Arruda revela que distribuiu dinheiro para o DEM e o PSDB nacional

Comandante da quadrilha de administradores públicos e políticos do Distrito Federal beneficiários do mensalão do DEM, sustentado com dinheiro de propina arrecadada junto a empresários que seu governo favorecia, o ex-governador José Roberto Arruda revelou ontem que distribuiu dinheiro a altos dirigentes nacionais do DEM e do PSDB, a um senador do PDT e ao “PT de Goiás”.

Numa entrevista publicada em Veja on line, Arruda cita entre aqueles que receberam dinheiro, para eles mesmos ou para os partidos, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra; o vice-presidente nacional do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e vários expoentes do DEM: o senador Demóstenes Torres (GO), o agora ex- senador Marco Maciel, o senador Agripino Maia (RN) – eleito anteontem presidente nacional do partido -, mais os deputados Ronaldo Caiado (GO), ACM Neto (BA) e Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM até a última quarta-feira. Arruda diz também que ajudou o PT de Goiás e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Eleito governador do Distrito Federal em 2006, José Roberto Arruda foi apontado pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, em 2009, como chefe de um esquema de fraude, de corrupção e de outros crimes, que sangrou os cofres públicos em dezenas de milhões de reais. Filmado por seu auxiliar e delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, recebendo um maço de R$ 50 mil, foi expulso do partido, teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral e passou dois meses preso na sede da Polícia Federal.

Arruda alega, na entrevista a Veja, que jogou “o jogo da política brasileira” ou dançou “a música que tocava no baile”. E contra-ataca os companheiros de partido que o condenaram.

“Assim que veio a público o meu caso, as mesmas pessoas que me bajulavam e recebiam a minha ajuda foram à imprensa dar declarações me enxovalhando. Não quiseram nem me ouvir. Pessoas que se beneficiaram largamente do meu mandato. Grande parte dos que receberam ajuda minha comportaram-se como vestais paridas. Foram desleais comigo”.

A revista pergunta a Arruda quais líderes do partido foram hipócritas.

“A maioria. Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda! (…) O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília”.

Ao afirmar que ajudou também outros políticos e partidos, Arruda destaca sua contribuição ao PSDB.

“Ajudei o PSDB sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu. E também por meio de Eduardo Jorge, com quem tenho boas relações”.

Eduardo Jorge Caldas Pereira, o vice-presidente nacional tucano, alegou que pediu ajuda de Arruda para saldar dívidas do partido. No DEM, o senador Agripino Maia e o deputado ACM Neto negaram que tenham pedido ajuda de Arruda.


do Brasília Confidencial

Procurador pedirá ao STF investigação sobre deputada


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai pedir quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para apurar o envolvimento da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN) com a quadrilha do mensalão do DEM. Video veiculado sexta-feira pelo portal Estadao.com.br e gravado durante a campanha eleitoral de 2006 mostra Jaqueline, candidata à Câmara Legislativa, mais o marido dela, Manoel Neto, recebendo dinheiro de Durval Barbosa. Durval era o alto funcionário do governo do Distrito Federal que se tornou delator da roubalheira comandada pelo governador José Roberto Arruda (DEM), cassado pela Justiça Eleitoral em 2010.

Jaqueline está ameaçada de processo por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e até formação de quadrilha. Também corre o risco de enfrentar um processo de cassação na Câmara por quebra de decoro. A abertura de processo será pedida pelo PSol. O que pode favorecer Jaqueline, na Câmara, é uma regra criada há quatro anos e que estabelece que o Conselho de Ética só deve julgar atos cometidos por deputados depois da posse.

Jaqueline, filha do ex-governador Joaquim Roriz, suspeito de ser o criador do mensalão que seu sucessor José Roberto Arruda manteve, já era citada em relatório de investigação que a Polícia Federal entregou ao Ministério Público no ano passado. A citação dela foi causada pela apreensão de planilhas que apontaram o pagamento de propina a deputados distritais para que votassem a favor de um projeto do governo distrital em dezembro de 2008. Além disso, o nome de Jaqueline aparece em planilha recolhida na casa de Leonardo Prudente, ex-presidente da Câmara Legislativa e um dos grandes beneficiários do mensalão do DEM

Fonte: brasíliaconfidencial

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