Perseguida, Carta Capital some das bancas de Goiás

Perseguida, Carta Capital some das bancas de Goiás Foto: Edição/247

Revista com reportagem de capa O Crime Domina Goiás é recolhida das bancas por carros sem identificação; “bandidos”, denuncia advogado Luis Eduardo Greehalgh; “Alô, Mino Carta, mande um estoque extra para Goiânia”, tuitou o deputado Ricardo Berzoini; 247 recebe relato exclusivo sobre a situação

 

247 – Denúncias que se multiplicaram na manhã/tarde deste domingo 1 dão conta de uma verdadeira ‘razzia’, em Goiânia, sobre a revista Carta Capital que acabara de chegar às bancas. Carros sem placa de identificação percorreram as bancas de jornal de Goiânia, capital de Goiás, com homens comprando, de uma só vez, todos os exemplares disponíveis. Suspeita-se que a ação ocorra por grupos políticos ligados ao esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, que está preso pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. O assunto já é do conhecimento de políticos de expressão nacional.

O deputado federal Ricardo Berzoini, do PT-SP, foi bem humorado no Twitter ao se manifestar sobre o caso: “Alô, Mino Carta, mande um estoque extra da Carta Capital pra Goiania, tem gente comprando todas as edições pra coleção particular”. Já o ex-deputado e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh chamou de “bandidos” os homens que promovem a retirada da revista das bancas e deu um link da reportagem na íntegra (acesse aqui). “Soube agora que há carros sem placa recolhendo a Carta Capital das bancas”, registrou o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Abaixo, e-mail recebido de fonte de 247 sobre a situação em Goiânia:

“Não se encontra a revista Carta Capital em Goiânia nem pra remédio.

Houve ação rápida de governistas para fazer fila nas bancas antes mesmo delas abrirem. As informações são de que, no Palácio das Esmeraldas, o clima é de tensão.

Tensão e ameaça.

O chefe da Comunicação do Estado está mandando aviso às redações de rádios, jornal e TVs dizendo que estão todos proibidos de sequer mencionar o caso Cachoeira-Demóstens-Marconi em qualquer noticiário. As ameaças são de demissão e de entrada na lista negra de agraciados com verba pública da comunicação do Estado.

O objetivo é sumir com o assunto em Goiás, custe o que custar.

Perillo tem se reunido com seus principais auxiliares para achar uma saída para a sua entrada na pauta do noticiário nacional envolvendo Cachoeira. Conversa principalmente com seus advogados.

Uma das ações foi sua ida ao Twitter para tentar se descolar do imbróglio e ao mesmo tempo mandar recados com ameaças veladas.

Disse ele num dos posts: @marconiperillo: “Todos sabem que tenho sofrido agressões. Exemplo: matéria da revista Carta Capital é leviana, maldosa, irreal e tendenciosa.”

E ainda: “Minha equipe jurídica estuda medidas judiciais a serem tomadas no campo cível e penal para reparar a minha honra.”

Perillo também ameaçou por meio de assessores e aliados processar o Brasil247 por, entre outras coisas, mostrar em reportagem de Marco Damiani suas ligações com Cachoeira via empresário Valter Paulo, dono da casa onde o bicheiro foi preso e que pertencia ao governador tucano (“Mansão amplia elo entre Marconi e Cachoeira”).

O novo capítulo da operação abafa assunto “Cachoeira-Demóstenes-Marconi” em Goiás está hoje nas páginas do jornal O Popular.

Informações da Redação são de que tem havido pressão constante do Palácio das Esmeraldas – sede do poder goiano – sobre jornalistas e a direção da empresa, que resiste, trazendo à tona mais casos de ligações perigosas do jogo do bicho com a cúpula do poder goiano.

A carta soou como um aviso e mais uma ameaça nas entrelinhas. Mais uma.”

 

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