Dilma endurece com EUA; Snowden agradece oferta de asilo na AL

Como, desta vez, a Presidenta Dilma Rousseff não foi copidescada pela dupla Cardozo-Bernardo, o “núcleo mole” do Governo brasileiro, ela falou com todas as letras sobre a espionagem americana nas telecomunicações mundiais (e brasileiras!) na reunião do Mercosul, em Montevidéu:

“Defendemos que a soberania, a segurança de nossos países, a privacidade de nossas comunicações, a privacidade de nossos cidadãos, a privacidade de nossas empresas, devem ser preservadas, e esse é o momento de demonstrar um limite para o Mercosul. O governo e o povo brasileiro não transigem com sua soberania, como eu tenho certeza, os governos e os povos que integram o Mercosul não transigem com a deles.”

A Presidenta atacou duramente os governos que negaram pouso ao avião do Presidente Evo Morales, da Bolívia, por ordem dos Estados Unidos, que cismaram que ele estaria “contrabandeando” o ex-agente da CIA e da NSA (Agência de Segurança Nacional , na sigla em inglês), Edward Snowden, retido em Moscou.

“Queria dirigir um cumprimento muito especial e solidário ao presidente Evo Morales. Esse cumprimento faz parte da convicção de que esta região não pode deixar de manifestar o mais integral repúdio ao tratamento dispensado aonde nossos presidente por países europeus. Cada um de nós tem de defender essa posição de repúdio só por causa do presidente Evo Morales, mas porque uma parte de cada um de nós, presidentes de países latino-americanos, foi ofendida e foi de fato atingida por esse ato.

Dilma apoiou expressamente, ainda,  as ofertas de asilo feitas pela Venezuela, Equador e Bolívia ao ex-agente.

– Queria também saudar a decisão de afirmação no âmbito do Mercosul do direito ao asilo.

Hoje, através do Wikileaks, Snowden – que está sendo caçado pelos americanos por ter revelado a operação de espionagem mundial –  distribuiu uma declaração em que agradece à Rússia por abrigá-lo temporariamente e manifestou sua intenção de aceitar o asilo oferecido pelos países latinoamericanos.

“Mesmo diante desta agressão desproporcional historicamente, os países ao redor do mundo têm oferecido apoio e asilo. Essas nações, incluindo a Rússia, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador têm a minha gratidão e respeito por serem as primeiras a se levantar contra as violações dos direitos humanos(…)Recusando-se a comprometer os seus princípios em face da intimidação, eles ganharam o respeito do mundo. É minha intenção de viajar para cada um desses países para estender os meus agradecimentos pessoais a seus povos e líderes.”

Por: Fernando Brito em Tijolaço

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Integração da América do Sul passa por “choque de inclusão”, diz Lula

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
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O ex-presidente Lula disse nesta segunda-feira que a integração da América do Sul passa por um choque de inclusão, e apontou a burocracia e a falta de conhecimento sobre o tema como dois dos principais entraves. Lula se encontrou com 36 intelectuais da América do Sul nesta segunda-feira (21) para discutir caminhos progressistas para o desenvolvimento e integração do subcontinente. Participaram do encontro personagens com destaque não só no campo acadêmico, mas que também já passaram por experiências políticas em governos progressistas da América do Sul. Estiveram presentes ministros, senadores e deputados.

Para baixar fotos em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.

Luiz Dulci, ex-ministro e coordenador da Iniciativa América Latina dentro do Instituto Lula mostrou-se animado para continuar esse debate, seguindo uma sugestão de do ex-presidente, levando-o a um circuito de universidades em diversos países. Este foi o segundo de uma série de encontros que o Instituto Lula promove sobre o tema. Em agosto do ano passado, houve uma reunião com representantes de organizações sociais. O próximo acontece com empresários da região.

Diversas intervenções dos intelectuais coincidiram ao apontar a necessidade de uma ênfase na inovação, na técnica e na indústria com maior valor agregado. “Brasil e Argentina vendem juntos dois terços das proteínas do mundo, mas não agregam valor a esses bens”, disse o economista argentino Bernardo Kosacoff, ex-diretor da Cepal, lembrando que é necessário aproveitar o enorme mercado interno da região e “levantar nossa auto-estima”. O senador uruguaio Alberto Curiel, também enfatizou a necessidade de infraestrutura produtiva integrada e mais valor agregado aos produtos da região. “Temos vários desafios que eu não sei como resolver. É preciso falar com empresários, o Lula está fazendo isso, é preciso falar com trabalhadores, o Lula está fazendo isso, é preciso falar com movimentos sociais, e o Lula já fez isso…”

As questões da integração da estrutura produtiva e da necessidade de inovação e do investimento em indústria de maior valor agregado também foram levantadas por vários participantes do encontro. A professora Ingrid Sarti, presidente do Fórum Universitário do Mercosul (FoMerco) comemorou a contribuição que o Instituto Lula vem dar ao tema. “Como professora, faço parte desse trabalho árduo de pesquisa, que muitas vezes acaba engavetado. É muito importante que o Instituto Lula possa ser um motor dessa articulação e dar algum auxílio à formação de políticas públicas”.

O desejo de ver essa discussão virando prática não foi só da professora Ingrid. Marcio Pochmmann, presidente da Fundação Perseu Abramo disse que na América do Sul existem duas velocidades de integração, a das multinacionais e a dos governos. E apontou que os governos não seguem a mesma velocidade das multinacionais, que tem sido muito maior. Pablo Gentilli, secretário-executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), pediu uma integração na educação, especialmente na pós-graduação e destacou a necessidade do compartilhamento em uma rede aberta de ensino, na internet, de todo conhecimento produzido sobre integração no continente.

As propostas dos participantes serão reunidas em um plano de trabalho conjunto que será compartilhado pelo Instituto Lula com os participantes.

Paticiparam:

BRASIL
Marco Aurélio Garcia – assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais 
Samuel Pinheiro Guimarães Neto – professor do Instituto Rio Branco
Marilena de Souza Chauí – filósofa e historiadora
Emir Simão Sader – cientista político, secretário executivo do Clacso 
 Celso Luiz Nunes Amorim – Ministro da Defesa 
Ingrid Sarti – Presidenta do Fomerco
Luciano Coutinho – Presidente do BNDES
Wanderley Guilherme dos Santos – cientista político da UFRJ 
Ricardo de Medeiros Carneiro – diretor executivo para o Brasil e Suriname do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) 
 Antônio Prado – secretário adjunto da Cepal
José Viegas Filho, diplomata, ex-ministro, presidente Centro Celso Furtado
Marcio Pochmann – presidente da Fundação Perseu Abramo
Theotonio dos Santos Júnior – economista UFF 
José Gomes Temporão – diretor executivo do Instituto Sul-americano de Governo em Saúde
Marcos Ferreira da Costa Lima – cientista político da UFPE
Valter Pomar, secretário Executivo do Foro São Paulo
Pablo Gentili, secretário-executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso) 
Luiz Dulci, coordenador da Iniciativa América Latina no Instituto Lula ARGENTINA
Horácio González – sociólogo , diretor geral da Biblioteca Nacional
Aldo Ferrer – economista, embaixador da Argentina na França 
Bernardo Kosacoff – economista, ex-diretor da Cepal
 
BOLÍVIA
Moira Paz Estenssoro, diretora da CAF – Corporação Andina de Fomento Ivonne Farah, cientista política, Clacso 
COLÔMBIA
Gustavo Petro Urrego, economista, prefeito de Bogotá
URUGUAI
Alberto Couriel – economista, senador, atual vice-presidente do Senado
Alvaro Padrón – cientista político, professor da Universidad de la República, diretor da Fundação Friedrich Ebert
Christian Mirza – diretor geral do Instituto Social do Mercosul 
 
PARAGUAI
Gustavo Codas – economista, ex-diretor geral da Itaipu Binacional
Jorge Lara Castro – jurista, professor da Universidade Católica de Assunção, ex-ministro de Relações Exteriores
VENEZUELA
Ana María Sanjuán – consultora sênior para questões de democracia, Estado e Segurança da CAF
 
CHILE
Carlos Ominami – economista, ex-ministro da Economia, presidente da Fundação Chile 21 
Luis Maira – cientista político, ex-ministro do Planejamento e Cooperação
 
EQUADOR
Enrique Ayala Mora – historiador, reitor da Universidade Andina Simón Bolívar

Deputado paraguaio negocia instalação de base militar norte-americana

López Chavez afirmou que representantes do Pentágono visitaram o Paraguai dias após a destituição de Fernando Lugo

Por: do Opera Mundi

 

São Paulo – O presidente da comissão da Defesa Nacional, Segurança e Ordem Interna da Câmara de Deputados do Paraguai, José López Chavez, anunciou nesta sexta-feira (06/07) que negocia a possibilidade de instalar uma base militar norte-americana em território paraguaio. Ele afirma que manteve conversas com generais dos Estados Unidos sobre o assunto.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o deputado afirmou que representantes do Pentágono visitaram o Paraguai dias após a destituição de Fernando Lugo da Presidência do país. López Chávez é aliado do general Lino Oviedo, líder da Unace (União Nacional de Cidadãos Éticos), partido de centro-direita que não faz parte da bancada governista. Os militares norte-americanos teriam ido a Assunção para conversas sobre programas de cooperação.

De acordo com o presidente da comissão paraguaia, a ideia é instalar a base no vilarejo de Mariscal Estigarribia, perto da fronteira com a Bolívia. López Chávez justificou o pedido alegando que a Bolívia está realizando uma corrida armamentista e que o Paraguai precisa proteger essa área pouco povoada do país.

Em 2005, houve um intenso debate em Assunção sobre a conveniência de permitir uma base no local. Na época, o presidente era Nicanor Duarte Frutos, do Partido Colorado. Na ocasião, uma resolução autorizou a presença e livre trânsito de 500 marines norte-americanos. Entretanto, no governo Lugo, a proposta de criação da base foi arquivada.

Contra o golpe no Paraguai

Mijando no Rio Sena (uma análise da crise européia) (via @migueldorosario)

(Esta mulher com pose lânguida e doce lembra-me a Europa, continente melancólico, pessimista, mas sempre idealista e apaixonado pela liberdade. A pintura é de Modigliani. Lembrete: o Óleo do Diabo será atualizado aos sábados.)

A Europa não está em crise. Muito pelo contrário, o Velho Continente vive o seu apogeu político, econômico e social. A mesma coisa vale para os Estados Unidos, mas concentrar-me-ei na Europa neste breve ensaio, para não me estender muito.

Muita gente acreditará que essas afirmações saem da boca de um louco furioso, de um palhaço, de um imbecil.

Mas é o que eu afirmo. E provo.

Crise, quem vive hoje é o continente africano, os países árabes, e muitas regiões ou países da América Latina. Aí encontraremos, em magnitude jurássica, fome, violência, doenças, corrupção e ditadura.

A Europa vive uma crise de obesidade, provocada pelo excesso de bem estar e riqueza.

A vida média de seus cidadãos registrou um salto nos últimos 30 anos, sobrecarregando os sistemas previdenciários, cujos déficits monstruosos representam um dos problemas mais graves nas contas públicas dos estados europeus.Não só as pessoas estão vivendo mais, como a taxa de natalidade caiu, elevando substancialmente o percentual da população economicamente não-ativa.

Naturalmente, alguns países europeus enfrentam problemas financeiros graves. Em Espanha e Grécia, o desemprego atingiu níveis alarmantes.

Não estou dizendo que a situação européia é perfeita. O problema é analisá-la com base num conjunto exíguo de dados, e por um período curto de tempo.

Se olharmos para história da Europa dos últimos sessenta anos, o que veremos? Guerras, miséria, destruição. Para não irmos muito longe, vamos nos limitar aos últimos 20 ou 30 anos.

As grandes e médias cidades européias de hoje tem sistemas de transporte público, saneamento, educação e saúde muito melhores do que possuíam há vinte anos. Há bibliotecas públicas em cada bairro. Portos, aeroportos, estradas, ferrovias, a Europa avançou em todos esses segmentos. Há projetos grandiosos, iniciados há vinte anos, que só foram concluídos há pouco. Penso em Paris, por exemplo. O metrô de Paris, inaugurado no início do século XX, conecta-se aos trens que levam às periferias e aos trens que levam a outras regiões da França e Europa. Todo esse sistema tem sido melhorado década após década, e tenho certeza que é bem superior hoje do que era há quinze anos.

Falam-se em corte dos programas sociais, é verdade, mas são cortes pontuais. A estrutura do bem estar social na Europa se mantém intacta: uma previdência social universalizada. Não é preciso sequer contribuir para se aposentar na Europa. Todos tem direito, o que é o supra-sumo do humanismo, pois parte da premissa de que todo ser humano é, de uma forma ou outra, um trabalhador, mesmo que não integre um sistema formal. Essa universalização da previdência só pode ter sido atingida há poucos anos, visto que começou a ser implementada a partir da década de 60 ou 70.

A “crise” européia, na verdade, reflete duas transformações fundamentais no planeta:

  • Uma reviravolta profunda na divisão internacional do trabalho, com migração de setores inteiros da indústria global para a China.
  • Uma depressão pós-imperialista muito forte no europeu. Depois da II Guerra, a Europa continuou dominando colonialmente (explicitamente ou não) grande parte do planeta, especialmente a África e partes da Ásia. Esta situação permitiu um conforto financeiro que permitiu a seus governos promoverem um generoso Estado de Bem Estar Social. Aliás, essa é uma verdade dura que os europeus tem dificuldade de enxergar: a vida confortável do europeu foi construída, em grande parte, em detrimento do continente africano, que fornecia matéria-prima e mão-de-obra baratas e comprava produtos europeus.
Quando a Ásia começa a produzir as mesmas mercadorias e a exportá-las a preço mais competitivo, a Europa faz uma transição difícil, que ainda está em curso: sua economia desloca-se cada vez mais para o setor de alta tecnologia e serviços.  Como alta tecnologia, não me refiro somente a produtos de informática, que aliás também já estão sendo produzidos, em sua maior parte, na China, mas sobretudo a máquinas de alta precisão, medicamentos, produtos químicos.
É preciso sempre lembrar, todavia, que à medida em que novos pólos industriais se consolidam fora da Europa e EUA, criam-se igualmente gigantescos novos mercados, fortemente interessados numa série de produtos do primeiro mundo. O faturamento da indústria de entretenimento norte-americana na Ásia, hoje, indica que possivelmente em pouco tempo este poderá ser o seu maior mercado. A quantidade de turistas que viaja à Europa também tem crescido exponencialmente.
Ou seja, a economia mundial tende ao equilíbrio, mesmo que aos repuxões. A Europa, na verdade, é uma das regiões que melhor enfrenta essa travessia, visto que possui vastos programas de assistência social, que amortecem os prejuízos humanos inevitáveis.
Nós, da América Latina, enfrentamos uma violenta transição econômica nos anos 90, sem nenhuma ajuda do Estado. Ao contrário. A Europa baixa os juros na crise, o Brasil aumentava. A crise européia não gera inflação; nós experimentamos processos desumanos de hiperinflação. Os gregos estão desesperados porque o governo determinou uma redução de 20% do salário mínimo e corte no salário do funcionalismo público. Nós vivemos décadas de corrosão do salário mínimo, que chegou ao fundo do poço em meados dos anos 90, quando ficou inferior a 40 dólares. O funcionalismo público brasileiro também experimentou contínua redução de salário (via inflação) durante muito tempo.
O que a Europa vive hoje são as convulsões de um renascimento como um continente ainda mais unido. A decisão de realizar a união fiscal dos países, por exemplo, aponta para uma unificação muito mais consistente.
Acho exagero as análises que, referindo-se à Grécia, falam em novo colonialismo. O governo grego é democrático, e suas decisões, difíceis e polêmicas, representaram uma escolha soberana. A Grécia poderia ter optado por sair da zona do euro, mas todas as pesquisas apontavam o desejo do povo grego de continuar participando da união monetária.

Alguns textos, mais superficiais, falaram em época dourada dos gregos. Isso é bobagem. Só é possível entender a Grécia a partir de sua história moderna, após a II Guerra. A Grécia também viveu séculos de opressão, miséria e falta de esperança. Somente nas últimas décadas o país encontrou uma estabilidade que possibilitou aos gregos gozar de um período de calma prosperidade. Vimos, porém, que o país cometeu erros macroeconômicos terríveis, que deveriam ter sido solucionados há muitos anos.

A Grécia sofreu ainda dois impactos desindustrializantes: com a União Européia, passou a ser mais barato comprar da Alemanha do que das indústrias locais; e a China não fica longe. Não acho, porém, que devemos gastar nossa piedade com a Grécia, visto que nós, brasileiros, temos um percentual de miséria muito maior do que na pátria de Sófocles; e logo ali abaixo tem início o continente africano, cujos países ainda experimentam suplícios que fazem da crise grega uma comichãozinha desagradável. O desemprego é muito alto na Grécia, mas quase ninguém passa fome.

A chamada crise na Europa reflete também o fracasso econômico de suas ex-colônias na África. E a culpa recai mais uma vez sobre a própria Europa, que não investiu de maneira inteligente e sustentável nesses países, preferindo financiar ongs assistencialistas que jamais contribuíram para um desenvolvimento econômico concreto (em termos agrícolas e industriais, por exemplo) do continente negro.

Mas a África está crescendo, o que vai beneficiar a Europa no médio e longo prazo, na medida em que criará novos mercados para os serviços e produtos europeus.

O mais famoso poema de Leopardi, o maior poeta italiano depois de Dante, intitula-se O infinito. É um poema curto e belo como um orgasmo. Fala de uma colina de onde o poeta pode admirar o horizonte, e fruir o silêncio profundo que lhe faz pensar no infinito. Em seus ouvidos, porém, lhe chega o som do vento agitando as folhas das árvores; daí ele compara aquele “infinito silenzio a questa voce”, e vem-lhe a consciência do eterno, das eras mortas e das presentes e vivas. Termina com uma (raríssima na prosa leopardiana, quase sempre pessimista e melancólica) nota de alegria suave e transcendente: “Assim, nesta imensidão se afoga o meu pensamento: e o naufragar me é doce neste mar”.

Minha opinião sobre a crise européia lembra esse poema. Eu a vejo como o ruído do vento agitando as folhas, e o comparo ao silêncio profundo das eras mortas, com seus massacres, seus atos de clamorosa injustiça, suas belas e cruéis revoluções, séculos e séculos de fome, miséria, desesperança, guerras. Meditando nesse quadro assombroso de sofrimento, a maior parte dele já superado, sinto uma doçura imensa quando me sento à beira do Sena, na pontinha da Ile de la Cité, numa tarde tão gélida que não há ninguém por perto.

Acompanhado por um pacote com seis long-necks Leffen, pelas quais paguei menos de sessenta centavos cada, contemplo as ondinhas brilhantes de suas águas. De vez em quando, levanto-me, confiro se nenhum barco está passando, e mijo solene e elegantemente no rio, chorando e rindo ao mesmo tempo ao pensar na ironia fraterna de Voltaire, na escatologia cômica de Rabelais, na emoção quase piegas de Jules Michelet ao analisar a Revolução Francesa – e na inacreditável inocência e simplicidade de espírito com a qual o pobretão Rousseau mudou o mundo.

 

(Pontinha da Ile de La Cité, o coração histórico de Paris)

 

(Ile de la Cité)

*

Sempre caro mi fu quest’ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte
dell’ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma sedendo e mirando, interminati
spazi di là da quela, e sovrumani
silenzi, e profondissima quiete
io nel pienser mi fingo; ove per poco
il cor non si spaura. E come il vento
odo stormir tra queste plante, io quello
infinito silenzio a questa voce
vo comparando: e mi sovvien l’eterno
e le morte stagioni, e la presente
e viva, e il suon di lei. Cosí tra questa
immensità s’annega il pienser mio:
e il naufragar m’é dolce in questo mare.

Giacomo Leopardi

*

Sempre me foi caro esse monte solitário
e estas árvores, que de vários pontos
escondem o horizonte.
Sentado e contemplando os intermináveis
espaços desde lá até as árvores, e os sobrehumanos
silêncios, e sua profunda calma,
eu mergulho em fantasia; e por pouco
o coração não pára. E ouvindo o vento
bramir entre as plantas, eu
comparo o infinito silêncio a esta voz (do vento)
e me sobrevêm o eterno
e as mortas estações e a presente
e viva, e o som delas. Assim, em meio a esta
imensidade se afunda meu pensamento:
e naufragar é doce neste mar.

(Tradução: Miguel do Rosário)

Investimento externo no Brasil foi recorde em 2010

O Istimento estrangeiro direto (IED) no Brasil subiu 87% no ano passado e bateu o recorde de 2009, de acordo com comunicado da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe(Cepal),divulgado nesta quarta-feira (4).

“O Brasil foi o maior receptor da América Latina e do Caribe. As entradas de IED tiveram aumento recorde de 87%, passando de R$ 41,3 bilhões em 2009 para R$ 76,9 bilhões em 2010″, informa a Cepal.

O México, com R$ 28,1 bilhões, foi o segundo país que mais recebeu IED, seguido por Chile (R$ 24 bi), Peru (R$11,6 bi), Colômbia (R$ 10,8 bi) e Argentina (R$ 9,8 bi).

A economia brasileira também foi a que realizou o segundo maior volume de investimentos em outros países, com cerca de R$ 18,2 bilhões, ficando atrás somente do México (R$ 20,1 bi).

Os Estados Unidos ainda são o principal investidor na América Latina e Caribe, respondendo por 17% do IED. Países Baixos (13%), China (9%), Canadá (4%) e Espanha (4%) formam a lista dos cinco principais investidores.

A Cepal destaca que a América Latina e o Caribe são a região do mundo na qual o IED mais cresceu, tanto em recepção, quanto em emissão de investimentos. A entidade ressalta que, enquanto os IEDs estão cada vez menores nos países desenvolvidos, registrando menos 7% no ano passado, as nações latino-americanas e caribenhas estão em franca expansão nos últimos três anos, com crescimento de 10%. Para 2011, a Cepal estima que o aumento de IED seja entre 15% e 25% na região.

Fonte: Brasília Confidencial

Jornada Continental Contra as Bases Militares Estrangeiras

A campanha América Latina é de Paz – Fora Bases Militares Estrangeiras o convida a participar do debate “América Latina em luta contra o intervencionismo militar dos EUA” a ser realizado no dia 10 de dezembro, no marco da jornada continental contra as bases militares estrangeiras.

O debate contará com pensadores comprometidos e lideranças sociais, que analisaram os distintos intentos de ampliação do poderio bélico dos EUA em nossa região, como a situação das bases na Colômbia, os golpes militares de Honduras e Equador, além da presença da OTAN nas águas do Atlântico Sul. O debate servirá para prestarmos nossa solidariedade ao povo haitiano e aos movimentos que estão em luta em nosso continente.

Somos um continente rebelde e de paz, que não se dobrará ao imperialismo e as suas políticas de guerra. Vamos debater nossas estratégias de ação para desde as ruas fazer da América Latina uma região livre de bases militares estrangeiras.

Local: Câmara Municipal de São Paulo

Dia 10 de dezembro

As 18:00

Contamos com a presença de todo/as.

Secretaria
JUBILEU SUL BRASIL
Tel. (+55) 11 3112 1524

Fax. (+55) 11 3105 9702

www.jubileubrasil.org.br

Fonte: pagina13.org.br

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