Máfia do Asfalto: PT pede à PF que investigue elo com governo Alckmin

por Marina Dias, do Terra Magazine, sugestão de Igor Felippe

A bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo entrará, na próxima semana, com representação no Ministério Público do Estado e pedido de investigação na Polícia Federal para apurar contratos do esquema de fraudes em licitações de 78 prefeituras do interior paulista, que ficou conhecido como “Máfia do Asfalto”. Segundo interceptações telefônicas da Operação Fratelli, ação da PF e do MP, parlamentares e seus assessores tiveram ligações diretas com o empreiteiro Olívio Scamatti, apontado como chefe da organização criminosa.

De acordo com o líder da bancada petista, deputado Luiz Claudio Marcolino, empresas do grupo Scamatti fecharam contratos fraudulentos com com importantes autarquias do governo do Estado, como o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) e Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).”A bancada do PT, com base nas informações que estamos apresentando, quer uma investigação detalhada sobre a ação dos agentes do Estado, como Délson José Amador [DER e Dersa] e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto [Dersa], em obras do interior paulista. Eles estão ligados a essas empresas do grupo Scamatti, que são alvo da Operação Fratelli”, explicou Marcolino.

No final de abril, reportagem de O Estado de S.Paulo revelou que a “Máfia do Asfalto” ampliou seu raio de ação, entre 2008 e 2010, para o DER. Desde 2007, diz o texto, duas empresas de Scamatti, a Demop e a Scamatti & Seller, fecharam contratos com o DER que, somados, chegam a R$ 321 milhões.

O líder petista afirma ainda que obteve contratos em que se pode concluir “superfaturamento”. Exemplo disso é uma obra na Rodovia SP-527, que liga as cidades de Mira Estrela e Fernandópolis, noroeste paulista. “A obra foi licitada em R$ 2,4 milhões e foram pagos por ela R$ 6 milhões. Fica claro que houve problema nesse caso. E temos vários outros para apresentar”, diz Marcolino.

Segundo deputados petistas, o partido precisa se posicionar diante das acusações que atingem “o coração do governo Geraldo Alckmin”, na figura do secretário da Casa Civil, Edson Aparecido, que aparece em um grampo feito nas investigações pedindo asfaltamento na cidade de Auriflama, administrada à época por um de seus aliados políticos.

Além disso, um ex-assessor de Aparecido, Osvaldo Ferreira Filho, conhecido como Osvaldin, seria o elo entre as prefeituras e a empreiteira de Scamatti. O tucano admite contatos com o empreiteiro, mas afirma que ele “nunca solicitou nada que indicasse qualquer irregularidade”.

Não à CPI

Durante as últimas reuniões da bancada petista na Assembleia foi discutida a possibilidade de se pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Operação Fratelli. No entanto, não foram todos os deputados que apoiaram a ideia. Antonio Mentor, Enio Tatto, Alencar Santana e João Paulo Rilo eram, inicialmente, contrários à medida.

Nos grampos da operação há menções a deputados federais do PT, como Vander Loubet (MS), Cândido Vaccarezza (SP), Arlindo Chinaglia (SP), hoje líder do governo na Câmara, e José Mentor (SP), irmão de Antonio Mentor. Outras interceptações indicam ainda relações de um ex-assessor do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, Féliz Sahão, com Scamatti. Félix trabalhou no gabinete de Mercadante no Senado, entre 2005 e 2010.

O deputado Antonio Mentor afirma que “não há nenhuma preocupação” quanto às menções a petistas na investigação. “Os parlamentares do PT que foram citados nos grampos se justificaram perfeitamente bem”. Segundo ele, a cautela era em razão da “possibilidade real” de instaurar a CPI. “Não queremos que seja apenas um requerimento”, explicou Mentor a Terra Magazine.

Para que a CPI fosse instaurada, a bancada do PT precisaria de 32 assinaturas. O PT tem 22 deputados na Casa. “Geralmente, conseguimos chegar a 28 assinaturas, e não mais que isso”, argumentou Marcolino.

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BRASÍLIA (Reuters) – O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse nesta quinta-feira que o partido entrará com três ações motivadas por declarações do empresário Rubnei Quícoli ao jornal Folha de S.Paulo, cuja publicação de denúncias resultou na demissão da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra.

Dutra disse que, na primeira ação, o PT vai pedir à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar as denúncias feitas pelo empresário de que o dinheiro supostamente pedido como propina para liberar empréstimo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iria para a campanha da candidata à Presidência pelo partido, Dilma Rousseff (PT).

“Ele (o empresário) está dizendo que essa cobrança de propina seria para financiamento de campanha. Nós temos absoluta convicção de que isso não existe”, disse Dutra a jornalistas.

O líder petista afirmou ainda que o partido entrará com representação criminal na Justiça Federal de São Paulo e no Ministério Público de São Paulo para apurar se houve calúnia e difamação por conta desse empresário, forjando o envolimento do PT e da campanha de Dilma no esquema.

Para Dutra, as afirmações do empresário tentam fazer uma ligação entre as denúncias de tráfico de influência na Casa Civil e a campanha presidencial de Dilma.

O presidente do PT destacou que o empresário não teria como provar suas declarações, o que foi considerado como elemento suficiente para mover as ações judiciais.

“Portanto, nós não admitimos que ninguém, e principalmente um cidadão com essa folha corrida, venha a fazer essa tentativa de forjar a participação da campanha ou do PT.”

Depois da revista Veja noticiar um suposto esquema de lobby para beneficiar empresas interessadas em contratos com o governo em troca de pagamento que seria comandado por Israel Guerra, filho de Erenice, reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira trouxe novas acusações.

Finalmente, Dutra informou que o PT também entrará com uma acão cível indenizatória que será proposta pelo partido em Brasília.

Com relacão à arrecadação de recursos para a campanha da petista, Dutra disse que o PT tem seu próprio tesoureiro, referindo-se a José Fillipi. De acordo com ele, Fillipi o único autorizado a arrecadar dinheiro.

Sobre o ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antônio Oliveira, também citado no esquema, Dutra disse que se ficar provado que ele procurou alguém, com qualquer pretexto para dizer que estava arrecadando dinheiro para a campanha, também será processado.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

Fonte: Portal Yahoo

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