Henrique de Souza Filho (via blogdopoleto)

 

 

PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA A TRIBUNA  

 

 

Henrique de Souza Filho

 

“…meu Brasil!…Que sonha com a volta do irmão do Henfil. Com tanta gente que partiu…”

Dia 04 de janeiro, sexta-feira, vários centros de Hematologia e Hemoterapia deste Brasil Brasileiro lembraram, o dia nacional do hemofílico. Uma homenagem ao cartunista Henfil, morto nesta data em 1988. A doença foi difundida na mídia no Brasil quando o sociólogo Betinho e os irmãos dele, o cartunista Henfil e o compositor Chico Mário, morreram após contraírem a AIDS em transfusões de componentes sanguíneos a que eram submetidos, periodicamente, devido à hemofilia. No dia 04 de janeiro, completaram-se 25 anos da morte do cartunista, desenhista, jornalista e escritor brasileiro, Henrique de Souza Filho, o Henfil, ocorrida em 1988. Foi Drummond quem deu o nome Henfil (junção de Hen – Henrique – e fil – Filho – e praticamente o obrigou a desenvolver os personagens conhecidos como Os Fradinhos.

Ele incomodava muito – e até hoje – com os ‘tipos’ e as falas dos Fradins, a Graúna, Bode Orelhana, Zeferino e, depois, Ubaldo, o paranóico.

Não era controlável – trafegava entre o impresso, o cinema, o teatro, a TV e também publicou alguns livros como o ‘Diário de um Cucaracha’, nos anos 70, em que falava com os amigos – “procurava sempre o tom intimista de quem dialoga não com um leitor anônimo, mas com um amigo ou conhecido” – como fez em ‘Cartas à mãe’.

Henfil morreu aos 43 anos, no Rio de Janeiro. Hemofílico (como seus dois irmãos, o sociólogo Betinho e o músico Francisco Mário), Henfil contraiu AIDS em uma transfusão de sangue, como já citei, ocorrência comum na época, já que havia ainda pouco conhecimento sobre a doença e a necessidade de cuidados específicos para preveni-la.

A data é popular para a reflexão dos brasileiros a respeito da importância da doação de sangue, sendo que o Dia Internacional da Hemofilia é lembrado em 17 de abril. Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada dez mil pessoas sofre de hemofilia. No Brasil, há cerca de nove mil hemofílicos. Em mulheres, casos de hemofilia são muito raros.

Henfil foi um homem genial em sua curta e meteórica existência. Seu traço era cortante e tinha a exigüidade e síntese da poesia. Criou muitos personagens que tinham a cara e cacoetes dos brasileiros. Lutou incansavelmente contra a ditadura e, junto com seus dois irmãos, formaram um trio que dominou a cena brasileira nas décadas de exceção do regime ditatorial brasileiro.

Depois de uma década de trabalho no Rio de Janeiro, passou a viver em Nova York, onde ficou dois anos para tratamento de saúde, período que resultou no livro “Diário de um Cucaracha”. Nos Estados Unidos seu desenho não fez sucesso.

Claro, o “tio Sam” era um dos seus alvos preferidos na destilação do veneno. Henfil, um grande cartunista ligado aos movimentos de esquerda, não negou tal associação e seu traço esteve abrilhantando nossas camisetas, e documentos durante muito tempo. Infelizmente Henfil faleceu precocemente.

O humor debochado, cortante e feroz de Henrique de Souza Filho, o Henfil, captou sem piedade e sem retoques a essência do Brasil. Quem teve a oportunidade de apreciar as suas tiras no “Pasquim” e depois no “Jornal do Brasil”, dificilmente não é seu fã. O seu desenho em camisetas marcou uma “narrativa” de um belo momento da história do Brasil. As cartas à sua mãe era o que tinha de melhor na antiga “Isto é”. Uma forma inteligente e lúcida de passar as mensagens em tempo de censura. Recordar Henfil permite-nos resgatar as sinergias entre duas forças que se completavam: o humor de combate daquele homem franzino e risonho, que conseguia captar, sem piedade e sem retoques, a essência do Brasil e o espaço precioso para dar vazão ao seu inconformismo com as injustiças e preconceitos sociais. Henfil sempre destacou o valor das transformações de linguagem e reformulou esse conceito no Brasil inteiro, libertou todo mundo, usou palavrões que daí em diante podia ser falado. Por exemplo, pô, putisgrila, paca. (…).Ainda hoje, creio que o valioso legado de Henfil acentua um dos traços mais fascinantes do jornalismo brasileiro. Saudades de você, nosso querido amigo.

 

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