FRANKLIN E LULA MANTERÃO CHAMA QUE DILMA APAGOU

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No primeiro dia do ano, a presidente mandou um recado direto ao PT: não irá patrocinar uma Lei de Meios no Brasil, semelhante à que vem sendo implementada na Argentina. A despeito disso, o ex-presidente Lula, cada vez mais próximo do ex-ministro Franklin Martins, incentivará que essa discussão tome corpo na internet e nas redes sociais. Lula sabe que, em qualquer cenário, sua aliança será com a blogosfera, e não com os meios tradicionais

 

247 – O recado foi emblemático. Na coluna Panorama Político, talvez a mais próxima ao Palácio do Planalto, a mensagem veio nua e crua no primeiro dia do ano. No que depender da presidente Dilma Rousseff, o governo não moverá uma palha para colocar em discussão o projeto de uma Lei de Meios no Brasil, que trate da democratização da mídia no Brasil (leia mais aqui).

Como se sabe, a inspiração para essa lei vem da Argentina, onde a presidente Cristina Kirchner tenta, aos trancos e barrancos, limitar o poder do grupo Clarín, o mais forte do país vizinho. Lá, o embate com um império midiático tem contribuído para a corrosão da popularidade do governo Kirchner – um risco que Dilma, com mais de 70% de aprovação, não parece disposta a correr. “Como esperar que um governo em lua-de-mel com a “opinião pública” corra o risco de enfrentar o enorme poder simbólico de oligopólios de mídia, capaz de destruir reputações públicas construídas ao longo de uma vida inteira em apenas alguns segundos?”, pergunta o professor Venício Lima, especialista no assunto (leia mais aqui).

A mensagem de Dilma ao PT, que se sente perseguido e injustiçado pelos grandes meios de comunicação, não significa, no entanto, que a discussão sobre uma Lei de Meios no Brasil esteja encerrada. Cada vez mais próximo ao ex-ministro Franklin Martins, que redigiu uma lei sobre o assunto, o ex-presidente Lula quer que, ao menos na internet e nas redes sociais, se mantenha acesa a chama que Dilma pretende apagar no plano federal. Qualquer que seja o futuro de Lula, seja concorrendo ao governo de São Paulo ou mesmo à presidência da República, ele sabe que sua aliança terá que ser construída com a blogosfera – e não com os meios tradicionais, que tentam cravar uma estaca em seu peito.

Ao que tudo indica, a presidente não parece ter se convencido de que a “caçada a Lula” logo se transformará em “caçada a Dilma”, embora existam alguns sinais no horizonte. Aos poucos, a artilharia concentrada contra o ex-presidente Lula, em grande parte oriunda do Instituto Millenium, que é bancado por duas famílias midiáticas (os Civita e os Marinho), começa a atenuar o discurso centrado no mensalão e a reforçar as críticas a supostas falhas gerenciais do governo Dilma. Da política, o ataque migra para a economia.

A menos de dois anos das eleições presidenciais, a presidente Dilma é favorita absoluta à reeleição e, aparentemente, se julga capaz de enfrentar o poder dos oligopólios midiáticos. A “faxina ética” a imuniza contra ataques centrados na questão ética e a provável retomada da economia em 2013 deve lhe dar gordura para queimar até a disputa de 2014.

No entanto, Lula e Franklin Martins se falam – e se encontram – cada vez mais. Quando deixou o governo, Franklin esperava que seu projeto de uma Lei de Meios fosse encaminhado por Paulo Bernardo – e o texto acabou sendo engavetado. A bandeira da democratização continuará sendo hasteada, ainda que fora do governo, mesmo que seja apenas para assustar os grandes oligopólios midiáticos. Até porque a discussão não se dá apenas na vizinha Argentina, que supostamente persegue o grupo Clarín, mas também na Inglaterra, onde o poder excessivo de Rupert Murdoch causou danos a uma das democracias mais sólidas do Ocidente.

IMPORTANTE – Artigo sobre Mineração- J.P. Stedile

Artigo originalmente pulicado em Virgulino Rei do Cangaço

O MAIOR SAQUE COLONIAL DE MINERIOS DO MUNDO!

Por Joao Pedro Stedile

Certa ocasião estive visitando nosso saudoso Celso Furtado, em sua casa no Rio de janeiro, e ele me disse que a transferência liquida de recursos financeiros do Brasil ao exterior na década de 80 foi tão grande, que em um ano o Brasil enviou uma riqueza maior do que os 300 anos de saque de minérios de 1500 a 1822.

Pois agora, estamos diante de um novo saque colonial, através das exportações de minérios que as empresas vem fazendo em todo Brasil , em especial através da VALE depois de sua privatização fraudulenta após 1997.

Vejam alguns dados, que deixam a todos brasileiros envergonhados.

OS LUCROS FANTASTICOS

– Nos últimos anos a VALE exportou em média 90 milhões de toneladas de ferro por ano, alcançado a marca de mais um bilhão de toneladas levadas ao exterior, depois da privatização.

– O valor do seu patrimônio contábil considerando instalações, jazigas, etc é estimado em 140 bilhões de dólares. Mas numa operação que o Tribunal Federal de Brasília, considerou fraudulenta e anulou em sentença o Leilão, a empresa foi privatizada por apenas 3,4 bilhões de reais!. A empresa recorreu da sentença e há dez anos dorme nas gavetas dos tribunais. Para quem tiver curiosidade, acaba de ser lançado o livro PRIVATARIA TUCANA, em que o jornalista Amaury Junior descreve com detalhes a manipulação do leilão e as gorjetas recebidas pelos governantes da época. Leia!

– Por conta da Lei Kandir sancionada durante o governo FHC, as exportações de matérias primas agrícolas e minerais, não pagaram mais nenhum centavo, estão isentas de ICMs de exportação. Assim, os estados do Para e de Minas Gerais não receberam nenhum centavo por esse bilhão de toneladas de ferro exportado.

– O Lucro líquido da empresa apenas em 2010 foi de 10 bilhões de reais, e agora em 2011 foi de 29 bilhões de reais. Mas pagou de contribuição (royalties ) apenas 427 milhões de reais.

– Com a crise financeira do capital internacional os preços das commodities agrícolas minerais sofreram especulação dos grandes grupos e dispararam. Nos últimos anos a Vale tem vendido uma tonelada de ferro a 200 dólares em média, enquanto o custo real de extração está em torno de apenas 17 dólares a tonelada.

– Cerca de 62% das ações da Vale com direito ao lucro, depois da privatização pertencem a proprietários estrangeiros. Por tanto, toda essa riqueza acaba no exterior. Somente em 2010/11 a empresa distribuiu mais de 5 bilhões de dólares em dividendos para seus acionistas.

AS PRáTICAS FRAUDULENTAS DA EMPRESA

– A soma de todos os tributos pagos pela empresa ao Estado brasileiro, somados Prefeituras, governos estaduais e federais, representam menos que 2% de todo lucro. Segundo noticiário da grande imprensa, o governo federal está cobrando na justiça uma divida de 30,5 bilhões de reais, de tributos sonegados pela empresa. A prefeitura de Paraupebas,(PA) sede da mina de ferro de carajás, já inscreveu na divida publica ativa a divida de 800 milhões de reais de impostos sobre serviços não pagos, nos últimos dez anos. Mesmo assim a empresa recorreu e não admite pagar. Se qualquer cidadão atrasar uma prestação de geladeira perde seus bens. Já a poderosa Vale…

– Não satisfeita com essa negação de dividas ao estado brasileiro, a VALE abriu uma empresa subsidiária nas Ilhas Caymans, para onde fatura suas exportações, e segundo o prefeito de Paraupebas é a forma utilizada para subfaturar a tonelada do minério de ferro e assim falsifica seu lucro liquido. Por outro lado criou uma nova empresa no município (cantão) suíço de Vadeu, aonde colocou a sede mundial da empresa lá na suíça, para administrar os negócios dos outros 30 paises aonde opera. E até lá, tem sonegado os impostos para o governo suíço, que entrou na Justiça local para reavê-los.

– Nem seus laboriosos trabalhadores das minas recebem alguma compensação de tanto esforço e lucro gerado. Cerca de 70% dos trabalhadores são tercerizados e recebem baixos salários. A empresa não cumpre a CLT e a Constituição, segundo o Juiz do trabalho de Marabá, que a condenou em vários processos, pois a empresa tem trabalho continuo durante todo dia, todo ano. E a lei determina que nesses casos o turno deve ser de no máximo 6 horas, em 4 turmas. A empresa não cumpre e usa apenas três turnos de 8 horas, fazendo com que os trabalhadores gastem mais de 12 horas do seu dia, entre idas, vindas e o tempo de trabalho.

– A empresa possui um serviço de inteligência interno herança do maldito SNI/ABIN, operando por antigos servidores do regime militar, que bisbilhoteiam a vida dos trabalhadores, das lideranças populares na região e dos políticos que podem não apoiar a empresa. Em um processo recente, a empresa apresentou copias ilegais de mensagens de correio eletrônicos demonstrando sua capacidade de espionagem. Em 2007, depois de uma manifestação do movimento de garimpeiros de Serra Pelada contra a empresa, foram diretores da VALE, no aeroporto de Carajás, que selecionaram para a Policia, quem entre as 70 pessoas retidas, deveria ser processado e preso. E assim selecionados foram transportados do aeroporto para Belém.

OS CRIMES AMBIENTAIS

– Cerca de 98% de suas explorações em todo o Brasil são em minas de céu aberto, que causam enormes prejuízos ambientais.

– O pouco processamento industrial que o minério recebe, para ser também exportado em pelotas, é feito por guseiras associadas a VALE e utilizam de carvão vegetal, feito a partir de desmatamento da floresta nativa da amazônia, ou com monocultivo de eucalipto, ambos causadores de enormes prejuízos ambientais. Alem dos prejuízos para a saúde da população…>>> Leia mais clicando aqui

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Criticado, prefeito tenta tirar blog do ar, não consegue e processa Google

Juiz decide a favor de prefeito, mas empresa diz que não vai tirar blogs do ar. Com isso, magistrado mandou bloquear R$ 225 mil das contas do Google do Brasil

Daniel Aderaldo, iG Ceará

A Justiça do Ceará mandou bloquear R$ 225 mil das contas do Google do Brasil porque a empresa se negou a tirar do ar três blogs que criticavam o prefeito de Várzea Alegre, cidade a 315 quilômetros de Fortaleza.

O prefeito José Helder (PMDB) recorreu à justiça para que a empresa Google identificasse os autores dos blogs para que eles fossem processados por calúnia e difamação. Segundo ele, os sites estavam atacando a sua imagem com textos anônimos.

Foto: Reprodução/Google Maps

Várzea Alegre fica a 315 quilômetros de Fortaleza

“Ninguém sabia quem estava fazendo essas matérias, só que era da oposição, pelo teor das acusações, claro”, disse o prefeito à reportagem do iG. “Começaram a mexer com questões pessoais de aliados, falando de mulher, eu era chamando de corrupto e de ladrão, sem que houvesse qualquer prova ou indício de nada. Isso não chegou a prejudicar minha imagem junto à população, mas poderia ter acontecido”, avaliou ele.

Em fevereiro deste ano, o titular da 1ª Vara de Várzea Alegre, juiz Gustavo Henrique Cardoso Cavalcante, determinou que o Google removesse as páginas e fornecesse os dados dos responsáveis. A decisão não foi cumprida.

Ao contestar, a empresa argumentou que não havia como fornecer os dados pessoais dos criadores dos blogs porque ela apenas hospeda as páginas. Em outras ocasiões, em casos parecidos, o Google também tem argumentado que as decisões da Justiça obrigando a retirada de blogs do ar é uma afronta à liberdade de expressão.

Com isso, o magistrado decidiu bloquear R$ 225 mil das contas da Google e homologou multa de R$ 5 mil. De acordo com o juiz, o descumprimento é “uma afronta aos poderes legalmente constituídos pela nossa Carta da República”. A empresa, contudo, pode recorrer da decisão em primeira instância.

O prefeito não conseguiu exatamente o que queria e sabe que a decisão da justiça pode ser modificada, mas considera que já saiu vitorioso nesse caso: os blogs cessaram os ataques. “Eram coisas absurdas. Se eu não tivesse tomado a iniciativa, acredito que a coisa teria ficado pior”, afirmou.

Seminário Nacional sobre Código Florestal


O Ministério do Meio Ambiente está otimista em relação à votação do código florestal e lutará até o último momento por um consenso. Essa foi a mensagem da ministra Izabella Teixeira, enviada pelo assessor especial do Ministério, Luiz Antonio Carvalho, a quem participou na manhã de hoje (7/5) do Seminário Nacional sobre o Código Florestal, promovido por mais de 20 organizações dos movimentos camponês, ambiental, sindical, estudantil, feminista e dos direitos humanos.

O evento aconteceu no auditório do SENAC, no centro de São Paulo, e contou também com a presença da ex-senadora Marina Silva (PV), do deputado federal Ivan Valente (PSOL/SP) e do líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira – além das várias organizações promotoras do encontro.

Quanto ao acordo buscado pelo governo nas negociações em torno do novo código florestal, Luiz Carvalho apontou que o consenso buscado pelo governo levará em conta a proposta atual, os interesses do agronegócio, do desenvolvimento sustentável e do governo. Mas, segundo ele, o ministério não compactua com a proposta de anistiar as irregularidades ambientais cometidas antes de junho de 2008.

Já o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, observou que o Brasil é tanto uma potência ambiental quanto agrícola, e que estas conquistas “não são contraditórias entre si”.

Teixeira também lembrou como surgiu a iniciativa de alteração no código florestal, bem como a investida dos grandes agricultores sobre os produtores da agricultura familiar. “A partir da aplicação do código de 1965, julgavam-se que muitas culturas estavam na ilegalidade, e essa situação pegava em parte o pequeno agricultor familiar e uma série de produtores. Nisso, o grande agricultor foi até os pequenos agricultores e disseram: ‘Precisamos fazer algo para te defender’”. Com isso, sugeriram, entre as mudanças, matérias de seu próprio interesse – entre elas, a de não recuperar o estragos que fizeram no meio ambiente.

Por fim, o líder argumentou que a atual correlação de forças no Congresso é favorável ao relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B/SP). Por isso, segundo ele, a mobilização social é fundamental neste estágio. “Estamos no momento de queda de braço e precisamos que a sociedade se manifeste ao Congresso Nacional e ao governo federal para que, havendo mudanças, estas sejam aceitáveis para a sociedade brasileira”, finalizou.

Confira a fala de Paulo Teixeira na íntegra: http://wp.me/pXd6p-KM

Movimento dos blogueiros de São Paulo faz encontro em abril


Blogueiros, twitteiros e “disseminadores” realizam o 1º Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas de São Paulo de 15 a 17 de abril, na Assembleia Legislativa. A atividade será realizada como etapa preparatória para o encontro nacional, previsto para Brasília, em agosto.

Na programação estão contemplados temas como a defesa do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), debate sobre um novo marco regulatório para a comunicação no país e a questão dos conslehos estadual e federal de comunicação. Deputados estaduais e federais devem prestigiar o evento, além dos autores de blogs, tuiteiros e comunicadores.

Algumas presenças importantes já estão confirmadas na programação, como o professor Sérgio Amadeu (Casper Líbero), Sérgio Vaz (poeta do Cooperifa), a jornalista Conceição Lemes (blog da Saúde do Viomundo), deputado esatdual Antônio Mentor (PT-SP) e Eduardo Guimarães (Blog da CIdadania).

Além dos debates, o encontro contará com oficinas sobre mídia comunitária, educação e blogosfera, ferramentas tecnológicas e questões jurídicas relativas aos blogs.

As inscrições para participar do encontro estão abertas e podem ser feitas a partir deste endereço. Veja mais informações sobre a inscrição no blog do encontro.

A organização do evento informa que para participar não é obrigatório ter um blog. Twitteiros e os chamados disseminadores, ou seja, pessoas que repercutem informações publicadas por blogs via e-mail ou redes sociais também estão convidados a participar. O encontro é aberto a todos que considerem importante a democratização do acesso à comunicação.

(Do Vermelho.org)

Dilma e a ‘Operação doçura’ na mídia velha (via @maria_fro)

Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro

Nas últimas semanas é de fato impressionante a ‘operação transformação‘  ocorrida na mídia velha em relação ao tratamento dado à imagem e à história de Dilma Rousseff. Para avaliar o tamanho da mudança, recordemos alguns breves episódios:

Folha e as ‘acusações de futuro’

A gama de adjetivos detratores que a então ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu quando a velha mídia entendeu que ela seria a candidata à sucessão de Lula foi imensa. Desde 2009 pelo menos os ataques foram constantes: ‘terrorista’ com direito até a publicação em primeira página de spam produzido em blog de extrema-direita pela Folha de São Paulo; ‘princesinha nórdica‘ como gostava de repetir o ex-presidente FHC, ‘poste’, ‘imunda‘, ‘abortista‘, ‘assassina de criancinhas’, ‘lésbica’ (como se isso fosse um defeito grave) e ainda por cima ‘infiel’ e outros termos, somados a calúnias e factóides repetidos exaustivamente por políticos demotucanos, reverberados na mídia velha e retro-alimentados pela TFP, passando pelo Pró-vida, por Mônica Serra, mulher do candidato José Serra…

Tais calúnias e preconceitos de toda ordem inundaram a Internet nos blogs de extrema-direita oficiais e oficiosos, redes sociais, e-mail e foram materializados em panfletos colados em porta de igrejas, supermercados, postes nas ruas…

Durante a campanha, o jornal Folha de São Paulo fez até ‘acusação de futuro’ contra a candidata Dilma Rousseff. Ela respondeu as acusações denominando o jornal e a matéria de: “parciais, enviesados, escandalosos e de má-fé”:

Nem após a vitória de Dilma Rousseff sobre José Serra o jornal Folha de São Paulo, a revista Veja e afins lhe deram folga: dia 1 de novembro várias manchetes estampavam a ‘denúncia’, bem ao estilo do velho PIG, de que a presidenta não havia ido à festa da vitória celebrar com os militantes em Brasília. A intenção era, como sempre, a de reforçar a imagem de Dilma como ‘antipática’ e ‘anti-popular’.

PIG pedindo arrego e o tal ‘tapa com luvas de pelica’

Oito anos de ataques sistemáticos ao presidente Lula e a entrada com todas as fichas na campanha pró-Serra e contra Dilma Rousseff sangraram um pouco os recursos do PIG. Franklin Martins no comando da SECOM descentralizou a política de publicidade, fazendo com que pequenos jornais, rádios e tvs locais conseguissem uma fatia de publicidade governamental que até então era gasta em bloco para alimentar os grandes jornais do Rio de Janeiro e São Paulo e Tv Globo.

Na esperança de convencer a presidenta a esquecer as mágoas e com seu cargo e importância prestigiar a festa da Ditabranda, os irmãos Frias foram bater na porta do Planalto com o pires nas mãos. Foram atendidos: Dilma compareceu e fez um discurso lamentávelconfundindo liberdade de imprensa com liberdade de expressão, chancelando o jornalismo da Folha.

Parecela da blogosfera lamentou o discurso da presidenta para a qual esta mesma blogofera entrou de cabeça na campanha afins de elegê-la contra uma candidatura que ameaçava não apenas os ganhos sociais do governo Lula, mas a manutenção dos parcos direitos civis que temos garantidos no país. Entre esta blogosfera que repudiou/lamentou o prestígio que a presidenta conferiu ao jornalismo ditabranda está esta blogueira, Maurício CaleiroEugênio NevesLeandro FortesEduardo GuimarãesLuiz Carlos Azenha. E mais uma vez a polêmica se instaurou entre a blogosfera à esquerda e/ou progressista, com blogueiros governistas acusando os críticos ao discurso laudatório aos 90 anos da Folha de ‘traíras’, ‘portadores de problemas psicológicos’ e outros termos detratores. Foi também bastante curiosa a operação que se deu na imagem dessa parcela da blogosfera de esquerda e/ou progressista: de blogueiros ‘chapa branca’ nos tornamos quase uma espécie de Soninha Francine, aliás alguns me disseram isso com todas as letras e me denominaram de ‘Miss Sabotagem’.

A presidenta em programas femininos de mulheres do século XX

Depois de uma semana bradando no twitter contra o discurso feito por Dilma Rousseff na festa da Folha Ditabranda, ontem pela manhã liguei a tevê na Globo (emissora que há anos não assisto e só acompanhei em dias de debate ou de ida de Dilma Rousseff  durante a campanha). Não foi a toa que o programa em queda livre de audiência recuperou ibope: nunca dantes na história deste país esta blogueira feminista tinha assistido o Mais Você.

No dia anterior à exibição da entrevista fui intensamente provocada no twitter e respondia, mesmo sem saber como seria o programa, que não achava ruim a ida de Dilma ao Mais Você. Alguns ficaram confusos, porque para eles a ida de Dilma Rousseff no programa da Ana Maria Braga é da mesma categoria da ida à festa da Folha. Não é, e vou explicar os porquês.

O programa foi gravado, certamente com acompanhamento e anuência da equipe da presidenta; Dilma não precisou fazer discurso laudatório do casal 20; durante o enfrentamento do linfoma Dilma recebeu a solidariedade de Ana Maria Braga, que também teve câncer e não fez uso de seu gesto para se promover (fato revelado pela presidenta assim que começou o bate papo com a apresentadora); o programa tem como público alvo mulheres da classe C e D, mas Dilma falou, inclusive, para senhoras de sua idade que tiveram educação de classe média: leitoras da ‘Coleção das Moças’.

Foi uma chance ímpar de Dilma Rousseff passar mais de duas horas reconstruindo sua imagem para um público importantíssimo e de algum modo se aproximar dele.  Em vários momentos a presidenta se dirigia para a câmera como se falasse a cada uma das telespectadoras. Algumas matérias na velha mídia chegaram a afirmar que isso era ‘vício de campanha’, equivocassem, isso é aprendizado de campanha. A presidenta, até mais que durante o período eleitoral, discorreu sobre uma série de programas voltados para as mulheres, problematizou a questão da desigualdade de gênero e não perdeu uma única chance de reforçar um discurso feminista e de auto-estima das mulheres.

Durante todo o programa houve empenho de Dilma (com grande ajuda de Ana Maria Braga e da edição da Rede Globo) em transmitir uma imagem da presidenta como uma mulher doce, governanta próxima de seus cidadãos, uma gestora competente, inteligente, capacitada, mas que sabe ouvir e acatar as críticas, que se emociona, que é uma amiga fiel…

Quem viu o programa se emocionou: Ana Maria Braga com sua voz suave, estava vestida de gala pra receber a presidenta: foi recebê-la na porta e apresentar todo o estúdio para Dilma. As telespectadoras puderam conhecer até mesmo o lago e a ponte sobre ele no entorno do estúdio de gravações do programaMais Você. Soubemos até que ali se gravava o Sítio do Pica-pau Amarelo

A Globo com toda sua competência pra fazer televisão (para o bem ou para o mal) se esmerou na produção e nos depoimentos: de @pretozeze, o presidente da Cufa, ao ex-marido de Dilma, passando por amigas da juventude, crianças da escola vizinha do apartamento de Dilma em Porto Alegre e vizinhas de Dilma até a estilista que há 17 anos cuida de suas roupas e a quem a presidenta foi fiel na escolha do traje usado na posse.

A cada depoimento ouvíamos as pessoas mais próximas ou que tiveram convivência com a presidenta elogiar a sua doçura, fidelidade, competência e o orgulho que  sentiam de Dilma. Uma ‘gracinha’ como diria Hebe Camargo.

O ex-marido e também ex-preso político, Carlos Franklin de Araújo, confessa ao som de uma música suave que se apaixonou à primeira vista, enquanto isso na tela, em quadro menor,  Dilma abre um largo sorriso diante da declaração do ex-companheiro. Em off, o repórter faz questão de reafirmar que mesmo após a separação do casal, eles continuam grandes amigos, afirmação endossada pela bela mensagem que Carlos dedica à presidenta. Na sequência, em off, o repórter reafirma a idéia de uma mulher que é fiel a seus princípios e amizades, a partir do depoimento da psiquiatra Vera Stringuini, ex-presa política e amiga da presidenta. Em seu depoimento, Vera conta como se conheceram logo após ambas saírem da prisão durante a Ditadura Militar, fala de como aprenderam a dirigir automóveis, dos preconceitos enfrentado pelas mulheres no trânsito. Para mostrar o distanciamento de amigas tão solidárias durante a juventude, a edição intercala cenas de Dilma em sua trajetória administrativa e, em off, o repórter argumenta que a falta de tempo de Dilma para as amigas decorreu de seus compromissos políticos. Corta pra Vera, que foi convidada para a festa da posse no Itamaraty, e nos conta que Dilma não perdeu a doçura e a feminilidade: ambas amigas no reencontro elogiaram a maquiagem uma da outra. Vera diz: ” Por incrível que pareça, ou não tão incrível, é a minha amiga de sempre”.

Toda a sequência é positiva, a estilista que mostra que a presidenta é fiel e doce, a vizinha que se sente orgulhosa, a diretora da escola do prédio vizinho da presidenta que para além do orgulho de ter recebido visita tão ilustre, conta o quanto a Dilma foi respeitosa ao perguntar se podia ir visitar a escola. A chave de ouro dessa sequência simpática e reveladora do lado humanizado e doce de Dilma Rousseff é a entrevista com as crianças da escolinha que a presidenta visitou em 14 de dezembro do ano passado, dia de seu aniversário.

A personagem principal é um garoto fofo de 5 anos chamado João Pedro Vendruscolo. Extrovertido, espontâneo, o guri encantou a todos. O repórter do Mais Você pergunta ao menino João o que ele havia dito à presidenta quando ela visitou a escola. Ele responde: “Falei que ela é bonita”.  O repórter complementa: “Mas não foi só isso que ele disse” e corta pra as cenas de arquivo do dia  14 de dezembro de 2010. Na arte editorial, uma seta aponta para  João todo espevitado no meio de um grupo de crianças que rodeiam em festa a presidenta. Na cena seguinte vemos legendado o diálogo de João com a Dilma que, obviamente, a Globo não passou no Jornal Nacional, mesmo tendo mostrado as cenas no dia do aniversário da presidenta:

João: “Sabe que a Cláudia e minha mãe votaram em ti?”

Dilma: “Votaram em mim? Mas que legal!”

João: “E que o Serra não ganhou?”

Corta novamente para entrevista de João que nos revela que ficou triste por não ter sido convidado para a posse. É de uma meiguice sem fim ver o sentimento de uma criança de cinco anos que confessa, sem cerimônias, ter chorado por não ter ido à posse da presidenta. Ele se sente amigo íntimo da presidenta. Não há como não se comover com sua fala:  ”Eu não fui convidado”. Repórter: Pra quê? João: “Pra festa da Dilma (a posse), aí eu chorei”. Repórter: Você iria pra Brasília? João: “Eu sou do Brasil”.

Trechos dos programas (veja na íntegra aquiaqui:

Ana Maria Braga: “Crianças sabem das coisas, né, presidenta?”

Dilma reforça mais uma vez a idéia de que é uma presidenta próxima de seus eleitores, argumentando que os brasileiros não são submissos e tratam seus governantes de igual para igual, reclamam, fazem sugestões, elogiam, contam histórias pessoais, tratam o/a presidente/a como uma mistura de parente, conselheiro, amigo. A presidenta argumenta que deve haver uma relação de igualdade na República, que os governantes devem estar preparados para receber críticas.

Dilma reforça ainda a idéia que o fato de ser mulher, ter menos força física, não a fragiliza e contrapõe o discurso machista que nos naturaliza como seres frágeis, carentes de proteção, à idéia de que é uma mulher forte, mas nem por isso dura. Num dado momento diz: “Sou uma mulher forte cercada de homens meigos”, e se põe como exemplo de quebra de paradigmas como fez em seu discurso da vitória.

Usando o espaço conservador para dar o seu recado

Ontem, durante a nossa fala no Sindicato dos Bancários, transmitida por twitcam, Azenha trollou a mim e a Conceição Lemes e escreveu este post aqui. Não há como não concordar com ele que Ana Maria Braga, Hebe Camargo, a senhora do “Cansei”,  reproduzem em seus programas seus valores conservadores (Hebe eu diria que reproduz os valores pré-primeira guerra mundial onde mulher ‘decente’ deveria conseguir um ‘bom casamento’, ler revista feminina em busca de receitas e de conselhos pra educar os filhos).

É fato que o cenário principal do programa da Ana Maria Braga é a cozinha, espaço privado da casa, visto como de domínio ‘natural’ das mulheres, esses sujeitos estranhos que sagram todos os meses em idade fértil, e para as quais ainda há machista que nos reservam o papel de ‘rainha do lar’: responsável pela higiene da casa, alimentação da família, educação dos filhos.

Já caminhamos distâncias astronômicas em relação a este papel restrito e restritivo, mas nem todas temos discursos politizados contra o machismo. Muitas das telespectadoras de Ana Maria Braga são donas de casa, gostam de cozinhar e, apesar de se ajustarem ao perfil ‘do lar’, são chefes de seus lares, têm dupla, tripla jornadas. Por isso,  Dilma Rousseff ter sido a entrevistada abre um campo novo naquele cenário doméstico e idílico do Mais Você. E a presidenta (que está se saindo um ‘animal político’ melhor do que encomenda) olhava pra câmera, sorria inúmeras vezes, falava com doçura e atenção, olho no olho, de ‘mulher pra mulher’.

Em cada fala de Dilma, (acompanhada de uma edição cuidadosa e camarada) sobre os preconceitos contra mulher, também vividos por ela (quando aprendia a dirigir por exemplo), ou no campo amoroso (o carinho de seu ex-companheiro), do amor fraternal das amigas, vizinhas, a imagem de avó carinhosa com o neto e também com as crianças da escola infantil em seu aniversário, construíam uma imagem de Dilma extremamente humanizada.

A Dilma é uma de nós, é como nós!  As telespectadoras puderam ouvi-la, se reconhecerem na presidenta, compreenderem e aprovarem as políticas públicas de seu governo voltada para esta parcela da população.  Enquanto isso Dilma que é melhor presidenta que cozinheira ia quebrando os ovos, falando do salário mínimo (entendido pelos sindicatos como arrocho), versava com segurança sobre a macro economia e aprontava o seu omelete com bicarbonato de sódio, aprovado pelo louro José, pela Ana Maria Braga.

Quanto a mim, retenho na memória o dia deste abraço sincero. Sou mulher de fibra e sei que Dilma também é e sabe disso

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