Wikileaks: Na campanha eleitoral de 2010 Serra promete fidelidade canina aos EUA

by mariafro

O telegrama traduzido ao final deste post é de 29/12/2009, esses embaixadores estadunidenses fofoqueiros não descansam nem durante as festas!

Por meio dele podemos constatar a subserviência do ex-governador de São Paulo, José Serra que, à época, era o pré-candidato tucano às eleições de 2010.

Indigna-nos, mas não nos surpreende, a subserviência de José Serra aos EUA.  No encontro privado que ocorreu dentro do Palácio dos Bandeirantes com o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA, Arturo Valenzuela, José Serra chorou as pitangas sobre a falta de recursos para a campanha, dizendo que  o PSDB é um partido ‘pobre’, e mesmo sem muita fé de que venceria as eleições comprometeu-se, caso fosse eleito, a conduzir a política exterior do Brasil mais afinada com os EUA.

O comentário feito no item 9 é imperdível. Até mesmo os representantes do governo dos EUA reconheceram que Serra é mal informado e deixam claro que o ciúmes de Serra em relação ao presidente Lula é quase patológico.

Mas Serra não está sozinho em sua postura subserviente: Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Jose Goldemberg, também não pouparam críticas à política externa bastante independente de Celso Amorim, durante o governo Lula, que projetou o Brasil no cenário internacional.

As falas de Goldemberg causam vergonha alheia. Ele se mostra feliz com a tentativa dos EUA de dar as cartas na política externa brasileira; é fã incondicional de Hillary Clinton e todas as performances elogiadas internacionalmente do governo Lula são desaprovadas por Goldemberg. Merece troféu cão fiel dos EUA, vendilhão da pátria.

Outro detalhe interessante deste telegrama é a presença do ombudman da Folha de São Paulo.

Caros leitores, expliquem-me a presença de um ombdsman numa reunião desta natureza. Como diria PHA: é o PIG, a expressão mais fiel dos tucanos, numa reunião tucana com representantes do governo dos EUA para que possam mostrar sua fidelidade canina aos EUA.

Você pode ter acesso ao original deste (veja cablegate de nº 21 assinado por White) e dos demais telegramas do wikileaks sobre as eleições de 2010 ( em inglês) acessando este link.

WikiLeaks

241953/12/29/2009/ 16:5309SAOPAULO667/Consulate Sao Paulo/CONFIDENTIAL
Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.A íntegra do telegrama não está disponível

ASSUNTO: Em São Paulo, líderes políticos expõem preocupações sobre o governo do Brasil ao Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela

1. (C) RESUMO: No trecho final de sua visita de uma semana ao Cone Sul, o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela encontrou-se com figuras expressivas da política local e observadores econômicos em São Paulo, os quais manifestaram preocupações com a política externa do Brasil, gastos públicos e manobras políticas com vistas às eleições de outubro de 2010.

Em encontro posterior, privado, com AV [Arturo Valenzuela], o governador de São Paulo, que está na dianteira das pesquisas de intenção de voto Jose Serra alertou para o fato de que a radicalização e a corrupção crescem no Partido dos Trabalhadores (PT), no governo e sugeriu que, como presidente, conduzirá política exterior mais afinada com os EUA. FIM DO RESUMO.

Em Sao Paulo, observadores políticos e econômicos

2. (C) Concluindo sua visita à região com rápida passagem por SP no sábado, dia 18/12, Arturo Valenzuela participou de almoço oferecido pelo Cônsulo Geral e nove especialistas e observadores políticos e econômicos, entre os quais o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Jose Goldemberg. Valenzuela apresentou panorama genérico de sua viagem e destacou a alta prioridade que o governo dos EUA dá ao relacionamento bilateral. Identificou a cooperação com o Brasil em questões regionais, inclusive Honduras, como tendo “importância crítica”.

3. (C) Todos os convidados brasileiros criticaram a política exterior do governo Lula, manifestaram preocupações sobre a crescente radicalização do Partido dos Trabalhadores e destacaram a deterioração das contas públicas. O ex-ministro RE descreveu a posição do Brasil em relação ao Irã como “o pior erro” da política exterior de Lula. O embaixador Barbosa citou o papel do Brasil em Honduras como grande fracasso. Todos criticaram a atenção que o Brasil está dando em questões internacionais com as quais o Brasil pouco tem a ver e nada a fazer (Irã, conflito Israel-palestinos, Honduras etc.), ao mesmo tempo em que se ignoram questões mais próximas, inclusive as relações com o Mercosul.

4. (C) Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente da empresa Brazilian Center for International Relations (CEBRI) e o professor Goldemberg questionaram especialmente o interesse no Irã, dado o pequeno volume de negócios e pobres perspectivas comerciais e a improbabilidade de qualquer cooperação nuclear. [NOTA: Em conversa particular com o encarregado, Goldemberg, que também é renomado físico nuclear, disse que o Brasil nada tem a oferecer ao Irã, no campo dos combustíveis nucleares, dado que o Irã está muito a frente do Brasil na campacidade para centrifugar. Além disso, registrou que muito apreciou recente advertência da secretária Clinton, sobre países que estejam trabalhando muito próximos do Irã. E que o Brasil deveria levar mais a sério aquela advertência. FIM DA NOTA.]

O assessor-secretário Valenzuela destacou que um Irã, cada dia mais isolado, está à caça de qualquer oportunidade, como a que o governo Lula lhe deu, para esconder a ausência de cooperação e a impopularidade na comunidade internacional.

5. (C) No plano doméstico, os participantes brasileiros explicaram a estratégia do PT de tornar as próximas eleições nacionais um referendum para o governo Lula, que será apresentado como avanço em relação do governo de Cardoso. E todos alertaram para a intenção do PT, de conduzir campanha agressiva. Essa via, disseram todos, pode conseguir apresentar Jose Serra como candidato de Cardoso e ajudará a transferir uma parte da popularidade de Lula para Dilma Rousseff – que jamais concorreu a cargo público e até agora tem mostrado pouco carisma como candidata.

O Ombudsman da Folha de Sao Paulo (sic) Carlos Eduardo Lins da Silva, também presente, destacou que o PT terá força econômica que jamais teve antes, para a campanha eleitoral, depois de oito anos de governo. E o cientista político Bolivar Lamounier disse que um PT cada dia mais radical provavelmente fará campanha negativa contra a oposição. O ombudsman da Folha de Sao Paulo, Lins da Silva, acrescentou que, no caso de o PT não vencer as eleições presidenciais de 2010, com certeza usará a riqueza recém adquirida para trabalha como oposição agressiva.

6. (C) Economicamente, Teixeira da Costa disse que a percepção pública sobre o Brasil estava sendo super otimista e que os mercados despencarão rapidamente, caso a situação internacional se deteriore. Ricardo Sennes, Diretor de negócios internacionais da empresa de consultoria Prospectiva, concordou com a avaliação e disse que as contas públicas estão sob forte e crescente stress. Que a economia brasileira continuava a ser não competitiva no longo prazo, por causa da fraca infraestrutura, alta carga tributária e políticas trabalhistas rígidas. Mas todos concordaram que a forte performance da economia brasileira nos últimos oito anos e a recuperação pós-crise econômica global ajudarão na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Sobre o papel de destaque que o Brasil teve na recente Conferência sobre o Clima, em Conference (COP-15), o professor Goldemberg disse que a performance do presidente Lula foi medíocre. E fez piada, dizendo que o Brasil deixou em Copenhague a impressão de que o Brasil desenvolveu-se muito nas duas últimas semanas. Mas elogiou muito a apresentação da secretária Clinton e disse que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos (não como no G-77) para conseguir fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

O governador de São Paulo, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais

7. (C) Em encontro de 90 minutos, privado, no Palácio do Governo, Jose Serra disse praticamente a mesma coisa sobre tendências da política nacional, corrupção crescente, gastos públicos e política externa.

Serra contou ao secretário-assessor Valenzuela que o Partido dos Trabalhadores está fazendo todos os esforços para construir uma base de poder de longo prazo, agora que conseguiu chegar ao governo. Serra alertou que o Brasil está alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e a coalizão que o apóia usam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Por isso, e porque seu partido (PSDB), segundo o governador, é partido relativamente mais pobre, Serra não pareceu muito firmemente convencido de que chegará à presidência em outubro de 2010.

8. (C) Além de toda a política doméstica, Serra criticou a política externa do governo Lula e sugeriu que, se eleito, dará ao Brasil direção mais internacionalista. Serra citou Honduras como exemplo específico de fracasso do governo Lula, culpando o governo brasileiro e o presidente Zelaya por não deixarem que se construa solução viável. E falou muito positivamente de seu próprio engajamento, em questões de clima, com o estado da California, como exemplo de oportunidade para trabalho conjunto em questões complexas. Mas, reiterando a posição que tem assumido publicamente, Serra criticou a tarifa que os EUA impuseram ao etanol importado do Brasil, a qual, para ele, seria economicamente ilógica.

9. (C) Sobre o crescente populismo na região, Serra disse que a presidente da Argentina Cristina Kirchner pareceu-lhe “cordial e esperta” e sugeriu que, se o governo dos EUA está preocupado com as políticas populistas de Kirchner, muito mais preocupado ficará com a candidata Dilma Rousseff do PT. Alertou também que as referências que o governo dos EUA tem feito sobre uma “relação especial” com o presidente Lula não soa bem em todos os segmentos no Brasil e pode ser manipulada pelo PT. [COMENTÁRIO: À parte a Argentina, Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no cone sul, inclusive sobre a situação política do presidente Lugo do Paraguai, parecendo imerso, principalmente na política brasileira provinciana. FIM DO COMENTÁRIO.]

No final, Serra disse que está trabalhando em vários artigos para jornal, nos quais articulará suas críticas à política externa do governo Lula, a serem publicados nos próximos meses.

PIG – A Folha não consegue disfarçar que se utiliza de um tipo de jornalismo nada ético para tentar desqualificar a participação de empresas chinesas (talvez porque sejam “amarelas”) em grandes projetos de infra-estrutura no Brasil.

Resposta de Wladimir Pomar à Folha

5 julho 2010

 

Entrevista jornalística ou ação de desqualificação na disputa do trem-bala?

A pedido do jornalista Ricardo Balthazar, da Folha de São Paulo, concedi uma entrevista a respeito do aumento dos investimentos chineses no Brasil e o que isso pode representar de positivo para o processo de industrialização do país.

No final da entrevista, o jornalista perguntou se eu era sócio da empresa ATL, cujo principal executivo é Marco Pólo Moreira Leite. Expliquei que conhecia a empresa e Marco Pólo, e que havia contribuído profissionalmente para a constituição dessa trading, mas que não era sócio dela. Embora o jornalista da Folha tenha escrito, de passagem, que eu me retirei da ATL “pouco depois da criação”, todo o seu texto está voltado para demonstrar que “os dois trabalham juntos…, abrindo portas no Brasil para um punhado de gigantes estatais chineses que querem entrar no Brasil”.

A rigor, isso não teria importância alguma para o texto jornalístico, a não ser que o objetivo seja associar a ação de um empresário apolítico, como Marco Pólo Moreira Leite, que está representando uma empresa chinesa de construção e transporte ferroviário, disposta a participar da concorrência do trem-bala, com um “ex-dirigente do PT”. Afinal, como diz o texto em vários pontos, este ex-dirigente “participou da fundação do PT”, “foi coordenador da primeira campanha presidencial de Lula, em 1989”, “é amigo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, tem a vantagem de “uma vasta rede de relacionamento”, “recebeu dinheiro do governo para realizar seminários promovendo o comércio o Brasil e a China”, participou “da organização da primeira visita de Lula à China, em 2004”, e “apresentou à então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, o grupo Citic”, que depois foi contratado pela Eletrobrás “para construir uma usina termelétrica em Candiota (RS)”.

 Disperso pelo texto, este conjunto de assertivas, algumas das quais inverídicas, seria a prova provada de que “estatais (chinesas) escolhem empresa com conexões políticas para disputar projetos de infraestrutura no Brasil”, como está explicitado na chamada da matéria.

 A Folha não consegue disfarçar que se utiliza de um tipo de jornalismo nada ético para tentar desqualificar a participação de empresas chinesas (talvez porque sejam “amarelas”) em grandes projetos de infra-estrutura no Brasil. Deixado claro os motivos da Folha e de outros órgãos de imprensa para trazerem à baila minhas atividades profissionais e empresarias, convém frisar mais alguns pontos distorcidos pela reportagem da Folha:

1) Participei da formação da ATL, mas não sou sócio da mesma, embora não veja qualquer problema caso o fosse.

2) Mantenho relações de parceria, tanto com a ATL, quanto com uma série considerável de empresas brasileiras que realizam negócios com a China. E, ao que se saiba, isso não constitui qualquer tipo de ilegalidade, nem deveria ser encarado com estranheza. Por outro lado, não tenho qualquer interferência nas atividades empresariais da ATL.

 3) Me orgulho de ter sido coordenador-geral da primeira campanha presidencial de Lula e espero que ele me tenha como amigo. Por isso mesmo, evito qualquer relacionamento direto com o presidente, tendo em vista que, desde 1996, passei a me dedicar a atividades empresariais. Portanto, ao contrário do que diz o texto, jamais passou pela minha cabeça “tirar proveito” da amizade com Lula para fazer negócios, porque não faz parte da minha natureza, e também da natureza do presidente, aproveitar-se do poder “para fazer negócios”.

4) Os chineses, como os empresários de todo o mundo, valorizam a conexão com governos e querem ser apresentados para ter certeza de que seus investimentos e empreendimentos terão o aval governamental. Isso exige “ter relações com todo mundo”, independentemente do governo vigente. O repórter deu à declaração a interpretação que tinha em sua mente, não na minha.

5) É prática comum das atividades empresariais que investidores estrangeiros sejam recebidos por ministros, e mesmo pelo presidente, quando aportam recursos financeiros vultosos ao país. Portanto, ter apresentado a CITIC à ministra Dilma fez parte dessa prática e só pode ser estranha para quem queira achar pelo em casca de ovo. A CITIC ofereceu investir mais de 500 milhões de dólares na construção da usina III de Candiota, e isto era e é do interesse do Brasil.

6) Afirmei ao repórter que minha vantagem e, em certo sentido, também da ATL, consistia em ter um conhecimento mais profundo dos mercados da China e do Brasil, o que inclui uma rede de relacionamentos empresariais e institucionais em ambos os países. Ao extrair do texto o conhecimento e deixar apenas a rede de relacionamentos, o repórter da Folha procura induzir o leitor a uma conclusão ambígua.

7) Em nenhum momento recebi “dinheiro do governo” para fazer o que quer que fosse. As Exposições brasileiras realizadas na China, em 2004 e 2006, coordenadas por mim, foram realizadas com recursos, tanto de empresas privadas, quanto estatais, com as devidas prestações de contas. Não participei da “organização da primeira visita de Lula à China, em 2004”. Apenas participei como mais um dos mais de 400 empresários presentes.

Finalmente, algo que declarei ao repórter, e vai além das frases de que “a China tem dinheiro e tecnologia” e, “em vez de ficar com medo, o Brasil deveria ter políticas para atrair esses investimentos”. Este é o momento do Brasil exercitar sua capacidade de orientar os investimentos estrangeiros, não só os chineses, para as áreas estratégicas de desenvolvimento tecnológico e adensamento das cadeias produtivas industriais.

Se chineses têm interesse em minérios e outras matérias primas, o Brasil deveria exigir que eles agregassem à exploração dessas matérias-primas vários processos de industrialização, de modo a agregar valor aos produtos e ampliar a base industrial do país.

Este é um dos segredos da China nos últimos 30 anos. Não custa nada copiá-los para alcançar desenvolvimento idêntico. Com a vantagem de que eles não podem reclamar por estarmos exigindo o mesmo que exigiram dos demais quando abriram seu mercado aos investimentos estrangeiros.

Wladimir Pomar


Leia a seguir a matéria publicada na Folha São Paulo,

 domingo, 04 de julho de 2010

Grupos chineses se associam a ex-dirigente do PT

Estatais escolhem empresa com conexões políticas para disputar projetos de infraestrutura no Brasil

Alvos de investidores incluem o trem-bala, a hidrelétrica de Belo Monte e os campos de petróleo do pré-sal

RICARDO BALTHAZAR

 DE SÃO PAULO

Na parede atrás da mesa de trabalho do consultor de empresas Wladimir Pomar, há uma fotografia que mostra seu pai apertando a mão do primeiro-ministro chinês Chu En-lai ao final de um encontro político, em 1971.

 O empresário Marco Polo Moreira Leite faz negócios com a China desde a década de 90, quando procurava produtos chineses para abastecer redes de varejo brasileiras e viveu perto de Pequim.

Os dois trabalham juntos hoje em dia, abrindo portas no Brasil para um punhado de gigantes estatais chineses que querem entrar no país. Uma pequena empresa de comércio exterior que eles criaram há três anos, a Asian Trade Link (ATL), representa um consórcio interessado no trem-bala que ligará São Paulo ao Rio, uma indústria que quer vender turbinas para a hidrelétrica de Belo Monte e uma empresa que está de olho no petróleo do pré-sal. “A China tem dinheiro e tecnologia”, diz Pomar. “Em vez de ficar com medo, o Brasil deveria ter políticas para atrair esses investimentos.”

Pode parecer ambição demais para uma empresa tão nova, mas Pomar e Moreira Leite têm uma vantagem que poucos possuem nesse ramo: uma vasta rede de relacionamento que ajuda a abrir caminho no Brasil e na China.

APROXIMAÇÃO

Filho de um dirigente do PCdoB que foi morto pela polícia na ditadura militar, Pomar, 74, participou da fundação do PT e é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi o coordenador da primeira campanha presidencial de Lula, em 1989.

Moreira Leite, 66, começou a trabalhar com Pomar em 2002. Lula estava prestes a assumir o poder e os amigos de Moreira Leite na China o procuraram. “Eles queriam muito se aproximar do novo governo”, diz o empresário. Pomar levou o assunto a Lula e a dupla recebeu dinheiro do governo para realizar seminários promovendo o comércio entre o Brasil e a China.

Eles participaram da organização da primeira visita de Lula à China, em 2004. Na mesma época, Pomar apresentou à então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, o grupo Citic. A Eletrobras depois o contratou para construir uma usina termelétrica em Candiota (RS). Pomar diz que evita tirar proveito de sua amizade com Lula para fazer negócios. Mas sabe como os chineses valorizam esse tipo de conexão. “Aprendi com eles que você precisa ter relações com todo mundo”, afirma Pomar.

A ATL tem 13 sócios. Entre eles, estão o ex-vice-governador de Mato Grosso do Sul Egon Krakhecke, que é do PT e hoje é secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente. Também são sócios o deputado estadual Jailson Lima, do PT de Santa Catarina, e o ex-deputado federal Luciano Zica, que deixou o PT para entrar no PV.

Os sócios da ATL investiram R$ 3 milhões para financiar as atividades da empresa. Krakhecke e Zica dizem que não acompanham seu dia a dia e nunca receberam rendimentos da ATL. Cada um entrou na sociedade com uma cota de R$ 200 mil.

Pomar e Moreira Leite negam que os outros sócios tenham sido chamados por causa de suas conexões políticas. “São apenas nossos amigos”, diz Pomar. Ele se desligou da sociedade pouco depois da criação da ATL, mas continuou fazendo negócios com Moreira Leite.

“Os chineses não têm a menor ideia de quem são os meus sócios”, afirma Moreira Leite, que preside a empresa. “Nossa relação é antiga e por isso eles confiam em mim.”

http://pagina13.org.br/?p=2996

%d blogueiros gostam disto: