Emir Sader defende força na disputa ideológica para construir hegemonia de esquerda

O Professor Emir Sader abriu o Seminário Nacional da Inaugurar PT em Brasília. Ele lembrou que a esquerda precisa compreender o cenário de forte hegemonia do capital, especialmente de sua face financeira. Exemplo é a atuação do Banco Central brasileiro, que incorpora essas demandas a despeito do projeto do governo federal.

O desafio do PT, na avaliação de Emir Sader, é disputar uma hegemonia de esquerda neste governo formado por uma coalizão ampla. Para isso, é necessário compreender que a base eleitoral conquistada ao longo desses nove anos é maior do que a base política que tem referência no PT. Esse segmento, continua o professor, manifesta apoio a partir dos resultados das políticas sociais.

Emir Sader alertou que o PT e a esquerda precisam colocar como tarefa concreta convencer a população do projeto político que carregam. Isso significa um enfrentamento concreto no campo das ideias, que passa pelo entendimento de que a grande mídia atua como um partido político conservador. Cabe a esquerda, disse Sader, construir seus próprios meios de comunicação e dialogar com a sociedade, bem como ocupar os espaços, em especial a Internet.

Emir Sader destacou também a necessidade de um giro nas políticas públicas de juventude. “Política para a juventude é ‘sexo, drogas e rock ‘n roll’. Tem que ir para além de primeiro emprego e mais escolas, tem que falar de sexo seguro, aborto legalizado e legalização das drogas”, afirmou, arrancando aplausos dos presentes.

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As 13 lições do caso Palocci

Bastante interessante o texto do Emir, aparentemente simples, suporta boas reflexões para o dia a dia …

Blog do Emir Sader (via @baltasarrosa)

1. Bombas de tempo podem tardar a explodir, mas terminam explodindo.

2. Devem ser examinados exaustivamente os antecedentes de todos os que vão ocupar cargos públicos.

3. Uma vez estourada uma crise como essa, melhor desativá-la rapidamente. Deixar sangrar provoca danos muito maiores.

4. O zelo pela questão da ética publica, além de ser um fim em si mesmo, afeta diretamente os setores mais dinâmicos de apoio ao governo: militância de esquerda, movimentos sociais, juventude, artistas, intelectuais, formadores de opinião publica em geral. Deve-se cuidá-los como a menina dos olhos.

5. Quando mudar, tratar sempre de inovar na escolha de quadros. A política brasileira precisa disso.

6. Acompanhar as mudanças com discurso que explica o significado delas.

7. A consciência das intenções de quem faz acusações pode ser clara, sem que elas deixem de ser verdadeiras.

8. A recuperação do prestígio da prática política requer um cuidado estrito com a ética pública.

9. Não precipitar declarações incondicionais de apoio a pessoas que recebem acusações, antes do apuro rigoroso delas.

10. Os partidos devem ter suas próprias posições, mais além do apoio firme ao governo. Devem expressar os sentimentos e as posições da militância do partido, dos movimentos sociais e do campo popular.

11. Apoio do PMDB é sempre abraço de urso.

12. A mídia privada continua com grande poder de definir a agenda nacional e derrubar ministros.

13. Fazer política, exercer o poder não é atividade técnica, nem de repartição de cargos, mas uma combinação de persuasão e força, isto é, construção de hegemonia.

Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo.

Lula, Dilma e o futuro do Brasil

Os brasileiros foram decidindo, ao longo dos últimos anos, o tipo de país que queremos. Lula tornou-se o presidente de todos os brasileiros, ancorado em um modelo econômico e social de democratização do país. Reformulou o modelo econômico e o acoplou indissoluvelmente a políticas sociais de distribuição de renda, de criação de emprego e de resgate da massa mais pobre do país. Dilma pretende consolidar essa hegemonia também no plano político.

Mas a questão essencial, aberta, sobre o futuro do Brasil, não se dará nesses planos: o modelo econômico, submetido a difíceis e inevitáveis readequações, será esse, com aprofundamento e extensão das politicas sociais. A possibilidade do governo consolidar sua maioria e de se intensificar e estender a sangria da oposição, é muito grande.

A questão fundamental que decidirá o futuro do Brasil se dá no plano dos valores. Nosso país foi profundamente transformado em décadas recentes. Esgotado o impulso democrático pela frustração de termos um governo que democratizasse o país não apenas no plano político e institucional, mas também nas profundas estruturas injustas e monopólicas geradas e/ou consolidadas na ditadura, sofremos a ofensiva neoliberal dos governos Collor, Itamar e FHC, que não apenas transformaram o Estado e a sociedade brasileiros, mas também os valores predominantes no país.

O resgate no plano da economia e das relações sociais que o governo Lula logrou – e a que o governo Dilma dá continuidade – não afetou os valores predominantes instalados na década anterior. O justo atendimento das necessidades de acesso aos bens e serviços básicos de consumo da massa mais pobre da população foi acompanhada, pela retomada da expansão econômica, pela continuidade e a extensão dos estilos de consumo e dos valores correspondentes gerados no período anterior.

Que valores são esses? Eles se fundamentam na concepção neoliberal da centralidade do mercado em detrimento dos direitos, do consumidor em detrimento do cidadão, da competição em detrimento do justo atendimento das necessidades de todos. É o chamado “modo de vida norteamericano”, que se difundiu com a globalização e com a hegemonia mundial que os EUA conquistaram no final da guerra fria, com o fim do mundo bipolar e sua ascensão a única potencia global.

Trata-se de uma visão do mundo não centrada nos direitos, na justiça, na igualdade, mas na competição entre todos no mercado, esse espaço profundamente desigual e injusto, que não reconhece direitos, que multiplica incessantemente a concentração de riqueza e a marginalização da grande maioria.

A extensão do acesso ao consumo para todos e o monopólio dos meios de comunicação – concentrados em empresas financiadas pelos grandes monopólios privados – favoreceram que as transformações econômicas e sociais não tivessem desdobramentos no plano da ideologia, dos valores, no plano cultural e educativo. No momento em que a ascensão social das camadas pobres da população ganha uma dimensão extraordinária, o tema dos valores que essas novas camadas que conseguem, pela primeira vez, ter acesso a bens fundamentais, fica em aberto que valores serão assumidos por esses setores, majoritários na sociedade brasileira.

Não por acaso setores opositores, em meio a uma profunda crise de identidade, tentam apontar para essas camadas sociais ascendentes como seu objetivo, para buscar novas bases sociais de apoio. E o próprio governo tem consciência que na disputa sobre os valores desses setores ascendentes se joga o futuro da sociedade brasileira.

Há várias questões pendentes, preocupantes, com que o governo Dilma se enfrenta. As readequações da política econômica não conseguiram ainda dar conta da extensão dos problemas a enfrentar: taxas de juros altas e em processo de elevação, desindustrialização, riscos inflacionários, insatisfação com o aumento do salario mínimo – para citar apenas alguns.

Da mesma forma que as condições em que se dão obras do PAC revela como a acelerada busca dos objetivos do plano não levou devidamente em consideração as condições a que as empreiteiras submetem as dezenas de milhares de trabalhadores das obras mais importantes do governo federal. Jirau, Santo Antonio, Belo Monte – são temas que estão longe de ter sido devidamente equacionados.

As mudanças, mesmo se de nuance, na politica externa, suscitam perguntas sobre se a equilibrada formulação de perseguir o respeito aos direitos humanos sem distinção do país, se reflete na realidade, quando inseridas em um mundo extremamente assimétrico, em que, por exemplo, o Irã é denunciado, enquanto os EUA – por Guantánamo – e Israel – pela Palestina – não são tratados da mesma forma. Em que a Líbia é bombardeada, enquanto se trata de maneira diferenciada a países em que se dá o mesmo tipo de movimento opositor, como o Iémen e o Bahrein, para citar apenas alguns casos. Se iniciativas que impeçam que se trate, objetivamente, de dois pesos, duas medidas, não forem tomadas, o equilíbrio que se busca não se refletirá no conflitivo e desequilibrado marco de relações internacionais.

Mas a questão estrategicamente central – mencionada anteriormente – é a questão das ideias, dos valores, da cultura, das formas de sociabilidade. Nisso, as dificuldades na politica cultural (retrocessos, isolamento politico, ausência de propostas, falta de consciência da dimensão da politica cultural no Brasil contemporâneo), na educativa – com a indispensável e estreita articulação entre politicas educativas e culturais – e o seu desdobramento fundamental nas politicas de comunicação, são os elementos chave. Com a integração das políticas sociais – do Bolsa Família às praças do PAC -, das politicas de direitos – dos direitos humanos aos das mulheres e de todos os setores ainda postergados no plano da cidadania plena – deveria ir se constituindo uma estratégica ampla e global para promover e favorecer formas solidárias e humanistas de sociabilidade. Para que estejamos a favor do governo não apenas porque nossa situação individual está melhor, mas porque o principal problema que o Brasil arrasta ao longo do tempo – a desigualdade, a injustiça social, a marginalização das camadas mais pobres – tem tido respostas positivas e sua superação é o principal objetivo do governo.

Foi criada no Brasil uma nova maioria social e politica, que elegeu, reelegeu Lula e elegeu Dilma. Trata-se agora de consolidar essa nova maioria no plano das ideias, dos valores, da ideologia, da cultura. Esse o maior e decisivo desafio, que vai definir a fisionomia do Brasil da primeira metade do século XXI.

Postado por Emir Sader

Diretos autorais e críticas de Sader a ministra abrem crise na Cultura (via @folhapoder)



Ana de Hollanda não quer que sociólogo assuma Casa de Rui Barbosa, mas enfrenta saia-justa no PT

Exoneração de diretor de direitos autorais é analisada por alguns petistas e músicos como um sinal de retrocesso

ANA PAULA SOUSA
DE SÃO PAULO 

“Eu e você não dá mais, né?” De acordo com fontes ouvidas pelaFolha, tal frase teria selado o fim da relação entre a ministra Ana de Hollanda e o sociólogo Emir Sader. Até o fechamento desta edição, no entanto, Sader continuava indicado para assumir a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa.
A observação da ministra sucedeu a entrevista, publicada naFolha, na qual Sader, ao comentar cortes orçamentários, adjetivou a superior como “meio autista”.
No próprio domingo, durante conversa telefônica, Hollanda pediu que Sader se retratasse. O postulante ao comando de uma das mais importantes instituições culturais do país disse que a frase a ele “atribuída” fora publicada fora de contexto. Mas o estrago estava feito.
Ontem, o áudio foi posto pela Folha.com na internet (folha.com.br/is882679).
Assessores ligados à ministra recomendaram a exoneração -que, se acontecer, antecederá sua posse efetiva. “É o teste para ela como ministra”, disse, em off, um gestor do Ministério da Cultura.
Há, por outro lado, o constrangimento junto ao PT. Sader articulou, durante o segundo turno das eleições, o encontro que deu origem ao abaixo-assinado de artistas e intelectuais a favor de Dilma Rousseff. É, além disso, ligado a Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e a Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência.
A resolução final sobre o assunto estaria na dependência, inclusive, de uma conversa entre Carvalho e a presidente Dilma.
Sader, que daria início hoje ao processo de transição da Casa de Rui Barbosa, não irá mais à suposta futura casa. Esperará a resolução. Ana de Hollanda, anteontem, manifestou o desejo de manter no cargo o atual presidente, José Almino de Alencar.

INCÔMODO PETISTA
A voz crítica de Sader, de acordo com funcionários e ex-funcionários do MinC, seria também a voz de parte do PT, que está descontente com os rumos da pasta.
O próprio Sader, depois de saber da última mudança feita na pasta, na Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC, teria dito, a conhecidos, que estaria “mais cômodo saindo do que ficando”.
É que a troca de comando nessa diretoria trouxe à tona, mais uma vez, a polêmica questão da reforma na lei do direito autoral, levada a cabo nos anos Lula e freada quando Hollanda assumiu.
A reforma é, porém, defendida, pelo setor cultura do PT. O próprio líder do partido na Câmara, Paulo Teixeira, posiciona-se sobre o assunto. “Não cabe a mim avaliar ministros. Mas a reforma que vinha sendo conduzida era fundamental, em face da atual legislação draconiana”, diz Teixeira.
A substituição de Marcos Souza na diretoria de Direitos Autorais por Márcia Regina Barbosa vinda da Advocacia Geral da União, também provocou reações negativas em parte do setor musical.
“Foi uma atitude precipitada”, diz Jorge Vercillo. “O MinC deveria ser o primeiro a querer a reforma da lei. E os direitos autorais têm que ser vistos como um assunto técnico, não político.”
Vitor Ortiz, secretário-executivo do Ministério, argumenta que a ministra tem a liberdade de montar uma nova equipe e refutou as acusações de que a nova responsável pelos direitos autorais tem ligações com o Escritório Central de Arrecadação de Direitos (Ecad).
“Essa ilação é totalmente falaciosa”, afirma. Parte da equipe técnica de Souza deve, porém, colocar seus cargos à disposição em solidariedade ao ex-chefe

Emir Sader cai sem assumir Casa de Rui Barbosa após críticas à Ana de Hollanda

Ana de Hollanda descarta Emir Sader

Nota da Ministra da Cultura

Ministra Ana de Hollanda definirá novo dirigente para a Fundação da Casa de Rui Barbosa

Comunico que o senhor Emir Sader não será mais nomeado presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa. O nome do novo dirigente será anunciado em breve.

Ana de Hollanda
Ministra de Estado da Cultura
do cultura.gov.br
Emir Sader (Foto: Divulgação)

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, acaba de divulgar a seguinte nota: “Comunico que o senhor Emir Sader não será mais nomeado presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa. O nome do novo dirigente será anunciado em breve.”

 

 

 

 

do portal IG Poder

 

O Globo

RIO – O sociólogo Emir Sader não vai mais assumir a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa conforme havia sido anunciado pelo governo, segundo informou o colunista do GLOBO Ancelmo Gois. O professor fez críticas à ministra da Cultura, Ana de Hollanda ,

Sader, cuja nomeação para a Casa de Rui Barbosa ainda não chegou a ser publicada no “Diário Oficial”, chamou Ana de Hollanda de “autista” em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo” e disse que ela não reagiu aos cortes orçamentários. Sader também teria manifestado intenção de transformar a fundação num centro de debates sobre “o Brasil para Todos”, um slogan do governo Lula. A ministra ainda não anunciou o que fará em relação a Sader, mas fontes no MinC dizem que ele pode ser demitido nos próximos dias.

Blog do Emir

 

02/03/2011

Comunicado – Sobre a Casa de Rui Barbosa

Consultado sobre a possibilidade de assumir a direção da Fundação Casa de Rui Barbosa, elaborei proposta, expressa no texto “O trabalho intelectual no Brasil de hoje”. No documento proponho que, além das suas funções tradicionais, a Casa passasse a ser um espaço de debate pluralista sobre temas do Brasil contemporâneo, um déficit claro no plano intelectual atual.

Como se poderia esperar, setores que detiveram durante muito tempo o monopólio na formação da opinião pública reagiram com a brutalidade típica da direita brasileira. Paralelamente, o MINC tem assumido posições das quais discordo frontalmente, tornando impossível para mim trabalhar no Ministério, neste contexto.

Dificuldades adicionais, multiplicadas pelos setores da mídia conservadora, se acrescentaram, para tornar inviável que esse projeto pudesse se desenvolver na Casa de Rui Barbosa. Assim, o projeto será desenvolvido em outro espaço público, com todas as atividades enunciadas e com todo o empenho que sempre demonstrei no fortalecimento do pensamento crítico e na oposição ao pensamento único, assumindo com coragem e determinação os desafios que nos deixa o Brasil do Lula e que abre com esperança o Governo da Presidente Dilma.

Rio de Janeiro, 2 de março de 2011
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Postado por Emir Sader às 07:34

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