MEC propõe mudar lei do ProUni para aumentar vagas


O ministro da Educação, Fernando Haddad, sugeriu ontem ao Congresso que altere a lei do ProUni, que favorece os estudantes de baixa renda permitindo-lhes acesso a universidades particulares, para aumentar o número de vagas e acabar com as bolsas parciais e a distância.

Em audiência na Comissão de Educação do Senado, Haddad propôs que seja restabelecido o texto original do projeto do governo que criou o ProUni em 2005. O projeto estabelecia que as universidades privadas participantes do ProUni deveriam oferecer 10% das suas vagas para bolsistas. O Congresso reduziu o percentual para 7,5% e criou a possibilidade de que parte das bolsas cubra 50% das mensalidades. Como estas bolsas sobram porque o aluno não consegue pagar a outra metade da mensalidade, o ministro Haddad defende que sejam concedidas apenas bolsas integrais.

Ele também propôs que a oferta de vagas a distância seja rediscutida. Das quase 5.500 vagas que sobraram da primeira chamada deste ano para o ProUni, quase 90% eram para cursos de graduação à distância.

Auditoria do Tribunal de Contas da União concluiu que, em média, 29% das bolsas oferecidas pelo ProUni – volume equivalente a 260 mil vagas – ficaram ociosas entre 2005 e 2009, embora as instituições de ensino que participam do programa tenham recebido isenção total de impostos. O ministro Haddad admitiu que o problema da ociosidade existe, mas contestou o percentual médio de ociosidade calculado pelo TCU alegando que os auditores contaram duas vezes as bolsas ociosas

Mensagem do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aos Conselheiros de Saúde

 Estamos publicando a carta aberta, do companheiro Padilha, com o peito angustiado, a mente repleta de tristes dúvidas e o espíto apegado à esperança, ultima que é, à partir. Em nossa mente está marcada a artificialidade da posição defendida pela representação governamental, perante o Conselho Nacional de Saúde, quando da necessária renovação da mesa diretora em dezembro.

Nossa angustia deriva do respeito e carinho que nos mereçe o Ministro da Educação, Companheiro Haddad. Respeito e carinho que ele cativou com a história de lutas na defesa das posições dos Trabalhadores e de seu partido. Ver justamente um representante do Ministério da Educação sendo o instrumento para tornar ilegítima a mesa diretora, fragilizando a Democracia Participativa que todos propugnamos fortalecer…entristece.

A mente repleta de dúvidas deriva do mesmo respeito devotado aos companheiros. Ficamos tentando construir alguma justificativa para o expediente usado. Mas nos faltam informações para construir uma linha de defesa. Com o que sabemos não conseguimos que a cabeça funcione mais que o estomago, que insiste em embrulhar.

Está viva a esperança, ela deriva da conhecida habilidade do Ministro Padilha, o nosso “padilhando”.  Ele afirma que estará pessoalmente presente nas Plenárias do CNS e ele não tem caracteristicas de “Trator”, não irá atropelar a condução do processo de renovação da mesa diretora, estou certo disto.

Nossa história recente está marcada com uma máxima: “A esperança venceu o medo”. Aguardamos a urgente retomada da legitmidade da mesa diretora, pois desde dezembro a atual é biônica. E siceramente gostaria muito de saber se o companheiro Paulo Haddad concorda com a posição do seu representante no CNS, e … por que ?

Boa leitura a tod@s.

CARTA AOS CONSELHEIROS

 

Brasília, 04 de janeiro de 2011 

Caros colegas, amigos, conselheiros e conselheiras de saúde em todo o país,

     É com muita satisfação que recebo da presidente Dilma Rousseff este grande desafio de comandar, em parceria com todos vocês, essa construção coletiva e permanente que é o nosso Sistema Único de Saúde. Chego a esta casa com o entusiasmo de quem sempre se dedicou a luta por uma saúde inclusiva e de qualidade e com o compromisso de trabalhar com afinco para avançar ainda mais nas conquistas até aqui garantidas.

     É inegável o progresso alcançado nos últimos anos na percepção do controle social como fator fundamental para a construção de políticas públicas de saúde. O Brasil não teria avançado tanto se não existisse ação coletiva capaz de aglutinar de forma organizada as diferentes representações dos interesses sociais no campo da saúde pública.
 A organização de conselhos municipais, estaduais e federal, além de instâncias de controle social e de regulação do sistema de saúde,  proporcionada pela  edição da Lei 8.142,  é  uma conquista sem precedentes na história social do país.

     Não tenho dúvidas de que o Sistema Único de Saúde criou as condições políticas e técnicas para que a participação cidadã se efetivasse na prática. O fortalecimento do sistema, com a oferta de serviços de qualidade, deve ser objetivo comum e tarefa de todos nós, nas três esferas de governo.

     Temos ainda muitos desafios a superar. Acompanhei a importante agenda política construída pelos conselhos durante a Caravana em Defesa do SUS, com um resultado belíssimo, que evidencia o compromisso de cada  conselheiro com o aperfeiçoamento do sistema.

     Nosso Sistema Único de Saúde foi uma das principais conquistas sociais do processo de redemocratização do país, que possibilitou a inclusão de milhares de brasileiros.  A ampliação do acesso e o atendimento de qualidade têm que ser uma obsessão de todos nós.

     Para alcançarmos êxito nesta missão, convido os conselheiros e conselheiras  em todo o país para a construção de um diálogo permanente em defesa do sistema. Reafirmo minha disposição em participar das reuniões do Conselho Nacional de Saúde e de estar presente nas deliberações do controle social.   Neste ano, em especial,  em que realizaremos a 14ª Conferência Nacional de Saúde, ressalto a importância do envolvimento de todos para construirmos um grande debate sobre a consolidação do SUS.

     O diálogo sempre foi um marca da minha atuação técnica e política. Acredito que só assim conseguiremos melhorar o atendimento e a qualidade do serviço na ponta. Com a união de esforços conseguiremos levar a saúde para o centro do projeto nacional de desenvolvimento do Brasil.

Um grande abraço,

     Alexandre Padilha

Ministro de Estado da Saúde

Fonte: http://conselho.saude.gov.br

Plano Nacional de Educação tem 20 metas; 20% são ligadas à valorização do professor

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Educação, Fernando Haddad, entregou hoje (14) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o projeto de lei do novo Plano Nacional de Educação (PNE) que irá vigorar na próxima década. O documento de 14 páginas estabelece 20 metas a serem alcançadas pelo país até 2020. Cada uma delas é acompanha de estratégias para que se atinjam os objetivos delimitados. Algumas determinações já foram previstas em leis aprovadas recentemente ou fazem parte do PNE ainda em vigor.

Pelo menos 20% das metas tratam diretamente da valorização e formação dos profissionais do magistério. Entre elas a garantia de que todos os sistemas de ensino elaborem planos de carreira no prazo de dois anos, que todos os professores da educação básica tenham nível superior e metade deles formação continuada com pós-graduação – com a previsão de licenças para qualificação. O PNE ainda determina que o rendimento médio do profissional da educação não seja inferior ao dos demais trabalhadores com escolaridade equivalente.

O plano inclui metas de acesso à educação infantil, ensino médio e superior. Ele reafirma a proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada neste ano que determina a universalização da pré-escola até 2016 e acrescenta que 50% das crianças de até 3 anos devam ter acesso à creche até 2020, patamar que já estava apontado no atual PNE mas não foi atingido. Hoje, esse atendimento é inferior a 20%.

No ensino superior, o PNE estabelece que 33% dos jovens de 18 a 24 anos estejam matriculados nesta etapa – hoje esse percentual é inferior a 15%, longe da meta de 30% que havia sido estabelecida no plano aprovado em 2001. Considerando toda a população, a taxa de matrícula deverá atingir 50% até 2020. No ensino técnico a matrícula deverá ser duplicada. O plano também determina que se atinja a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Outra meta é que todas as crianças sejam alfabetizadas até os 8 anos de idade e o analfabetismo na população com mais de 15 anos erradicado até o fim da década – essa última também já estava prevista no PNE em vigor, mas a taxa ainda é de 9,7%. A educação em tempo integral deverá ser oferecida em 50% das escolas públicas e os cargos de direção ocupados mediantes critérios técnicos e mérito. Hoje é comum que os diretores sejam indicações políticas das secretarias de educação.

O Ministério da Educação (MEC) também incluiu no documento as metas de crescimento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que funciona como um termômetro da qualidade da educação. Até 2021 o país deverá atingir média 6 em uma escala de 0 a 10 – em 2009 a nota foi 4,6. Como Haddad já havia adiantado, o plano inclui a meta de investimento de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na área.

Leia Tambem

 Conheça as 20 metas do PNE acesse aqui: http://wp.me/p10dkU-fk

O presidente Lula encaminhará o projeto de lei ao Congresso Nacional que começará a discussão do texto na próxima legislatura. A previsão é que o novo PNE possa ser aprovado até o fim do primeiro semestre de 2011.

Edição: Lílian Beraldo

Plano Nacional de Educação terá meta de investimento de 7% do PIB

Conae recomendou que o investimento em educação atinja 10% em 2014


Da Agência Brasil

O próximo PNE (Plano Nacional de Educação) vai fixar uma meta de investimento de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) na área. Essa foi a proposta apresentada pelo MEC (Ministério da Educação) à Casa Civil.

De acordo com o ministro Fernando Haddad, o plano será lançado nos próximos dias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2011, começa a tramitação do projeto no Congresso Nacional.

– Evidente que temos um governo que termina e outro que começa, mas estamos trabalhando no sentido de fechar um consenso.

Dados referentes a 2009 mostram que hoje o país investe 5% do PIB em educação. Nos últimos cinco anos, o crescimento foi de 0,2 ponto percentual anualmente.

O próximo PNE vai definir as metas que o Brasil deve atingir em educação nos próximos dez anos. Segundo Haddad, o patamar de investimento de 7% do PIB deve ser atingido na próxima década,  “mas quanto antes melhor”.

As bases do PNE foram traçadas durante a Conae (Conferência Nacional de Educação), que reuniu no mês de abril em Brasília cerca de 3.000 representantes de movimentos sociais, governos, pesquisadores, estudantes, professores e pais para discutir as prioridades do setor.

 O documento final da Conae recomendou que o investimento em educação seja elevado para 7% até 2011 e atinja 10% em 2014.

O PNE 2001-2010, que ainda está em vigor, também estabelecia uma meta de investimento de 7% do PIB em educação, mas o dispositivo foi vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para especialistas e estudiosos do tema, esse foi um dos fatores responsáveis pelo fracasso do ano atual, que não cumpriu boa parte das 295 metas estipuladas, já que não havia previsão orçamentária para garantir os investimentos apontados pelo projeto.

Outra meta que será incluída no PNE refere-se aos resultados do Brasil no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). O MEC estabeleceu que até 2021 os estudantes brasileiros deverão atingir a média de 473 pontos no Pisa, patamar semelhante ao alcançado pelos países-membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que aplica o exame.

 Os resultados referentes a 2009, divulgados nesta terça-feira (7) pelo órgão,  mostram que a média do país está em 401 pontos.

Fonte: Agência Brasil

Brasil é um dos três países que mais evoluíram na década

 

O Brasil está entre os três países que alcançaram a maior evolução no setor educacional na última década. É o que apontam os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2009, divulgados nesta terça-feira. Aplicada a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a prova do Pisa avalia o conhecimento de estudantes de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências. Sessenta e cinco países participaram do teste.

Desde que o país ingressou no programa há dez anos, a média das três provas subiu de 368 para 401 pontos. Na mesma década, apenas dois países conseguiram progresso superior aos 33 pontos alcançados pelo Brasil: Chile (mais 37) e Luxemburgo (mais 38). Na média, os países-membros da OCDE ficaram estagnados de 2000 a 2009.

Metas de melhoria – O Brasil estabeleceu metas de melhoria no Pisa, como as que já existem para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Para 2009, o objetivo era atingir 395 pontos, o que foi superado. Em 2021, será preciso alcançar 473 pontos, média dos países da OCDE.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, os resultados desmontam a teoria de que o Brasil estaria sempre em defasagem em relação aos países desenvolvidos, já que somente em 2022 atingiria níveis semelhantes na avaliação. “O mundo está estagnado do ponto de vista da qualidade [da educação]. Embora alguns países da OCDE tenham melhorado, outros pioraram e, na média, ficaram estagnados. Em educação sempre há espaço para melhorar, mas o mundo desenvolvido está com dificuldade em fazer a sua média subir”, analisou.

Cultura de avaliação – Para Haddad, o “pior momento” da educação brasileira ocorreu entre 2000 e 2001, quando o país ocupou a lanterna no ranking do Pisa. Ele acha que essa tendência está revertida e os avanços se devem, em parte, às mudanças no sistema de avaliação, especialmente a criação do Ideb em 2005 que atribui e divulga nota para cada escola pública.

“Não tenho dúvida que isso impactou muito favoravelmente, mexeu com a educação no Brasil”, entende. Haddad considera que “a avaliação é um elemento que estava faltando na cultura escolar”. O maior crescimento – de 17 pontos – se deu no último triênio (2006-2009).

A OCDE também ressaltou a criação do Ideb, citando o Brasil como exemplo a ser observado por outros países com baixa proficiência. “Recursos federais agora são direcionados para os estados mais pobres, dando às escolas recursos comparáveis aos que são disponibilizados nos mais ricos”, diz o documento referindo-se ao Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), criado em 2006.

Os dois extremos do ranking – Mesmo com o avanço, os brasileiros ainda freqüentam os últimos lugares do Pisa. O país deixou de segurar a lanterna da competição mas os alunos brasileiros estão na 53ª posição em ciências e português e na 57ª em matemática. O topo do ranking é ocupado pela província chinesa de Shangai com 577pontos. Embora pertencente à China, Shangai, por ser autônoma, participa de forma independente. Seguem- se mais três asiáticos e um europeu: Hong Kong (546), Finlândia (543), Cingapura (543) e Japão (529). No extremo oposto estão Albânia (384), Catar (373), Panamá (369), Peru (368) e Quirziquistão (325).

Dentro do país, os resultados mostraram um melhor desempenho dos alunos das escolas privadas sobre aqueles que estudam na rede pública. Enquanto as particulares atingiram média de 502 pontos, as públicas ficaram em 387. Porém, na rede federal pública de educação básica, a média ultrapassou a das escolas privadas, atingindo 528 pontos. “É uma rede pequena, mas mostra que o setor público sabe oferecer boa educação, mas pra isso você tem que remunerar bem o professor, investir em laboratórios, em educação integral, [esses] são componentes do sucesso escolar”, observou Haddad.

Fonte: Brasília Confidencial

Mais 30 escolas profissionalizantes, 25 campi universitários e 14 Universidades Federais entregues por Lula e Haddad

 

Trinta escolas federais de educação profissional e mais 25 campi ligados a 15 universidades federais foram entregues nesta segunda-feira. A entrega simbólica foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Fernando Haddad, da Educação. Das 30 escolas, 18 já estão em funcionamento e 12 com previsão para início em 2011.

As 30 escolas de educação profissional estão distribuídas pelos Estados do Amazonas(2), Bahia (4), Ceará (3), Espírito Santo (2), Goiás (3), Maranhão (3), Minas Gerais(1), Mato Grosso (1), Pará (1), Pernambuco (2), Piauí (1), Rio de Janeiro (1), Rondônia (1) e Santa Catarina (5).

Quatro vezes mais recursos – Os 25 campi situam-se no Amazonas (4), Bahia (2),Maranhão (1), Minas Gerais (2), Pará (1), Paraíba (2), Pernambuco (2), Piauí (1), Rio de Janeiro (2), Rio Grande do Norte (2), Rio Grande do Sul (5) e Santa Catarina (1).

Desde 2005, foram criadas 214 escolas federais de educação profissional, totalizando 342. Cento e vinte e seis campi e unidades universitárias foram abertos passando de 148, em 2002, para 274, em 2010.

Em 2003, 140 mil alunos estudavam em escolas de educação profissional. Já em 2010, são 348 mil estudantes matriculados. O aumento no número de matrículas foi de 148% e a tendência, segundo o MEC, é de crescimento. Os recursos para a educação profissional saltaram de R$ 1,2 bilhão, em 2003, para R$ 4,9 bilhões em 2010, quatro vezes mais.

Interiorização do ensino superior – Atualmente, as universidades federais estão presentes em 230 municípios das 27 unidades da Federação. “Conseguimos levar as universidades federais e as escolas de educação profissional das capitais para o interiordo país”, declarou Lula.

Por meio do programa de expansão da educação superior, 14 universidades federais foram criadas a partir de 2003. Dez delas voltadas para a interiorização do ensino superior público. As outras quatro, planejadas para a integração regional e internacional.

Para o ministro da Educação, a expansão da rede federal mudou a vida do brasileiro. “A população, agora, entende o verdadeiro sentido da educação, que é o da emancipação do indivíduo”, disse. Haddad ressaltou que todas as metas previstas em 2007 no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foram cumpridas, em todas as etapas e modalidades da educação.

Confira os 30 novos institutos federais.
Confira os 25 campi das universidades federais inaugurados.
Confira as 14 universidades federais criadas desde 2003.

Fonte: Brasília Confidencial

Mais de uma prova do Enem por ano, diz Haddad

Editor CartaCapital 17 de novembro de 2010 às 9:49h

Mais de uma prova do Enem por ano ameniza efeito de falhas, diz Haddad Em entrevista à CartaCapital, o ministro da Educação defende a remarcação do exame só para os estudantes prejudicados e argumenta em favor do novo formato da prova

Passado o susto inicial pós-Enem, o ministro da Educação Fernando Haddad conseguiu vitórias importantes a partir do fim da última semana. Na sexta-feira 12, Haddad comemorou a decisão judicial que reverteu a aplicação do exame para todos os 3.6 milhões de participantes, e não apenas os 2 mil que tiveram a prova com problemas e que não foram corrigidos. Com a decisão, o MEC deve anunciar ainda esta semana a data para a nova prova para os prejudicados.

Na quinta-feira 11, ainda quando a tempestade parecia ser maior do que de fato era, o Ministro Haddad conversou com a reportagem de CartaCapital sobre o episódio do Enem e explicou porque considera necessário a aplicação de nova prova somente para quem teve o gabarito com defeito. Haddad também elogiou a postura da gráfica RR Donnelley após o episódio, contou a estratégia de dividir o Enem em algumas provas durante o ano e defendeu a atual estratégia do Enem, criticada por especialistas por tentar abranger muitas funções ao mesmo tempo.

Veja os principais trechos da entrevista.

CartaCapital: O objetivo do Ministério é fazer com que os quase 2 mil alunos que tiveram a prova amarela com os erros façam uma nova prova – porém, houve membros do Poder Judiciário brasileiro que estão tentando anular toda a prova. Por que aplicá-la apenas para os prejudicados?
Fernando Haddad
: Olha, aquilo que já é familiar para psicometristas, pedagogos e economistas da educação é novo para o mundo jurídico. A comunidade educacional está muito familiarizada com a Teoria da Resposta ao Item (a chamada TRI, estratégia na qual se baseia a prova do Enem), que tem metodologia de avaliação desenvolvida nos EUA nos anos 60 e que foi incorporada no Brasil como avaliação de sistemas de ensino em 1995 no Saeb (Sistema de Avaliação de Educação Básica). Quando se aplica uma prova com esta enorme escala, você não pode mais aplicar a chamada prova clássica, que é incomparável com qualquer outra, única. Qualquer incidente que ocorra será motivo para reaplicação geral da prova, que é o que acontece em concursos públicos ou vestibulares tradicionais. O Enem, ao incorporar a TRI em 2009, visa justmente evitar que isso seja necessário, uma vez que possui uma prova calibrada, com questões pré-testadas e um mesmo nível de dificuldade. Essa tecnologia está incorporada ao SAT (Scholastic Assessment Test) americano, que é o Enem deles desde os anos 1960. O Toffel, exame de proeficiência em inglês, usa a mesma estratégia: você agenda a prova e nunca a mesma pessoa faz o mesmo exame. O que significa dizer é que a tecnologia está fundamentada do ponto de vista científico e é reconhecida internacionalmente. Ninguém da comunidade internacional desconheça essa tecnologia. O espanto das pessoas que de fora do país que conversaram comigo essa semana é de como o Brasil está discutindo algo que é consenso no mundo.

CC: Houve um jornalista do Jornal do Commercio, de Recife (PE), que mandou via SMS o tema de redação para o jornal, argumentando que fazia uma denúncia. Esse jornalista vai ser processado?
FH
: Ele fez isso, é bom que se diga, quando todos já estavam na sala e todos já tinham conhecimento do tema. Não houve, portanto, quebra de isonomia. Nenhum candidato conheceu o tema antes do início da prova, todos conheceram o tema simultaneamente. Não há argumentação de que o exame poderia ser cancelado, portanto. Uma coisa é quando alguém tem vantagem em relação a outros candidatos, e o que houve um ato isolado sem compromisso com a educação e que precisa ser investigado. Duvido muito que a orientação tenha partido do jornal. Se ele não servia ao jornal, servia a quem? O pedido do MEC é que se abra um inquérito de investigação. Mas se ele vai ser processado, já depende do Ministério Público.

CC: Como avalia a atuação da gráfica RR Donnelley após o erro? O ocorrido muda alguma coisa na relação com a empresa?
FH
: A empresa cometeu um erro em 0,03% dos cadernos de prova e, ato contínuo, mandou um ofício ao MEC reconhecendo a falha de impressão e se colocando totalmente disponível para solucionar o problema, inclusive arcando com os custos. Teve uma postura própria de uma empresa do porte que tem.

CC: Quanto ao Enem como processo seletivo, mais universidades federais acabam usando o Enem como critério de seleção a cada ano. Existe meta fixada para esta ampliação?
FH:
A única demanda do colegiado de reitores da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) como contrapartida como apoio ao Enem, foi a ampliação da verba de assistência estudantil. O Enem quebra um paradigma que democratiza o acesso às classes populares. Ao fazê-lo, a necessidade de verba para assistência estudantil aumenta, já que não basta o estudante chegar até a faculdade, ele tem que ter acesso a restaurante universitário, bolsa para iniciação científica, etc. para concluir os estudos. Então houve essa demanda e, 2009, e na ocasião nos comprometermos dobrar a verba de assistência estudantil para as instituições que tirassem proveito do Enem como processo seletivo. E isso tem sido cumprido religiosamente. Pra cada instituilção que deseja, o MEC está garantindo a ampliação correspondente da verba estudantil. É um processo natural de convencimento interno, a comunidade educacional está confortável com isso, todas as decisões passaram por um colegiado superior. Não é uma decisão monocrática, de um reitor só. Os educadores sabem que o vestibular é de um anacronismo medonho. O brasileiro se orgulha muito de que a palavra saudade não tem tradução para outra língua, mas a palavra vestibular também não tem.

CC: Há pensadores da educação que entendem que a avaliação do Enem acaba sendo similar ao vestibular a medida que os alunos das melhores escolas acabam indo também melhor no Enem, como ocorre no vestibular tradicional, e os de escolas piores, públicas geralmente, vão pior. Como avalia isso?
FH
: Bom, você não vai obter esse resultado na primeira ou segunda edição do exame. Faço referência para a prova Brasil, que é uma espécie de Enem do Ensino Fundamental. Com ela, todos os indicadores de proeficiência melhoraram e a distância da escola pública e a privada diminuíram. No Ensino Médio isso ainda não ocorreu.  Enquanto a PB é de 2005, o novo Enem é de 2009. Esses efeitos vão se fazer notar que a prática reiterada do Enem quanto a qualidade do ensino médio. isso já se refletiu no ensino fundamental.

CC: Críticos dizem que a mudança do Enem, que começou como avaliação dos alunos do Ensino Médio e passou a ser critério de seleção nas universidades, e também para o Pro-Uni (programa de bolsas universitárias) e o EJA (Educação de Jovens e Adultos), acaba fazendo com que ele tenha não tenha foco – essas pessoas entendem que provas do Pro-Uni precisariam ser de um tipo, EJA outro, seleção para o ensino superior, um outro. A pergunta é: é possível fazer com que o Enem abranja tudo isso e o faça com qualidade?
FH
: Na verdade o SAT americano se presta exatamente para a mesma coisa e é o melhor sistema universitário do mundo. Não foi por outra razão que nos miramos nesta experiência para fortalecer nossos sitema unviersitário que já está em 13º lugar em produçao científica do mundo e que tem espaço pra melhorar. Com o espaço físico que tem e a população jovem que tem, podemos ser uma força universitária de presença muito maior no cenário internacional. Mas o gargalo do vestibular e a falta de mobilidade dos alunos atrapalha. Hoje ele tem que prestar o vestibular daquela instituição, caso contrário não terá acesso a ela. Isso é impeditivo de uma reorganização universitária capaz alavancar o avanço da produção científica.

CC: E essa estratégia comentada pelo presidente Lula, de fazer vários Enems durante o ano?
FH
: O presidente assimilou essa proposta com muita rapidez, como sempre. O projeto do Enem se consolida com mais de uma edição por ano. Esses pequenos eventos, como o da prova amarela, que podem ocorrer são facilmente superados quando você tem um calendário pré-estabelecido. Vou citar um exemplo: em 2009, houve enchente em duas cidades capixabas. Um mês depois, reaplicamos estas provas para estes alunos. Foi uma prova diferente, comparável a primeira. A prova dos presídios também é diferente da prova do Enem geral. O que precisamos é estender este conceito pra edições gerais em número maior que um, ou seja, se tivermos duas ou três provas, você ameniza o efeito de um acidente ou de uma falha humana. Você pode uma enchete um dia, um erro do fiscal de prova em outro, acidente rodoviário em outro, etc. E o que fazer nessa hora, cancelar o exame? Não, você tem um calendário que um aluno, por força maior, ou por falha humana, não pode realizar seu exame, possa tranquilamente remarcá-lo. O SAT americano começou com um e já está com sete. No caso americano, você recebe o boletim de todos que fez e usa o que quiser. Tem prazo de validade.

http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/mais-de-uma-prova-do-enem-por-ano-ameniza-efeito-de-falhas-diz-haddad

%d blogueiros gostam disto: