CUT anuncia afastamento das outras centrais. Centrais repelem proposta da CUT e apelam por unidade.

CUT anuncia afastamento das outras centrais.

A longa parceria que as principais centrais sindicais viveram nos governos Lula e nas eleições presidenciais de 2010 parece muito próxima do fim. Maior das centrais, com quase 39% dos trabalhadores sindicalizados, a CUT decidiu marcar suas diferenças com as outras entidades. Os motivos vão da política pré-eleitoral para 2012 e 2014 às questões próprias dos sindicatos e às divergências expostas pelas centrais durante o recente processo de decisão do salário mínimo.

“Cada vez mais ficará clara nossa diferença com relação à Força Sindical e às demais centrais. Estamos chegando ao limite da parceria. Nesses anos, a CUT acabou construindo mais pautas conjuntas. Mas, se a CUT não se voltar mais para as relações do trabalho, para as mudanças que estão ocorrendo, vai acabar ficando do lado de fora”, anunciou a Brasília Confidencial o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique.

As centrais devem se reunir com os movimentos populares entre os dias 21 e 25. Devem também participar juntas das possíveis mobilizações contra a política econômica e por reformas estruturais. Mas, de acordo com Artur, o distanciamento será crescente. A CUT quer, por exemplo, acabar rapidamente com o imposto sindical e o que chama de sindicatos de gaveta.

“Essa é uma grande bandeira que a CUT deverá levar sem as demais centrais. E isso é incompatível”, afirma Artur.

O casamento que a CUT pretende desfazer se deu logo no início do primeiro Governo Lula, quando foi criado o Fórum Nacional do Trabalho. As centrais e as entidades representantes do patronato discutiam as políticas trabalhistas.

“Havia uma harmonia necessária, porque as centrais precisavam se unir para discutir com as empresas, sem muitas divisões, o que não é mais o caso. Vamos manter nossa participação em agendas comuns, pois a luta de classes continua, mas marcaremos mais nossas diferenças”, reafirma Artur.

Depois da união com a Força Sindical e outras centrais em torno da candidatura presidencial de Dilma Rousseff, no ano passado, o acordo político entre as centrais também está prestes a desmoronar. Uma das grandes preocupações da CUT é a aproximação da Força Sindical e de outras centrais a governos do PSDB.

“Há um debate político que precisa ser feito. Algumas centrais confundem seu papel e já ensaiam sua atuação para as eleições de 2012. Aqui na CUT é diferente. Um dirigente não pode acumular o cargo com um cargo de deputado, por exemplo. E nós não faremos coro ao PSDB e ao DEM, assim como não apoiaremos ou atacaremos o Governo Dilma cegamente”, diz o principal dirigente da CUT.

O presidente da Força Sindical e do PDT em São Paulo, deputado federal Paulo Pereira da Silva, diz que não vê riscos de ruptura com o Governo Dilma ou mesmo entre as centrais.

“Nós, inclusive, vamos convidar Dilma para o nosso 1º. de Maio. Nós vamos aumentar a pressão ao governo, porque não gostamos da política de arrocho que está sinalizada, mas o que queremos é que a presidente venha para o nosso lado”.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, também disse não acreditar em um rompimento entre as centrais.

“O que acontece é que a CUT foi criada nos anos 80, com uma ideia de central única que prevalecia na época. Algumas correntes da CUT ainda defendem isso. Nós viemos depois da queda do muro de Berlim e não temos o mesmo ideário político”, disse Juruna lembrando que a direção da Força reúne membros do PSDB, além do PDT.

“As eleições de 2012 e 2014 quem está decidindo são os partidos. Nos sindicatos somos plurais”.

O poderio das centrais entre os 4,8 milhões de trabalhadores sindicalizados:

Central Única dos Trabalhadores: índice de representatividade de 38,23%.

Força Sindical: índice de representatividade de 13,71%.

CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil: índice de

representatividade de 7,55%.

UGT – União Geral dos Trabalhadores: índice de representatividade de 7,19%.

NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores: índice de representatividade de 6,69%.

CGTB – Central Geral dos Trabalhadores do Brasil: índice de representatividade de 5,04%

 

Centrais repelem proposta da CUT e apelam por unidade

As centrais sindicais apelaram ontem à CUT (Central Única dos Trabalhadores) em favor da manutenção da unidade de ação. Como Brasília Confidencial antecipou na edição de ontem, a maior central do país quer encerrar a parceria iniciada há oito anos com as demais entidades. Na tarde passada, a Força Sindical, CTB, UGT e Nova Central emitiram nota afirmando que “introduzir no debate o fim da contribuição sindical”, como a CUT decidiu fazer, é uma forma de romper o processo de unidade das centrais.

A briga é travada em torno de vários temas e ameaça embaralhar o apoio unitário dos sindicatos à presidente Dilma Rousseff. Os presidentes da CUT, Artur Henrique, e da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), têm acirrado sua briga pela internet, com entrevistas, artigos em blogs e mensagens no Twitter. Paulinho disse estar “de saco cheio do PT”, em entrevista ao Terra Magazine, e Artur respondeu, inclusive em seu twitter, que “Paulinho está louco para sentar no colo do PSDB”. O líder da CUT ainda comparou as demais centrais a uma “velharia”, porque defendem o imposto sindical. E ontem declarou que “a Força foi montada com dinheiro da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Os empresários construíram a Força para acabar com a CUT. Ele (Paulinho) apoiou Collor, FHC e Alckmin”, disse questionando uma crítica de Paulinho, de que a CUT precisa ser mais autônoma em relação ao governo.

O presidente da Força Sindical, que se opôs à proposta do governo de fixar o salário mínimo em R$ 545, promete novos embates.

“Agora a luta se volta para impedir a reforma na Previdência”.

No site da Força Sindical, Paulinho afirmou que técnicos dos ministérios da Fazenda e da Previdência já iniciaram estudos para propor aumento do tempo de contribuição para a aposentadoria: 65 anos (homens) e 60 anos (mulheres).

“Somos contra esta proposta e defendemos a extinção do fator previdenciário”.

Única das centrais que não assinou ontem o documento de apelo à CUT, a CGTB, presidida por Antonio Neto, do PMDB, considera as declarações da CUT sobre o imposto sindical como uma “armadilha” para separar as centrais. E reclama da briga entre os líderes da CUT e da Força Sindical.

“Há um exagero nas declarações tanto do Artur quanto do Paulinho. As lideranças precisam se lembrar de que elas não são partidos. Em vez de brigar, temos é que focar na macroeconomia. Há uma disputa no governo entre monetaristas e tributaristas e nós tínhamos é que estar marcando presença para os interesses dos trabalhadores. O PDT precisa ir lá no governo e resolver os seus problemas, enquanto a CUT precisa deixar de fazer colocações equivocadas”, afirmou Antonio Neto.

Lideranças sindicais ouvidas por Brasília Confidencial avaliam que a separação das centrais poderá comprometer o apoio dos sindicatos ao governo federal. Dizem essas fontes que, se a presidente Dilma Rousseff atender a pressão da CUT pelo fim do desconto da contribuição sindical, será acusada de querer destruir a organização dos trabalhadores. Dirigentes das centrais, muitos deles ligados também a partidos como PSDB, PPS e PV, aproveitariam o rompimento para apoiar candidatos da oposição em 2012 e 2014

 

 

%d blogueiros gostam disto: