IMPORTANTE – Artigo sobre Mineração- J.P. Stedile

Artigo originalmente pulicado em Virgulino Rei do Cangaço

O MAIOR SAQUE COLONIAL DE MINERIOS DO MUNDO!

Por Joao Pedro Stedile

Certa ocasião estive visitando nosso saudoso Celso Furtado, em sua casa no Rio de janeiro, e ele me disse que a transferência liquida de recursos financeiros do Brasil ao exterior na década de 80 foi tão grande, que em um ano o Brasil enviou uma riqueza maior do que os 300 anos de saque de minérios de 1500 a 1822.

Pois agora, estamos diante de um novo saque colonial, através das exportações de minérios que as empresas vem fazendo em todo Brasil , em especial através da VALE depois de sua privatização fraudulenta após 1997.

Vejam alguns dados, que deixam a todos brasileiros envergonhados.

OS LUCROS FANTASTICOS

– Nos últimos anos a VALE exportou em média 90 milhões de toneladas de ferro por ano, alcançado a marca de mais um bilhão de toneladas levadas ao exterior, depois da privatização.

– O valor do seu patrimônio contábil considerando instalações, jazigas, etc é estimado em 140 bilhões de dólares. Mas numa operação que o Tribunal Federal de Brasília, considerou fraudulenta e anulou em sentença o Leilão, a empresa foi privatizada por apenas 3,4 bilhões de reais!. A empresa recorreu da sentença e há dez anos dorme nas gavetas dos tribunais. Para quem tiver curiosidade, acaba de ser lançado o livro PRIVATARIA TUCANA, em que o jornalista Amaury Junior descreve com detalhes a manipulação do leilão e as gorjetas recebidas pelos governantes da época. Leia!

– Por conta da Lei Kandir sancionada durante o governo FHC, as exportações de matérias primas agrícolas e minerais, não pagaram mais nenhum centavo, estão isentas de ICMs de exportação. Assim, os estados do Para e de Minas Gerais não receberam nenhum centavo por esse bilhão de toneladas de ferro exportado.

– O Lucro líquido da empresa apenas em 2010 foi de 10 bilhões de reais, e agora em 2011 foi de 29 bilhões de reais. Mas pagou de contribuição (royalties ) apenas 427 milhões de reais.

– Com a crise financeira do capital internacional os preços das commodities agrícolas minerais sofreram especulação dos grandes grupos e dispararam. Nos últimos anos a Vale tem vendido uma tonelada de ferro a 200 dólares em média, enquanto o custo real de extração está em torno de apenas 17 dólares a tonelada.

– Cerca de 62% das ações da Vale com direito ao lucro, depois da privatização pertencem a proprietários estrangeiros. Por tanto, toda essa riqueza acaba no exterior. Somente em 2010/11 a empresa distribuiu mais de 5 bilhões de dólares em dividendos para seus acionistas.

AS PRáTICAS FRAUDULENTAS DA EMPRESA

– A soma de todos os tributos pagos pela empresa ao Estado brasileiro, somados Prefeituras, governos estaduais e federais, representam menos que 2% de todo lucro. Segundo noticiário da grande imprensa, o governo federal está cobrando na justiça uma divida de 30,5 bilhões de reais, de tributos sonegados pela empresa. A prefeitura de Paraupebas,(PA) sede da mina de ferro de carajás, já inscreveu na divida publica ativa a divida de 800 milhões de reais de impostos sobre serviços não pagos, nos últimos dez anos. Mesmo assim a empresa recorreu e não admite pagar. Se qualquer cidadão atrasar uma prestação de geladeira perde seus bens. Já a poderosa Vale…

– Não satisfeita com essa negação de dividas ao estado brasileiro, a VALE abriu uma empresa subsidiária nas Ilhas Caymans, para onde fatura suas exportações, e segundo o prefeito de Paraupebas é a forma utilizada para subfaturar a tonelada do minério de ferro e assim falsifica seu lucro liquido. Por outro lado criou uma nova empresa no município (cantão) suíço de Vadeu, aonde colocou a sede mundial da empresa lá na suíça, para administrar os negócios dos outros 30 paises aonde opera. E até lá, tem sonegado os impostos para o governo suíço, que entrou na Justiça local para reavê-los.

– Nem seus laboriosos trabalhadores das minas recebem alguma compensação de tanto esforço e lucro gerado. Cerca de 70% dos trabalhadores são tercerizados e recebem baixos salários. A empresa não cumpre a CLT e a Constituição, segundo o Juiz do trabalho de Marabá, que a condenou em vários processos, pois a empresa tem trabalho continuo durante todo dia, todo ano. E a lei determina que nesses casos o turno deve ser de no máximo 6 horas, em 4 turmas. A empresa não cumpre e usa apenas três turnos de 8 horas, fazendo com que os trabalhadores gastem mais de 12 horas do seu dia, entre idas, vindas e o tempo de trabalho.

– A empresa possui um serviço de inteligência interno herança do maldito SNI/ABIN, operando por antigos servidores do regime militar, que bisbilhoteiam a vida dos trabalhadores, das lideranças populares na região e dos políticos que podem não apoiar a empresa. Em um processo recente, a empresa apresentou copias ilegais de mensagens de correio eletrônicos demonstrando sua capacidade de espionagem. Em 2007, depois de uma manifestação do movimento de garimpeiros de Serra Pelada contra a empresa, foram diretores da VALE, no aeroporto de Carajás, que selecionaram para a Policia, quem entre as 70 pessoas retidas, deveria ser processado e preso. E assim selecionados foram transportados do aeroporto para Belém.

OS CRIMES AMBIENTAIS

– Cerca de 98% de suas explorações em todo o Brasil são em minas de céu aberto, que causam enormes prejuízos ambientais.

– O pouco processamento industrial que o minério recebe, para ser também exportado em pelotas, é feito por guseiras associadas a VALE e utilizam de carvão vegetal, feito a partir de desmatamento da floresta nativa da amazônia, ou com monocultivo de eucalipto, ambos causadores de enormes prejuízos ambientais. Alem dos prejuízos para a saúde da população…>>> Leia mais clicando aqui

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O significado da queda de Kadafi

Escrito por Nivaldo Cordeiro | 26 Agosto 2011
Internacional – Europa

A social-democracia agoniza em desespero pelas ruas das grandes cidades da Europa. Podemos aqui até parafrasear a célebre frase de Lênin: o estágio superior da social-democracia é o imperialismo. É essa a lição mais completa que podemos retirar desse fato histórico.

É o fim para o regime de Muammar Kadafi na Líbia. É preciso meditar sobre esse acontecimento. Kadafi fez o bem à Líbia, apesar de seu comportamento grotesco, seu mau gosto consumista e dos seus arroubos de terrorista. Deu ao seu país quarenta e dois anos de paz em uma região em que a paz é um bem raro. E também prosperidade. A Líbia, sob seu comando, era uma das economias melhor administradas da África. Sua presença pacificadora garantiu a prosperidade fornecida pelo farto petróleo.

Quem derrubou Kadafi? Certamente não foram os rebeldes, minoritários de tribos minoritárias, eles que, inicialmente, eram mal armados e mal treinados. Kadafi foi derrubado pela vontade da França, que obteve o nihil obstat de Barack Obama e o apoio da OTAN. A França fez uma guerra de conquista. No começo, as forças da OTAN limitaram-se a neutralizar a Força Aérea Líbia, que lhe dava absoluta vantagem sobre os rebeldes, e a sua marinha de guerra. Há notícias de que tropas de elite da OTAN também entraram em ação. Em suma, estamos diante de um golpe de Estado perpetrado por potências estrangeiras, usando como gendarme o arremedo de revolucionários maltrapilhos. O primeiro navio com o petróleo da área conquista teve como destino a França, fato que simboliza o real motivo da guerra: pilhar o petróleo líbio.

Estamos diante de um ato novo de imperialismo, o renascer dos velhos tempos, anteriores à Segunda Guerra Mundial, em que as potências européias invadiam países militarmente mais fracos para tomar à força suas riquezas. É isso que estamos vendo acontecer com a Líbia. E por que a Líbia? Porque ela combina três fatores: riqueza abundante, fraqueza militar e um governante antipático ao Ocidente. Foi o mesmo que tirar pirulito de criança. Claro, a Líbia sempre esteve na esfera de influência francesa, que viu sua hegemonia minguada com o voluntarismo de Kadafi, de se aproximar da China e dar uma banana aos seus antigos “amigos” espoliadores.

Gerou-se um paradigma, que poderá ser repetido no futuro. Essa guerra foi completamente diferente da guerra no Iraque e no Afeganistão. Há motivos militares relevantes para que estas últimas tenham ocorrido. Na Líbia, pelo contrário, foi uma guerra de conquista, mais especificamente, um ato de pirataria puro e simples. A França garantiu para si fonte abundante e barata (preços politicamente administrados) de petróleo, nos termos que ela tinha com o Iraque de Saddam Hussein. Penso que a motivação francesa está calçada na forte crise econômica que atravessa a Europa. O preço do petróleo tem subido muito e o inverno se aproxima. Resolvido um gargalo econômico com o uso puro e simples da força bruta.

E se a crise se agravar na Europa, algo que me parece o cenário mais provável? A experiência na Líbia, fácil e rendosa, pode ser tentada novamente em outra parte. Claro, uma presa tão fácil não há mais, mas os benefícios podem valer os riscos. A social-democracia agoniza em desespero pelas ruas das grandes cidades da Europa. Podemos aqui até parafrasear a célebre frase de Lênin: o estágio superior da social-democracia é o imperialismo. É essa a lição mais completa que podemos retirar desse fato histórico.

Quanto mais a crise econômica se agravar, mais haverá a tentação da ação direta contra países com matérias primas fartas e baratas e fraqueza militar. Melhor ainda se tiver internamente um movimento de rebelião organizado, a ser usado como aríete.

A queda de Kadafi só comprova que os velhos demônios do imperialismo, de triste memória, estão novamente à solta. Um mau sinal. Tempos de grandes perigos.

Mijando no Rio Sena (uma análise da crise européia) (via @migueldorosario)

(Esta mulher com pose lânguida e doce lembra-me a Europa, continente melancólico, pessimista, mas sempre idealista e apaixonado pela liberdade. A pintura é de Modigliani. Lembrete: o Óleo do Diabo será atualizado aos sábados.)

A Europa não está em crise. Muito pelo contrário, o Velho Continente vive o seu apogeu político, econômico e social. A mesma coisa vale para os Estados Unidos, mas concentrar-me-ei na Europa neste breve ensaio, para não me estender muito.

Muita gente acreditará que essas afirmações saem da boca de um louco furioso, de um palhaço, de um imbecil.

Mas é o que eu afirmo. E provo.

Crise, quem vive hoje é o continente africano, os países árabes, e muitas regiões ou países da América Latina. Aí encontraremos, em magnitude jurássica, fome, violência, doenças, corrupção e ditadura.

A Europa vive uma crise de obesidade, provocada pelo excesso de bem estar e riqueza.

A vida média de seus cidadãos registrou um salto nos últimos 30 anos, sobrecarregando os sistemas previdenciários, cujos déficits monstruosos representam um dos problemas mais graves nas contas públicas dos estados europeus.Não só as pessoas estão vivendo mais, como a taxa de natalidade caiu, elevando substancialmente o percentual da população economicamente não-ativa.

Naturalmente, alguns países europeus enfrentam problemas financeiros graves. Em Espanha e Grécia, o desemprego atingiu níveis alarmantes.

Não estou dizendo que a situação européia é perfeita. O problema é analisá-la com base num conjunto exíguo de dados, e por um período curto de tempo.

Se olharmos para história da Europa dos últimos sessenta anos, o que veremos? Guerras, miséria, destruição. Para não irmos muito longe, vamos nos limitar aos últimos 20 ou 30 anos.

As grandes e médias cidades européias de hoje tem sistemas de transporte público, saneamento, educação e saúde muito melhores do que possuíam há vinte anos. Há bibliotecas públicas em cada bairro. Portos, aeroportos, estradas, ferrovias, a Europa avançou em todos esses segmentos. Há projetos grandiosos, iniciados há vinte anos, que só foram concluídos há pouco. Penso em Paris, por exemplo. O metrô de Paris, inaugurado no início do século XX, conecta-se aos trens que levam às periferias e aos trens que levam a outras regiões da França e Europa. Todo esse sistema tem sido melhorado década após década, e tenho certeza que é bem superior hoje do que era há quinze anos.

Falam-se em corte dos programas sociais, é verdade, mas são cortes pontuais. A estrutura do bem estar social na Europa se mantém intacta: uma previdência social universalizada. Não é preciso sequer contribuir para se aposentar na Europa. Todos tem direito, o que é o supra-sumo do humanismo, pois parte da premissa de que todo ser humano é, de uma forma ou outra, um trabalhador, mesmo que não integre um sistema formal. Essa universalização da previdência só pode ter sido atingida há poucos anos, visto que começou a ser implementada a partir da década de 60 ou 70.

A “crise” européia, na verdade, reflete duas transformações fundamentais no planeta:

  • Uma reviravolta profunda na divisão internacional do trabalho, com migração de setores inteiros da indústria global para a China.
  • Uma depressão pós-imperialista muito forte no europeu. Depois da II Guerra, a Europa continuou dominando colonialmente (explicitamente ou não) grande parte do planeta, especialmente a África e partes da Ásia. Esta situação permitiu um conforto financeiro que permitiu a seus governos promoverem um generoso Estado de Bem Estar Social. Aliás, essa é uma verdade dura que os europeus tem dificuldade de enxergar: a vida confortável do europeu foi construída, em grande parte, em detrimento do continente africano, que fornecia matéria-prima e mão-de-obra baratas e comprava produtos europeus.
Quando a Ásia começa a produzir as mesmas mercadorias e a exportá-las a preço mais competitivo, a Europa faz uma transição difícil, que ainda está em curso: sua economia desloca-se cada vez mais para o setor de alta tecnologia e serviços.  Como alta tecnologia, não me refiro somente a produtos de informática, que aliás também já estão sendo produzidos, em sua maior parte, na China, mas sobretudo a máquinas de alta precisão, medicamentos, produtos químicos.
É preciso sempre lembrar, todavia, que à medida em que novos pólos industriais se consolidam fora da Europa e EUA, criam-se igualmente gigantescos novos mercados, fortemente interessados numa série de produtos do primeiro mundo. O faturamento da indústria de entretenimento norte-americana na Ásia, hoje, indica que possivelmente em pouco tempo este poderá ser o seu maior mercado. A quantidade de turistas que viaja à Europa também tem crescido exponencialmente.
Ou seja, a economia mundial tende ao equilíbrio, mesmo que aos repuxões. A Europa, na verdade, é uma das regiões que melhor enfrenta essa travessia, visto que possui vastos programas de assistência social, que amortecem os prejuízos humanos inevitáveis.
Nós, da América Latina, enfrentamos uma violenta transição econômica nos anos 90, sem nenhuma ajuda do Estado. Ao contrário. A Europa baixa os juros na crise, o Brasil aumentava. A crise européia não gera inflação; nós experimentamos processos desumanos de hiperinflação. Os gregos estão desesperados porque o governo determinou uma redução de 20% do salário mínimo e corte no salário do funcionalismo público. Nós vivemos décadas de corrosão do salário mínimo, que chegou ao fundo do poço em meados dos anos 90, quando ficou inferior a 40 dólares. O funcionalismo público brasileiro também experimentou contínua redução de salário (via inflação) durante muito tempo.
O que a Europa vive hoje são as convulsões de um renascimento como um continente ainda mais unido. A decisão de realizar a união fiscal dos países, por exemplo, aponta para uma unificação muito mais consistente.
Acho exagero as análises que, referindo-se à Grécia, falam em novo colonialismo. O governo grego é democrático, e suas decisões, difíceis e polêmicas, representaram uma escolha soberana. A Grécia poderia ter optado por sair da zona do euro, mas todas as pesquisas apontavam o desejo do povo grego de continuar participando da união monetária.

Alguns textos, mais superficiais, falaram em época dourada dos gregos. Isso é bobagem. Só é possível entender a Grécia a partir de sua história moderna, após a II Guerra. A Grécia também viveu séculos de opressão, miséria e falta de esperança. Somente nas últimas décadas o país encontrou uma estabilidade que possibilitou aos gregos gozar de um período de calma prosperidade. Vimos, porém, que o país cometeu erros macroeconômicos terríveis, que deveriam ter sido solucionados há muitos anos.

A Grécia sofreu ainda dois impactos desindustrializantes: com a União Européia, passou a ser mais barato comprar da Alemanha do que das indústrias locais; e a China não fica longe. Não acho, porém, que devemos gastar nossa piedade com a Grécia, visto que nós, brasileiros, temos um percentual de miséria muito maior do que na pátria de Sófocles; e logo ali abaixo tem início o continente africano, cujos países ainda experimentam suplícios que fazem da crise grega uma comichãozinha desagradável. O desemprego é muito alto na Grécia, mas quase ninguém passa fome.

A chamada crise na Europa reflete também o fracasso econômico de suas ex-colônias na África. E a culpa recai mais uma vez sobre a própria Europa, que não investiu de maneira inteligente e sustentável nesses países, preferindo financiar ongs assistencialistas que jamais contribuíram para um desenvolvimento econômico concreto (em termos agrícolas e industriais, por exemplo) do continente negro.

Mas a África está crescendo, o que vai beneficiar a Europa no médio e longo prazo, na medida em que criará novos mercados para os serviços e produtos europeus.

O mais famoso poema de Leopardi, o maior poeta italiano depois de Dante, intitula-se O infinito. É um poema curto e belo como um orgasmo. Fala de uma colina de onde o poeta pode admirar o horizonte, e fruir o silêncio profundo que lhe faz pensar no infinito. Em seus ouvidos, porém, lhe chega o som do vento agitando as folhas das árvores; daí ele compara aquele “infinito silenzio a questa voce”, e vem-lhe a consciência do eterno, das eras mortas e das presentes e vivas. Termina com uma (raríssima na prosa leopardiana, quase sempre pessimista e melancólica) nota de alegria suave e transcendente: “Assim, nesta imensidão se afoga o meu pensamento: e o naufragar me é doce neste mar”.

Minha opinião sobre a crise européia lembra esse poema. Eu a vejo como o ruído do vento agitando as folhas, e o comparo ao silêncio profundo das eras mortas, com seus massacres, seus atos de clamorosa injustiça, suas belas e cruéis revoluções, séculos e séculos de fome, miséria, desesperança, guerras. Meditando nesse quadro assombroso de sofrimento, a maior parte dele já superado, sinto uma doçura imensa quando me sento à beira do Sena, na pontinha da Ile de la Cité, numa tarde tão gélida que não há ninguém por perto.

Acompanhado por um pacote com seis long-necks Leffen, pelas quais paguei menos de sessenta centavos cada, contemplo as ondinhas brilhantes de suas águas. De vez em quando, levanto-me, confiro se nenhum barco está passando, e mijo solene e elegantemente no rio, chorando e rindo ao mesmo tempo ao pensar na ironia fraterna de Voltaire, na escatologia cômica de Rabelais, na emoção quase piegas de Jules Michelet ao analisar a Revolução Francesa – e na inacreditável inocência e simplicidade de espírito com a qual o pobretão Rousseau mudou o mundo.

 

(Pontinha da Ile de La Cité, o coração histórico de Paris)

 

(Ile de la Cité)

*

Sempre caro mi fu quest’ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte
dell’ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma sedendo e mirando, interminati
spazi di là da quela, e sovrumani
silenzi, e profondissima quiete
io nel pienser mi fingo; ove per poco
il cor non si spaura. E come il vento
odo stormir tra queste plante, io quello
infinito silenzio a questa voce
vo comparando: e mi sovvien l’eterno
e le morte stagioni, e la presente
e viva, e il suon di lei. Cosí tra questa
immensità s’annega il pienser mio:
e il naufragar m’é dolce in questo mare.

Giacomo Leopardi

*

Sempre me foi caro esse monte solitário
e estas árvores, que de vários pontos
escondem o horizonte.
Sentado e contemplando os intermináveis
espaços desde lá até as árvores, e os sobrehumanos
silêncios, e sua profunda calma,
eu mergulho em fantasia; e por pouco
o coração não pára. E ouvindo o vento
bramir entre as plantas, eu
comparo o infinito silêncio a esta voz (do vento)
e me sobrevêm o eterno
e as mortas estações e a presente
e viva, e o som delas. Assim, em meio a esta
imensidade se afunda meu pensamento:
e naufragar é doce neste mar.

(Tradução: Miguel do Rosário)

Acordo internacional antipirataria (ACTA) será assinado no sábado #meganao!

por Antonio Arles

O ACTA será assinado no próximo sábado por alguns países, dentre eles os EUA, país proponente do acordo. Esse instrumento de censura foi negociado às escuras e afetará de forma definitiva a Rede, criminalizando práticas comuns de seus usuários. Vamos deixar esse absurdo passar sem, ao menos, gritar?!

Mais informações no blog do Nassif: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/acordo-internacional-antipirataria-sera-assinado-no-sabado

O outro 11 de Setembro

Em 11 de setembro de 1973, um golpe de Estado derrubou o governo da Socialista de Salvador Allende. que havia sido eleito em 1970, com pequena margem de vantagem  sobre o candidato da direira Jorge Alessandri.

Este é o  11 de Setembro que a mídia não fala… Mas estaremos por aqui sempre a lembrar

O desfecho foi a morte de Allende, que durante o 3 anos de seu governo (da Unidade Popular), se guiouo pela luta antiimperialista, a mobilização pela reforma agrária e a nacionalização de empresas estrangeiras, principalmente as minas de cobre.

O golpe teve o apoio do governo dos EUA, e foi articulado e financiado pela CIA e teve o apoio dos governos ditadoriais da América do Sul, inclusive o Brasil, e que mais tarde intituiriam a “Operação Condor”, uma associação destas ditaduras para sequestro e extermínio de militantes poíticos. Muitos brasileiros que haviam se refugiado no Chile sofreram as consequencias do Golpe

“Dos desertos do salitre, das minas submarinas do carvão, das alturas terríveis onde jaz o cobre e onde as mãos do meu povo o extrai com trabalho desumano, surgiu um movimento libertador de importância grandiosa. Esse movimento levou à Presidência do Chile um homem chamado Salvador Allende.” (Pablo Neruda)

O documentário A trilogia “A Batalha do Chile”, do cineasta Patricio Guzmán relatas os dias anteriores e posteriores ao gole e merece ser visto

A Batalha do Chile I – A insurreição da burguesia

A Batalha do Chile II – O golpe de estado

A Batalha do Chile III – O poder popular

para saber mais consulte pt.wikipedia.org

A Batalha do Chile – Parte 1 – A Insurreição da Burguesia from Zaire on Vimeo.

A Batalha do Chile – Parte II – O Golpe de Estado from Zaire on Vimeo.

Postado por Mario Marsillac

11 de setembro by Latuff (via @operamundi)

Mísseis abandonados na Líbia podem cair em mãos de radicais

Quando os soldados do ex-líder líbio Muammar Gaddafi abandonaram este canto de um campo nos arredores de Trípoli onde estavam acampados, deixaram para trás seus uniformes do Exército, uma embalagem de desodorante Brut e um míssil tático Scud, de fabricação soviética.

Dias depois, esse foguete, armado em um caminhão de lançamento e posicionado na direção da capital líbia, ainda está sob os eucaliptos onde foi deixado.

O grupo heterogêneo de forças rebeldes que derrubou Gaddafi duas semanas atrás não deixou nenhum guarda no local para impedir que alguém levasse o míssil ou saqueasse suas partes.

Potências ocidentais e países vizinhos da Líbia temem que o vazio de poder possa fazer com que enorme quantidade de armas arregimentadas durante a guerra civil vá parar nas mãos de militantes islâmicos, em especial o braço norte-africano da rede Al Qaeda.

Autoridades do governo interino da Líbia, o Conselho Nacional de Transição (CNT), dizem estar tentando recolher essas armas. Mas há poucos indícios disso no local onde foi deixado o Scud, em uma área rural situada cerca de 25 quilômetros a sudeste de Trípoli.

Abdelhamid Omar Derbek, um coronel no quartel-general militar local anti-Gaddafi, disse que ele e seus homens visitam o local várias vezes ao dia.

“Eu faço o patrulhamento aqui… e há ainda um outro turno que faz a mesma coisa”, afirmou Derbek, que traz um fuzil Kalashnikov no ombro, mas cuja patente militar não é visível em suas vestes – camiseta amarela Lacoste, jeans e sandálias.

Para o exercício de todas as suas funções de supervisão, Derbek está baseado em uma instalação militar situada a 15 quilômetros do local. Ele foi neste domingo com uma equipe de jornalistas da Reuters de sua base até o campo onde está o Scud, mas não havia ninguém posicionado lá para fazer a proteção do míssil.

Um grupo de curiosos da comunidade local estava observando as peças.

Um complexo de lançamento de um Scud, que é integrado por um foguete de 11 metros com alcance de até 300 quilômetros, dependendo de suas condições, poderia ser um recurso valioso para qualquer insurgente.

E não é um risco apenas no caso de ser lançado. Somente a ogiva contém quase uma tonelada de potente explosivo, que poderia ser removido do foguete por guerrilheiros urbanos e usado para fabricação de bombas improvisadas.

“A possibilidade certamente existe”, disse o perito militar Shashank Joshi, do Royal United Services Institute, da Grã-Bretanha. “A Argélia ficou apavorada durante este conflito com o risco de que estoques como esse, de artefatos explosivos, sejam retirados da Líbia e usados pelos militantes ligados à Al Qaeda.

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