PT vai às urnas sem Dilma

Segundo o presidente nacional da sigla, a chefe do Executivo deve apenas acompanhar as disputas municipais. Lula é a grande esperança

 

Os encontros no Palácio do Planalto para o presidente nacional do PT tornaram-se, desde a posse de Dilma Rousseff, em 2011, momentos para relembrar a infância. A cada reunião, é recebido com um sonoro “Rui Goethe da Costa Falcão”. No entendimento dele, não se trata de uma bronca. É como se fosse um “olá, meu querido”. Mas o tratamento usado por Dilma coincide com o que era utilizado pelo pai, Albino de Freitas Falcão, quando o filho fazia travessuras. Em entrevista ao Correio, Falcão falou sobre o relacionamento com o Planalto e as estratégias do partido para a disputa municipal.

Entre uma pergunta e outra, foi interrompido por uma a ligação da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que queria saber se a disputa pela Vice-presidência no Senado, na qual foi confirmada Marta Suplicy (SP), não seria foco de futuro problemas. Ele se levantou e foi ao banheiro, em busca de privacidade para a conversa.

Após alguns minutos, voltou a falar sobre a disputa de outubro. Dilma deve ficar longe das brigas para evitar um racha na aliança dos partidos que a apoiam em âmbito nacional. Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai atuar, e não só em São Paulo. Também está no radar do PT a conquista das prefeituras de Salvador e de Porto Alegre. Sobre a dança das cadeiras na Esplanada, Falcão nega ter se frustrado com o fato de o deputado Newton Lima (SP) não ter sido nomeado ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação. Escolha da bancada petista, ele acabou preterido por Marco Antonio Raupp, opção de Aloizio Mercadante.

O PT vai disputar as eleições municipais com aliados que compõem a aliança no plano nacional. Como crescer sem atropelá-los?
É natural que, nas disputas municipais, cada partido queira crescer, assim como o PT quer. Então, a maneira de não haver sequelas é seguir a linha de campanha que queremos imprimir, que é a defesa do projeto nacional. Dessa forma, você não descamba para o pessoal, para ataques.

Quais são os municípios que se quer reconquistar?
São Paulo e Porto Alegre. Há outros que nunca governamos, mas são estratégicos, como Salvador.

Belo Horizonte não entra nessa lista?
A nossa posição é de que nós preferiríamos que se mantivesse a aliança com o prefeito Márcio Lacerda, do PSB. Não vemos como positiva a entrada do PSDB nesse conjunto.

Como o senhor avalia os sinais trocados do PSD em São Paulo? Ora tem candidato próprio, ora quer se aproximar do PT.
O partido vai manter diálogo, inclusive com o PSD. Mas temos que respeitar o tempo dele. Se amanhã o PSDB resolver ser o vice do Afif, nós não podemos ficar parados.

O senhor diz que o PT não vai entrar na linha de ataques contra os adversários.
Em São Paulo também?
O melhor argumento para nós é o governo do PSDB em São Paulo, não precisamos mostrar documentos. O episódio de Pinheirinho (a desocupação da área) mostra qual é o tratamento que o governador do PSDB dá a uma questão social. Não precisamos de documentos, de denúncias, de offshores, de difícil comprovação para nos credenciarmos na eleição.

Qual é a expectativa da participação de Lula na eleição municipal?
Ele recuperado, já falou de sua disposição de fazer campanha pelo 13, pelo PT. Certamente não será tempo integral em São Paulo.

E da presidente Dilma?
Ela tem prioritariamente a tarefa de governar o país. Nós temos uma crise mundial em andamento. Não se pode perder um segundo de vigilância.
Então, a previsão é de que Dilma não participe diretamente da campanha?
Se ela se atira em disputa em que os aliados e

stão divididos na base, não teremos a garantia posterior de permanência das alianças no âmbito nacional. Acho que ela vai ter uma postura de acompanhamento e de não envolvimento direto nas disputas que dividem os aliados.

Faz parte das estratégias do PT a saída de Paulo Bernardo do Ministério da Comunicação para organizar o PT no Paraná?
Não. Nem o desejo que ele vá, nem que ele saia do ministério. Isso são decisões que cabe à presidenta e que cabe a ele. O partido não tem esse nível de influencia de intervenção.

Em relação à Presidência da Câmara, o PT vai cumprir acordo como PMDB ?
Não há precedente com o PT de descumprimento de acordo político, nenhum na história. Vamos manter o acordo de que o presidente da Câmara será do PMDB.

Mas é o episódio da Vice-presidência do Senado em que estava acertado um rodízio entre os senadores do PT?
Não houve descumprimento do acordo, houve uma reavaliação, convencionou-se que ela deveria continuar. Estou falando do acordo do PT com o conjunto para fora, não de acordo intra-PT.

No episódio da escolha no novo ministro de Ciência e Tecnologia, alguns petistas disseram que o senhor foi procurar Dilma, mas não foi recebido…
É curioso. Quando teriam dito que eu fui lá, ela estava em Angra dos Reis (RJ), e eu almoçando com Ideli. O Newton Lima nunca me procurou. Ele seria de fato indicado ministro não fosse uma condenação por órgão colegiado por conta de uma pesquisa que ele fez em São Carlos (SP) quando era prefeito, e o Ministério Público entendeu que era improbidade administrativa. Não há conflito com o Planalto, as nossas relações com a presidente são as melhores possíveis. Inclusive, depois de ela ter batido a porta, disseram que ela não queria minha eleição. Na semana passada, terça ou quarta, eu fiquei das 10h até as 12h45 reunido com ela tratando dos assuntos do país, da conjuntura.

E da reforma ministerial?
Essa confiança de poder conversar comigo sem ter vazamentos mantém essa relação. Sou de uma época que, quando você conversa com o presidente, a versão é da pessoa que te recebeu, sobretudo o presidente.

É diferente a relação da época de Lula e agora com Dilma?
Eu convivi com o presidente Lula como presidente do PT quando ele era candidato a presidente em 1994, e exerci durante um ano a Presidência do PT. Então, era outro tipo de relação. Agora, ela (Dilma) é presidente, eu sou presidente do PT. Eu a chamo de Dilma. Fora, eu a chamo de presidenta. Ela me chama de Rui Goethe. Só quem me chamava assim era meu pai, ela sabe disso. Quando ele queria ficar bravo comigo, dizia: Rui Goethe, menino. Então, ela faz questão às vezes de falar meu nome completo: Rui Goethe da Costa Falcão.

É quando ela está brava?
Não, ela não fica brava comigo.

Como foi o papo com a Ideli há pouco no telefone?
Fui informar para ela: tudo bem no Senado

Autor(es):  Erich Decat e Josie Jeronimo

Correio Braziliense – 05/02/2012

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Uma resposta

  1. Parabens Presidenta Dilma gostei de sua atitude a Shra esta ai para governar esse trem desgovernado chamado Brasil e por falar em desgovernado pareçe q um tal deputado greenhalg ta ganhando uma baita grana de honorarios advocaticicios, alguem sabe dizer algo sobre?

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