Irã ironiza repressão britânica a distúrbios (via @_ihu)

O Reino Unido, que tantas vezes criticou o Irã por reprimir manifestantes, mostrou-se incapaz de responder a protestos populares sem recorrer à violência.

A alfinetada é de Ali Ahani, vice-chanceler do Irã responsável por Europa e América, que foi recebido em Brasília na última terça-feira por representantes do governo.

Ele negou o esfriamento das relações com o Brasil sob Dilma Rousseff e admitiu implicitamente que Teerã financia mesquitas brasileiras.

A entrevista é de Samy Adghirni e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 13-08-2011.

Eis a entrevista.

Não é irônico o Irã criticar o Reino Unido pela repressão aos protestos haja visto que o governo iraniano silenciou à força os manifestantes após a eleição de 2009?

O Reino Unido adotou várias vezes posições sobre o Irã que foram injustas. Os britânicos sempre quiseram nos dar lições sobre como respeitar os direitos humanos. E agora são eles que estão às voltas com protestos. Vimos na TV imagens de muita violência, é preocupante. Pedimos ao Reino Unido que aja com moderação.

Por que o Irã apoia os protestos árabes mas se posiciona a favor do governo na Síria?

No Egito e no Bahrein, por exemplo, os protestos foram pacíficos e acabaram reprimidos com violência. Na Síria as manifestações são agressivas. Mais de 1.500 policiais foram mortos. Sabemos que os elementos por trás dos protestos recebem ajuda externa. É nítida a intervenção do Mossad [serviço secreto israelense].

O voto do Brasil na ONU condenando abusos do Irã é um sinal de esfriamento bilateral?

Não sentimos nenhuma mudança de clima nas conversas que temos com o governo brasileiro. Já transmitimos nossas ressalvas ao voto do Brasil [no Conselho de Direitos Humanos da ONU] de forma honesta e franca. Divergências acontecem até entre familiares.

O que responde às alegações de que o Irã propaga o islã no Brasil?

O Irã é um país islâmico, e há receptividade no Brasil ao conhecimento sobre o islã. Não deveria existir nenhuma preocupação em relação a isso num contexto democrático no qual cada um pode escolher suas crenças.

O Irã fornece ajuda financeira a mesquitas no Brasil?

Não tenho informações precisas a esse respeito. Mas caso exista essa ajuda, ela é transparente e ocorre no âmbito da cooperação cultural. A colaboração com o Brasil abrange as áreas acadêmica, científica, cultural etc.

Como anda a reaproximação do Irã com a Argentina, afetadas pelos atentados de Buenos Aires nos anos 90?

Há obstáculos, por parte de autoridades jurídicas argentinas, para impedir que a realidade venha à tona. Desde o início acusaram diplomatas iranianos, o que é infundado. Neste ano, condenamos a tragédia e apresentamos nossa solidariedade às vítimas. Também nos oferecemos para cooperar na busca pelos culpados. Esse assunto prejudicou nossas relações com a Argentina, hoje o único país da região em que estamos representados em nível de encarregado de negócios e não de embaixador. Em breve voltaremos a ter embaixadores.

Wikileaks: Na campanha eleitoral de 2010 Serra promete fidelidade canina aos EUA

by mariafro

O telegrama traduzido ao final deste post é de 29/12/2009, esses embaixadores estadunidenses fofoqueiros não descansam nem durante as festas!

Por meio dele podemos constatar a subserviência do ex-governador de São Paulo, José Serra que, à época, era o pré-candidato tucano às eleições de 2010.

Indigna-nos, mas não nos surpreende, a subserviência de José Serra aos EUA.  No encontro privado que ocorreu dentro do Palácio dos Bandeirantes com o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA, Arturo Valenzuela, José Serra chorou as pitangas sobre a falta de recursos para a campanha, dizendo que  o PSDB é um partido ‘pobre’, e mesmo sem muita fé de que venceria as eleições comprometeu-se, caso fosse eleito, a conduzir a política exterior do Brasil mais afinada com os EUA.

O comentário feito no item 9 é imperdível. Até mesmo os representantes do governo dos EUA reconheceram que Serra é mal informado e deixam claro que o ciúmes de Serra em relação ao presidente Lula é quase patológico.

Mas Serra não está sozinho em sua postura subserviente: Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Jose Goldemberg, também não pouparam críticas à política externa bastante independente de Celso Amorim, durante o governo Lula, que projetou o Brasil no cenário internacional.

As falas de Goldemberg causam vergonha alheia. Ele se mostra feliz com a tentativa dos EUA de dar as cartas na política externa brasileira; é fã incondicional de Hillary Clinton e todas as performances elogiadas internacionalmente do governo Lula são desaprovadas por Goldemberg. Merece troféu cão fiel dos EUA, vendilhão da pátria.

Outro detalhe interessante deste telegrama é a presença do ombudman da Folha de São Paulo.

Caros leitores, expliquem-me a presença de um ombdsman numa reunião desta natureza. Como diria PHA: é o PIG, a expressão mais fiel dos tucanos, numa reunião tucana com representantes do governo dos EUA para que possam mostrar sua fidelidade canina aos EUA.

Você pode ter acesso ao original deste (veja cablegate de nº 21 assinado por White) e dos demais telegramas do wikileaks sobre as eleições de 2010 ( em inglês) acessando este link.

WikiLeaks

241953/12/29/2009/ 16:5309SAOPAULO667/Consulate Sao Paulo/CONFIDENTIAL
Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.A íntegra do telegrama não está disponível

ASSUNTO: Em São Paulo, líderes políticos expõem preocupações sobre o governo do Brasil ao Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela

1. (C) RESUMO: No trecho final de sua visita de uma semana ao Cone Sul, o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela encontrou-se com figuras expressivas da política local e observadores econômicos em São Paulo, os quais manifestaram preocupações com a política externa do Brasil, gastos públicos e manobras políticas com vistas às eleições de outubro de 2010.

Em encontro posterior, privado, com AV [Arturo Valenzuela], o governador de São Paulo, que está na dianteira das pesquisas de intenção de voto Jose Serra alertou para o fato de que a radicalização e a corrupção crescem no Partido dos Trabalhadores (PT), no governo e sugeriu que, como presidente, conduzirá política exterior mais afinada com os EUA. FIM DO RESUMO.

Em Sao Paulo, observadores políticos e econômicos

2. (C) Concluindo sua visita à região com rápida passagem por SP no sábado, dia 18/12, Arturo Valenzuela participou de almoço oferecido pelo Cônsulo Geral e nove especialistas e observadores políticos e econômicos, entre os quais o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Jose Goldemberg. Valenzuela apresentou panorama genérico de sua viagem e destacou a alta prioridade que o governo dos EUA dá ao relacionamento bilateral. Identificou a cooperação com o Brasil em questões regionais, inclusive Honduras, como tendo “importância crítica”.

3. (C) Todos os convidados brasileiros criticaram a política exterior do governo Lula, manifestaram preocupações sobre a crescente radicalização do Partido dos Trabalhadores e destacaram a deterioração das contas públicas. O ex-ministro RE descreveu a posição do Brasil em relação ao Irã como “o pior erro” da política exterior de Lula. O embaixador Barbosa citou o papel do Brasil em Honduras como grande fracasso. Todos criticaram a atenção que o Brasil está dando em questões internacionais com as quais o Brasil pouco tem a ver e nada a fazer (Irã, conflito Israel-palestinos, Honduras etc.), ao mesmo tempo em que se ignoram questões mais próximas, inclusive as relações com o Mercosul.

4. (C) Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente da empresa Brazilian Center for International Relations (CEBRI) e o professor Goldemberg questionaram especialmente o interesse no Irã, dado o pequeno volume de negócios e pobres perspectivas comerciais e a improbabilidade de qualquer cooperação nuclear. [NOTA: Em conversa particular com o encarregado, Goldemberg, que também é renomado físico nuclear, disse que o Brasil nada tem a oferecer ao Irã, no campo dos combustíveis nucleares, dado que o Irã está muito a frente do Brasil na campacidade para centrifugar. Além disso, registrou que muito apreciou recente advertência da secretária Clinton, sobre países que estejam trabalhando muito próximos do Irã. E que o Brasil deveria levar mais a sério aquela advertência. FIM DA NOTA.]

O assessor-secretário Valenzuela destacou que um Irã, cada dia mais isolado, está à caça de qualquer oportunidade, como a que o governo Lula lhe deu, para esconder a ausência de cooperação e a impopularidade na comunidade internacional.

5. (C) No plano doméstico, os participantes brasileiros explicaram a estratégia do PT de tornar as próximas eleições nacionais um referendum para o governo Lula, que será apresentado como avanço em relação do governo de Cardoso. E todos alertaram para a intenção do PT, de conduzir campanha agressiva. Essa via, disseram todos, pode conseguir apresentar Jose Serra como candidato de Cardoso e ajudará a transferir uma parte da popularidade de Lula para Dilma Rousseff – que jamais concorreu a cargo público e até agora tem mostrado pouco carisma como candidata.

O Ombudsman da Folha de Sao Paulo (sic) Carlos Eduardo Lins da Silva, também presente, destacou que o PT terá força econômica que jamais teve antes, para a campanha eleitoral, depois de oito anos de governo. E o cientista político Bolivar Lamounier disse que um PT cada dia mais radical provavelmente fará campanha negativa contra a oposição. O ombudsman da Folha de Sao Paulo, Lins da Silva, acrescentou que, no caso de o PT não vencer as eleições presidenciais de 2010, com certeza usará a riqueza recém adquirida para trabalha como oposição agressiva.

6. (C) Economicamente, Teixeira da Costa disse que a percepção pública sobre o Brasil estava sendo super otimista e que os mercados despencarão rapidamente, caso a situação internacional se deteriore. Ricardo Sennes, Diretor de negócios internacionais da empresa de consultoria Prospectiva, concordou com a avaliação e disse que as contas públicas estão sob forte e crescente stress. Que a economia brasileira continuava a ser não competitiva no longo prazo, por causa da fraca infraestrutura, alta carga tributária e políticas trabalhistas rígidas. Mas todos concordaram que a forte performance da economia brasileira nos últimos oito anos e a recuperação pós-crise econômica global ajudarão na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Sobre o papel de destaque que o Brasil teve na recente Conferência sobre o Clima, em Conference (COP-15), o professor Goldemberg disse que a performance do presidente Lula foi medíocre. E fez piada, dizendo que o Brasil deixou em Copenhague a impressão de que o Brasil desenvolveu-se muito nas duas últimas semanas. Mas elogiou muito a apresentação da secretária Clinton e disse que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos (não como no G-77) para conseguir fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

O governador de São Paulo, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais

7. (C) Em encontro de 90 minutos, privado, no Palácio do Governo, Jose Serra disse praticamente a mesma coisa sobre tendências da política nacional, corrupção crescente, gastos públicos e política externa.

Serra contou ao secretário-assessor Valenzuela que o Partido dos Trabalhadores está fazendo todos os esforços para construir uma base de poder de longo prazo, agora que conseguiu chegar ao governo. Serra alertou que o Brasil está alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e a coalizão que o apóia usam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Por isso, e porque seu partido (PSDB), segundo o governador, é partido relativamente mais pobre, Serra não pareceu muito firmemente convencido de que chegará à presidência em outubro de 2010.

8. (C) Além de toda a política doméstica, Serra criticou a política externa do governo Lula e sugeriu que, se eleito, dará ao Brasil direção mais internacionalista. Serra citou Honduras como exemplo específico de fracasso do governo Lula, culpando o governo brasileiro e o presidente Zelaya por não deixarem que se construa solução viável. E falou muito positivamente de seu próprio engajamento, em questões de clima, com o estado da California, como exemplo de oportunidade para trabalho conjunto em questões complexas. Mas, reiterando a posição que tem assumido publicamente, Serra criticou a tarifa que os EUA impuseram ao etanol importado do Brasil, a qual, para ele, seria economicamente ilógica.

9. (C) Sobre o crescente populismo na região, Serra disse que a presidente da Argentina Cristina Kirchner pareceu-lhe “cordial e esperta” e sugeriu que, se o governo dos EUA está preocupado com as políticas populistas de Kirchner, muito mais preocupado ficará com a candidata Dilma Rousseff do PT. Alertou também que as referências que o governo dos EUA tem feito sobre uma “relação especial” com o presidente Lula não soa bem em todos os segmentos no Brasil e pode ser manipulada pelo PT. [COMENTÁRIO: À parte a Argentina, Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no cone sul, inclusive sobre a situação política do presidente Lugo do Paraguai, parecendo imerso, principalmente na política brasileira provinciana. FIM DO COMENTÁRIO.]

No final, Serra disse que está trabalhando em vários artigos para jornal, nos quais articulará suas críticas à política externa do governo Lula, a serem publicados nos próximos meses.

Amorim responde a Jobim: Brasil não é subserviente.

Amorim não é subserviente

 
A propósito da espantosa relação privativa do ministro da defesa (dos EUA), Nelson Jobim, clique aqui para ler “Escandalo”, o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, transmitiu a este ordinário blogueiro a seguinte reação (a reprodução não é literal):

Não há sentimento anti-americano na política externa brasileira.

Não é essa a percepção de altos funcionários do Governo americano, desde Bush.

Há inúmeros exemplos de estreita colaboração entre o Brasil e os Estados Unidos.

Na Organização Mundial do Comércio, OMC, e no Haiti.

A política externa brasileira não é subserviente.

O Brasil não vai concordar sempre com os Estados Unidos.

Isso é natural.

O Ministro Celso Amorim está em Nova York, para receber o prêmio da respeitada revista Foreign Policy, que considerou Celso Amorim a sexta personalidade mundial com pensamento capaz de influir nos destinos do mundo.

Ele participa, também, de um debate sobre o papel dos países emergentes no mundo multi-polar, promovido pelo respeitado Centro de Estudos Carnegie Endownment para a Paz Internacional.

Clique aqui para ler também a resposta do Ministro Samuel Pinheiro Guimarães ao escandaloso comportamento do ministro da defesa.

Este ordinário blog aguarda a resposta feita ao próprio ministro Jobim: o senhor vai se demitir ?

Em tempo: a assessora do Ministro Amorim preferiu não responder a uma pergunta deste ordinário blogueiro: o Ministro Amorim fala mal do Ministério da Defesa nas conversas privativas com o embaixador americano em Brasília ?

Paulo Henrique Amorim

Fonte: http://www.conversaafiada.com.br

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