Governo anuncia Raupp na Ciência e Tecnologia e Mercadante na Educação

NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
O governo anunciou o nome de Marco Antônio Raupp como novo ministro da Ciência e Tecnologia, conforme adiantou aFolha. Ele assume a vaga de Aloizio Mercadante, que vai para o Ministério da Educação.
A troca de ministérios foi motivada pela saída do atual ministro da Educação, Fernando Haddad, que deixa o governo para disputar a Prefeitura de São Paulo. Sua despedida acontece na próxima segunda-feira (23).
Presidente da Agência Espacial Brasileira, Raupp tem perfil técnico e foi indicado pelo próprio Mercadante para o cargo.
A posse e a transmissão de cargo dos novos ministros serão realizadas no próximo dia 24 de janeiro.
Na mesma nota em que anunciou a mudança, a presidente Dilma Rousseff agradeceu o “empenho e a dedicação” de Haddad à frente do Ministério da Educação.
“A presidenta da República, Dilma Rousseff, agradece o empenho e a dedicação do ministro Haddad à frente de ações que estão transformando a educação brasileira e deseja a ele sucesso em seus projetos futuros. Da mesma forma, ressalta o trabalho de Mercadante e Raupp nas atuais funções, com a convicção de que terão o mesmo desempenho em suas novas missões”, diz a nota da Presidência.
Lalo de Almeida – 27.out.2011/Folhapress
Marco Antônio Raupp, presidente da AEB (Agência Espacial Brasileira), vai assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia
Marco Antônio Raupp, presidente da Agência Espacial Brasileira, vai assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia

PERFIL

Marco Antônio Raupp, 73, é físico formado pela UFRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e PhD em Matemática pela Universidade de Chicago, além de livre-docente pela USP (Universidade de São Paulo).
De perfil técnico, é presidente da AEB (Agência Espacial Brasileira) desde março de 2011.
Nascido na cidade de Cachoeira do Sul, a 196 km de Porto Alegre (RS), a carreira acadêmica de Raupp tem passagem pela UnB (Universidade de Brasília), como professor-adjunto e pesquisador titular do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica).
Recebeu o título de Comendador pela Ordem do Rio Branco (Ministério das Relações Exteriores) e pela Ordem Nacional do Mérito Cientifico (Ministério da Ciência e Tecnologia).
Foi presidente da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional e diretor do Parque Tecnológico, em São José dos Campos.
É membro titular da IAA (Academia Internacional de Astronáutica, na sigla em inglês).
HADDAD

O governo já enviou convites para a cerimônia que marcará a despedida do ministro da Educação, Fernando Haddad, da Esplanada. Será às 14h30 de segunda-feira, dia 23.
Como antecipou a Folha, o governo prepara uma despedida em grande estilo para Haddad, com a comemoração da milionésima bolsa do ProUni, no Palácio do Planalto.
A sucessão de Haddad por Mercadante está prevista para o dia seguinte, dando a largada para a reforma ministerial.

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Desmemória seletiva

HÉLIO SCHWARTSMAN

 

SÃO PAULO – Espera-se que o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, prestes a assumir a Educação, seja do tipo que esquece o que disse. A amnésia seletiva de políticos não costuma ser vista como virtude, mas, assim como um relógio parado acerta duas vezes por dia, há casos em que a má memória de autoridades vem a calhar.

Em 2010, quando era candidato ao governo paulista, Mercadante prometeu acabar com a progressão continuada. Apesar de popular, tal medida seria um grave erro.

Se há um “non sequitur” no mundo da pedagogia, ele está na noção de reprovação, em especial nas séries iniciais. Existem duas possibilidades lógicas para o caso de uma criança não aprender: ou o problema está no estudante, ou no colégio.

Na primeira hipótese, não há muito a fazer. O melhor que a escola pode oferecer a esse aluno é um espaço de convivência que o mantenha longe de encrencas. Neste caso, retê-lo numa série só o separa dos amigos.

Se, por outro lado, a falha está no sistema, que não consegue ensinar, aí é que a reprovação não vai surtir nenhum efeito, tornando-se o equivalente pedagógico da mandinga.

É mais razoável, como prevê a teoria da progressão continuada, que a escola identifique tão rapidamente quanto possível os alunos que não assimilam os conteúdos e procure corrigir a situação. É claro que é mais fácil falar do que fazer. Para o sistema funcionar, é necessário que a rede pública desenvolva estruturas de avaliação fina, de aulas de reforço e de apoio psicopedagógico.

A implantação dos ciclos em São Paulo, iniciada em 1997, foi um desastre que deve ser debitado na conta dos tucanos. A mudança foi ditada de cima para baixo sem explicar nada a ninguém. Na prática, virou aprovação automática. Mas não é porque o projeto foi mal executado que a teoria deve ser rejeitada. Resta esperar que o ministro esqueça o que disse. Não seria a primeira vez.

helio@uol.com.br

Plano Nacional de Educação tem 20 metas; 20% são ligadas à valorização do professor

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Educação, Fernando Haddad, entregou hoje (14) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o projeto de lei do novo Plano Nacional de Educação (PNE) que irá vigorar na próxima década. O documento de 14 páginas estabelece 20 metas a serem alcançadas pelo país até 2020. Cada uma delas é acompanha de estratégias para que se atinjam os objetivos delimitados. Algumas determinações já foram previstas em leis aprovadas recentemente ou fazem parte do PNE ainda em vigor.

Pelo menos 20% das metas tratam diretamente da valorização e formação dos profissionais do magistério. Entre elas a garantia de que todos os sistemas de ensino elaborem planos de carreira no prazo de dois anos, que todos os professores da educação básica tenham nível superior e metade deles formação continuada com pós-graduação – com a previsão de licenças para qualificação. O PNE ainda determina que o rendimento médio do profissional da educação não seja inferior ao dos demais trabalhadores com escolaridade equivalente.

O plano inclui metas de acesso à educação infantil, ensino médio e superior. Ele reafirma a proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada neste ano que determina a universalização da pré-escola até 2016 e acrescenta que 50% das crianças de até 3 anos devam ter acesso à creche até 2020, patamar que já estava apontado no atual PNE mas não foi atingido. Hoje, esse atendimento é inferior a 20%.

No ensino superior, o PNE estabelece que 33% dos jovens de 18 a 24 anos estejam matriculados nesta etapa – hoje esse percentual é inferior a 15%, longe da meta de 30% que havia sido estabelecida no plano aprovado em 2001. Considerando toda a população, a taxa de matrícula deverá atingir 50% até 2020. No ensino técnico a matrícula deverá ser duplicada. O plano também determina que se atinja a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Outra meta é que todas as crianças sejam alfabetizadas até os 8 anos de idade e o analfabetismo na população com mais de 15 anos erradicado até o fim da década – essa última também já estava prevista no PNE em vigor, mas a taxa ainda é de 9,7%. A educação em tempo integral deverá ser oferecida em 50% das escolas públicas e os cargos de direção ocupados mediantes critérios técnicos e mérito. Hoje é comum que os diretores sejam indicações políticas das secretarias de educação.

O Ministério da Educação (MEC) também incluiu no documento as metas de crescimento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que funciona como um termômetro da qualidade da educação. Até 2021 o país deverá atingir média 6 em uma escala de 0 a 10 – em 2009 a nota foi 4,6. Como Haddad já havia adiantado, o plano inclui a meta de investimento de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na área.

Leia Tambem

 Conheça as 20 metas do PNE acesse aqui: http://wp.me/p10dkU-fk

O presidente Lula encaminhará o projeto de lei ao Congresso Nacional que começará a discussão do texto na próxima legislatura. A previsão é que o novo PNE possa ser aprovado até o fim do primeiro semestre de 2011.

Edição: Lílian Beraldo

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