MST chega ao Poder Executivo

Jornal do Dia – Coluna de Rita Oliveira

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é hoje um dos mais importantes movimentos sociais do Brasil, tendo como foco as questões do trabalhador do campo, principalmente no tocante à luta pela reforma agrária. Como se sabe, no Brasil prevaleceu historicamente uma desigualdade do acesso a terra, consequência direta de uma organização social patrimonialista e patriarcalista ao longo de séculos, predominando o grande latifúndio como sinônimo de poder. Desta forma, dada a concentração fundiária, as camadas menos favorecidas tinham dificuldades à posse da terra.

Assim, do Brasil colonial da monocultura ao do agronegócio em pleno século XXI, o que prevalece é a concentração fundiária, o que traz à tona a necessidade da discussão e da luta política como a encabeçada pelo MST, que hoje é responsável pelo assentamento de mais de 370 mil famílias em todo o país.

A formação do MST de Sergipe começou com a participação de nove representantes no 1º Congresso Nacional, em 1985. Os conflitos de terra estavam em efervescência, especialmente nas regiões de Propriá e Pacatuba. Já em setembro do mesmo ano, com o apoio do MST e da CPT, 300 famílias ocuparam a Fazenda Barra do Onça, em Poço Redondo.

No 1º Encontro Estadual, em 1987, em Itabi, o MST começou a se articular com os movimentos indicais rural e urbano, a Igreja e outras instituições. Hoje, são mais de 14 mil famílias acampadas. Em setembro de 2008, elas comemoraram uma importante vitória: 3 mil adultos e jovens do MST receberam os certificados de conclusão do curso de alfabetização promovido pelo governo federal por meio do Programa Brasil Alfabetizado. No total foram assistidos 50 acampamentos e 30 assentamentos.

Hoje, em Sergipe e no país, o MST não se tornou apenas um grande movimento social, mas uma sigla política. Seus militantes, geralmente filiados ao PT, na época de eleição, vão às ruas para eleger seus candidatos. Os sem terra, com suas bandeiras e camisas vermelhas contendo a foice e o machado como símbolo, participaram intensamente da campanha para eleger Lula presidente e Marcelo Déda governador.

No Estado, o Movimento dos Trabalhadores SemTerra, pela primeira vez, tem um representante na Assembleia Legislativa. João Daniel, um dos líderes do movimento em Sergipe, foi eleito em 2010 deputado estadual pelo PT com uma votação expressiva.

Agora, pela primeira vez, o MST tem um prefeito em Sergipe. É Roberto Araújo, que assumiu ontem a prefeitura de Poço Redondo no lugar de Frei Enoque, que renunciou ao cargo por exigência da Igreja que não aceita mais padres participando da política partidária. Roberto, que será candidato à reeleição em outubro, entra para a história política de Sergipe como o primeiro prefeito sem terra do Estado.

Ponto de Vista

Com a posse de Roberto Araújo como prefeito de Poço Redondo, o deputado estadual João Daniel (PT) disse que ganha não só o povo do município, mas o MST na região que deixa de ter um vice-prefeito para ter um prefeito nos próximos 11 meses. “A sua posse representa um marco histórico na luta do MST pela terra em Sergipe e no alto sertão e o compromisso de continuar a administração de Frei Enoque”.

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