Andressa indiciada complica Veja e Policarpo

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Mulher do bicheiro Carlos Cachoeira foi denunciada na última sexta-feira por corrupção ativa, porque tentou chantagear um juiz em Goiás; objeto da chantagem era reportagem que seria publicada em Veja, pelas mãos de Policarpo Júnior, um “empregado de Cachoeira”, segundo Andressa; Globo e Folha noticiaram o caso, mas protegeram Veja e Policarpo; indiciamento é argumento a mais em favor do relatório de Odair Cunha

26 de Novembro de 2012 às 05:53

 

247 – O relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG), que propõe o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, diretor de Veja, em Brasília, por formação de quadrilha, vem sendo bombardeado todos os dias pelos grandes meios de comunicação. Neste domingo, por exemplo, O Globo publicou editorial condenando o texto. Estadão e Folha já haviam feito o mesmo. Além disso, parlamentares da oposição argumentam que tanto a Polícia Federal como o Ministério Público já avaliaram os grampos das Operações Vegas e Monte Carlo e concluíram que a parceria entre Policarpo e o bicheiro Carlos Cachoeira traduz uma relação normal entre fonte e jornalista.

No entanto, um fato novo, surgido na última sexta-feira, muda o quadro. Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira, foi indiciada por corrupção ativa pela Polícia Federal por ter tentado chantagear o juiz Alderico Rocha Santos, responsável pela condução do caso. A notícia foi publicada no Globo de hoje e no portal G1, também da Globo, que protegeram tanto Veja, como Policarpo, assim como a Folha já havia feito no sábado. “Segundo relato de Rocha Santos na época, Andressa esteve em sua sala e disse que havia um dossiê contra ele, envolvendo as pessoas cujos nomes foram escritos no pedaço de papel que ela entregou ao magistrado. De acordo com ofício enviado pelo juiz ao MPF, a tentativa de constrangimento tinha como objetivo “obter decisão revogando a prisão preventiva e absolvição” de Carlinhos Cachoeira. Em troca, o suposto dossiê não seria divulgado pela imprensa”, diz a reportagem.

Ao sugerir a publicação do dossiê, Andressa não falou de forma genérica na imprensa. Ela foi específica. Disse com todas as letras que o jornalista Policarpo Júnior era “empregado de Cachoeira” (leia mais aqui) e que as denúncias contra o juiz seriam publicadas na revista Veja – e não em outro veículo. Portanto, se Andressa está indiciada, não há razões para que Policarpo não o seja. Até para que possa se explicar.

Nota e pedido de apoio sobre situação no Goiás

Prezados/as companheiros/as,

 

O companheiro Mauro Rubem é integrante do Diretório Nacional do PT e deputado estadual pelo PT de Goiás onde preside a Comissão dos Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa. O trabalho do deputado Mauro Rubem à frente desta comissão tem se destacado pela denúncia de grupos de extermínio organizados por policiais militares do estado de Goiás e pela defesa da punição de policiais militares envolvidos na Operação Sexto Mandamento deflagrada pela Polícia Federal em 2011 que prendeu diversos dirigentes da Polícia Militar mas que hoje encontram-se soltos sem que tenham sido submetidos ao julgamento necessário.

 

Por conta da ação do deputado Mauro Rubem na Comissão, já naquele momento, aconteceram ameaças a sua vida, a vida de assessores da comissão e de diversas lideranças, com o intuito de intimidar e de barrar sua atuação. Tais ameaças culminaram inclusive na necessidade de mudança para outro estado de grandes militantes em defesa dos direitos humanos, como o Padre Geraldo Labarrére e a Irmã Ana Vicenza. Nesse período surgiram novas denúncias de desaparecimentos vinculados à participação de policiais – somando 36 casos no total.

 

Hoje, a situação acirrou-se pela deflagração da Operação Monte Carlo e posteriormente CPMI no Congresso Nacional, bem como o trabalho desenvolvido pelo companheiro Mauro Rubem na CPI do que está em funcionamento na Assembleia Legislativa de Goiás, que trata desse tema.

 

A política do governo do PSDB, tendo a frente o governador Marconi Perillo, respalda e defende o tipo de segurança que impera no estado.  Governo este que praticamente lavou as mãos em relação à Operação Sexto Mandamento, e que agora na Operação Monte Carlo culmina na prisão de diversos agentes da segurança pública do estado e envolve o próprio governador em ligações com o bicheiro Carinho Cachoeira como é de conhecimento de todos e todas.

 

A situação foi ainda mais grave quando, no último período, aconteceram três atentados contra a vida de pessoas de certa influência na sociedade Goiânia, Em maio último, um comerciante que perseguia um suposto ladrão foi executado por policial militar. No início do mês de julho, logo após o almoço, o radialista Valério Luiz foi executado em plena via pública por um pistoleiro. No mesmo dia, no início da noite, o advogado David Sebba Ramalho foi executado no estacionamento de um hipermercado por equipe do serviço de inteligência da Polícia Militar, logo após deixar sua esposa na maternidade, onde seu filho nasceria quarenta minutos após o homicídio do pai. São casos que geraram grande indignação e um sentimento de desamparo na sociedade.

A situação tornou-se mais grave ainda no dia 13 de julho quando se toExernou público o conteúdo de uma carta anônima, enviada eletronicamente a vários destinatários, dentre eles a Secretaria de Segurança Pública e Justiça, Ministério Público Estadual, veículos de comunicação, e o deputado Mauro Rubem. Em breve síntese, a carta apontava que os réus nos processos da Operação Sexto Mandamento estariam abrigados no Comando de Missões Especiais (que hoje abriga vários envolvidos da operação Sexto Mandamento, e que se constitui num “supercomando” da PM Goiana) e estavam envolvidos nas últimas execuções, inclusive apontando o nome dos policiais que foram os responsáveis pelas ditas mortes.

 

Após as execuções e a posterior divulgação da carta anônima, a Comissão de Direitos Humanos presidida pelo companheiro Mauro Rubem atuou no sentido de exigir por parte do Ministério Público, da Secretaria de Segurança Pública e do próprio Governador do Estado, a apuração das denúncias apontadas na carta. Assim que nossas manifestações surgiram na imprensa, novamente o Deputado passou a receber intimidações públicas, tentando constrangê-lo. Cabe destacar, que tais constrangimentos partem daqueles que já se manifestaram publicamente contra as posições do companheiro Mauro Rubem, quando defendeu apuração dos casos de desaparecimento e mortes e execuções por parte do aparato da segurança pública. O mandato do Deputado Mauro Rubem bem como a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Goiás denunciou através de documentos à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e ao Ministério da Justiça, o estado de calamidade na área de segurança que estamos atravessando no Estado de Goiás, solicitando providências do governo federal, no sentido agir com eficiência frente às denúncias apresentadas.

 

No último dia 31 de Julho, o companheiro Mauro Rubem e diversas lideranças da sociedade civil, lideranças políticas, bem como parentes das últimas vítimas, estiveram reunidos com o Ministro José Eduardo Cardoso, Ministro da Justiça, que na ocasião ouviu dos participantes, relato da situação que se encontra a segurança pública do estado de Goiás. Colocou-se a disposição dentro de suas prerrogativas e estabeleceu com as lideranças uma série de encaminhamentos com a finalidade de encontrar soluções para a grave situação apresentada pelo companheiro Mauro Rubem e pelas demais lideranças.

 

Cumpre-nos, portanto, dar ciência aos companheiros e as companheiras do PT dos graves fatos que acontecem no Estado de Goiás e dos perigos que assolam a integridade física e moral do companheiro Mauro Rubem. Com isso, esperamos dar publicidade a esta grave questão e contar com o apoio dos companheiros e das companheiras para garantir a segurança de todos os envolvidos nesta luta bem como para que se apurem com rigor todas as denúncias já realizadas.

 

Saudações petistas,

 

Valmir Assunção, deputado federal do PT/BA

Renata Rossi, integrante do Diretório Nacional do PT

Suplente de Demóstenes Torres omitiu bens ao TSE

Agência O GloboPor Vinicius Sassine (vinicius.jorge@bsb.oglobo.com.br | Agência O Globo

BRASÍLIA – Prestes a assumir o mandato de senador, caso o plenário do Senado confirme nesta quarta-feira a cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO), o primeiro suplente Wilder Pedro de Morais (DEM-GO) omitiu boa parte de seus bens na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Wilder é um dos empresários mais ricos de Goiás e foi o segundo maior doador da campanha de Demóstenes em 2010, com R$ 700 mil repassados oficialmente por meio de duas de suas empreiteiras.

Registros da Junta Comercial de Goiás mostram que Wilder é sócio-proprietário de 24 empresas. Na declaração de bens ao TSE – o patrimônio declarado é de R$ 14,4 milhões – são listadas 15 empresas.

Informações da Receita Federalapontam que pelo menos oito empreendimentos ausentes da declaração de patrimônio foram constituídos antes das eleições de 2010 e, portanto, deveriam ter sido informados ao TSE. É o caso de dois shopping centers: o Bouganville (Nove Administração e Participações), em Goiânia, e o Brasil Park (Brasil Park Participação e Investimentos), em Anápolis. Wilder aparece como o empreiteiro responsável pelos centros de compra desde as respectivas inaugurações, em 2006 e 2007. Nem os nomes das duas empresas nem o CNPJ delas aparecem na declaração ao TSE, mas apenas a Orca Construtora, que fez parte dos investimentos nos shopping centers.

Também ficaram fora da prestação de contas de Wilder Morais três empresas de prestação de serviços funerários, duas delas constituídas antes de 2010 (uma em 2004 e outra em 1995). Neste ano, o primeiro suplente passou a ser sócio de um cemitério em Goiânia. Wilder é dono ainda de empresas do ramo agropecuário, de fabricação de estruturas metálicas, loteamento, incorporação de imóveis, estacionamento e consultoria em gestão empresarial, boa parte delas ausente da declaração apresentada ao TSE.

O patrimônio do primeiro suplente de Demóstenes é incalculável. Desde a deflagração da Operação Monte Carlo, o nome de Wilder é citado nas investigações. A mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, foi casada com o suplente, com quem teve dois filhos. Andressa deixou Wilder para ficar com Cachoeira, conforme declaração de Demóstenes no início da crise política. A mulher do bicheiro é dona de uma loja de lingerie no Shopping Bouganville. Foi, segundo ela, um presente de Wilder, o dono do shopping.

Conversas telefônicas usadas pela Polícia Federal (PF) na Operação Monte Carlo mostram que Cachoeira atuou para que Wilder fosse o suplente de Demóstenes. O empresário é secretário de Infraestrutura no governo de Marconi Perillo (PSDB) em Goiás e, conforme as escutas, discutiu com o tucano assuntos tratados anteriormente com o bicheiro. A reportagem de O GLOBO tentou ouvir o suplente mas, segundo sua assessoria, ele está de férias, em viagem com os filhos. A assessoria disse que Wilder tem intenção de assumir o mandato de senador, caso se confirme a cassação de Demóstenes.

– O fato de sonegar uma informação sobre o patrimônio é passível de questionamento e sanção, mas isso deve ser feito até 15 dias depois da diplomação. Se não foi feito, só há possibilidade de responsabilidade penal – disse o advogado Erick Pereira, especializado em Direito Eleitoral. Assim como o titular, os suplentes de senador – que não são votados – têm a obrigação de declarar o patrimônio à Justiça Eleitoral. O segundo suplente de Demóstenes, o produtor rural José Eduardo Fleury (DEM-GO), declarou um patrimônio de R$ 1,4 mi ao TSE. O principal bem é uma fazenda de 810 hectares em Quirinópolis (GO).

Discordo frontalmente da decisão do STF, afirma Humberto Costa

Escrito por PT Senado

O senador Humberto Costa (PT-PE), relator no Conselho de Ética e de Decoro Parlamentar do processo que pode levar à cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), disse em entrevista coletiva à imprensa que discorda frontalmente da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que adiou por três dias a leitura do relatório final, por considerar uma medida protelatória do julgamento político. “Discordo frontalmente com a decisão que foi tomada. É uma interferência no funcionamento do Congresso Nacional, mas uma decisão que respeitamos e vamos cumprir. Naturalmente, ela pode sofrer prejuízos. Pelos cálculos que fizemos, ainda assim é possível que o processo seja votado no Plenário do Senado antes do recesso parlamentar”, afirmou.

Segundo Humberto Costa, qualquer outra manobra protelatória – está claro que a defesa de Demóstenes Torres atua para protelar– poderá contribuir para a decisão não ser tomada antes do recesso parlamentar. Seguindo a determinação do STF, na tarde desta segunda-feira (18/06) o relator fará apenas a leitura da parte descritiva do processo, ficando para a próxima segunda (25/06) a leitura do voto final.

O relator justificou a data na próxima semana por causa da possibilidade de não se repetir até sexta-feira o elevado quórum do Conselho de Ética verificado hoje, porque boa parte dos senadores está participando da Conferência Rio+20. “Por uma questão de garantia é melhor que se faça nova reunião na terça-feira que vem. E se esse prazo for respeitado e não se surgir outra medida protelatória, haverá tempo para votação no Conselho de Ética antes do fim do mês e haverá tempo para votação no Plenário do Senado antes do recesso parlamentar”, prevê.

Perguntado se transferência do Juiz que iniciou as investigações da Operação Monte Carlo poderia significar um alívio para o senador Demóstenes Torres no Conselho de Ética, na eventualidade de as escutas serem consideradas ilegais, Humberto Costa explicou que o cancelamento e a anulação dessas gravações não interferem em nada no julgamento. “Todos sabem o julgamento é político. Ele não precisa ter provas rigorosas da mesma forma que num processo criminal ou penal. A nós não preocupa a possibilidade de anulação dessas provas até porque estamos usando os diálogos que o senador reconheceu como autênticos, na medida em ele os utilizou na sua própria defesa no Conselho de Ética”, afirmou.

Decisão Equivocada
O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), considerou equivocada a decisão do ministro do STF, Dias Toffoli, de estabelecer o prazo de três dias imposto para o Conselho de Ética analisar o relatório, expediente não observado no âmbito do Supremo e dos tribunais. “Apenas o relator de qualquer matéria nos tribunais agenda o dia da apresentação do relatório e da votação. Em seguida, no dia da apresentação do relatório, é dada a palavra à defesa, que volta para o relator e para os demais ministros e em seguida processa-se a votação”, disse.

Essa rotina estava projetada para a sessão de hoje à tarde, a partir de 14h30. Segundo Valadares, o relator leria a parte descritiva sem o voto propriamente dito. A palavra seria concedida por vinte minutos à defesa e, em seguida,  a palavra retornaria ao relator, quando aí sim ele daria seu voto. “Este é o mesmo processo que se aplica nos tribunais, mas a jurisprudência sendo mantida será altamente temerária para o funacionamento do Congresso”, disse.

Marcello Antunes

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Operação Saint Michel prende em SP, GO e DF

DESDOBRAMENTO DA MONTE CARLO, MOVIMENTAÇÃO POLICIAL COMEÇOU NAS PRIMEIRAS HORAS DA MADRUGADA; FORAM PRESOS SUSPEITOS DE LIGAÇÕES COM O ESQUEMA DO CONTRAVENTOR CARLINHOS CACHOEIRA; CLÁDIO ABREU, EX-DIRETOR DA DELTA ENGENHARIA, DE FERNANDO CAVENDISH, É UM DOS CAPTURADOS; TAMBÉM O VEREADOR WESLEY SILVA, DE ANÁPOLIS; CAVENDISH RENUNCIOU À PRESIDÊNCIA DA DELTA
Goiás 247 – Operação da Polícia Civil e Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira o ex-diretor da Delta em Goiás, Claudio Abreu, e também o vereador na cidade de Anápolis, Wesley Silva (PMDB). Ambos são ligados ao grupo de Carlos Cachoeira e as prisões são desdobramento da Operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira em 29 de fevereiro.
As duas ações tiveram procedimentos simultâneos e semelhantes. Em Anápolis, a PF apreendeu documentos e computadores do gabinete do vereador Wesley Silva, considerado um dos nomes ligados ao esquema da Delta e bastante ligado politicamente a Carlos Cachoeira.
As acões atendem a mandados do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) de busca e apreensão e de prisão em Goiânia e Anápolis. Contam com o apoio do MP goiano e, segundo o jornal O Popular, na capital são realizadas em três unidades de um condomínio horizontal de luxo da capital e um apartamento no Jardim América. As informações são de que um ex-diretor da Construtora Delta e outras duas pessoas teria sido presas.
Esta operação demorou mais tempo e somente por volta das 9h30 a polícia entrou no condomínio em Anápolis, realizando busca e apreensão de documentos e máquinas do ex-nome forte da Delta em Goiás. Abreu acompanhou toda a operação da polícia do lado de fora da sua residência. Ao final, foi lhe dada voz de prisão. Claudio não esboçou qualquer reação e acompanhou os policiais.

VEJA tenta vetar nome de Paulo Teixeira para relatoria da CPI

 

SE FOR CONFIRMADO, DEPUTADO PAULO TEIXEIRA DEVERÁ ESTIMULAR A CONVOCAÇÃO DE ROBERTO CIVITA, DONO DA ABRIL, E POLICARPO JÚNIOR, DIRETOR DE VEJA; A EMPRESA REAGE

 

247 – Em uma matéria publicada na quinta-feira à noite em seu site, a Veja critica a possível indicação do deputado federal Paulo Teixeira (SP) pelo PT para a relatoria da CPI do Cachoeira. Segundo a publicação, a escolha de Teixeira casa com os interesses subterrâneos que os petistas têm na criação da comissão: desmoralizar adversários políticos e a imprensa. De fato, se for confirmado, Teixeira deverá estimular a convocação de jornalistas envolvidos no escândalo do Carlinhos Cachoeira, no caso, Roberto Civita, dono da Abril, que publica Veja, e Policarpo Júnior, diretor de Veja.

Ontem, o executivo Fábio Barbosa, ex-presidente do Santander e atualmente presidente do grupo Abril, foi visto circulando em Brasília. Bem relacionado em todos os partidos, ele tentou convencer lideranças do Congresso Nacional a evitar a convocação, pela CPI, do empresário Roberto Civita, presidente do grupo Abril (Leia aqui).

Leia a matéria da Veja sobre Paulo Teixeira:

O PT deve indicar o deputado federal Paulo Teixeira (SP) para a relatoria da CPI do Cachoeira, que foi instalada nesta quinta-feira no Congresso Nacional. A escolha de Teixeira casa com os interesses subterrâneos que os petistas têm na criação da comissão: desmoralizar adversários políticos e a imprensa. Parte da bancada e integrantes da base aliada preferiam o nome de Cândido Vaccarezza (SP) para relator. Mas o deputado, de perfil moderado, impôs condições para assumir a relatoria: não estava disposto a atacar e constranger partidos de oposição ou jornalistas. Assim, a preferência da legenda se voltou para Teixeira, mais agressivo.

A intenção dos petistas de usar a CPI como ferramenta política foi mostrada em reportagem da edição desta semana de VEJA. O PT quer desviar o foco de debate do mensalão, que deve ser julgado ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) deve ser o escolhido para presidir a comissão. Pouco entusiasmados com a CPI, os peemedebistas têm em Vital o único candidato a comandar os trabalhos. E mesmo o parlamentar paraibano não demonstra muita disposição com o cargo: no início da semana, ele disse torcer para que a investigação não fosse necessária. Na avaliação dele, a CPI só foi proposta porque o Supremo Tribunal Federal (STF) negou ao Conselho de Ética do Senado o acesso ao inquérito contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Vital tinha esperança de que o STF voltasse atrás, compartilhasse as informações e tornasse desnecessária.

Recém-instalada, a CPI também já traz uma notícia inusitada: um dos parlamentares indicados para compor a comissão está envolvido com o contraventor que pretende investigar, Carlinhos Cachoeira. Trata-se de Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), flagrado em pelo menos seis conversas suspeitas com um dos mais atuantes integrantes do esquema do bicheiro goiano: Idalberto Matias Araújo, o Dadá. O elo entre os dois foi revelado em grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

O nome de Protógenes foi apresentado na noite desta quinta-feira pela bancada do PCdoB para compor a lista de integrantes da comissão, que terá representantes da Câmara e do Senado. O suplente dele será Osmar Júnior (PI). Antes de ser pego pelo grampo, Protógenes foi o autor do requerimento de criação da CPI. As conversas gravadas revelam o empenho do deputado em orientar Dadá na investigação aberta contra ele próprio, no ano passado.

O PTB também apresentou, nesta quinta, os seus indicados pela Câmara: Silvio Costa (PE) e o suplente Arnaldo Faria de Sá (SP). “São os dois que se dispuseram. Alguns deputados não gostam de participar de CPI”, explicou o líder do partido na Casa, Jovair Arantes. O político minimizou o fato de também ter sido citado nas escutas da Operação Monte Carlo. “Fui citado muito en passant. Eu até estranho que continuem citando o meu nome como se eu estivesse envolvido.”

Ainda na Câmara, o PSB indicou Paulo Foleto (ES), titular e Glauber Braga (RJ), suplenjte. No PDT, a vaga principal é de Miro Teixeira (RJ), com Vieira da Cunha (RS) de substituto. O PSC terá Filipe Pereira (RJ) como titular e Hugo Leal (RJ) como suplente. O PDT indicou, pelo Senado, Pedro Taques (MT): ex-promotor de Justiça, ele tem se destacado pela atuação incisiva diante de casos de corrupção. Outros integrantes da comissão tiveram seus nomes apresentados nas últimas horas.

A CPI será composta por 15 deputados e 15 senadores titulares, com igual número de suplentes. A comissão concluirá os trabalhos em até 180 dias.

Repercussão – O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o primeiro atingido pelo escândalo de Carlinhos Cachoeira, reconheceu nesta quinta-feira que o Congresso tem razão em instalar a CPI. “Eu respeito o Congresso”, afirmou o senador. Ele reiterou que fará sua defesa no Conselho de Ética “no momento oportuno”. Demóstenes justificou o fato de não ter assinado o requerimento da comissão dizendo que não faz falso heroísmo. “A vida toda sempre fui assim, sou uma pessoa coerente, não tinha razão para assinar o requerimento.”

Enquanto isso, o governo federal esforçou-se para não demonstrar preocupação com a criação da CPI, a primeira da administração Dilma Rousseff. “A CPI começa com o foco fora do governo”, disse nesta quinta o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Qualquer um pode eventualmente aparecer nas investigações e, se aparecer, vai ter de responder. Quanto ao governo, podem ficar tranquilos, porque nós estamos tranquilos.”

Interlocutor próximo da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que a CPI é assunto restrito ao Legislativo. “O governo não tem com o que se preocupar a não ser em cumprir o nosso papel, que é conduzir o país”, disse Carvalho, após evento no Palácio do Planalto. “O Legislativo cuida da pauta dele e nós cuidamos da nossa.”

Senado exonera enteada de Gilmar Dantas de gabinete de Demóstenes Cachoeira

Leandro Colon via Esquerdopata

A diretoria-geral do Senado exonerou, a pedido, a enteada do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que tinha cargo de confiança no gabinete do senador Demóstenes Torres (GO).
Conforme revelou a Folha no dia 25 de março, Ketlin Feitosa Ramos ocupava desde setembro o cargo de assessora parlamentar de Demóstenes no Senado, posto de confiança e livre nomeação.
A enteada do ministro do STF é servidora de carreira do Ministério Público Federal, nível médio, e foi cedida para ser funcionária comissionada do gabinete do senador.
O ato de exoneração — publicado no dia 2 de abril no Diário Oficial da União — tem data de 30 de março. No dia 27, o Procurador-Geral da República pediu ao STF a abertura de inquérito para investigar o envolvimento do senador Demóstenes Torres com o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar jogo ilegal.
Por ter foro privilegiado, o senador só pode ser julgado pelos ministros do STF. Seus advogados, aliás, prometem recorrer ao Supremo nos próximos dias para pedir a anulação das provas colhidas contra Demóstenes na Operação Monte Carlo, que investigou a atuação de Carlinhos Cachoeira. Pressionado, ele pediu a desfiliação do seu partido, o DEM, e sofre ameaça de cassação de mandato.
O senador e assessoria do ministro negaram qualquer conflito de interesse na nomeação de Ketlin Feitosa em setembro do ano passado.
“O fato de ser parente de uma figura importante da República não deve ser levado em conta para o ingresso de alguém no serviço público, não deve ser também motivo de impedimento”, disse Demóstenes quando a Folha mostrou o caso. Segundo ele, a relação pessoal que tem com Gilmar não influenciou no emprego à enteada.
Já Ketlin Feitosa afirmou, por escrito, que sua ideia inicial era ter contato com o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), presidente da Comissão de Meio Ambiente, mas acabou sendo convidada pelo senador de Goiás para trabalhar com ele.
“Demóstenes me fez uma proposta de trabalho para que eu atuasse em sua assessoria jurídica e disse que estava precisando de um servidor com o meu perfil, pois tinha muito interesse na área ambiental (cuidar de bicho?).”
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