“Continuamos defendendo teses de esquerda”

Antônio More/ Gazeta do Povo

Antônio More/ Gazeta do Povo /

Entrevista

André Vargas, deputado federal PT – PR

Publicado em 24/09/2011 | Rogerio Waldrigues Galindo

O congresso mostrou um PT mais próximo do centro?

O PT é de esquerda, e um dos maiores partidos de esquerda democrática do mundo. É único partido no país, por exemplo, que faz um congresso como esse, com 1,4 mil delegados eleitos. Continuamos defendendo teses de esquerda. Defendemos os mais pobres, distribuição de renda. Não somos de centro.

O estatuto do partido prevê o socialismo. Isso ainda vale?

Temos de avançar para uma sociedade mais justa, onde o lucro não esteja acima das pessoas. Precisamos avançar para essa sociedade. Mas queremos o socialismo com democracia. Não defendemos a extinção do mercado livre ou o fim da propriedade privada.

Mas esse socialismo com democracia não é muito semelhante à social-democracia?

Foram os conceitos de Karl Marx que criaram a social-democracia europeia. Aqui no Brasil é que o partido que se diz social-democrata é de direita.

Houve pressão do governo para que alguns pontos fossem suavizados no congresso?

Nós interagimos com pessoas dentro do governo. Não existe essa entidade “governo”. Existem militantes nossos que estão no governo. Podem existir contradições entre a tese partidária e o governo. Mas temos de levar pelo menos o debate às últimas consequências.

O fato de ser governo mudou o PT?

Qualquer partido quando chega ao poder tem novos deveres. Mesmo porque você não governa só com as suas teses.

Publicado originalmente no Gazeta do Povo

Sobre Marx: seu nome atravessará os séculos, bem como sua obra, por Engels

Discurso no Funeral de Karl Marx 
por Friedrich Engels 
em 18 de março de 1883
Em 14 de março, quando faltam 15 minutos para as 3 horas da tarde, deixou de pensar o maior pensador do presente. Ficou sozinho por escassos dois minutos, e sucedeu de encontramos ele em sua poltrona dormindo serenamente — dessa vez para sempre.
O que o proletariado militante da Europa e da América, o que a ciência histórica perdeu com a perda desse homem é impossível avaliar. Logo evidenciará-se a lacuna que a morte desse formidável espírito abriu.
Assim como Darwin em relação a lei do desenvolvimento dos organismos naturais, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da História humana: o simples fato, escondido sobre crescente manto ideológico, de que os homens reclamam antes de tudo comida, bebida, moradia e vestuário, antes de poderem praticar a política, ciência, arte, religião, etc.; que portanto a produção imediata de víveres e com isso o correspondente estágio econômico de um povo ou de uma época constitui o fundamento a parir do qual as instituições políticas, as instituições jurídicas, a arte e mesmo as noções religiosas do povo em questão se desenvolve, na ordem em elas devem ser explicadas – e não ao contrário como nós até então fazíamos.
Isso não é tudo. Marx descobriu também a lei específica que governa o presente modo de produção capitalista e a sociedade burguesa por ele criada. Com a descoberta da mais-valia iluminaram-se subitamente esses problemas, enquanto que todas as investigações passadas, tanto dos economistas burgueses quanto dos críticos socialistas, perderam-se na obscuridade.
Duas descobertas tais deviam a uma vida bastar. Já é feliz aquele que faz somente uma delas. Mas em cada área isolada que Marx conduzia pesquisa, e estas pesquisas eram feitas em muitas áreas, nunca superficialmente, em cada área, inclusive na matemática, ele fez descobertas singulares.
Tal era o homem de ciência. Mas isso não era nem de perto a metade do homem. A ciência era para Marx um impulso histórico, uma força revolucionária. Por muito que ele podia ficar claramente contente com um novo conhecimento em alguma ciência teórica, cuja utilização prática talvez ainda não se revelasse – um tipo inteiramente diferente de contentamento ele experimentava, quando tratava-se de um conhecimento que exercia imediatamente uma mudança na indústria, e no desenvolvimento histórica em geral. Assim por exemplo ele acompanhava meticulosamente os avanços de pesquisa na área de eletricidade, e recentemente ainda aquelas de Marc Deprez.
Pois Marx era antes de tudo revolucionário. Contribuir, de um ou outro modo, com a queda da sociedade capitalista e de suas instituições estatais, contribuir com a emancipação do moderno proletariado, que primeiramente devia tomar consciência de sua posição e de seus anseios, consciência das condições de sua emancipação – essa era sua verdadeira missão em vida. O conflito era seu elemento. E ele combateu com uma paixão, com uma obstinação, com um êxito, como poucos tiveram. Seu trabalho no ‘Rheinische Zeitung’ (1842), no parisiense ‘Vorwärts‘ (1844), no ‘Brüsseler Deutsche Zeitung’ (1847), no ‘Neue Rheinische Zeitung‘ (1848-9), no ‘New York Tribune’ (1852-61) – junto com um grande volume de panfletos de luta, trabalho em organização de Paris, Bruxelas e Londres, e por fim a criação da grande Associação Internacional de Trabalhadores coroando o conjunto – em verdade, isso tudo era de novo um resultado que deixaria orgulhoso seu criador, ainda que não tivesse feito mais nada.
E por isso era Marx o mais odiado e mais caluniado homem de seu tempo. Governantes, absolutistas ou republicanos, exilavam-no. Burgueses, conservadores ou ultra-democratas, competiam em caluniar-lhe. Ele desvencilhava-se de tudo isso como se fosse uma teia de aranha, ignorava, só respondia quando era máxima a necessidade.
E ele faleceu reverenciado, amado, pranteado por milhões de companheiros trabalhadores revolucionários – das minas da Sibéria, em toda parte da Europa e América, até a Califórnia – e eu me atrevo a dizer: ainda que ele tenha tido vários adversários, dificilmente teve algum inimigo pessoal.
Seu nome atravessará os séculos, bem como sua obra!
Leia mais em  marxists.org
Hoje comemora-se 193 anos de nascimento, do fundador do socialismo científico, Karl Marx. O texto acima é um discurso feito por seu principal camarada Friedrich Engels no dia que Marx nos deixou. Mas como a história demostrou até os dia hoje, seu nome e sua obra atravessará séculos.

Ciclo de seminários KARL MARX: LIVRO A LIVRO

LeMarx, Cenedic e programa de pós-graduação em sociologia convidam.

14 de abril, às 17:30 hs, na sala 24 do prédio das Ciências Sociais da USP

INTRODUÇÃO [À CRÍTICA DA ECONOMIA POLÍTICA] (1857-1858)

Manuscrito mencionado por Marx no Prefácio de Para a crítica da economia política. Só foi publicado, em 1903, por Kautsky, que lhe atribuiu esse título. Foi editado depois, em 1939, como a parte inicial dos Grundrisse.

Marx demonstra aqui, antes de tudo, que ir do abstrato ao concreto é o único método científico adequado para apropriar-se do concreto, reproduzindo-o como concreto pensado. Por isso, o pensamento só pode compreender plenamente o concreto em um processo de síntese, ou seja, pela reconstrução progressiva do concreto a partir de suas determinações abstratas (Roman Rosdolsky).

Expositor: ELEUTÉRIO PRADO

Eleutério Prado é professor titular de teoria econômica na Faculdade de Economia e Administração da USP. Publicou, entre outros, os seguintes livros: Economia, complexidade e dialética (Plêiade, 2009), Desmedida do valor: crítica da pós-grande indústria (Xamã, 2005)

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