PAPACANO: papagaio tucano

Desta vez terei que me solidarizar parcialmente com o deputado estadual Carlão Pignatari pelo seu “discurso” na reunião da diretoria da Santa Casa de Votuporanga no auditório do Unifev/Saúde.

É fato que existe uma grande defasagem entre a tabela de preços praticados pelo SUS em relação ao mercado, sendo assim os recursos repassados pelo SIH (Sistema de Informações Hospitalares) insuficientes para a cobertura dos procedimentos. Assim também como é fato que o sistema é freneticamente burlado pelos operadores. Médicos e hospitais dão aquele “jeitinho de brasileiro” para receberem por procedimentos que não executaram para compensar algumas dessas discrepâncias. Muitos desses jeitinhos são denunciados diariamente pela mídia. É aquela velha máxima do patrão que sabe que está sendo roubado pelo funcionário, e ao invés de mandá-lo embora, nega-lhe apenas a justa equiparação salarial. O sistema é falho, mas isso é outra coisa. O fato em si é que a tabela é defasada e ponto.

Mas, ao contrário do que tentou pregar o deputado Carlão, implicitamente, isso não é de agora, vem desde a implantação do SUS, inclusive durante os dois mandatos do partidário do deputado, o ex-presidente tucano FHC, tendo como melhor ministro da saúde de todos os tempos (diga-se de passagem, que eu nunca votei nem opinei nesta eleição) o ex-presidenciável José Serra, aquele que se eleito fosse iria fazer o PROER da Saúde (graças ao bom DEUS ele está assistindo o jogo da arquibancada, pois o PROER dos bancos feito pelo FHC já nos bastou).

O governo paga pouco pelos procedimentos, pois sabe que o sistema é falho (um erro gravíssimo da ação governamental), mas pela necessidade primordial de domínio da via política, deixa escapar por entre os gatilhos da máquina os rejcursos por via pagamento de emendas parlamentares. Com isso mata dois coelhos de uma só vez, estabelece controle sobre a via política e permite algum equilíbrio na contabilidade dos servidores do sistema. Os bons servidores se adéquam à realidade e convivem com a realidade deficitária em níveis controláveis (o que são poucos).

Vez por outra ele barra a via política e os políticos se sentem desprestigiados pela mão que abençoa toda esta engenhoca administrativa.

Os políticos então, principalmente os de oposição, berram igual bezerro desmamado, pela manutenção da irrigação política do sistema.

O deputado Carlão, mesmo não sendo um problema referente à sua esfera de governo, adota a postura de berrar por esta manutenção em solidariedade aos seus partidários.

Eu, como cidadão, lutaria pela adequação da tabela de preços praticados pelo SUS e pela implantação de um sistema menos falho na sua operacionalização. Mas, o deputado Carlão só berra pela manutenção do gotejamento político dos recursos através de emendas parlamentares: “Não é possível um deputado colocar emendas no orçamento e o governo não pagar”. Novamente concordo parcialmente, pois o correto seria a criação de um sistema de gestão auto-sustentável, sem a interferência dos tentáculos da politicalha.

Entre outros meios de irrigar esta defasada contabilidade dos servidores credenciados, destaca-se a assinatura de convênios entre os servidores e o Ministério da Saúde. De 2009 até agora, com dados demonstrados pelo Portal da Transparência do Governo Federal, foram liberados para a Santa Casa de Votuporanga R$ 795.833,64, dinheiro este liberado para a reforma do setor de hemodinâmica, aquisições de medicamentos e talvez até o pagamento daqueles quadrinhos bonitos que estão na parede do hospital.

O governo federal também investiu alguns milhões na implantação em Votuporanga do UPA e do SAMU, justamente para desafogar o atendimento de pronto-socorro da Santa Casa.

Como bom político tucano, o deputado Carlão tratou logo de assumir este seu papel para os presentes, dizendo: “Temos que agradecer e muito o governo do Estado pelo que tem feito por nossa cidade. O governo federal é que faz vistas grossas e não paga suas obrigações”. Esqueceu-se de dizer o quê o governo estadual tem feito, além de terceirizar a saúde no estado e permitir a utilização de parte dos leitos que deveriam estar disponíveis para o SUS, aos planos privados, um ótimo negócio para os empresários da saúde que podem contar com a estrutura pública financiando seus negócios particulares bem lucrativos.

Emendou ainda com outra demagógica e desencontrada falácia, a de que: “A Saúde não rende votos, por isso há esse desinteresse. O que rende voto é bolsa alimentação; é pura política”.

Segundo dados do IBOPE apurados em pesquisas junto à população brasileira, o setor é considerado prioritário, superando a educação e a segurança pública, logo, é prioritário também nas ações de governo. A administração pública tem assimilado este recado e o orçamento em saúde tem acompanhado o crescimento econômico do Brasil, passando de R$ 27,2 bilhões desembolsados em 2001 para uma previsão orçamentária superior a R$ 77,1 bilhões neste ano. Este salto se verifica em todos os níveis da administração pública, inclusive aqui na administração municipal do seu partidário Marão Filho.

Ainda é pouco e é preciso disponibilizar mais recursos, estancando os gargalos da corrupção e da inoperância. Uma providência imediata deveria ser a atualização da tabela de procedimentos e o fim da irrigação pela via política.

Da minha parte, os recursos também deveriam ser mais bem distribuídos. Por ex: conseguiríamos sobreviver sem o centro de informações turísticas, obra conveniada com o Ministério do Turismo em R$ 3.9 milhões. Também passaríamos sem os R$ 1.349.929,15 que aportaram nas contas dos convenentes com o Ministério do Turismo para a realização de: festas da virada, Votufolia e Expofisav, de 2008 para cá. Fora o financiamento de outros convênios milionários que estão em andamento e não se tem uma idéia clara de quê se tratam. Esse Ministério do Turismo é mesmo uma mãe gentil para a politicalha!!!

Em terras onde o circo está sempre na dianteira do pão, o deputado estadual Carlão Pignatari discorreu seu monólogo fantasioso e desinformado aos pobres ouvintes da diretoria da Santa Casa. Assumiu novamente o picadeiro e protagonizou o espetáculo do qual já se tornou habitue. Espero que, pelo menos, tenha sido agraciado com aplausos efusivos, pois os artistas vivem de aplausos.

PS-1: O deputado Carlão Pignatari é uma jovem liderança política regional, mas nós eleitores comuns que não freqüentamos o “Pão de Queijo” nada sabemos do seu ideário político, em que causas acredita e no que milita, constituindo-se assim numa grande mala que ninguém sabe o que tem dentro. Agora já sabemos que ele é contra a política de repasses de renda e de quitação da dívida social da Nação para com os seus desfavorecidos. Quem sabe ele resolva nos brindar com seus posicionamentos em outros assuntos polêmicos como: reforma agrária, sistema de cotas multirraciais, aborto, a laicidade falsa adotada pelo Estado brasileiro, entre outros. Aí saberemos se ele é mesmo um tucano autêntico, ou só mais um papagaio genérico disfarçado que repete aquilo que ouve. Ao final do debate alguém, por favor, lhe atire uma bolinha de papel… Se ele matar no peito e chutar pro gol, ainda tem cura. Mas, se ele se atirar no chão e disser que foi a oposição que lhe atirou aquele tijolo, podemos perder as esperanças, o fiteiro é mesmo um tucano autêntico e incurável!!!

PS-2: Ao administrador Mário César, meu velho conhecido desde os tempos em que eu era o motorista do ônibus que o levava para a faculdade de Direito em Rio Preto: Marinho, o hospital já está em contingência de recursos faz muito tempo. Aqui mesmo neste blog já noticiei um episódio acontecido comigo, onde depois de ser atendido no pronto-socorro municipal e me submetido à imobilização do braço por uma tala-gessada, a enfermeira responsável pelo atendimento disse que não poderia confortar o apoio de pescoço com algodão, pois a cota de uso do dia já teria acabado. Isso é ou não é contingência de gastos???

VISITEM O BLOG DO LAMPARINA NO: http://robertolamparina.zip.net

2 Respostas

  1. Ruim com o Carlão, pior sem ele, sem o Itamar, sem o Edinho Araújo. Imagine só a nossa região dependendo dos paraquedistas paulistanos que aparecem aqui (inclusive do PT) de 04 em 04 anos.. Pobre povo do Vale seco da Euclides da Cunha!!
    Viva o voto distrital puro!!

    • Não concordamos, de forma alguma, com a proposta do curral eleitoral (voto distrital), mas somos gratos pela participação no debate.
      Abraço fraterno.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: