Nota à imprensa: esclarecimentos sobre investimentos do governo federal para a Copa do Mundo

A matéria veiculada pelo Portal UOL na manhã deste domingo (23), assinada por Rodrigo Mattos e Vinicius Konchinski, distorce informações, faz relações incorretas e induz o leitor a uma interpretação errada dos fatos. Cabe esclarecer o seguinte:

– Não há um centavo do Orçamento da União direcionado à construção ou reforma das arenas para a Copa.

– Há uma linha de empréstimo, via BNDES, com juros e exigência de todas as garantias bancárias, como qualquer outra modalidade de crédito do banco. O teto do valor do empréstimo, para cada arena, é de R$ 400 milhões, estabelecido em 2009, valor que permanece o mesmo até hoje. O BNDES tem taxas de juros específicas para diversas modalidades de obras e projetos. O financiamento das arenas faz parte de uma dessas modalidades.

– Não houve qualquer aporte de recursos do Orçamento da União nos últimos anos para a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília). Portanto, a matéria do UOL está errada. Não há recurso algum do Orçamento da União para a obra de nenhuma das arena, o que inclui o Estádio Nacional Mané Garrincha.

– Isenções fiscais não podem ser consideradas gastos, porque alavancam geração de empregos e desenvolvimento econômico e social, e são destinadas a diversos setores e projetos. Só as obras com as seis arenas concluídas até agora geraram 24.500 empregos diretos, além de milhares de outros indiretos, principalmente na área da construção civil.

– É importante reforçar que todos os investimentos públicos do Governo Federal para a preparação da Copa 2014 são em obras estruturantes que vão melhorar em muito a vida dos moradores das cidades. São obras de mobilidade urbana, portos, aeroportos, segurança pública, energia, telecomunicações e infraestrutura turística.

– A realização de megaeventos representa para o país uma oportunidade para acelerar investimentos em infraestrutura e serviços, melhorando as cidades e a qualidade de vida da população brasileira. Os investimentos fortalecem a imagem do Brasil, de seus produtos no exterior e incrementa o turismo no país, gerando mais empregos e negócios para o povo brasileiro.

Ministério do Esporte
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Krupp: duas ou três lições sobre capitalismo

Blog das Frases

Celso Furtado dizia que o carrasco das nações no mundo globalizado era a perda dos instrumentos endógenos de decisão.

Sem eles tornar-se-ia virtualmente impossível subordinar os interesses do dinheiro aos da sociedade.

A reinvenção dessa prerrogativa seria quase uma pré-condição para regenerar a agenda do desenvolvimento no século 21.

O fato de o Ministério do Planejamento no Brasil ter se reduzido a uma sigla ornamental, ilustra o quanto a sociedade ainda se ressente desse difícil processo de reconstrução.

O fiasco do projeto siderúrgico da Krupp (Tyssenkrupp) no país é mais uma evidência da visão arguta de Furtado, cuja pertinência histórica a ortodoxia nativa desdenha e inveja.

Fundada em Essen, há 201 anos, a lendária siderúrgica alemã, anexada por Hitler ao esforço de guerra nazista, está se desfazendo de uma unidade no Rio de Janeiro.

A Companhia Siderúrgica do Atlântico começou a ser planejada pela Tyssenkrupp em 2005; entrou em operação em 2010 e custou US$ 15 bi.

A previsão de produzir cinco milhões de toneladas de placas de aço por ano revelou-se um fracasso.

Não um fracasso qualquer.

O tropeço da gigante alemã no país condensa algumas coisas que os crédulos dos mercados racionais e autorreguláveis precisam aprender sobre o capitalismo.

A CSA nasceu como uma perfeita obra da globalização do capital.

Nela, como se sabe, nações e povos figuram como mero substrato logístico ou entreposto de insumos baratos.

Arcam com as externalidades do projeto e participam de forma lateral dos lucros.

Mas são coagidos a engolir o grosso dos prejuízos quando ele ocorre.

É o caso.

Num país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, a CSA foi erguida sobre um solo pantanoso, ao lado de um mangue, na Baia de Sepetiba, zona oeste do Rio de Janeiro.

A escolha singular elevou em cerca de 60% o custo de implantação.

Exigiu um exército de bate-estacas para as fundações que mobilizariam quase um terço da oferta desses equipamentos na região.

Havia lógica, a do dinheiro, por trás da aparente excentricidade.

Ocupar um terreno próximo à fonte de matéria-prima, trazida do Espírito Santo pela Vale do Rio Doce (sócia com 23% do capital), era uma motivação.

A disponibilidade de um porto exclusivo para intenso movimento de embarques rumo aos EUA, outra.

Uma siderúrgica complementar à CSA foi erguida pela Krupp no Alabama. As placas brutas enviadas de Sepetiba seriam laminadas nessa unidade para abastecer o parque automobilístico norte-americano.

A indústria automotiva dos EUA entrou em coma com o colapso da ordem neoliberal em 2008.

A espiral recessiva desligou seus altos-fornos e criou um elefante branco no Alabama.

A mesma condição foi estendida à siderúrgica gêmea brasileira.

Os impactos sociais e ambientais do projeto, porém, permanecem ativos.

Reportagem de Carta Maior durante a Rio+ 20, no ano passado, revelou que, entre outras ‘externalidades’, a localização inadequada contaminou o mangue e o mar com resíduos de metais despejados pela usina.

A vida marinha, a pesca e o turismo local foram golpeados.

Em novembro último, a CSA foi multada em R$ 10,5 milhões de reais pela secretaria estadual de meio ambiente do Rio.

Motivo: ter proporcionado aos moradores locais e à vida aquática um evento tóxico conhecido pelo nome poético emprestado aos fogos de artifício: ‘chuva de prata’.

Nem a população de Sepetiba, nem o Brasil, tampouco os metalúrgicos do Alabama tem motivos para estourar fogos diante do fiasco global da Tyssenkrupp.

O stop lost no monitor da empresa na Alemanha já decidiu como resolver o seu problema específico no Brasil.

A Krupp resolveu vender o elefante branco a um grupo local e pressiona o BNDES a financiar o negócio da hora: uma planta ociosa num mundo que convive com um excedente de 500 milhões de toneladas de aço. O equivalente a um ano de produção da siderurgia chinesa.

Colosso de planejamento dos mercados racionais

Quando o conservadorismo ataca o governo por ‘eleger vencedores’, grupos financiados com empréstimos favorecidos pela TJLP, o juro real negativo do BNDES, certamente não se refere a esses casos ilustrativos.

Neles, os vencedores são os capitais globalizados cantados em verso e prosa pelos críticos do ‘intervencionismo da Dilma’ .

O grande perdedor, menos lembrado, é justamente a nação, desprovida –ainda– de planejamento público, bem como de salvaguardas estatais demonizadas pelos sacerdotes dos livres mercados.

A Krupp seguir a mais essa aventura do capital, como já aconteceu em outras oportunidades.

A pioneira da siderurgia alemã não sobreviveria por dois séculos se não encarnasse a própria essência mutante do capitalismo.

Escrúpulo não é um ingrediente da receita.

A mesma empresa que inventou o aro inteiriço das rodas de trens em meados do século IXX, distinguiu-se na fundição de canhões, que abasteceriam os exércitos alemães derrotados na Primeira Guerra.

Sob o nazismo, o complexo Krupp não desperdiçaria oportunidades e sinergias.

Anexado ao esforço de guerra de Hitler, exibiria notável poder de adaptação.

A contabilidade da empresa registra então um momento de virtuosa produtividade, vitaminada pela mais valia absoluta de dezenas de milhares de trabalhadores gratuitos.

Escravos, recrutados diretamente dos campos de concentração nazistas.

Mauro Santayana: O DINHEIRO DO BNDES E O DESENVOLVIMENTO NACIONAL

Mauro Santayana

(JB) – Como vimos no ano passado, o maior desafio que o Brasil irá enfrentar nos próximos anos será o de elevar o crescimento médio do PIB ao menos para nível comparável aos outros países da América Latina. Embora o câmbio seja frequentemente citado como um problema — multiplicamos o crédito para o mercado interno, mas as importações já representam 20% da aquisição de bens de consumo no Brasil — não é só a valorização do real que está afetando o nosso crescimento. O problema mais grave é o da taxa de investimentos com relação ao PIB, extremamente baixa com relação aos outros países do BRICS, e uma das menores do mundo.

No grupo de 20 países “emergentes”, classificados pela Standard & Poors, o Brasil só investe mais que o Egito e as Filipinas. Na América do Sul, países como o Chile, o Peru e a Colômbia alcançam taxas de investimento próximas de 25%, e, nos BRICS, China e Índia investiram aproximadamente 47% e 32% de seus respectivos PIBs em 2010, enquanto nós só investimos 19,5% naquele ano, número que caiu para 18,4% em 2012.

A China e a Índia, além da iniciativa privada, contam com o Estado como investidor direto na economia, enquanto o Brasil entregou à iniciativa privada a responsabilidade pela expansão da atividade produtiva.

Aqui, o Estado não pode, como se faz na China e na Índia, investir diretamente em meios de produção. A presença do Estado na produção, em nosso país, é assunto tabu. E boa parte da mídia propaga e defende o dogma de que o Estado é, naturalmente, perdulário e ineficiente, que ele já é em nosso país intervencionista em excesso, e que a “mão invisível” do mercado é que cria a riqueza e possibilita o desenvolvimento.

Ao contrário do bordão, a China e a Índia crescem, todos os anos, com os índices mais altos do mundo, porque ali o Estado está presente em todas as áreas da economia e reinveste diretamente parte de seus recursos em atividades produtivas, distribuidoras e multiplicadoras. É assim que a China se prepara para ser a maior economia do planeta.

Essa estratégia não é exclusiva de países como a Índia e a China — que já compraram grandes indústrias estrangeiras, como a Volvo e a Land Rover. Na Europa, grandes conglomerados estatais dominam a economia, com participação acionária direta em áreas que incluem a indústria aeroespacial, naval, de administração de aeroportos e ferrovias.

Nos Estados Unidos, onde o Exército controla a geração hidrelétrica, também ocorre o mesmo, como é o caso do transporte ferroviário de passageiros, a cargo da estatal federal AMTRAK, que administra mais de 220 mil quilômetros de linhas. Podem contra-argumentar que a empresa, criada pelo republicano Nixon, é deficitária, e seu prejuízo é coberto pela União. Mas a sua importância para a economia norte-americana como um todo compensa, com vantagens, o subsídio do Tesouro.

Enquanto isso ocorre nesses grandes países, no Brasil, o dinheiro público é usado para financiar empresas teoricamente “privadas” — muitas delas multinacionais estatais controladas por governos estrangeiros — em vez de obrigá-las a buscar dinheiro fora para investir efetivamente aqui dentro.

O BNDES vem aplicando bilhões de reais na “expansão” de empresas como a Vivo, que, além de não trazer dinheiro, remete seus lucros para o exterior, drenando da economia nacional recursos que poderiam ser empregados na expansão do nível de investimento. Melhor seria que o BNDES entrasse diretamente no mercado, em associação com empresas privadas nacionais, obrigando as empresas de fora a trazer recursos efetivos de suas respectivas matrizes do que agir como mero agente financiador de “investimentos” alheios. Se todo mundo — inclusive os estrangeiros — montar prioritariamente com os recursos do tesouro, via BNDES, recursos que não são elásticos, seu negócio no Brasil, nunca sairemos do nível medíocre de investimento em que estamos patinando agora.

O Brasil, com o seu imenso mercado interno, não pode continuar se submetendo à chantagem de certos setores da “iniciativa privada”, exercida mediante grandes meios de comunicação nacionais e internacionais, como The Economist, e dos “analistas” e “colunistas” do “mercado”.

Enquanto China e Índia cobram caro a entrada de capital estrangeiro em seus mercados (a Argélia, por exemplo, acaba de exigir participação de 51% na nova fábrica da Renault que está se instalando em seu território), o governo brasileiro cede a pressões imperativas de estatais estrangeiras na concessão de aeroportos e ainda financia sua entrada e expansão em nosso mercado interno a juros subsidiados.

O PIB aqui não cresce, porque o governo delegou apenas à iniciativa “privada” a iniciativa de expandir o investimento. Esse investimento tem sido praticamente nulo em muitos grandes negócios, nos quais não entra dinheiro novo, já que os recursos para novas montadoras de automóveis, rodovias, ferrovias, portos, estaleiros, indústria de defesa, acabam saindo, majoritariamente, do de financiamento público nacional.

É fácil, aos estrangeiros, fazer cortesia com o chapéu alheio e posar de grandes investidores, com a cumplicidade dos grandes meios de comunicação, quando, em muitos casos, de cada dez reais, oito estão saindo do bolso do contribuinte.

Dessa forma, dificilmente atingiremos a modesta meta de alcançar 25% do PIB em investimentos em 2016. O governo precisa entrar diretamente no jogo, transformando o BNDES em investidor direto na economia, — como fazem a Alemanha, a Espanha e a França, com suas grandes holdings estatais. Com os recursos das reservas internacionais, do Tesouro, e do próprio BNDES, bem administrados, se poderia estabelecer a meta de investir, apenas por parte do Estado, ao menos 15% do PIB, para daqui a uma década, patamar que se poderia complementar, a partir desse nível, pelas aplicações da iniciativa privada.

Quem não tiver competência — e recursos — que não se estabeleça no mercado nacional. Dinheiro, lá fora, existe. Só a China conta com 4 trilhões de dólares em reservas internacionais e em seu fundo soberano. A diferença entre investir 47% do PIB ao ano ou 18%, é deixar que o Estado trabalhe livre e planejadamente para cumprir, ao lado dos outros agentes, o seu papel na expansão da atividade econômica. O que ele não pode fazer, como está fazendo cada vez mais em nosso país, é bancar, praticamente, a maior parte dos novos grandes investimentos sozinho.

Para entender o jogo da Economia

A divulgação do “pibinho” produziu curtos circuitos variados nos analistas. E abre uma bela discussão sobre o futuro da economia.

Não se tenha dúvida: 2013 será um ano decisivo para o país. Eu disse para o país, não especialmente para o governo Dilma ou para as eleições de 2014.

Mudanças de paradigma são tão complexas e envolvem tantos riscos políticos que só ocorrem em ambientes de crise profunda ou em regimes autoritários. Tenta-se, agora, a primeira mudança de paradigma em regime democrático e sem a crise como fator de reforço.

E não é pouca coisa. Trata-se da mudança mais relevante da economia brasileira desde o desmonte do modelo militar pelo governo Fernando Collor – que acabou devorado pela pressa em conduzir as ações, descuidando-se da estratégia política.

Depois dele, entraram FHC – que se limitou a manter as bases do que Collor desenhou – e Lula, que manteve o establishment econômico, enquanto as políticas sociais prosperavam. A crise de 2008 ajudou no golpe final no modelo anterior.

Agora, tem-se o espaço para o salto. Aposta-se na criação de uma economia industrial, capaz de dar sustentabilidade ao crescimento da economia e à melhoria da qualidade do emprego. Bem sucedida a aposta, se completará o salto do desenvolvimento. Fracassando, acabará o sonho de um país desenvolvido, justo e moderno. Não se será mais do que um mero exportador de commodities.

O novo paradigma

As políticas sociais de Lula permitiram a construção da primeira perna de um novo modelo econômico: um mercado interno robusto. Foi um feito político extraordinário, dos mais relevantes da história do país, em que conseguiu trocar a câmara furada sem tirar o pneu.

Mas o receio de enfrentar as turbulências políticas praticamente paralisou a política econômica. A dobradinha Palocci-Henrique Meirelles foi mais nociva ainda do que Malan-Armínio Fraga, do segundo governo FHC.

A herança de 14 anos de financismo desregrado custou caro ao país. A inação com juros e câmbio, somada ao advento da economia chinesa, devastou o parque industrial brasileiro, atrasou por décadas o seu desenvolvimento e provocou a perda de espaço no comércio internacional.

Agora, tenta-se levantar a segunda perna do modelo, capaz de dar sustentabilidade ao crescimento com distribuição de renda: o estímulo à oferta interna de produtos e bens, através da reconstrução do parque industrial.

Toda a discussão atual (dentre os economistas de primeira linha) se baseia em dois pressupostos:

  1. A política econômica está TODA centrada no estímulo à oferta.

  2. A questão em jogo é forma como essas políticas estão sendo implementadas.  Os críticos julgam que de forma atabalhoada, podendo levar a desequilíbrios mais à frente. Sobre isso discutiremos mais adiante.

A lógica das mudanças

Fase 1 – desestimular os ganhos fáceis.

Ao longo dos últimos dois séculos, o Tesouro nacional foi o grande alimentador dos ganhos financeiros fáceis, da política conduzida pelo Banco Central. Na ponta do endividamento, oferecendo taxas muito acima das internacionais. Na ponta do câmbio, permitindo de tempos em tempos grandes jogadas com a moeda e com as dívidas expressas em moedas estrangeiras. Agora tem-se a Selic caindo substancialmente e o câmbio livre da flutuação suja, de sempre se apreciar. Pela primeira vez a economia conseguirá trabalhar com taxas de juros civilizadas.

Fase 2 – tornar mais atraentes os investimentos na economia real.

Nesse quesito entram as medidas de capitalização do BNDES, o aumento da oferta de crédito, de ampliação dos prazos, a desoneração da folha de salários de muitos setores, a manutenção de isenção fiscal, a criação de novos instrumentos financeiros etc.

Fase 3 – trocar a rentabilidade excessiva pelos ganhos de escala.

Está-se atuando sobre a margem de lucros dos setores horizontais, aqueles que impactam o custo Brasil como um todo. Entram aí os spreads bancários e as concessões públicas.

No caso dos serviços públicos, ampliou-se de forma inédita as possibilidades de participação do capital privado, melhoraram diversos fatores que influíam no custo final (custo de financiamento, tributação, incertezas contratuais etc.). Ao mesmo tempo, reduziram-se suas margens. Quem quiser ganhar, será na escala, na ampliação da oferta.

No caso dos bancos, tomaram-se medidas de estímulo ao crédito. Na outra ponta, os bancos públicos puxaram um movimento inédito de redução dos spreads.

Gradativamente, a Tesouraria vai sendo trocada pelos ganhos operacionais.

Em 2012 foram tomadas as seguintes medidas de estímulo à oferta e de desestímulo ao rentismo:

Medida

Grupo 1

Grupo 2

Grupo 3

Desestímulo às operações especulativas

Melhoria do ambiente econômico

Troca de margem por escala

Juros: redução expressiva da taxa Selic.

X

X

X

Dívida pública: redução como proporção do PIB liberando recursos para outras aplicações

X

X

X

Câmbio: melhoria da paridade dólar-real e fim da flutuação suja para baixo, reduzindo espaço de arbitragens.

X

X

Investimento: aumento dos repasses para o BNDES, ampliação dos prazos, novos instrumentos de investimento.

X

Crédito: flexibilização do compulsório e redução do spread bancário, graças ao efeito-indução dos bancos públicos.

X

X

Estímulos fiscais: desoneração da folha em vários setores, isenção do IPI para vários produtos, reforma do ICMS interestadual.

X

Ampliação das concessões e redução da margem de lucro.

X

X

Investimentos públicos: menos superávit primário e investimentos do PAC imunes a contingenciamentos.

X

X

Ampliação da defesa comercial

X

O efeito-defasagem

À política econômica cabe pensar o todo, definir o novo papel dos agentes econômicos e sociais. Para tanto, utiliza-se todo um aparato de medidas fiscais, monetárias, leis, concessões e outras formas de indução.

Nesses movimentos, mexem-se com práticas consagradas, com interesses consolidados. Todos acabam saindo da zona do conforto. E à atoarda dos incomodados o governo precisa responder com um discurso lógico, que permita unificar as ações tanto do setor público quanto do privado, e reforçar a aposta no futuro.

Quando se tem uma mídia descolada do processo, a dificuldade é maior ainda.

Potencializam-se as reclamações, escondem-se os avanços e, principalmente, não se divulga a lógica do processo e as explicações para os problemas da passagem. Ao público midiático chega apenas a confusão inerente às mudanças, não a construção gradativa do novo modelo. O ar condicionado do Galeão acaba tendo mais repercussão do que a tarefa de entender e difundir modelos complexos. As perdas dos geradores de energia ganham mais espaço do que os benefícios que a redução da conta de luz trará para toda a economia.

Sem fórmulas prontas

Uma das maiores falácias dos cabeças de planilha é pretender que todos os fatores estejam organizados, para então deflagrar a mudança. Essa organização prévia só existe na planilha de um cabeça de planilha.

Primeiro, tem-se que produzir o choque e mudar a natureza do corpo econômico.

Nesse choque, os problemas vão sendo trabalhados à medida em que vão surgindo.

Não tem como organizar antecipadamente nada.

Muda-se o paradigma, há uma alteração de rota brusca que vai mexer com todos os fundamentos da economia. Empresas terão que modificar totalmente seus planos de negócio. Terão que calcular as taxas de retorno dos novos investimentos, mudar a cabeça dos funcionários para as novas práticas. Aí esbarrarão em problemas de infraestrutura que estão sendo enfrentados concomitantemente. Terão que sair do curto prazo e pensar o longo. Significa abrir mão de décadas de análise financeira fácil, previsível e sem grandes ousadias.

Depois que as novas ideias ganham a direção, tem-se uma segunda etapa, que é mudar radicalmente a cabeça do corpo de funcionários, os sistemas de remuneração, o discurso de venda dos produtos etc.

Em um primeiro momento, há o impasse. Onde colocar os investimentos para preservar os ganhos de tesouraria? O mercado internacional oferece poucas oportunidades, os juros internacionais estão em quase zero, os mercados especulativos oferecem inúmeros riscos. Mais cedo ou mais tarde, essa dinheirama terá que desabar na economia real.

Ao mesmo tempo, a retomada do crescimento gera problemas que estavam ocultos na época da estagnação. E todos terão que ser acertados em pleno vôo, lei de licitações, leis ambientais, dificuldade em montar projetos, modernização do aparato fiscalizatório etc.

O desafio será administrar a passagem.

Embora tenha-se uma mídia totalmente alienada do processo, montaram-se modelos eficientes de interlocução com a economia real. Presidente e Ministros trabalham os grandes grupos; há um enorme conjunto de câmaras setoriais, em torno do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) trabalhando as expectativas e identificando os problemas das médias empresas.

Os desafios de 2013

Quem quiser mudar paradigma de política econômica, precisa ousar, porque tira empresas vencedoras da zona de conforto, tira o mercado da zona de conforto e, principalmente, tira o governo da zona de conforto.

É aposta de alto risco e há varias frentes de batalha que terão que ser administradas simultaneamente, muitas delas envolvendo objetivos conflitantes.

Por exemplo, o câmbio precisa ser competitivo, para ajudar na recuperação do tecido industrial.  A Petrobrás precisa de margem, para garantir os investimentos do pré-sal.

Por outro lado, o controle da inflação cria limites ao uso do câmbio e aos reajustes de combustíveis.

As grandes obras de infraestrutura empregam mão de obra intensiva. Mas a formação de quadros, pelo sistema educacional, leva tempo. Criam-se gargalos. E assim por diante.

O desafio é conseguir administrar todas as frentes, sem perder o controle da situação, sem abrir mão dos fundamentos da economia

Grupo JBS fecha hoje a compra da Delta (via @guilhermebarros)

 Por Guilherme Barros

Já está praticamente fechada a compra da Delta Engenharia pelo grupo JBS, que tem 30% do seu capital em mãos do BNDES.

O anúncio deve ser feito entre hoje e amanhã. O valor ainda não foi definido.

As negociações estão sendo feitas entre Joesley Batista (na foto), do grupo JBS, e Fernando Cavendish, dono da Delta Engenharia.

O governo tem muito interesse no negócio. A Delta é a empreiteira com o maior número de contratos do PAC.

A Delta foi posta à venda por estar no epicentro da CPI de Carlinhos Cachoeira.

Mas se a grana é do BNDES… prá que privatizar, mesmo ?

Vencedores de leilão de aeroportos usarão recursos do BNDES

MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO

Os consórcios que venceram nesta segunda-feira o leilão dos aeroportos de Guarulhos (SP), Campinas (SP) e Brasília confirmaram que irão utilizar recursos do BNDES para financiar o negócio. Os três grupos vencedores vão pagar R$ 24,5 bilhões pela concessão.

Governo concede aeroportos por R$ 24,5 bilhões
Tarifas em aeroportos leiloados serão controladas, diz Anac
Especialista aponta riscos no leilão de aeroportos; ouça

“Seguramente iremos buscar, na primeira etapa [que vai até 2014], dinheiro do BNDES. O BNDES já disponibilizou os recursos e não tem porque não utilizá-los”, afirmou o presidente da Triunfo Participações, Carlo Botarelli, do consórcio Aeroportos Brasil, que levou Viracopos por R$ 3,8 bilhões.

O apoio do BNDES está limitado a 80% do investimento total e 90% dos itens financiáveis, de acordo com suas políticas operacionais. O banco aprovou as condições em janeiro.

Os aeroportos de Cumbica (Guarulhos) e Brasília terão prazo de 15 anos. O aeroporto de Campinas terá financiamento de 20 anos.

“Qualquer grupo que ganhasse essas concessões seria financiado pelo BNDES, talvez a única fonte de recursos de longo prazo que opera infraestrutura, indústria e comércio”, afirmou o ministro Wagner Bittencourt (Secretaria de Aviação Civil).

Gustavo Rocha, presidente da Invepar, do consórcio que ficou com Guarulhos por R$ 16,2 bilhões, também confirmou o uso do crédito. “Temos um desafio muito grande porque Guarulhos será a principal porta de entrada no Brasil. Temos que ter muito foco para entregar o terminal a tempo da Copa do Mundo”, disse.

DEBÊNTURES

Rocha acrescentou que poderá utilizar também debêntures (títulos privados) de infraestrutura. Esse instrumento, recentemente anunciado, oferece benefícios fiscais para financiar investimentos.

O novo mecanismo de captação de dinheiro garante redução de impostos e estimula os investimentos privados.

“Acho que será uma opção importante para financiar a infraestrutura no longo prazo. Se for interessante para a gente, com certeza vamos usar. Talvez nessa primeira fase (até 2014), dado que a gente tem um prazo até 2014, a gente vá para os recursos do BNDES. Mas com certeza, no médio prazo, vamos olhar a oportunidade das debêntures”, disse Gustavo Rocha.

Os outros consórcios vencedores disseram que irão avaliar a opção de debêntures.

 

Blog do Passarinho Pentelhão…imperdivel ! Visite ! Hilário !

Energia eólica mais barata do mundo é aqui no Brasil!!! Maior usina de etanol do mundo é da Petrobras!!! Que também vai duplicar produção de petróleo em cinco anos!!! É o domingão da Míriam Leitão!!!

Direto ao que interessa!

As empresas do povo

Petrobras

– Jornal O Estado de S. Paulo, terça-feira, dia 16/08/2011:

Lucro da Petrobrás cresce 37% no semestre

Resultado foi de R$ 21,928 bilhões, ante R$ 16,021 bilhões do 1º semestre de 2010

A Petrobrás anunciou ontem ter obtido no segundo trimestre deste ano um lucro de R$ 10,942 bilhões. O valor representa 31,9% de crescimento em relação ao mesmo trimestre de 2010, quando o lucro líquido foi de R$ 8,295 bilhões.

No acumulado do primeiro semestre, o lucro, anunciado como recorde pela companhia, atingiu R$ 21,928 bilhões, o que significa 37% mais na comparação com o mesmo período de 2010 (R$ 16,021 bilhões).

Comentário do Pentelhão: O Pentelhão sabe que é foda pro seu discurso neoliberal esse negócio de as empresas estatais baterem recorde atrás de recorde em seus balanços anuais, semestrais, trimestrais, etc. Mas, fazer o quê, querida?

– Jornal do Commercio – RJ, quinta-feira, dia 18/08/2011:

Gabrielli prevê o dobro da produção até 2015

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, destacou ontem em audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados que a capacidade de produção de petróleo da companhia no Brasil dobrará até 2015. De acordo com o Plano de Investimentos, de US$ 224,7 bilhões, para o período de 2011 a 2015, será acrescida capacidade de 2,3 milhões de barris por dia. A produção atual é de 2,1 milhões de barris por dia. “Vamos crescer em cinco anos toda a capacidade que a companhia teve nos últimos 50 anos”.

Comentário do Pentelhão: Já foi sacanagem com a Míriam Leitão a Petrobras ter sido a única grande companhia petrolífera do mundo a dobrar sua produção entre 2000 e 2010, mas Gabrielli garantir que a empresa dobrará novamente sua produção, desta vez em apenas cinco anos, é uma clara provocação com nossa patronesse do Partido da Imprensa Urubu. Vamos ver o que acontece. O Pentelhão acredita que a Petrobras cumprirá sua promessa!!! E você, Míriam???

– Jornal O Estado de S. Paulo, quinta-feira, dia 18/08/2011:

Petrobrás e São Martinho terão a maior usina de etanol do mundo

A Nova Fronteira, joint venture entre o Grupo São Martinho e a Petrobrás Biocombustível, vai investir R$ 520,7 milhões para transformar a Usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis, Goiás, na maior produtora de etanol de cana-de-açúcar no mundo. O anúncio foi feito pelos presidentes da São Martinho, Fábio Venturelli, e da Petrobrás Biocombustível, Miguel Rossetto.

Segundo Venturelli, a expansão permitirá que a capacidade instalada de moagem de cana-de-açúcar saia dos atuais 3 milhões de toneladas para 8 milhões de toneladas em três anos, até a safra 2014/15. “A cana será toda revertida para a produção de 700 milhões de litros de etanol e 600 mil megawatt/hora de energia elétrica excedente”, disse o executivo

Comentário do Pentelhão: Míriam Leitão, como neoliberal radical, é claro, faz careta para os investimentos da Petrobras na produção do etanol. Para ela, a responsabilidade deveria ser apenas dos usineiros. O problema, querida, é que os usineiros já deixaram a população na mão duas vezes. Portanto, sai da frente, porque a Petrobras vai produzir muito etanol!!! E sem o perigo de mudar para o açucar quando o preço deste produto disparar no mercado internacional!!!

BNDES

– Coluna Direto da Fonte, Sonia Racy, Jornal O Estado de S. Paulo, sexta-feira, dia 19/08/2011:

Cash – O BNDES depositou, anteontem, a primeira parcela do maior patrocínio cultural do história do banco – R$ 32 milhões.

Comentário do Pentelhão: Sem comentários!!!

– Coluna Negócios & Cia, Flávia Oliveira, Jornal O Globo, terça-feira, dia 16/08/2011:

Empréstimos do BNDES crescem na base

Banco liberou quase R$ 1 bi para micro e pequenas empresas do Rio até junho

Comentário do Pentelhão: Olha a Flávia de Oliveira pentelhando de novo você, Míriam Leitão!!! O PIG, você incluída, querendo vender para a população a imagem de que nosso invejado, por boa parte do mundo, banco de fomento só ajuda as grandes corporações e essa menina insistindo em trazer números desmentindo essa lorota!!! Sem briga, querida!

Economia

– Jornal O Estado de S. Paulo, terça-feira, dia 16/08/2011:

Crise não afeta vendas para os Dias dos Pais

Movimento do comércio foi entre 5,6% e 8,8% melhor do que na mesma data do ano passado

Comentário do Pentelhão: Gostou da marolinha, querida??? Ou você preferia uma tsunami???

Investimentos

– Jornal O Estado de S. Paulo, sexta-feira, dia 19/08/2011:

Bunge vai investir US$ 2,5 bi em expansão de usinas

A gigante do agronegócio Bunge anunciou ontem um plano de investimentos de US$ 2,5 bilhões, até 2016, para elevar em mais de 50% a capacidade de processamento de cana de suas oito usinas de açúcar e álcool no País. Com isso, a capacidade de processamento passará de 21,5 milhões para 30 milhões de toneladas por ano.

Comentário do Pentelhão: Viu, querida! Não é só a Petrobras que está chegando junto!!! Parece que ainda não vai ser desta vez que os urubus que torcem contra o programa do etanol brasileiro vão se dar bem!!!

– Jornal O Dia, quarta-feira, dia 17/08/2011:

Pré-sal vai criar 2 milhões de empregos

 A exploração do pré-sal vai estimular o crescimento de diferentes setores da indústria e gerar mais de 2 milhões de empregos até 2020. A estimativa está em estudo apresentado ontem, em São Paulo, pelo diretor-geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Eloi Fernández e Fernández. Segundo ele, a cadeia do petróleo e gás vai concentrar a maior parte dos investimentos no País até 2014.

Comentário do Pentelhão: Oh gente ufanista!!! E esse jornal O Dia, que não participou aqui no Rio de Janeiro do esforço do PIG para tentar eleger Serra, adora este tipo de notícia!!! O Pentelhão também. E você, Míriam, gosta???

– Jornal O Estado de S. Paulo, segunda-feira, dia 15/08/2011:

Na Siemens, o Brasil deixou a China para trás

Nos próximos cinco anos, gigante alemã vai dobrar investimentos entre as grandes nações emergentes

… Em 2006, a venda da operação mundial de telefonia da Siemens resultou na desativação de uma unidade local de produção de celulares, em Manaus. Nos anos seguintes, porém, o investimento no Brasil acelerou: de 2006 a 2011, a empresa contratou 4 mil funcionários no País e o número de fábricas subiu de 5 para 13. A décima quarta unidade – uma linha de montagem de aparelhos de diagnóstico por imagem – será inaugurada no próximo ano, em Joinville (SC).

Comentário do Pentelhão: Oh desindustrialização mais esquisita essa do Brasil em que cada vez mais fábricas são construídas por aqui!!!

Energia/Meio ambiente

– Jornal Folha de S. Paulo, sexta-feira, dia 19/08/2011:

Energia eólica já é mais barata do que a térmica a gás no Brasil

Foram contratados quase 2.000 MW por menos de R$ 100 por MW; preços surpreendem

Governo diz que os dois leilões desta semana revelam novo paradigma para as energias renováveis

O custo da energia eólica no Brasil, uma das principais fontes renováveis do mundo, já é menor do que o da energia elétrica obtida em termelétricas a gás natural. O governo classificou essa situação como o novo paradigma do setor elétrico brasileiro. Em alguns casos, a energia eólica também tem custo inferior ao das usinas movidas a biomassa de cana. Esse foi o principal resultado dos dois leilões realizados pelo governo entre quarta e ontem, em São Paulo.

Comentário do Pentelhão:  A energia eólica era a preferida da Míriam Leitão. Depois, contudo, que os investimentos neste tipo de energia explodiram no país e com o preço mais baixo do mundo, parece que ela perdeu o interesse no assunto. A culpa pode ter sido desse tipo de leilão implantado pelo Governo dos Trabalhadores onde vence quem oferece o menor preço para o consumidor. Talvez o mundo queira conhecê-lo melhor.

Governo/política

– Coluna Mercado Aberto, Maria Cristina Frias, Jornal Folha de S. Paulo, terça-feira, dia 16/08/2011:

Crédito no campo – Os recursos direcionados ao crédito rural devem alcançar R$ 107,6 bilhões em junho de 2012, fim do prazo de financiamento da safra 2011/12, com alta de 15% sobre junho deste ano, segundo projeção da RC Consultores.

Comentário do Pentelhão:  Tá bom pra você, Míriam, ou quer mais???

Jornal O Estado S. Paulo, quarta-feira, dia 17/08/2011:

Dilma cria quatro novas universidades federais

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a criação de quatro novas universidades federais – a do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a do Sul da Bahia (Ufesba), a do Oeste da Bahia (Ufoba) e a da Região do Cariri (UFRC), no Ceará. Ao todo, as instituições contarão com 17 câmpus, sendo 12 novos. O governo prevê que elas iniciem suas atividades até 2014 e deve investir R$ 604 milhões nas instalações.

Comentário do Pentelhão:  Essa mania do Governo Federal de ficar construindo escolas técnicas e universidades e de insistir em colocar os filhos dos trabalhadores lá já está indo longe demais, não é não, querida??? Lamentamos por você, mas o caminho é este e não tem volta!

Domingo que vem tem mais!

Abraços, Passarinho Pentelhão.

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