanas, conversei com o Secretário Sidnei Beraldo e com o Secretário Andréa Calabi, da Fazenda, em distintos momentos que estiveram na Assembleia Legislativa, buscando convencê-los da justeza da proposta apresentada pela Unesp ao Governo Estadual, ou seja, de este último abrir mão de parte dos recursos – R$ 30 milhões – que a Universidade repassa ao Governo por ter este assumido a gestão do Hospital Universitário em Botucatu, para aplicação na manutenção do novo campus em São João da Boa Vista.

A Unesp da Mogiana vai melhorar muito a vida da população de São João da Boa Vista e de todos seus vizinhos. Somada à UniFEOB e ao Instituto Federal de Educação Técnica, vai dinamizar o comércio e suscitar a vinda de novas empresas para a região. Vai dar oportunidades aos nossos jovens de acessar, gratuitamente, cursos de excelente qualidade e os cursos de extensão possibilitarão troca dos conhecimentos produzidos pelas comunidades e dentro do campus.

É claro, muito precisará ser feito para democratizar o acesso da população mais carente e dos alunos oriundos das escolas públicas às universidades públicas e também para ampliar os repasses do Orçamento Estadual para as universidades para que possam crescer sem perder a qualidade, mas essas são batalhar que continuaremos travando. Por enquanto, só temos é que comemorar. E, Parabéns!

Simão Pedro – Deputado Estadual pelo PT, é presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de S. Paulo

Propinoduto liga empresas aos Tucanos em São Paulo e DEM em Brasília.

Testemunha desvenda esquema de propina do Metrô de SP e do DF

Dinheiro de “caixinha” vinha por meio de duas offshores do Uruguai, segundo documentos

Gilberto Nascimento, do R7

ReproduçãoReprodução

Veja imagens ampliadasDocumento mostra acordo entre a Siemens Ltda., com sede em São Paulo, e a Gantown Consulting S/A, com sede no Uruguai

Informações sigilosas de uma importante testemunha vão ajudar a desvendar um esquema internacional de propina que, segundo denúncias, teria sido montado no Brasil pelas multinacionais Alstom e Siemens. 

Uma figura que acompanhou de perto contratos firmados nos últimos anos pelas duas empresas com os governos do PSDB em São Paulo e do DEM no Distrito Federal para a compra de trens e manutenção de metrô passou a fazer novas revelações e a esmiuçar os caminhos do propinoduto europeu em direção ao Brasil.

Supostos “acertos” e negociações atribuídos a representantes das duas companhias estão em um documento elaborado por essa fonte e encaminhado ao Ministério Público de São Paulo.  

Contatada pelo R7, a testemunha – que se identifica apenas como F. e teme ser fotografada por causa de represálias – dá detalhes de como a propina chegava ao Brasil por meio de duas offshores (paraísos fiscais), a  Leraway e a Gantown, sediadas no Uruguai, e de como a Alstom e a Siemens teriam se utilizado da contratação de outras empresas para encaminhar o dinheiro da “caixinha” a políticos, autoridades e diretores de empresas públicas de São Paulo e de Brasília.

F. relata esquemas supostamente arquitetados para a obtenção de contratos da linha 5 do metrô no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo; para a entrega e a manutenção dos trens série 3000 (também conhecidos como trem alemão) para o governo paulista, além da conservação do metrô do Distrito Federal.

O deputado estadual Simão Pedro (PT) encaminhará ao Ministério Público de São Paulo nos próximos dias uma representação pedindo a investigação das denúncias feitas por F.. 

Sob investigação na Europa

A francesa Alstom e a alemã Siemens foram alvos de investigações na Suíça e na Alemanha por causa da acusação de pagamento de suborno a políticos e autoridades da Europa, África, Ásia e América do Sul. Somente a Siemens teria feito pagamentos suspeitos num total de US$ 2 bilhões.

Um tribunal de Munique acusou a empresa alemã de ter pagado propina a autoridades da Nigéria, Líbia e Rússia. O ex-diretor Reinhard Siekaczek acrescentou que o esquema de corrupção atingiria ainda Brasil, Argentina, Camarões, Egito, Grécia, Polônia e Espanha.

Já a propina paga pela Alstom em diversos países – incluindo o Brasil -, pode ter sido superior a US$ 430 milhões, de acordo com os cálculos da Justiça suíça. No Brasil, a empresa foi acusada, por exemplo, de pagar US$ 6,8 milhões em propina para receber um contrato de US$ 45 milhões no metrô de São Paulo. 

A francesa Alstom fabrica turbinas elétricas, trens de alta velocidade e vagões de metrô. Maior empresa de engenharia da Europa, a alemã Siemens faz desde lâmpadas até trens-bala. As duas companhias são concorrentes, mas em determinados momentos na disputa tornavam-se aliadas, conforme a testemunha.

Para trazer o dinheiro ao Brasil

O esquema para mandar dinheiro ao Brasil via offshore, revela F., conta com a participação das empresas Procint e Constech, sediadas na capital paulista e pertencentes aos lobistas Arthur Teixeira e Sergio Teixeira. As offshores Leraway e Gantown seriam sócias da Procint e da Constech. F. mostrou cópias de contratos firmados pela Siemens da Alemanha com as duas offshores. Segundo ele, esses contratos comprovam o envolvimento da empresa alemã no esquema.

As offshores também teriam sido utilizadas, diz a testemunha, em outros contratos com empresas como a MGE Transportes, TTetrans Sistemas Metroferroviários, Bombardier (canadense), Mitsui (japonesa) e CAF (espanhola).  

Há dois anos, parte dos documentos em poder de F. foram enviados para o Ministério Público de São Paulo e para o Ministério Público Federal. Promotores confirmaram a veracidade de informações ali contidas. No entanto, ainda não conseguiram colher o depoimento da testemunha, localizada agora pelo R7

O promotor Valter Santin confirmou que o caso já vem sendo investigado, mas disse que não pode revelar detalhes “por ser sigiloso e envolver conexões internacionais”. 

Documentação

Uma documentação bem mais ampla – só agora exibida ao R7 – foi enviada por F., em 2008, ao escritório de advocacia Nuremberg, Beckstein e Partners,  da Alemanha. Na época, o escritório atuava como uma espécie de ombusdman da Siemens.

– Por que a Siemens não investigou as denúncias encaminhadas e por que a companhia no Brasil foi poupada nas investigações? Não foi por falta de informação, pois a carta mencionada revelava todos os nomes e detalhes e incluía provas dos esquemas de corrupção, avalia F.

Por meio de uma nota, a Siemens diz conduzir seus negócios “dentro dos mais rígidos princípios, legais, éticos e responsáveis” e afirma não ter firmado contrato em parceria ou consórcio “com nenhum concorrente no que tange à manutenção de metrôs”. 

Na mesma linha, a Alstom afirmou em um comunicado que segue “um rígido código de ética, definido e implementado por meio de sérios procedimentos, de maneira a respeitar todas as leis e regulamentações mundialmente”.  A empresa disse que está colaborando com as investigações e “até o momento, as suspeitas de irregularidades em contratos não foram comprovadas e não estão embasadas em provas concretas”.

O Metrô de São Paulo e a CPTM afirmaram, por meio de nota, que desconhecem os fatos mencionados e esclarecem que os seus contratos firmados com qualquer empresa “obedecem à legislação específica que norteia a lisura do processo licitatório, além de serem submetidos ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE)”.

Já o Metrô do DF afirmou, em nota, que desconhece as irregularidades apontadas e que “a licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal”. Veja a íntegra da nota:

“O Metrô-DF desconhece as supostas irregularidades apontadas anonimamente pela reportagem do Portal R7 e, ressalta que:

– O processo de licitação para a manutenção do Metrô-DF (transcorrido em gestão anterior), seguiu a modalidade de licitação de concorrência pública tipo técnica e preço, sendo que no primeiro aspecto as duas empresas finalistas receberam a pontuação máxima;

– No quesito preço, o consórcio Metroman apresentou a melhor proposta (menor preço), vencendo então a licitação;

– A licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal;

– O consórcio Metroman vem atendendo satisfatoriamente todas as demandas de manutenção apresentadas pelo Metrô-DF.

Coordenação de Comunicação do Metrô-DF”

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