Veja a série de escândalos que tirou Pedro Novais do ministério do Turismo

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Pedro Novais é o quinto ministro que deixa o cargo no governo Dilma Roussef. Em pouco menos de nove meses de mandato da presidenta já saíram Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa) e Wagner Rossi (Agricultura). Ainda houve a troca de Ideli Salvatti, atualmente nas Relações Institucionais, por Luiz Sérgio, agora na Pesca.

Não bastassem as denúncias envolvendo o Ministério do Turismo, o nome de Pedro Novais ainda apareceu em outros escândalos envolvendo o uso indevido do dinheiro público. Veja os pontos decisivos que tiraram Novais da pasta:

Farra no motel com dinheiro público
O primeiro deslize do ex-ministro foi noticiado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Pedro Novais, então deputado federal, pediu ressarcimento de R$ 2.156 à Câmara por gastos em um motel de São Luís (MA), em junho de 2010. Ele incluiu a nota fiscal na prestação de contas da verba indenizatória. Acuado e sem defesa, Novais ressarciu os cofres públicos.

Operação Voucher
O secretário-executivo do ministério, Frederico Costa da Silva, e o ex-presidente da Embratur, Mário Moysés, recebiam propina em dinheiro do grupo acusado de desviar recursos da pasta.

Trinta e cinco pessoas foram presas na Operação Voucher da Polícia Federal, no dia 9 de agosto, todas suspeitas de desviar recursos da pasta por meio de emendas parlamentares. O dinheiro desviado chega à casa de R$ 10 milhões.

A ONG  Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável) e o Instituto Brasileiro de Hospedagem estão envolvidas no caso.

Motorista da esposa é funcionário da Câmara
O servidor público Adão dos Santos Pereira, funcionário da Câmara dos Deputados, presta serviços de motorista particular à esposa de Novais, a funcionária pública aposentada Maria Helena de Melo, 65. O jornal Folha de S. Paulo flagrou o motorista levando Maria Helena para visitar lojas em Brasília.

Adão Pereira foi contratado pelo gabinete de Francisco Escórcio (PMDB-MA), mas nunca trabalhou com o deputado. Na terça-feira (13), ele foi exonerado.

Dessa vez, Pedro Novais tentou se defender. Em nota, afirmou que Pereira foi seu motorista até ser exonerado em dezembro, quando Novais assumiu o ministério. O texto ainda afirma que Adão dirigia o mesmo carro usado pela esposa do ex-ministro nas últimas semanas e que o carro é alugado.

O caso da governanta
Não bastasse todos os outros casos de mau uso do dinheiro público, outra notícia da Folha de S. Paulo botou em xeque a permanência de Novais no Ministério do Turismo. Ele usou a verba de gabinete parlamentar para pagar o salário de sua governanta, a empregada Doralice Bento de Sousa, 49, durante sete anos.

Ela trabalhava no apartamento de Pedro Novais em Brasília, mas recebia como secretária parlamentar. Doralice foi contrata como recepcionista por uma empresa terceirizada do Ministério do Turismo logo que Novais assumiu o ministério.

A assessoria de imprensa de Novais informou que Doralice de Sousa trabalhou até dezembro no gabinete como secretária parlamentar e a função dela era dar “apoio administrativo ao deputado e outros funcionários”.

Telefonema suspeito com Fernando Sarney
Um pouco antes da indicação de Pedro Novais para integrar o governo de Dilma, ele foi flagrado pela Polícia Federal em um suspeito telefonema com Fernando Sarney, empresário e filho de José Sarney. Novais pedia que o filho do senador usasse a tia, Nelma Sarney, para beneficiar um de seus aliados políticos na Justiça Eleitoral.
PMDB
Empresa de fachada

Pedro Novais destinou R$ 1 milhão para uma suposta empresa de fachada construir uma ponte no município de Barra Corda (MA). A liberação do recurso aconteceu quando ele era deputado federal, em 2010, por meio de apresentação de emenda ao Orçamento da União. As informações foram publicadas no jornal Folha de São Paulo, em agosto deste ano.

PSDB: a hora tardia da reflexão política

O texto de Luis Nassif, por si só vale a leitura e a reflexão. Isto feito, provavel que fomente um bom debate, ou no mínimo, conversas saudáveis. Provoca tambem exercícios diversos, decorrentes da possível substituição de atores…acho que talvez esteja vendo mais novelas do que deveria…me vi pensando no nobre primeiro casal de…bobagem… afinal eles não são tucanos…ou são? Vamos ao texto.

Boa leitura.

Enviado por luisnassif,

Por mais que tente analisar, não consigo ver futuro no PSDB. Haverá o PSDB de Alckmin e o de Aécio, mas não o PSDB nacional, como alternativa de pensamento e poder.

O que Leôncio coloca em sua entrevista é uma espécie de neossebastianismo intelectual: um cavaleiro que surgirá no horizonte no seu cavalo branco, armado de ideias e de liderança, ou quem sabe um El Cid Campeador, e ressuscitará o partido.

Não é assim.

Embora não tivesse militância, como o PT, o PSDB que chegou ao Real era fruto de circunstâncias históricas únicas. Eram os combatentes da ditadura que, em determinado momento, fugiram do fisiologismo do PMDB.

Naquelas circunstâncias, o partido passou a ganhar adeptos na sociedade civil. Não apenas a mídia, sua maior aliada, mas setores modernos, de diversos segmentos econômicos e sociais.

No meu livro “Os Cabeças de Planilha” escrevo sobre vários temas de modernização, sementes plantadas nos anos 80 e 90, que começam a florescer nos anos 90. A questão da descentralização, do estado enxuto (porém forte), dos programas de qualidade, da inovação, a herança da Constituinte, criando cidadãos, definindo recursos obrigatórios para saúde e educação etc.

FHC tornou-se o receptador automático de todas essas ideias, porque, depois dos problemas dos governos Sarney, Collor e Itamar, pela primeira vez parecia-se ter um governo racional. Para ele convergiram as esperanças dos setores racionais do país, segmentos técnicos, universitários, pessoal de inovação, gestão, saúde, meio ambiente, novas ONGs desenvolvendo tecnologias sociais.

A visão do Leôncio – de que ideias brotam do nada – é inexplicável para alguém que era apresentado como do exército intelectual de FHC. A rigor, FHC não desenvolveu um só tema modernizante. Limitou-se a ficar em estado de êxtase com o sucesso do real, repetindo bobagens como “uma nova Renascença chegando”, sem conseguir coordenar o exército que se apresentava.

Esse momento, mágico, único, foi jogado fora por FHC e mais ainda por esse enorme blefe chamado José Serra.

Quando Serra foi eleito, escrevi um artigo dizendo que ou ele rompia com o fernandismo e inaugurava o serrismo (modo de dizer que seria fundamental a reciclagem de ideias no PSDB) ou desapareceria. Ele me ligou e disse que era amigo de FHC e jamais romperia com ele. Eu falando de princípios programáticos e ele pensava nas relações pessoais – típicas do compadrio da tradição social e política brasileira mais atrasada.

Até pouco tempo atrás, eram tucanas as melhores cabeças na área de inovação e universidade. Geraldo Alckmin jamais conseguiu aproveitá-las, por não ter visão sobre o tema. Quando Serra entrou, imaginei que faria uma revolução na economia paulista, trazendo as ideias desses quadros. Que nada! Um dia encontrei um dos principais militantes da inovação, serrista de primeira hora. Perguntei: e aí? E ele: não dá, o homem tem raiva da Universidade.

Até 2002, o PT não tinha conseguido se apossar ainda de nenhuma das bandeiras modernizantes. Mas tinha a bandeira mais forte: o aprofundamento das políticas sociais, a reação contra a fome e a miséria, resultantes óbvias do processo de cidadania deflagrado pela Constituinte e da extraordinária insensibilidade social no discurso público de FHC.

Agora se entra em novo tempo político e econômico em que se percebe o desenvolvimento como algo sistêmico. E o PSDB ingressa sem votos, sem quadros e sem a menor condição de ser o receptador das novas ideias: todas ficaram com os governos Lula e Dilma, na passagem do PT de oposição a governo.

Inovação? O Ministério de Ciências e Tecnologia de Sergio Rezende e Aluizio Mercadante levaram os melhores quadros. Gestão? Dilma é a gestora e tem como assessor de luxo Jorge Gerdau. Desenvolvimentismo? Os irmãos Mendonça de Barros tentaram lançar a bandeira, quando montaram sua revista mas não houve nenhuma repercussão nas hostes tucanas. Hoje os desenvolvimentistas estão no governo Dilma.

E Dom Sebastião FHC fala genericamente em conquistar a nova classe média que está se formando. Conquistar como? No gogó?

Essa conquista, a formação de princípios programáticos se dá na prática, na criação de políticas específicas que tragam resultados. É essa soma de ideias, em cada setor, que comporá o desenho final de partido. Não há necessidade de formulações abstratas. O que se exige é clareza sobre algumas ideias básicas, que ajudem e consolidar a percepção geral sobre o partido, mas apenas após aparecerem resultados dessas políticas específicas.

E quais são as ideias-forças atuais? Inclusão social, o sonho do suposto destino manifesto de grande potência, a transição do modelo financista para o desenvolvimentista (sem abrir mão dos benefícios de um mercado de capitais desenvolvido), a integração regional, o aprimoramento da gestão pública.

O PT ampliado  tem as bandeiras, os quadros técnicos, a militância.

E alguém acha que um partido de proveta como o PSD irá conseguir repetir a saga do velho PSDB? E alguém acha que o PSDB atual conseguirá renascer das cinzas em circunstâncias que nada têm mais a ver com as que motivaram sua criação?

No período de abundância o partido não criou quadros, não criou militância, não criou um modo de governar. Era um caciquismo permanente e a arrogância de quem se julgava portador das grandes verdades. Não será agora, dividido, sem ideias, sem militância, que conseguirá.

Como disse José Sarney antes das eleições, a nova oposição sairá das entranhas da situação.

A consolidação da decadência: o PT e o governo Roseana Sarney

Por Bruno Rogens*

 

Na foto Whasington, Roseana e Raimundo Monteiro

 

 

Concluída a composição do governo Roseana Sarney se confirma aquilo que alentávamos já em outros artigos. Consolida-se o processo de reestruturação do poder oligárquico no Maranhão sob a benção do Lulismo. Recairá sobre os ombros de historiadores a análise do significado político do apoio do talvez, maior presidente que o país já teve, à reestruturação da mais moribunda oligarquia política do país. Nem tudo serão flores para essa análise futura. O atual governo não difere em nada do que significou politicamente os 8 anos de governo Roseana na década de 90. Àquele tempo Roseana era filiada ao PFL e apoiava o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. O atual governo começa sob a hegemonia conservadora do DEM, do personalismo roseanista, do fisiologismo dos partidos nanicos, e do apoio oportunista à ocupante do Palácio do Planalto. A única diferença é a participação de Whashington Oliveira na cadeira de vice-governador.

Não se pode afirmar literalmente que o PT esteja no governo roseana. A grande maioia dos diretórios, das lideranças e dos militantes fizeram campanha para Flávio Dino do PC do B nas eleições de 2010. Whashington levou cartorialmente o PT do Maranhão ao rearranjo oligárquico sob a benção do Diretório Nacional do PT, do Lulismo e da presidente eleita Dilma, mas não sob a anuência de milhares e milhares de petistas maranhenses que não concordam em hipótese alguma com a rendição incondicional à oligarquia. Não há legitimidade sob a condição oficial da participação do partido no atual governo. Foram fundamentais para a consolidação da atual situação do partido no Maranhão os interesses nacionais e a fragilidade institucional do partido no Maranhão que ficou refém do personalismo de Whashington e das consequentes benesses do apoio à oligarquia.

Mas vejamos o que a CNB-Ma afirmava  por ocasião do PED de 2009:

Sobre a queda de Jackson lago: “O retorno da velha ordem, recebida melancolicamente e sem euforia pelo povo, bem como a queda do consórcio tucano-pedetista, também pelo povo não lamentada, configura o esgotamento dos dois projetos e o limiar da transição por que passa o Maranhão na busca do seu verdadeiro destino, à partir da exploração correta de suas possibilidades”.

Sobre a composição do governo Jackson: “Ainda que a formatação do governo sinalizasse a contradição entre a fala e a prática, haja vista os postos subalternos e periféricos reservados para a esquerda na estrutura de poder, (…)”

Essas são citações da tese da CNB-Ma inscrita no PED, e foi com essa tese que a CNB pediu votos e elegeu Raimundo Monteiro presidente estadual, que menos de um ano mais tarde posaria envergonhadamente na famosa entrega da camisa do PT à Roseana Sarney na briga pelo controle dos delegados petistas pela definição da posição do partido nas eleições. Interessante notar que a CNB-Ma falava em transição e esgotamento dos dois projetos em curso, o oligárquico e o pretensamente libertador jacksista e menos de um ano depois estava rasgando a tese, jogando-a no lixo, cometendo estelionato eleitoral com os eleitores do PED e fazendo envergonhadamente campanha para Roseana Sarney.

Para instigar o imaginação do leitor petista pergunto: por que a CNB-Ma fala em transição e esgotamento do poder oligárquico e na campanha eleitoral faz campanha envergonhadamente para a oligarquia? Eles estavam lá a contragosto? À mando de quem eles faziam esse verdadeiro ato de traição aos ideais de fundação do PT e dos valores da esquerda? Amilhados agora na periferia da periferia do governo oligárquico o que Whashington Oliveira “vai contar lá em casa?” O pobre Maranhão vem pagando um alto preço pela governabilidade do projeto nacional.

A Articulação de Esquerda do Maranhão conclama a união das forças políticas do PT do Maranhão, incluindo valorosos companheiros da CNB-Ma para fazer oposição ao governo Roseana Sarney, para defender um PT vinculado aos movimentos sociais, populares, à intelectualidade engajada, à juventude de luta, para a construção de um polo político de esquerda no Estado que defenda o governo Dilma, o liberte das forças conservadoras da coalizão, e o faça avançar para a consecução de reformas estruturais fundamentais para a continuidade do projeto de mudanças iniciado sob o governo Lula.

*Bruno Rogens é professor e militante da Articulação de Esquerda no Maranhão

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