ISSO É SÓ O COMEÇO…É PRECISO MENOS CIMENTO E MAIS CONHECIMENTO!

CANDIDATO DA OPOSIÇÃO DESQUALIFICA CONSELHOS DELIBERATIVOS E CONSIDERA-OS INGERENTES NOS PLANOS DO GOVERNO MUNICIPAL MONSTRANTO TOTAL DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO FEDERAL.

COMEÇOU PELA CULTURA E VAI SE ALASTRAR PARA OS DEMAIS CONSELHOS COMO O DE SAÚDE, DE AÇÃO SOCIAL, DE EDUCAÇÃO, ETC.

Tanto o candidato a prefeito, Dilador Borges, como a candidata a vice, Clarisse Andorfato, declinaram a última hora do comparecimento ao Fórum Municipal de Cultura (FMC). O convite com pedido de confirmação pela coordenação deste Fórum, feito a pelo menos 30 dias. Vale lembrar, que o convite foi feito a mesma data para todos os candidatos. Poucos minutos antes da abertura dos trabalhos, duas assessoras de campanha dos candidatos acima referidos, levaram a coordenação do FMC uma carta de pedido de desculpas pelo não comparecimento, posicionamento quanto as propostas da Carta da Cultura aos Candidatos 2012, a declaração de sua propostas e por fim, a afirmação da não assinatura do Termo de Compromisso com a Carta da Cultura aos Candidatos 2012 e assim, da não concordância com as propostas elencadas por esta coordenação.

Segue digitalizada em anexo e em sua integra, a carta do candidato Dilador Borges. Ela será disponibilizada na página do Fórum Municipal de Cultura. www.facebook.com/CartaDaCulturaAosCandidatos2012
Peço a todos que disponibilizem este e-mail em seus meios de comunicação. Lista de contatos de e-mails, blogs, redes sociais, etc..

O candidato Dilador Borges demonstrou seu descaso total com o debate cultural e não compareceu reunião do fórum cultural. Mandou uma carta resposta desqualificando um documento feito por interesses de vários segmentos culturais. Em sua resposta ele deu ênfase que a proposta dele é “SOBERANA” e que se eleito for vai fazer o seu jeito e não pela vontade do povo!!!!!

Triste realidade é a de quem acha que pode se abster ao debate e ainda por cima achar que é um REI. Um REI arrogante, isso sim!

A CULTURA É PÚBLICA!!! Assim como saúde, educação, asfalto, saneamento. Não é do governo X ou Y. Não cabe panfletagem política. Cabe sim, a quem interessa, articular suas reinvindicações e mais ainda, articular suas práticas. Se há dolo ou incompetência, protestar através de boicote não me parece a melhor ação. Pra falar a verdade, me lembra duas coisas. Uma das lembranças é de criança birrenta que quando as regras não seguem o jeito dela, se ele estiver perdendo ou em desvantagem no jogo, faz bico e vai pra casa chorar no banheiro. A outra é dos pequenos ditadores que na mais tenra idade manipulam seus pais, chegando até seus pares, no pátio do colégio, para serem os “Reis do Pedaço”.

Por vezes, em sua carta, o candidato se contradiz, já que no último parágrafo da página dois, diz: “Para nós, o respeito ao Sistema Municipal de Cultura, com especial ênfase ao Plano Municipal de Cultura, é a mola mestra para promover o atendimento aos reclamos de nossos artistas, produtores, técnicos e demais agentes culturais”, e no parágrafo final da carta, diz: “Por isso, reiteramos nossas propostas e pedimos que os cidadãos participantes deste Fórum Cultural entendam nossa firme posição em não assinar tal documento, por entender que o Plano Municipal de Cultura (ainda não enviado à Câmara dos Vereadores, apesar de estar nas mãos do executivo há mais de um ano, desde o dia 12 de agosto de 2011) é soberano sobre todas as propostas, devendo apenas ser acrescido por novos pedidos oriundos das esferas legais, em especial o Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPCA).”.

Gente, vamos seguir o raciocínio e pra deixar claro alguns pontos. O CMPCA instituiu a coordenação do Fórum Municipal de Cultura em assembleia com membros da gestão pública, representantes dos segmentos culturais, assim como cidadãos sem vínculos partidários, sem vínculos com segmentos culturais ou sem vínculos com a gestão pública. A coordenação do FMC fez a apreciação da Carta da Cultura aos Candidatos 2008, depois através de simpósio, o chamamento público a sociedade civil e representantes dos segmentos culturais para formulação da Carta da Cultura aos Candidatos 2012. Independente do Plano Municipal de Cultura ter sido enviado ou não. Todo esse processo seguido pelo FMC num é a mesma mola mestra citada no último parágrafo da página dois? Então por que não assinar o Termo de Compromisso, na integra ou em parte, se entre as esferas legais para seguir ou acrescer o Plano Municipal de Cultura está o Conselho Municipal de Políticas Culturais? Pensei que o Plano Municipal de Cultura, talvez o Plano Nacional de Cultura indicasse o processo dessa forma. Talvez esteja enganada, talvez o candidato e sua assessoria. Nunca saberemos, não houve debate sobre o assunto.

Temas pendentes do governo Emir Sader

Emir Sader

 

A demora em resolver temas de nomeação pendentes vai fazendo com que o clima político se adense, de maneira desnecessária para o governo. O extraordinário apoio de 77% recebido pela Dilma confirma a aceitação, sobretudo, de suas politicas econômicas e sociais, que agradam à massa da população. Mas isso não exime o governo de resolver a nomeação pendente dos membros da Comissão da Verdade e dos ministérios do Trabalho e da Cultura.

No vazio entre a aprovação da Comissao da Verdade e os meses que passaram até que venham a ser nomeados seus membros e ela comece finalmente a funcionar, foram se manifestando os setores militares de extrema direita, de escassa representatividade, mas que se aproveitam da perda de iniciativa do governo para ocupar espaços totalmente desproporcionais em relação à sua força. Vai se criando um clima desfavorável assim ao funcionamento da Comissão, que vai ter que começar a atuar defendendo-se da ofensiva da ultra direita, tardando para retomar iniciativa e colocar as questões nos seus devidos termos: os da apuração dos crimes de Estado cometidos durante a ditadura militar. Isso não teria ocorrido ou o teria em muito menor medida, se o governo tivesse nomeado os membros da Comissão há algum tempo e a Comissão já tivesse começado o ano dando a pauta da sua ação, sem ter que se ater agora a se defender da ofensiva dos militares de direita.

Da mesma forma a indecisão em relação ao Ministério do Trabalho permite que se adense o clima de conflitos, que enfraquecem a coesão da base política do governo e até mesmo as alianças a nível regional. Há conflitos sociais graves nas obras do PAC e conflitos com partidos até aqui aliados do governo. Não faz sentido, em nenhum caso, que o governo alegue que a Presidenta não age sob pressão. Todo dirigente público age sob pressão, deve ainda mais fazê-lo uma Presidenta de um governo que pretende representar as grandes maiorias populares do país. Na verdade, o governo tem agido, em tantos casos, sob o impacto das denúncias da mídia privada, que são as formas de pressão da direita sobre o governo, não teria porque não aceitar as pessoas de setores sindicais, estudantis, do mundo da cultura e dos direitos humanos.

Da mesma forma, a gestão do Minc se esgotou há muito tempo, além das orientações totalmente equivocadas que a nortearam desde o começo, a tal ponto que setores representativos do mundo artístico e cultural se manifestaram na crítica e na proposta de nomes alternativos para o ministério, sem que aparecesse apoios significativos – salvo alguns releases plantados sob forma de artigos por colunistas chapa branca do ministério – que expressassem que o mandato do Minc tem alguma forma mínima de apoio.

O governo tem dívidas com os direitos humanos, com o mundo do trabalho e da cultura, que deve saldar ainda neste mês, para que não deixe a impressão de que esses temas não tem maior relevância para o governo, que podem esperar indefinidamente.

Postado por Emir Sader

Maitê Proença fazendo escola entre os machos selvagens (@maria_fro)

Por: Conceição Oliveira, no twitter: @maria_fro

O título deste post remete à declaração infeliz dada pela atriz global Maitê Proença, discutida aqui. Parece que Maitê encontrou adeptos da espécie ‘machos selvagens’ e sem noção que tanto aprecia. Um deles se identifica no twitter e no twitpic como @cesaradorno. Em seu perfil encontramos a seguinte descrição: “Cesar Adorno, Bio: Medico Veterinário nascido em Santa Cruz do Rio Pardo neto de imigrantes Italianos,Tucano por ideologia e Sãopaulino de coração!”(sic) No seu avatar vemos um twibbon de apoio ao candidato José Serra. Se é um perfil falso ou não, não podemos afirmar, só podemos deduzir que por trás dele existe um ser sem noção e que acredita que vale tudo na campanha, inclusive incorrer em alguns crimes.

A imagem que vocês podem ver reproduzida abaixo foi editada grosseiramente por algum incauto. As inscrições originais da faixa foram apagadas e em seu lugar foram inseridas mensagens de incitamento à violência contra a mulher, no caso: Dilma Rousseff.

Imagem editada que foi publicada por um usuário do twitpic que se identifica como Cesar Adorno. 

As frases fazem apologia ao crime na medida em que remetem ao assassinato bárbaro de Elisa Samúdio, seu suposto mandante e possíveis executores.

José Serra não pode ser responsabilizado criminalmente pelos aloprados que o apóiam, é fato. Mas esse tipo de campanha suja invade a rede em inúmeras vertentes (já falamos sobre isso aqui e também aqui). E o que chama a atenção nestas manifestações preconceituosas, sexistas, por vezes racistas e, na maioria das vezes, repletas de preconceitos de classe é que para além do comportamento agressivo, ilegal e imoral, percebemos que na própria campanha oficial da coligação demotucana há estímulos à detratação, à desinformação, à disseminação de textos falsos. Veja aqui que tipo de e-mail os eleitores recebem quando se cadastram no site Serra45.

Infelizmente constatamos que uma rede feminina de apoio ao PSDB no twitter reproduziu a foto e a mensagem do ‘macho selvagem’ que se diz tucano de carteirinha.

Imagem da conta no twitter denominada Mobilizamulher PSDB capturada da tela do computador. 

 

É lamentável que uma rede feminina de apoio ao PSDB reproduza uma mensagem como essa que traz a tag #eurimuitoooo. Como aponta Cinthya Semíramis no Sexismo na Política, o que há de divertido nesta manifestação tão sexista que incita violência contra a mulher?

As feministas históricas tucanas devem estar morrendo de vergonha alheia. Espero que façam mais que isto, espero que se mobilizem para repudiar e denunciar tais práticas que emporcalham a democracia e ferem os direitos humanos

Fonte: http://www.viomundo.com.br/blog-da-mulher

Reforma da LDA – Paraty, Flip 2010: na festa controvérsia sobre direitos autorais

PARATY. A literatura não foi o único tema de discussão na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que termina hoje. No mês passado, o governo federal abriu para consulta pública uma proposta de alteração da Lei de Direito Autoral, que está em vigor desde 1998. Para o mercado editorial, a nova legislação pode representar mudanças em regras para autorização na concessão de licenças de reprodução das obras. O assunto ainda é polêmico e repercute nas ruas de Paraty em conversas entre editores, agentes literários e escritores.

Um artigo da lei, por exemplo, define que o presidente da República pode “conceder licença não voluntária para tradução, reprodução, distribuição, edição e exposição” em casos específicos. Um desses casos seria “quando o autor ou titular do direito de reprodução, de forma não razoável, recusar ou criar obstáculos ao licenciamento previsto”. Em outro ponto, a lei determina que “não constitui ofensa aos direitos autorais a utilização de obras protegidas, dispensando-se, inclusive, a prévia e expressa autorização do titular” em situações em que “não exista estoque disponível da obra”.

A consulta pública do governo ficará aberta até o dia 31 de agosto, para receber opiniões de qualquer pessoa interessada. Até anteontem, mais de quatro mil sugestões haviam sido dadas para o anteprojeto.

— Essas cláusulas do projeto devem ser redigidas com muito cuidado, para não permitir interpretações abusivas. Aliás, o objetivo da consulta pública é exatamente aperfeiçoar o texto — explica Marcos Souza, diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura.

Moacyr Scliar, escritor: Não estou acompanhando muito a mudança da lei, mas acho que a ação de certas famílias está prejudicando a difusão de obras de grande importância. Tem que haver direitos autorais, claro, e eu, como escritor, sei e apoio o pagamento dos direitos. No entanto, se o engavetamento de materiais relevantes prejudica a divulgação da obra do autor, alguma coisa está errada.

Felipe Pena, escritor:
Nenhuma lei é eterna. Sou favorável às alterações. O mais importante para o artista é, sem dúvida, que o seu trabalho seja difundido ao maior número de pessoas, que ele seja mais conhecido, que mais gente conheça o que você produz. Para mim, isso é mais importante que ganhar dinheiro ou obter sucesso comercial. Assim, com a nova lei, talvez mais gente possa chegar ao nosso trabalho. Acho que as editoras serão mais impactadas do que propriamente os autores. Como escritor, não muda nada na minha produção a alteração da lei. Continuo com meus projetos, e continuaria a escrever mesmo que voltássemos à Idade da Pedra e tivesse que produzir com cinzel e bloco de concreto. 

Mariana Zahar, editora: O projeto é uma intervenção do Estado em coisas que são privadas. Ele deveria ter sido muito mais discutido do que foi. Nós, do Sindicato, chegamos a fazer diversas observações, mas parece que nada foi levado em conta. Você não pode promulgar uma lei agora que vai falar sobre como vão funcionar os direitos autorais nos próximos anos sem levar em conta o meio digital. Por exemplo, quando a lei trata da autorização para reprodução de livros fora de catálogo, ela ainda leva em conta somente os livros físicos. Com o livro digital, a questão tem que ser debatida de outra forma. O livro tem que estar disponível para a venda, e não em estoque.

Lucia Riff, agente literária: Essa sensação de liberar tudo para privilegiar o consumidor em detrimento do autor é perigosa em muitos aspectos, inclusive para a própria distribuição do conhecimento. O fato de algumas famílias atrapalharem o acesso a alguma obra não é justificativa para que todos os outros sejam prejudicados. Além disso, o assunto é complexo demais para ser debatido em tão pouco tempo.

Leila Name, editora: A nova lei tem muitas incompreensões e deve ser discutida. Ela confunde os mercados de produção intelectual. Essa concepção de agência reguladora que pode intervir nos direitos autorais vem da noção de patente. A lei falha ao compreender o trabalho intelectual, ficando muito aquém do assunto que pretende legislar. Do jeito que está, ela prejudica editoras e autores, especialmente por conta da exigência de um estoque mínimo para evitar a reprodução livre. Num mundo digital, é algo obtuso.

Flávio Carneiro, escritor: Alterar de tal modo a Lei de Direito Autoral é perigoso. Tudo que envolve decidir sobre o uso de uma obra independentemente da vontade dos herdeiros precisa passar por grupos de análise, ter critérios. Eu, como artista, não vou alterar minha produção e meus projetos por conta dessa lei.

Barrado o “pink money”. Eleição da APOGLBT será decidida por diretoria e fundadores.

Membros definem nova data e procedimentos. A medida foi aprovada pelos demais associados em unanimidade.
02/08/2010

Por Leandro Rodrigues

Inicialmente marcada para a última sexta-feira (30), a eleição da nova diretoria da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) foi adiada. A decisão foi tomada pelos membros em reunião na sede da entidade. A Associação deve divulgar as definições da eleição ainda esta semana.

Segundo consta em livro de presença, 78 pessoas estiveram presentes na ocasião, entre associados, militantes, jornalistas da mídia segmentada, empresários e visitantes. Número recorde de participação em reunião administrativa da Associação, a exemplo da discussão para escolha do tema da 14ª Parada, que reuniu aproximadamente 15 pessoas. 

O 8º Ciclo de Debates, atividade oficial do 14º Mês do Orgulho LGBT, recebeu uma média de 30 pessoas por dia. Dos presentes na assembleia da eleição, grande parte não participou dessa nem das outras ações do calendário promovido pela entidade, todas em prol dos direitos humanos e cidadania LGBT. 

O repentino interesse deve-se a falta de definição de uma chapa em situação. Diversos não-associados reivindicaram o direito de voto e formação de chapa, mobilizando uma tentativa de anulação do Estatuto, que exige a filiação há pelo menos seis meses anteriores à data da eleição e 25% de participação nas atividades promovidas pela APOGLBT para a aptidão ao voto e a candidatura. 

Um dos entusiastas dessa ilegalidade era o empresário Douglas Drumond, que pleiteava a possibilidade de se candidatar. O mesmo defende a mudança do formato da Parada, bloqueando o acesso à Avenida Paulista e condicionando a participação popular na manifestação através da venda de abadás. “Queremos formar uma chapa. […] Nova parada novamente gay, linda, boites [sic], drags, gogos, Caca Dipoli [sic]”, disse em seu perfil no Facebook o dono da sauna 269, estabelecimento direcionado ao público gay masculino que discrimina mulheres, travestis e transexuais. 

Integrante do Conselho de Sócio-Fundadores, Ideraldo Beltrame agradeceu a presença e o interesse dos não-associados, mas afirmou que “a derrubada do Estatuto é um ato anti-político, anti-ético e desrespeitoso à importância histórica da entidade”. O militante Julian Rodrigues e a ex-diretora Regina Facchini endossaram as colocações de Ideraldo. 
 

Arquivos abertos 

 

Acusado por Drumond de promover as eleições “às escondidas”, sem edital, o presidente da APOGLBT rebateu. “O edital da eleição está publicado em nosso site desde a semana passada, como manda o Estatuto. Os editais das outras eleições estão todos em nosso arquivo, que está aberto para quem quiser consultar”, explicou Xande. (clique aqui e confira a publicação do edital) 

O empresário – que se apresentou na 14ª Parada fantasiado de “Rei-Sol”, o monarca absolutista Luís XIV – dispara ainda que Associação não é democrática, mantendo a muito tempo um único grupo militante na diretoria. Quem lhe respondeu dessa vez foi Facchini, que apontou diversos membros presentes, outros ausentes, citou a militância de origem de cada um e salientou que “a Associação é formada por um grupo muito diverso de pessoas. Fazemos a Parada muito antes do apoio do governo e muito antes de ter uma sede, emprestávamos nossas casas para organizar a manifestação”. 
 

Trabalho solitário 

O último inscrito a tomar palavra foi o tesoureiro da APOGLBT, Manoel Zanini: “Bom vocês estarem aqui e constatarem o pequeno espaço em que é realizada a maior Parada do mundo. Tempos atrás, nem tínhamos como alugar uma sede. Hoje a associação tem dinheiro em caixa para pagamento de aluguel e contas para os próximos meses. Meus caros, estou aqui todos os dias e pouco vejo aquela porta se abrir. Este tem sido um trabalho solitário”, disse. 

Após cerca de duas horas, o debate decidiu pelo adiamento da eleição em 30 dias, num primeiro momento, para que a atual diretoria e os sócio-fundadores possam se reunir e estabelecer como será a formação de chapas e os procedimentos de votação. Todos os associados serão anistiados de débitos com a entidade, exceto prestação de contas. 

O encontro ocorre no início desta semana e a sentença para o prosseguimento será anunciada no site da organização e para a imprensa, através de sua assessoria de comunicação

Blogosfera Paulo Teixeira. Comunidade das Lan Houses ganha nova ferramenta

Escrito em 30 de julho de 2010

O Programa Democracia Eletrônica, da Câmara dos Deputados, lançou mais uma ferramenta que promete facilitar ainda mais a ação de quem quer contribuir na consulta pública. Trata-se da Wikilegis, que permite discutir na íntegra ou artigo por artigo a minuta do Projeto de Lei.

Assim, fica muito mais fácil organizar as ideias que comporão o documento final.

Para acessar a nova ferramenta, siga os seguintes passos:

1. clique na comunidade lan houses no Portal e-Democracia (http://www.edemocracia.gov.br);

2. Abaixo do campo dos fóruns, você visualizará o wikilegis;

3. Clique em “Editar”;

4. Em seguida, abaixo do próprio campo do texto terá uma opção de clique na barra cinza “OK”. Clique!;

5. Imediatamente abrir o espaço de edição e contribuição para o texto minuta no Wikilegis, onde terá um sumário para edição do texto integral ou por artigo;

6. Para você postar sua proposta, basta clicar em “EDITAR” no menu do Wikilegis, onde abrirá um tela para edição do texto, igual a um modelo do Word;

7. Abaixo também do campo de edição do seu texto, você também tem um espaço de comentário, bastar clicar em “Adicionar comentários”;

8. Para acompanhar as versões e analisar as propostas sugeridas, bastar clicar em “Histórico” no menu do Wikilegis, onde você poderá visualizar sua ou outra versão clicando em “DIFF”, na tabela de versões que contém as opção de autor, arquivo, última modificação, etc.

Todo debate público é sempre importante. E este, em especial, trata de um elemento fundamental capaz de combater a exclusão digital e social do nosso país. Por isso, contamos com seu apoio e contribuição.

Mercadante é Cultura: debate sobre movimentos culturais

Nem mesmo a chuva atrapalhou o encontro de Aloizio Mercadante, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, com representantes e líderes de movimentos culturais da capital e do interior nesta terça-feira, dia 13.

Depois de ouvir propostas e sugestões, Mercadante defendeu os movimentos culturais e a inclusão digital nas periferias. “Quero um governo participativo e que tenha interação. Temos que desenvolver novas mídias, estimular publicações, portais, blogs, movimentos culturais e midiáticos que não estão na mídia dominante comercial. Você tem na internet, hoje, um instrumento de diálogo, interação, mobilização e transformação. O que nós temos de fazer é dar acesso à população. Há um apartheid digital no Brasil”.

Mercadante também ressaltou a importância das políticas públicas. “Temos que ter políticas públicas que assegurem que esses recursos vão chegar na forma de expressão cultural para a população. Não pode ser uma política só de eventos e mercantilização. O importante da arte é criticar o Estado e o Governo. É um instrumento de contestação, de libertação e mudança”.

Ao final do encontro, Aloizio Mercadante propôs a criação de um seminário para debater o tema de uma maneira mais ampla e representativa.

A estudante Beatriz chegou cedo para ouvir as propostas de Mercadante. “É interessante ter esse tipo de conversa. Em São Paulo, a cultura tem melhorado, mas falta na periferia e no interior”, disse.

“A questão cultural das periferias é importante e deve ser socializada. É preciso apoiar os movimentos culturais e sociais. O atual governo acredita que cultura é promover eventos. É preciso fazer e entender cultura”, ressalta Crônica Mendes, rapper do grupo A Família.

“Espero que as propostas incorporem as mesmas diretrizes da política cultural do governo Lula, em especial o Cultura Viva”, comentou Leonel, do Ponto de Cultura de Rio Claro.

Quando todo mundo estiver online, o Congresso será inútil?

  • 18 de julho de 2010
  • 19h36
  • Por Pedro Doria
  • Lentamente, a Câmara dos Deputados vem usando mais e mais o formato da consulta pública via internet como apoio para escrever projetos de lei.

    Por enquanto, os alvos têm sido temas relacionados com o meio digital. Marco Civil da internet, direito autoral, regulamentação das lan houses – projeto nas mãos do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), história contada na edição de hoje do Link. É um ensaio, um estudo de método moderno, eficiente e que está dando muito certo.

    A internet oferece desafios diferentes para vários setores. Ela muda de maneira tão profunda a forma de nos comunicarmos que, não tem jeito: muda junto o negócio da informação – jornalismo, cinema, música – e tudo o que depende de informação. Isso vai da maneira como empresas são geridas ao modo como somos governados.

    No momento em que todos tivermos acesso a um celular ou computador conectado e um software seguro para votar, para que Congresso? Para que intermediários se, no fim, o objetivo é criar leis que representem o desejo da população. Políticos não costumam ser lá muito populares e defender num discurso demagógico a democracia direta é fácil. O problema é que a democracia direta é uma forma de ditadura.

    Chama-se a ditadura da maioria. Uma das utilidades de um Congresso Nacional, nas democracias, é garantir a proteção das minorias. A democracia não serve apenas para impor o desejo majoritário, afinal.

    Outro objetivo, por improvável que pareça, é estimular a conversa sobre temas complexos. Campanhas políticas, por natureza, simplificam o que é complicado. Transformam o que podem num slogan ou num sorriso. Se toda lei fosse decidida em campanha eleitoral, que horror.

    O formato da consulta pública via internet ajuda em ambas as pontas. Por um lado, não cria uma campanha eleitoral para cada lei, coisa que a democracia direta exigiria. Por outro, abre as portas para todo cidadão que deseje opinar sobre um assunto.

    Antes da rede, consultas públicas eram inatingíveis. Era espaço para grupos de lobby e ONGs empurrarem relatórios extensos e complexos goela abaixo dos parlamentares. Na web, virou espaço de conversa.

    Porque a web faz isso bem. No fórum eletrônico aberto pelo governo ou em blogs e redes sociais, quem desejar se mobiliza. Há espaço para os relatórios – mas também para a conversa.

    Pegue um tema difícil como o dos direitos autorais. Quando a conversa ocorre num ambiente ao qual qualquer um tem acesso, tudo muda. Os especialistas e aqueles diretamente afetados podem fazer seu lobby, defender sua causa. Mas o cidadão que acha o assunto interessante também pode entrar na discussão. Só de ler as conversas e bisbilhotar os relatórios, já aumenta sua educação a respeito. Torna-se um cidadão informado e, portanto, apto também a encaixar seus argumentos. Democracia de fato, para quem quiser.

    Não é que a rede faça milagres. Quem conversa na web sabe que há guerras insanas, discussões de baixíssimo nível e que logo, logo, alguém será comparado a Hitler de forma injustificável – é a famosa Lei de Godwin. Há gente, até, que se mete numa boa conversa com o único objetivo de espalhar a cizânia: mas como tem troll nessa pobre internet.

    Ainda assim, talvez por tratar de temas ligados à cultura digital, o formato de consulta pública online está funcionando. Sim, as coisas no Brasil às vezes dão certo. Estar funcionando quer dizer que deixa vontade de mais e mais. Casamento gay, aborto, regulamentação de motocicletas no trânsito, quem sabe até reforma política. O número de assuntos é enorme. Queremos discutir tudo.
     

    http://blogs.estadao.com.br/pedro-doria/

    Aberta consulta pública sobre projeto das lan houses

    E já está disponível na biblioteca virtual da comunidade das lan houses a minuta do relator Otáveio Leite (PSDB-RJ). Depois de várias audiências públicas, em que ouvimos membros dos mais variados setores da sociedade, temos a oportunidade de realizar mais um amplo debate por meio da internet. Clique aqui para consultar a minuta.

    Convido a todos para que se cadastrem no portal e-Democracia e mandem suas sugestões. Nos próximos dias, já devem estar disponíveis vários meios para suas contribuições: fórum específico, wikilegis, comunicado ao todos os membros e programação de sala de bate-papo pré-agendada para discussão do relatório.

    Participe! Isso é de grande importância para nós, para as lan houses e para a democracia

    http://www.pauloteixeira13.com.br/

    Breno Cortella é candidato a deputado estadual

    Breno Cortella, candidato à Deputado Estadual 13613. 

    SÃO PAULO

    Breno Cortella tem 25 anos, é o mais jovem vereador de Araras. Eleito pela primeira vez em 2004 aos 19 anos, foi o único vereador do PT naquele mandato. Reeleito em 2008 alcançou a posição de segundo vereador mais votado da cidade. 

    Filiado ao PT desde os 16 anos quando iniciou militância no movimento estudantil secundarista, foi o primeiro secretário de juventude do PT em Araras. No PED de 2007 foi eleito presidente do Diretório Municipal. É também Secretário de Formação Política da Macrorregião Campinas do PT, que reúne 69 cidades. 

    Bacharel em Direito, é presidente da Comissão de Justiça e Redação da Câmara. Líder da Bancada petista, tem atuado na defesa e no apoio ao governo interino do PT na Prefeitura de Araras. 

    Como vereador, Breno mostrou a força da juventude com uma atuação reconhecida pela firmeza de suas atitudes e posições, provando que é possível ser um vereador diferente e que a juventude pode ocupar espaços institucionais. 

    Agora se apresenta como pré candidato a Deputado Estadual para renovar a Assembléia Legislativa e construir um mandato socialista no parlamento paulista. 

    Sua trajetória tem sido reconhecida pela atuação com os movimentos populares, na luta em defesa do meio ambiente, da juventude, dos trabalhadores, da participação popular, da cidadania e dos direitos humanos. Também teve importante papel na fiscalização da administração municipal, no enfrentamento com a direita e na formulação de denúncias de irregularidades da gestão anterior. 

    Breno tem desempenhado papel importante na luta pela livre orientação sexual e cidadania LGBT. Atuante na luta das mulheres, contra o machismo, é autor da sessão solene na Câmara do Dia Internacional das Mulheres e do projeto de ampliação da licença maternidade para seis meses. No combate ao racismo e à discriminação, foi autor da lei municipal do feriado no dia 20 de novembro. Defensor do direito à moradia, militou em defesa de uma política municipal de habitação. 

    Como Deputado Estadual, Breno continuará sua trajetória reafirmando a importância dos movimentos populares na luta pela transformação social e pela garantia de direitos, defendendo o resgate da educação pública no Estado de São Paulo, a valorização da saúde e ações na área do esporte e cultura. 

    Breno atua contra o (des)governo tucano que desmonta o Estado e implanta sua política de privatizações, pedágios e presídios. Para isso será necessário derrotar os tucanos em São Paulo, elegendo Mercadante Governador e Marta senadora. 

                   O vereador Breno Cortella é candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Disputará as eleições em outubro com o número 13613, o mesmo que participou nas eleições anteriores. 

                   O sorteio do número aconteceu na Convenção Estadual do PT, realizada em São Paulo, no dia 26 de junho. Mesmo com outros candidatos disputando o 13613, Breno conseguiu o número que desejava. “Começamos com sorte, é um ótimo sinal”, destacou.  

                  Breno está em seu segundo mandato como vereador, e demonstra experiência política com sua forte atuação e suas propostas para Araras. Na disputa para deputado estadual, é um dos mais jovens candidatos da chapa petista. “É um novo passo na minha trajetória, é a consolidação de um trabalho consistente. Araras precisa de um articulador para ajudar a cidade na relação com o Estado”, afirma Breno, lembrando que o município não tem deputado estadual desde 2002. 

     

    Reforma da LDA em debate… participe.

    Vc está convidado.

    Memoriais homenageiam vítimas da ditadura militar

    Na cidade do rio de Janeiro, uma escultura em aço naval, da artista plástica Cristina Pozzobon homenageia o estudante secundarista Edson Luís, assassinado pela ditadura militar em 1968. Na cidade do rio de Janeiro, uma escultura em aço naval, da artista plástica Cristina Pozzobon homenageia o estudante secundarista Edson Luís, assassinado pela ditadura militar em 1968.

        Resgatar a memória de mais de 450 pessoas que foram torturadas, assassinadas e desaparecidas por causa de sua luta pela democracia ao longo dos mais de vinte anos de ditadura que vigoraram no país a partir de meados dos anos 1960. É esse o objetivo dos memoriais Pessoas Imprescindíveis, que fazem parte do projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR). Desde que o projeto foi instituído, em 2006, já foram instalados memoriais em 12 cidades brasileiras.

        Hoje, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, a SEDH/PR homenageia o jornalista baiano Mário Alves, fundador e principal dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que foi preso pelo DOI-Codi do Rio, em 17 de janeiro de 1970, e torturado até a morte nas dependências do quartel. O corpo do jornalista nunca foi entregue à família e o crime não foi apurado.

        Confeccionados em aço naval e acrílico, os painéis e esculturas trazem imagens dos homenageados e de situações que representam a repressão violenta do regime militar. O aço remete simbolicamente à brutalidade, à frieza e ao ambiente claustrofóbico das prisões e dos porões da ditadura pelos quais passaram os homenageados. Ao mesmo tempo, o acrílico faz alusão à transparência, à humanidade e à delicadeza.

        “É uma homenagem às pessoas mortas e desaparecidas, principalmente aquelas cujos corpos não foram achados ou não foram entregues à família. O Estado não entrega o corpo, mas faz um monumento perene”, explica Maurice Politi, coordenador do projeto.

        Estão previstas mais seis homenagens, ainda em 2010. Uma delas será em Foz do Iguaçu PR numa parceria entre Brasil, Paraguai e Argentina.

    Inclusão Digital – O papel comunitário da Lan house

    Por: Deputado Paulo Teixeira

    A reportagem abaixo, do pessoal do Conexão Cultura, reafirma o que defendemos há algum tempo: que as lan houses, verdadeiras promotoras de atividades culturais, têm um papel social a cumprir. Não tenho dúvidas de que elas são capazes de formar cidadãos, oferecendo a eles oportunidades que jamais tiveram.

     Veja só:

     Lan house é um lugar aonde vamos para acessar a internet, certo? Mas será que existem outras possibilidades de uso desse espaço? Uma lan, por exemplo, poderia ter um papel social  dentro de uma comunidade? A resposta é sim. E a equipe do Conexão Cultura foi até o bairro de São Matheus, no extremo leste de São Paulo, para conhecer a Lan do Fran: uma lan house que explora seu papel social e se destaca na comunidade promovendo atividades culturais para crianças e um mutirão da cidadania para os moradores da região.

    Nossa equipe saiu da Fundação Padre Anchieta, na Água Branca, zona oeste, às 13 horas do dia 23 de junho em direção ao número 142 da rua Peramirim, na Vila Bela, zona leste. Depois de uma hora, chegamos ao local. Lá funciona a Lan do Fran.


    “Sempre quis ter uma escola de informática”, disse José Francisco Dias, 30 anos, dono da lan. “Então, montei aqui há três anos e comecei a dar aula. Depois, veio a ideia do cinema para as crianças, do Dia da Ação Social para os moradores, e hoje a gente faz várias atividades”.

     Parceria com a Associação de Moradores

    A Lan do Fran tem estrutura simples: um salão com porta de aço; cinco computadores para os usuários e um servidor. O movimento é pequeno, diz Francisco, que não sabe precisar quantas pessoas atende por dia, mas já contabiliza 769 cadastros no banco de dados.

    Aos sábados, o espaço deixa de atender os clientes para promover exibição de filmes para as crianças da comunidade, gratuitamente.

        Aos sábados, a lan exibe filmes para as crianças do bairro (imagem de arquivo) Aos sábados, a lan exibe filmes para as crianças do bairro (imagem de arquivo)Por iniciativa própria, a Lan do Fran promove o Dia da Ação Social, uma vez por mês. Em parceria com a Associação dos Moradores de Vila Bela (AMVB), a lan organiza um mutirão de cidadania para preencher e enviar currículos via e-mail, tirar segunda via de contas, atestados, e uma série de outros serviços via web, tudo gratuitamente.

    É o que atesta a moradora e usuária da lan Patrícia Ferreira Oliveira, 40 anos, que ajuda a divulgar as ações promovidas no bairro. “Para mim o Fran, aqui da lan house, o pessoal da Associação e o pessoal da Igreja estão de parabéns! Tudo isso aqui é feito com união, todo mundo se ajuda e no fim tudo dá certo”, disse.

    No dia de nossa visita conseguimos conversar com algumas lideranças. Estiveram presentes na Lan do Fran as professoras do EJA (Educação para Jovens e Adultos) Marluce Martins, 31 anos, e Karoline Barbeiro, 25 anos; a moradora Verônica Calixto, 40 anos, sua filha Ayhra de Lima, 18 anos, e sua irmã Vera Lúcia da Silva, 42 anos, que, apesar de não morar em Vila Bela, faz questão de atuar vivamente pela região. “Sou de Natal, no Rio Grande do Norte: o nordestino, justamente por passar dificuldade, sabe como é importante ajudar o próximo. Por isso, sou participava mesmo, estou em todas!”, nos contou, entusiasmada e bem-humorada. Todas atuam na comunidade dando aulas ou participando de ações de apoio às famílias.

        As voluntárias Vera Lúcia e Verônica auxiliam os moradores no “Dia da Ação Social” As voluntárias Vera Lúcia e Verônica auxiliam os moradores no “Dia da Ação Social” 

    Segundo Edilene Teresa da Silva, 40 anos, presidente da AMVB, são as próprias famílias que se ajudam. “Um traz a pipoca, outro traz o guaraná, e a gente faz o cinema para as crianças. No Dia da Ação Social, um traz a folha de sulfite, outro ajuda na triagem, no cadastro, e assim todo mundo se ajuda”. Segundo Lena, como é conhecida, a lan é um canal de comunicação com o mundo. “A lan funciona como um Poupa Tempo para nós: se não der para resolver pela internet, a gente pesquisa o lugar em que dá para resolver, o horário, que documento tem que levar, e assim a gente vai lutando para melhorar as condições aqui do bairro”.

     

    O próximo Dia da Ação Social deve ocorrer no dia 17 de julho, sábado. E a equipe do Conexão Cultura estará lá para acompanhar mais essa ação de cidadania. Fique de olho no blog do Deputado Paulo Teixeira!

    http://www.pauloteixeira13.com.br/?p=6295

    Mantras da irracionalidade.A indústria cultural e predatória, apropria-se da cultura popular, a reconfigura e a vende como produto travestido de cultura popular

    A indústria cultural e predatória, apropria-se da cultura popular, a reconfigura e a vende como produto travestido de cultura popular. A sociedade de consumo assimila esta cultura enlatada como se fosse sua, e ainda critica a cultura popular, que deu origem à sua nova “cultura”. Com consumidores assim fica fácil, à industria cultural e a mídia, a disseminação de “trojans intelectuais”, que mantendo a analogia com a tecnologia, são trojans que se instalam nas mentes das pessoas destituindo-os de seus sensos críticos.

    “Dentre as características mais veementes da indústria cultural, destaca-se seu poder em destituir dos indivíduos a autonomia em julgar e decidir. Se a revolução industrial mecanizou a relação entre homem e trabalho, a indústria cultural mecanizou a relação entre o homem e sua própria subjetividade.”

    Érica Fernandes Silva

    Curioso é ver o quanto irracional nossa sociedade esta ficando, enquanto não estão consumindo a cultura de massa, estão trabalhando para ter recursos para consumi-la, isto no mais irracional dos círculos viciosos. Estupidamente estupendo, mas é a pura verdade, vivemos numa sociedade tão hedonicamente consumista, que é mais importante ter o bem do que proriamente usufrui-lo. A dissonância cognitiva pós compra não se da mais sobre o aspecto de que a compra foi ou não bem sucedida, ela vem perdendo sentido, para o consumista irracional, toda compra é bem sucedida, por mais estúpida que possa parecer. A nova dissonância é a depressão pós-compra, onde o vazio de possuir imediatamente inicia um novo ciclo no processo.

    A tecnologia trouxe grandes benefícios à sociedade, eu amo a tecnologia, mas nem por isto deixo de ser crítico. Vivemos numa era dinâmica, a espiral evolutiva vem sufocando o nosso tempo, a velocidade das coisas e digo ai todas as coisas tal como a tecnologia, os negócios, a vida, tudo, vem aumentando de forma exponencial, e sem sinal de que isto vai mudar. Mas vai, tudo se da por relações complexas das mais diferentes matizes que nem sempre tendem à uma combinação perfeita, os comportamentos são senoidais (ainda publico aqui esta teoria), é como se sistematicamente entrássemos em uma via sem saída, e tenhamos de retornar e tentar novamente, mas sempre aparece um atalho no meio do caminho… Isto esta claro na atual conjuntura, onde o consumismo sufocou o capitalismo, num ato auto-imune, pois a relação consumo x capital perdeu a sinergia. Isto foi exatamente o que aconteceu nos Estados Unidos, para aumentar o consumo aumentou-se o crédito, e ai deu no que deu. Agora corre o risco do consumismo consumir o mundo ou a nós mesmos, é viver e assistir.

    Em uma sociedade assim é fácil a disseminação do “trojan intelectual”, como a Érica citou, a indústria cultural mecanizou a relação entre o homem e sua própria subjetividade, é como se os “trojans intelectuais” minassem nosso senso crítico de forma tão sutil que nem nos damos conta disto. Mas existe cura, a cura esta na internet, a internet é a cura, a pluralidade de informações democraticamente disponíveis e díspares no ciberespaço nos leva a leitura e reflexão, na reconstrução de nosso senso crítico e analítico para que possamos avaliar qual informação é de fato relevante, ou quais partes de cada uma compõe um conjunto sensato.

    Muitos críticos irão dizer que a cura para o trojan intelectual esta nos livros e eu digo que não, por uma razão muito simples, os livros fazem parte da indústria cultural, no modelo de publicação atual, com base no copyright, faz do editor uma espécie de filtro de conteúdo, com amplos poderes para decidir o que deve ou não ser publicado. Quando o autor for o legitimo detentor dos direitos sobre sua obra, e quando ele tiver o poder de decidir a publicação, ai sim teremos um quadro onde os livros também farão parte da cura.

    Dentro desta visão crítica que estou criando a nova categoria do blog, a que decidi chamar de mantras da irracionalidade, onde farei uma leitura crítica de diversas máximas que muitos usam como verdadeiros mantras emitidos irracionalmente.

    http://entropia.blog.br/2009/01/10/mantras-da-irracionalidade/

    Reforma da LDA – Lei do Direito Autoral participe do debate, até 28 de julho.

    O Ministério da Cultura (MinC) abriu consulta pública do anteprojeto de lei que reforma a lei de direitos autorais (Lei 9.610/98 – LDA). A LDA vem sendo debatida com desde 2007 e sua alteração, segundo o MinC, tem o intuito de “harmonizar a proteção aos direitos do autor, o acesso do cidadão ao conhecimento e a segurança jurídica ao investidor”.

    Dada a relevância do tema, a Casa da Cidade e a Rede pela Reforma da Lei de Direitos Autorais propõe aprofundar este debate por considerar os direitos do autor assunto de extrema relevância para todos os cidadãos e cidadãs. A questão se relaciona às nossas práticas cotidianas, como o compartilhamento de arquivos pela internet, a cópia de obras, o consumo de livros, filmes, música, o xerox para os estudantes e a utilização das obras para fins educacionais.

    A nova legislação autoral deve visar atender ao interesse público do acesso à cultura e ao conhecimento. Dentre as questões principais da reforma da lei, estão: a possibilidade de cópia privada, a criação de um sistema de supervisão estatal dos órgãos coletores de direitos autorais, a questão da cópia para uso educacional e o aumento das limitações e exceções (possibilidades de usos “justos” das obras protegidas).

    O projeto de lei que reforma a LDA fica em consulta pública, para receber contribuições da sociedade, até o dia 28 de julho e depois segue para o Congresso Nacional.

     É um assunto de grande interesse para artistas plásticos, músicos, arquitetos, escritores e todos os trabalham com criação, além dos cidadãos em geral.

    Convidados:

    Marcos Alves de Souza (diretor de direitos intelectuais do Ministério da Cultura)

    Paulo Teixeira (deputado federal) –confirmado

    Pedro Paranaguá (doutorando em propriedade intelectual na Universidade de Duke (EUA) e coautor dos livros Direitos Autorais e Patentes e criações industriais)

    Guilherme Carboni (advogado autoralista, autor de Função Social do Direito de Autor)

    Guilherme Varella (Idec, Rede pela Reforma da Lei de Direitos Autorais)

    Mediação: Nabil Bonduki (Professor da FAU-USP e Casa da Cidade)

    Quando: dia 5 de julho, 2º feira, às 19 horas

    Onde: Casa da Cidade, Rua Rodésia 398, Vila Madalena – São Paulo – SP

    http://culturadigital.org.br/site/lda/?p=451

    Perversão no Orkut ou Psicopatologia em acting no virtual

    (Trabalho apresentado no Psicoinfo/2006 – PUC/SP)

     Denise Deschamps e Eduardo J. S. Honorato

    “Ao escrevermos, como evitar que escrevamos sobre aquilo que

    não sabemos ou que sabemos mal? É necessariamente

    neste ponto que imaginamos ter algo a dizer. Só

    escrevemos na extremidade de nosso próprio saber, nesta

    ponta extrema que separa nosso saber e nossa ignorância e

    que transforma um no outro.”

    Gilles Deleuze

    Necessário esclarecer antes de tudo,que esse trabalho levantará mais questões do que as que pretende responder, partindo da convicção de que a produção de conhecimento se dá mais no ato de perguntar do que de criar respostas fechadas e inquestionáveis.

    Sua apresentação consistirá em uma descrição de algumas tipologias em psicopatologia psicanalítica e uma análise da vivência de algumas dessas dinâmicas nas chamadas comunidades virtuais – mais especificadamente as do site Orkut.

    O Orkut caracteriza-se pela proposta em se constituir em um espaço destinado ao desenvolvimento de comunidades virtuais e um encontro de amigos. Sabemos que até certo ponto tem cumprido seu objetivo. O Brasil assimilou o Orkut de uma forma bastante impressionante. Pelos dados do próprio Orkut representamos hoje a grande maioria de seus usuários(por volta de 51,18%[nov/08])).

    Vejamos a descrição do Orkut por ele mesmo: “Com o orkut é fácil conhecer pessoas que tenham os mesmos ‘hobbies’ e interesses que você, que estejam procurando um relacionamento afetivo ou contatos profissionais. Você também pode criar comunidades on-line ou participar de várias delas para discutir eventos atuais, reencontrar antigos amigos de faculdade ou até mesmo trocar receitas de biscoitos.”

    Observa-se hoje que o Orkut tem uma movimentação e características próprias e que, se aproxima muitas vezes, de uma dinâmica muito próxima do mundo presencial(optamos por nomear dessa forma, já que chamar de mundo real daria ao virtual, por analogia, a característica de irreal, coisa que está longe de ser; ainda poderia ser chamado de “atual” [Lévy]). Nessa dinâmica encontraremos aspectos que incluem os chamados de positivos ou negativos; construtivos ou destrutivos, legais ou ilegais, espontâneos ou provocados.

    Sobre o Virtual e os fakes

    Dentro do mundo orkutiano o sujeito psíquico poderá encontrar formas absolutamente diversas de inserir-se nele. Mas, vale sublinhar a partir dessa fase desse trabalho, que ele possui características de tela, levando a um mecanismo que se resumiria dessa maneira: Identificação -> Projeção -> Reação

    Por esses aspectos talvez possamos pensar a partir do conceito criado por Melanie Klein de “identificação projetiva”.

     

    Em um primeiro momento todos se apresentam com suas características mais idealizadas, procurando comunidades que descrevam aspectos de sua crença, reflexões filosóficas, corrente científica, inserção profissional, etc. Apresentando-se de maneira identificada, a primeira vista, com seus interlocutores. A seguir o fenômeno que acontece, é no mínimo, interessante, realizam-se alguns laços por afinidades e iniciam-se, também, as hostilidades, dessa maneira já operando o mecanismo de projeção, tendo ela características bem regressivas pelo aspecto da fragmentação(ambivalência dissociada). Todos que participam das comunidades do Orkut experimentam o aparecimento desses aspectos da convivência virtual, de maneira mais ou menos intensa, de acordo com seu histórico pessoal.

    Observamos o aparecimento repetitivo de algumas dessas dinâmicas psicopatológicas, ao longo de debates, nas comunidades cuja temática giram em torno de temas da psicologia e psicanálise, que na verdade foram as comunidades por nós observadas, não descartamos a hipótese de que as mesmas dinâmicas se reproduzam em outras comunidades. Esse fenômeno está vinculado ao anonimato proporcionado pelos chamados perfis “fakes”, ou como preferimos classificar: “perfis não identificáveis” .

    Na comunidade do Orkut intitulada de Wilhelm Reich, seu moderador, experiente terapeuta reichiano, coloca como observação às regras para o seu funcionamento, uma observação muito descritiva dessa dinâmica que relatamos: “Os “fakes” estão presentes em todo o mundo virtual, mas as manifestações de suas presenças devem estar de acordo com as características e objetivos da comunidade. Além do mais, já que estão protegidos pelo anonimato, serão analisados com mais rigor as suas colocações, observações e opiniões exaradas. Serão tolerados… mas correrão sempre o risco de serem expulsos da comunidade. Civilidade e respeito ao próximo são objetivos de pessoas do bem e assumidas em suas identidades.”

    Enquanto os outros membros transitam pelas comunidades privilegiando os aspectos mais produtivos de suas identificações/projeções, alguns desses fakes demonstram um distúrbio dissociativo bastante peculiar e interessante. Operam variações entre o mais encantador acolhimento até explosões de ódio e ataque de intensidade bastante impressionante, alguns deles operam ações de agressão própria ao mundo virtual, que muitas vezes irá avançar pelo mundo presencial do sujeito atacado de inúmeras maneiras e quase sempre de forma bem estruturada e direcionada.

     

    Psicopatologia psicanalítica

    Vamos então descrever em linhas gerais a psicopatologia freudiana, vamos nos ater a ela pela adequação ao que estamos estudando e essa apresentação se dará de forma bastante resumida.

    Sabemos que em psicanálise(freudiana) teremos três estruturas diferenciadas: as neuroses propriamente ditas ou chamadas neuroses de transferência, as psicoses,também chamadas de neuroses narcisícas ou narcisistas e finalmente as perversões que dizem respeito em psicanálise a escolha do objeto sexual e a parcialidade das pulsões, sem ter necessariamente relação com os atos de perversidade. Paralelamente teremos as psicopatias que são descritas por Freud como distúrbio de caráter e não doença mental e que pode ter atrelada a ela outros quadros, quase sempre de psicoses ou perversão com o deslocamento do alvo para os atos de perversidade e manipulação do outro. Teríamos hoje o que está se convencionando chamar de a clínica dos borderlines, onde na verdade se centrará aqui essa exposição.

    Vejamos então um breve estudo:

     “Perversão: “Diz-se que existe perversão quando o orgasmo é obtido com outros objetos sexuais (pedofilia, bestialidade, etc)…e quando é subordinado de forma imperiosa a certas condições extrínsecas(feitichismo, escoptofilia, exibicionismo, sado-masoquismo), estas podem proporcionar, por si sós, o prazer sexual…

    Na mesma ordem de idéias, é corrente falar-se de perversão, ou antes de perversidade, para qualificar o caráter e o comportamento de certos indivíduos que demonstram crueldade ou uma malignidade singulares”.(1)

    Psicopatia: Os anti-sociais se escondem em pele de cordeiro, parecem muitas vezes amáveis e solícitos, até que são contrariados ou explodem por algo que lhes acarretou frustração ou não correspondeu às suas deturpadas expectativas. Transtornos anti-sociais (psicopatias e sociopatias) não são considerados “doença mental”, mas sim como propôs Freud, seriam distúrbios de caráter, por conta disso são de difícil identificação e podem ter quadros de doenças mentais acoplados a eles.

    Poderemos apenas perceber que constroem uma lógica própria que independe das leis da maioria. Mudam seus discursos de acordo com seus interesses. Não conseguem controlar-se frente a fato de serem confrontados e são capazes de atos cruéis em todos os sentidos(sempre se posicionando como se fossem vítimas da situação por eles mesmos engendrada).

    Há que se entender também que traços narcisistas poderão ser encontrados em alguns dos quadros na psicopatologia freudiana e neles operar de maneira diferenciada.

    Ama-se segundo o tipo narcisista:

     a) O que se é (a própria pessoa);

    b) O que se foi;

    c) O que se gostaria de ser;

    d) A pessoa que foi, uma parte da própria pessoa.

    Iremos ainda conceituar brevemente algumas diferenciações ainda sobre as chamadas psicoses(neuroses narcisistas) e as neuroses propriamente ditas (de transferência).

    N. Transferência

    <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Frustração em relação ao objeto

    <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–> Retração da Carga do objeto real

    <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Investimento no objeto fantasiado

    <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Retração do objeto recalcado -> Carga em outros objetos

    N. Narcisista

    <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Cessação de carga

    <!–[if !supportLists]–><!–[endif]–>Investimento libidinal no eu

    Importante ainda pontuar a linha de desenvolvimento:

     Auto-Erotismo – Etapa Anárquica

    Narcisismo Primário – Imagem Unificada

    Narcisismo Secundário – Investimento próprio Ego.

    Psiconeuroses Narcisistas

    Ausência de Objeto

    Catexia das Palavras

    Perversões se caracterizam Por desvios de:

    1 – Objeto

    2 – Objetivo Sexual

    No curso psicossexual normal se encontram rudimentos perversos nas chamadas carícias preliminares e porque não pensar, também, em algumas formas de atuação frente a objetos de investimento.

    Interdição como aquilo que sustenta o aparelhamento psíquico..

    DUPLA

    1º Tempo 2º Tempo 3º Tempo

    CÉLULA NARCÍSICA  SEPARAÇÃO  sujeito psíquico

    1º TEMPO – Posição psicótica

    2º TEMPO – Posição perversa

    3º TEMPO – Posição neurótica

    1º TEMPO – mãe fálica e filho narcisista

    2º TEMPO – castração simbólica – interdita duplamente a mãe e o filho castração simbólica – função de separação

    A interdição é tarefa da função pai cria dois sujeitos desejantes.

    A mãe precisa reconhecer fora alguma coisa que precisa e o filho deixar de ser um complemento total. “Já que me falta, agora eu desejo”.

    3º TEMPO – situação edípica

     <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Identificações

    <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Investimento

    <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Formação do Superego

    <!–[if !supportLists]–>· <!–[endif]–>Constituição do sujeito

    Protótipo da lei – interdição do incesto

    Os limítrofes e o real

    A grosso-modo pode-se dizer que durante aproximadamente os primeiros 50 anos de psicanálise o neurótico domina a cena psicanalítica e que, de lá para cá, as chamadas síndromes limítrofes têm ocupado um lugar cada vez maior na clínica e no pensamento psicanalítico.”(B)

    Vamos então estender mais nosso estudo sobre os limítrofes para fundamentar nossa tese de sua atuação dentro das comunidades do Orkut. Entendendo seu funcionamento e seu modelo de relação com o real poderemos inferir algumas hipóteses para seu funcionamento frente ao manejo virtual.

     “Uma classificação bastante didática divide o Transtorno Borderline em 4 grupos clínicos:

    Grupo A: Borderline com predomínio de características esquizóides e/ou paranóides, mais próxima das psicoses.

    Grupo B: Borderline com predomínio de características distímicas e afetivas.

    Grupo C: Borderline com predomínio de características anti-sociais e perversas (corresponderiam ao grupo de Transtorno de Pessoalidade Borderline, propriamente dito, satisfazendo quase todos os critérios do DSM IV).

    Grupo D: Borderline com predomínio de características neuróticas (obsessivo-compulsivas, histéricas e fobicas graves).

    Esta classificação tem objetivo mais didático que prático, porquanto na prática cotidiana observamos com maior freqüência a ocorrência de casos mistos.”(A)

    Citando Winnicott: “Os psicanalistas experientes concordariam em que há uma gradação da normalidade não somente no sentido da neurose, mas também da psicose” (em C)

    Completaríamos essa afirmação aqui nesse caso, dizendo que essa gradação se dará em todos os sentidos e referente a todas as estruturas e suas inter-relações.

    “Grinker,R.R., fala de quatro níveis de borderline:

    Grupo 1- O borderline psicótico – comportamento inapropriado e não adaptado. Deficiente senso de identidade e de realidade. Comportamento negativo e raivoso em relação às pessoas. Depressão.

    Grupo 2- O borderline nuclear – Envolvimento flutuante com outros. Expressões abertas e atuadas de raiva. Depressão. Ausência de indicações de um self consistente.

    Grupo 3 – Personalidades ‘como se’ – comportamento adaptado e apropriado. Relações complementares. Pouca espontaneidade e afeto em resposta a situações. Defesas: afastamento e intelectualização.

    Grupo 4- O borderline neurótico – Depressão anaclítica (semelhante à da infância). Ansiedade. Semelhança com caráter narcisista neurótico. “Influenciado por essa sistematização agrupei esse conjunto humano em borderline pesado (patológico), borderline falso-self e borderline brando (próximo da normalidade)”[Nahman]. Estaremo trabalhando muito próximo dessa classificação de A. Nahman.

    Fato é que como muito bem sublinha esse autor acima citado., “O borderline pesado é polissintomático, ambulatório, com dificuldades nas relações pessoais por sua fragmentação ou por suas necessidades narcísicas exacerbadas, com tendência à atuação, com problemas na área afetiva, com questões nas áreas das identificações e identidade, necessitando de uma circunvizinhança humana para atuar os seus fantasmas, com labilidade de humor, com tendência à exagerada dependência afetiva muitas vezes reativamente negada, usando excessivamente a identificação projetiva e introjetiva, com extrema sensibilidade e susceptibilidade, incomumente e seletivamente permeável ao próprio inconsciente, ao inconsciente do outro e à subjetividade circulante.”(B)

    O Orkut como depositário da patologia

    E como isso tem aparecido nas comunidades virtuais? Levantamos a hipótese que elas têm sido local privilegiado na atualidade para seus “actings”. Para elaborarmos essa hipótese observamos presencialmente por onze meses a atuação de o que chamamos uma “legião de fakes” atuando nas comunidades de Psicologia/Psicanálise de maneira evidente e cruel. Atende às suas necessidades de vínculo permanente, pois podem estar em atuação 24 horas por dia. Isso porque em suas “relações interpessoais: não suportam a solidão e o abandono, necessitam do outro em tempo integral, a todo o momento, são francamente dependentes, masoquistas e manipuladores.”( Gunderson) É nesse aspecto que são atraídos pelas comunidades virtuais, onde a questão do corte temporal inexiste (não há a necessidade do outro estar presente [on] para que se possa estabelecer a “comunicação”), dessa forma tomam conta de determinadas comunidades, impondo um diálogo peculiar, onde passam de extrema cooperação à crises de fúria incontrolável, atacando com violência o membro da comunidade que questiona sua delirante posição de privilégios. Constrói, dessa maneira, no virtual, diferentes aspectos de seu ser, fragmentando-os em parte, criando uma nova classificação que poderíamos, na falta de outro termo ainda consistente, chamar de “múltiplas personalidades virtuais”. Aquilo que não podemos encontrar enquanto realidade em casos descritos de psicopatologia em estudo, vamos perceber atuando com constância nas comunidades virtuais que compõem o Orkut.

    Na teia de perversidade impune que lança mão esse sujeito psíquico frente ao virtual , lança sua própria história fragmentada projetando em seus inúmeros personagens, de uma forma infantilmente maniqueísta, seus lados “bondosos” ou “maldosos”, dando existência no virtual ao seu insano diálogo interno, sem dar-se conta, quase em nenhum momento, que ao ocultar-se, na verdade, mais se fará revelar.

    Nesse caso em específico, por esse trabalho abordado, descrevemos um tipo de limítrofe com traços de perversão, não no sentido de busca de objeto, mas sim do objetivo, já que esse perderia as características próprias a sexualidade e adquiriria busca de prazer bem longe da genitalização e bem próxima do campo de atuação da patologia(acting out). Encontrando no virtual, ambiente propício para uma atuação longe do alcance da lei, por esse mesmo motivo, seria um campo provilegiado onde inconscientemente estaria operando a NEGAÇÃO (enquanto defesa) da existência da lei(enquanto interditora e formadora do sujeito psíquico). Somente nesse aspecto encontraremos traços de perversão, no restante acreditamos estar lidando com fortes tendências anti-sociais, o que aproximaria ainda mais a tese dos limítrofes na atuação desses fakes.

    Vamos então estender mais nosso estudo sobre os limítrofes para fundamentar nossa tese de sua atuação dentro das comunidades do Orkut. Entendendo seu funcionamento e seu modelo de relação com o real poderemos inferir algumas hipóteses para seu funcionamento frente ao manejo virtual.

    A tendência anti-social faz parte da família da psicopatia. Ela começa na infância e pode ou não se estender à idade adulta quando ganha outros contornos e outros nomes.”(C)

    Ressalta Nahmann também que: “Uma pessoa da linhagem neuróide se frustrada recalcará o seu desejo infantil de onipotência e acederá a uma potência fixando objetivos distantes e de realização gradativa. Na linhagem psicóide o desejo de onipotência não é recalcado, mas dissociado. O que ocupa o lugar da onipotência não é a potência neuróide, mas a impotência psicóide. O borderline ferido em seu narcisismo sente-se impotente e dissocia sua onipotência. Esta, porém, vai reaparecer logo adiante, sendo então este o momento em que a impotência é colocada numa gaveta, não influindo no impulso de onipotência.”(C)

    E como poderemos pensar sua atuação dentro de um ambiente virtual, com características bem próprias:

     1- anonimato (sem possibilidade de identificação);

    2- possibilidade de projetar no “fake” características que não necessitam comprovação;

    3- completa apropriação do discurso do outro como seu;

    4- possibilidade permanente de atuar sua dissociação(mais de um perfil: bom X mau);

    5- estruturação das idéias deliróides em relatos onde o real não faz o corte;

    6- inexistência do corte temporal.

    Faremos nesse momento uma impotante ressalva, que tratará de questões referentes a faixa etária envolvida no comportamento virtual/net.

    Percebemos que os adolescentes fazem uso permanente dessas características dentro do virtual, de alguma maneira, encontram nesse espaço, o local “seguro” para depositarem suas características de atuação que acontecem dentro de uma normalidade no período da adolescência.

    Diz Arminda Aberastury: “O Adolescente se apresenta como vários personagens e, às vezes, frente aos próprios pais, porém com mais freqüência frente a diferentes pessoas do mundo externo, que nos poderiam dar dele versões totalmente contraditórias sobre sua maturidade, sua bondade, sua capacidade, sua afetividade, seu comportamento e, inclusive, num mesmo dia, sobre seu aspecto físico

    Essa imensa mobilidade característica da adolescência apresenta-se no virtual. Sabemos que o fato dessas características persistirem em um ser adulto nomeará o aparecimento de outros quadros, perdendo a qualidade de rebeldia e questionamento próprias da adolescência. “Nesse momento se produz um aumento da intelectualização para superar a incapacidade de ação(que é correspondente ao período de onipotência do pensamento na criança pequena). O adolescente procura a solução teórica de todos os problemas transcendentes e daqueles com os quais se enfrentará a curto prazo: o amor, a liberdade, o matrimônio, a paternidade,a educação, a filosofia, a religião. Mas aqui, podemos e devemos traçar-nos a interrogação: é assim só por uma necessidade do adolescente ou também é resultante de um mundo que lhe proíbe a ação e obriga-o a refugiar-se na fantasia e na intelectualização?” Há hoje um enorme impedimento à ação advindo do medo do mundo real violento e ameaçador, pais procuram impedir maiores movimentações físicas e filhos amedrontados se refugiam projetando suas fantasias de realização no virtual. Nada contra, fenômeno passível de estudo na atualidade e não será dele que pretendemos falar. Ele nos serve apenas como ponte para evidenciar que assim como no real, esse comportamento onipotente no virtual vindo de um adolescente tem uma característica e advindo de um ser adulto poderá estar evidenciando um manejo psicopatológico evidente.

    Vamos então circunscrever nosso objeto então para não nos perdermos em classificações múltiplas que acabarão por confundir o entendimento sobre o fenômeno que relatamos no presente trabalho.

    Estivemos descrevendo aqui um sujeito adulto (idade cronológica), mas com um manejo das relações virtuais que apresenta fortes traços juvenis, com suas características de dissociação e projeção, caracterizando um quadro limítrofe com comportamentos virtuais anti-sociais e perversos no sentido mesmo da realização do prazer pela ação de enganar, manipular, dissociar que faz através da construção de vários perfis não identificáveis a si mesmo(fakes).

     

    Na classificação proposta pelo psicanalista Nahmann Armony diríamos que seria o bordeline pesado(patológico).

     

    Outras variações em psicopatologia presentes no Orkut

    Nesse mundo do anonimato outros tipos de acting, que não somente o borderline perverso, também atuariam de maneiras diferenciadas. Nesse trabalho só pudemos pesquisar um dos tipos. Vale ressaltar que estes relatados aqui, não compõem a totalidade dos fakes. Existem também, os apelidados no mundo virtual de “fakes do bem”, que representam apenas pessoas que, por qualquer motivo, não querem ser identificadas e preferem atuar nessas comunidades compondo um personagem onde algumas de suas características são projetadas, mas percebemos nesses perfis a manutenção de uma ética e coerência com suas estruturas emocionais.

    Dentro de outras variações encontraremos grande quantidade de expressão do patológico dentro do mundo do Orkut. Vão desde a combatida propagação da idéia central da pedofilia (perversão propriamente dita), até os ataques mágicos de algo próximo a uma projeção paranóica, passando ainda por melancólicos e expositivos pedidos de ajuda, ou ainda ataques contra-fóbicos aos representante do objeto temido (ex.:homofobia).

    Resta-nos talvez pesquisar se, no caso desse anonimato, não seriam atraídos com maior intensidade os traços narcisistas que estão presentes em todos nós, os neuróticos. Se assim ficar evidenciado, teríamos então em mãos um fenômeno de massa a ser detalhadamente descrito. Mas isso consistiria necessariamente em outra etapa dessa pesquisa. Não temos ainda nesse momento elementos que nos permitam afirmar uma coisa ou outra no caso do anonimato fake e sua patologização de maneira generalizada

    Propomos então, a partir desse estudo, que sejam criados conceitos que procurem classificar e descrever os vários fenômenos presentes na virtualidade e ainda em estágio de formação. O desenvolvimento desse teatro onde autor e personagem se confundem em uma teia psicopatológica.

    Os perfis do Orkut, até mesmo por sua natureza virtual são muito susceptíveis a se tornarem continente de partes excindidas do self, e esse fenômeno ocorre não apenas nos chamados nos perfis ‘fakes’, mas em todos os perfis. A partir dessa projeção, vão se repetir e reproduzir via transferência, todas as situações objetais psicóticas e neuróticas (ou perversas) de seus usuários. A intensidade dessas projeções pode ser um indicativo do grau de psicose nesse indivíduo: quanto maior o uso de mecanismos projetivos, maior a parte psicótica da realidade, pois menor é capacidade de integração do ego.”(E)

    Estar presente como espectador interessado num espetáculo ou peça, representa para os adultos o que o brinquedo representa para as crianças, cujas esperanças hesitantes de poderem fazer o que os adultos fazem são, dessa forma, satisfeitas. O espectador é uma pessoa cuja participação é muito pequena, que sente ser um ‘pobre miserável a quem nada de importância pode acontecer’, que de há muito tem sido obrigado a sufocar, ou antes, a deslocar sua ambição de ter sua própria pessoa no centro dos assuntos mundiais; ele anseia por sentir, agir e dispor as coisas de acordo com seus desejos – em suma, por ser um herói…o espectador sabe, muito bem que uma verdadeira conduta heróica como essa seria impossível para ele sem dores, sofrimentos e temores agudos, que quase anulariam o prazer”(Freud)(3b)

    Finalização: “O PAI (resoluto, avançando)

    Fico maravilhado da incredulidade dos senhores! Não estão habituados, porventura, a ver pularem vivos, aqui em cima, uma diante das outras, as personagens que foram criadas por um autor? Talvez porque não há ali (indica a caixa do ponto) UM TEXTO QUE NOS CONTENHA?…(*)

    A ENTEADA (indo ao Diretor sorridente e provocante)

    Creia, senhor, que somos verdadeiramente, seis personagens interessantíssimas! Se bem que desperdiçadas!…

    O PAI (afastando-se)

    Sim, desperdiçadas, isso mesmo! (Ao Diretor, subitamente) No sentido de que o autor que nos criou vivos não quis, depois, ou não pode, materialmente, meter-nos no mundo da arte. E foi um verdadeiro crime, senhor, porque quem tem a sorte de nascer personagem viva, pode rir até da morte. Não morre mais! Morrerá o homem, o escritor, instrumento da criação; a criatura não morre jamais! E para viver eternamente, nem mesmo precisa possuir dotes extraordinários ou realizar prodígios...”(do livro: Seis personagens à procura de uma autor – Luigi Pirandello)

    (*) grifo nosso

    Considerações críticas

    Submetido a tese do presente trabalho para crítica de alguns psicanalistas, recebeu contribuições bastante interessantes e algumas sugestões.

     Destacaremos os comentários a nós enviados pelo psicanalista Alexandre Escaples, por nos trazer uma abordagem mais kleiniana e por ser um usuário freqüente do Orkut. Ele produziu um interessante texto de supervisão desse trabalho que fizemos constar da bibliografia.

    Segue parte dessa crítica: “Um ‘fake’ é uma ‘entidade virtual’, um continente (Bion) de uma projeção de uma parte da realidade psíquica, uma parte do ego do usuário do Orkut.” Mas poderíamos ir além e dizer que TODO perfil do Orkut é em certa medida a mesma coisa. A intensidade e a relação do usuário com essa parte excindida creio que seja um objeto interessante de estudo.”

    Os perfis ‘fakes’ não apenas são o continente de uma parte excindida do self do usuário, mas eles também atuam a partir desses perfis. E qual seria o objetivo dessas atuações? Minha proposta é que partes não integradas do self atuam a partir desses perfis, provocando nos demais usuários respostas emocionais específicas. Em outras palavras, estamos diante de uma transferência (Freud, 1914): busca-se uma solução para os conflitos do ego, através de relações objetais, nesse caso mais virtuais, e portanto menos suscetíveis a frustrações. Esse mecanismo para mim tem algumas funções básicas:

    <!–[if !supportLists]–>a) <!–[endif]–>trabalhar essas partes psicóticas, integrando-as em na virtualidade orkutiana, menos susceptível a frustrações, na esperança da busca de novas possibilidades de integração ao ego;

    <!–[if !supportLists]–>b) <!–[endif]–>projeção de um conflito neurótico, onde a parte excindida, nesse caso é o próprio conflito, que se repete nas relações objetais que se estabelecem no Orkut, de acordo com cada resposta que o ego neurótico pode dar ao conflito: neurótico obsessivo ou histérico.

     Essas duas hipóteses básicas não são excludentes. A diferença básica aqui é qual parte do ego é excindida: no primeiro caso se trata de uma parte não integrada, na segunda, uma parte mais integrada, ainda que conflituosa.

    Sinceramente não sei se todos os usuários ‘fakes’ podem ser considerados sob a égide de uma estrutura psicopatológica, como a perversão, mesmo os ‘fakes’ do mal. Poderíamos estar diante da ambivalência de um neurótico obsessivo que excinde mais sua parte agressiva, uma vez que pode não consegue integrá-la ou controla-la pelo seu ego.

    Uma pergunta interessante: Pode o Orkut, com suas características de comunidade virtual, suprir as necessidade de integração de um ego? Um dos fatores fundamentais na esperança da projeção é que a mãe devolva amor ao seu filho e com isso ele possa se integrar. Citando Empédocles: o amor uni e o ódio separa. Pode o Orkut ser um holding para essa situação? Em minha opinião sim e não. Pode, pois todas as relações humanas podem, mas em um grau muito diminuto, pois o amor, fator integrativo, é algo real, e não virtual. “(E)

    Bibliografia:

    1.Vocabulário da Psicanálise – J.L. Laplanche e J.B. Pontalis

    2Teoria Psicanalítica das neuroses – Otto Fenichel

    3Obras Completas Sigmund Freud:

    Artigos:

    a)Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade – vol VII;

    b)Tipos psicopáticos no palco – vol VII;

    c)O Caso Schreber e Artigos sobre a técnica – vol XII;

     d)Sobre o narcisismo: uma introdução – vol XIV; e

    )Luto e Melancolia – vol. XIV;

    f)Alguns tipos de caráter encontrados no trabalho psicanalítico – vol. XIV.

    g) FREUD, S. Recordar, repetir e elaborar. Volume XII (1914).

    4 “CLASSIFICAÇÃO: EXISTE UMA CONTRIBUIÇÃO PSICANALÍTICA À CLASSIFICAÇÃO PSIQUIÁTRICA?”

    In “O ambiente e os processos de maturação”.- Winnicot, D.W. – 5Adolescência Normal – A. Aberastury e M. Knobel

    Sites:

    A- http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=150&sec=91

    B- http://www.saude.inf.br/nahman/borderlineidentificacao.pdf#search=%22Nahman%20Armony%22

    C- http://www.saude.inf.br/nahman/tendenciaantisocial.pdf#search=%22Nahman%2Bborderline%2Bcultura%22

    D-http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/peter/clausuradofora.pdf#search=%22dissocia%C3%A7%C3%A3o%20esquiz%C3%B3ide%2Bfragmenta%C3%A7%C3%A3o%2Bpsican%C3%A1lise%2Bvirtualidade%22

    E- Texto Alexandre Escaples

     

    – Literatura:

    Seis personagens à procura de um autor – Luigi Pirandello

    Filmes Indicados: (clique nas imagens para ler as sinopses)

     

     

    http://www.cinematerapia.psc.br/perversoorkut.html

    %d blogueiros gostam disto: