PT vai à guerra (?)

Posted by eduguim

Sob a liderança de Lula e com a concordância da presidente Dilma, o Partido dos Trabalhadores parece finalmente ter entendido que estava sendo tramado um golpe eleitoral contra si. A direita midiática pretendia usar o julgamento do inquérito do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal neste semestre ou, no máximo, no próximo – em pleno processo eleitoral – para vitaminar a oposição e debilitar o PT.

Eis que cai no colo do partido o escândalo envolvendo Carlinhos Cachoeira e expoentes da oposição demo-tucana como a vestal-mor da República, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), e o acusador de Lula de ter tomado conhecimento do “mensalão”, o governador de Goiás, Marconi Perillo.

Aturdida, a mídia passa a tentar se desvincular de Demóstenes e cai de pau em cima dele afetando indignação e se dizendo “traída”. Parceira de Cachoeira, que lhe fundamentou a maioria dos ataques ao PT – inclusive durante eleições presidenciais – na década passada e que acabara de ser flagrada em centenas de contatos diretos com o bicheiro, tenta reagir à ameaça de investigação por suas relações com o crime organizado e desencadeia uma campanha em que ameaça o partido do governo com um “efeito bumerangue” contra si e o governo Dilma caso a investigação prossiga.

Poucos dias após dizer que Lula e Dilma apoiavam a criação da CPI, agora a mídia diz que a presidente e “setores do PT” estariam “com medo” da investigação. Além disso, atende à estridência do senador tucano do Paraná, Álvaro Dias, que vinha afirmando que o vazamento de escutas seria seletivo, e começa a noticiar cobranças ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, sobre os vazamentos e a tal “seletividade” cobrada pela oposição.

O PT reage com vídeo de seu presidente, Rui Falcão, em que denuncia que a mídia quer abafar o escândalo de Cachoeira e impedir a CPI, e cobra empenho do partido e de aliados pela instalação da investigação e posterior desmascaramento da “farsa do mensalão”.

Em seguida, o partido divulga em seu site resolução política em que repete a exortação de seu presidente e também denuncia uma “Operação abafa em torno do envolvimento do senador Demóstenes Torres (DEM-Goiás) com a organização criminosa comandada pelo notório Carlos, alcunhado de Carlinhos  Cachoeira”.

Por fim, nesta sexta-feira 13, no Jornal Folha de São Paulo, uma prévia daquilo em que deverá se transformar a CPI que a mídia tenta convencer o PT a não levar adiante ou, se levar, que ao menos não leve a sério, sob ameaça de transformá-la em uma CPI contra si mesmo. Ciente do envolvimento da Editora Abril, que edita a Veja, e possivelmente de outros meios de comunicação nas investigações, o jornal dá outro passo para o inevitável.

Em primeiro lugar, publica artigo de Rui Falcão que desanca a oposição e a mídia e as acusa de envolvimento com o crime organizado. Abaixo, reproduzo o texto.

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FOLHA DE SÃO PAULO

13 de abril de 2012

Tendências / Debates

Página A3

CPI na falsa Vestal

Por Rui Falcão

Mais do que uma “vendetta” contra o fanfarrão, a CPI pode explicar o que existia além da ligação de patrão e empregado entre Cachoeira e Demóstenes

O episódio que revelou a escandalosa participação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) em uma organização criminosa merece algumas reflexões e, olhando para o futuro, uma ação imediata.

Desde que foi constatada a cumplicidade do senador com uma gama infindável de crimes, assistimos a uma tentativa (às vezes ridícula)de explicação para o logro em que alguns caíram.

Como justificar que o arauto da moralidade, crítico feroz dos governos Lula e Dilma, trabalhava e traficava informações, obtidas pelo uso indevido do mandato, para um conhecido contraventor?

Até a psicanálise foi fonte de argumentos na tentativa vã de entender as ligações do senador com o contrabando, o jogo ilegal, a escuta clandestina e a espionagem. todas práticas tipificadas no Código Penal.

O certo, porém, é que a veneração que setores da mídia nutriam por Demóstenes refletia uma espécie de gratidão pela incansável luta, essa sim verdadeira, do parlamentar contra todos os avanços sociais obtidos pelos governos petistas.

Ressalte-se, aliás, que mesmo depois de flagrado na participação ativa em organização criminosa, o ainda senador, fingindo ignorar o mundo real, arvora-se a analisar, sob o crivo crítico dos tempos de falsa vestal, ações do governo Dilma.

Mais do que uma “vendetta” contra o fanfarrão, porém, o Congresso está diante de uma oportunidade única de desvendar um esquema que, pelo que foi divulgado até agora, não se resume à ligação de empregado e patrão entre Demóstenes e o contraventor Carlinhos Cachoeira.

A morosidade do inquérito em algumas de suas fases e as ligações pessoais do promotor de carreira Demóstenes Torres com membros do Judiciário precisam ser investigadas. O mesmo se exige na apuração de vínculos obscuros do senador com altos mandatários de seu Estado, Goiás, bem como de sua quadrilha com veículos de comunicação. Que não se permita a operação abafa em andamento. Que se apure tudo, até para dissipar suspeitas.

O único caminho para o esclarecimento passa por uma CPI no Congresso, onde alguns parlamentares também foram ludibriados pelo falso paladino das causas morais.

Cabe à Câmara e ao Senado, sem nenhum espírito de corpo, aproveitar a oportunidade única de desmascarar a farsa até o fim.

Talvez, no caminho da investigação, descubramos outros pregadores da moralidade que também se beneficiem do esquema que se abastecia das informações colhidas e transmitidas ao chefe pelo senador Demóstenes Torres.

A história brasileira registra outros episódios em que a pregação das vestais serviu para embalar a defesa de interesses sempre contrários aos da maioria da população. O falso moralismo udenista não está tão distante.

Se a forma do engodo não é nova, cabe ao Congresso provar, com a CPI, que o país está disposto a dar um basta a esquemas de banditismo. O Partido dos Trabalhadores defende a instalação de CPI no Congresso e conclama a sociedade organizada a se mobilizar em defesa da mais ampla apuração do esquema corrupto desvendado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Rui Falcão é deputado estadual (SP) e presidente nacional do PT

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Na mesma edição, na página A7, o jornal, finalmente, materializa quase que por completo a assunção inevitável de um assunto que já dá de barato que virá à pauta por força da CPI, caso o PT continue se mantendo disposto a ir à guerra contra a inversão de uma investigação que surpreenderá o país ao expor as relações incestuosas entre imprensa, oposição e crime organizado.

Abaixo, a “reportagem” que pretende responder ao texto do presidente do PT publicado quatro páginas antes.

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FOLHA DE SÃO PAULO

13 de abril de 2012

Tendências / Debates

Página A7

Catia Seabra / Márcio Falcão, de Brasília

PT associa “setor da mídia” a criminosos e defende regulação

Partido afirma que relações reveladas pelo caso Cachoeira comprovam “urgência” de medidas de controle da imprensa

Em evento ontem no Planalto, no entanto, a presidente Dilma Rousseff defendeu a liberdade de imprensa

BRASÍLIA – O PT vai usar a instalação da CPI do Cachoeira para voltar a investir contra a mídia. A disposição está expressa em documento divulgado ontem pela cúpula do partido.

Redigido pelo comando petista, o texto cita a investigação do esquema de Carlos Cachoeira, acusado de exploração do jogo ilegal, a pretexto de voltar a cobrar a fixação de um marco regulatório para os meios de comunicação.

“Agora mesmo, ficou evidente a associação de um setor da mídia com a organização criminosa da dupla Cachoeira-Demóstenes, a comprovar a urgência de uma regulação que, preservada a liberdade de imprensa e livre expressão de pensamento, amplie o direito social à informação”, diz a nota.

Mesmo sem dar nomes, o alvo primário do PT é a revista “Veja”. Em grampos já divulgados do caso, um jornalista da publicação tem o nome citado por membros do grupo do empresário.

A revista já publicou texto informando que Cachoeira era fonte de jornalistas, inclusive do chefe da sucursal de Brasília, Policarpo Júnior, e que não há impropriedades éticas nas conversas.

Integrantes da Executiva do PT e congressistas do partido defendiam que a “Veja” fosse investigada na CPI.

O cálculo político petista inclui o raciocínio segundo o qual o bombardeio sobre mídia e oposição poderá concorrer na opinião pública com o julgamento do mensalão -o esquema de compra de apoio político ao governo Lula descoberto em 2005, que deve ser apreciado pelo Supremo Tribunal Federal neste ano.

O próprio presidente petista, Rui Falcão, falou que a CPI deve investigar “os autores da farsa do mensalão”.

Há a intenção de questionar reportagens sobre o mensalão usadas como prova judicial. A estratégia é tentar comparar a produção de reportagens investigativas, que naturalmente envolvem contato de jornalistas com fontes de informação de várias matizes, a práticas criminosas.

Para tanto, segundo a Folha apurou, réus do mensalão como o ex-ministro José Dirceu instruíram advogados a buscar menções à revista e à mídia nas apurações da PF sobre o caso Cachoeira. Dirceu vai a evento no final de semana sobre regulamentação da mídia em Fortaleza.

O movimento do PT contrasta com discurso da presidente Dilma Rousseff. Ontem, em cerimônia do Minha Casa, Minha Vida, ela defendeu a liberdade de imprensa.

“Somos um país que convive com a liberdade de imprensa, somos um país que convive com a multiplicidade de opiniões, somos um país que convive com a crítica.”

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Como se vê, o jornal termina o texto como que recorrendo a Dilma.

E como disse acima, a matéria escancarou quase tudo. Faltou informar ao distinto público que o que houve entre a Veja e Cachoeira não foi “Produção de reportagens investigativas, que naturalmente envolvem contato de jornalistas com fontes de informação de várias matizes”, mas centenas de ligações telefônicas, encontros e declarações comprometedoras da quadrilha que afirmam que Cachoeira foi o autor intelectual de “todos” os ataques da Veja ao PT.

A única coisa que se espera do partido, portanto, é que não aceite uma negociata que envolva recuo da direita midiática no uso político do julgamento do mensalão, talvez até com postergação desse julgamento, em troca de a CPI não fazer tudo o que prometem o presidente do PT e o próprio em vídeo e textos supra reproduzidos.

O jornalismo, a corrupção e o PT

Edmilson Lopes Júnior
De Natal (RN)

Uma narrativa recorrente em certos ambientes, e reproduzida à exaustão em não poucos veículos de comunicação, aponta a ascensão do Partido dos Trabalhadores a cargos de mando no país como o ponto inicial da corrupção no país. Tudo se passa como se tivéssemos vivido, até 2002, em uma ilha de administradores probos e políticos campeões da moralidade pública.

O estabelecimento de uma relação direta entre a ascensão do PT a postos de governos e a entronização da corrupção como pauta primeira da preocupação nacional é mais do que uma embromação histórica. E é também algo mais do que mera luta política, como apreendem, equivocadamente, os petistas. No curto prazo, é a única forma de garantir visibilidade pública para quem já não tem como garanti-la através da elaboração de alternativas políticas e econômicas para o país. Mas, e aí tocamos no que é fundamental: o apelo moralista contra a corrupção supostamente desencadeada pelo petismo (antes, por suposto, essa era uma prática inexistente no país) é a trilha mais fácil a ser seguida por setores jornalísticos que perderam a condição de mediadores culturais privilegiados no país.

O jornal Folha de São Paulo é a melhor expressão dessa derrocada cultural da imprensa brasileira. Antes, ponto de apoio para um jornalismo que expressava uma reflexão criativa e criativa da vida política nacional, o jornal paulista foi se deixando encurralar nesse triste e patético lugar social de um jornalismo que, sob a decoração modernosa, não se diferencia muito das “críticas” moralistas proferidas em programas popularescos de TV. Não fossem as referências esparsas a um ou outro pensador legitimado no mundo acadêmico, que distância existiria entre alguns dos textos produzidos pelos colunistas do jornal e os discursos do Pastor Malafaia?

Ora, não é o petismo o responsável pela sua ascensão da corrupção ao topo da pauta do jornalismo pátrio. Uma de suas causas está na própria configuração atual da atividade política. Dado que a midiatização da atividade é a via quase única para o resgate de alguma legitimidade, os políticos se tornaram prisioneiros da “imprensa”. Tanto é assim que não poucos dentre eles atuam e se pensam como celebridades. Que todos os principais legislativos tenham criado as suas próprias emissoras de rádio e tv, essa outra expressão da irresistível força da visibilidade midiática sobre a atividade política.

Paradoxalmente, maior visibilidade e pouca diferenciação no que diz respeito a propostas substantivas contribuíram para que a busca da distinção tivesse como referentes quase exclusivos a moral e a estética. Some-se a isso o cansaço geral para com as tarefas necessárias para o fermento da esfera pública e o que emerge? Uma forma de se “fazer política” (e jornalismo diário) que tem na denúncia do governo de plantão a sua única razão de ser.

Se um ator com veleidades de patrocinador de reformas sociais e econômicas ocupa um posto de governo, aí então estão dadas as condições para o cerco moralista ao “poder”. Não há muita novidade nisso, é bom que se frise. Repete-se no Brasil nestes últimos anos, com todas as tinturas de mais uma farsa tropical, o que ocorreu na Espanha na segunda metade da década de 1980. Quando da primeira ascensão do PSOE ao governo. Naquele tempo, determinado jornal espanhol conseguiu pespegar no partido do então Primeiro-Ministro Felipe Gonzalez a marca da corrupção. Com isso, pavimentou o caminho para a ascensão do direitista PP. Lá, como cá, a direita encontrou no moralismo a forma de aparecer na vida política. Que setores supostamente críticos tenham incorporado essa pauta nestas plagas, eis aí uma confirmação da assertiva definitiva de Lévi-Strauss: “os trópicos são menos exóticos do que démodés”.

Exemplar do que apontei mais acima é uma coluna de autoria do jornalista Fernando Barros e Silva, publicada no sábado passado no jornal Folha de São Paulo. Encimada pelo título “Toninho do PT, 10 anos depois”, a coluna consegue ser surpreendente, mas não exatamente pela argúcia analítica. Poucas vezes se leu em um grande jornal algo tão irresponsável e leviano. Tendo o assassinato de Toninho, então Prefeito de Campinas pelo PT, em 2001, como mote do texto, o jornalista lança insinuações sobre quem seria o verdadeiro responsável pela morte do saudoso político campineiro. E conclui atirando no seu alvo preferido: “Não sabemos ainda a resposta. Mas sabemos quem matou a honestidade quando chegou no poder em Campinas, em Santo André, no país”.

Parafraseemos o colunista. Qual o futuro de um jornalismo que, desacreditado no seu papel de mediador cultural, vai se reduzindo à condição de pregador moralista? Também não sabemos a resposta. Mas sabemos quem matou a objetividade analítica no jornalismo paulista.

 

 

Edmilson Lopes Júnior é professor de sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A opinião pública e a opinião que se publica

Quarta-feira, “queda de Dilma nas pesquisas”, dizia a Folha, teria levado à demissão de Antonio Palocci. Três dias depois, uma pesquisa da Folha desmente “pesquisas” da Folha. Isso é que é credibilidade…

A frase genial do Barão de Itararé, meu conterrâneo Apparicio Torelly, cai como uma luva para as análises políticas dos jornais brasileiros.

Dia 8, quarta feira, a Folha publicava que a “Perda de popularidade (do governo) definiu queda de Palocci”.

Hoje, dia 11, sai a chamada para a pesquisa Datafolha de amanhã: “Aprovação de Dilma resiste à inflação e crise, diz Datafolha“.

Dia 8, a Folha dizia:

“A presidente Dilma Rousseff decidiu demitir seu principal auxiliar, Antonio Palocci, após ser informada que pesquisas já apontavam desgaste do governo por conta da crise envolvendo aquele que foi um dos responsáveis pela arrecadação para sua campanha”

Dia 11, ela diz:

“A crise que levou à demissão do ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e a alta da inflação não tiveram impacto negativo na aprovação do governo Dilma Rousseff.”

Ou seja, o que o jornal escreve não tem o menor valor? Era “chute”?

Não tenho os dados completos da pesquisa, porque ainda não achei a Folha de domingo, mas o nível de ótimo/bom passa de 47 para 49%. Nos dados que o jornal adianta fica o registro de que a maioria dos brasileiros (óbvio, apesar dos narizes torcidos da elite arrogante) quer que Lula participe da administração.

E, quanto à piora das expectativas, pretender o que, com a mídia martelando que a “a inflação disparou”  e as usinas fazendo a festa nos preços do etanol, mesmo que a inflação, em termos gerais, se mantenha num patamar semelhante ao de 2010, como já se demonstrou diversas vezes aqui?

O fato  de Dilma ter resistido sem danos à ofensiva da mídia, como registra a pesquisa, porém, não nos deve fazer esmorecer. Vocês lembram daquela história de uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade? De quem era, mesmo?

Serra sai em defesa de Palocci após denúncia de enriquecimento ilícito

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) defendeu, nesta segunda-feira (16), o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, acusado por reportagem do jornal Folha de S.Paulo, de ter aumentado em 20 vezes o patrimônio pessoal nos últimos quatro anos.

O tucano afirmou que não se pode “crucificar “ o petista pela evolução do patrimônio. “Não tenho papel de julgador a esse respeito. Acho normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo e que esses rendimentos promovam uma variação patrimonial”, disse. Segundo Serra, Palocci já explicou o caso e poderá dar outras explicações caso seja necessário.

A Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu que não há o que se investigar no patrimônio do ministro.“Não há no momento o que apurar. Tudo isso foi feito no momento adequado”, declarou o presidente da Comissão de Ética da Presidência, Sepúlveda Pertence. Para o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, a decisão da Comissão de Ética Pública encerra o caso.

Mesmo assim, o PPS apresentou requerimento para que Palocci se explique na Câmara dos Deputados. Outros partidos da oposição, como o PSDB e o DEM anunciaram que pedirão que a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) investiguem o caso.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), analisa que os oposicionistas querem se aproveitar politicamente da reportagem da Folha de S.Paulo. “O ministro já deu todas as informações necessárias, agiu de acordo com a lei, prestou contas e, portanto, essa questão da oposição querer convocá-lo é criar um fato político onde não existe nada e nós não vamos concordar”, garantiu.

Ainda no domingo, dia em que a matéria foi publicada, Palocci fez questão de procurar o ministro da Controladoria- Geral da União (CGU), Jorge Hage, para prestar esclarecimentos sobre a denúncia de enriquecimento ilícito. “Me procurou para dizer que tinha cumprido todas as exigências legais, ou seja, tinha comunicado seu patrimônio à Comissão de Ética Pública e apresentado as declarações, que eram as obrigações que deveria cumprir”, informou Hage.

Em nota, a assessoria da Casa Civil atribuiu a evolução do patrimônio a consultorias econômico-financeiras prestadas por uma empresa de Palocci a empresas privadas até dezembro de 2010, quando as atividades foram encerradas para que ele pudesse assumir o cargo. Também aponta que “tais informações foram registradas junto à Comissão de Ética Pública da Presidência quando da nomeação” e que atualmente ele “não realiza qualquer atividade relacionada à empresa”.

Fonte: Brasília Confidencia

Os impasses do PSDB – 3

Enviado por luisnassif,

Por daniel diniz

Pode ser tudo isso, mas tenho pra mim que um relevante deflagrador da crise contemporânea do PSDB está lá atrás, no momento de seu máximo sucesso.

O PSDB chegou ao poder muito cedo, com apenas seis ou sete anos de existência. Ainda não havia governado nada, excetuando uma ou outra prefeitura (se não me engano), não havia passado por momentos de depuração partidária (como o PT nos anos 1980, como no caso da eleição de Tancredo, etc).

Ao lado disso, foi sendo sistematicamente abençoado por uma mídia simpática aos seus quadros e suas idéias. Ainda há de se escrever, historiográfica e corretamente, sobre o deslumbramento real da imprensa com FHC. Muito se fala que havia interesses, etc. Havia, claro. Mas havia um enorme otimismo em relação ao seu governo e sua figura. Mesmo no final do seu segundo governo, ainda se suspirava pela falta que aquela inteligência e fina estampa fariam. FHC encarnava muito fielmente o sonho cosmopolita daquela elite, inclusive na imprensa. Pois bem. Ao lado disso, havia o PSDB real, conchavado com o PFL, que cresceu, entre 1994 e 1998, de forma assustadora.

(…)

, atualmente, foi muito hábil na tendência ao inchaço que todo o partido tem quando chega ao governo. O PT cresceu sim, mas não inchou. Antes, fez inchar os coligados. O PT implodiu e reorganizou todos os seus coligados – do que o maior e mais completo exemplo é o próprio PL que lhe foi vice em 2002 e do qual nada sobrou em pé.

O PSDB, conquanto tenha também permitido o crescimento tangencial de seus coligados, inchou mais que todos eles. Não havia canto do país sem um prefeito do PSDB – que geralmente tinha origem na Arena, etc, etc. Completamente deslumbrado com o súbito crescimento, o partido tornou-se refém de um jogo em que, grau a grau, perdeu o controle. Uma coisa é FHC subir no palanque com ACM no interior da Bahia em 1994, para garantir uma vitória naquela eleição e impor sua agenda modernizante.

Outra, muito diferente, eram os inúmeros coronéis e assemelhados espalhados pelo Brasil profundo mantendo suas estruturas coronelistas aliados ao governo pretensamente modernizante. Ludibriado pela idéia de 20 anos no poder – que hoje o partido critica no PT mas que Sérgio Motta defendia para os tucanos – o PSDB aceitou lenientemente todo o tipo de quadro, qualquer tipo de crescimento.

Ao lado disso, e também daqueles tempos, determinada arrogância de FHC – inclusive aqui mesmo no Nassif tão bem diagnosticada – que não podia facilmente aceitar alguém a lhe fazer sombra.

É fato que o PT hoje, sobretudo após o mensalão, tem poucos quadros nacionais com capilaridade e viabilidade eleitoral; contudo, também é fato que Lula soube e, possivelmente, saberá, operar o milagre de forjar esse quadro do nada se preciso for (o que a eleição de Dilma parece confirmar). E, atente-se, aceitando e açulando a noção de que o outro poderia ser muito melhor que ele próprio.

O PSDB de FHC, inclusive por meio do que gostava de transparecer o próprio ex-presidente, parecia ter sido o melhor que os tucanos poderiam oferecer; o PT de Lula sempre buscou sublinhar, inclusive por meio da fala do próprio Lula, que iniciava-se em Lula uma fase especial que ainda prometia muito.

Inchado artificialmente em nível muito além do controlável e sem uma liderança internamente construída para fazer frente aquilo que partido, imprensa e classe média tradicional consideraram a fase de ouro do governo federal brasileiro, o PSDB, na medida em que afastou-se do poder (e sem pra ele conseguir retornar eleição após eleição) viu minarem os quadros que, originariamente para ele acorreram no calor do primeiro governo.

Já na última eleição presidencial tornava-se claro: sobraram apenas os fundadores, mais uma meia dúzia que chegou depois e que ajuntou-se a um dos lados para construir a face mais agressiva da campanha de 2010. Era natural portanto que, queimada toda a gordura acumulada em oito anos de governo nos oito de oposição, sobrasse ao PSDB real (o dos fundadores) se desarticular por completo pois já estava sem gordura e, o principal, sem um novo FHC.

A entrevista de Leôncio Martins parece clara: não se considera, fora de Minas, um Aécio lider. Nem Serra ou Alckimin de fato. Não há um novo FHC; talvez por isso o choro isolado do ex-presidente em artigos que ora exortam uma oposição ideologicamente morta ora lamuriam um governo que em nada se parece com o seu.

O PSDB acabou. Assim como o DEM. O que virá em seus lugares? O PSD? Kassab aprofundou uma política higienista em São Paulo; Kátia Abreu é a principal liderança contra a reforma agrária no país e os Borhausen, bem, dispensam comentários. Ou seja, quando se pensa que a coisa vai melhorar, é aí que piora tudo mesmo

Os impasses do PSDB – 2

Enviado por luisnassif

Por Bento

Deveriam corrigir a chamada da entrevista para “cientista político próximo de Serra”. A análise do sujeito é tão rasa e chapa-branca em relação a seu mentor que beira o ridículo. Às poucas perguntas objetivas e que realmente demandam seu conhecimento técnico, tais como os efeitos de fusões partidárias, o sujeito responde com “não sei”, “pode ser”. Já às questões mais complexas e que beiram um exercício de adivinhação, tais como o futuro do PSDB, ele responde de imediato e sem embasamento algum.

Senão vejamos. O analista diz que o PSDB é moderno que FHC modernizou a política do país, mas logo depois cobra do partido como se comporte como máfia siciliana – só pode haver um capo di tutti capi, senão dá bagunça.

Uma hora diz que o partido precisa ter inserção nacional e na outra critica a ascensão de lideranças como Aécio e Alckmin porque “só pode haver um chefe” (referindo-se a Serra como se ele fosse de fato chefe de alguma coisa hoje além da meia dúzia de asseclas tucanos de sempre e de Kassab, que de resto vai acabar perdendo o controle até de seu próprio partido se continuar a fazer o jogo de seu mentor paulista).

Chega ao cúmulo de afirmar que o PSDB carece de liderança intelectual, jogando FHC para escanteio de vez, ao invés de pelo menos lembrar a recente iniciativa dele, ainda que desastrada, de dar alguma coerência temática ao partido. Chega ao cúmulo de falar que o partido está perdendo estados – se tem uma coisa que o PSDB não perdeu, foram eleições estaduais, ainda que os governadores do eixo centro-sul estejam mais preocupados (por motivos óbvios) em manter uma boa relação com o governo federal para tocar obras do que em se meter nessas brigas fratricidas que dizem respeito unicamente ao PSDB paulista.

Que o PSDB está enfraquecido é óbvio, mas daí a dizer que o partido está a beira da morte ou de se tornar uma legenda “maldita”, nem mesmo na cabeça do mais cândido dos petistas de SP isso faria sentido.

Essa tese da morte iminente do PSDB – e por conseguinte, da oposição – é balela e, de resto, só interessa a uma pessoa neste país: José Serra. É a ele que interessa essa tolice de que alguém tem que tomar as rédeas do PSDB, como se partidos políticos numa democracia fossem cavalos ensandecidos que só podem ser controlados pelo pulso firme de um líder inconteste.

O que está acontecendo com o PSDB é algo que já deveria ter acontecido há muito tempo, pois é ótimo para o partido (e, cada vez mais, também essencial): a transferência de poder dentro da legenda para outros Estados e o enfraquecimento relativo do sempre superdimensionado braço paulista do partido.

Não se vê em qualquer outro Estado movimentação de tucanos como essa para o PSD em SP – no restante do país, é o DEM quem está sangrando. Mas, por algum motivo, querem transformar a crise do PSDB paulista em crise nacional e falência generalizada da oposição.

Sim senhor, ela pode virar sim uma crise de proporções mostruosas, se a vontade da mídia e desse grupo cada vez mais minoritário dentro do PSDB triunfar e, como sugeriu a jornalista, Serra tome as rédeas do partido. Daí realmente não haverá mais espaço para a oxigenação tão necessária ao partido. Mas no final das contas, vai ver é exatamente isso que esse pessoal quer.

PSDB: a hora tardia da reflexão política

O texto de Luis Nassif, por si só vale a leitura e a reflexão. Isto feito, provavel que fomente um bom debate, ou no mínimo, conversas saudáveis. Provoca tambem exercícios diversos, decorrentes da possível substituição de atores…acho que talvez esteja vendo mais novelas do que deveria…me vi pensando no nobre primeiro casal de…bobagem… afinal eles não são tucanos…ou são? Vamos ao texto.

Boa leitura.

Enviado por luisnassif,

Por mais que tente analisar, não consigo ver futuro no PSDB. Haverá o PSDB de Alckmin e o de Aécio, mas não o PSDB nacional, como alternativa de pensamento e poder.

O que Leôncio coloca em sua entrevista é uma espécie de neossebastianismo intelectual: um cavaleiro que surgirá no horizonte no seu cavalo branco, armado de ideias e de liderança, ou quem sabe um El Cid Campeador, e ressuscitará o partido.

Não é assim.

Embora não tivesse militância, como o PT, o PSDB que chegou ao Real era fruto de circunstâncias históricas únicas. Eram os combatentes da ditadura que, em determinado momento, fugiram do fisiologismo do PMDB.

Naquelas circunstâncias, o partido passou a ganhar adeptos na sociedade civil. Não apenas a mídia, sua maior aliada, mas setores modernos, de diversos segmentos econômicos e sociais.

No meu livro “Os Cabeças de Planilha” escrevo sobre vários temas de modernização, sementes plantadas nos anos 80 e 90, que começam a florescer nos anos 90. A questão da descentralização, do estado enxuto (porém forte), dos programas de qualidade, da inovação, a herança da Constituinte, criando cidadãos, definindo recursos obrigatórios para saúde e educação etc.

FHC tornou-se o receptador automático de todas essas ideias, porque, depois dos problemas dos governos Sarney, Collor e Itamar, pela primeira vez parecia-se ter um governo racional. Para ele convergiram as esperanças dos setores racionais do país, segmentos técnicos, universitários, pessoal de inovação, gestão, saúde, meio ambiente, novas ONGs desenvolvendo tecnologias sociais.

A visão do Leôncio – de que ideias brotam do nada – é inexplicável para alguém que era apresentado como do exército intelectual de FHC. A rigor, FHC não desenvolveu um só tema modernizante. Limitou-se a ficar em estado de êxtase com o sucesso do real, repetindo bobagens como “uma nova Renascença chegando”, sem conseguir coordenar o exército que se apresentava.

Esse momento, mágico, único, foi jogado fora por FHC e mais ainda por esse enorme blefe chamado José Serra.

Quando Serra foi eleito, escrevi um artigo dizendo que ou ele rompia com o fernandismo e inaugurava o serrismo (modo de dizer que seria fundamental a reciclagem de ideias no PSDB) ou desapareceria. Ele me ligou e disse que era amigo de FHC e jamais romperia com ele. Eu falando de princípios programáticos e ele pensava nas relações pessoais – típicas do compadrio da tradição social e política brasileira mais atrasada.

Até pouco tempo atrás, eram tucanas as melhores cabeças na área de inovação e universidade. Geraldo Alckmin jamais conseguiu aproveitá-las, por não ter visão sobre o tema. Quando Serra entrou, imaginei que faria uma revolução na economia paulista, trazendo as ideias desses quadros. Que nada! Um dia encontrei um dos principais militantes da inovação, serrista de primeira hora. Perguntei: e aí? E ele: não dá, o homem tem raiva da Universidade.

Até 2002, o PT não tinha conseguido se apossar ainda de nenhuma das bandeiras modernizantes. Mas tinha a bandeira mais forte: o aprofundamento das políticas sociais, a reação contra a fome e a miséria, resultantes óbvias do processo de cidadania deflagrado pela Constituinte e da extraordinária insensibilidade social no discurso público de FHC.

Agora se entra em novo tempo político e econômico em que se percebe o desenvolvimento como algo sistêmico. E o PSDB ingressa sem votos, sem quadros e sem a menor condição de ser o receptador das novas ideias: todas ficaram com os governos Lula e Dilma, na passagem do PT de oposição a governo.

Inovação? O Ministério de Ciências e Tecnologia de Sergio Rezende e Aluizio Mercadante levaram os melhores quadros. Gestão? Dilma é a gestora e tem como assessor de luxo Jorge Gerdau. Desenvolvimentismo? Os irmãos Mendonça de Barros tentaram lançar a bandeira, quando montaram sua revista mas não houve nenhuma repercussão nas hostes tucanas. Hoje os desenvolvimentistas estão no governo Dilma.

E Dom Sebastião FHC fala genericamente em conquistar a nova classe média que está se formando. Conquistar como? No gogó?

Essa conquista, a formação de princípios programáticos se dá na prática, na criação de políticas específicas que tragam resultados. É essa soma de ideias, em cada setor, que comporá o desenho final de partido. Não há necessidade de formulações abstratas. O que se exige é clareza sobre algumas ideias básicas, que ajudem e consolidar a percepção geral sobre o partido, mas apenas após aparecerem resultados dessas políticas específicas.

E quais são as ideias-forças atuais? Inclusão social, o sonho do suposto destino manifesto de grande potência, a transição do modelo financista para o desenvolvimentista (sem abrir mão dos benefícios de um mercado de capitais desenvolvido), a integração regional, o aprimoramento da gestão pública.

O PT ampliado  tem as bandeiras, os quadros técnicos, a militância.

E alguém acha que um partido de proveta como o PSD irá conseguir repetir a saga do velho PSDB? E alguém acha que o PSDB atual conseguirá renascer das cinzas em circunstâncias que nada têm mais a ver com as que motivaram sua criação?

No período de abundância o partido não criou quadros, não criou militância, não criou um modo de governar. Era um caciquismo permanente e a arrogância de quem se julgava portador das grandes verdades. Não será agora, dividido, sem ideias, sem militância, que conseguirá.

Como disse José Sarney antes das eleições, a nova oposição sairá das entranhas da situação.

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