Câmara cancela sessão e ‘esforço concentrado’ fracassa após invasão.

Eduardo Bresciani

Do G1, em Brasília

Policiais continuam manifestação iniciada ontem nas dependências da Câmara pedindo a aprovação da PEC 308/04
Policiais continuam manifestação iniciada ontem
nas dependências da Câmara pedindo a aprovação
da PEC 308/04 (Foto: Antonio Cruz/ABr)

A Câmara dos Deputados não terá mais sessão para a votação de projetos até as eleições. A medida foi tomada depois da invasão do salão verde da Casa, que aconteceu na terça-feira (17).

Os manifestantes continuam no local e a sessão da tarde desta quarta-feira (18) foi cancelada. Com isso, o “esforço concentrado” prometido pela Casa fracassou novamente. Desde julho, quando entrou em recesso, o plenário da Casa não aprovou nenhum projeto.

A assessoria do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), atribuiu o cancelamento a questões de segurança. Segundo a assessoria, durante a invasão, servidores da Casa teriam sido agredidos pelos manifestantes e não haveria segurança para realizar a sessão no plenário. Contribuiu também para o cancelamento a falta de acordo entre os líderes sobre a pauta.

A manifestação na Câmara é realizada por policiais, bombeiros e agentes penitenciários. Eles cobram a votação de projetos de interesse de suas categorias. A primeira proposta cria um piso salarial nacional para policiais e bombeiros. A proposta já foi aprovada em primeiro turno, mas por alterar a Constituição tem de passar por nova votação antes de seguir para o Senado Federal.

A segunda proposta transforma os agentes penitenciários em polícia penal. Esta proposta também precisa de dois turnos e sequer entrou na pauta de votação.

O 1º vice-presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou que a decisão de cancelar a sessão foi tomada após consulta aos líderes partidários. Segundo ele, o cancelamento se deveu à soma da falta de acordo com os problemas causados pela invasão. Ele recebeu líderes dos manifestantes para comunicar a decisão de cancelar o “esforço concentrado”.

“A confusão corroborou para isso acontecer. Já não tinha uma vontade dos líderes nem qualquer acordo para voltar nenhuma matéria”, afirmou Maia.

Medidas Provisórias

Com a decisão de não realizar votações até as eleições a Câmara fará com que três medidas provisórias percam a validade. Elas tratam de um aporte de R$ 80 bilhões para o BNDES e das Olimpíadas de 2016.

O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), já afirmou na terça-feira que não haveria problemas em “perder” as MPs. Além de um decreto convalidando as ações já feitas, é possível fazer novas MPs tratando dos temas das que perdem a validade, ainda que não se possa manter o mesmo texto.

Sem acordo, agentes penitenciários deixam Câmara

NANCY DUTRA
DE BRASÍLIA

Os agentes penitenciários que ocupavam a Câmara dos Deputados desde a noite de ontem deixaram o local nesta quarta-feira sem ter garantias da votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que cria a Polícia Penal.

Entoando o hino nacional, os manifestantes deixaram a Câmara pacificamente. Ontem, os guardas penitenciários entraram em confronto com seguranças da Polícia Legislativa que impediam a passagem deles até o salão verde, que dá acesso ao plenário.

Antes de saírem da Câmara, o grupo, de cerca de 200 pessoas, aprovou um indicativo de greve nacional da categoria. De acordo com Jânio Gandra, presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis, serão realizadas assembleias nos Estados para decidir a paralisação.

No começo da tarde de hoje, Gandra e outros líderes do movimento conversaram com o vice-presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), que repassou aos manifestantes a mensagem do presidente Michel Temer (PMDB-SP).

Segundo eles, Temer afirmou que nenhum projeto seria aprovado por falta de acordo entre governo e oposição. O peemedebista, que é vice na chapa da petista Dilma Rousseff à Presidência, não esteve na Câmara hoje.

Fonte: Folha de São Paulo

Em debate Mercadante e Russomano batem em segurança, saúde e educação da gestão Alckmin

17/08/2010

Mercadante (PT) e Celso Russomanno (PP) aproveitaram o primeiro bloco do debate promovido nesta terça-feira (17/8) pelo jornal Folha de S.Paulo e o portal UOL para atacar as áreas de saúde, segurança e da educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Por sua vez, o tucano resolveu atacar a falta de investimentos do governo federal em sua gestão

“Não vou fazer como outros e transferir a responsabilidade. Vamos equacionar e resolver. No governo do Alckmin, o crime organizado tomou conta dos presídios. Temos que separar os presos por grau de periculosidade, temos que fazer a lei de monitoramento eletrônico dos presos, temos que ter pensas alternativas para os crimes de menor periculosidade e prender quem tem que ser preso”, respondeu Mercadante.

Segundo ele, existem quatro mil vagas em presídios de segurança máxima e o governo paulista não mandou nenhum preso para essas unidade.

De acordo com ele, hoje já existem equipamentos, como radiografias, que mostram até os ossos do corpo, que poderiam ser usados na porta de presídios, para visitantes e presos, verificando a presença de celulares no corpo das pessoas.

“Sem comunicação, sem celular, os presos não podem comandar o crime organizado aqui fora. Deve-se combater a entrada de celulares no presídio”, defendeu o candidato do PP.

Ele também diz que o agente penitenciário tem que ser submetido a exames toxicológicos a cada seis meses.

Outro ponto em debate foi a valorização dos policiais. “Nós precisamos, além de reorganizar o sistema prisional, integrar a rede de inteligência da polícia e fazer com que os policiais tenham uma carreira. Nós não temos uma política de segurança em São Paulo. Os salários dos delegados daqui são os mais baixos do país e o governo paulista quer impedir a publicidade disso”, afirmou Mercadante, que defendeu ainda mais policiamento nos bairros, aproximar mais a polícia da sociedade e colocar o batalhão na porta da escola para evitar o envolvimento dos jovens.

Fonte: Portal Uol

Segurança Pública mata mais do que reprime em SP e não inibe assaltos nem a shoppings.

PRESíDIOS

Atraso no monitoramento de presos e domínio do PCC revelam falência do sistema carcerário
 

 
 

A recente onda de ataques criminosos em São Paulo e a proximidade do Dia dos Pais, que garante indulto à população carcerária, preocupam a população e os especialistas em Segurança Pública. A adoção do monitoramento eletrônico de presos paulistas, uma medida preventiva que aumentaria a segurança nos períodos de indulto, está atrasada há mais de um ano.

Reflexo da equivocada política de Segurança Pública implantada em São Paulo, o descontrole no uso da força policial contrasta com o aumento da criminalidade no Estado. Até os shoppings centers, sempre considerados seguros, tornaram-se alvo da violência. Foram 12 assaltos em menos de 8 meses. 

No último, ocorrido no dia 07 de agosto, dois seguranças foram baleados durante assaltos a duas joalherias no Shopping Santana; um deles está internado em estado grave, com uma bala alojada na coluna. Os assaltantes levaram o equivalente a R$ 250 mil em joias. Foi o 14º assalto a joalherias em 2010. 

Por outro lado, a repressão policial deixa um número cada vez maior de mortos. Logo após o atentado contra o comandante da Rota, tenente-coronel Paulo Adriano Telhada, a Polícia paulista matou sete pessoas em um intervalo de 36 horas, um número seis vezes maior do que a média diária de tiroteios com mortes, registrada no primeiro trimestre deste ano. 

Chama a atenção também o fato de que os arquivos da Rota registram em 2010 somente mortos, e não feridos, em supostos confrontos. Para especialistas, o dado é reflexo de um descontrole que atinge principalmente jovens da periferia, já que a expectativa em relação à repressão legítima à criminalidade é de que haja uma proporção maior de feridos. 

Na última década, o número de mortos em abordagens e supostos confrontos policiais subiu de 400 para 800. Os policiais também são vitimados; só que neste caso, o número de feridos é maior. 

Falta Inteligência 

Ex-subsecretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Guaracy Mingardi, defende a priorização de políticas publicas consistentes nas áreas de Segurança e de Administração Penitenciária para controlar o uso da força policial e também livrar a sociedade do crime organizado, que pode ser o autor dos ataques contra a Rota. 

Para Mingardi, o Estado precisa de um sistema de inteligência criminal que articule as diversas polícias estaduais, no combate ao crime. “Há vários anos, a máquina do Estado paulista esta tapando os olhos, deixando crescer uma instituição que poderá rivalizar com seu poder. E quando se der conta, será preciso uma guerra civil para resolver o problema”, alerta Mingardi em entrevista publicada no Jornal O Estado de São Paulo no último domingo (08/08). 

Criado durante os 16 anos da gestão tucana em São Paulo por um grupo de criminosos que percebeu o potencial da população carcerária paulista, submetida a péssimas condições de higiene, à superlotação e sem direito a serviços de saúde e defensoria, o Primeiro Comando da Capital se organizou e assumiu proporções assustadoras. 

Em referência ao grupo, Guaracy Mingardi disse ainda que “existe uma política deliberada da Secretaria de Segurança Publica de não mencionar o PCC, não discutir o PCC, não falar que o PCC manda nas cadeias, como de fato, manda. Fala-se em facção que controla as cadeias. Não é facção. Facção é uma parte. Aquilo não é uma parte, é um todo. É como se, ao não mencionar o nome, você o exorcizasse ou fingisse para a opinião pública que o assunto não existe.”.

Polícia paulista matou oito pessoas após atentados.

do Brasília Confidencial de admin

    Pelo menos oito pessoas foram mortas pela polícia paulista entre a manhã de domingo e o início da noite passada, no que seria um revide das forças estaduais de segurança aos atentados de que foram alvos o comandante e o quartel da tropa especial da PM, na manhã de sábado e na madrugada de domingo. Todos os oito assassinatos foram registrados como auto de resistência ou resistência seguida de morte.

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Polícia paulista aponta indícios de retaliação do PCC ao trabalho da polícia.

do Brasília Confidencial

    As primeiras investigações da Polícia Civil indicam que pode ter havido uma retaliação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC.

    Nas últimas semanas a PM prendeu alguns líderes do PCC, matou outro e apreendeu uma carga de cocaína que pertenceria à facção. E, no dia 29, mais um criminoso ligado ao grupo, José Ronaldo da Silva, foi morto por dois policiais da Rota, durante um assalto. Os policiais descobriram, então, que ele tinha uma submetralhadora e uma pistola calibre 45 de uso restrito das Forças Armadas, sem numeração. Além disso, exibia no corpo tatuagens com símbolos do PCC.

    O ataque ao quartel da Rota na madrugada de domingo, segundo a polícia, teve características de ação suicida, porque o atacante que foi morto, Frank Ligieri Sons, se expôs à reação dos PMs com chances mínimas de sobreviver. Policiais acreditam que Frank, recém-saído da cadeia, estava em dívida com o PCC e foi obrigado a cumprir a missão. Frank era acusado de ter estuprado a filha, cujo nome tinha tatuado no peito. Há suspeita de que foi da arma que estava com ele que saíram os 12 disparos feitos na manhã de sábado contra o comandante da Rota, tenente-coronel Paulo Telhada.

    Um terceiro detalhe divulgado ontem ajuda a caracterizar a onda de ataques contra a PM. Era no depósito policial de carros apreendidos, na zona leste de São Paulo, que estava a maioria dos quase 15 veículos incendiados na madrugada de domingo.

    Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o comandante da Rota afirmou que “as ações foram realizadas a mando de expoentes do crime organizado”.

Na madrugada de domingo, aproximadamente 15 veículos foram incendiados em bairros da zona leste da capital. Mais três veículos incendiados em São Paulo

Brasília Confidencial

Dois automóveis e um ônibus foram incendiados na cidade de São Paulo e em São Bernardo, durante a madrugada de terça feira, no que parece ser a continuação da série de ataques iniciada na manhã de sábado com o atentado de que foi alvo o comandante da Rota, a tropa especial da PM paulista.

     Na madrugada de domingo, aproximadamente 15 veículos foram incendiados em bairros da zona leste da capital. Nesta terça-feira, os criminosos atearam fogo em carros estacionados na região central e, novamente, num bairro da zona leste. Em São Bernardo, pouco depois das 5h, dois homens armados sequestraram um ônibus, fizeram o motorista, o cobrador e os passageiros descerem e incendiaram o veículo usando um coquetel molotov. Na noite passada, a polícia informou ter prendido um suspeito do ataque ao ônibus.

     As investigações sobre o atentado ao comandante da Rota, tenente-coronel Paulo Roberto Telhada, foram assumidas ontem pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. O oficial prestou depoimento. O ataque ao quartel da Rota, praticado na madrugada de domingo, também está sob investigação da Polícia Civil, que anunciou a decisão de ouvir o ex-sargento PM Ronaldo Ligieri Sons. Irmão de Frank Sons, que a polícia diz ter matado durante o atentado ao quartel, Ronaldo saiu da corporação no fim de março. Os investigadores da Polícia Civil e também da PM tentam descobrir se Frank, através do irmão, tinha ligações com a Rota. É possível que ele fosse informante da tropa de elite da Polícia Militar.

    Em nota, Ronaldo se declarou surpreso com a informação de que seu irmão estava envolvido no ataque ao quartel. Acrescentou que não tinha contato com Frank há mais de seis anos. Já a viúva de Frank não acredita na versão policial de que seu marido atacou o quartel. Desconfia de que ele foi detido em outro lugar e executado.

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